Código Secreto
2 Capítulo 2 - Bad Angel
Tóquio – 23 de janeiro de 2012
A baixa iluminação e a música alta da Absy Nishtclub, a boate mais cara da cidade, era o ambiente perfeito para ele quando suas brigas com sua mãe o irritavam a ponto de querer fugir e nunca mais voltar. E era nela que seu pensamento vagava agora...
Ele estava em seu quarto bagunçado deitado em sua cama enquanto Natássia implorava para que ele abrisse a porta. Mas a única coisa que ele pensava era que hoje era o seu aniversário de dezoito anos, portanto estava livre. Assim como ela também poderia estar livre dele de uma vez! Seu coração estava dolorido, mas era a melhor coisa a se fazer. Ela sentiria falta no começo, mas superaria bem. Seria o melhor para ela também.
Natássia estava desesperada. A pequena casa que conseguiu comprar numa área humilde da cidade depois de muitos anos acomodava a ela, seu filho Hyoga, e seu pai Camus. Ela sonhava que aquele pequeno, mas aconchegante ambiente faria com que os homens de sua vida pudessem se entender. Mas Camus não aceitava e nunca aceitou a presença de Hyoga.
Enquanto ele era criança, Camus o tratava friamente, mas não tinham grandes problemas. Hyoga nunca pôde chamá-lo de avô, ele sempre brigava quando o pequeno o fazia. Isso gerou uma grande mágoa no garoto que chegou ao seu ápice três anos atrás, quando o loiro chegou já de madrugada e bêbado à sua casa pela primeira vez.
Isso aconteceu quando ele tinha apenas quinze anos e Camus, enfurecido, bateu no rosto do jovem expurgando nele toda a raiva que sentia. O francês simplesmente não conseguia não ver no loiro o homem que violentou sua filha, o empregado do homem que matou sua amada esposa, e toda essa desgraça familiar se concentrava nos olhos repugnantes do adolescente. Hyoga, ressentido e amargurado por anos de tanto ódio por parte do ruivo, cobrou da mãe e do avô os motivos de tanta rejeição. Não entendia o porquê de Camus não amá-lo.
E foi numa tremenda briga entre os três que Hyoga soube de sua origem. Foi um baque terrível para ele, que sempre pensou no pai como um namoradinho de infância de sua mãe, e que morreu antes dele nascer. A mentira sobre quem era seu pai só não era pior do que a verdade. Procurou desesperado nos olhos da mãe que tudo aquilo fosse uma mentira cruel de Camus, mas viu nela que tudo aquilo era verdade, para seu desespero.
Sem falar nada e com o coração aos pedaços, ele se refugiou em seu quarto, mas nem mesmo lá era suficientemente acolhedor para que pudesse chorar sua dor. E foi assim que ele fugiu de casa pela primeira vez. Natássia, desesperada, o procurou na casa de amigos, na rua, nos lugares que ele costumava freqüentar e, para sua sorte, o encontrou três dias depois, na rua junto com alguns rapazes.
Ela sabia que aqueles rapazes não eram boas influências para seu filho, então o tomou de volta, levando-o consigo. Após uma conversa sincera, Natássia demonstrou o quanto o amava e que para ela nada do passado fazia mais importância do que sua relação com o seu loiro. Hyoga sabia que a mãe, que sempre foi muito amorosa, falava a verdade e também ele a amava muito. Então por ela aceitou voltar para casa.
Mas nem mesmo esse episódio dramático em suas vidas fez Camus enternecer seu coração diante do neto. As brigas ficaram cada vez mais constantes e feias e Hyoga cada vez mais rebelde, arredio, irresponsável. Não estudava direito, só ia para escola porque a mãe o obrigava. Não queria trabalhar e sempre era demitido rapidamente quando Camus o colocava a força em algum emprego, além de beber demais. Sem falar no uso de drogas que ele, influenciado por amigos, começou a fazer uso.
