Céu Selvagem
22 Os corredores inquietos
Notas iniciais
Ouviam-se os barulhos de salto pelo corredor frio e solitário. Podia-se sentir o cheiro sufocante de mofo advindo das paredes e as poças de na água acumulavam-se em pequenos buracos. A iluminação advinha de pequenas janelas e algumas lâmpadas ao longo do caminho.
Para Kyoko, ele parecia não ter fim. Sua pele estava arrepiada, não de frio, mas de nervos. Ela estava em uma situação estranha sem seus amigos da Vongola. Hana dispôs uma de suas mãos no ombro da amiga, em sinal que não estava sozinha. Kyoko imaginava o que sua amiga deveria estar pensando naquele exato momento. Quando olhou para Haru, ela estava segurando o medalhão que Gokudera havia dado, como se fosse um valioso amuleto.
Natalie estava andando logo à frente com os saltos barulhentos. Kyoko perguntava-se como ela não estava cansada, pois para quebrar as outras celas, precisou de muito mais energia. A mulher andava determinada e raivosa pelo ocorrido anterior.
Kyoko começou a imaginar os motivos de elas estarem ali e afirmava que devia ser relacionado ao motivo de viagem do namorado para a Itália. Ele mesmo não lhe quis contar os motivos de viajar tão repentinamente. Uma angustia surgiu. Kyoko estava conhecendo aos poucos o mundo da máfia e tinha quase certeza que sua vinda até aquele país, significava que seria usado como motivo de suborno.
–Cuidado, Kyoko-chan!!!-alertou Haru.
A garota acordou instantemente e viu todas assustadas. Quando observou, a sua frente estava uma escada de pedras rusticas, pedindo para que alguém tropeça-se.
–Sei que deve estar preocupada, mas tente prestar mais atenção. – Alertou Hana.
–Desculpe... Aonde esta escada irá sair, Natalie-san?
–Em um andar quase abandonado desta casa com muitas salas usadas como deposito de velharias. Poderemos nos esconder nelas e achar algumas armas para usar.
–Armas!? Haru nunca usou armas!
–Eu não sei o que pode acontecer futuramente. Preciso que saibam se defender.
–Não!!!Só precisamos encontrar Gokudera-kun e os outros!!!
–Do que está falando, Haru-chan?-indagou Hana.
–Eu-eu-eu...
–Tsuna-kun e os outros viajaram para a Itália, lembra? Precisamos sair daqui e encontrar eles. -respondeu Kyoko, deixando Haru aliviada.
“Tsuna?”-pensou Natalie.
–Como? Ryohei-kun sequer me deu o nome da cidade que foram.
–Precisamos apenas ligar para eles! Sei o número de Tsuna-kun decorado.
–Hum...ok.
Kyoko sabia que pela descrença estampada na face da amiga, muitas perguntas iriam vir depois.
–Conseguiram abrir a porta?-indagou Tsuna.
–Quase. Esta coisa enferrujou. — reclamava Basílio. Ele e com ajuda de Ryohei estavam tentando arrombar a porta do depósito.
Enquanto isso Gokudera divertia-se enganando os dois capangas que estavam parados no corredor. Uri atraiu a atenção de ambos, que corriam em círculos pelos corredores.
–Idiotas!-ele ria, encostado a parede junto a Patrícia, em um ponto estratégico onde podia observa-los.
–Você apenas vai deixa-los correr?
–Não! Eu vou tranca-los naquela sala, já coloquei bastante erva de gato na porta.
–Se afastem. – Dizia Ryohei utilizando sua Vongola Gear. Ele estava com alguns machucados no rosto. Em seu bracelete havia duas chamas acesas. E assim em um soco, a porta finalmente se abre. Uma grande energia lilás se dissipa no ar.
–Havia magia nela. Faz todo sentido. – afirmou Basílio.
–Conseguiram abrir a porta?- indagou Patrícia, junto a Gokudera.
–Sim! E os caras?
–Trancados e dormindo. Vamos!!!-falou Gokudera.
–Na hora que você pediu para eu te bater, achei que fosse um masoquista. – comentava Basílio para Ryohei, enquanto aguardavam os outros entrarem na sala.- Mas tenho que lhe dizer, que esse seu poder funciona de uma forma... interessante.- ele não achou palavras melhores na hora.
