Dívida de Sangue
6 Seis - Duelo de Espadas
Os portões estavam fechados quando chegou ao local. Mais à frente podia ver o Mercedes em que ele tinha entrado estacionado junto de outros carros importados. O campo de paintball era um grande pedaço de mato, com grossas árvores cobertas de tinta e postos-de-observação espalhados pelo terreno. Troncos caídos e pedras grandes eram usados como barricada contra as bolas de tinta e as casinhas de madeira eram o safe point naquela guerra colorida.
Procurou suas luvas na bolsa e calçou tênis. Não se importou em trocar toda a roupa, afinal ia apenas olhar. Se aproximou do portão, testou-o e deu graças por não ser elétrico. Abriu-o com cuidado e, verificando se não havia vigias com grandes cães mortíferos em ronda, seguiu para a maior campina que tinha ali, onde se seguia as mais sangrentas guerras de tinta.
E, mais afrente, viu uma das cenas mais impactantes de sua vida de lutadora: Hulk contra Batman numa espécie de Torneio de Artes Marciais no melhor estilo Dragon Ball Z.
Ao centro do descampado fora montada uma espécie de tatame delimitado com tinta e hastes sobre a grama; em um dos lados, um senhor de meia idade e semblante perverso, estava sentado numa poltrona de couro enquanto segurava alguma coisa. Do outro lado, três homens assistiam à luta com um misto de preocupação e raiva, dentre eles Caleb e Alan. E finalmente, lutando ferozmente no tatame, um homem de estatura baixa e corpo relativamente forte tentava desferir golpes de sabre em uma cópia perfeita da mistura resultante de Hércules e Bison.
Quase três metros de puro músculo e animalidade, era careca e com o semblante assustador. O tal campeão estava perto de ser um monstro, tipo o último Boss motherfucker do jogo. Justamente o tipo de chefe que nunca conseguia vencer antes da quinta tentativa.
— Isso não é real... — murmurou, chocada demais para se preocupar com o olhar desconfiado que Alan lançara para trás.
— Alan. — ouviu outra voz comandar e a sombra do rapaz desapareceu num átimo diante da forte luz dos holofotes.
Afastou-se dali, tomando cuidado para não fazer mais barulho do que já fazia. Alan devia ser um daqueles tipos de farejadores que os mafiosos tinham sob suas asas, como os antigos lordes japoneses com seus vassalos ninjas. Não seria legal tê-lo como captor. Alguma coisa grave estava acontecendo ali e não queria entrar de sola em algo que Caleb quisera afastá-la. E seria Alan quem lhe daria algumas respostas.
— O que você está fazendo aqui? — Alan a alcançou, quando permitiu-se parar pouco, antes de chegar à saída.
— Eu venho aqui quando estou estressada. — falou carrancuda, quando ele apertou rudemente seu braço. — está machucando!
— Espera mesmo que eu acredite nisso? — ele a largou com um empurrão. — suma daqui antes que se machuque de verdade.
— O que está acontecendo lá? — perguntou ao invés, massageando o braço agredido. — Aquele homem é um monstro!
— Não é da sua conta!
— É sim. Caleb salvou minha vida. Se for algo em que eu possa fazer para quitar essa dívida o quanto antes...
— Você não tem ideia do quanto essa luta é importante para eles! Você não pode ajudar! E mesmo que pudesse, o que você faria? Olhe o seu tamanho!
— Eu sei como o grandão luta... Dá para vencer. — Alan parou. Observando-a com um misto de surpresa e desconfiança. — atrase um pouco a luta e me dê dois minutos. Se demorarmos mais, aquele seu amigo não vai durar diante daquele gigante.
==**==
Caleb olhava a luta com profunda preocupação. Somente Deus sabia o que aconteceria se Drew continuasse se empenhando naquela batalha infrutífera e perigosa. Faltava pouco menos de um minuto para poderem intervir e sentia que o amigo não daria conta.
Aquele lobo fora ardiloso ao propor a contenda, e mais ainda ao esconder seu campeão, sabendo que aqueles três idiotas se armariam de coragem e o enfrentariam de peito aberto. Mas não fora de toda má fé dele. Se tivesse participado da reunião, teria notado as intenções daquele homem e adicionado os pontos cruciais para a divisão do prêmio.
Alan não exagerara quando dissera que o lutador era um monstro. Francamente, até se sentira intimidado quando pusera os olhos nele. Ele, que sempre fora confiante de sua força, estava duvidando que conseguisse derrubar aquele cara.