Natássia não sabia o que fazer. Sempre conversava com o filho sobre isso, sobre os perigos do álcool e das drogas, mas nada do que ela falava era suficiente para que ele tomasse juízo. Em partes, ela culpava o pai pelas atitudes do filho. Ele claramente estava se rebelando contra o tratamento duro e cruel que Camus o impunha e essa situação estava transformando suas vidas num verdadeiro inferno.
Hyoga também sabia e sentia que sua presença tornava a vida de sua mãe um inferno. Ela estava brigando com Camus por sua causa e, apesar de não se importar com ele, mas no fundo o entendia. Ele era o filho do homem que estuprou Natássia. Corria nele o sangue sujo de um homem podre. E Hyoga sentia-se assim, podre, sujo por dentro, e sentia tanto nojo de si mesmo que pensava apenas na morte como forma de se limpar de toda essa sujeira.
Mas nem para isso ele era homem o suficiente. Simplesmente não tinha coragem de se matar, apesar da vontade. Então, a única coisa que podia fazer para se livrar de tanta dor e imundice era mergulhar no álcool e nas drogas.
Pensando nisso, ele deixou a mãe com seu bolo de aniversário e, colocando um casaco preto com capuz e fugiu pela janela do quarto. De All Star preto, calça jeans grafite surrada, uma camiseta preta com o desenho da banda Metallica estampada e um casaco preto com capuz que escondia seu cabelo loiro e parte de seu rosto. Ele pegou um ônibus e foi até a boate Absy.
Ela ficava apenas meia hora de sua casa logo chegou ao seu destino. Apesar de ser muito conhecida, ela não prezava muito pela segurança dos seus clientes. Apenas a aparência era levada em consideração na hora de entrar. Homens e mulheres de todas as idades freqüentavam a boate que sem cerimônia oferecia bebidas alcoólicas para quem quisesse ou pudesse pagar e fechava os olhos quanto ao uso de drogas lá dentro.
Logo que Hyoga entrou procurou por seus amigos. Ele pediu uma bebida e sentou-se perto do bar. A bebida era Absinto e chamava a atenção por ser rápida ao provocar alucinações. Ele bebeu o primeiro copo e logo pediu outro. Minutos depois uma loira num vestido preto e justíssimo se aproximou.
– Hyoga, meu bad angel! O que faz aqui? Pensei que fosse ficar em casa com a mamãe essa noite! – A loira sentou-se sensualmente ao lado dele, abraçando-o e fazendo-o rir.
– Mudei de idéia! – Ele disse e a encarou sorrindo maliciosamente. – E os outros? – Ele perguntou sobre seus outros amigos.
– Eles estão por aí... – Então ela o afastou da mesa, mantendo-o sentado, e sentou no seu colo, sem pudor diante dos outros freqüentadores. – Tenho algo muito legal para você hoje... – Ela sussurrou ao seu ouvido, provocando mais um sorriso no belo rosto do loiro.
– Eire, Eire... Não provoca, garota! – Ele balbuciou deixando-se levar pelos beijos em seu pescoço. Eire era a gata mais gostosa da região e pelo menos nisso Hyoga tinha sorte. Era bonito o bastante para atrair todas as gatas que quisesse. E Eire era a que ele mais gostava, não chegavam a ser namorados, mas se divertiam muito algumas vezes. Ela fazia o tipo rebelde como todos ali, com o diferencial de ser muito linda. Pintava os cabelos todo mês com uma cor diferente para a loucura dos seus conservadores pais. Atualmente estava com os cabelos tão vermelhos que pareciam o próprio fogo. Possuía também uma tatuagem de uma bruxa sexy na região do cóccix que no momento estava escondida pelo vestido, mas que Hyoga conhecia muito bem, bem como o charmoso piercing no umbigo.
Ela riu ao ouvi-lo e pegou o copo que estava na mesa sem sair do colo dele e bebeu um gole sensualmente, e depois o beijou, levando-os a uma imagem erótica e quase pornográfica. Seu vestido mal cobria suas pernas e foi fácil para ele alcançar suas nádegas, expondo-a como se ninguém mais pudesse os ver.
