Céu Obscuro
4 Conflito
Notas iniciais
Ao longo do trilho da vida, passam muitos vagões contendo felicidade e outros os fatos mais terríveis. A luz e a escuridão deixam marcas profundas e são lembradas com facilidade pelos indivíduos, na qual, objetos e situações semelhante logo nos faz lembrar desses momentos passados. Tsuna já havia enfrentado muitas situações graças a Vongola e consigo sair-se bem, mas nenhuma delas foi tão marcante quanto a mulher de cabelos carmesins. Apesar de o fato ainda ser recente, Adelina com certeza caminharia na mente do rapaz por muitos anos, já que seus jogos psicológicos com o garoto duraram por tanto tempo comprometendo até a sua alma.
O mesmo temor que sentiu por um ano estava voltando a tona naquele dia, primeiro a flecha, agora o Paolo que era um homem loiro lembrando-lhe a Claudio, ao seu redor apareceram homens com roupa azul escuro utilizando máscaras recordando dos capangas da víbora. Seria possível que o grupo dela havia planejado uma vingança contra ele? Ele apenas não compreendia quem seria Kenjiro e por que o estava protegendo.
–Você não conseguirá derrotar todos nós garoto!
–Eu não estou sozinho caso não tenha percebido, os guardiões do chefe Vongola.
–Nossos poderes se igualam aos deles. Não será um problema.
–Fique perto de mim Tsuna-kun. –ordenou Kenjiro. Pela visão lateral ele viu uma chama ardente ao seu lado, era o rapaz usando sua Vongola Gear.
–Quem são vocês? Por que estão atacando a Vongola? – indagou Tsuna.
–Somos a Giustizia, caro chefe Vongola! Nosso objetivo é livrar este mundo da sua existência. – Paolo apontou um rifle em direção ao rapaz.
–Vocês são capangas de Adelina querendo se vingar?
Paolo riu sarcasticamente. – Capangas de Adelina? Somos muitos superiores a estes lixos. Como se estivéssemos à intenção de vingar uma louca!
–Para quem trabalham?-indagou Reborn.
–Somos um grupo independente.
–Eles são loucos Família Vongola. Não os escutem! Temos apenas que nos livrar deles.
–Os únicos loucos são vocês Epifania!- e Paolo iniciou os ataques com seu rifle portando chamas da tempestade.
Os outros membros da Giustizia seguiram as ações do homem loiro e caíram em cima do grupo desbravando ataques com armas vermelhas e brancas. Gokudera manteve-se lançando os ataques à média distancia e protegendo as duas meninas. Tsuna e Kenjiro focaram-se nos homens que estavam nas árvores, Yamamoto e Reborn nos que estavam no solo.
Fabricio que estava escondido em um dos telhados pegou um rifle a longa distancia que estava em uma mochila próxima dali e mirou esperando o momento apropriado. O garoto conseguia dissipar ataques com suas balas portando chamas do sol de forma cautelosa.
Paolo atacava Tsuna constantemente com suas balas rápidas e de mira perfeita, teria sido um pouco mais fácil desviar delas se o jovem ainda não estivesse zonzo, tendo em sua visão balas duplicadas.
–Que pena a flecha não ter-lhe atingido em cheio. Estaríamos sem você agora.
–O que eu fiz para querer me eliminar?
–Cometeu pecados terríveis, sua escória!!!- e ele começou a atirar mais balas pela repentina raiva.
–Eu não cometi nada!!!
Paolo não o respondeu, apenas continuou a lançar mais ataques. Tsuna ficou frustrado com a posição do homem e voou diretamente para ele sem se importar com as balas raspando os seus braços. Grudou na cara do homem e o levantou até ficar com os pés flutuando.
–Porque estão atrás de mim?- disse grosseiramente.
–Você é um lixo!
Tsuna com raiva o lançou para o chão, voou rapidamente até onde ele estava e o ergueu pelo colarinho ameaçando esmurra-lo.
–CONTE-ME!!!
–Es-es-escória...
–Tsuna-kun, o que está fazendo!?- comentou Kyoko espantada com o comportamento do namorado.
–Kyoko, você sabe o que está acontecendo com a alma do décimo. Dê um desconto desta vez. – falou Gokudera.
–É assustador!
–Ataquem o chefe Vongola!!!Olhe o que está fazendo com Paolo.- falou os companheiros do homem loiro.
–NÃO!!!- gritou Kenjiro já atacando alguns deles.