Danika ia gostar de ver aquela luta, mas fizera bem em afastá-la daquele assunto. Na verdade, ela seria um bom trunfo contra aquele gigante, dada sua beleza e habilidade, mas seria um puto desgraçado se a colocasse naquele assunto. Conhecia bem demais seus companheiros para saber que sua presença não seria bem vista e que consequências severas se seguiriam se soubessem de sua relação.
O tripé da cidade era dado pelas famílias tradicionais, com seu direito nato assegurado pelo herdeiro da linhagem. Drew Croft comandava parte da periferia até a saída norte da cidade; Edgar Lancreur tomava conta do norte até o rio no bairro nobre e Alan Ramos herdaria em pouco tempo o controle da divisa do rio até a periferia. Já ele, Caleb, ficara com o trabalho mais difícil: controlar e ajudar aqueles três. O grande fundador da cidade fora seu antepassado e sua família fora a detentora de todo o monopólio regional até meados de 1920. Após a data da partição, três Famílias secundárias teriam um terço da cidade, enquanto a família fundadora continuaria com assuntos políticos e neutros.
E desde que assumira a posição de conciliador de seu pai, tivera anos de intrigas. Aqueles três queriam aumentar seus territórios e o único empecilho era ele. Sem seu alvará, nenhum deles podia fazer nada, e não precisava dizer que qualquer coisa que pudessem ter para enfraquecerem-no, seria usada sem piedade.
Eis o motivo de não ter trazido Danika.
— TEMPO! — gritou para os homens, quando constatou que já podia intervir. — Caramba! Eu gritei tempo! Está surdo? Drew, se arraste logo para cá antes que eu mude de ideia e deixe que apanhe mais!
— Mas já? Como vocês são sortudos! — o velho lobo riu com desprezo. — da próxima seu amigo não sairá andando.
— Vá, vá. Pare de latir e dê água para o seu cachorro. — Caleb resmungou irritado, ajudando o companheiro a sentar-se no chão, junto de Edgar. — enquanto chuto o traseiro desse infeliz.
— Poxa, Caleb, sua compaixão com os fracos e feridos é tocante. — Edgar riu. — qual o plano? Já aviso que do meu território não terão uma única casa.
— Calado. — Drew resmungou abatido, limpando o rosto machucado. — foi mal, C., não consegui cansá-lo. Terá que enfrentar a força toda.
— Descanse aí, passarinho. Até que foi bem. Mas isso serve de lição para vocês. — ele encarou Edgar, que o olhava com um sorriso cruel no rosto.
— Vai mesmo se rebaixar e não chamar nenhum de seus servos, C.? — Edgar perguntou, naquele tom sarcástico e irritante que ele sempre ostentara. — Que coragem!
— Cale-se antes que eu o jogue lá, aos pés do campeão.
— Ok, O... Ora, ora! Olhem o que o nosso Alan pescou! — ele falou risonho, quando viu o rapaz se aproximar, segurando o braço de uma moça. — que bela peça, rapaz! Onde a achou?
— Ela estava correndo pelas árvores. — Alan respondeu diretamente a Caleb, que os olhava em choque. — disse que sempre vem aqui quando está estressada.
— Ora, mas é uma bela surpresa! Não acha C.? — Edgar continuou, observando-a de perto. — mas parece que a conheço... Ah sim! Danika, a entregadora! Espero que seu aluguel esteja em dia. Odiaria ter que despejá-la!
— Não se preocupe quanto a isso, Senhor. — ela respondeu seca. Realmente, estava muito irritada. — e seja lá o que estiver acontecendo aqui, eu não vi nada.
— O que faremos com ela? — Alan perguntou a Caleb e Drew.
— Deixe-a aí, soube que ela gosta de lutas. — Edgar sugeriu, divertido demais com a situação. — Melhor! Porque ela não se torna sua Campeã, C.?
— Calado, Ed. — Caleb resmungou irritado. — Diabos!
— Ei! — o velho gritou do outro lado do tatame. — A hora do descanso acabou, garotos! Ou já desistiram?
— Pare de latir! — Caleb gritou irritado. — leve-a daqui, Alan.
— Não posso. Preciso ficar, esqueceu? — o rapaz se encolheu um pouco com o olhar que recebera. — são as regras, Caleb.
— Contanto que ela esqueça, não vejo problemas. Afinal, Edgar a conhece. — Drew constatou, segurando o braço ferido. — Acabe logo com isso, C., Estamos sem tempo.
