Cúpula de vidro.
1 Capítulo único
Notas iniciais
Computador ligado, internet ok, diversos trabalhos e materiais da faculdade ansiosos por uma única solução.
O caderno da faculdade em desordem, matérias desorganizadas e incompletas dividem espaço com páginas de supostos “livros”.
No trabalho um foco que dura pouco, instantes e minutos, apesar de dar o melhor de si.
Uma pergunta ainda sem respostas.
— Por qual motivo ?
Uma frase responde como que fazendo um desafio.
— Procrastinação é o seu mal.
Notas baixas, cada vez mais próximas do zero, ornam uma mente que poderia ter sido melhor. Seria de fato brilhante se ficasse no mais importante.
— Mas o que é importante?
Diante de tal pergunta, um milhão de respostas.
— Minha felicidade é importante.
Tal afirmação ainda dava diversas interpretações.
Sacrifícios fazem feliz, o sacrificar hoje pode ser a sobrevivência de amanhã, mas nem todo sacrifício é bom.
O jogar fora o tempo. O dedicar-se exclusivamente a um sonho é o mesmo que beijar um fantasma, um ser sugador de oportunidades, uma ilusão que conduz o tolo.
Uma parede de vidro não permite que saia, estou presa, andando de um lado ao outro sem progresso, andando em círculos eternos !
Ao redor parece que todos vão bem, ao redor parece que é algo bom seguir um sonho. Ah como desejo, almejo o senso de importância, como quero a motivação para estudar e fazer o que eu não gosto, mas o que é importante para o meu futuro?
Cometo suicídios diários, mato minhas boas oportunidades, quando não planejo, executo e venço a procrastinação. Quando não amo a organização, está já até virou fábula!
Estou afundando em uma areia movediça de pensamentos sobre um futuro que não vai virar presente, pois o hoje eu não tenho cuidado e mesmo com essa consciência. Estou apaixonada com o deslumbre das possibilidades, gastando um tempo que não tenho na busca por aceitação.
Falta um mês para o meu aniversário e tenho a impressão que continuo sem amadurecer, continuo fugindo, buscando abrigo em casas de palhas, em situações passageiras e outros como eu.
Só talvez tenha ganhado a consciência, que sou escrava de mim mesma. Talvez tenha tido a consciência que sou a chave de uma prisão sem portas.
No sangue a dopamina, a sensação passageira, uma investida, uma tentativa… O desejo de encontrar no outro o que só eu posso fazer e dar.
É em sorrisos, em frases e em abraços que aceito a condição.
O vidro só se quebra de dentro para fora ! Sendo assim porque ainda sinto dor ? Por qual motivo estou frustrada?
Não quero mais viver assim, não quero viver só nem tão pouco viver em busca de apoio dos outros. Um equilíbrio que só é encontrado na meditação, na compreensão que após a descoberta do problema se deve pensar e descobrir o que de fato se precisa. Qual ferramenta usar ? O que usar para quebrar tal armadilha da mente ?
De pouquinho, o pensar sem se repreender, o cativar a si mesmo. Realizar afirmações de progressos, o esquecer dos fracassos aprendendo com eles... e melhor retirando dos fracassos as pequenas e invisíveis vitórias.
Hoje posso até sem escrava,compreendo minha situação e sei que muitos são assim, mas sou diferente, ganhei a consciência de meus erros e isso já é uma rachadura nesta cúpula de vidro que é minha mente.
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