Céu Obscuro
16 Furacão

Um homem de cabelos curtos cinza, estava parado impacientemente olhando o exterior pela fibra fina da cortina. O sol estava fraco naquele dia, combinando perfeitamente com o cenário agoniante que uma vez fora belo aos seus olhos. Seu pé direito movia-se rapidamente mostrando a ansiedade que se encontrava.
—Por que fez a Vongola perder tempo indo atrás daquele ancião? –percebia tamanha indignação em seu tom de voz.
—Não perderam! Não conseguimos prever por quanto tempo o ancião da natureza residiria naquele local.- explicava o pai de Lavina vestido agora em seu elegante terno preto. Ele estava diante de uma grande mesa com um mapa e vários soldados, assemelhava-se as mesas de guerras antigas. — Se esperássemos, seria tarde demais para Jack-kun, como sabe.
—Eu recuei porque você me convenceu que conseguiria impedir aquele garoto.
—Não Marco! Você recou quando percebeu que não teria forças para se manter no campo de batalha e tentando derrotar Sawada-san.
—Como ousa?
—Você não tem recursos para mandar membros talentosos para tal tarefa. Sawada-san nunca foi fraco, mesmo sendo um adolescente.
—Eu sempre soube que você tinha espiões observando nossas atividades.
—Obvio. Você sabe minhas intenções. Ao invés de juntar-se a mim, resolveu escolher o caminho aparentemente mais fácil.
—Graças ao nosso conflito a Epifania irá vencer.
—Eles nunca irão vencer! –dizia o homem levantando o tom de voz. –Enquanto eu estiver vivo, irei fazer o possível para Epifania cair!
—Lhe darei esta trégua, mestre. Mas ao final dela, voltarei com nosso objetivo.
—Se nós falharmos Marco, você tem carta branca para realizar tal ato. Até lá, recupere as forças do grupo e estejam fortes para eventuais emergências.
—Chefe! Notícias do campo de batalha.
—Fale. –disse o pai da Lavina.
—O chefe de Epifania foi avistado.
—Merda! Ele se recuperou.
—Ele vai vir atrás de nós três. Fabio me disse que a Epifania estava me procurando. Ele não seria louco de atacar a mansão.
—Creio que para ele nada é impossível.
—Eu irei retornar ao campo de batalha. Vou me vingar pelo o que ele fez aos meus companheiros e a mim.
—Você terá sua chance. Permaneça na sede da Giustizia e deixe os membros do Japão atentos. Não sabemos o que Epifania poderá fazer agora.
—Então irei ao Japão. Se o seu sobrinho falhar nós cumpriremos nosso objetivo.
—Faça como quiser.
***
O pai de Lavina andava por corredores brancos que lembravam a uma enfermaria. Após passar por várias portas com vidros, ele chegou a uma especial. Adentrou e nela estava um homem que aparentava uns trinta anos, cabelos negros e cheio de ataduras. Ao seu redor estavam inúmeros livros espalhados e vários em sua cama. Diante dele um mapa com várias tachinhas em diversos países.
—Deveria estar descansando.
—Posso fazer isso quando resolvermos essa situação.
—Fabrício já está continuando meu trabalho.
—É minha obrigação achar os anciões. É o mínimo que posso fazer e eu o farei.
O homem para diante do mapa. –Alguma pista da anciã da Luz?
—Nada. Ela simplesmente sumiu dos livros a centenas de anos.
—Vamos torcer para que ele...O Gokudera, a ache.
—Como Fabricio está?
—Lutando.
—E as dores?
—Segundo a Sakura, ele esconde, mas doem quando ele se agita muito. O arabesco continua no mesmo tamanho e cor.
—Droga. –o homem dá um soco no livro.
***
No Japão... Gokudera estava caminhando enquanto lia vários papéis. Algumas memórias retornaram a sua mente.
Alguns minutos antes de seu embarque para a Espanha, ele havia recebido uma ligação de Irie Shouchi.