–Ele é extremo!!!Hahaha!!!
–Ei Basílio, está na hora de você mostrar aonde é o elevador. Só a caixas aqui!- Gokudera falou em tom de ordem, o que Basílio respondeu com uma feição de reprovação.
–Esses jovens...-balançou a cabeça.- Enfim, estão vendo o que parece ser uma coluna extremamente larga ali?-apontou ele para o lado esquerdo da sala, apesar de escuro e de várias caixas, era visível uma coluna de tijolos e um pedaço de chapa de metal aparente. – Aquele deve ser o elevador.
–Mas tem várias coisas na frente dele!-afirmou Tsuna.
–Bem...-Basílio arregaçou as mangas. – Mãos ao trabalho.
Sua respiração estava acelerada junto ao coração enquanto corria pelos corredores como se fosse um campo aberto. O cheiro de sangue invadia seu olfato e manchavam de tons vermelhos suas roupas brancas. O suor ainda estava molhado e gelado, o fazendo sentir arrepios de frio. Cielo só parou de correr, quando Jack o segurou pelo braço, que também estava com as roupas ensanguentadas.
–Acalme-se! Se fizer muito barulho, iremos atrair os outros.
–Mas-mas...Adelina...-falou ele em meio ao desespero e a falta de fôlego.
–Ela não vai sair tão cedo de lá.
–Claudio e Marcella possuem poderes, eles darão um jeito nela e viram atrás de nós.
–Por isso precisamos ser cautelosos, encontrar o mestre e fugir daqui.
–Somos apenas em dois!!!
Jack olhou para o amigo e sabia que ele tinha razão. Aquele lugar estava cheio de capangas dela e logo viriam atrás deles. Ele estava sem escolhas, até que uma das luzes que iluminavam o corredor começou a falhar.-Se causarmos um curto circuito na mansão, ganharemos tempo. – colocando suas mãos para cima, ele concentrou seus poderes na fiação da casa, causando um apagão. O garoto fez uma bola de luz na mão, iluminando o caminho.- Vamos procurar o mestre!-Jack apontou para as escadas que desciam.
–Merda!!!Essa coisa velha parou!!!- reclamava Gokudera, batendo em uma das paredes metalicas.
–Pare!!!Nem bata nessa coisa que parece que vai cair a qualquer momento. – alertou Patrícia.
–Teve um apagão na mansão!-afirmou Basílio.
–Giannini estamos presos no elevador, o lugar está sem luz. Foi interferência da Vongola?-indagava Tsuna pelo comunicador.
–Não chefe, o apagão veio de uma falha interna da mansão.
–Eiii maníaco, como está às coisas no andar de vocês?
–O corredor está limpo!
–Yamamoto-kun, acho que vamos demorar um pouco para sairmos daqui. Você, Ryohei e Chrome vão vasculhar as masmorras. Encontramos-nos depois. — ordenou Tsuna.
–Pode deixar!
–E agora como saímos daqui?
–Simples. Pela entra da emergência!-Gokudera apontou para cima.
–Ótimo Gokudera. Mas ninguém de nós alcança aquela coisa.
–Não se você subir no meu ombro!
–O que!?
–Vai logo!- ele se abaixou.- O tempo é precioso.
–Ainda bem que eu não vim de saia, mas de qualquer forma não olhe para cima.
–Patrícia, por favor! Estamos com presa.- implorou Basílio.
–Se você me deixar cair, eu te bato!
–Cale a boca e vai!!!
–Eles já passaram Jack!
–Então vamos!
Ambos estavam escondidos na sala onde Jack tinha suas sessões com a psicóloga. Ela não era muito longe do escritório do mestre. A caminho encontraram alguns capangas da chefa víbora, mas todos que viram estavam mais preocupados em vigiar os andares de baixo. Cielo perguntava-se se estavam atrás deles ou era pela invasão da Vongola. De qualquer forma, não poderiam se arriscar.
Aquela mansão era bem assustadora com as luzes apagadas e a energia negativa que percorria aqueles corredores parecia ficar mais evidente na visão de Jack. O silêncio sendo apenas quebrado pelos passos dos dois e o cheiro de sangue vindo da sua roupa complementava aquele cenário propicio para o terror. O garoto estava um pouco surpreso e assustado com si, antigamente, ele sentiria medo de situações como esta, mas algo dentro dele estava sentindo-se confortável. –“Realmente...”-pensou ele.-“ Desde aquele dia do jardim, eu nunca mais me senti o mesmo”.