– Ora, ora... Mas que delícia de visão é essa! – Os outros amigos se aproximaram dos dois que apenas pararam de se beijar; Entre os amigos estavam Freya, prima de Eire. A invejosa loira fazia de tudo para competir com sua prima, mas sempre acabava se dando mal. Hyoga se tornou seu objeto de desejo assim que Eire começou a se envolver com ele, mas o russo não dava a mínima para ela, ou pelo menos não quando podia ter Eire, que era bem mais linda que sua prima. Então Freya começou a namorar com Hagen, mas apenas por ele ser filho de um ricaço, mas nunca deixou a idéia de roubar Hyoga de Eire.
Foi assim que ele conseguiu ser aceito pelo grupo. Hagen, o mimado rapaz tinha um tipinho de mauricinho ensebado que sempre irritou o grupo, mas como ele era a fonte de dinheiro, aceitavam-no parcialmente. Hagen era loiro, mas se irritava com o próprio jeito normal de ser, então descoloriu os cabelos, adotando um visual meio albino, com cabelos brancos e arrepiados. Além disso, fez algumas tatuagens pelo corpo, como um enorme tubarão martelo tatuado nas costas e um piercing na orelha. Ele tinha uma admiração grande por Hyoga devido ao fato dele ter algo que Hagen jamais teve: O talento com o volante. Esse mesmo talento o rendia o dinheiro que precisava para se afundar nas baladas.
Jabu era o encrenqueiro bêbado com o corpo cheio de tatuagens de diversos tipos e estilos. Ele não tinha onde cair morto. Trabalhava como atendente de uma rede de fast food e morava sozinho num apartamento alugado. Seus pais morreram quando ele era criança e foi criado por um tio bêbado, o mesmo que o ensinou a beber. Ele também tinha talento com o volante, apesar de não tanto quanto Hyoga. Era um pau mandado de Isaak e fazia tudo para imitá-lo, inclusive adotou o visual punk com cabelos esverdeados, mas o resultado não ficou bom e vendo-se mais ridículo do que estiloso, voltou ao tradicional visual roqueiro com longas madeixas pretas.
Isaak era o melhor amigo de Hyoga. Eles se conheceram no colégio primário e desde então nunca mais deixaram de se falar. Ele tinha o visual mais punk de todo o grupo: Os cabelos pintados de verde num corte moicano combinava com os olhos e a cara de mal que ele tinha. Na orelha uma série de piercing, além de calças e camisetas típicas de um punk.
Assim que ouviu o velho amigo, Hyoga sorriu e cobriu a amiga, mas deixando-a colada em seu colo.
– Me deixa em paz! – Hyoga reclamou brincando. – Isaak riu e sentou-se à mesa em que eles estavam.
– Aê galera! Hoje é o grande dia! Aniversário do nosso parceiro, Hyoga! – Isaak contou para os outros amigos rindo.
– Hoje é seu aniversário, Hyoga? Não sabia, parabéns! – Hagen foi logo cumprimentando o amigo.
– É, aproveita e paga uma bebida pra geral! Pelo aniversário dele, amor! – Freya pediu e Hagen animado, concordou.
– É um otário mesmo! – Jabu comentou sentando a mesa.
– Cala a boca seu merda! – Freya reclamou.
– Ei, ei vamos parar! – Isaak pôs fim à pequena confusão enquanto Hagen voltava com as bebidas e Eire saiu do colo de Hyoga. – Hoje é dia de comemorar! Fala aí Hyoga, tua mãe não ia te fazer um bolo?
– Ela fez, mas eu fui embora. Camus estava me azucrinando muito. – Disse enquanto bebia sua bebida.
– Esse teu avô é muito mala, mesmo! – Eire comentou.
– Você não sabe qual é a dele, cara? – Hagen perguntou. Hyoga entornou de uma vez sua bebida e ficou encarando com olhar vago enquanto brincava com o copo vazio.
