Céu Obscuro

27 Decisões difíceis


Notas iniciais
Oieee gente linda. Foi corrida essa semana mas estou aqui cumprindo minha promessa e postando mais um capítulo desta vez grandão. Espero que gostem.

A pequena garota estava debruçada sobre a janela enquanto observava a paisagem que corria no sentido contrário. A mão de seu pai pesou sobre sua cabeça, a obrigando virar e sorrir para ele. Ela seria separada dele novamente até tudo acabar. Faziam poucos dias que sinais estranhos apareciam para ela, na qual a mesma conseguia compreende-los um pouco. Conseguia ver nos sinais a preocupação imensa do seu pai com a família Vongola.

—Ficará com sua mãe Lavina. Sei que está com saudades dela.

—Lavina não pode se despedir do Onii-chan? -Gokudera riu.

—Como assim? Não precisa se despedir dele.

—Onii-chan pode ser o papai, mas papai não é igual onii-chan.

—Ele é minha versão adolescente Lavina, obviamente teremos nossas diferenças, mas somos a mesma pessoa.

—Mas Onii-chan vai ver Lavina só depois de muitos anos.

—Vai ser uma espera muito bem vinda, pode ter certeza. Bem, chegamos. -Lavina espiou pela janela, eles haviam parado na entrada de um bosque. O carro que seguia atrás deles também parou. -Animada para voltar para o nosso tempo?

—Sim papai.-afirmou enquanto descia do carro.

—Lavina-chan. -Chamou Hideo. -Vamos voltar para casa. Não é muito legal?

—Estou louco para ver meus pais.

—Vamos crianças. -chamou Sakura pegando na mãos dos dois e adentrando no bosque.

Gokudera estendeu a mão para Lavina e a mesma correspondeu. Ela seguiu todo o caminho quieta até chegarem no meio do bosque. Masao estendeu um aparelho sob o chão e um portal se fez. A pequena garota apertou a mão do seu pai com toda a sua força.

—Papai...-disse com voz de choro. -Lavina precisa mesmo ir?

Ele se ajoelhou. -Sim. Você estará segura com sua mãe. -Lavina olhou para os lados temerosa e voltou seu olhar com lágrimas despontadas para ele. -O que está acontecendo meu amor?

—Lavina não quer voltar. Lavina não quer que ninguém volte.

—Por que não quer voltar? -ela apontou para o chão. -São os desenhos novamente.

—Sim. Não devemos voltar papai. -e algumas lágrimas escorregaram pelo seu rosto.

Hayato ficou por instantes pensativos. Scarlet possuía o poder de prever o futuro e o único contato que ele tivera com previsões foi apenas ao ser eleito. Seria possível, Lavina ter adquirido tais poderes de premonição?

—Senhor? O portal não ficará aberto por muito tempo.

Ele acariciou os cabelos da filha. -Lavina, por ora volte ao nosso tempo.

—Não! Não papai!!!

—Sakura e Charlote, providenciem reforços para a mansão Vongola e coloque Lavina, as crianças e a Haru em nosso esconderijo. Qualquer sinal de perigo, abram o portal e venham para este tempo. Fiquem em alerta.

—Sim. Pode deixar chefe.

—Compreendido senhor Gokudera.

—Lavina, qualquer sinal de perigo avise as duas tudo bem?

—Tudo bem papai.

—Adeus meu amor. -ele beijou a testa dela. -Cuide-se.

—Vou ficar papai.

E com exceção de Masao, todos atravessaram o portal e Gokudera sentiu seu coração ser partido novamente.

***

Tempos depois, Gokudera estava sentado em uma poltrona em uma espécie de escritório. Dela, o homem possuía a visão do centro da cidade italiana, havia um certo movimento típico do final da tarde. Alisava seu robusto queixo enquanto analisava as palavras soltadas por sua filha, prevendo os possíveis perigos que a mesma havia o avisado.

—Mestre? Mestre?

—Sim? -disse retornando de seus pensamentos e surpreendeu-se de ver sua versão mais jovem ao lado de Masao, logo recordou que foi ele mesmo que ordenara para que o chamassem. -Olá Hayato. Deixa-nos Masao.

A versão mais jovem permaneceu de pé de braços cruzados recusando sentar-se quando lhe foi oferecido.

—Está agitado hoje, Hayato.

—Mas é claro. Estamos correndo contra o tempo.

—Como está Tsuna?

—Décimo disse que sente mais instável a cada dia.

