Céu Selvagem
24 Estilhaços
Notas iniciais
Dias depois do festival de Namimori... Próximo à caverna de Talbot, estavam sentados nas rochas Basílio e Reborn.
–... Tudo bem, eu contarei!
Reborn sorria satisfeito e posicionou-se melhor para ouvir.
–Na verdade, Cielo não é Sawada Tsunayoshi. Mas sim, Jack Passerini. Futuro chefe da Céu Selvagem.
O arcobaleno sorriu satisfeito consigo mesmo por detectar a mentira. Sem perdurar, o sorriso se transformou em preocupação. -Explique-se.
–Adelina trocou as identidades de ambos.
Reborn reage espantado. — Mas como?
–Ela apagou a memória dele. E colocou outro garoto se passando como Jack na mansão da família, com o pretexto de estar com amnesia. Ela contratou até uma psicóloga que não é formada em nada na área, para não levantar suspeitas. Desconfiamos que este garoto seja o décimo Vongola.
–Você viu o clone dele. Como não pode confirmar isso?
–O falso Jack usa máscara e capuz, seu rosto mal pode ser visto. E Cláudio, o guardião no garoto, não deixa tocarmos naquela máscara por nada.
–Como descobriram que não era o verdadeiro?
–Adelina não sabe, mas Lorenzo e Jack se conhecem desde que o garoto era bebê. Não demorou muito para ele ver que não se tratava da mesma pessoa. Com esta desconfiança, iniciamos uma busca e encontramos um garoto aparentemente sem memórias, escondido em um monastério. Não foi difícil para Lorenzo identifica-lo.
–Então você realmente deseja que eu faça uma parceria com você, sem ao menos ter certeza do paradeiro de Tsuna?
–E qual outra pista você possuiu, Reborn?
Dias atuais... Luta contra Adelina.
“Ainda bem que estava certo, Basílio.”- pensou Reborn enquanto observava a luta.
Se a aurora boreal apenas existe nas áreas mais geladas do nosso planeta, a luta entre as famílias mafiosas conseguiram um efeito próximo. O céu noturno estava colorido entre tantos poderes liberados de diversas cores. Adelina havia escondido capangas habilidosos que conseguiram surpreender Lorenzo e Basílio. Era de conhecimento de ambos, que aquelas pessoas não pertenciam a Céu Selvagem.
A luta fervia entre as famílias mafiosas. Podiam-se ouvir gritos de dor, desespero, tiros e encontro de lâminas. E lá estavam Gokudera e Ryohei lutando novamente contra as gêmeas, Sandra e Sabrina, mas o guardião desta vez poderiam usar suas dinamites a vontade, já que estava a céu aberto. Sandra mal conseguia se mexer entre as explosões e foi facilmente ferida em um dos braços. Quanto a Ryohei, era ele quem estava já um pouco machucado para tentar usar os seus poderes em potência máxima, Sabrina divertia-se em machuca-lo, mas mal sabia o que lhe esperava.
Se alguém teve uma clareza de memórias foi Yamamoto, ele finalmente havia descoberto porque o nome Magno lhe parecia tão familiar. Era o nome do homem a qual havia lutado há quase um ano atrás, no desafio de fogo de Adelina. Mas um detalhe que não fazia sentido: ele tinha certeza que o homem havia quebrado a perna naquela ocasião, mas ele andava e corria perfeitamente.
Junto a Yamamoto estava Basílio lutando contra Fernando, ambos usavam armas de fogo e o guardião teve que se proteger várias vezes das balas perdidas. Fernando quase acertou Magno certa hora. A luta rápida deles não lhes permitia perceber quem estava próximo.
A confusão não estava somente lá fora, mas também no interior da mansão. A família Shimon liberava o caminho para Tsuna, Chrome, o clone, Lorenzo, Patrícia e Reborn, até Adelina. Ela havia recheado a mansão novamente com capangas.
–Adelina, caia na real! Você não está em condições de lutar!- aconselhava Claudio.- Eles estão acabando com os nossos capangas! Não vai demorar muito para chegarem até aqui.
–Eu não cheguei tão longe por nada! –falava a mulher com certa dificuldade, sentada em sua cadeira do escritório. –Estou a um passo de matar dois futuros chefes da máfia!- ela afirmava em um sorriso sínico.
–Sua vingança já foi longe demais!
–Eles acabaram com a minha família! –respondia em fúria.- A Vongola precisa pagar!!!