–TSUNAA!!! Largue dele!!!- ordenou Reborn.
–Diga-me!!!
Paolo ri. – Adeus!
–Hã?- Quando Tsuna olhou para o lado uma bola com chama do trovão ia em direção a eles. Ele larga o homem no mesmo instante para tentar se desviar.
–1,2,3 e lá vai!- Fabricio atirou na bola e a desviou a alguns centímetros deles. Ele riu pelo seu feitio. –Ahá! Pai fique orgulhoso de mim!
–Giustizia!!! Enfrentem nossa força. – gritou um homem com mais cinco membros atrás dele.
–Droga, o capitão da Epifania! Se retirem!
Mais rápidos que lagartixas, os membros da Giustizia se retiram do local, sem deixar rastros. Tsuna mal viu Paolo saiu de perto dele e sumir. Quando se virou para trás, os outros homens incluindo Kenjiro haviam sumido também.
–Quem são esses malucos? O que querem com o décimo?
–Não estão ligados a mulher que raptou Tsuna-kun?
–Aquele homem que eu estava lutando disse que cometi pecados terríveis. Mas quais seriam?
–O seu novo amigo poderia dizer alguma coisa décimo. Temos apenas que acha-lo, amordaça-lo e faze-lo falar.
–Sem exageros Gokudera-kun.
–Hahaha, será que não confundiram você?
–Eles falaram que queriam eliminar o chefe Vongola, idiota!
–Hahi! Tsuna sendo perseguido pela máfia! Não vai acontecer com o Gokudera-kun, não é.
–Não comece a ficar desesperada por nada, boba.
Enquanto os jovens discutiam, Reborn achou resquícios de balas próximas a eles e iniciou uma analise.
“Estas balas parecem familiares!”- pensou o pequeno homem.- Vocês deveriam ir para casa descansar. A Vongola iniciará uma investigação nas provas que temos.
–Reborn...
–Ele tem razão Décimo. Hoje foi um dia cheio.
Dito isso, todos se dirigem para seus destinos. Kyoko foi para a casa com Tsuna e Reborn, Yamamoto seguiu para casa e Gokudera deixa Haru em casa, e estava retornando para o seu apartamento quando algo inusitado ocorreu.
–Onii-chan!!!- gritou uma criança agarrando uma das pernas do rapaz.
–Você!? A garotinha do parque!
–Onii-san onde você está indo?- indagava ela com um sorriso encantador.
–Para casa. –ele ajoelhou-se. –Onde está o seu mordomo?
–Masao-san? – ela olha para os lados. — Acho que ele sumiu!-disse ela em tom mentiroso.
–Está mais parecendo que você sumiu de perto dele.
–Lavina é muito distraída.
–Lavina!?- repetiu Gokudera assustado. — Esse é o seu nome?
–Sim.
Tal resposta deixou Gokudera pensativo.
–Onii-chan? O que foi?
–Err...Nada! Onde você o viu pela última vez?
–Em casa.- disse sorridente.
–Não me diga que fugiu!?
–Lavina estava entediada e então Lavina resolveu passear.
Gokudera suspirou, parecia que ia ser uma longa tarde. –Sabe onde mora para eu te levar até lá?
–Sei sim!- disse sorrindo.
Casa dos Sawada...
Kyoko estava sentada em uma almofada no chão e encostada na cama de Tsuna, enquanto via o namorado largar dois copos de sucos de laranja e uma tigela de biscoitos na mesa baixa.
–Não deveria estar descansando Tsuna-kun?
–Sua-sua companhia me faz me sentir recuperado. –disse corado e passando a mão no cabelo. Kyoko riu discretamente com o jeito tímido dele. O jovem sentou ao lado dela e a garota descansou sua cabeça no ombro do rapaz.
–Pensei que ia perder você hoje.
–Eu fiquei nervoso, mas deu tudo certo. Apenas atrapalhou nosso encontro.
–Mas assim está muito bom também. – disse ela corando e se aconchegando mais nele.
“Eu gostaria muito de perguntar até onde ela e o clone chegaram mas... Claudia deveria ter deixando eu acessar essas memórias.”
–Tsuna-kun...
–Sim!- disse ele voltando os pensamentos.
–Aquele rapaz, Claudio-kun, irá demorar muito para purificar sua alma?
–Espero que não. Por que?
–Hum...O que você fez a aquele homem hoje foi assustador...
–Você tem medo de mim?
–Não tenho, é que nunca te vi agir daquela forma.