—Olá Irie. Conseguiu?
—Sim.
—Você demorou.
—Ora não é tão fácil hacker sistemas como aparenta nos filmes.
—Diga isso a sua versão do futuro. Enfim, o que conseguiu descobrir?
—A mansão que enviou os dados pertence a um homem inglês mestiço com italiano, chamado Jefferson Barcelos, além desta propriedade, ele possuiu um hotel em Tokyo e mais três casas em cidades afastadas de Nanimori.
—Ele possuiu filhos e netos?
—Sim, tem dois filhos na faixa dos trinta anos e um neto de treze anos. Um dos seus filhos é casado com uma japonesa e o outro está noivo. A mansão que você me disse está alugada em nome de Kazumi Ichiro. Possuiu dezenove anos, solteiro e trabalha em uma lanchonete.
—Ele é dono dela?
—Aqui diz que ele é atendente.
—Se for apenas um atendente, ele não possuiu sequer renda para alugar uma casa daquelas.
—Bem, sua renda não consta no sistema.
—Onde fica esta lanchonete?
—Em Nanimori mesmo.
—Me envie o endereço e uma foto dele se possível. E descubra onde esse cara mora.
De volta aos tempos atuais, lá estava Gokudera sentado em uma mesa da lanchonete, com vista à entrada do shopping subterrâneo. Era um estabelecimento padrão, sem muito luxo e com algumas comidas que aparentavam ser apetitosas. O real objetivo dele era observar o atendente de longos cabelos pretos e os traços orientais. Carregava olheiras marcadas e sua aparência parecia de cansaço. –“Horas de trabalho afinco.”- pensou Gokudera.
Uma garçonete de cabelos loiros tingidos e olhos azuis marcantes, apareceu para atendê-lo em sua mesa com um autêntico sorriso paquerador o que era habitual para o rapaz. Após ler tantas revistas de paqueras para ajudar Tsuna, Gokudera finalmente começou a perceber quando as moças estavam flertando com ele e as vantagens que poderia tirar da situação. Ele respondeu com um sorriso charmoso e ela aprumou-se toda, Haru o mataria se o visse, mas era pelo bem da missão.
—Posso anotar seu pedido? –indagou suavemente.
—Claro. O que você sugere?
—Eu? –ela se envergonhou. –Bem, normalmente os clientes escolhem.
—Confio em você. –Gokudera percebeu as bochechas dela corarem.
—Bem, claro, trarei o melhor.
—Seu namorado? –Gokudera apontou para o atendente.
—Quem? Ele? Não, não! Apenas colega de trabalho. Ele é meio estranho na verdade, acho que não tem nem amigos por aqui. Não sei muito sobre ele já que não conversa muito.
“Claro, só possuiu uma mansão alugada em seu nome.” -Obrigado.
A moça parou e ficou sorrido para ele até se dar conta que deveria trazer o pedido, fazendo suas bochechas corarem de vergonha e assim correu até a cozinha.
Gokudera, Gokudera! Tss! Pare de iludir a pobre garota.
“Sinto-me mal por fazer isso mas é por uma boa causa.”
Sua namorada vai te matar. –a Anciã ria.
“Não é da sua conta.”
Porque está nesta investigação secundária? Não deveria estar atrás de outros anciões?
“Sabe muito bem o motivo.”
Percebeu algo naquela casa. Oh, só imagino as informações que obteria se retornasse lá. Você sentiu uma vibração diferente naquelas pessoas, algo que despertou sua curiosidade. Eu até poderia te dizer...Mas isso vai ajuda-lo a treinar seus novos talentos.
“Eu recusaria de qualquer forma.”
Isso é uma das coisas que gosto em você.
A garçonete voltou sorridente e largou os salgados diante de Gokudera e um refrigerante trincando de gelado. O cheiro logo abriu o apetite dele e o sabor era melhor ainda. A garota havia acertado em cheio.
—Então, você mora aqui em Nanimori? –disse ela colocando uma mecha para trás da orelha.
