Notas iniciais
ta ai o primeiro capitulo espero que gostem !

Fogo, pensou Cassie. Tudo que via ao seu redor eram cores

ardentes de outono. O laranja-amarelado do bordo, o vermelho
brilhante de sassafrás, o carmesim de arbustos de sumagre. Era
como se o mundo todo flamejasse com o elemento de Faye.

E eu estou presa bem no meio.

A sensação enjoativa no fundo do estômago de Cassie piorava com
cada passo que ela dava na estrada Crowhaven.
A casa amarela vitoriana no fim da estrada estava elegante como
sempre. Um prisma pendurado na janela da torre mais alta lançava, com a
luz do sol, faíscas de cores diferentes do arco-íris. Uma garota de cabelo
longo e marrom claro lhe chamava da varanda.
— Depressa, Cassie! Você está atrasada!
— Desculpe — Cassie gritou de volta, tentando acelerar o passo
quando o que realmente queria fazer era dar meia-volta e correr na direção
oposta. Teve a repentina e inexplicável convicção que seus pensamentos
privados deviam estar aparecendo no seu rosto. Laurel iria olhar para ela só
uma vez e saberia tudo o que acontecera com Adam na noite passada e
tudo sobre a barganha com Faye.
Mas Laurel só a pegou pela cintura e lhe empurrou para dentro,
guiando até o quarto de Diana. Diana estava parada na frente do grande
armário de madeira de nogueira; Melanie estava sentada na cama. Sean
estava sentado desconfortavelmente no assento em frente à janela,
esfregando os joelhos com as palmas.
Adam estava de pé ao lado dele.

Ele ergueu o olhar quando Cassie entrou.
Cassie encontrou aqueles olhos azuis acinzentado por só um instante,
mas foi tempo suficiente. Era a cor do oceano no seu ponto mais
misterioso, iluminado pelo sol na superfície, mas com profundezas
incompreensíveis mais abaixo. O resto de seu rosto era o mesmo de
sempre: cativante e intrigante, orgulho salientado nas altas maçãs e boca
determinada, mas sensibilidade e humor também ressaltando-se ali. Seu
rosto parecia diferente só porque na noite passada Cassie viu aqueles
olhos azuis à meia-noite com paixão, e sentiu aquela boca...
Nenhuma palavra, olhar ou ação, falou para si mesma ferozmente,
fitando o chão uma vez que não ousava olhar para a frente de novo. Mas
seu coração martelava tanto que ela esperava ver a frente do suéter
vibrando. Oh, céus, como ela poderia continuar com aquilo e manter seu
juramento? Levou uma incrível quantidade de energia para se sentar com
Melanie e não olhar para ele, bloquear de sua mente o calor carismático da
presença dele.
É melhor você se acostumar com isso, disse para si. Porque vai fazer
muito disso daqui para frente.
— Muito bem; estamos todos aqui — disse Diana. Ela foi para a porta
e a fechou. — Esse é um encontro fechado — continuou, virando-se ao
grupo. — Os outros não foram convidados pois não tenho certeza se têm
os mesmos interesses sinceros que nós.
— Isso é falar com gentileza — disse Laurel em voz baixa.
— Eles vão ficar chateados se descobrirem — disse Sean, os olhos
negros passando entre Adam e Diana.
— Então deixe-os ficar — Melanie disse sem emoção. Seus frios
olhos cinza se fixaram em Sean e ele enrubesceu. — Isso é muito mais
importante do que qualquer ataque que Faye possa ter. Temos que
descobrir o que aconteceu com aquela energia sombria... agora.
— Acho que sei como — disse Diana. Ela tirou uma bolsa branca de
veludo uma delicada pedra azul numa corrente de prata.
— Um pêndulo — Melanie disse de imediato.
— Sim. Isso é peridoto — Diana falou para Cassie. — É uma pedra

visionária... Certo, Melanie? Geralmente, usamos quartzo limpo como
pêndulo, mas dessa vez acho que peridoto é melhor; será provavelmente
mais fácil encontrar traços da energia sombria. Vamos levá-lo ao lugar
onde a energia sombria escapou, e ele irá se alinhar na direção que a
energia tomou e começar a oscilar.
— Assim esperamos — murmurou Laurel.
— Bem, essa é a teoria — disse Melanie.
Diana olhou para Adam, que estivera anormalmente quieto.
— O que você acha?
— Acho que vale a pena tentar. Mas vai ser necessário muito poder
mental para controlá-lo. Teremos todos que nos concentrar; especialmente
quando não somos um Círculo inteiro. — Sua voz era calma e serena, e
Cassie o admirou por isso. Ela manteu o rosto virado na direção de Diana,
mesmo que na verdade seus olhos estivessem fixos no armário de madeira
de nogueira.
Diana se virou para Cassie.
— E você?
— Eu? — perguntou Cassie, assustada, tirando os olhos da porta do
armário. Não esperava que lhe perguntassem alguma coisa; não sabia nada
sobre pêndulos ou peridoto. Para o seu terror, sentiu o rosto corar.
— Sim, você. Você pode ser nova nos métodos que usamos, mas um
monte de vezes você tem sensações sobre as coisas.
— Ah. Bem... — Cassie tentou procurar pelas suas sensações,
arrastando-se para chegar além da culpa e terror que eram predominantes.
— Acho... que é uma boa ideia — falou finalmente, sabendo como aquela
resposta era estúpida. — Por mim tudo bem.
Melanie revirou os olhos, mas Diana assentiu de forma tão séria
quanto fizera com Adam.
— Muito bem, então, a única coisa a fazer é tentar — disse,
abaixando o peridoto e sua corrente de prata na palma da mão esquerda e
fechando-a firmemente. — Vamos.
Cassie não conseguiu tomar fôlego; ainda se recuperava do impacto
dos claros olhos verdes de Diana, levemente mais escuros que o peridoto,