–Eles me avisaram que se minha alma for corrompida eu posso me tornar igual a Adelina.
–Isso não vai acontecer!- ela se ajoelhou-se diante dele e colocou uma de suas mãos em seu rosto.
Ele sorriu e tocou a mão dela.- Não vai acontecer porque eu não deixarei. Se Claudio não conseguir, eu em afastarei de todos. Não quero machucar ninguém a quem amo.
–Não! Eu rezarei para que ele consiga logo. – os olhos delas encheram de lágrimas.
–Não chore!- ela a puxou pelo queixo e a beijou.
Kyoko sentou no colo dele e lhe beijou ardentemente. O rapaz colocou suas mãos na cintura dela e a puxou para mais perto de si. Logo sentiu mãos macias acariciarem seu peitoral, fazendo-lhe sentir algo excitante e no impulso tirou a camisa dela, seguindo com sequência de pequenos beijos. Ele se atrapalhou para tirar o sutiã dela, tendo que a própria retira-lo, mas que não atrapalhou em nada o clima, que se seguiu fervendo por muito tempo.
As ruas de Nanimori.
–Você não havia dito que sabia o caminho de casa!?
–Mas Lavina sabe.
–Admita que está perdida! Quanto tempo faz que saiu de casa?
–Humm, muito tempo eu acho. Olhaa onii-san!!! Parquinho. – ela correu para uma balança e Gokudera atrás dela.
–Lavina!!!
–Onii-san brinque um pouquinho com a Lavina.
–Eu tenho que te levar para casa. Não há tempo para brincar.
Ela o ignorou e ele sentou no balanço ao lado dela suspirando. –Seus pais devem estar preocupados. – o rapaz percebeu que o sorriso desapareceu do rosto da garota.
–Eles não estão lá.
–Saíram e deixaram você com o mordomo?
–Não, faz tempo que os pais da Lavina não moram com ela.
–Como assim?- indagou Hayato temeroso.
–Papai disse a Lavina que era melhor ela ficar morando aqui do que com eles. Mas prometeu me buscar!
Gokudera ficou por segundos pensativos e tentando entender o que aquela garota estava passando. Talvez a sua fuga estivesse fazendo algum sentido.
–LAVINAAA!!! LAVINAAA!!!- gritava o mordomo.
–É aquele cara.
–Lavina, finalmente te encontrei. Venha aqui!!!- Masao ajoelhou-se abrindo os braços para ela. A garota correu e o abraçou. -Não faça mais isso. Quase nos matou de susto!
–Não se preocupe Masao-san. Lavina estava com Onii-san.
–Onii-san? –indagou o homem e ela apontou para Gokudera, deixando Masao branco.- O que eu te falei?
–Viu um fantasma imbecil?
– N-não. Não pense mal de mim, agradeço por o senhor por ter protegido Lavina. Até mais. Vamos!!!- Masao- puxou Lavina pela mão.
–Tchau Onii-san.
–Tchau.- disse Gokudera com olhar intrigado. –“O que esse cara tem afinal?”.
Já em outra rua...
–Jovem dama, eu lhe avisei sobre não ficar perto deles.
–Lavina encontrou Onii-san por acaso.
–Perdoo-me jovem dama, mas eu a conheço desde pequena e sei que planejou este encontro.
–Masao-san, você é muito chato!
–Estou seguindo ordens minha cara.
–Não a siga Masao-san. Papai e mamãe vão entender.
–É para o seu próprio bem.
Pela noite, na casa dos Sawada...
Analisamos as provas que temos Tsuna, e a flecha realmente estava envenenada. Teve sorte de apenas uma pequena dose tê-lo atingido.
–O que você está dizendo!? Que eu poderia ter-ter- falava ele desesperado.- Ahhhhh! Onde eu estava com a cabeça de aceitar a ser chefe da Vongola!? Estaria livre de tudo! Quero voltar atrás.
–Tsuna Idiota. Fugir não resolverá nada. Outro detalhe, aquelas flechas foram desviadas! Havia raspões e restos de balas nelas.
–Mas eu não ouvi nenhum baralho de tiro.
–Uma arma silenciadora poderia ter feito isso. Aconteceu o mesmo com a bola de energia que ia acerta-lo, mas foi desviada com balas.
–Deve ter sido algum daqueles caras estranhos que fez isso. Afinal quem são esses tal de Epifania e Giustizia!? E afirmando absurdo que o decimo cometeu pecados terríveis.