—Sim, moro há alguns anos nesta cidade.
—Alguns anos? Era de onde?
—Morava na Itália.
—Uauu!!!- os olhos delas brilharam de empolgação. –Sonho um dia visitar Veneza!!!
—Sakura, pare de importunar os clientes!
—Desculpe, gerente-kun. É o chefe. Preciso ir. Até mais.
—Tudo bem e obrigado pelo lanche.
—Desfrute bem.
Tão inocente esses jovens. –dizia a Anciã sentada na cadeira.
“Não vão te ver aí?”
Não, sou apenas visível aos seus olhos. Não é engraçado? –Disse ela observando a garota. — As pessoas podem mudar sua aparência ao longo dos anos, mas alguns traços sempre permanecem.
Gokudera apenas a observa tentando entender suas palavras.
Garoto, qual a sensação de conseguir ver além? Assustador? Empolgante? Um pouco dos dois a julgar pelas suas reações? Você está caminhando para as explicações.
A lanchonete enche de arabescos e rabiscos de luz que passavam por todo o ambiente. O rapaz não conseguiu decifrar direito mas havia algo falando sobre a garçonete e o atendente.
Sente as energias? Vê o conhecimento? Eles são as respostas.
Logo tudo sumiu e o cenário voltou ao normal. A Anciã não estava mais na cadeira e ele segurava seu copo de refrigerante na mão. Os minutos não haviam passado. Tratou de terminar seu lanche e ir no caixa para pagar, Kazumi lhe atendeu seriamente e o rapaz o observava, algo lhe dizia que aquele homem possuía algumas das respostas que necessitava.
—Obrigado pela preferência. –disse o rapaz lhe dando o troco.
—De nada. –Gokudera percebeu que em suas mãos havia vários cortes e bolhas, eram marcas de brigas. Seus olhos carregava tristeza e remorso, olhar familiar.
—A propósito, não leve minha colega a sério, ela adora conversar com caras que são atraentes para ela.
Gokudera apenas lhe deu um levantar de sobrancelhas e saiu. Antes de mergulhar em pensamentos, ele sentiu uma presença desregular ao redor, ele sabia quem era e olhou fixamente para uma árvore por alguns minutos. Fabricio pulou dela ao chão logo depois.
—Ainda me seguindo?
—Seguindo ordens. Podem tentar te atacar novamente.
Gokudera o observou por alguns minutos. –Não. Eu cutuquei vocês ao vir aqui.
— Não a nada neste lugar.
Gokudera apenas lhe deu um sorriso sarcástico e voltou a caminhar.
“Como sempre, ele adora deixar as pessoas no vácuo.” –pensou Fabricio tomando seu celular em mãos. –Masao, sou eu. O nosso “onii-san” está investigando Kazumi Ichiro.
—Sem julgar o mestre, mas ele deixou as coisas mais difíceis fazendo Gokudera-kun ser um eleito.
—Continuo seguindo ele?
—Volte a supervisionar Sawada-san então e tome cuidado quando Gokudera-kun estiver com ele.
—Entendido.
***
Tsuna estava sentada nas escadarias do templo pensativo. Havia procurado um local sagrado para conter suas idas para a escuridão, mas a raiva estava tomando conta de si. Ele havia se dado conta da inveja que havia sentido por Jack conseguir retornar a luz e aquilo não o agradava. Ele era o seu amigo, ele deveria estar feliz mas então porque aquele sentimento não ia embora? A perca de tempo na ilha escondida estava o enfurecendo e sabendo que sua alma dependia de um ancião há muito tempo desaparecido o deixava em desespero.
—Tsuna-kun.
—Kenjiro-kun. –disse observando o garoto sentar ao seu lado e colocar uma mão em seu ombro.
—Você parece de mau humor.
—Estou perdendo as esperanças. Nunca que encontraremos a tempo o outro ancião.
—Tsuna-kun, ainda há esperança. Lembra-se do ancião que lhe falei?
