D18 - Reencontro (old)
5 Capítulo final
Notas iniciais
Leiam o próximo capítulo. Lá não há história, mas tem coisas que é interessante saber.
Certo, certo; e o que mais? O que mais há de fazer-se? Aguardar, aguarde. E sucederam horas desde então, o sol deixou-se ressurgir como uma pequena flor a desabrochar no bosque, desencadeando uma mobilização geral que buscou exercer a mesma atividade; assim comparo aos raios que foram tomando a extensão numa ânsia incontrolável; logo, haviam para si adquirido tudo quanto lhe havia pelo caminho. Não tardou em alcançar a face do moreno, iluminando o semblante opresso, deixando clara a fisionomia deteriorada do ser; e quão complicado é descrever com exatidão a fúnebre expressão de Hibari, como se lhe houvesse arrebatado a última gotícula esperançosa que ele guardava em si com tanta destreza. E isso leva-nos ao princípio uma vez mais; pois, estando ele defronte a algo de relativa obviedade, qual seria a razão lógica de esquivar-se, quando a situação por si pede total atenção? Há horas em que, tomados pelo momento, acometemos coisas das quais não se faz tardio o sobrevir das consequências.E nisso, concluiu ele, de si a si, que estava explícito o erro; que desde o princípio, independendo do que houvesse de se suceder, que deveria estar ao lado do amado; não era fraqueza, não havia, em momento nenhum, a manifestação clara de seus sentimentos, senão mera afabilidade e comoção se tratando de alguém que já lhe foi “mestre”. Não obstante, adentro, sabia ele claramente o que sentia com relação ao outro, o que só se dava diante de sua exclusiva presença; e como lhe era faltosa esta, e como sucumbia ele na ausência daquela criatura. Por fim, deu-se por vencido. Levantou, deixando ao lado toda a hesitação que pesava-lhe e, voluntariamente, pô-se caminhar em ritmo rápido, lançou-se escada abaixo, corredores e, saindo do recanto escolar, foi-se porta a fora tomando a rua como caminho.Embora o interesse acerca dele seja evidente, deixemos Hibari a correr desesperadamente, e voltemo-nos ao enfermo, que também nos é de respeito. Silenciosos, lúcidos e de atenção elevada, assim estavam todos diante da porta; os comparsas de Dino, ignóbeis como eram, e Tsuna juntamente com seus parceiros, não sobrepujando-os por sobre os anteriores, é claro; eram de feitio semelhante em todos os sentidos que se vê, e não digo por rabugice, mas por, diferente de vários indivíduos que tenho conhecimento, não valorizá-los como personagens tão contempláveis, tendo meu interesse mais voltado aos antagonistas; enfim, assim estavam. Ora, por razão do tédio, trocavam algumas palavras, porém de todo, o silêncio prevalecia persistente, a agonia, não lhe digo. E foi, pois, nesta cena que nos aparece o que possui como atributo o título de protagonista, com aspecto atônito, pouco reparou da presença alheia, senão ter averiguado quantos e quais eram, porém, sem delongar notando as expressões; o que contemplou em completo escarninho e, com efeito, repeliu, foi o fato de que opuseram-se a ele, defronte à porta, um médico e uma enfermeira, afirmando que era proibida a entrada de qualquer que fosse a pessoa, por razão do estado crítico do doente. - Dou-lhes, se querem saber, três opções. Primeira – proferiu, erguendo o indicador, suspirou e prosseguiu-, vocês podem desocupar-me a porta. Segunda – o médio, de imediato – vocês prevalecem onde se encontram e, por fim – - Acalma-te! — Interrompeu o médico em tom soberano, dando um leve empurrão no busto de Hibari, com as mãos inteiramente abertas, como a privá-lo de reação – você não está autorizado a adentrar e, por conta do ordenado, não o fará ainda que – - ... Terceiro – e em completo ignorou-o, irreverente. Prosseguiu calmamente, indiciando o anular, num sumptuoso gesto de manifestação facial, deixando que os cabelos dessem-se ao lado e a feição sádica tomasse por completo seu aspecto. — você se cala, e então irei bater-lhe até a morte; não lhe restando nem sequer um resquício reconhecível de que, em algum momento, na vastidão desse mundo, sua existência ocorreu de fato. Trêmulo, ocorreu-lhe uma sensação gélida na espinha; podia ouvir o palpitar do coração como se o possuíssem em mãos apoiando-o por sobre a orelha. Desviou seus passos, liberando passagem. E o mesmo fez a moça, igualmente temerosa, pálida, agiu maquinalmente, calada como estava.