–Tsuna não nem nada haver com isso. Cielo muito menos! Deixe os dois viverem!
–Se Tsuna viver, a Vongola terá futuro. Não posso permitir!
–Eles colocarão outro no lugar dele!
–Duvido que alguém chegue aos pés de Tsuna. Você leu as memórias dele e sabe do poder que ele possuiu. Se eu não mata-lo agora, eu não terei mais chance. Ele ficará ainda mais poderoso no futuro!
–Renda-se! É a nossa única chance. Você também está ferida.
–Já estou muito melhor. Eu tenho poderes esqueceu? E Tsuna está próximo?
Claudio permanece em silêncio, selando os lábios para que a respostas não escapa-se.
– Claudio!?-ela grita.
–Está dentro da mansão, próximo a esta sala.
Ela levanta-se e vai até um armário. Dele retira um arco.
–Você não teve chances contra ele no desafio de fogo.
–É que você está se esquecendo de um detalhe. — aproxima-se de Claudio e estica a palma da sua mão para ele.- Recorda? — dizia ela sorrindo.
Ele pega a mão dela relutante.- Sim...- e começa a desenhar sinais.
No outro quarto, Cielo estava em uma cama, pálido e suando frio. Marcella estava ao seu lado, dando os cuidados básicos, tentava o que podia para estancar o sangue. Kyoko sentada em uma poltrona amordaçada sentindo-se agoniada com o que via. Ela murmurava há tempos com esperança que Marcella a liberta-se.
–Kyoko, você está me irritando. — ela tira o pano da boca da garota de forma rude.- Pode gritar se quiser, eu faço Claudio amordaça-la de volta e coloca-la em outro lugar.
–Como ele está Marcella-san?
–Hã...- Marcella-san não esperava por esta pergunta. -Nada bem.
–Quem é ele? Qual sua verdadeira identidade? Eu estou confusa. Eu soube que clonaram o meu namorado e Jack-kun me contou que Cielo-kun era o verdadeiro Tsuna-kun. Mas eu vi o Tsuna-kun lá fora junto com o clone, mas Cielo-kun está aqui, então...
–Aiii chega de devaneios!!! Não! Cielo não é o seu namorado.- respondeu ela irritada. – Ele é Jack!
–Jack-kun? Mas...
–Adelina trocou as identidades deles! O garoto de capuz preto é o seu namorado.
–Então faz sentido...- ela lembra-se do ímpeto de tocar e abraçar o garoto.- Onde ele está?
–Com a Vongola.
–Era por isso que ele falava japonês fluente e explica a sensação familiar.
–Isso. Vocês se amam e blá blá blá...Agora cale a boca. – Falava Marcella pegando um copo de água em mãos.
–Bem, então eu não preciso ficar mais com ciúmes.- ela comenta sem pensar.
–Do que?
Kyoko parecia envergonhada. – Err... de você. Marcella-san gosta de Cielo-kun, não é?
–O QUE!?- Respondeu quase derrubando o copo no chão. A pele pálida e cabelos loiros intensificaram as bochechas recém rosadas de Marcella.- De onde tirou isso!?
–Eu prestei atenção na forma que você olha e trata-o com carinho.
–Eu-eu-eu...”Meu coração está acelerado.”.- Marcella apenas vira de costas para Kyoko e blasfemou algo em italiano.
–Marcella-san, onde estão Hana-chan, Haru-chan e Natalie- san?
–No quarto ao lado. – respondeu Marcella sem virar para trás.
–Eles chegaram...- avisa Claudio.
A porta do escritório se faz em pedaços, permitindo que os inimigos de Adelina adentram-se. As narinas de Lorenzo bufando como as de um touro de ódio, suas mãos estavas com as veias aparentes e sua espada parecia ainda mais afiada naquela noite. O desejo dele era ver aquele belo metal brilhante atravessar a víbora e tirar o seu veneno do mundo.
Para Tsuna não estava muito diferente. Apesar de não gostar de eliminar inimigos, aquela mulher havia conseguido mexer com o seu lado mais sombrio. Ela era a razão do seu ódio, raiva, dor e violência, que sequer antes já havia passado. Para ele, era a pior adversária que já tiveram um dia, que torciam para que tirando ela da sua vida, sua mentalidade volta-se a ser como fora um dia mas suas esperanças eram pequenas.
