Notas iniciais
Alec ainda não entende suas visões. Talvez possam ser lembranças... mas de quem? dele? de outra pessoa? Poucas respostas para muitas perguntas.

"Por que choras... minha criança?" Aquela voz meiga e calma ecoava no ambiente, ou melhor, na minha mente. Logo eu pude ver uma criança, enrolada em simples vestes. Chorava muito, como se acabara de nascer. Ao seu redor não tinha nada, não era uma metáfora ou algo do tipo, por mais louco que possa parecer, realmente não tinha nada naquele lugar, era um completo vazio em branco. A criança estava no centro, ao seu redor era possível ver uma grande quantidade de energia, emanado do seu pequeno corpo, enquanto mergulhava-se em suas lágrimas inocentes. Quanto mais distante do raio de sua presença era possível notar que o ambiente ia ficando cada vez mais escuro, até ser totalmente ser engolido pelas sombras... Infinitas e densas... Sombras.

Antes que eu pudesse perceber a criança havia parado de chorar. Ela olhou para a escuridão que estava ao longe acima de sua cabeça e então ficou seria. De repente um longo feixe de luz cortou a escuridão e atingiu o bebê. Apesar de parecer uma cena agressiva a criança não parecia estar sofrendo. Por algum motivo imediatamente senti que aquilo era para a sua própria proteção. Algo estava tentado protege-lo? Quem? Ou... Oque?

Logo após isso minha mente começa a falhar, minha projeção em meu próprio sonho se torna fraca e não consigo ir além disso... e então... Acordo...
...

—- Bom dia. Vejo que já acordou jovem mestre. -- Falou o "Shikigami" da família, abrindo a porta de correr, enquanto entrava em meus aposentos com temática oriental tradicional.

—- Eu já falei para não entrar tão de repente. Tente por favor bater antes de entrar -- Meu coração estava acelerado e eu estava um pouco nervoso, porém, mesmo sendo surpreendido daquela maneira, tentei me acalmar.

Minha noite novamente havia sido conturbada. Esse sonho tem se tornado cada vez mais frequente, ainda não consegui entende-lo, mas sinto como se ele anunciasse algo por vir...

Eu enxuguei o suor em minha testa com meu braço esquerdo e levei minha mão até o pescoço e segurei meu colar, tentando me acalmar novamente, por algum motivo aquele sonho mexia comigo. E então o jovem Shikigami gentilmente falou...

—- Alec, a pedra em seu pescoço está brilhando.

—- É verdade. Não estou me sentindo bem hoje, não se preocupe -- Sussurrei enquanto olhava para a pedra do colar em minha mão.