— Dê-me os socos-ingleses. — Caleb pediu mal-humorado enquanto tirava o blazer e desabotoava os punhos da camisa. — os pesados.
— Não vai derruba-lo somente com isso. — Danika opinou. — impactos não funcionam num corpo maciço como aquele.
— Para quem não viu nada, está opinando demais. — Drew comentou, curioso. — mas ela está certa, C.
— Tem algo que eu deveria saber sobre os termos? — ele perguntou ao invés. — algo que cause aquele sorriso nojento?
— Leve a luta a sério. O cara não brinca.
Caleb não respondeu, saltou para o tablado e se preparou, colocando-se em guarda. O campeão subiu ao ringue e urrou uma vez, cercando-o antes de começar a luta. Podia sentir o tremor do chão quando ele dava suas passadas gigantescas, tentando desestabilizá-lo.
Atacou com o maior número de golpes e esquivas que conseguiu, visando sempre os pontos de pressão. Quanto mais atacasse em tais pontos, talvez bloqueasse o fluxo vital dele, causando assim uma pequena chance de sucesso.
Isto é, se a armadura de músculos cedesse.
Tire-o de lá... — Danika se remexia no lugar em que estava, firmemente presa no aperto de Alan e vigiada atentamente pelos olhos de Edgar. A adrenalina que passava por seu corpo lhe dava uma visão completamente diferente da luta que presenciavam. Sabia o que fazer, sabia como vencer, sabia onde acertá-lo para acabar com aquela luta antes que seu chefe saísse machucado. Queria lutar. Precisava lutar por ele naquele momento. Seu corpo clamava por isso.
Precisava daquilo.
— Tire-o de lá. — pediu baixo a Alan quando previu o próximo movimento do gigante. — ele tem que sair agora.
O soco veio no momento que previra. Caleb se esquivou e foi forçado a abrir a guarda, inclinando-se num ânulo estranho e previsível, deixando o peito aperto para quem quisesse baleá-lo. E o velho do outro lado tentou aproveitar a chance.
Os homens não conseguiram acompanhar o movimento da moça. Em um minuto ela estava entre eles, olhando aquela luta com indiferença, no outro ela estava lançada sobre o tatame, agarrando Caleb pela camisa e dando-lhe um poderoso golpe de judô, tirando-o do alcance das intenções do velho e do golpe do gigante.
Caíram um sobre o outro e rolaram pelo chão, escapando da investida do atacante e abrigando-o em companhia dos amigos. Mas ela não continuou ali com eles, levantou-se e postou-se ereta sobre o tatame. Seus ombros estavam relaxados, suas pernas afastadas e seu corpo em posição de espera. Fosse o que viesse, ela reagiria com maestria, independente de quem o fizesse.
— O que é isso? Deixarão uma mulher lutar por vocês? — o velho do outro lado riu com desprezo. — Devem estar muito desesperados!
— Cale a boca! — Caleb rugiu ao se levantar. — eu ainda não terminei…
— Já teve sua chance, C. — Alan interrompeu, prendendo-o no lugar. — sou o único que não tentou e estamos sem tempo. E você conhece as regras: subiu no tatame, é sua vez. E escolho-a como minha campeã.
— Enlouqueceu?
— Não, você é quem não está pensando com clareza. — ele respondeu sério, afastando-o do tatame. — é sua vida em risco, não a nossa. Deixe-a.
A conversa terminou ali. Danika não desviou seus olhos dos de seus oponentes, muito menos deixou de se ater à conversa dos mafiosos. O gigante a olhava incomodado, como se somente sua presença o enfraquecesse. O velho do outro lado a observava com curiosidade cuidadosa. Ela era uma variável estranha naquela equação que visava algum tipo de controle. E todos sabiam disso. Sua presença era estranha por que ela os inibia. Fosse o contrato que tivessem uns com os outros, discrição e segredos eram as palavras de honra, e ela não sabia de nada, era uma estranha fora daqueles padrões de negócios.
E nada melhor do que usar tal coisa em favor deles.
— Quero uma espada. — pediu para Alan com firmeza, analisando o gigante quase roboticamente. — lâmina grossa.
Alan não respondeu. Rodou rapidamente os olhos e espantou-se ao ver a espada nas mãos de Caleb, que se aproximava para entregar a ela o objeto. Seus olhos estavam sérios e impassíveis, mas ainda podia ver a tensão que ele sentia por ter que envolvê-la naquele negócio arriscado.
