Céu Castanho

1 A floresta nos olhos castanhos


I.

O cigarro estava encaixado perfeitamente em sua boca, a fumaça subia ao redor do seu rosto e tudo que nos restava era ver a neblina florestal lhe cobrir os lábios selvagens e o sorriso aguçado com os dentes de um felino feroz.

II.

Ele me olhava com seus olhos castanhos escuros, tão selvagens quanto seu sorriso e sobrancelhas rebeldes lhe permitiam, aqueles mesmos olhos de terra molhada de uma floresta temperada na época de inverno, que podiam ser também tão aconchegantes quanto só as velhas árvores conseguia.

Eu me sentia paralisada, sugada para um universo com o céu marrom como avelã, seus olhos e sua pele, ambos em tom chocolate, tendo-o envolvendo tudo ao meu redor, suas cores cobriam o mundo... O meu mundo... E eu estava presa nas garras do meu felino, indo cada vez mais fundo na floresta dos seus olhos, e ele ainda não havia nem sequer dado um passo...

III.

Havia algo de muito caloroso nele que não podia ser explicado tão facilmente e eu o esperava, frio e distante como a floresta temperada — que escondia em seus olhos — no inverno, onde o silêncio é barulhento e perturbador e a única promessa de dias bons é o presságio de que em algum momento virá dias quentes. E o presságio era claro, estava a se cumprir... Os dias quentes se aproximavam, ele se aproximava...

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