Cielo escutou o barulho de porcelana rachada e colocou-se em estado de alerta, olhando para todos os lados. Assustou-se quando Jack colocou a mão em seu ombro.
–Acalme-se, eu pisei em algo quebrado no chão.- ele pode sentir o alivio do amigo.
Continuaram a sua caminhada até a sala do Mestre, finalmente chegaram ao corredor certo, a sala ficava ao final dela. Tiveram que desviar de vários vasos e quadros quebrados pelo caminho. Enquanto Cielo afirmava que deveriam ter sidos os capangas que quebraram ao passar correndo ou até mesmo, por não enxergarem graças à escuridão, Jack sentia um aperto no peito, temendo que algo tivesse acontecido a Lorenzo. O que sentia piorou, quando o cheiro de sangue iminente surgiu: havia rastros de sangue no tapete até a porta e na maçaneta.
–Mestre!!!Mestre!!!- Jack entrou correndo na sala e o chamando em pavor. E o silêncio perdurou.
–Jack! Há alguém aqui.
O garoto iluminou onde Cielo apontava e realmente havia um homem ferido. Quando se aproximou, o alivio o tomou ao ver que era um capanga de Adelina, não estava muito ferido, apenas desacordado. Ao iluminar melhor, viu mais três homens desacordados no chão.
–Por eu me preocupei? Meu mestre nunca deixaria ser vencido facilmente.
–Ele sempre me pareceu ser muito forte.
–E é. Hum...- Jack ficou pensativo e assim levantou-se. Começou a mexer em um armário. Cielo teve a impressão de ser um armário de armas pelo barulho que parecia ser de lâminas.
–O que está procurando?
–O mestre me contou que você luta com luvas e seu poder vem de uma espécie de chama espiritual ou algo do gênero.
– O garoto que possuiu a chama do céu.- Cielo repetiu em voz alta, lembrando-se da fala de Adelina. – Então foi isso que ela quis dizer. Mas como irei passar essas chamas para a luva?
–Não faço ideia! Achei!-Jack entrega-lhe luvas reforçadas, na qual, o exterior era recoberto por metal. Cielo as veste e sente-as ficarem um pouco folgadas.- Lhe parece familiar?
–Hum...Nem um pouco.
–O bloqueio é mais forte do que imaginei. Tente fazer algum esforço para tentar usar elas.
–Como?
–Bem, para colocar os meus poderes em mãos, eu concentro eles em algum ponto. Feche os olhos e imagine uma corrente de energia em suas mãos.
Seguindo as instruções do amigo, Cielo fecha os olhos e tenta imaginar o fluxo de energia em suas mãos. Logo ele começou a fazer barulhos com a boca e pressionar os olhos. Resultado: nem uma faísca de chama.
–E aí?-pergunta Cielo.
–Nada.
–Cara, isso não vai dar certo. – Cielo tira as luvas e coloca nas mãos de Jack.
–O que está acontecendo? Você nunca foi pessimista!
–Sei lá... Estou cansado, deve ser isso!
–Estamos prestes a fugir, não tem como desistir. – Jack veste as luvas de metal.
–O que está fazendo?
–Lhe dando uma demonstração. — Jack fecha os olhos e levanta as mãos fechadas, concentrando sua energia nelas. Cielo começou a ver faíscas azuis percorrendo os braços do garoto, chegando até a sua mão. Ele faz um estranho movimento, na qual, esticou os braços com as mãos abertas em linhas verticais e as cruzou. Podia-se ver a energia concentram-se nas palmas das mãos.
–Uau!!! Você conseguiu!
Jack interrompeu a demonstração e abriu os olhos surpresos. Por um breve tempo olhou suas mãos de forma pensativa e interrogatória.
–O que houve?
–Nada!- e retirou as luvas de metal colocando as suas usuais luvas pretas de couro, mas voltou a observar suas mãos.
–Por que você fez esse movimento?
–Sei lá!-riu chateado. -Se você conseguir recuperar seus poderes, será fácil sair daqui.
–Espere, Adelina não disse que colocaram um substituto no meu lugar?
–Um clone segundo ela. Não sabia que podia-se fazer isso com humanos.