— Perfeita. — ela agradeceu indiferentemente, mantendo contato visual com ele somente tempo o bastante para pegar a espada e desembainhá-la. — Obrigada.
— Deveria descer daí. — ele falou baixo, tentando não parecer envolvido.
— Só depois de me divertir. — ela sorriu de um jeito incômodo, voltando sua atenção à luta que se iniciaria logo.
— Lutem! — Alan deu a partida e o gigante rugiu ao avançar contra ela.
Danika esperou-o chegar perto o bastante e desviou habilmente, fazendo-o quase cair com o nariz no chão. Parecia que aquela luta seria uma espécie de tourada, com ela balançando o pano vermelho e ele seguindo às cegas. A espada estava baixa, talvez pesada demais para ser manejada com apenas uma mão, mas isso não a impedia de dançar pelo tatame, executando manobras belíssimas e provocando a ira dos desafiantes.
O velho gritava para o gigante esmagá-la rapidamente, mas o pobre sequer conseguia tocá-la. Quando a atacou, Danika moveu-se em compasso com a velocidade do oponente e manejou a arma, cortando-o profundamente no braço, lesionando levemente os tendões que comandavam aquela grande mão.
Sangue jorrou e ele gritou, afastando-se dela e tentando parar a hemorragia. Danika aproveitou a brecha e atacou com ferocidade, cercando-o como uma leoa em caça, e ferindo-o estrategicamente como uma loba faminta. Um corte atrás dos joelhos para derrubá-lo, outro nas costas para fazê-lo abrir a guarda e o último no outro braço, para impedi-lo de revidar. E com uma última investida frontal, ela se lançou contra ele, com os dois pés em seu peitoral, e o jogou no tatame, aterrissando com força e maestria sobre ele e apontando a lâmina para seu pescoço.
A luta estava no fim.
— Você tem duas opções, assim como eu e sua escolha refletirá na minha. — ela falou para o gigante, ainda apontando-lhe a lâmina no rosto. — você pode continuar a seguir as ordens deste velho e reagir, o que me obrigará a continuar com meu intuito, e ocasionará na perda da roupa que estou usando. Ou você pode desistir e se render, que no caso me fará muito feliz. A escolha é sua, meu amigo.
— O que está fazendo, seu imbecil! Mate-a! — o velho gritou do outro lado.
— A escolha é sua. — ela murmurou para ele, olhando no fundo dos olhos escuros.
O gigante não respondeu de imediato, passou-se um tempo antes de ele levantar aquela mão imensa e suspendê-la acima da moça que se encontrava sobre seu corpanzil musculoso. A expectativa se instalou no local e até os gritos do velho cessaram ao ver a cena. Danika não desviou a atenção do olhar do gigante e muito menos se mexeu quando ele se moveu. E quando a tensão atingiu o auge, ele baixou o braço e bateu três vezes no tatame.
Acabou.
— Incrível… — Drew comentou.
— Essa garota é boa, não acham? — Edgar comentou sarcástico, observando as reações de Alan e Caleb. — se eu soubesse que ela lutava assim, teria a chamado antes.
— Muito bem, amigão. Fico feliz. — ela sorriu ao sair de cima dele e baixar a espada. — como está o braço? E as costas? Te machuquei muito? Posso ver?
— O que está fazendo, seu idiota? — o velho esbravejou. — Imbecil! Sabe o que perdemos aqui por sua culpa?
— Você não tem que dar ouvidos a ele. — ela sussurrou para o homem. — faça somente o que quiser fazer.
— Cale a boca, vadia! — o velho gritou ao puxar a arma que tentara usar contra Caleb.
O Gigante a empurrou com força e a fez cair e deslizar sobre o tatame, enquanto se colocava na frente das balas. Danika viu seu novo amigo cair por terra, dando visibilidade ao velho que a mirava. Quando se moveu para se defender, Caleb apareceu em seu campo de visão e a abrigou quando os disparos foram ouvidos.
— Está bem? — ele perguntou calmamente, deixando transparecer sua preocupação apenas por um segundo.
— Você está bem? — ela perguntou alarmada, percebendo alguns pontos vermelhos na camisa branca. — Ai, meu…
— Tudo bem ai, C? — a voz de Drew soou mais a frente e Danika viu-o em guarda com Alan a sua frente, enquanto Edgar imobilizava o velho na cadeira. — Espero que não seja muito feio.
