Código de conduta 2

51 A suposta morte de Vegeta


Quando Vegeta chega à rua de sua casa e vê toda aquela movimentação de pessoas na rua sente seu coração disparar, sai do carro e olha o estrago em sua casa com angústia. Os bombeiros terminavam de apagar as últimas labaredas e ele não conseguia acreditar, a casa em que viveu tantos anos com Bulma praticamente não existia mais, estava tudo um amontoado de cinzas e lixo e não sobrou nada. Inclinou o corpo colocando as mãos sobre os joelhos e Raditz colocou a mão em seu ombro.

— Vai ficar tudo bem amigo.

— Pelo menos meu carro está inteiro. – ele diz vendo o carro parado a alguns metros na rua, mas não sabia se comemorava visto que tinha um estrago bem maior em sua frente.

— Os bombeiros conseguiram tirar o carro antes que o fogo o atingisse, eles quebraram o vidro e acharam a chave reserva no porta luvas. – Raditz diz.

O chefe dos bombeiros se aproximou deles agora.

— Você é o dono da casa?

— Sim, sou eu. – Vegeta se ergue melhor para falar com o homem.

— Sinto muito, mas o incêndio se alastrou muito rápido, não sobrou quase nada lá dentro.

— E eu posso entrar pra ver por dentro.

— É melhor não, as paredes e o teto estão muito frágeis, um passo em falso pode desabar tudo, é melhor você arrumar um perito primeiro para analisar a estrutura, vamos ter que isolar toda a área.

— E o que acha que pode ter acontecido?

O bombeiro olha pra Raditz, pois já tinha conversado com o homem sobre isso.

— Sugiro que você faça um BO, porque possivelmente foi um incêndio criminoso, achamos galões de gasolina vazias no fundo e 3 garrafas de coquetel molotov foi arremessada pela janela da cozinha, da sala e encima da casa.

— Desgraçado! Foi aquele desgraçado! – Vegeta rosna passando a mão pelo cabelo, tentava respirar para se livrar da zonzeira do álcool.

— Obrigada por tudo, a você e sua equipe vamos tomar as medidas necessárias. – Raditz cumprimenta o chefe dos bombeiros com um aperto de mão e volta para Vegeta que andava em círculos com as mãos nos quadris e a cabeça pra cima.

— Vegeta se acalma!

— Foi ele Raditz, só pode ter sido ele!

— Não podemos fazer uma acusação sem provas.

— E que mais provas você quer? – vocifera, já tinha ligado todos os pontos naqueles poucos segundos. _ Aquele desgraçado queria me matar, de alguma forma ele sabe que estou investigando-o e fez isso pra me matar!

Raditz começou a pensar pela primeira vez, e Vegeta tinha razão.

— Com certeza ele achou que eu estava lá dentro!

— Ele sabe por que ela contou, Bulma deve ter contado pra ele da sua investigação por isso ela queimou o dossiê.

— Ou ele a obrigou..., mas é claro! Bulma não faria isso assim sem motivos eu a conheço, eu conheço aquela garota como a palma da minha mão.

— Você tá achando...

— Bulma foi obrigada a fazer o que fez, é muita coincidência Raditz, Bulma queima o dossiê do nada, depois tentam atirar em mim na delegacia, logo em seguida Bulma vai embora e agora isso! O que mais pode ser? – Vegeta começava a ligar os pontos e a cada coisa que pensava lhe deixava apavorado, Raditz também estava, pois Vegeta tinha razão, tudo o que ele dizia fazia sentido.

— Se isso tudo for verdade é muito grave Vegeta.

— O garoto é afim dela, ele disse isso pra mim, com certeza se uniu ao pai para chantagear ela, fazê-la me deixar e depois me matar para eu não entregar o que descobri sobre ele.

— Droga que loucura é essa? – Raditz esfregou a nuca agora bem abalado, tudo fazia sentido de uma forma tão assustadora que era difícil acreditar.

— Porque eu não entreguei aquelas provas antes? – Vegeta se lamentava se sentindo culpado principalmente por pensar agora que Bulma poderia está em perigo, por ela ter sido chantageada.

— Se tudo isso for verdade alguma coisa está muito errada, porque obviamente Bulma fez isso pra proteger você, e se vieram até aqui pra te matar é porque um dos dois não seguiu o plano.

— Ou mentiram pra ela, Freeza não me deixaria vivo comigo sabendo tudo o que eu sei dele.

— Puta merda Vegeta, tô começando a acreditar em você, Bulma pode está mesmo em perigo, porque eu não acredito que Bulma pudesse ser capaz de conspirar para matarem você, isso não!