mas com aquela mesma transparência delicada, como se houvesse luz
brilhando atrás deles.
Eu não vou conseguir, pensou. Estava tão surpresa em ver como tudo
agora estava inflexível e simples que realmente olhou para Diana nos
olhos.
Eu não vou conseguir. Terei que contar a Faye... não, contarei a
Diana. É isso. Vou contar a Diana eu mesma antes que Faye possa, e eu
vou fazê-la acreditar em mim. Ela entenderá; Diana é tão boa, terá que
entender.
Todos se levantaram. Cassie se levantou também, virando na direção
da porta para esconder a agitação — eu devia contar agora? Pedir para ela
esperar um minuto? — quando a porta se abriu no seu rosto.
Faye estava parada do outro lado.
Suzan e Deborah estavam atrás dela. A garota de cabelo loiro-
avermelhado tinha um olhar maldoso, e a carranca habitual da motociclista
estava ainda mais obscura que o normal. Atrás delas estavam os irmãos
Henderson, Chris com a testa franzida e Doug com um sorriso
extravagante e perturbador.
— Indo a algum lugar sem a gente? — perguntou Faye. Ela estava
falando com Diana, mas os olhos permaneciam fixos em Cassie.
— Não agora — murmurou Laurel.
Diana soltou o fôlego.
— Não achei que estaria interessada — disse. — Vamos traçar a
energia sombria.
— Não estou interessada? Quando o resto de vocês estão tão
ocupados? É claro, só posso falar por mim mesma, mas tenho interesse em
tudo que o Círculo faz. E você, Deborah?
A carranca da garota motociclista se alterou brevemente num sorriso
malicioso.
— Estou interessada — falou ela. — E você, Suzan?
— Estou interessada — Suzan concordou.
— E você, Chris?
— Estou...

— Certo — disse Diana. Suas bochechas ficaram coradas; Adam se
aproximou dela pelo lado. — Já entendemos. Somos melhores como um
Círculo completo, afinal; mas onde está o Nick?
— Não faço ideia — disse a voz fria de Faye. — Ele não está em casa.
Diana hesitou, então deu de ombros.
— Vamos aproveitar ao máximo o que temos — disse. — Vamos para
a garagem.
Gesticulou para Melanie e Laurel e elas foram primeiro, passando
pelo grupo de Faye, que parecia querer ficar e discutir um pouco mais.
Adam olhou para Sean e o tirou da porta, depois se juntou aos Henderson.
Deborah e Suzan olharam para Faye, logo antes de seguirem os garotos.
Cassie ficara no fundo, esperando a chance de falar com Diana
sozinha. Mas Diana parecia ter esquecido dela; estava ocupada lidando
com Faye. Finalmente, cabeça erguida, passou pela alta garota que ainda
estava mais ou menos bloqueando a passagem.
— Diana... — chamou Faye. Diana não olhou para trás, mas os
ombros se tencionaram: estava ouvindo. — Você irá perder todos eles —
disse Faye, rindo com seu riso despreocupado enquanto Diana continuava
descendo a escadaria.
Mordendo o lábio, Cassie avançou furiosamente. Um bom empurrão
na barriga de Faye. Mas Faye a rodeou docilmente, bloqueando
completamente o vão da porta.
— Ah, não, você não. Temos que conversar — disse ela.
— Eu não quero conversar com você.
Faye lhe ignorou.
— Está aqui? — Ela se moveu rapidamente até o armário de madeira
de nogueira e puxou uma das maçanetas, mas a gaveta estava trancada.
Todas estavam. — Droga. Mas você pode descobrir onde ela guarda a
chave. Eu a quero assim que possível, entendeu?
— Faye, você não está me escutando! Eu mudei de ideia. Não vou
fazer isso depois de tudo.
Faye, que estava rondando o quarto como uma pantera, tirando
vantagem dessa única oportunidade de examinar as coisas de Diana, parou