Em instantes, Tsuna viu uma flecha de fogo apontada para ele e seu mestre. Um tiro certeiro em seu coração e queimaria até os ossos. Adelina possuía um sorriso sínico e louco em sua face, nos seus olhos percebeu o ar de vitória, certamente, aquela mulher estava fora de si, não teria chances contra eles.
Tsuna olhou para a direita e viu Claudio portando uma expressão dolorosa e angustiante. Em suas mãos havia adagas que refletiam em suas lâminas a relutância do seu portador em lutar. Tsuna sabia que, que por mais estranha que pareça, aquele rapaz havia se apegado a ele e ao seu mestre, mas em razão a sua escolha teria que mata-los.
Para Tsuna, o único ser com um brilho puro e verdadeiramente vívido era o seu clone, disposto ao seu lado. Suas chamas estavam vivas e queimavam iluminando a frívola sala.
–Você tem certeza que não irão nos descobrir, Chrome-chan?
–Se-se não fizermos... ações chamativas...
–A Chrome é boa em suas ilusões Patrícia, não se preocupe.- esclarecia Reborn.
–Poderíamos liberar passagem para vocês.
–Temos que tomar todo o cuidado Emna. Eles estão com muitos reféns e qualquer ação descuidada pode gerar uma situação desastrosa.- explicou Reborn.
–Ok!Ok! Chrome-chan, faça sua mágica.-ordenou Patricia.
–Hum...sim...
–Ficaremos próximo em caso de emergência.
Segundos depois, Chrom e Patrícia estavam com aparências de capangas que haviam encontrado antes como disfarces. Reborn estava escondido embaixo do manto de Patrícia. Começaram a subir para o último andar, o único lugar que ainda estava muito protegido.
Patrícia tentava não tremer de nervosismo, o medo latente de cometer um erro era extremamente grande. Ao subirem as escadas, viraram para a esquerda e quase foram atacadas pelos capangas.
–Ei, ei, ei! Idiota! É um dos nossos. — gritou uma voz feminina.
–Por que não avisaram pelo rádio que estavam subindo? Sabem muito bem que estamos em estado de alerta.
–Err...- Chrome ficou sem respostas...
–É... Deixe isso de lado! Temos coisas mais importantes para resolver. “ O que eu estou falando!?” –pensou Patrícia.
–A chefe deu novas ordens?
–Hã...sim! Sim! Como estamos sendo invadidos e dominados pela Vongola, ela pediu para que nós transferíssemos os reféns.
–Não nos foi informado nada pelo rádio.
–A Vongola está rastreando nossa rede de comunicação!
–Falarei para todos pararem de usar os rádios.
–Isso! “Meu deus, que raios eu estou fazendo!?”.
–Siga-me! Vou leva-los até os reféns.
Na porta de um dos quartos...
–Cielo está aqui junto a aquela vadia loira do Claudio! –falou um dos capangas.
–O garoto vai resistir a ser transportado? Ele está muito ferido.- comentou outro.
–Não importa isso para nós.
Patrícia teve que segurar-se para não socar o homem –Obrigada! Deixe-nos as sós com eles.
–Mas a chefe...
–Temos que dar algo a eles...- Chrome mostra seringas com agulhas enormes e assustadoras.
“De onde essa doida tirou essas seringas de filme de terror!?”- pensa Patrícia. – “Ah sim! Ela controla ilusões”.
Eles finalmente entram no quarto e Chrome tranca a porta. Quando Kyoko os vê, eles se encolhe de medo e Marcella se põe em pé.
–Novidades?
–Vocês e os outros reféns vão sair daqui!
–Quê!? Ele está muito ferido.
–Não se preocupe! Trouxemos medicamentos.- Reborn sai de seu esconderijo debaixo do manto de Patrícia.
–REBORN!!!
–É bom ver você, Marcella!- Patrícia tira a máscara e o capuz.
–PATRICIA!!!
–Xiu!!! Eles podem nos ouvir.
Marcella sem dar ouvidos corre e abraça a irmã caçula.
–Você está bem? Por que está dentro da mansão? É perigoso!!!
–Resgatar vocês! E eu preciso ficar perto do meu clone.
–Err... desculpe interromper mas...- Chrome mostra a caixa com medicamentos.
–Cielo! Nossa eu me distraí...
–Cuide dele irmã. Teremos muito tempo para conversar.- A Loira e Chrome desamarram Kyoko.- Você está bem?
