Céu Cinza

1 ❥ — Chuva majestosa.


Notas iniciais
Oi, gente! ♥ É tão bom estar de volta depois de todos os últimos acontecimentos com o otp! ╮(╯▽╰)╭ Esse aqui é um rascunho que escrevi após as teorias pessimistas que encontrei no Tumblr, hehehe. Feito de última hora, mas com todo carinho em cada palavra. Enfim, espero que gostem!

E então, sem um único aviso prévio, a gravidade cai em um espaço vazio. Há um silêncio perturbador e mortífero no ar, que perdura até que o corpo desprovido de sequer um sopro de vida desaba indefeso sobre o chão castigado. A poeira que fica momentaneamente suspensa no ar não é capaz de apagar aquela cena, e o tempo parece congelar bem diante de seus olhos.

Gray não consegue mover um músculo para evitar o atrito do corpo com o solo. Seu cérebro não consegue comandar seus movimentos, pois seus olhos podem ver, mas não compreendem aquela cena de início.

Corpo. Sem vida. Ao chão.

Quando o bombardeio de informações finalmente o atinge, a situação repete inúmeras vezes em seu subconsciente. Ele percebe seus últimos momentos de vida; os cabelos azuis entregues à brisa quando o corpo é atraído ao solo, seus olhos se fechando para sempre, seu peito subindo em busca de ar, os músculos trêmulos perdendo movimento.

Há um tremer de lábios e palavras sofridas são sussurradas ao vento. Não consegue ouvi-las. Suas últimas palavras. Foca o olhar na forma que os lábios se mexem ao pronunciar cada sílaba.

"Gray-sama", chama entre pausas que mostram notável sofrimento. E dor.

Ele não conseguira reagir a tempo de pegá-la em seus braços.

Há devastação em todo lugar, mostrando os indícios da guerra pela sobrevivência do mais forte que ocorreu bem ali. O corpo de Juvia ao chão está rodeado por uma poça de sangue em um vermelho vivido que aumenta de tamanho cada vez mais rapidamente. Suas feridas estão abertas e se espalham por cada pedaço de pele que seus olhos percorrem, expulsando mais do líquido rubro. São cortes profundos, círculos arroxeados e queimaduras que formam bolhas que os pedaços que sobraram de suas roupas rasgadas não podem cobrir. Seu rosto mostra um inchaço incomum e um filete vermelho escorre pelo canto de sua boca, resultado do esforço para com suas últimas palavras.

O corpo do mago de gelo é alvo de calafrios constantes, que ele sabe que não poderia evitar mesmo que estivesse severamente agasalhado. É um frio que nunca esteve preparado para suportar. Faz seus músculos e lábios tremerem sem parar. Sua pele se torna mais fria que de costume, adquirindo uma tonalidade levemente arroxeada. Seus braços e pernas se tornam rígidos. Seu coração palpita muito rapidamente para que possa acompanhar.

E então, a dor lhe atinge em cheio.

Uma dor dilacerante em seu peito, como se seu coração fosse comprimido em restos. O chamado de Juvia por seu nome estoura repetidas vezes em seu subconsciente. Imagens distorcidas. A morte iminente. Gray sufoca, incapaz de inspirar ar suficiente. Não consegue mais ver nada em sua volta.

Seus dentes rangem como de uma fera selvagem em fúria e seus olhos arregalados ardem em vermelho. O mesmo vermelho que cobre o corpo de Juvia. Sua visão fica embaçada ao que as lágrimas que se acumulavam no canto de seus olhos encharcam seu rosto.

Um trovão é ouvido ao fundo quando seus olhos encaram o céu acima de sua cabeça. O fluxo de lágrimas não cessa. E então ele dá um grito ensurdecedor na direção do céu, como se pudesse competir com o som gerado pela onda de choque, que dribla a saliva amarga da boca e os soluços do choro compulsivo.