de andar. Virou-se lentamente para Cassie, sorrindo.
— Ah, Cassie — disse. — Você realmente me mata.
— Estou falando sério. Mudei de ideia. — Faye só sorriu para ela,
encostada na parede e sacudindo a cabeça. Seus olhos dourados brilhavam
de diversão, o cabelo negro caindo pelos ombros conforme a cabeça se
movia. Ela nunca pareceu mais bonita... ou mais perigosa.
— Cassie, venha aqui. — A voz de Faye estava levemente afiada de
impaciência, como uma professora que reclamava muito de um aluno no
fundo da sala. — Deixe-me te mostrar uma coisa — continuou Faye,
pegando Cassie pelo cotovelo e arrastando-a até a janela. — Agora, olhe
ali. Que você vê?
Cassie parou de lutar e olhou. Via o Clube, a galera do colégio de
Nova Salém, os adolescentes que amedrontavam — e aterrorizavam —
estudantes e alunos igualmente. Ela os via reunidos na entrada da garagem
de Diana, as cabeças brilhando nos primeiros raios do pôr do sol: o loiro-
avermelhado de Suzan transformado só em vermelho, os cachos escuros de
Deborah tocados de rubi, o cabelo longo e marrom claro de Laurel, o curto
cabelo ruivo de Melanie e o amarelo desgrenhado dos irmãos Henderson
todos realçados pelo brilho rubro no céu.
E ela via Adam e Diana, um perto do outro, o cabelo prateado de
Diana caindo no ombro de Adam. Ele estava segurando-a de forma
protetora, seu próprio cabelo escuro como vinho.
A voz de Faye veio de trás de Cassie.
— Se você contar a ela, irá matá-la. Irá destruir a fé dela em tudo que
já acreditou. E você irá tirar a única coisa que ela tem a confiar. É isso o
que você quer?
— Faye... — agitou-se Cassie.
— E, acidentalmente, você será banida do Clube. Sabe disso, não
sabe? Como acha que Melanie e Laurel vão se sentir quando ouvirem que
você bagunçosd

F


ogo, pensou Cassie. Tudo que via ao seu redor eram cores

ardentes de outono. O laranja-amarelado do bordo, o vermelho

brilhante de sassafrás, o carmesim de arbustos de sumagre. Era

como se o mundo todo flamejasse com o elemento de Faye.


E eu estou presa bem no meio.


A sensação enjoativa no fundo do estômago de Cassie piorava com

cada passo que ela dava na estrada Crowhaven.

A casa amarela vitoriana no fim da estrada estava elegante como

sempre. Um prisma pendurado na janela da torre mais alta lançava, com a

luz do sol, faíscas de cores diferentes do arco-íris. Uma garota de cabelo

longo e marrom claro lhe chamava da varanda.

— Depressa, Cassie! Você está atrasada!

— Desculpe — Cassie gritou de volta, tentando acelerar o passo

quando o que realmente queria fazer era dar meia-volta e correr na direção

oposta. Teve a repentina e inexplicável convicção que seus pensamentos

privados deviam estar aparecendo no seu rosto. Laurel iria olhar para ela só

uma vez e saberia tudo o que acontecera com Adam na noite passada e

tudo sobre a barganha com Faye.

Mas Laurel só a pegou pela cintura e lhe empurrou para dentro,

guiando até o quarto de Diana. Diana estava parada na frente do grande

armário de madeira de nogueira; Melanie estava sentada na cama. Sean

estava sentado desconfortavelmente no assento em frente à janela,

esfregando os joelhos com as palmas.

Adam estava de pé ao lado dele.


Ele ergueu o olhar quando Cassie entrou.

Cassie encontrou aqueles olhos azuis acinzentado por só um instante,

mas foi tempo suficiente. Era a cor do oceano no seu ponto mais

misterioso, iluminado pelo sol na superfície, mas com profundezas

incompreensíveis mais abaixo. O resto de seu rosto era o mesmo de

sempre: cativante e intrigante, orgulho salientado nas altas maçãs e boca

determinada, mas sensibilidade e humor também ressaltando-se ali. Seu

rosto parecia diferente só porque na noite passada Cassie viu aqueles

olhos azuis à meia-noite com paixão, e sentiu aquela boca...

Nenhuma palavra, olhar ou ação, falou para si mesma ferozmente,

fitando o chão uma vez que não ousava olhar para a frente de novo. Mas

seu coração martelava tanto que ela esperava ver a frente do suéter

vibrando. Oh, céus, como ela poderia continuar com aquilo e manter seu

juramento? Levou uma incrível quantidade de energia para se sentar com

Melanie e não olhar para ele, bloquear de sua mente o calor carismático da

presença dele.

É melhor você se acostumar com isso, disse para si. Porque vai fazer

muito disso daqui para frente.

— Muito bem; estamos todos aqui — disse Diana. Ela foi para a porta

e a fechou. — Esse é um encontro fechado — continuou, virando-se ao

grupo. — Os outros não foram convidados pois não tenho certeza se têm

os mesmos interesses sinceros que nós.

— Isso é falar com gentileza — disse Laurel em voz baixa.

— Eles vão ficar chateados se descobrirem — disse Sean, os olhos

negros passando entre Adam e Diana.