– Não sei... – Mentiu para os amigos, pois tinha vergonha da verdade.
– Ah qual é... não vamos ficar aqui com esse papo deprê não né... – Freya reclamou.
– É isso mesmo prima, vamos pra pista! Vamos! – Freya, Hagen e Jabu se animaram, mas Hyoga não estava a fim. – Vamos! Vamos!– Pediu para Hyoga.
– Não, eu vou depois... Vai lá! – Eire não se deu por vencida.
– Ahh... vamos, vamos meu bad angel! – Ela fez manha sensualmente, mas nem assim o convenceu.
– Depois, depois. – Hyoga se irritou um pouco, fazendo-a se irritar também e se afastar.
– Ai você está muito mala hoje! E você Isaak? Vai ficar aí lambendo o saco dele? – Provocou, mas ele não deu bola.
– Tua namorada pega fogo! – Isaak riu.
– Ela não é minha namorada... – Hyoga balbuciou.
– Ah sei... tua ficante então... – Ele riu, mas não foi acompanhado. – Sabe, Hyoga... Sei do que você precisa hoje... Velocidade! – Disse com um brilho misterioso no olhar. Hyoga riu e pegou mais um copo.
– Não dá, o Camus me tirou o carro. – Isaak riu debochado.
– E o que você acha que conseguiria com aquela lata velha?! Não, meu amigo! Estou falando de algo grande!
– Pega? – Hyoga sentiu-se um pouco mais animado só pela idéia, mas não sabia como poderia participar já que estava sem carro.
– O chefe está promovendo um pega essa noite no Olympus, e você sabe que ele oferece uma boa grana pro vencedor, não é mesmo? Mas dessa vez a coisa vai ser bem grande, ouvi dizer que vai ser uma bolada capaz de te tirar de casa! – Isaak contou animando-se ao ver o sorriso desabrochar no rosto do loiro.
– Alta assim? Mas como vou fazer? Estou sem carro!
– Com a fama que você tem, eu duvido que ele mesmo não possa te arranjar um. Você sabe bem que o chefe adora quando você participa, você enche a lona. Você é o mais veloz de todos, Hyoga! Vai arrebentar nessa corrida e aí tu pega a grana, dá um chute na bunda desse velho, pega a tua mãe e se manda daqui com ela! – A idéia era realmente tentadora, mas Hyoga estava com um mau pressentimento sobre esse pega.
– Ei vocês? Vão ficar de tricor como moças recatadas, é? – Eire provocou, mas Hyoga estava preocupado demais para dar atenção a ela. Estava especialmente tentado e estranhamente receoso.
– Qual é, cara? O que ta pegando? – Isaak sentiu que tinha algo errado.
– Eu não sei... Talvez tenha bebido demais.
– Isso não é problema. Toma aqui, essa pílula vai dar um jeito nesse álcool. – Isaak pegou uma pílula branca e entregou para Hyoga.
– O que é isso?
– É uma droga nova que ta circulando no mercado. Melhor que todas as outras juntas, vai te deixar ligado o suficiente pra pilotar! Sem falar na adrenalina né?! – Riu. Hyoga pensou um pouco olhando para a tal pílula. Depois olhou para Isaak e sorriu. O pior que poderia acontecer era morrer, o que era a melhor opção pra ele.
– Quando vamos? – Isaak riu e chamou os outros amigos. Assim que ele falou do pega todos concordaram. Hagen ficou particularmente animado por poder ver Hyoga pilotando pela primeira vez, então levou todos em seu carro para o Olympus onde estava acontecendo o pega.
O local estava flamejando de tanta gente e carros juntos. Cheio de mulheres lindas, carros turbinados e muita grana no ar, Hyoga sentiu-se em seu mundo particular, revitalizado. Eles caminharam até a grande lona onde ficava Cassius, o responsável pelas apostas.
