D.
1 Prólogo
Notas iniciais
— Até que enfim.
— Desculpa, eu não sabia o que fazer na número 10. – respondo terminando de jogar meus livros na mochila e a jogando nas costas.
— Não entendo porquê tanta dificuldade. Física é tão fácil.
— Bruno, — paro e o seguro pelo braço para que esse descarado arrogante me olhe nos olhos – não é porque é fácil pra você – pressiono propositalmente meu dedo indicador em seu peito branco e magricelo coberto por uma camisa preta com verde. – que é pra mim, entendeu?
— Só estou dizendo, – ele agarra meu dedo e o tira de seu peito voltando a andar – que você deveria estudar.
Não vou me dar ao trabalho de responder essa acusação ridícula de que não estudo. Sendo verdade ou não, o que de fato até é, isso não é da conta do Bruno, eu não escolhi odiar a física, nós só não temos química. De qualquer maneira, tenho mais o que me preocupar, eu ainda não recebi nenhuma ligação e não sei quem é o bendito D.
No caminho eu e Bruno não trocamos muitas palavras além dele me contar de suas experiências frustrantes com a nova namorada que não estou nem aí.
— Eu ainda queria saber porquê ela passou rindo pra você no intervalo.
— Rapaz, tá aí uma coisa que eu queria saber também. Mas, mais do que isso quero saber como ela soube onde é minha casa para me cercar enquanto jogava o lixo fora. – Na verdade eu sei, ela deve ter perguntado pra o mundo todo que conheço até descobrir. Não dá pra esperar algo diferente da garota que correu atrás de todas as ex dele para saber como ele iria terminar com ela no fim das contas, e detalhe, ELE NEM SONHA EM TERMINAR COM ELA! É isso mesmo que você tá pensando, maluca!
— O que foi que ela te disse mesmo que eu nem me lembro?
— Abre aspas. – faço aspas com os dedos – “O Bruno e eu brigamos. Ele deve ter te contado né, você é a melhor amiga dele. Por favor, conversa com ele, as coisas não foram nada do que ele pensa.” Fecha aspas – repito o sinal dessa vez me achegando ao meu portão.
— Você nem estava lá, como você me convenceria de algo?
— E não é isso que eu penso?
— Muito estranho. Mas enfim, tchau Cah, até amanhã.
Adentro minha casa e não demora até eu reparar o olhar curioso da minha mãe que aparentemente está de folga hoje. Com certeza tem outra! Ela não estaria me olhando com essa cara de esperança por causa do Bruno, ela nem mesmo shippa a gente então só pode ter outra.
— Chegou mais uma margarida. – Ela beija minha testa enquanto jogo minha mochila no sofá – Sabe, eu não ia achar nada ruim, nem brigar ou perseguir o cara se você me disser ao menos o nome dele.
— Já te falei que gosto desse ar de mistério tipo CSI, Mentalista...
— Não é um mistério se você sabe quem é.
— Mas a senhora não sabe. Esse é o mistério. – Não sou boba e aproveito dessa deixa para ir ao meu quarto conferir o recado da semana. A verdade verdadeira é que não sei quem ele é, porém minha mãe surtaria se achasse que recebo flores e recados de um completo desconhecido. A polícia, ou os cat fish já o teriam achado a essa altura, mas esse serviço de busca é exclusivamente meu.
“Seu olhar desperta o melhor de mim.
Me deixa apaixonado por sua intensidade e alegre por seu brilho.
Pra mim, é a própria visão do amor!
O olhar que dá vida a essa flor.
Sua pra mim.
—D”
Os poemas estão a cada dia mais bonitos. Me sinto cada vez mais íntima do D. Talvez esteja sendo muito ingênua aceitando isso tudo numa boa, mas quero viver um sonho de princesa, mesmo sendo mais a tia faxineira do palácio liberada quando a Cinderela não vai pro baile, isso mesmo, dispensável.
Enquanto fecho meus olhos pra sentir o cheiro da minha mais nova Shasta Daisy me lembro como esses últimos três meses foram intensos e sinceramente, não sei se isso é bom ou ruim...
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