—Não está ajudando a ficar perto de Yamamoto?

—Acredito que seja o fator que não o deixou cair de vez. Me diga...-Hayato colocou ambas mãos no encosto da poltrona rejeitada as apertando com força. -Quando foi oficializado como o braço direito do Décimo, ele o fez prometer...

—Para que o impedisse mesmo que custasse sua vida. Sim! Eu era um pouco mais velho que você quando tive que prometer, mas não havia me dado conta na época da tamanha importância de cada palavra.

—É a vida do Décimo em jogo.

—Hayato, penso que devemos ir para onde está a Floresta Amazônica. Pesquisamos as culturas das tribos que vivem lá e as áreas ainda não exploradas para agricultura. Das tribos, algumas citam seres espirituosos de luz em suas canções e lendas.

—Acredita que ela possa ser uma delas?

—Sim. Estás áreas somente estão intocadas por agricultores não apenas pelas leis ambientais, mas sim, a própria natureza não propicia a expansão do mesmo. Dizem que o que o homem branco da cidade planta não crescem raízes e a quem tentar fazer algo contra os animais simplesmente some. Pode ser onde a Anciã da luz esteja. Apenas não sei se deveríamos levar Tsuna na viagem até termos certeza.

—Corre o risco de não acharmos novamente.

—Mas ele aguentaria uma viagem dessa?

—Duvido que o Décimo aguente saber que estamos longe tentando achar a anciã. Alguém pode se aproveitar da situação. Há várias possibilidades.

—Siga sua intuição, Hayato. Sei que fará a melhor escolha. Masao e Fabricio os estarão acompanhando.

—Você estará acompanhando de longe?

—Sim. Mas preciso resolver algumas coisas vindas do meu tempo.

—Como o que?

—Sawada-san. Ele foi visto pelos nossos espiões e eu temo seriamente que ele possa vir a esse tempo. Sua versão jovem não foi eleita pelo ancião da água, ele pode estar planejando outra coisa.

—Com todas estas mudanças que ocorreram, como o seu tempo não foi ainda influenciado?

—Irie Shouchi e junto aos conhecimentos da anciã dos Dragões. Descobrimos muitas coisas, inclusive como viajar no tempo sem precisar trocar com a nossa outra versão. Basicamente, enquanto houveram pessoas que passaram pelo portal fora do seu tempo, eles permanecem inalterados, mas claro, é algo muito mais complexo. Se fosse ao contrário, criaria uma grande confusão no tempo.

—Quando se alterar, você irá permanecer com suas memórias?

—Acredito que apenas do seu tempo, mas o meu será apagado ou seremos apenas uma linha paralela, pelo menos é o que Irie acredita. Mas, apesar de estarmos resolvendo este conflito, temo que um novo acabe por surgir.

—Como o conflito com Byakugan.

—Exato. Quando o eliminamos surgiu o conflito com Sawada-san. E agora, muito provavelmente que Tsuna seja eleito pela anciã da Luz, teremos muitos eleitos juntos e isto pode causar outro conflito. Acredito que é algo que não possamos fugir.

Hayato sentiu uma suave mão passando pelos seus cabelos, pelo pescoço, queixo e lábios. Um sentimento inexplicável o inundou e seus lábios simplesmente mexeram. -Não. O novo conflito surgirá entre a nova geração da Vongola e ...- e as outras palavras que pareciam tão vívidas sumiram sem deixar rastros. Hayato olhou confuso para os lados, até perceber estranhos arabescos, estes não tomavam uma forma mais sólida, pareciam que ao um toque se despedaçaria com o vento. Sua estranha transparência dificultava sua leitura. Ele viu Scarlet no outro lado da sala o observando com um belo sorriso no rosto e desapareceu em seguida. Deu-se conta que seu corpo parecia leve, como se flutuasse e agora estava novamente colocando os pés no chão. Ele lembrou-se que havia sentido o mesmo quando vira as imagens do futuro antes de ser eleito.

—Hayato. Você está bem? -Gokudera estava à frente dele com o olhar de preocupação. -Viu algo com seus poderes.

—Scarlet...

—Scarlet!? Ela ainda está com você!?

—Ela nunca saiu do meu lado.

—Acho que isso finalmente confirma o que pensei a muito tempo. Quando Tsuna foi eleito, a última vez que a vi, me olhava como se a tivesse traído e nunca mais apareceu. Mais tarde, quando entendi as visões, eu vi que ela havia se frustrado com minhas ações já que afinal havia mostrado o que aconteceria e eu deveria evita-las. Mas... O que foi isso? O conflito virá da nova geração? Scarlet deixou você olhar para o futuro?