Hibari não tardou em voltar-se ao que lhe era imponente, e prosseguiu ao encontro do outro, inanimado, jazendo com a ajuda de aparelhos que agiam em diversas partes de seu corpo. Quem diria que, em dado momento, haveria ele de estar ao pé de um doente, como a cuidar-lhe. Riu e deixou-se ignorar tais pensamentos, trancafiou a porta e lá ficou ao lado dele, só, sucedendo horas desde então. Esgotado, cessou por completo quaisquer que fossem os pensamentos que sua mente duvidosa trazia-lhe, fossem positivos ou negativos, prostrando-se e, assim, escorou-se na cama, a dormir. Sonhos que fossem, tranquilizavam-no duma forma que a supressão do cansaço era certeira. Acordar, então, era mero detalhe. Enquanto dormia, seus sonhos traziam consigo lembranças, recheadas de acontecimentos agradáveis, medianos e, cá e acolá, desolados. Detalhes, apenas detalhes. \'Mas, afinal, o mais valioso da vida são os detalhes; são deles que se compõem as maiores obras, deles que se deterioram os piores e maiores vilões, mocinhos e os meio-termo. Mas, em verdade, não ultrapassam a categoria “detalhes”; não por singelos que sejam, mas porque poucos são aqueles capazes de notar. Daí surgem as diferenças entre os seres humanos, que nem todos atentam aos detalhes; afinal, boas oportunidades não surgem para os de médio intento, mas sim aos de grande percepção, aqueles que absorvem os detalhes como se faz com o essencial. Um vento frio transpassou-lhe o pescoço, fazendo um calafrio percorrer-lhe o corpo; junto a isso, não, acompanhando-lhe, sentiu um afago, julgou ser ação eólica e permaneceu como estava; não fosse a carícia nos cabelos, não haveria ele notado que não era ação natural, mas um fator próximo, deveras próximo. Levantou-se de súbito com o intermédio das mãos, foi quando então pôde contemplar à frente a benévola imagem de Dino, desperto. Olhava-o plácido, esboçando um sorriso lhano; as olheiras eram claramente profundas, a face e o corpo estavam com aspecto abatido; respiravam ruidosamente, os olhos entreabertos não aparentavam possuir aquela característica por decisão de seu senhor, estava brando. - Acordei-te? — interrogou naquele tom sereno, arrebatador de melancolias.- perdão.- De sorte que o fez. — Respondeu prontamente, segurando a mão gélida do outro com a própria, sentia a fraqueza de seus dedos a tentarem entrelaçarem-se aos de Hibari, não tendo forças que suprissem com a necessidade solicitada.- Devo concordar... Hibari, eu realmente lamento. Jamais imaginei que tal circunstância daria-se.E então explicou-o que agiu por impulso e o que mais havia pensado quando presenciou a cena entre ele e Mukuro. Utilizando a situação proporcionada, relatou também Hibari ao outro o que de fato sucedeu-se no momento em que encontrou-o. Ambos conversavam, trocavam palavras como velhos amigos, o que não eram(óbvio) ; Ora e outra, Dino mostrava-se pálido, faltava-lhe ar e a voz não lhe alcançava. Ao preço de um ou dois copos de água, tomados arduamente... prosseguiam com o diálogo até que, numa pausa demorada, o loiro pediu a atenção de Hibari, em seriedade. - Ouça-me, Hibari... — rouco, forçou-se a continuar – antes que eu dê-se meu último suspirar, eu gostaria de dizer-lhe algumas palavras; ouça-as, e tornará ameno o sofrimento de minha alma.