— Então deixe-os ficar — Melanie disse sem emoção. Seus frios

olhos cinza se fixaram em Sean e ele enrubesceu. — Isso é muito mais

importante do que qualquer ataque que Faye possa ter. Temos que

descobrir o que aconteceu com aquela energia sombria... agora.

— Acho que sei como — disse Diana. Ela tirou uma bolsa branca de

veludo uma delicada pedra azul numa corrente de prata.

— Um pêndulo — Melanie disse de imediato.

— Sim. Isso é peridoto — Diana falou para Cassie. — É uma pedra


visionária... Certo, Melanie? Geralmente, usamos quartzo limpo como

pêndulo, mas dessa vez acho que peridoto é melhor; será provavelmente

mais fácil encontrar traços da energia sombria. Vamos levá-lo ao lugar

onde a energia sombria escapou, e ele irá se alinhar na direção que a

energia tomou e começar a oscilar.

— Assim esperamos — murmurou Laurel.

— Bem, essa é a teoria — disse Melanie.

Diana olhou para Adam, que estivera anormalmente quieto.

— O que você acha?

— Acho que vale a pena tentar. Mas vai ser necessário muito poder

mental para controlá-lo. Teremos todos que nos concentrar; especialmente

quando não somos um Círculo inteiro. — Sua voz era calma e serena, e

Cassie o admirou por isso. Ela manteu o rosto virado na direção de Diana,

mesmo que na verdade seus olhos estivessem fixos no armário de madeira

de nogueira.

Diana se virou para Cassie.

— E você?

— Eu? — perguntou Cassie, assustada, tirando os olhos da porta do

armário. Não esperava que lhe perguntassem alguma coisa; não sabia nada

sobre pêndulos ou peridoto. Para o seu terror, sentiu o rosto corar.

— Sim, você. Você pode ser nova nos métodos que usamos, mas um

monte de vezes você tem sensações sobre as coisas.

— Ah. Bem... — Cassie tentou procurar pelas suas sensações,

arrastando-se para chegar além da culpa e terror que eram predominantes.

— Acho... que é uma boa ideia — falou finalmente, sabendo como aquela

resposta era estúpida. — Por mim tudo bem.

Melanie revirou os olhos, mas Diana assentiu de forma tão séria

quanto fizera com Adam.

— Muito bem, então, a única coisa a fazer é tentar — disse,

abaixando o peridoto e sua corrente de prata na palma da mão esquerda e

fechando-a firmemente. — Vamos.

Cassie não conseguiu tomar fôlego; ainda se recuperava do impacto

dos claros olhos verdes de Diana, levemente mais escuros que o peridoto,


mas com aquela mesma transparência delicada, como se houvesse luz

brilhando atrás deles.

Eu não vou conseguir, pensou. Estava tão surpresa em ver como tudo

agora estava inflexível e simples que realmente olhou para Diana nos

olhos.

Eu não vou conseguir. Terei que contar a Faye... não, contarei a

Diana. É isso. Vou contar a Diana eu mesma antes que Faye possa, e eu

vou fazê-la acreditar em mim. Ela entenderá; Diana é tão boa, terá que

entender.

Todos se levantaram. Cassie se levantou também, virando na direção

da porta para esconder a agitação — eu devia contar agora? Pedir para ela

esperar um minuto? — quando a porta se abriu no seu rosto.

Faye estava parada do outro lado.

Suzan e Deborah estavam atrás dela. A garota de cabelo loiro-

avermelhado tinha um olhar maldoso, e a carranca habitual da motociclista

estava ainda mais obscura que o normal. Atrás delas estavam os irmãos

Henderson, Chris com a testa franzida e Doug com um sorriso

extravagante e perturbador.

— Indo a algum lugar sem a gente? — perguntou Faye. Ela estava

falando com Diana, mas os olhos permaneciam fixos em Cassie.

— Não agora — murmurou Laurel.

Diana soltou o fôlego.

— Não achei que estaria interessada — disse. — Vamos traçar a

energia sombria.

— Não estou interessada? Quando o resto de vocês estão tão

ocupados? É claro, só posso falar por mim mesma, mas tenho interesse em

tudo que o Círculo faz. E você, Deborah?

A carranca da garota motociclista se alterou brevemente num sorriso

malicioso.

— Estou interessada — falou ela. — E você, Suzan?

— Estou interessada — Suzan concordou.

— E você, Chris?

— Estou...


— Certo — disse Diana. Suas bochechas ficaram coradas; Adam se

aproximou dela pelo lado. — Já entendemos. Somos melhores como um

Círculo completo, afinal; mas onde está o Nick?

— Não faço ideia — disse a voz fria de Faye. — Ele não está em casa.

Diana hesitou, então deu de ombros.

— Vamos aproveitar ao máximo o que temos — disse. — Vamos para

a garagem.

Gesticulou para Melanie e Laurel e elas foram primeiro, passando

pelo grupo de Faye, que parecia querer ficar e discutir um pouco mais.

Adam olhou para Sean e o tirou da porta, depois se juntou aos Henderson.