–Sim!!! Estou preocupada com as outras meninas!!!
–Onde elas estão?
–No quarto ao lado!
–Puts! Achei que estivessem todos juntos. Reborn, vamos precisar de ajuda!
–Hum... A Simon poderia acabar com os capangas do corredor e os Cavallone nos ajudar a transportar os reféns. Cielo está pior do que eu imaginava.
Nos telhados da mansão estavam Tsuna e o clone. Lorenzo lutava contra Claudio na sala de Adelina. O jovem décimo e seu clone lutavam com tamanha sincronia que Adelina não conseguia quebrar a defesa de ambos, a única de velocidade de Tsuna no solo e do clone do ar, originavam ataques por todos os lados. As flechas de Adelina mal conseguiam atingi-los. O fato a deixou enfraquecida repentinamente, usando o arco para manter-se em pé.
–Desista Adelina. Você não pode nos vencer!- argumentou o clone.
–Renda-se.- ordenou Tsuna.
–Irritante ouvir suas vozes duplicadas.- ela caiu em joelhos.
Tsuna aproxima-se e coloca sua lança no pescoço dela.- Vamos! Renda-se!- a mulher percebeu ele despejar a raiva nas palavras.- Está completamente sem energia.
Ela ria loucamente.- Ora, apenas preciso recarregar. – Tsuna apenas viu uma das mãos dela brilhar em um azul intenso.
A feição pálida dela tomava cor enquanto a visão dele tornava-se borrada. As forças pareciam desaparecer pelas veias e mal conseguia ficar em pé. Sua respiração estava pesada e suava frio. Tsuna rendeu-se de joelhos ao chão. Adelina prazerosamente deu-lhe um chute no rosto o fazendo deitar nos telhados úmidos de orvalho.
–Tsuna!!!-o clone tentou intervir, mas Adelina foi mais rápida ao elaborar uma barreira entre eles.
–Lorenzo não lhe ensinou que Jack possuía energia curativa? –ela ajoelha-se e rudemente vira o rosto de Tsuna para ela. – Olhe! Os ferimentos sumiram. Eu suguei todos os seus poderes emprestados. Pobre Tsuna!- ela ria e tirou uma lâmina afiadíssima do bolso.- Hora de dar adeus!!!
–Não!!!- o clone consegue quebrar a barreira com x-burner em potência baixa e dá-lhe um soco fazendo Adelina se afastar e a lâmina cair de suas mãos.
–É mesmo! Eu me esqueci de você. Sem problemas, roubarei a sua energia também. – Adelina ativa o símbolo, mas nada ocorre ao clone. — Mas o quê!?
O clone coloca-se em posição de xx-burner, Adelina sabia as consequências daquele ataque e opta por fugir. Somente com os poderes de Jack, ela não conseguiria derrotar o clone. Ela faz uma pequena explosão no telhado e aproveita para se retirar.
–Tsuna!!! Eii acorde!!!Você está bem?
–Estou zonzo!- o clone o ajuda a sentar.- Droga! Ela roubou os poderes.
–Sem desespero. Eu ainda possuo os seus poderes, precisamos apenas transferi-los para você.
–Sem o Claudio, isso vai ser impossível. — O clone tira as luvas de Tsuna.- O que está fazendo?
–Procurando os sinais. Lembra-se o que Patrícia disse? O sinal verde é envio de energia, o azul de recebimento e o vermelho de bloqueio.
–Você possuiu somente o azul.
–Mas várias vezes eu senti minha energia ser sugada. Patrícia usou algumas vezes somente, então as outras...
–Acha que fui eu?
–Sim!- o clone segura a mão de Tsuna que possuía o sinal azul e verde.- Tente sugar minha energia.
–Mas e você?
–Sou apenas um clone! Vamos!!! Concentre-se!
Tsuna concentra-se, mas nada acontece. – Esqueça! Isso não vai dar certo.
–Concentre-se.
–Não! Não podemos ficar perdendo tempo! Vamos atrás dela. E eu estou bem, ela retirou os poderes e não minha energia vital.
–Mas você praticamente desmaiou!
–Foi doloroso. Senti como se ela arranca-se algo de mim. Vamos!
–Eu sabia que essa hora chegaria Claudio.
–O ritmo dos acontecimentos acabou por revelar o final.
–Quais são suas ordens? Eliminar-me?
–O desejo de Adelina é que hoje você visite o outro mundo.
