Décimo Segundo Comando
1 Solidão, Medo e Eu
Notas iniciais
Espero que realmente gostem!
Uma lágrima rolou do meu olho logo após eu perceber que a solidão era a minha única companhia... É uma decepção incrível ver que de tudo que se viveu, não restou nem as lembranças para sentir saudades e perceber o quanto foi bom. Mas talvez isso seja só pra me fazer lembrar e entender que a vida não é feita de apenas alegria, mas também de tentativas.
Me sentir sozinha e me trancar numa bolha escura perdida na solidão não era o que devia ser feito, por isso dei uma última chance á mim mesmo e voltei á acreditar nas pessoas, talvez exatamente essas, fossem quem eu precisava... Eu só queria fechar os lhos e deixar a vida me guiar sem direção até chegar no lugar certo, mas não deu certo porque o lugar certo era aquele, eu só tinha parado na casa errada.
E no fim disso tudo, pensei que não conseguiria chegar até onde deveria... Onde estava essas pessoas que deviam estar atrás de mim, me procurando loucamente? Elas ainda se lembrariam de mim, onde quer que estejam? Estava fazendo falta? Seria sempre assim? Eu nunca saberia nada de mim mesmo ou do meu passado? Será que algum dia eu teria todas as respostas sobre essas dúvidas que me seguiam sempre?
São perguntas que eu jamais saberia as respostas concretas e certas, tudo que eu conseguia deduzir ou sempre me diziam, era óbvio e lógico, apesar de estar se concluindo e não, afirmando. Eu jamais saberia!
A questão desse raciocínio e tantas perguntas sem respostas é o motivo de minha vida estar de cabeça para baixo nesse momento agora. Resumindo tudo, apesar dessa conclusão toda sobre laços familiares, amizades mais que profundas e sentimentos, eu já não tinha nada disso em minha desastrosa vida, ou o que havia sobrado dela. Era péssima a sensação de não saber quem eu era ou como, quem era essas pessoas de afeto chegadas á mim, se é que eu tinha. Eu já não tinha certeza de nada e nem sabia se queria ter...
Finalizando... Há quase três meses atrás eu acordei amarrada num lugar desconhecido. Eu não sabia como tinha chegado ali e nem o porquê, me desesperei, não pensei em nada no momento, além de o que eu estava fazendo ali. Era um quarto escuro e sujo, móveis velhos e quebrados, parede manchada e descascando e em mim, uma dor insuportável na cabeça, como se tivesse sido atropelada por um caminhão depois de ter sido jogada de um avião sem pára-quedas e me afogado milhões de vezes, minhas roupas estavam sujas e manchadas de sangue seco, notei um corte na cabeça onde doía, como se já tivesse passado pelo menos uns três dias naquele quarto, preza como fugitiva do FBI. Com todas as minhas forças, que já eram poucas, tentei me recordar do que havia acontecido, mas tudo era em vão, como se minha memória de uma vida inteira estivesse armazenada em um cartão andróide e tivesse sido arrancado de mim. Não se lembrar dos melhores momentos de sua vida, pode sim, ser considerada a pior coisa do mundo. Passei aquele resto de tarde, aflita e tentando entender tudo, tentando abrir a única janela super protegida que havia ali, mas claro que não consegui, e eu não sabia se isso era ruim ou por outro lado, considerado bom o suficiente. Já cansada daquela situação, me decidi que precisava fazer algo que arriscasse uma solução, nem que isso fosse gritar até alguém aparecer. Mas quando ia fazer, vi a porta ser aberta e por ela entrar um garoto de mais ou menos 16 anos e bem mais aflito que eu, dava para ver em seus olhos e rosto. Como se ele quem estivesse ali no meu lugar passando por tudo aquilo. Não fiz nada, a suposta coragem dos segundos anteriores já nem existia mais, e a única coisa que consegui fazer foi me encolher na cama, se é que aquilo poderia ser considerada uma, e abraçar meus joelhos, evitei o olhar, não queria deixar meu medo tão visível, se é que era possível. Era o momento de saber tudo!
—Não vou te machucar... —foi tudo que ele conseguiu dizer, acho que pelo modo em que ele estava, era para acalmar a si mesmo. Não fiz nada, nem se quer me mexi e ele prosseguiu.
—Como você está?