— Eu tenho que encontrá-la Raditz, você entende agora?

— Vamos pra delegacia Vegeta, depois vemos um perito, temos que proteger você, mas talvez eles achem que você está morto e tô achando que pra segurança da Bulma é melhor você continuar assim.

As palavras de Raditz deixaram Vegeta ainda mais apreensivo, como não tinha pensado nisso antes? Seu coração voltou a galopar dentro do peito ao ligar todos os pontos daquela história e tudo finalmente fazia sentido em sua cabeça. Assim que os bombeiros liberaram a área foram pra delegacia, não ficaria mais calado agora era tudo ou nada, Bulma poderia está em perigo e ela era só uma garota que não tinha nada a ver com aquilo, Freeza já mostrou ser um homem sem escrúpulos, sem caráter e tinha que dá um fim nisso, por Bulma, por Mai, que ainda estava em estado grave no hospital e por todas as pessoas que aquele homem feriu. Raditz deixou a namorada em casa e foi com o amigo, àquela noite só estava começando.

***

Satan foi acordado às 04h40 da manhã, recebeu uma ligação de emergência para que ele fosse à delegacia, pois os policiais Vegeta e Raditz tinham algo sério para falar com ele e não poderiam esperar. Vegeta decidiu contar tudo o que sabia desde as suas primeiras suspeitas, pois não havia mais o que ser feito não dava para ficar fazendo conjecturas e suposições, precisava agir. Vanessa também participou da reunião, Vegeta ligou para a mulher pedindo ajuda sabia que não tinha direito de pedir nada a ela, mas estava aflito e a ajuda dela seria essencial, pois ela participou junto com ele de toda a investigação.

***

O dia já tinha amanhecido e Bulma estava de pé apesar de que não tinha dormido nada na noite passada, estava angustiada, sentia um aperto no peito e uma sensação ruim e não sabia por que só sentia que tinha alguma coisa a ver com Vegeta. Lavou o rosto na pia e escovou os dentes tentava pensar em uma maneira de sair de toda aquela situação, mas quanto mais pensava não conseguia chegar à solução nenhuma, estava apavorada com a ideia de que logo sairia do país ela sentia que Freeza não estava sendo sincero com ela, mas o que poderia fazer? Cada passo em falso que desse significava arriscar a vida de Vegeta e tinha tanto medo disso, mas também tinha tanto medo de que tudo que estava fazendo não fosse adiantar de nada.

Não sabia que horas eram e a pior parte de ficar ali era não ter a noção do tempo não tinha levado um relógio e nem achava o seu celular e era muito óbvio não o achar. Ficou sentada na cama, pois imaginou que logo alguém apareceria, poucos minutos depois ouviu a porta sendo destrancada e logo Samuel entrou e sorriu para ela.

— Que bom que já acordou Bulma.

— Hoje eu vou ficar trancada aqui de novo ou eu vou poder sair? — perguntou olhando sério para ele.

— Não, hoje eu vou deixar você sair um pouco.

— Nossa, que bom saber que a minha vida agora depende de você.

— Não faz assim, eu tô cuidando bem de você aqui não estou?

— Claro, como uma prisioneira!

— Não vai ser sempre assim, logo vamos estar longe e vamos ser muito felizes.

— Você não se incomoda de saber que estou com você porque estou sendo obrigada? Que eu nunca vou gostar de você?

— Tá dizendo isso agora, mas com o tempo e quando você for me conhecendo melhor você vai gostar de mim.

— Não conta com isso, você conseguiu matar todo o carinho e admiração que eu tinha por você, caramba! Eu brigava com o Vegeta por sua causa ele sempre soube quem você era e eu te defendia. Meu Deus como eu sou idiota!

— Eu ainda sou aquele mesmo cara Bulma, eu não mudei.

— Você tem razão, eu que era burra demais para enxergar quem você era.

— Eu nunca tive ninguém que gostasse de mim de verdade Bulma, que se preocupasse comigo, eu nunca tive amigos, meus pais passaram a vida toda brigando em um relacionamento de aparências, só ligavam pro dinheiro, para poder, nunca me deram atenção, eu crescia sozinho cercado de empregados que me bajulava o tempo inteiro. Ninguém nunca gostou de mim e aí quando eu te conheci naquele dia no corredor você olhou pra mim como eu sou de verdade, você estava sempre me mantendo por perto, querendo ser minha amiga e gostava de mim pelo o que eu era e não por causa do dinheiro do meu pai e quando eu percebi eu já estava louco por você e eu não conseguia mais suportar a ideia de você não ser minha, eu queria você, eu merecia ter você!