- Não fale assim, não diga como se de fato fosse morrer. Não sonhe, nem sequer sonhe nessa possibilidade, débil. - … É incrível como se pressente a morte com tamanha facilidade, é como se, em algum ponto de meu interior, jazesse ela a alertar-me. Entristece-me dizer-lhe que estou partindo, mas deixe-me lhe dizer o que é de maior valor, peço-lhe que ouça. - Certamente, daqui há alguns dias, quando estivermos partindo desta espelunca, você estará são e irá rir junto a mim destas palavras que agora proferirá. hm.- Não sabe como desejo que assim fosse; porém, infelizmente a vida não é justa, ouça-me. E começou a relatar-lhe de como foi na viagem em que não avisou que partiria. Detalhou a cidade, os habitantes como agiam, o que havia feito lá e, especialmente, os momentos em que encontrou-se só; disse o quanto pensou em Hibari, o quanto seu corpo desejava-o e sua alma, acima de tudo. Por fim, tossiu, sentindo uma enorme fadiga no peito. Alterou o tom de voz inúmeras vezes até que, enfim, arrematou a narração. Prevendo o fim próximo, ergueu a mão com a pouca força que lhe restara, movendo os dedos como a convidar uma aproximação. Hibari, atendendo-o, foi acerca dele, levando a face ao encontro da outra.- Beije-me... Beije-me, Hibari; desejo senti-lo uma última vez, e por fim partirei com o doce gosto de teus lábios nos meus, tendo para apreciar eternamente essa contemplável lembrança. Agora, não delongo mais, apenas toque meus frígidos lábios nos teus e finde meu sofrimento. Assim se fez; Hibari, desfazendo-se em pranto, tocou-lhe nos lábios e beijou-o avidamente, como a levar as mão à face do outro, houve a correspondência, sucedida por uma breve mordiscada e, com efeito, aquilo em verdade foi o remate do resquício existencial que ainda restara em Dino. Ao notar que osculava um corpo privado de vida, sentiu imensa angústia. Deixou-o na cama, com a face à mostra; morreu sorrindo. - Idiota... No fim, não pude bater-lhe até a morte. Como se dormisse, jazia o corpo na frieza da morte, aguardando a putrefação e os vermes que haveriam de se alimentar. Aqui paro, cabe à natureza fazer o que lhe convier sem que se faça útil quaisquer comentários meus. Enfim, Hibari destravou a porta, saiu da sala, e o que se sucede não me diz respeito.[E] Assim concluo minha história; não da melhor maneira que pude, mas de forma que ao menos o ímpeto de uma lágrima jorrar-se pela face, este fez-se.[D] Isso foi... Bem, eu realmente não me interesso na morte, não por agora...[H] Ficou ótima, embora algumas atitudes descritas por você não possuam nem sequer a mais mísera das possibilidades em acontecer. E, bem... você alterou de pessoa em diversos pontos. Isso explica-se por sua pouca idade, então... Está bom. [E] Ora, quando principiei a história não sabia o que fazer no começo, quem dirá no fim. Daí a razão pela qual fiz daquela maneira, porque a história tomou um rumo diferente. Então, não pense que foi um erro. [H] Já lhe ensinei, mocinha... — disse, puxando-lhe as vastas bochechas – que não deve atribuir desculpas aos teus erros. [E] Mas isso não foi um –[D] Você deseja minha morte, filha?[E] Pai, nunca vi indivíduo mais CDV que você.[D] Como é? Onde há respeito por aqui? Ademais, você me matou. [E] Eu não o matei, DER. [D] E o que foi aquilo, afinal?[E] Aquilo?... Bem, aquilo é o que chamo de final perfeito. A morte compensa tudo. Tudo...[H] Está, porventura, desenvolvendo indícios de sadismo?[E] O que é sadismo?[H] Ignore.[E] Ok. [D] Mas eu realmente não penso em morrer...Fim.Adicional.[E] Ethel [D] Dino[H] Hibari
Notas finais
Fui escrevendo tudo rápido, sabe lá Deus as merdas que saíram aí. XDD Enfim, não vou mudar, morro de preguiça. q
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