O céu de Magnólia é preenchido com um tom cinzento numa coloração macabra quando pesadas nuvens se fazem presentes e cobrem a luz do dia, formando um véu de desolação. O vento soprava forte em aviso de uma premonição antecipada para as fadas que ainda de pé lutavam, à mercê da sorte, contra as forças malignas por suas vidas e de seus preciosos companheiros.

Há relâmpagos que geram clarões no céu obscuro ao cortá-lo, como se fossem uma explosão de luz capaz de cegar. Até que a chuva começa a cair, molhado corpos machucados e trêmulos. A água que cai é logo absorvida pelo solo seco assim como o sangue derramado. O peso do mundo desabando em suas cabeças cheias de preocupações como um grande balde d'água fria. Como se o céu tivesse explodido o paraíso em uma chuva devastadora e majestosa.

A magia de gelo que Gray possui é liberada por cada célula de seu corpo em uma forma devastadora ao que as machas negras marcam seu corpo e rosto. Ao fechar os punhos e gritar ao céu, instantaneamente, cada pingo de água se transforma no mais puro gelo já manipulado pelo mago da Fairy Tail.

A fúria da chuva é então substituída pela lentidão com que os flocos caem das nuvens obscuras. A paisagem destruída é forrada pelo branco límpido e calmo.

Forma-se lentamente uma camada de gelo no chão e corpo de Juvia é então coberto por finos flocos de neve que são embebedados pelo sangue que mancha sua pele alva.

O corpo cansado e abalado de Gray cede sobre seus joelhos, caindo assim ao lado do corpo da companheira. Ele não sente o aconchegante calor que emanava de seu corpo. Então espera pelo chamado doce e apaixonado característico de Juvia, mas ele nunca é captado por seus ouvidos.

Ele procura consolo ao enterrar seu rosto no peito da maga de água, mas a ausência do martelar dos batimentos cardíacos de Juvia em seu ouvido o sufoca novamente. Então, chora. Chora como nunca. O frio o domina novamente e o faz tremer. Não faz força nem para respirar, perdendo o fôlego. Os gritos agonizantes presos na garganta.

— Por favor — suplica ele entre soluços. Com a voz sofrida e nasalada por conta do choro excessivo. O rosto descansando entre o pouco tecido de roupa que cobre o peito da azulada. — Eu preciso de você ao meu lado. Eu preciso... De você.

Ele procura pela mão da maga em desespero, entrelaçando seus dedos nos dela com força ao encontrá-la fria. Agora, ele consegue entender.

Quando Juvia entrelaçava suas mãos e lhe prometia que nunca as soltaria, ele considerava muitas vezes um exagero da azulada. Agora, entretanto, ele consegue entender seu ato desesperado. A simples ideia de soltar sua mão e deixá-la ir, parecia lhe doer mais que balas perfurando seu corpo.

Não a deixaria ir. Não. Nunca a soltaria.

Sente necessidade de sentir o aperto forte em sua mão que não vem. E então o desejo de ter uma segunda chance lhe atinge bruscamente.

Uma segunda chance para lhe dar sua resposta, para retribuir seus sentimentos com a mesma sinceridade, para fazer tudo como deveria ser ou para beijá-la.

Agora, entretanto, era tarde demais.

E toda a água congelada que cai do céu cinza em flocos finos e dança no vento é pura como as lágrimas de seu coração.

Notas finais
Então, eu preferi deixar o que aconteceu com a Juvis em aberto porque aposto que cada um tem sua própria teoria sobre o que pode ter acontecido. Queria mesmo focar no Gray e em como ele se arrependeria por não ter lhe dado sua tão esperada resposta. Foi uma inspiração que me surgiu do nada, então vão logo desculpando se faltou alguma parte mais elaborada e tudo. Escrevi como imaginei mesmo! \(T∇T)/ E, ah! Digam que minhas últimas palavras foram: DESCULPA! Bjks! E obrigada pela atenção! (。・ω・。)ノ♡
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!