— Você nem sabe o que tá falando!

— Não é fácil passar pelo que eu passei Bulma, ser desprezado do jeito que eu fui pelos próprios pais eu merecia ser amado por alguém que também me amasse de volta!

— Mas eu não amo você Sam!

— Mas você vai me amar, você só está com raiva de mim agora, mas você vai me amar você vai perceber que o que tinha por aquele cara não era real era apenas uma gratidão por ele ter feito tudo o que fez por você, você se sente grata e acha que o ama, mas não ama, ele é totalmente o oposto de você, eu sempre ouvia você se lamentando com a Chichi de que ele não tinha mais tempo pra você, de que passava mais tempo trabalhando e não te dava mais atenção.

— Isso não é da sua conta!

— Ele nunca vai ser o homem que você espera Bulma, mas eu posso ser.

— Eu já tô de saco cheio dessa conversa, se veio pra isso pode ir embora.

— vamos ter tempo para conversar Bulma, muito tempo. Venha, eu vim buscar você para tomar café.

— Eu dispenso.

— Deixa de ser teimosa vai, mandei preparar um café delicioso pra você.

Bulma pensou em negar, mas não poderia não tinha conhecido aquele lugar ainda durante o dia e seria mais uma oportunidade de observar melhor, bancar a adolescente mimada agora não lhe adiantaria nada. Se levantou indo para a porta e se deixou ser acompanhada por Samuel pelo mesmo corredor largo e comprido, durante o dia era melhor para observar e parecia mesmo ser o galpão de uma fábrica antiga era tudo muito velho, tinha alguns maquinários em um canto empoeirados que pareciam ser bem, bem antigos.

Passou em frente a uma sala aberta que dava para fora, o pátio do lado de fora era todo de pedra e tinha muita movimentação de homens para cima e para baixo com caixas, percebeu que estava indo para o mesmo salão da noite passada. Assim que chegou avistou Freeza sentado na cabeceira da mesa. ''Será que o homem também estava ficando ali? '' pensou. As paredes naquele naquela parte eram bem rústicas como se fossem feitas de barro e o teto era mesmo de metal e as vigas também eram de ferro, o chão era frio como se fosse feito apenas de cimento cru, mas havia muitas saídas, quase todas as salas que passou tinha uma enorme abertura que dava para fora tinha muitas formas de sair de lá, apenas o quarto em que estava era totalmente fechado, mas o restante dos cômodos eram todos abertos que davam para fora o problema era conseguir passar pelos muitos seguranças.

Samuel puxou a primeira cadeira da ponta para ela, mas Bulma passou por ele e foi se sentar mais no meio o mais longe do homem que podia olhar para a cara de Freeza àquela hora da manhã lhe deu náuseas e a forma falsa que ele sorria para ela lhe dava mais enjoos ainda.

— Bom dia Bulma, dormiu bem? — ela não respondeu, viu o mesmo rapaz da noite passada começando a servir o café e pensou: Será que todo mundo que trabalhava ali sabia bem quem o homem era? Com certeza deveria saber, se pudesse ter um momento sozinha com algum deles para tentar pedir ajuda... Um deles lhe serviu uma xícara grande de café e o cheiro abriu o seu apetite não tinha como negar, deu uma boa golada e Sam se sentou do seu lado para lhe servir um pedaço de bolo e algumas torradas. Ela foi comendo, pois sabia que precisava das suas forças, enquanto comia percebeu Zarbon entrando no salão olhou para o homem com raiva aquele traidor de uma figa! Ela pensava enquanto via ele andando todo posudo se achando o dono do mundo, sempre soube que ele Vegeta não se davam muito bem, Vegeta sempre dizia que Zarbon era invejoso que sempre estava se metendo nos casos que ele pegava, mas nunca imaginou que ele pudesse ser um traidor.

Seguiu o homem com os olhos vendo que ele se aproximava de Freeza percebeu que ele cochichada no ouvido do homem e notou alguns sorrisos satisfeitos que Freeza abria, aquela cena lhe deixou cismada. Freeza sorria completamente satisfeito enquanto Zarbon cochichava algo no ouvido que somente ele ouvia. Zarbon se afasta de Freeza e olha para ela, seus lábios se curvaram em um sorriso de canto que lhe deixa incomodada e quando o homem se afasta pergunta:

— O que é que está acontecendo?

Freeza para de sorrir e toma mais um gole de café e a atitude dele deixa Bulma com ainda mais raiva.