Ótima, não está vendo? Pensei ironicamente, mas meus lábios permaneciam colados um sobre o outro, sem nenhum som se pronunciando. E assim fiquei até ele já sem saber o que fazer se retirar dali e um desespero cresceu dentro de mim quando ouvi a porta ser trancada mais uma vez. Tudo que eu queria era sair dali e saber o que estava acontecendo. Minutos depois ouvi uma longa discussão, certamente pelo que pude entender, entre três homens e o assunto era eu. Só fui entender o que se passava ali, no dia seguinte, quando o mesmo rapaz foi me levar água e em um descuido deixou a porta aberta e eu aproveitei para sair de fininho, estava morrendo de sede e fome, mas isso não importava, a minha prioridade era sair dali. Segui um curto corredor e me deparei numa pequena sala, sem que eles me vissem é claro. Eram três como deduzi anteriormente, o mais novo que já conhecia entre aspas, outro pouco mais jovem, de mais ou menos 23 anos e o mais velho. Estavam tomando cerveja em uma conversa muito séria, assim como eles estavam e pude pegar a parte final da conversa, onde todo o meu mistério se envolvia, e eu nem imaginava.
—Tá maluco, Matheus?—o mais velho perguntou em um quase grito olhando para o garoto, suposto Matheus respondeu.
—Qual é o problema agora? Ela já não está aqui? Vocês começaram tudo isso agora não reclame!
—O problema é ela saber tudo com os mínimos detalhes como sabe. Já imaginou isso? Eu não vou ser preso por causa de um ato de irresponsabilidade sua.
Como assim preso?Saber de quê exatamente? Nesse momento eu só queria sair dali e correr o máximo possível até não conseguir mais. Matheus continuou o que me fez entender, que por algum motivo desconhecido, ele estava me protegendo ou defendo, sei lá, algo do tipo.
—Ah, agora você está preocupado com isso? Não acha que é meio tarde não? Se realmente ligasse para isso, não tinha a usado como vítima.
—E qual era a sua solução? Ser preso por falta de profissionalismo seu?—o mais velho questionou com uma cara de não to de bom humor hoje.
—Profissionalismo?—Matheus fez uma cara indecifrável, não estava contente com aquilo e ao mesmo tempo ironia e raiva eram expostas sem nenhuma dúvida, em seus olhos direcionados ao tal homem—Eu tenho nojo de você, Léo!
—Quer saber, eu acho que a gente devia ter deixado essa garota lá no local do acidente mesmo! Pelo menos lá, a gente não ia ter que matá-la. —comentou Léo, debochado e provocante.
—Já chega vocês dois!—o jovem intrometeu num tom de ordem—Ela já está aqui e não há mais como voltar atrás, só nos resta decidir o que fazer com ela...
Sem dúvida, isso se aplicava á mim.
—Quer saber, pra mim já deu!—Matheus começou, dava pra sentir em sua fala seus dentes ranger de tanta raiva em que ele estava—Vou na cidade buscar as encomendas que eu ganho mais, melhor do que perder tempo aqui com você.
Terminou com seu olhar firmado no tal homem que julguei ser Léo e se direcionou a saída, o jovem disse logo em seguida o acompanhando.
—Vou com você.
E foi interrompido quando Matheus já estava fora, por Léo que disse.
—Cuida do seu garoto, Messias. Se não depois da garota, ele será o próximo!—concluiu ele tentando ser engraçado e com uma mão fazendo o sinal de uma faca em seu pescoço.
Meu Deus! Isso não pode estar acontecendo, não! Nesse momento, enquanto Messias saía de dentro da casa, me escorei na parede do corredor que estava, meus olhos estavam cheios de lágrimas que brotaram no mesmo instante, meu coração golpeava dentro do peito. Quando me toquei da realidade e fui sair dali, esbarrei em um móvel desnecessário no lugar que acabou fazendo barulho e chamando a atenção do Léo. Parei com os olhos fechados por medo e pressão do momento, ao mesmo tempo torcendo para que ele não tivesse ouvido nada. Recuperei-me e saí correndo, não sabia para onde, mais eu ia correr afinal, ficar parada não iria resolver minha situação. Tudo que senti segundos depois fui eu sendo puxada para trás e ser jogada na parede com tudo, meu corpo se chocou e caiu no chão, mas eu estava com tanto medo e desespero que nem senti a dor, pelo menos não ali. Recuperei-me tecnicamente e me escorei na bendita parede e então criei coragem o suficiente para o olhar, como um idiota bêbado ele sorria com cara de quem estava feliz de mais. Ele se abaixou até mim, me desviei o olhar, era insuportável de mais para ficar o olhando naquela situação momentânea e passando a mão no meu rosto ele perguntou.
—Vai á algum lugar, princesa?
Esquivei-me do seu toque, mas nada adiantou e com certa fúria repentina ele segurou no meu rosto me fazendo o encarar.
—Eu te fiz uma pergunta garota!—repetiu ele irado, retruquei com ódio e medo ao mesmo instante.
—Vai para o inferno!
Foi o suficiente para...
Notas finais
Fiquem de olho, nos vemos nos próximos cap, e não sejam leitores fantasmas, manifestem-se!
bjs!
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