Deborah e Suzan olharam para Faye, logo antes de seguirem os garotos.

Cassie ficara no fundo, esperando a chance de falar com Diana

sozinha. Mas Diana parecia ter esquecido dela; estava ocupada lidando

com Faye. Finalmente, cabeça erguida, passou pela alta garota que ainda

estava mais ou menos bloqueando a passagem.

— Diana... — chamou Faye. Diana não olhou para trás, mas os

ombros se tencionaram: estava ouvindo. — Você irá perder todos eles —

disse Faye, rindo com seu riso despreocupado enquanto Diana continuava

descendo a escadaria.

Mordendo o lábio, Cassie avançou furiosamente. Um bom empurrão

na barriga de Faye. Mas Faye a rodeou docilmente, bloqueando

completamente o vão da porta.

— Ah, não, você não. Temos que conversar — disse ela.

— Eu não quero conversar com você.

Faye lhe ignorou.

— Está aqui? — Ela se moveu rapidamente até o armário de madeira

de nogueira e puxou uma das maçanetas, mas a gaveta estava trancada.

Todas estavam. — Droga. Mas você pode descobrir onde ela guarda a

chave. Eu a quero assim que possível, entendeu?

— Faye, você não está me escutando! Eu mudei de ideia. Não vou

fazer isso depois de tudo.

Faye, que estava rondando o quarto como uma pantera, tirando

vantagem dessa única oportunidade de examinar as coisas de Diana, parou


de andar. Virou-se lentamente para Cassie, sorrindo.

— Ah, Cassie — disse. — Você realmente me mata.

— Estou falando sério. Mudei de ideia. — Faye só sorriu para ela,

encostada na parede e sacudindo a cabeça. Seus olhos dourados brilhavam

de diversão, o cabelo negro caindo pelos ombros conforme a cabeça se

movia. Ela nunca pareceu mais bonita... ou mais perigosa.

— Cassie, venha aqui. — A voz de Faye estava levemente afiada de

impaciência, como uma professora que reclamava muito de um aluno no

fundo da sala. — Deixe-me te mostrar uma coisa — continuou Faye,

pegando Cassie pelo cotovelo e arrastando-a até a janela. — Agora, olhe

ali. Que você vê?

Cassie parou de lutar e olhou. Via o Clube, a galera do colégio de

Nova Salém, os adolescentes que amedrontavam — e aterrorizavam —

estudantes e alunos igualmente. Ela os via reunidos na entrada da garagem

de Diana, as cabeças brilhando nos primeiros raios do pôr do sol: o loiro-

avermelhado de Suzan transformado só em vermelho, os cachos escuros de

Deborah tocados de rubi, o cabelo longo e marrom claro de Laurel, o curto

cabelo ruivo de Melanie e o amarelo desgrenhado dos irmãos Henderson

todos realçados pelo brilho rubro no céu.

E ela via Adam e Diana, um perto do outro, o cabelo prateado de

Diana caindo no ombro de Adam. Ele estava segurando-a de forma

protetora, seu próprio cabelo escuro como vinho.

A voz de Faye veio de trás de Cassie.

— Se você contar a ela, irá matá-la. Irá destruir a fé dela em tudo que

já acreditou. E você irá tirar a única coisa que ela tem a confiar. É isso o

que você quer?

— Faye... — agitou-se Cassie.

— E, acidentalmente, você será banida do Clube. Sabe disso, não

sabe? Como acha que Melanie e Laurel vão se sentir quando ouvirem que

você bagunçou o namoro de Diana? Nenhum deles irá falar com você de

novo, nem formar um Círculo completo. O pacto também será destruído.

Cassie fechou a mandíbula. Queria bater em Faye, mas isso não

ajudaria de nada. Porque Faye estava certa. E Cassie pensava que podia


aguentar ser banida, ser uma excluída na escola de novo; até pensava que

podia aguentar destruir o pacto. Mas a imagem do rosto de Diana...

Mataria Diana. Quando Faye terminasse de contar como, iria. A

fantasia de Cassie de confessar a Diaana e fazer Diana entender

desapareceu como uma bolha de sabão num prego.

— E o que eu quero é tão razoável — contdasdasinuava Faye, quase

cantando. — Eu só quero que você lhe na caveira por um tempinho. Sei o

que estou fazendo. Vocêasdasdas irá conseguir isso para mim, não vai, Cassie? Não

vai? Hoje?