—Eu senti como se alguém colocasse palavras na minha boca.

—O passado mudou mesmo.

—Enfim, deixando isso de lado. E Epifania? Alguma notícia?

—Estão aqui na Itália. Por isso falo que acho perigoso Tsuna sair da Mansão Vongola.

—Mas se eles verem que nós saímos, eles irão atacar.

—Eles irão atrás de vocês se forem para a Floresta Amazônica.

—Pensaremos em um plano.

—Sim. Te chamarei mais tarde para discutirmos.

—Estou indo. – E Hayato fecha a porta e vê Masao discutindo com alguém.

—Está em reunião.

—Preciso falar com ele agora.

—Está ocupado.

—Eu acho que não. Olha quem está ali. -ele passa por Masao e olha Hayato e acena com a cabeça e entra na sala. Mas o símbolo da Giustizia no seu ombro não passou despercebido.

—Que!?

—Senhor!

—Masao, por que esse filho da mãe da Giustizia está indo falar comigo?

—Acordos, meu senhor, apenas acordos. Giustizia está afastada a muito tempo.

***

Na sala de Gokudera...

—O que faz aqui Marcos?

—Soube que Sawada-san está de volta à ativa. Você sabe que ele vai querer se vingar por ter mudado o passado dele.

—É claro que eu sei.

—Nos deixe matar Sawada-san deste tempo e acabamos com essa história. Sei muito bem que ele está quase caindo na escuridão.

—Ele ainda tem chance. Matar a versão passada de Sawada-san nunca foi a solução.

— Esse sempre foi o objetivo da Giustizia. Você criou esse grupo para esta finalidade.

—Para o Sawada-san do nosso tempo e não sua versão mais jovem.

—Passamos tudo isso porque você foi frouxo e não quis cumprir sua promessa com seu ex chefe. Você devia ter o matado a anos atrás, pois como eleito é o único que possui tal capacidade. Iriamos conseguir se Irie não tivesse inventado essa merda de máquina do tempo, para você traçar esse seu planinho de resgatar seu chefe querido e Epifania roubar nossa tecnologia! E eu me pergunto, para que!?

—Se eu não consigo salva-lo a minha versão mais jovem irá.

—Não irá. Minha trégua acaba por aqui! Eu irei mata-lo e a Vongola voltará a sua glória sob sua liderança até aquele pirralho do Kenjiro poder assumir. -Marcos é virado com tudo no chão e seu pescoço é pressionado com todas as forças, sendo sufocado.

—Hayato! Largue dele!

—Seu desgraçado. Você não irá tocar em um fio de cabelo do Décimo!

—Saia daí senhor. -Masao começa a puxa-lo com tudo.

—Me largue seu idiota. -Uma vibração sai do corpo de Hayato afastando Masao o jogando perto da parede. Algumas labaredas de fogo surgem desta vibração lançando no tapeto pequenas faíscas de fogo. Hayato olhava assustado para o chão e Marcos aproveitou para joga-lo longe dele.

—Parece que alguém começou a descobrir suas outras habilidades. -comentou Marcos.

—Cala boca. -ordenou Gokudera.

Hayato recuperou o fôlego e olhou para a sua versão adulta com raiva. -Você criou a Giustizia! Você tentou matar o Décimo!!!

—Sim Hayato! Eu criei a Giustizia para eliminar Sawada-san do meu tempo. Mas Marcos virou toda a história ao vir tentar mata-lo no passado.

—Você está cego Mestre! Não vê que está é a melhor solução! -afirmava Marcos.

—Marcos, localizamos a anciã da Luz. Ao invés de vira-se contra a Vongola, nos ajude a conseguir chegar até ela. Sabe muito bem que a liderança de Tsuna é o melhor para o futuro da Vongola.

—Este garoto já está perdido.

—Você ajudou muito com isso desgraçado, na corrupção da alma do meu chefe! -afirmava Hayato pegando Marcos pelo colarinho. -Você deve isso ao Décimo!

—Tire as mãos de mim, neste tempo você é apenas um moleque que não entende nada.