–Falou o cara que controla uma energia azul explosiva e causou um apagão nesta mansão.- Jack riu.- Enfim, ela não havia dito que ele era perfeito e estava com as minhas memórias e poderes, além de não saber como a Vongola descobriu?
–Só temos que encontra-lo!
–Só? Esse cara deve estar muito bem protegido na base da Vongola. Como entraremos lá?
–Simples! Mostrará o seu rosto a eles e conseguiremos provar quem você é.
–Jack, você é o futuro chefe da família que me sequestrou. Temo que possam te prender!
–Então, fugimos e eu te levo até a mansão e sumo do mapa ou derrotaremos Adelina e fazemos um pacto de irmandade entre ambas às famílias.
–Derrotar Adelina? Você está louco Jack!?
–Talvez!- respondeu em ironia.
–Desde que eu te encontrei na mansão notei que está estranho.
Jack ficou por segundos pensativo. -Você se acovardou. Apenas isso. Vamos logo.- disse ele tentando mudar de assunto.
– O Jack que eu conheço não faria aquela face de assassino para mim. E não enfiaria a lança em Adelina três vezes como um louco. Olhe as suas roupas! Estão ensanguentadas! Se eu não o tivesse parado não sei o que teria feito com aquela mulher.
–Você está vivo não é? Obrigado!-disse ele de forma sarcástica.
–Bem não posso culpa-lo. Olhe o ambiente que você vive, com essas víboras por toda parte. E duvido que aquela fosse a primeira vez que Adelina fez uma lavagem cerebral em você.
Jack o encara em silêncio.
–Eu sabia, ela fez mais vezes.
–E você era determinado quando estava no monastério, mas se tornou um covarde. Onde está o cara que faria de tudo para sair daqui?
–Ele está cansado e traumatizado.
–Olha depois que fugirmos você vai ter muito tempo para lidar com o trauma, vai supera-lo e assumir o cargo de chefe. Vai ser o décimo Vongola, um cara poderoso, audacioso e amigável. Mas agora, seu único objetivo é escapar com vida desse lugar.
–E quanto a você?
–Vou para a Inglaterra procurar a minha mãe. Só espero que o endereço que Claudio usava nas cartas não seja falso.
–Está mesmo louco! Será o primeiro lugar que irão procura-lo.
–Não importa! Vamos!- Jack joga as luvas para Cielo. Antes de sair, o jovem de capuz branco pega uma pequena adaga.
–Esse elevador vai cair!-falava Patrícia.
–Não vai! Pare de ser medrosa. -respondeu Gokudera.
–Essa coisa está rangendo!
–É porque estamos em cima dele Patrícia, não se preocupe. –Falou Basílio que já estava sem paciência com Patrícia. -Tsuna está conseguindo?
Tsuna estava em modo Vongola Gear, tentando abrir a porta que dava acesso ao andar de cima. Estava tentando abrir com o maior cuidado possível, pois uma parte da parede estava rachando e não poderia soca-la, pois temia chamar atenção com o barulho. Até aquele momento, havia conseguido abrir uma pequena parte.
–Preciso de um pouco mais de tempo.
–Pessoal, tenho péssima noticias. – avisou Yamamoto.
–O que houve?-indagou Patrícia.
–As masmorras estão vazias.
–Mas a sinais que as celas foram arrombadas e as portas de acesso possuem sinais de explosões. – completou Ryohei.
–Explosões? Cielo e Marcella devem ter conseguido escapar!-afirmou Basílio.
–Mas é estranho, pois várias celas foram arrombadas.
–O que eu posso imaginar que devia ter mais prisioneiros. –completou Basilio.
–Chefe! A uma intensa atividade humana se dirigindo para os andares abaixo da mansão. – avisou Giannini.
–Nos descobriram!- afirmou Gokudera.
–Yamamoto, Chrome e Ryohei, saiam imediatamente daí e se escondam.- ordenou Tsuna.
–Infelizmente não podemos fazer isso Boss.
–Por que?
–Eles já chegaram aqui!– afirmou Yamamoto.
Chrome contou superficialmente e havia treze capangas correndo em direção a eles.
–Depois nos falamos, Tsuna!