–Sinto muito, mas quem irá visitar serão os aliados dela.
–Se conseguir me vencer, antes de tirar minha vida me deixe devolver o que pertence a Tsuna.
–Sem problemas.
E partem para a luta.
No quarto, a loirinha e Marcella começa a gemer.
–O que houve Patrícia?
–A ligação de energias dos três rapazes, está confusa.
–Não é culpa do seu irmão?
–Eu não sei. Precisamos encontra-los logo.
–Patrícia, isso é transferência de energia.- explica Marcella.
–Também estou achando.
–Claudio fez alguma coisa.
–Sim! Conseguiu falar com eles Reborn? Os nossos aliados? Os Simon. Indagava Patrícia.
–Tem algo interferindo.
–E agora? Apenas você e a Chrome-san sabem lutar!
–Eu-eu poderia confundir os inimigos.
–Chrome-chan, isso seria maravilhoso.
–A Simon deve estar nos esperando próximo daqui.
–Poderíamos nos dividir! Eu e Chrome-chan irmos até as garotas e você Reborn, ir até a Simon.
–Sem problemas, tomem cuidado.
–Humm... A vários deles no corredor!- Falava Kyoko olhando pela fechadura.
–Quantos?
–Estou conseguindo enxergar seis.
–Chrome-chan, qual a sua ideia?- ela não responde e volta sua visão para a garota. Ela estava concentrada, parecia já estar colocando o plano em prática. Todos começaram a ouvir gritos no corredor e barulhos de lâminas, Kyoko olhou novamente pela fechadura e viu os capangas lutando contra o ar ou entre eles mesmos.
A ilusão que Chrome lançou era que a Vongola estava atacando aquela parte do corredor. Ao sinal de Reborn, as meninas, menos Marcella que ficou com Cielo, saíram correndo em direção a próxima porta. Um dos capangas quase acertou um ataque em Kyoko que foi salva por Patrícia. O arcobaleno saiu ao encontro da Simon.
A porta do quarto estava fechada e Patrícia havia pensando em furtar uma das chaves dos guardas, mas Chrome foi mais rápida ao usar seus poderes para arromba-la. Kyoko entrou primeiro e o que viu foi um quarto escuro e barulhos de respiração. Patrícia estava procurando o interruptor, mas Chrome a alertou sobre as descobrirem e assim desistiu. Para poderem enxergar, Chrome fez uma espécie de bola de luz no quarto.
As garotas estavam deitadas em camas de solteiros em um sono profundo. Por mais que Kyoko mexe-se com elas, não despertavam. Patrícia sendo mais prática deu um tapa o rosto de cada uma, obtendo sucesso.
–Patrícia-chan!- falou Kyoko em tom de repreensão.
–O que foi? Deu certo não? Estamos com pressa.
–Hum...Kyoko-chan...-resmunga a morena.
–Haru-chan! Como você está?
–Zonza... que lugar é esse...
–Estamos na mansão.
–O que está acontecendo...- falou Hana.
–Lembram que vocês foram sequestradas, trazidas para Itália e estavam desacordadas até agora.- explica Patricia.
–É mesmo! O sequestro!- Hana terminou de acordar imediatamente. Colocou-se me pé e sentiu tonturas, obrigando-se a sentar-se novamente.
–Cuidado Hana-chan! O sonífero que lhe injetaram é forte.
–Onde está Natalie-san?- indagou Haru.
–Devem tê-la levado para outro lugar. — concluiu Kyoko.
–Sei que estão se sentindo tontas, mas precisamos ir! Pediremos para Reborn localizar a outra pessoa. – falava Patrícia ajudando Hana a transpassar o braço pelo ombro dela. Kyoko fez o mesmo com a Haru e quando Kyoko foi girar a fechadura, Chrome impediu.
–Es-espere! A algo errado...
–O que houve Chrome-chan?
–A minha ilusão... Foi eliminada.
–Prestem atenção, não a mais gritos lá fora.
Kyoko gira a maçaneta cautelosamente, abre a porta e coloca somente a cabeça no corredor e retorna para o quarto.
–Está vazio!
–Reborn pode ter vindo com a Simon e eliminado os capangas.
–Ele ia ter vindo atrás de nós.
–É perigoso ficarmos no quarto também. É fácil para nos encurralar. – comentou Chrome.
–Vamos sair daqui logo e deixarmos as garotas em segurança. — Patrícia apontava para a porta.