–Surgir grupos querendo matar Tsuna até entendo, mas não vejo sentido do tal grupo Epifania tentar protege-lo.
–A Vongola não investigou os dois?
–Sim, mas não foi encontrado nada. É como se eles não existissem.
–Bem, pelos sotaques ambos os grupos possuem membros italianos e japoneses.
–Peculiaridade interessante.
Itália...
Claudio cochilava sobre um antigo livro com folhas comidas pelas traças, manchando as páginas com seu babo. O ronco podia ser ouvido do corredor, irritando alguns membros do lugar, eles só foram supridos quando Squalo caminhava ligeiramente pelos corredores até a porta da biblioteca com um embrulho azul em mãos. Quando viu o sono profundo que o loiro se encontrava, gritou seu tipico “voi” que fez o homem literalmente cair da cadeira.
–VOIIIIIIIII!!! EU NÃO DISSE PARA CUIDAR DOS LIVROS IDIOTA? Seu babo asqueroso manchou as páginas!!!
–Hã? Babo?- indagou Claudio afagando suas nadegas doloridas pelo tombo.
–Isso aqui, imbecil!- Squalo pegou o livro e o esticou no ar, escorrendo o fluindo pelas páginas até o chão. Claudio imediatamente começou a esfregar o rosto incrédulo de ter estirado a cabeça naquele livro empoeirado. A condição atual do livro pouco lhe importava.
–Isso aqui chegou para você!
Squalo soltou o embrulho na mesa com sua típica delicadeza, que um grande eco pode ser ouvido por toda a sala. Claudio levantou-se e observou ligeiramente o embrulho retangular na mesa, sem o endereço do remetente. Supôs que fosse algo de Leonardo. O homem de longos cabelos pratas o encarava já sem paciência pela falta de iniciativa do rapaz em abrir logo aquele pacote. Quando Claudio percebeu o olhar tenebroso, correu suas mãos pelo embrulho ligeiramente arrancando-lhe e para o seu desgosto era mais um livro de capa azul e letras douradas.
–Achei que fosse algo mais interessante. – disse Squalo já se dirigindo para sair da sala. Claudio concordou mentalmente com o homem.
Sem mover um dedo para folheá-lo, deixou o livro exatamente onde estava e olhou com desprezo para o exemplar que havia cochilado. Sequer moveu o olhar para as pilhas de livros em cima da mesa e caminhou até a janela. Suas mãos estavam ressecadas pelo contado com o pó, seus olhos ardiam e suas têmporas pulsavam. Temia que sua busca não terminasse tão cedo, prevendo que acha-se a solução em um ano, mas pelo progresso levaria muito mais.
Durante aqueles dias havia conseguido ler três livros com linguagens arcaicas e de difícil entendimento. Um escrito em inglês e dois em italiano, contavam fábulas e lendas antigas de alguns países, que Claudio fez algumas anotações e ia sugerir uma busca por tais lendas.
O principal objetivo de Claudio era encontrar algumas pistas sobre os Anciões que doaram poderes para o seu pai e Leonardo. Quando indagados, ambos não foram de muita ajuda já que encontraram tais seres por mero acaso e seus mestres recusavam doar tais informações. Com certeza esses seres conseguiriam purificar a alma de ambos os garotos.
A cada dia que passava o arrependimento era latente em seus sentimentos. A biblioteca antiga era a sua prisão, os livros seus colegas e a Varia os guardas, as únicas diferenças eram comida boa, cama confortável e a chance de consertar seu erro.
Suspirou e sentou-se novamente diante do livro, imaginando como iria ler aquilo borrado pelo seu babo. Pelo que recordava, era acerca de uma lenda sobre um pai decepcionado com o filho e o obrigou a sair de casa, seu retorno seria aceito apenas se ele trouxesse uma prova que havia mudado. Claudio riu em ironia recordando da reação do seu pai sobre o pedido da Vindice: “Não é mais que sua obrigação consertar isso.”. Disse com sua típica rudez. O rapaz devia tê-lo decepcionado muito, apenas recebia mensagens da sua mãe, Patrícia e Marcela deixaram claro que não o queriam ver por muito tempo.
Saindo dos seus pensamentos olhou o livro, pegou um lenço do bolso e colocou embaixo da página molhada torcendo para que fica-se no mínimo um pouco nítido para ler. Pegou um novo livro da pilha e iniciou a leitura, sendo interrompido pelo ronco do estomago.
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