— O que é que está acontecendo??? — grita e Sam segura seu braço.

— Bulma. – ele suspira puro fingimento, enquanto olha pra garota. _ Eu tenho uma notícia para te dá, e estou com o coração apertado de fazer isso.

— Do que você tá falando? – Bulma pergunta vendo a forma sínica que ele articulava.

— Sinto muito querida, mas... – Freeza agora olha pra Samuel. _ Nessa madrugada houve uma fatalidade em sua casa, eu não sei como dizer isso, mas... Sua casa pegou fogo e parece que não sobrou não.

—Não... – Bulma murmura sentindo seu coração disparar dentro do peito e seus olhos se arregalaram.

— Parece que o Vegeta estava lá dentro e... Não conseguiu sair...

— NÃO!!! – os olhos de Bulma dobram de tamanho e seu corpo começa a tremer. _ ISSO É MENTIRA, VOCÊ TA MENTINDO!! – ela grita e se levanta, Samuel segura em seu braço.

— Eu sinto muito, não queria ter que te dizer isso assim...

— NÃO, NÃO É MENTIRA, É MENTIRA!!! – Bulma começa a chorar, seu coração dispara de tal forma que dói em seu peito e suas pernas tremem, seus ouvidos se recusam a ouvir e seu coração acreditar, aquilo não poderia ser verdade.

— Sinto muito Bulma, mas... Vegeta está morto! — ele diz se divertindo com a reação da garota que estava completamente transtornada.

— Você tá mentindo! Ele não tá morto! — Bulma soluçava, Samuel segurava em seu braço e sentia a garota tremer.

— Que tragédia, morrer assim, tão jovem...

— FOI VOCE SEU DESGRAÇADO!!! FOI VOCE QUE FEZ ISSO! – Bulma grita agora com ódio já não tinha mais o controle do seu corpo nem das suas emoções, ouvir aquilo lhe matou por dentro e só conseguia enxergar o culpado em sua frente.

— Como pode pensar isso de mim Bulma?

— SEU SINICO, DESGRAÇADO, FOI VOCE, SEU MALDITO! – Bulma gritava descontrolada tentando avançar sobre Freeza, Samuel se levantou e a segurava pelo braço, mas ele não estava conseguindo controlar a mulher o ódio e a dor tomaram conta do corpo de Bulma e eles a dominavam agora lhe fazendo tremer dos pés à cabeça.

— Controle essa garota Samuel! – rosna ao ver a garota como um cão raivoso tentando avançar nele. Bulma projeta seu cotovelo pra traz e dá uma cotovelada com toda sua força no peito de Samuel que a solta, sem pensar em nada a garota pega a faca de pão em cima da mesa ela joga a cadeira para lá e avança sobre Freeza com a faca na mão o homem coloca os braços na frente do rosto no exato momento que a garota o acerta e corta seu braço ela estava com raiva, com muita raiva, ela tenta atacá-lo de novo e sente Samuel segurando o seu pulso com força tentando lhe tirar de cima do seu pai.

— Bulma para com isso! — ele grita.

— Tira a mão de mim! — Ela grita de volta enlouquecida.

— Controla essa garota é Samuel ou eu vou fazer isso! — Freeza dá um pulo da cadeira para se afastar enquanto segura o braço que sangrava, Bulma tenta avançar sobre ele de novo, Samuel a segura com mais força tentando controlá-la, mas não sabia como Bulma estava completamente enraivecida, não queria acreditar naquilo. Samuel aperta o pulso dela com força e a faz soltar a faca, com raiva, Bulma vira na direção dele e lhe dá um soco com a mão esquerda e acerta o queixo do rapaz, ainda se debatendo para ser soltar dele tenta lhe chutar no meio das pernas e deixa Samuel zangado ele a segura pelo pescoço e a empurra contra a parede próxima da mesa.

— PARA BULMA! EU NÃO QUERO MACHUCAR VOCE!

— TIRA A MAO DE MIM! – ela o estapeava sem dó, Samuel segurava em seu pescoço e em seu braço tentando imobilizá-la, Bulma o arranha no rosto e ele a segura com mais força e a joga no chão frio.

— PARA! JÁ CHEGA! PARA! – com raiva do descontrole dela ele ergue a cabeça da garota a batendo com força no chão, a pancada faz Bulma parar de se mexer seu corpo fica paralisado e ela sente o gosto do próprio sangue na boca, seus olhos vão perdendo a cor e começa esmorecer e seu coração aos poucos desacelera.

— Bulma! Me perdoa...

É a última coisa que ela escuta antes de perder a consciência...

...