—Mas o Ancião da natureza disse que apenas o da luz e o da água poderão me ajudar.
—Tsuna-kun a vários anciões espalhados por aí e todos poderiam doar um pouco de suas energias até encontrarmos o certo. Assim como fez a anciã dos dragões e da natureza.
—Vongola nunca aceitaria.
—Que outra opção vocês possuem?
—Kenjiro-kun, quem é você afinal?
—Um amigo fiel. Apenas quero ajuda-lo do fundo do meu coração. Pois eu o admiro há muito tempo e quero vê-lo se tornando um grande chefe da máfia.
Tsuna não conseguia explicar os motivos para as palavras daquele jovem garoto mostrarem-se sempre verdadeiras. Não sabia explicar, mas confiava plenamente em Kenjiro-kun e ninguém conseguia faze-lo muda-lo de ideia.
—Kenjiro-kun, quando for chefe, a Vongola tornará autêntica a nossa parceria. Agradeço e muito pela ajuda e suporte de vocês.
—Espero com o seu apoio eliminarmos a corrupta Giustizia. Eles são um mal para este mundo.
—Como esse cara vai se tornar chefe sendo um idiota desde jovem? –disse Fabricio vigiando eles atrás de uma construção.
—Sua alma o deixou desequilibrado, Fabrício.
—Que traduzindo quer dizer que ele ainda vai fazer muita merda.
—Ok, eu ia deixar o melhor para o final, mas Tsuna o ancião que encontramos é o da água. Você ainda tem chance.
Tsuna sorria animadamente. -E onde está o Ancião?
—Na Austrália.
—O que!? –disse Fabricio.- Não, não, não, seu idiota. Não caia nessa!
—Austrália!? Onde os cangurus ficam? –falou Tsuna em divertimento.
—Exatamente. Chame-me para uma reunião com a Vongola e conversaremos. Sei que não aceitarão que nossas informações são válidas, mas que outra escolha possuem?
—Irei convencê-los. Nem que eu vá sozinho.
—Não. Se for o caso, a Epifania o levará. Nem que você precise fugir de casa. –Kenjiro sorri juntamente a Tsuna.
—Trouxa!!!-falava Fabricio.
—Pare de berrar! O que houve?-indagou Masao.
—Aquele idiota do Kenjiro convenceu aquela anta a ir para a Austrália.
—Se acalme! A Epifania não convenceu a Vongola da última vez! Intercepte a reunião deles.
—Mas...-disse Tsuna. – Os anciões disseram que a possibilidade de eu acabar sendo corrompido de vez, mesmo sendo um eleito.
—Você não pode perder as esperanças.
—Eu sei mas... E se acontecer? Eu...eu...A minha adolescência foi toda para a Vongola. Eu sou um fracasso em tudo o que faço menos na máfia. Se eu ficar corrompido, não sei se a Vongola me aceitaria como um chefe.
—Qual é o pior? Continuar sendo corrompido ou ter um guardião que é eleito ao invés de você? Sabe o que acontece quando um chefe não pode assumir ou tem que ficar fora? Sabe quem assume o lugar dele? -Tsuna o olha curioso.- O seu braço direito! E quem é o candidato a assumir este posto no futuro, Tsuna-kun?
—Não, Gokudera-kun não faria isso e duvido muito que aceitaria.
—Eu não confio muito nele, principalmente agora que é eleito.
—Bem, quando ele lutou a primeira vez comigo, era porque queria disputar o cargo comigo mas... Ele admitiu depois que era apenas para me conhecer.
—Ora. E você ainda confia nele? Ele poderia muito bem estar somente ao seu lado para tentar tomar seu posto depois. Além dele ser meio maníaco com essa história de querer ser o braço direito e ponto final.
—Não! Se fosse assim, Reborn não o teria escolhido como meu guardião.
—Até o Reborn pode errar. Pense comigo. Não foi muito estranho ele acabar envenenado sendo que não tinha ninguém com ele? E Yamamoto afirmou estar preso em uma ilusão, creio que o mesmo não envenenaria seu amigo. Gokudera tem uma irmã especialista em venenos, muito conveniente não?