Cassie fechou os olhos. Nas pálpebras fechadas, a luz era vermelha

como chamas.

e fechou a mandíbula. Queria bater em Faye, mas isso não
ajudaria de nada. Porque Faye estava certa. E Cassie pensava que podia

aguentar ser banida, ser uma excluída na escola de novo; até pensava que
podia aguentar destruir o pacto. Mas a imagem do rosto de Diana...
Mataria Diana. Quando Faye terminasse de contar como, iria. A
fantasia de Cassie de confessar a Diana e fazer Diana entender
desapareceu como uma bolha de sabão num prego.
— E o que eu quero é tão razoável — continuava Faye, quase
cantando. — Eu só quero que você lhe na caveira por um tempinho. Sei o
que estou fazendo. Você irá conseguir isso para mim, não vai, Cassie? Não
vai? Hoje?
Cassie fechou os olhos. Nas pálpebras fechadas, a luz era vermelha
como chamas.

ddsadaaF ogo, pensou Cassie. Tudo que via ao seu redor eram cores ardentes de outono. O laranja-amarelado do bordo, o vermelho brilhante de sassafrás, o carmesim de arbustos de sumagre. Era como se o mundo todo flamejasse com o elemento de Faye. E eu estou presa bem no meio. A sensação enjoativa no fundo do estômago de Cassie piorava com cada passo que ela dava na estrada Crowhaven. A casa amarela vitoriana no fim da estrada estava elegante como sempre. Um prisma pendurado na janela da torre mais alta lançava, com a luz do sol, faíscas de cores diferentes do arco-íris. Uma garota de cabelo longo e marrom claro lhe chamava da varanda. — Depressa, Cassie! Você está atrasada! — Desculpe — Cassie gritou de volta, tentando acelerar o passo quando o que realmente queria fazer era dar meia-volta e correr na direção oposta. Teve a repentina e inexplicável convicção que seus pensamentos privados deviam estar aparecendo no seu rosto. Laurel iria olhar para ela só uma vez e saberia tudo o que acontecera com Adam na noite passada e tudo sobre a barganha com Faye. Mas Laurel só a pegou pela cintura e lhe empurrou para dentro, guiando até o quarto de Diana. Diana estava parada na frente do grande armário de madeira de nogueira; Melanie estava sentada na cama. Sean estava sentado desconfortavelmente no assento em frente à janela, esfregando os joelhos com as palmas. Adam estava de pé ao lado dele. Ele ergueu o olhar quando Cassie entrou. Cassie encontrou aqueles olhos azuis acinzentado por só um instante, mas foi tempo suficiente. Era a cor do oceano no seu ponto mais misterioso, iluminado pelo sol na superfície, mas com profundezas incompreensíveis mais abaixo. O resto de seu rosto era o mesmo de sempre: cativante e intrigante, orgulho salientado nas altas maçãs e boca determinada, mas sensibilidade e humor também ressaltando-se ali. Seu rosto parecia diferente só porque na noite passada Cassie viu aqueles olhos azuis à meia-noite com paixão, e sentiu aquela boca... Nenhuma palavra, olhar ou ação, falou para si mesma ferozmente, fitando o chão uma vez que não ousava olhar para a frente de novo. Mas seu coração martelava tanto que ela esperava ver a frente do suéter vibrando. Oh, céus, como ela poderia continuar com aquilo e manter seu juramento? Levou uma incrível quantidade de energia para se sentar com Melanie e não olhar para ele, bloquear de sua mente o calor carismático da presença dele. É melhor você se acostumar com isso, disse para si. Porque vai fazer muito disso daqui para frente. — Muito bem; estamos todos aqui — disse Diana. Ela foi para a porta e a fechou. — Esse é um encontro fechado — continuou, virando-se ao grupo. — Os outros não foram convidados pois não tenho certeza se têm os mesmos interesses sinceros que nós. — Isso é falar com gentileza — disse Laurel em voz baixa. — Eles vão ficar chateados se descobrirem — disse Sean, os olhos negros passando entre Adam e Diana. — Então deixe-os ficar — Melanie disse sem emoção. Seus frios olhos cinza se fixaram em Sean e ele enrubesceu. — Isso é muito mais importante do que qualquer ataque que Faye possa ter. Temos que descobrir o que aconteceu com aquela energia sombria... agora. — Acho que sei como — disse Diana. Ela tirou uma bolsa branca de veludo uma delicada pedra azul numa corrente de prata. — Um pêndulo — Melanie disse de imediato. — Sim. Isso é peridoto — Diana falou para Cassie. — É uma pedra visionária... Certo, Melanie? Geralmente, usamos quartzo limpo como pêndulo, mas dessa vez acho que peridoto é melhor; será provavelmente mais fácil encontrar traços da energia sombria. Vamos levá-lo ao lugar onde a energia sombria escapou, e ele irá se alinhar na direção que a energia tomou e começar a oscilar. — Assim esperamos — murmurou Laurel. — Bem, essa é a teoria — disse Melanie. Diana olhou para Adam, que estivera anormalmente quieto. — O que você acha? — Acho que vale a pena tentar. Mas vai ser necessário muito poder mental para controlá-lo. Teremos todos que nos concentrar; especialmente quando