– Sou eu que mando nessa porra e eu to dizendo que com essa merda que tu chama de carro você não vai participar. – Cassius gritou com um rapaz que queria participar. Ele era mecânico e entendia tudo sobre carros e realizava esses particulares eventos para o chefe. Ele aproveitava-se de seu tamanho para intimidar e controlar os apostadores. O moreno era uma verdadeira muralha.
– Cassius, quero falar contigo! – Isaak tentou chamar.
– Agora não, Isaak! – Reclamou.
– É sério, cara! Eu trouxe o Hyoga! – Isso foi o suficiente para Cassius parar e olhar na direção dele. Viu que logo atrás estavam Hyoga e sua “trupe”.
– O que ele ta fazendo aqui? – Cassius perguntou.
– Veio comemorar o aniversário de dezoito anos em grande estilo. Isso vai ser um estrondo! – Cassius sorriu.
– Pensei que ele não tivesse mais carro...
– Ah você ta de sacanagem que ele vai pilotar aquele ferro velho! Porra, pensa grande! Ele precisa de um carro a altura dele e aí sim ele vai detonar com tudo isso aqui! Toma, ta aí o valor da garantia dele. – Cassius olhou para o dinheiro e estranhou.
– E porque você tem tanto interesse que ele corra?
– Não é da sua conta! Da sua conta é cuidar para que tenham os melhores pilotos, certo? – Cassius pensou por um momento, mas depois cedeu.
– Você ainda vai me levar à falência Isaak. – Cassius se deu por vencido e largou a lona com outra pessoa e foi até Hyoga.
– Grande bad angel! Não pensei que fosse vê-lo tão cedo!
– Nem eu... – O loiro respondeu vacilante. Aquela sensação aumentou consideravelmente.
– Vem comigo. Eu quero te mostrar uma belezinha. – Hyoga seguiu-o em silêncio até uma espécie de galpão onde encontrou um carro verde com um desenho na lateral, podia ser uma ave, mas lhe lembrou o desenho de um cisne retorcido.
– Essa beleza é o clássico das pistas com motor V-8, chega fácil aos 180 sem NOS! Com NOS ele vai pro céu em segundos! – Ele disse rindo. Hyoga ficou fascinado pelo carro, tanto que chegou a desejá-lo para si.
– Ele é demais!
– E pode ser seu! Se você ganhar essa disputa de hoje, ele fica sendo seu para você disputar novas corridas por aqui... – Hyoga gostou da proposta.
– Eu não to a fim de me prender nessa, Cassius . – Ele disse desdenhando.
– Beleza... então vaza da minha pista! – Ele sabia que ele precisava do carro e do dinheiro, então nem se abalou com a resposta.
– Espera! E se eu perder?
– Não se preocupe, já pagaram sua garantia. Mas é bem mais provável que você ganhe, não é Hyoga?
– Quem pagou? – Hyoga achou aquilo estranho.
– Alguém que quer te ver correndo por essa pista! Vamos lá, bad angel?! Larga dessa neura!
– Vamos então... – Ele ainda estava com aquele mau pressentimento, mas atribuía isso a possibilidade de perder a corrida. Cassius riu.
– Vai! Tira o carro e se posiciona! – Cassius disse entregando as chaves. O loiro as pegou e respirando fundo entrou no carro. A sensação foi indescritível, era incrível como ele se sentia bem dirigindo. Animado novamente, pegou o carro e foi até a área de partida.
– Atenção senhoras e senhores, o nosso bad angel está de volta participando no seu décimo oitavo aniversário! Na nossa comemoração, você ganha o espetáculo! – As pessoas gritaram empolgadas em ver a corrida do anjo malvado, a mais nova fera entre as rodas.Hyoga olhou pelo retrovisor e viu Cassius acenando positivamente. Pela janela, viu os outros competidores. Ele estava tenso, mas não era pela corrida. Estava feliz por pegar no volante novamente.