—Está realmente afirmando que ele fez de propósito para se tornar eleito!? Não! Gokudera-kun não faria isso.
—Tsuna-kun pense comigo, entre todos os guardiões, eu acho o Gokudera-kun com a habilidade meio...sei lá... tosca? O cara só atira bombas. Enquanto os outros possuem habilidades mais úteis. Ele saiu na vantagem na frente de todos. Ele poderá se igualar a você ou até ficar mais forte. E ele é muito esperto, sabemos disso.
Uma ponta de raiva pelo amigo surgiu em Tsuna. –Eu o salvei. Não, ele não pode ter feito isso comigo. Ele está ajudando a localizar os anciões.
—Que te levou para um errado ainda por cima. Acha que a anciã dele não passou essas informações? Claro que sim!
—Aquele vagabundo! É igualzinho ao patife do irmão dele! –rosnava Fabricio. –Vou mata-lo!!!- E ativou sua arma mais poderosa.
—Fabricio. Pare! Não faça bobagem ou levará tudo a perder.
—Kenjiro-kun está virando Sawada-san contra Gokudera-kun, Masao!!! Não posso permitir isso.
—Ele confia em Kenjiro-kun e não em nós. Pare!
Fabricio respirou fundo e guardou sua arma.
—Volte para a mansão. Vamos elaborar uma estratégia.
***
—Muito conveniente você dizer que encontraram justamente o guardião que precisamos. –disse Reborn.
—A Vongola precisa confiar na Epifania.
—Já possuímos um grupo que está localizando os anciões. Não precisamos de sua ajuda! –afirmou Reborn.
—E vamos esperar até quando!? Eles tem um ancião. Estão nos ajudando!
—Por favor, confiem em nós?
—Nem sabemos de onde vocês são e o que são.
—Não importa! Eu confio neles. Eu possuo hiperintuição e digo que iremos até esse ancião.
—Você ainda não é o chefe.
—Mas sou o líder da Vongola no Japão. É o que você me disse e eu sempre tive que tomara as decisões, lembra?
Você não confia neste garoto. –falou Scarlet.
“Nem é que eu não confie, mas não me sinto a vontade com ele, pois possuiu algo estranho.”
Scarlet ri. –Enfim, acho muito mais válido Tsuna-kun ir ver a anciã da Luz, ela poderá elege-lo sem riscos.
“Vamos tentar com o ancião da água, se for verdade que a Epifania o localizou.”
Avalie as chances dele e impeça se for perigoso. É o dever de um rapaz que deseja se tornar o braço direito de um chefe, protegê-lo dos perigos.
—Então, quem está junto comigo?
—Se o Tsuna quer arriscar estou com ele –disse Yamamoto.
—Conte comigo. –disse Ryohei.
—Eu sigo as decisões do décimo. –afirmou Gokudera.
—Se é assim, a Vongola concorda de ir atrás deste ancião.
Tsuna sorria satisfeito junto aos guardiões, mas por trás do sorriso de Gokudera um pressentimento estranho surgiu. Hayato olhou através da janela quando uma presença familiar sumiu dos arredores.
***
***
Gokudera estava voltando de um passeio com a Haru e indo para sua casa quando avista o atendente da lanchonete com oito homens ao seu redor. O mais alto empurrou o ombro do rapaz o fazendo dar alguns passos para trás, Kazumi já estava com os punhos levantados e em instantes deu um soco no homem. Um mais baixo o agarra pelas costas tentando joga-lo no chão mas o rapaz foi mais rápido usando o próprio peso do inimigo para derruba-lo. Hayato sorri e aperta os punhos.
O que pensa que vai fazer?
“Vou te ensinar como conquistar a confiança de um homem.” –e ele corre para a briga já dando socos em dois outros mais jovens, Kazumi acena para ele agradecendo pela ajuda e assim os atacam sucessivamente. O rapaz conseguiu impressionar Gokudera com sua agilidade.
