Abri os olhos subitamente, era madrugada. Esfreguei-os uma ou duas vezes e ergui minha face. “hm?” olhando pela janela a predominante escuridão, constatei que fosse noite. Voltei à cama, observando o teto. Percorria-me um suor incomum. Glacial, caloroso... E logo, eu já não mais era capaz de senti-lo. Respirei profundamente, fechando os olhos, tentava retornar ao sono que havia perdido.

Em minha mente, ocorria um flashback de memórias. Eu o via, e o via... E não saía da mente. “AH!”, resmunguei, levantando-me da cama.

- Quando poderei vê-lo? – interroguei-me diversas vezes, enquanto observava da janela a vaga cidade por onde havia de resolver certos assuntos. Suspirei, por fim, voltando à cama –

Passadas algumas horas, raiou o sol. Trouxe consigo uma agradável manhã cujos pássaros cantavam maravilhosamente. Levantei-me, respirando profundamente e esticando meu abatido corpo, que há tempos não recebia o calor que verdadeiramente necessitava.

“Nem mesmo todas as maravilhosas sensações que a natureza pode proporcionar-me compensaria aquela que experimentei ao seu lado.”

- Logo estarei em casa. – repetia, instigando-me a uma ilusão. –

- Senhor – dizia-me um dos rapazes – está tudo bem?

- Ah, claro! – respondi-o, sorrindo da melhor forma que fui capaz –

- Logo estaremos em casa.

- É... estaremos. – disse eu, distante, enquanto olhava da janela do carro as imagens de fora sendo ultrapassadas – ... assim poderia sertambém...

- Sim?

- Ah, não... Nada.

Passei a tarde resolvendo assuntos relacionados à Máfia. Era completamente vago, meu olhar focava a todos, mas meu interior estava distante. Tanto que, por mais perto que fisicamente encontrassem-se de mim, tão longe estavam de me realmente ver. Ao fim de tudo, levantei-me, indo à caminho do carro.

- É para o outro lado!

- Ah, é. Mas que cabeça a minha, heh. – retorqui, pondo-me no caminho correto – Mas o que diabos há comigo?

Viajei sem avisá-lo. Não dispus de tempo o suficiente para tê-lo dito nem mesmo um “tchau”. Foram com esses pensamentos que passei mais dois meses fora, naquela monotonia agonizante. “Ligar? Temo que ele não atenda. Antes pessoalmente... Antes assim...”

- Chefe, o carro está pronto.

- Carro? – interroguei-o, não sabia do que se tratava, imaginei que teria o dia livre –

- Sim, para voltarmos.

- Ham? – naquele momento, milhares de pensamentos transcenderam minha mente – finalmente... – pensei, levantando-me sem hesitar, a caminho do carro –

Sentado no terraço, observava uma foto peculiar. Seu olhar permanecia o mesmo, típico de sua personalidade inconstante. A expressão era calma, e não aparentava alteração alguma. O vento soprou, abalando seus cabelos. De longe, alcançou seus ouvidos um som já conhecido:

Midori Tanabiku,

Namimori No

Dainaku Shounaku,

Namii Gaii ~ (8)

Era Hibird que acabara de chegar, pousando sobre o ombro de seu dono. Hibari olhou-o, e novamente voltou-se à foto.

— Falta quanto tempo para chegarmos? – Interrogava Dino, ansioso e ao mesmo tempo, irresoluto –

- Uma hora e meia, senhor.

- Hm... – Suspirou, olhando para fora. Estava inseguro e temia ser rejeitado, ele bem conhecia Hibari e suas imprevisíveis atitudes. –

- Hibari-san! – Gritava Tsuna, logo abaixo dele – — ...? – Ergueu-se, direcionando o olhar para o outro – O que quer? Veio apanhar?

- Não, não, não...! Vim avisá-lo que em breve nós estaremos partindo, e... Bem, não deixe de vir, por favor... – Dizia, gaguejando. Temia apanhar até a morte –

- Hm. – Manteve-se calado, desferindo um olhar sombrio ao garoto. Simplesmente deitou-se e voltou a observar a foto –

- Ei, Hibari-san... – disse– Bem... eu o avisei, espero que compareça. – completou, caminhando em direção à saída –

Alguns minutos haviam se passado desde então. Hibari levantou-se, espreguiçou e deu uma breve observada na extensão da escola, a partir de onde estava. Notou uma peculiar presença que se encaminhava à sua direção. Seu olhar mudou completamente. Olhava atentamente seu trajeto até que o mesmo ficasse diante dele.

-Hm...?

Notas finais
Quem será? Deixo-vos na surpresa. :P