Kyoko sentiu Haru respirar fundo e assim, partiram para o corredor. A loira sentiu um ambiente agoniante ali, ele estava vazio e silencioso, ela mal conseguia ouvir os passos das garotas. Sua respiração começou a ficar pesada, suas mãos tremiam e suas pernas quase bambas, algo parecia estar torturando ela interiormente. O corredor parecia não terminar nunca para as garotas um caminho rumo ao silêncio eterno, porque quanto mais se caminhava mais silencioso ficava.
Chrome havia conseguido perceber o que estava acontecendo há tempos, elas haviam entrado em uma ilusão. Ela gritava para avisa-las, mas sua voz estava abafada. Quando ela olhou para trás, viu correntes em volta dos braços e da cintura de Kyoko e estavam avançando para Haru e em desespero, fez o que pode para cortar a ilusão, mas foi tardio porque a ruiva havia sido capturada.
As garotas haviam finalmente percebido e gritavam em desespero pela amiga. As correntes na verdade eram os capangas de Adelina. Conseguiram ver que ao lado deles, um homem carregava Cielo no colo e outro segurava Marcella pelo pulso. A víbora estava ao lado dela sorrindo em glória. Patrícia conseguiu ler nos lábios da irmã e de Kyoko, que era para elas fugirem e assim o fez.
“Desculpe Kyoko-chan, Marcella e Cielo, mas juro que voltaremos para resgata-los!”- pensava enquanto corria com as meninas.
–Chefe, vai deixa-las fugir?
–Precisamos de que alguém avise que estamos com esses dois.
–O que fazemos com eles?
–Eles irão comigo para o campo de batalha final. – disse sorridente.
–Jack!- Disse Claudio repentinamente. Sua distração foi à chance de Lorenzo desarma-lo e apontar sua espada contra a garganta do jovem.
–O que houve com o Jack?- disse em fúria.
–Perdão, eu ainda confundo os nomes. Os poderes que Tsuna carregava de Jack foram retirados dele e desestabilizou o sistema por um momento. — respondia o rapaz com tranquilidade.
–Claudio tem noção que estou quase enfiando minha espada pela sua garganta?
–A coisas mais importantes para se resolver do que me preocupar com minha vida.
–Onde ele está?
–Neste andar. Ele e Adelina não estão juntos.
–Consegue rastrear Adelina?
–Formamos uma espécie de ligação.
–Ótimo. – ele levanta Claudio pela gola da camisa. – Você será meu cão guia.
–Cão?
–Apelidos perfeitos para traidores! Vamos logo!
–Você sabe que eu posso...
–Consigo sentir daqui que sua energia está baixa, não ia aguentar nossa luta por muito tempo.
Claudio apenas sorri.
–Como você consegue se mexer com os ferimentos que Adelina causou?
Lorenzo o encara pensativo por um curto período. – Sou forte. Apenas isso.
–Chegamos tarde demais!- dizia Reborn frustrado com Simon ao seu lado, enquanto encaravam o quarto vazio de Cielo.
–Onde você acha que ela está?-indagava o clone para Tsuna, enquanto andavam por um corredor.
–Em algum lugar que ainda não foi tomado pela Vongola e aliados.
–A parte do exterior está inteiramente tomada e a mansão idem.
–Bem, não sabemos como está o último andar.
–A Simon ia para lá. Já devem ter neutralizado a área.
–Espere! Tem um local que ainda deve estar sob o poder dela.
–Que lugar?
–Me siga!- Tsuna começa a correr e o seu clone o segue.
–Esse corredor só da para um lugar Claudio.- afirmou Lorenzo.
–Eu sei!
–Tem certeza que ela está aí?
Eles param diante a enorme porta de metal da sala de treino. Claudio dispõe uma das suas mãos pela maçaneta gélida e um pingo de suor escorre pelas bochechas. Ansiedade e o temor se misturaram. Lorenzo trouxe a espada junto a si quando o rapaz abriu a porta.
E lá estava a sala iluminada pelo luar e ainda intacta depois de tantas lutas travadas. Lorenzo teve a sensação que parecia muito tempo que não visitava aquele lugar e a nostalgia visitou sua mente pelas lembranças dos treinamentos com o Tsuna. Aqueles eram os poucos momentos bons que adquiriu durante um ano. As lembranças se esvaíram ao perceber a presença da mulher de cabelos carmesins.