—Eu ... Volto... –disse o mais alto logo ao cuspir sangue.
—Volte quando quiser, sempre é bom fazer exercícios. – e os homens saem correndo. -Valeu cara. –ele dá um tapa nas costas. – Espere! Eu atendi você hoje na lanchonete, não foi?
—Acho que foi. –disse fingindo.
—Cara, deixa eu te pagar um lanche. –disse ele colocando o braço pelos ombros de Gokudera. -Te pagaria uma bebida, mas acho que é de menor e não quero me encrencar. Você é o primeiro que me ajuda em todo este tempo.
Ele apenas sorri vitorioso.
***
—Eu não acredito que o Reborn e o Iemitsu-kun aceitaram! –Fabricio dava murros na mesa. –Como que o Reborn me aceita uma coisa dessas!? Se eles o levarem, estará tudo perdido.-Fabricio segurou seu braço logo em seguida, ele latejava fortemente fazendo o garoto ter falta de ar.
—Se acalme! –Sakura o fez sentar em uma poltrona. –Sabe muito bem que se agitar demais faz seu braço doer. Charlote, por favor, pegue o remédio dele.
—O que vamos fazer Sakura?
—Vamos achar uma solução.
—Eles conseguiram convencer até o Reborn, Sakura. Sabe melhor que ninguém, como como a opinião dele tem influência. –afirmava Masao.
—Ele só aceitou mediante o desespero do jovem chefe.
—E se contássemos para Gokudera-kun? –sugeriu Charlote.
—Ele não confia em nós.
—E Sawada-san no estado que está, irá vê-lo com maus olhos. Não podemos permitir que ele vire as costas para o seu futuro guardião. –afirmou Masao.
—Gokudera-kun está fazendo de tudo para salva-lo. –disse Charlote.
—Mas para uma alma corrompida onde um dos seus melhores amigos já é um eleito, tentar impedir parecerá um ato de traição. Até mesmo o resto dos membros poderão interpretar de forma errada. –disse Sakura.
—Duvido que a Vongola tenha se dado conta do tamanho dos poderes que Gokudera-kun adquiriu. –afimou Charlote.
—Espero que não. É melhor para ele. –finalizou Masao.
—Kenjiro-kun já disse a dimensão dos poderes de Gokudera-kun e envenenou a mente de Sawada-san. –Afirmou Fabricio.-Sendo assim, melhor não envolver Gokudera-kun. Eu sei muito bem como a mente venenosa de Kenjiro-kun age. Ele irá dar um jeito de fazer todos se virarem contra ele com um gatilho desses.
—Fabricio-kun, às vezes acho que você deveria usar seu talento para criar venenos e injetar nesse cara. –todos riem da piada de Charlotte.
Sakura observa o rosto de Fabricio por segundos. –Eu tenho uma ideia, parecerá louca, mas é a melhor de nossas chances.
—E qual seria?
—Uma pequena e rápida visita a Itália.
***
Mais tarde...Gokudera e Kazumi estavam encostados em um para peito conversando com uma linda vista de Nanimori.
—Aceita um? –o rapaz oferece um cigarro, Gokudera ficou tentado a pegar um, mas tentou conter sua vontade.
—Não fumo.
—Há quanto tempo? –o rapaz olha surpreso. –Ora, um fumante sempre reconhece o outro.
—Sei lá. Talvez um ano.
—Quantos anos tinha quando começou?
—Uns 13 mais ou menos.
—Idem. Deixarei esse mundo cedo pelo jeito. Só por curiosidades, como conseguiu parar? Remédios? Teus pais te internaram numa clinica? Como foi?
—Nem um e nem outra. Fumar era apenas para descontar minhas frustações até que percebi que elas não existiam mais. Não havia motivo para continuar.
—Deve ter encontrado pessoas muitos boas ao longo do caminho.- Gokudera se manteve em silêncio. –Já eu serei difícil.