–Yamamoto, espere!- e o sinal some.- Droga!!!-Tsuna soca a porta do elevador. Sem perder tempo, ele usa sua força para abrir a porta do elevador, mas em consequência, a parede não aguenta, racha e ele se desequilibra, caindo novamente na escuridão. O impacto com a parte superior do elevador só não aconteceu, porque alguém o segurou pelo braço.
–Você está bem?-Lorenzo falou em um japonês tão enrolado que Tsuna demorou entender.
–Si-sim.- respondeu, enquanto o homem o ajudava a subir.
–Mestre!!!- Exclamou Basílio.
–Olá! Eu vou tirar todos vocês daí.- ele mostra uma corda grossa.
Minutos depois.
–Então, meu nome é Lorenzo, prazer em conhecê-los.
–Sou Gokudera Hayato.
–Patrícia.
–Patrícia? Então essa é mestra do clone do décimo Vongola. -falou Lorenzo.
–Bem eu sou...
–O clone de Sawada Tsunayoshi.
–Mestre, o que houve com você? Está com as roupas cheias de sangue. – exclamou Basílio.
–Estamos com um pequeno problema operacional. –explicou Lorenzo.
–Os guardiões do Décimo informaram que não há ninguém nas masmorras!
–Ok. Estamos com um grande problema operacional. Bem, Claudio tentou passar uma armadilha para todos nós, vocês seriam encurralados no túnel. Assim, eu achei que as chances seriam mínimas, ao indicar vocês por outra rota, mas foram descobertos. Adelina alegou como traição e assim, tentou me eliminar.
–E Jack?
–Essa é a parte preocupante. Ele sumiu! Adelina fez alguma coisa aos dois e eu estou temendo o pior.
–Não podemos pensar negativamente, mestre.
–Você pensaria após ouvir os urros de dor vindos de alguém que parecia ser esfaqueado.
–Mestre, só temos que procura-lo!
–O que acha que estou fazendo neste andar? Eu procurei Jack por quase toda mansão! Quando escutei o barulho aqui, estava torcendo que fossem vocês ou ele. –Basílio notou uma ruga profunda de preocupação e o desespero vindo dos olhos de Lorenzo. Ele realmente estava temendo o pior.
–Quem sumiu?–indagou Reborn.
–O Cielo não está nas masmorras e Jack desapareceu.- respondeu Tsuna.
–Jack sumiu!?–Reborn parecia assustado, causando estranhamento em Tsuna.
–Não se preocupe! Não vamos encontrar os dois! Não vamos quebrar o nosso acordo, Reborn. — respondeu Basílio.
–Esse lugar está assustador. — Reclamou Hana.
–Haru está com medo!
–Acalme-se.
–Procurem ficarem juntas, meninas. -sugeriu Natalie, com uma bola azul em mãos para iluminar o caminho.
–Para onde está nos levando?
–Tentando achar um lugar seguro para vocês, mas há capangas por toda a parte!
Natalie anteriormente havia as levado para uma sala e achado uma pistola com apenas três balas que ficou em sua posse e uma pequena faca em posse de Kyoko. Elas já estavam em outro andar neste momento.
–O-o-o que é aquilo!?- Haru apontava para uma bola azul flutuante.
–Fiquem atrás de mim!- Natalie esticou o braço.- Quem está aí?- ela perguntou em italiano.
–Essa voz...Natalie?
–Cielo?
Ambos se aproximaram e para o alivio da Natalie, era realmente Cielo e Jack junto a ele. Ela não deixou de mostrar horror em sua face ao ver os dois com sangue nas roupas.
–O que houve com vocês!?
–Longa história, Natalie.
–Quem são elas?-indagou Jack para o amigo.
–Elas estavam nas masmorras junto a mim e Marcella.
–Sou Natalie, prazer. E estas meninas são, Haru, Kyoko e Hana. -ela apontou para cada uma.
–Prazer.
–Natalie-san, quem é o de capuz preto? -indagou Kyoko em japonês.
–Meu nome é Jack. – respondeu ele em japonês fluente e surpreendendo-se em seguida.
–Por que nunca me contou que sabia falar em japonês?- indagou Cielo em italiano.
–Nem eu sabia. -respondeu surpreso. — Estranho, saiu tão naturalmente.
–Você pode ter perdido as memórias, mas o seu corpo e sua mente parecem que ainda se lembram. — comentou Cielo.
–Então você se lembra como falar em japonês também.
–Eu não consegui quando tentei falar com as meninas.