não somos um Círculo inteiro. — Sua voz era calma e serena, e Cassie o admirou por isso. Ela manteu o rosto virado na direção de Diana, mesmo que na verdade seus olhos estivessem fixos no armário de madeira de nogueira. Diana se virou para Cassie. — E você? — Eu? — perguntou Cassie, assustada, tirando os olhos da porta do armário. Não esperava que lhe perguntassem alguma coisa; não sabia nada sobre pêndulos ou peridoto. Para o seu terror, sentiu o rosto corar. — Sim, você. Você pode ser nova nos métodos que usamos, mas um monte de vezes você tem sensações sobre as coisas. — Ah. Bem... — Cassie tentou procurar pelas suas sensações, arrastando-se para chegar além da culpa e terror que eram predominantes. — Acho... que é uma boa ideia — falou finalmente, sabendo como aquela resposta era estúpida. — Por mim tudo bem. Melanie revirou os olhos, mas Diana assentiu de forma tão séria quanto fizera com Adam. — Muito bem, então, a única coisa a fazer é tentar — disse, abaixando o peridoto e sua corrente de prata na palma da mão esquerda e fechando-a firmemente. — Vamos. Cassie não conseguiu tomar fôlego; ainda se recuperava do impacto dos claros olhos verdes de Diana, levemente mais escuros que o peridoto, mas com aquela mesma transparência delicada, como se houvesse luz brilhando atrás deles. Eu não vou conseguir, pensou. Estava tão surpresa em ver como tudo agora estava inflexível e simples que realmente olhou para Diana nos olhos. Eu não vou conseguir. Terei que contar a Faye... não, contarei a Diana. É isso. Vou contar a Diana eu mesma antes que Faye possa, e eu vou fazê-la acreditar em mim. Ela entenderá; Diana é tão boa, terá que entender. Todos se levantaram. Cassie se levantou também, virando na direção da porta para esconder a agitação — eu devia contar agora? Pedir para ela esperar um minuto? — quando a porta se abriu no seu rosto. Faye estava parada do outro lado. Suzan e Deborah estavam atrás dela. A garota de cabelo loiro- avermelhado tinha um olhar maldoso, e a carranca habitual da motociclista estava ainda mais obscura que o normal. Atrás delas estavam os irmãos Henderson, Chris com a testa franzida e Doug com um sorriso extravagante e perturbador. — Indo a algum lugar sem a gente? — perguntou Faye. Ela estava falando com Diana, mas os olhos permaneciam fixos em Cassie. — Não agora — murmurou Laurel. Diana soltou o fôlego. — Não achei que estaria interessada — disse. — Vamos traçar a energia sombria. — Não estou interessada? Quando o resto de vocês estão tão ocupados? É claro, só posso falar por mim mesma, mas tenho interesse em tudo que o Círculo faz. E você, Deborah? A carranca da garota motociclista se alterou brevemente num sorriso malicioso. — Estou interessada — falou ela. — E você, Suzan? — Estou interessada — Suzan concordou. — E você, Chris? — Estou... — Certo — disse Diana. Suas bochechas ficaram coradas; Adam se aproximou dela pelo lado. — Já entendemos. Somos melhores como um Círculo completo, afinal; mas onde está o Nick? — Não faço ideia — disse a voz fria de Faye. — Ele não está em casa. Diana hesitou, então deu de ombros. — Vamos aproveitar ao máximo o que temos — disse. — Vamos para a garagem. Gesticulou para Melanie e Laurel e elas foram primeiro, passando pelo grupo de Faye, que parecia querer ficar e discutir um pouco mais. Adam olhou para Sean e o tirou da porta, depois se juntou aos Henderson. Deborah e Suzan olharam para Faye, logo antes de seguirem os garotos. Cassie ficara no fundo, esperando a chance de falar com Diana sozinha. Mas Diana parecia ter esquecido dela; estava ocupada lidando com Faye. Finalmente, cabeça erguida, passou pela alta garota que ainda estava mais ou menos bloqueando a passagem. — Diana... — chamou Faye. Diana não olhou para trás, mas os ombros se tencionaram: estava ouvindo. — Você irá perder todos eles — disse Faye, rindo com seu riso despreocupado enquanto Diana continuava descendo a escadaria. Mordendo o lábio, Cassie avançou furiosamente. Um bom empurrão na barriga de Faye. Mas Faye a rodeou docilmente, bloqueando completamente o vão da porta. — Ah, não, você não. Temos que conversar — disse ela. — Eu não quero conversar com você. Faye lhe ignorou. — Está aqui? — Ela se moveu rapidamente até o armário de madeira de nogueira e puxou uma das maçanetas, mas a gaveta estava trancada. Todas estavam. — Droga. Mas você pode descobrir onde ela guarda a chave. Eu a quero assim que possível, entendeu? — Faye, você não está me escutando! Eu mudei de ideia. Não vou fazer isso depois de tudo. Faye, que estava rondando o quarto como uma pantera, tirando vantagem dessa única oportunidade de examinar as coisas de Diana, parou de andar. Virou-se lentamente para Cassie, sorrindo. — Ah, Cassie — disse. — Você realmente me mata. — Estou falando sério. Mudei de ideia. — Faye só sorriu para ela, encostada na