—Eu também achei que era assim mas...
—Teve sorte e a vida mostrou outro caminho. –disse sorrindo. -Hayato ia respondê-lo, mas seu celular tocou e era Haru. –Viu o que eu disse, você encontrou pessoas boas. Bem tenho que ir. –jogou o cigarro no chão e o amassou com o calçado. –Até algum outro dia garoto! E fico te devendo.
—Até. –Gokudera o observava indo embora enquanto conversava com a Haru. -
Então é assim que se conquista a confiança de um homem?
“Por este caminho.”
***
Fabricio observava nostálgico da janela do taxi à bela paisagem da Itália. Quantas saudades que possuía da sua terra natal. Mas à medida que seu destino se aproximava, ele começava a suar. A responsabilidade do futuro estava em suas mãos naquele momento. Ao chegarem às terras da Vongola, o taxi foi obrigado a parar e alguns homens de ternos com feições nada agradáveis fizeram ele e Masao entrar em um carro preto de vidros escuros. Aqueles homens lhe fizeram lembrar que roupas sociais antigamente eram suas roupas habituais.
O carro parou e quando saiu dele deu de cara com alguns guardiões mal encarados do Nono junto a outros homens. Qualquer passo em falso, eles não hesitariam de meter chumbo. Fabricio, com sua mente programada logo se deu conta que havia contado quantos homens estavam ali e averiguado as suas armas, já elaborando suas rotas de fuga caso necessita-se. Tinha certeza que Masao fazia o mesmo.
—O que faz você achar que pode falar com o Nono? –indagou o guardião da tempestade sisudo. Fabricio concluiu que esta deveria ser uma característica de todos os guardiões da tempestade a julgar pelo Gokudera.
—Eu tenho isso! – mostra o anel do negro.
—Esse anel! Deve ser falso, ele pertence à outra pessoa.
—Foi dado a mim como um presente pelo meu professor.
—O deixe entrar. –disse o Nono aparecendo inesperadamente.
—Nem sabemos se eles são confiáveis.
—A minha intuição diz que não me farão mal.
—Tire a máscara então, garoto.
Fabricio havia passado tanto tempo com ela que havia esquecido. Masao o observava indicando que nega-se o pedido.
—Somente para o Nono.
—Então sem audiência com o chefe.
—Entrem. –ordenou o nono adentrando novamente na Mansão. Os guardiões frustrados acompanharam seus “ilustres” convidados até a sala do atual chefe. A reunião foi acompanha pelos guardiões para desgosto de Fabricio.
—Então, o que quer comigo? –indagou.
—É uma situação de emergência Nono e vim lhe suplicar ajuda.
—Você tem este anel, mas por que acha que fará eu ajuda-lo?
—Espero que me compreenda ao explicar a situação. Sei que a Vongola está criando vínculos com o grupo Epifania a fim de combater a Giustizia no Japão. A Epifania revelou a localização do ancião da água, na qual afirma que o mesmo poderá retardar o processor que a alma de Sawada-san se em encontra, caminhando para a escuridão.
—Você parece saber algumas coisas. De onde são suas fontes?
—Eu observo vocês há muito tempo. Inclusive, no hospital, fui eu que localizei o ancião da Cura para que ajudasse Sawada-san.
—Não há como comprovar.
—Apenas pergunte ao próprio ancião. Enfim, você deve impedir a Vongola de levar seu futuro chefe até esse ancião ou a noite finalmente chegará.
—E por que acha que confiarei em você? Pode ser um membro da Giustizia.
Fabricio olha profundamente nos olhos cansados do Nono, sem falar nada, apenas retira o capuz e a máscara. Masao lhe disse para apenas proceder desta forma em emergências. Os olhos de todos se arregalam e o chefe se levanta da sua cadeira se pondo diante do garoto.
—Como não é possível!!! –exclamou o guardião do Sol.
Nono se aproxima. – É você mesmo? É você Reborn?
Fabricio apenas sorri para ele.
Fale com o autor