–Meninos, devo avisar vocês que elas não falam italiano?
–Nenhuma delas!? Mas como chegaram até aqui?-Jack perguntou em japonês.
–Fomos sequestradas. Estávamos no Japão e quando acordei estava aqui. – Explicou Kyoko.
–Adelina!
–Quem é essa mulher? –indagou Hana.
–Minha madrasta. Uma víbora!
–Apenas queremos sair daqui! – afirmou Haru.
–Eu e Cielo pretendemos fugir. Venham conosco.
–Obrigada...Jack-kun. – Kyoko diz sorrindo arrancando também um sorriso de Jack.
Eles começaram a caminhar destinados ao quarto do seu pai, seria arriscado, mas iria usar os corredores subterrâneos da mansão. Com a família focada em conter a Vongola, talvez houvesse uma chance. Sentia um aperto no peito de não ter encontrado Lorenzo. Kyoko parecia ter simpatizado com ele e foram conversando o caminho todo. Mas ele achou curioso, porque em um momento ele ouviu Natalie dizer a Cielo em italiano, para que o garoto não fala-se o nome verdadeiro dele para as garotas.
Jack as observou melhor após isso e para ele pareciam ser garotas indefesas e inocentes. Mas começou a repensar ao ver uma lâmina brilhante no bolso de Kyoko. Estariam elas ligadas a Vongola?
–Jack-kun? Está tudo bem?
–Observei que está com uma lâmina no bolso.
–Ah! Isso. – ela tirou do bolso.- Eu nem sei como usar! Natalie-san deu para mim, caso algo acontece-se.
–Eu posso te ensinar mais tarde.
–Obrigada! Jack-kun...você já foi para o Japão alguma vez?
–Eu não sei te dizer, estou com amnesia. — disse ele sorrindo chateado.
–É que ao contrário da Natalie-san, você fala japonês muito bem.
–Talvez eu possa ter passado um tempo no seu país. Eu já fiquei um mês na África por exemplo.
–África?
–Sim, para treinar. Mas segundo Adelina, eles só me enviaram para lá porque havia pessoas atrás de mim. As mesmas pessoas que mataram o meu pai.- Kyoko foi tomada pela preocupação e o garoto percebeu.- O que houve?
–É que eu possuo pessoas muito queridas que fazem parte da máfia.
–Seria a Vongola? –perguntou tentando descobrir se sua desconfiança estava certa.
–Como sabe!?
Jack não pode respondê-la, pois surgiram capangas da víbora atrás deles. Deviam ser umas cinco pessoas nas quais, Jack reconheceu algumas delas.
–Jack! Adelina não vai perdoar pelo que fez. Você não sai vivo daqui hoje!
–Pois bem, estão enganados. — Jack arma a lança, a energiza com seus poderes e corre para o ataque.
–Cielo arrombe aquela porta, precisamos deixar as garotas seguras. – ordenou Natalie em inglês para que Haru pudesse entender também.- Irei ficar de retaguarda.
–Ok!
–Tsuna, tudo limpo por aqui. Estamos subindo as escadas do lado norte.
–Ok! Estamos no segundo andar. Avise-nos quando chegarem aqui.
–Sem problemas.
–Yamamoto! Se eles sabem que estamos aqui embaixo, provavelmente terá mais deles.
–Vamos usar isso ao nosso favor. Enquanto os capangas perdem tempo conosco aqui embaixo, o resto da mansão ficará livre para a busca deles.
–Garotas!!!- chamou Natalie desesperada.
–Natalie-san, nos ajude.
Cielo havia conseguido arrombar a porta, mas em contrapartida havia surgido mais capangas que Natalie perdeu as contas. Nem ela e nem Jack haviam conseguido conter os subordinados de Adelina e alguns haviam conseguido invadir a sala, que estava Cielo e as garotas.
O garoto de capuz branco, colocou as luvas de metal e tentou liberar as chamas, mas foi em vão.
–Droga!!! Porque não consigo liberar as chamas do céu!?-ele reclamou em inglês.
–Chamas do céu?-repetiu Haru surpresa.
Cielo não a respondeu a pergunta, pois foi tentar socar os inimigos. Mas foi em vão e rendido facilmente. Natalie tentava adentrar na sala, mas havia tantas pessoas que não conseguia derrota-las a tempo. Ela conseguiu ver um inimigo prendendo Hana e as outras meninas tentando ajuda-la a sair.