parede e sacudindo a cabeça. Seus olhos dourados brilhavam de diversão, o cabelo negro caindo pelos ombros conforme a cabeça se movia. Ela nunca pareceu mais bonita... ou mais perigosa. — Cassie, venha aqui. — A voz de Faye estava levemente afiada de impaciência, como uma professora que reclamava muito de um aluno no fundo da sala. — Deixe-me te mostrar uma coisa — continuou Faye, pegando Cassie pelo cotovelo e arrastando-a até a janela. — Agora, olhe ali. Que você vê? Cassie parou de lutar e olhou. Via o Clube, a galera do colégio de Nova Salém, os adolescentes que amedrontavam — e aterrorizavam — estudantes e alunos igualmente. Ela os via reunidos na entrada da garagem de Diana, as cabeças brilhando nos primeiros raios do pôr do sol: o loiro- avermelhado de Suzan transformado só em vermelho, os cachos escuros de Deborah tocados de rubi, o cabelo longo e marrom claro de Laurel, o curto cabelo ruivo de Melanie e o amarelo desgrenhado dos irmãos Henderson todos realçados pelo brilho rubro no céu. E ela via Adam e Diana, um perto do outro, o cabelo prateado de Diana caindo no ombro de Adam. Ele estava segurando-a de forma protetora, seu próprio cabelo escuro como vinho. A voz de Faye veio de trás de Cassie. — Se você contar a ela, irá matá-la. Irá destruir a fé dela em tudo que já acreditou. E você irá tirar a única coisa que ela tem a confiar. É isso o que você quer? — Faye... — agitou-se Cassie. — E, acidentalmente, você será banida do Clube. Sabe disso, não sabe? Como acha que Melanie e Laurel vão se sentir quando ouvirem que você bagunçou o namoro de Diana? Nenhum deles irá falar com você de novo, nem formar um Círculo completo. O pacto também será destruído. Cassie fechou a mandíbula. Queria bater em Faye, mas isso não ajudaria de nada. Porque Faye estava certa. E Cassie pensava que podia aguentar ser banida, ser uma excluída na escola de novo; até pensava que podia aguentar destruir o pacto. Mas a imagem do rosto de Diana... Mataria Diana. Quando Faye terminasse de contar como, iria. A fantasia de Cassie de confessar a Diana e fazer Diana entender desapareceu como uma bolha de sabão num prego. — E o que eu quero é tão razoável — continuava Faye, quase cantando. — Eu só quero que você lhe na caveira por um tempinho. Sei o que estou fazendo. Você irá conseguir isso para mim, não vai, Cassie? Não vai? Hoje? Cassie fechou os olhos. Nas pálpebras fechadas, a luz era vermelha como chamas.F ogo, pensou Cassie. Tudo que via ao seu redor eram cores ardentes de outono. O laranja-amarelado do bordo, o vermelho brilhante de sassafrás, o carmesim de arbustos de sumagre. Era como se o mundo todo flamejasse com o elemento de Faye. E eu estou presa bem no meio. A sensação enjoativa no fundo do estômago de Cassie piorava com cada passo que ela dava na estrada Crowhaven. A casa amarela vitoriana no fim da estrada estava elegante como sempre. Um prisma pendurado na janela da torre mais alta lançava, com a luz do sol, faíscas de cores diferentes do arco-íris. Uma garota de cabelo longo e marrom claro lhe chamava da varanda. — Depressa, Cassie! Você está atrasada! — Desculpe — Cassie gritou de volta, tentando acelerar o passo quando o que realmente queria fazer era dar meia-volta e correr na direção oposta. Teve a repentina e inexplicável convicção que seus pensamentos privados deviam estar aparecendo no seu rosto. Laurel iria olhar para ela só uma vez e saberia tudo o que acontecera com Adam na noite passada e tudo sobre a barganha com Faye. Mas Laurel só a pegou pela cintura e lhe empurrou para dentro, guiando até o quarto de Diana. Diana estava parada na frente do grande armário de madeira de nogueira; Melanie estava sentada na cama. Sean estava sentado desconfortavelmente no assento em frente à janela, esfregando os joelhos com as palmas. Adam estava de pé ao lado dele. Ele ergueu o olhar quando Cassie entrou. Cassie encontrou aqueles olhos azuis acinzentado por só um instante, mas foi tempo suficiente. Era a cor do oceano no seu ponto mais misterioso, iluminado pelo sol na superfície, mas com profundezas incompreensíveis mais abaixo. O resto de seu rosto era o mesmo de sempre: cativante e intrigante, orgulho salientado nas altas maçãs e boca determinada, mas sensibilidade e humor também ressaltando-se ali. Seu rosto parecia diferente só porque na noite passada Cassie viu aqueles olhos azuis à meia-noite com paixão, e sentiu aquela boca... Nenhuma palavra, olhar ou ação, falou para si mesma ferozmente, fitando o chão uma vez que não ousava olhar para a frente de novo. Mas seu coração martelava tanto que ela esperava ver a frente do suéter vibrando. Oh, céus, como ela poderia continuar com aquilo e manter seu juramento? Levou uma incrível quantidade de energia para se sentar com Melanie e não olhar para ele, bloquear de sua mente o calor carismático da presença dele.