Ela estava sentada como uma rainha em um trono de ouro, mas que na verdade não passava de uma antiga cadeira pomposa de metal. A aflição tomou o seu coração ao ver Cielo estirado em um colchão usado para amortecer quedas nos treinamentos, com uma jovem loira ao seu lado. Em outro canto, estava uma jovem de cabelos ruivos amordaçada no chão com os olhos em lágrimas. Natalie estava presa por correntes em uma parede e seus olhos demonstravam a sua fúria e aumentou a raiva de Lorenzo ao vê-la daquele estado. Todos estavam sendo guardados por capangas.
–Então Claudio não conseguiu dar conta de você como eu previ. Mas achei que ia elimina-lo.
–Ele ainda tinha um uso para mim.
–Fala como se o rapaz fosse um objeto, apenas para encobrir sua misericórdia. Típico! Você lembra o Leonardo e olhe o fim que ele teve.
–Corações obscuros como o seu não se safam, Adelina.
Ela ria em sarcasmo. – Minha alma pode ter sido tocada pela noite, Lorenzo, mas somente esse fato fez que eu tivesse a motivação necessária para maquinar a minha vingança. O seu erro foi entrar no meu caminho.
–A sua vingança pela perda de Leonardo nunca me pareceu convincente! E se comprovou ao ver o que você fez com Jack! Até hoje eu tento entender de onde você tirou que a culpa foi da Vongola. Ambos sabemos que a máfia estava em caos na época, mas Céu Selvagem não estava envolvido. Admita, é apenas uma história para encobrir os fatos.
Ela boceja.- Lorenzo sinceramente como Leonardo o aguentava? Nem os ferimentos que lhe fiz, serviram para calar a sua boca. Como eu faço para me livrar de você? – e ela o ataca jogando o poder explosivo de Jack, Lorenzo e Claudio desviam rapidamente.
–Esse poder... Você o roubou de Jack!!! – ele olha para Claudio. – Foi você não é? – e aponta a espada para ele.
–Eu não quero perder a minha família Lorenzo. Se eu não fizer o que ela manda, fará mal a eles.
–Não fará mal a eles!? Ela está acabando com suas energias e de suas irmãs para uso próprio, quem afirma que você viverá caso ela triunfar?
–Não tenho escolha!
–Teria se tivesse trocado de lado.
Adelina joga três flechas flamejantes, mas passa de raspão por eles.- Estamos em uma luta, Lorenzo! Concentrem-se ou não lhe darei a chance de salvar sua pele.
–Saia do meu caminho, Claudio.
Lorenzo se põe em pose de ataque e avança em direção a víbora. A mulher tira uma adaga do bolso e a encobre com energia de Jack, lançando-se em direção ao homem. Lorenzo era rápido e ágil, a espada ele mal se podia ver em movimento, Claudio havia percebido que o homem não havia usado nem metade das suas habilidades contra ele.
Adelina não encontra abertura para ataca-lo com a adaga e começou a fazer explosões, conseguindo fazer um raspão no braço de Lorenzo. Ele não pareceu se incomodar com o recém ferimento e continuou a ataca-la.
Atraídos pelo barulho e guiados pela hiper intuição, Tsuna e o seu clone chegam à sala de treino. A porta estava semiaberta e puderão vigiar o que estava acontecendo nela. Foi uma surpresa para o décimo ver o seu mestre lutando contra a víbora. Quando ele enxergou sua namorada e seu amigo, avançou com toda a sua fúria. Sua caminhada heroica foi interrompida quando mãos o puxaram com força para um canto escondido.
–Claudio!?
–Jack! Perdão! Tsuna!
–Claudio! Devolva os meus poderes. Adelina roubo os de Jack que estava comigo!
–Para transferir a energia do clone para você, eu preciso da minha irmã.
–Eu não faço ideia de onde ela está!
–Espere!-disse o clone.- Eu senti minha energia ser sugada algumas vezes e Patrícia falou que não foi somente ela que as utilizou. Então com certeza que foi Tsuna!
–Dê fato. Você sentiu suas energias sendo sugadas, mas não eram os poderes que estavam sendo transmitidos, mas sim as lembranças. Tsuna conseguiu burlar várias vezes o bloqueio que coloquei nas memórias.
–Mas só precisamos fazer o mesmo com os poderes.
–São transmissões diferentes!
–Se eram apenas lembranças, por que eu ficava fraco?