–Jack!!! Me ajude!!! Eles estão capturando Cielo e os outros.
O garoto estava cercado por inimigos, mas vendo o desespero da mulher, não teve alternativa a não ser usar energia explosiva para afasta-los e assim, criando uma abertura para chegar até Natalie. O único porém, que a potência foi alta e criou um grande rombo no chão, alguns inimigos ate caíram para o andar de baixo.
–Se afaste.
–O que? Você não pode usar energia explosiva aqui!!!
Jack sem dar ouvidos, pegou Natalie pelos braços para afasta-la e explodiu o lugar, mas com potência mais baixa, apenas atordoando os inimigos. Com a passagem livre, entraram correndo na sala onde estavam os outros, atacando os inimigos ainda conscientes que haviam prendido Cielo e Hana.
–Estão bem?-indagou Jack.
–Sim!-respondeu Kyoko.
–Cielo!!!Cielo!!! Acorde!!!-Natalie estava com ele desacordado nos braços perto da porta. -O que aconteceu?
–Cielo-kun levou um soco no estômago. — Respondeu Haru.
–Eu o carrego! Temos que sair daqui antes que acordem!- Jack andou em direção aos dois, sentiu um tufo de vento passar por ele e começou sentir uma dor latente no ombro esquerdo. Quando o olhou, havia alguns rasgos, sangue e espinhos encravados na pele.
–Não vão a lugar algum. – Era Magno, com seu “Spinoso” em mãos. Havia duas mulheres idênticas atrás dele e mais um homem alto.
–Sandra, pegue Jack e mate-o se for preciso. Adelina não se importa mais o que acontecerá com esse garoto. Magno e Fernando, capturem os outros.
–Não vou deixar capturar ninguém. — Ele esticou o braço para proteger Kyoko que estava logo atrás dele. Haru e Hana estavam mais afastadas.
Os três subordinados de Sabrina pegaram as armas e partiram a luta. Natalie lutou bravamente contra Magno para proteger Cielo. Enquanto Jack devia dar conta de Sandra e Fernando e para piorar, o seu ombro esquerdo latejava, mesmo após ele retirar os espinhos.
Sandra lutava com adagas e Fernando com uma fina e longa espada, e tentavam a todo custo perfura-lo. Jack conseguiu interromper vários ataques, mas o seu corpo mesmo assim fora muito machucado por aranhões, e cada ferida nova, latejava como se estivesse pegando fogo, tirando sua concentração para lutar e sequer concentrar os poderes na lança.
Natalie foi pega de surpresa por Magno, ela deixou uma abertura e ele conseguiu a chance de alcançar o pescoço de Cielo.
–Mais algum ataque e eu o elimino.
Ela rapidamente sacou a pistola e apertou para atirar, mas para o azar ela estava enguiçada.
Magno riu em deboche. – Ia realmente me atacar com essa velharia?- ele a socou para o chão a deixando atordoada. A mulher parecia cansada de usar tanto os seus poderes. Magno apenas a colocou em um de seus ombros e Cielo em outro, saindo da sala.
–Natalie!!!Cielo!! –gritou Jack.
–Cale a boca Jack!!!- Sandra tentou aproveitar-se da distração do menino para um ataque mas ele conseguiu revida-la.
–Jack-kun! Haru-chan e Hana-chan estão sendo levadas.
–Droga!
–Admita garoto! Você já perdeu!
–Ainda não!- ele lança uma luz faiscante atordoando Sandra. Rapidamente pega um dos braços de Kyoko, e através da porta externa da sala a leva para a sacada extensa da mansão.
–Ele fugiu com uma das garotas!
–Leve os outros para Adelina. Eu cuido dele.- ordenou Sabrina, até então, estava sem lutar.
–Jack-kun, para onde estamos indo?
–Essa sacada dá acesso a várias salas, como a do baile, que é perto das escadas para um saguão da mansão.
–Ok!
E assim eles correm em direção à referida sala. Em meio à pressa, Kyoko acaba por tropeçar em algo e Jack rapidamente a pega no colo para não bater no chão. Em meio à confusão, Jack não havia percebido que era noite de luar e ele finalmente conseguiu ter uma melhor visão de Kyoko.