Hayato rosna e seus olhos brilham em vermelhos. Marcos sente um calor repentino no peito até perceber que sua camiseta estava começando a pegar fogo. Hayato sorriu ironicamente e colocou uma de suas mãos no pescoço do homem. -Escute seu desgraçado, você colabora ou faço um churrasco agora mesmo da sua carne.

—Mestre... -disse Marcos sem fôlego. Gokudera estava encostado a mesa de braços cruzados portando o mesmo sorriso irônico de sua versão jovem. -Eu...Eu...Eu faço! -Hayato soltou ele com tudo no chão.

—O seu jeito de convencer os outros é estupendo Hayato. -disse Scarlet ao seu ouvido.

—Qual são seus planos? -indagou Marcos passando a mão pelo pescoço.

—Partiremos daqui a dois dias. -Afirmou Hayato. – Tenho algumas ideias.

***

Gokudera estava novamente na sala que havia sido eleito o braço direito de Tsuna. Junto a ele estavam Décimo, Ryohei, Yamamoto, Reborn, Claudio, Leonardo, Jack, Masao, Patricia, Fabricio e Iemitsu.

—Partir em dois dias sem saber a localização exata.

—Sim. Não temos muitas informações teóricas. Acredito que avançaríamos com uma visita em campo. Quando fomos atrás do ancião da natureza tivemos a possibilidade de senti-lo, acredito que possamos fazer o mesmo com a anciã da Luz.

—Eu quero ir junto.

—É perigoso demais Tsuna. Soubemos que Epifania está aqui na Itália. -afirmou Iemitsu.

—Na verdade, Tsuna ficar ou não resulta na mesma situação. Eles irão ver alguns de nós saindo do país.

—Estamos protegidos pela Mansão Leonardo.

—Leonardo tem razão. -Afirmou Fabricio. -Sawada-san, sua versão adulta foi vista no meu tempo, e ninguém aqui sabe o quão perigoso ele é.

—Não faria nada a sua versão mais jovem. -afirmou Reborn.

—Claro que não. Mas ele eliminaria qualquer um a sua frente. O Sawada-san do futuro e do presente são completamente diferentes um do outro.

—Se eu for junto, coloquei em risco a população que vivem próximos e na floresta. Mas se eu ficar, colocarei em risco a Vongola.

—Vamos clona-lo novamente então Tsuna. Confundi-los será a melhor coisa a se fazer. -sugeriu Claudio.

—Sawada-san consegue identificar clones. Ele vai saber assim que sentir a energia dele. -afirmou Fabricio. -O máximo que conseguimos é um pequeno atraso.

—Este pequeno atraso pode ser nossa vitória. -afirmou Claudio.

—Não sabemos a localização exata da guardiã. Isso pode levar dias.

—Se a forma que ele identifica é pela energia, podemos resolver isso. -Afirmou Patricia. -Eu consigo fazer que o clone emane energias de Tsuna-kun.

—Acho que essa seria a nossa melhor ideia. -afirmou Gokudera.

—Tsuna, o que você decide? -indagou Reborn.

O rapaz ficou alguns instantes reflexivo.

O seu lado obscuro observava o exterior pela janela do quarto do chefe quando ouviu seu colega mexer-se, correndo rapidamente ao seu lado. O lado da luz abriu os olhos e lhe recebeu com um fraco sorriso. -Temos uma decisão difícil a nossa frente. -sua voz soava como cristal.

—Sim. Não sei se resistiremos.

—Por que?

O lado obscuro colocou o lado da luz em seu colo e o levou até a janela. O jardim da mansão estava envolto por sinais azuis advindos do ancião da água. Nos limites, estava a maior nuvem negra avançando vagarosamente para o lugar.

—Meu deus!

—Aquilo, é muito mais forte que eu, como temi. -disse o lado obscuro. -Serei controlado.

—Se aquilo tomar conta de nossa alma, podemos causar muito mais prejuízos se não formos ao encontro da ancião da luz.

Ele largou seu colega sentado na cama. -Eu estou com medo de ir até a anciã, mas aquilo lá fora me faz temer mais.

—Vamos nos agarrar a este fio tênue de esperança, meu caro amigo.

—Eu irei. -disse Tsuna levantando-se. — Vamos nos agarrar a este fio tênue de esperança, meus amigos.

Todos mexeram a cabeça concordando e Tsuna olhou profundamente para Gokudera e o mesmo entendeu o recado engolindo em seco, se algo desse errado o impedir a todo custo.

Notas finais
Espero que tenham gostado. O próximo capítulo pretendo postar no próximo final de semana. ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.