–Para um clone como você, qualquer coisa que receba é uma forma de energia, valido para memórias. Tsuna, a algo que posso fazer por você. Tem ideia de como funciona a transmissão de energia?
–Nenhuma.
–Então, imaginem um rio, ele possuiu sua nascente e desagua em um ponto em especifico, certo? Mas, tempos mais tarde alguém desvia o ciclo deste rio, para que ele desague em outro local. O que vai acontecer com o antigo lugar?
–Vai secar.
–Exato! Foi isso que eu fiz com você.
–Como assim!? O que o rio tem haver?- indaga o clone.
–Você não entendeu!? É uma metáfora!- falava Claudio exasperado.
–Nunca fui bom com metáforas.
“Esse clone é do Tsuna! Isso significa que ele é... um idiota!?”
–Então...- Tsuna responde pensativo.- Eu ainda produzo os meus poderes, mas elas não ficam em mim porque estão indo para o clone?
“Ufa! Claro, ficar aqui na mansão deve tê-lo deixando mais esperto.”
–Mas eu não entendi o que a história dos rios tem haver!- Tsuna completa.
–Como não entendeu!? Você respondeu certo!
–Na verdade, eu apenas senti que era isso.
–Hiper intuição.- fala o clone.
–Hiper intuição?
–Sim, você possuiu a hiper intuição. Descobre fatos que ninguém percebe.
Claudio teve pequenos lances de memórias, aquelas as quais Tsuna conseguiu perceber o que o rapaz sentia, sem ao menos conhecê-lo profundamente.
“Isso explica muitas coisas.” – concluiu.- Enfim, o que eu posso fazer é tirar o seu desvio de energias para o clone. Mas eu não sei quanto tempo levará para que você tenha o poder total.
–Metade deles já será suficiente.
–E quanto a você...- ele se referia ao clone. – A partir de agora, sua energia que o mantém vivo será esgotável. Não a use em vão.
–Sim! Pode deixar.
–Minhas lembranças irão voltar?
–Não. Memórias são algo complicado de manusear.
Claudio faz sinal para Tsuna tirar suas luvas e pega a mão que estava com o sinal azul, em segundos ele some quase que completamente, ficando apenas um leve borrão. O jovem décimo sentiu-se leve como jamais poderia imaginar, a sensação era que havia se libertado de correntes.
Patrícia interrompe os passos repentinamente no corredor.
–Qual o problema?-indagava Haru.
–Algo aconteceu com o meu clone. – falava desesperada.
–Clone?- indagava Hana.
A pergunta de Hana não foi respondida, pois a Simon e Reborn as encontraram e ajudaram as garotas a caminharem.
–Reborn, algo aconteceu com o clone de Tsuna.
–O que houve?
– Cortaram a energia dele. Eu preciso ir até ele. – e ela sai correndo. O arcobaleno a observa com preocupação.
–Patricia!!!-todos gritam o nome dela mas não dá ouvidos.
–Está feito.- falava Claudio.
–Nossa, muito melhor.- afirmou Tsuna.
–Quais são os planos?
–Bem, Adelina está distraída, temos que derrotar os capangas e libertar os outros. Vou me esgueirar e tentar derrota-los. Meu clone pode ir para o outro lado e fazer o mesmo.
–A um porem, o clone não pode usar as chamas, vai chamar a atenção.
–Ehhhh!!! Como irei derrotar os caras!?
–Com as mãos. Simples.
–Não é tão simples assim!
–Vamos logo, Não podemos perder tempo! – E Tsuna sai de forma silenciosa para o canto direito da sala.
Claudio puxa o clone e cochicha para ele.
–Quando eu falei para não usar suas energias em vão, eu quis dizer para mantê-la estocada caso Tsuna precise delas.
–Eu sei! Pensei da mesma forma. Afinal, eu sou apenas um clone. Eu irei sumir antes dele vencer.
–Não, ainda terá as lembranças dele para te sustentar. Não se preocupe.
O clone sorri.
Uma ponta de compaixão pelo clone surge no rapaz e o clone parte para ajudar Tsuna e Lorenzo. Claudio sente um arrepio pela espinha dorsal, expandindo-se por todo o seu corpo. Ele havia deixando de usar parte de sua energia para manter o bloqueio do décimo e agora ela estava retornando.
“Eu havia esquecido esta sensação de poder a muito tempo”. – pensou.
Fale com o autor