Notou como ela era leve e pequena, cabelos curtos e ruivos, olhos brilhantes da cor de mel e a pele pálida iluminada pelo luar. Foi quando ele se lembrou, que desde que perdeu as memórias, nunca havia tido contado com uma garota da sua faixa de idade.
Kyoko também saciou a sua curiosidade de ver a face dele, ou pelos menos o que ele deixava a mostra dela. Sua pele era pálida e intensificava com a máscara preta, lábios finos, seus olhos pareciam ser castanhos. Algumas mechas do seu cabelo estavam soltos em sua face, revelando ser castanho liso.
“Uau, ela é linda!”-pensou. Ele levou um susto quando Kyoko tocou o seu rosto.
–Desculpe! Eu-eu não sei o que deu em mim...
–Tudo bem... — ele a largou no chão.
–Como estão suas feridas?
–Ardendo. Devia ter alguma coisa nos espinhos que aquele homem jogou em mim. Mas vou ficar bem.
–Jack-kun... Como...Como sabia que as pessoas queridas para mim são da Vongola?
–Porque eles estão aqui! E para Adelina raptar alguém para cá, com certeza deveria ter ligação coma Vongola.
–O que!? Por que?
–Provavelmente para resgatar Cielo.
–Cielo é da Vongola?
–Sim! Ele é o futuro chefe!
–Não é não.- ela falou inconformada. – Tsuna é o próximo chefe. Ele vai ser o décimo Vongola.
–Exatamente Kyoko. Adelina acabou mudando o nome dele para Cielo, para que não descobrissem, mas ele é o Sawada Tsunayoshi, o décimo Vongola.
–Como!? Não faz sentido. Tsuna esteve todo este tempo no Japão. Ele saiu há alguns dias para vir para a Itália, para resolver assuntos da Vongola.
–Hum...Bem Adelina disse que raptou o décimo Vongola verdadeiro e colocou um clone no lugar.
–Não!!!Não!!!-ele gritava inconformado.
–Acalme-se! –ele a segurou pelos braços. -Eu darei um jeito de resgata-lo e ele voltará para a Vongola.
–Não!- ela começou a chorar. –Você está mentindo. Não teria como eu não reconhecê-lo!
–Vocês são próximos?
–Ele é meu namorado!
Jack pareceu ter levado um soco com esta afirmação.
–Você... Cielo...namorados!? – falou ele meio atordoado.
–Isso Jack! Essa garota é a namorada de Cielo. Não precisa chorar menina, você vai ficar junto a ele daqui a pouco.
–Jack...-Kyoko se protege agarrando as costas do garoto.
–Não vai leva-la.
–Não poderá protegê-la se não estiver vivo. — Sabrina pega em mãos uma bola de espinhos, ao reluzirem, as feridas de Jack ardem de forma insuportável, o obrigando a ficar de joelhos. O jovem gritava de dor.
–Jack!!!-Kyoko coloca-se a frente dele, apoiando a cabeça do garoto no seu ombro. — Você é forte, conseguirá suportar.
–É Jack!-concordou ela em ironia. — Pode ser forte, mas o veneno que Magno colocou em você é mais. Ele não é letal, mas causa uma grande dor em locais que ajam feridas. Esta bola de espinhos ajuda a controlar o efeito dele.
Sabrina move-se até ficar atrás de Jack e pega uma das adagas em mãos.
–Garota, se não vier comigo, o seu heroizinho será morto por mim.
–Fuja...-ordenou Jack.
–Então o que vai ser?
Kyoko abraça Jack. Ela mal o conhecia, mas seu coração não queria abandona-lo. Aquele jovem possuía algo nostálgico para ela, como se tivesse reencontrado algo que faltava mesmo sem ela procurar. Jack sentia-se da mesma forma. Aquela pequena garota, que em segundos conseguiu preencher um pouco da lacuna vazia, a lacuna que referia-se a do carinho que ele não recebia de alguém a tempos.
–Não morra, por favor!- ela cochichou no ouvido dele e assim, o privando do calor dos braços dela para seguir Sabrina. Jack continuou ajoelhado, imóvel e apenas sentindo dor.
–Kyoko...-sua voz saiu fraca.
Sua visão estava um pouco turva, mas ele conseguiu ver quando Kyoko o deixou a Sabrina, acompanhadas pelo luar.
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