— Estou bem, foi de raspão. — ele relatou, levantando-se. — Hora de negociar…
— Sai daqui, você tem que tratar desses machucados. — Alan sugeriu sério. — E leve-a com você, antes que ela cause mais problemas.
— Darão conta?
— Com certeza. — Edgar sorriu, apertando a corrente que tinha em volta do pescoço enrugado. — será muito divertido.
Caleb não disse nada, baixou-se rapidamente e pegou a moça pela mão, fazendo-a levantar e segui-lo para longe daquele lugar. Aquela “negociação” seria sangrenta demais para ela presenciar e sabia que ela já estava traumatizada o bastante pelo gigante que a salvara. Que diabos! Como aquela noite fora acabar daquele jeito?
— Pare um pouco. — ela pediu sôfrega, esforçando-se para acompanhar seu passo. — Caleb… Por favor…
— Quieta.
— Está sangrando. — ela avisou preocupada, tentando resistir aos passos dele. — Pare um pouco, Caleb!
— Estou bem.
— Mas eu não! — ele parou diante daquela declaração e recostou-a em uma árvore, pondo-se a examiná-la rapidamente. — Para! Não estou machucada!
— Está doendo em algum lugar? — ele a ignorou e continuou o exame.
— Quer parar?! — ela esbravejou, segurando as mãos dele e olhando-o em seus olhos. — Sim, estou em choque, mas estou mais preocupada com você, Caleb. Pare de ignorar essa trilha de sangue que está deixando e me deixe cuidar disso!
— Só depois de estar segura no carro a 120 km/h na estrada. — ele falou sério, tentando leva-la pela mão novamente. — Danika! Obedeça!
— Só depois de me deixar ver seus machucados.
— Não temos tempo.
— Temos sim. Vamos ao carro e você vai me deixar ver essas feridas. — ela pediu séria, deixando-se revestir com a preocupação que sentia. — Por favor.
— Para o carro. — ele decretou, pegando a mão dela com delicadeza, como um convite para que o acompanhasse rápido.
Danika o acompanhou sem retrucar e em pouco tempo já estavam próximos ao carro. A garota se adiantou e o puxou para perto, fazendo-o sentar-se no capô enquanto abria a porta do carona e tirava dali sua mochila de emergências. Por um momento ele deixou-se suspirar e observou o carro pelo vidro. E sorriu incrédulo ao ver o vestido que ela usara estirado no banco de trás, assim como os saltos e os acessórios.
— Não pergunte. — ela ruborizou levemente enquanto pousava um pequeno Kit de primeiros socorros ao lado dele.
— Por que veio, Danika? — ele perguntou seriamente, observando-a com atenção. — Nessa desobediência, você quase foi morta.
— Só segui meu instinto, foi mais forte que eu. — respondeu simplesmente, olhando-o séria. — tire a camisa, por favor.
— Tire você. — ele desafiou com um sorriso debochado. — ou vai me desobedecer de novo?
Danika suspirou e, sem pensar duas vezes, levou as mãos aos botões da camisa dele e começou a trabalhar. Tentou estampar no rosto sua melhor cara de desinteresse, mas sabia que não era tão boa em esconder seus sentimentos tão perto dele. Não queria ser tão transparente e torcia para que ele não notasse nada. Sua honra dependia disso.
— Por que veio, Danika? — ele perguntou suavemente em seu ouvido, quando ela se aproximou para tirar-lhe a peça. — por que me desobedeceu?
— A-achei que precisaria de ajuda… — ela sussurrou levantando o olhar de seu peitoral definido e focando-o nas íris violetas. — desculpe por tudo…
— Não se desculpe por nada. — ele pediu, pegando a mão dela e pousando-a sobre o peito. — Isso só acabou bem porque você foi incrível. Sem você, estaríamos em apuros. Obrigado por não me escutar, Danika.
— Mas, você se machucou…
— E que jeito melhor de deixá-la mais endividada? — ele sorriu para a incredulidade da moça. — Eu dificilmente negocio novamente com uma mesma pessoa, depois que saldo a dívida. Achei que seria mais divertido te prender por mais um tempo. Agora, termine logo. Te deixarei em casa.
— Você é inacreditável. — ela baixou a cabeça e começou a trabalhar nos machucados daquele mafioso egoísta o mais rápido e eficientemente que conseguiu. Só esperava que ele não notasse o pequeno sorriso que não conseguia tirar dos lábios.
Que tipo de pessoa ficaria feliz por continuar em dívida com um mafioso? Ela, claro.
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