A sua ansiedade se dissipou quando viu a morena caminhar por entre os carros até ficar a sua frente. Com a bandeira nas mãos, ela olhou para os pilotos e se fixou em Hyoga por alguns segundos. Um sorriso travesso e foi dada a largada.
Os carros arrancaram cantando pneu para delírio da multidão. Cassius estava num ponto mais alto e podia ver a longa reta da avenida e os carros no começo dela que durou apenas alguns rápidos minutos. Hyoga tomou a dianteira com os outros logo atrás e de cara sentiu a potência do motor. Com o olhar fixo no ponto final da pista, ele acelerou ainda mais para se distanciar, agarrando-se ao banco e ao volante, sentindo a pressão do vento em seu corpo, e o som quase ensurdecer dos motores elevou sua adrenalina. Ao ver pelo retrovisor um carro tão perto de si, pisou fundo ao máximo que conseguia para acelerar mais e mais, mas não conseguiu se afastar.
Um carro preto altamente turbinado estava em sua cola e então para se separar dele, Hyoga turbinou o motor com NOS e acelerou muito rapidamente. Mas sua vantagem foi igualmente rápida e logo o piloto que estava atrás também turbinou seu motor e o alcançou rapidamente. A linha de chegada estava próxima e Hyoga fez de um tudo para aumentar a velocidade e se distanciar, mas não conseguiu. O carro preto o alcançou e por poucos centímetros conseguiu cruzar a linha de chegada na frente do Bad Angel.
Hyoga foi desacelerando e dando a volta, um tanto decepcionado. Talvez seu mau pressentimento estivesse certo, não era para ser o seu dia. Naquele momento só se lamentava por perder a bolada e não poder se livrar de Camus.
– Ele foi ótimo, mas não dá pra ganhar todas... – Jabu comentou. Infelizmente não pôde participar do pega, até porque não tinha o dinheiro da garantia e nem o carro.
– Ah tadinho do meu Bad Angel... – Eire comentou. Os pilotos ainda estavam nos carros quando os vigias anunciaram a presença da polícia. Cassius deu o sinal, pegou o dinheiro das apostas e se mandou. Hagen, Isaak, Jabu, Freya e Eire também entraram no carro e fugiram. Hyoga percebeu a movimentação e fugiu. A correria se tornou numa confusão tamanha e algumas pessoas acabaram sendo atropeladas no afã de querer fugir, porém Hyoga não conseguia simplesmente sair atropelando e então optou por outro caminho, o da pista central, que estava livre, mas que o deixou exposto.
Logo ele percebeu que estava sendo seguido por um carro da polícia, mas não se importou. Faria o policial comer poeira e, sorrindo, acelerou. Apesar do carro da polícia não ter a mesma potência, ele tentava seguir o potente carro de Hyoga pelas ruas da cidade. Aquela era uma perseguição perigosa, mas que estava dando uma adrenalina emocionante para Hyoga. Ele não via mais nada além da emocionante fuga.
Ele não tinha mais o NOS, mas nem precisava. O seu carro era bem mais veloz que o do policial, e fazia curvas em alta velocidade, correndo um sério risco do carro capotar, mas Hyoga gostava dessa emoção.
Porém, Hyoga não percebia que estava pondo em risco a vida de outras pessoas nessa corrida pela cidade e sabendo que ele jamais o alcançaria, os policiais chamaram reforços e atitaram no carro. Quando se viu alvo, o bad Angel se assustou e tentou fugir, mas um dos pneus havia sido atingido. Ele tentou sair dali ainda assim, mas não conseguiu equilíbrio e velocidade e acabou batendo num poste.
Ele tentou sair do carro para fugir a pé, mas outros carros da polícia o cercaram. Ele encostou-se no próprio carro, que nem era dele, e se entregou. Ele viu um dos policiais, no carro que o perseguiu, saindo e indo a sua direção.
– Senhor? Mãos na cabeça, o senhor está preso! – Disse o policial apontando uma arma para si. Hyoga obedeceu, sem ter mais o que fazer.
Continua...
Fale com o autor