Cygnus - Fallen

5 Verão, Dominique e 3° Ano


Notas iniciais
Cygnus é mal nesse capítulo D=

Verão e Dominique

Lily e Virgo estavam num entusiasmo sem limites. Hogwarts estava chegando para elas. Como todas as vezes, as duas estavam no meu pé, mais do que nunca, aliais, pois Hugo foi aceito no grupo do meu irmão.

Eu poderia gastar horas aqui falando de como eu passava o tempo com minha irmãzinha e com Lily. Mas isso não vem ao caso.

Mas gostaria de contar sobre algo que me ocorreu quando estávamos na Toca. Tanto eu, quanto Scorpius já tínhamos treze anos e estávamos ficando mais e mais diferentes.

Ainda tínhamos a mesma altura, mas Scorpius estava engordando. Ele estava deixando o cabelo crescer, para que ficasse igual ao de nosso avô Lúcio. Ele disse para que eu deixasse o meu crescer para ficar como nosso avô Sirius, mas eu não quis. Já era irritantemente parecido com Remo. Não queria ficar mais ainda.

Quando chegamos na Toca, Lily já estava lá e correu até mim com um livro nas mãos, querendo brincar de representar.

— Lily. Cygnus já grande demais para brincar disso! – ralhou James.

— Não é não. Vamos, Cyg! Por favor! É Romeu e Julieta!

Eu não tinha ideia do que era aquilo.

— Desista, Lily. O Cygnus não quer brincar com você ou com Virgo.

— Mas eu quero que ele brinque! – pediu minha irmã – Eu quero ser o Mercúrio!

— Mas ele é um menino! — disse Hugo.

— E daí? – perguntou Virgo – Ele é muito mais legal do que o Romeu. Cygnus. Você vai ser o Romeu.

— Eu não quero brincar.

— Quem vai ser a Julieta? — perguntou Lily. Então ela saiu correndo e voltou com Dominique. – Nini vai ser a Julieta.

— Quem vai ser o meu Romeu? – perguntou Dominique. Meu estômago fez um movimento esquisito. Dominique era muito bonita. E os cabelos dourados dela eram belíssimos. Mas no momento eu olhava as belas coxas expostas por uma mini saia e os seios provocantes dentro de um decote.

— Eu sou o seu Romeu. – disse Scorpius com um sorriso enorme. O olhei com descaso.

— Não. Você vai ser o pai da Virgo, porque é loiro! – decidiu Lily com o livro nas mãos. – E o Remo vai ser o pai do Cyg!

— Eu não quero brincar. – repeti indiferente. Estava para sair quando Dominique me abraçou por trás e eu senti os seios dela contra meu pescoço

— Vai brincar sim. Vai ser o meu Romeu.

Eu só tinha treze anos, mas minha imaginação era bem fértil.

— Eu quero ser o seu Romeu! – resmungou Scorpius – Por que o Cygnus sempre se dá bem? Que saco!

Eu não sei se você conhece a história de Romeu e Julieta. É algo bem trágico, bem parecida com as histórias bruxas. Foi uma brincadeira bem divertida, com Lily narrando a história como eu costumava fazer, e todos nós representando. Logo James e Ted entraram na brincadeira. Assim como Hugo, Rose e Albus. Lily tinha um personagem para cada um.

Eu fiz uma declaração completamente monótona para Dominique. Mas ela falava com uma paixão e emoção que davam inveja. Fingi dançar com ela, apesar de não saber dançar. Depois nos escondemos em um armário para fingir que estávamos consumando nosso amor proibido. Mas antes que eu pudesse tirar qualquer casquinha de Dominique, que sorria e piscava muito para mim, Lily e Scorpius abriram a porta e falaram que era próxima cena.

Saí de lá sem deixar de notar o olhar de Dominique para mim.

Na próxima cena, tive que lutar contra Virgo. Encenamos uma batalha épica e ela morreu de maneira espalhafatosa, fazendo um longo discurso, até que James jogou uma meia nela e gritou.

— Morre logo!

Depois disso eu tive que fugir, Julieta quis fingir que morria e eu deveria beijá-la. Quando Lily disse isso, Scorpius reclamou novamente que queria ser o Romeu.

— É só um beijinho estalado, Cygnus. — disse Lily sem parecer gostar muito da ideia.

Olhei para Dominique, que se fazia de morta. Ela fez um biquinho para mim. Olhei para todo o corpo perfeitamente curvilíneo dela. Os cabelos dourados, que ficavam muito alaranjados no sol... Os lábios carnudos desejando o meu beijo.

Me curvei sobre ela e a beijei. Mas se seria meu primeiro beijo, eu o faria direito. Ficamos longos segundo nos beijando e eu senti a garota me beijar de volta.

— Era só um beijinho! – ralhou Lily.

Me levantei sorrindo e Dominique abriu os olhos e me deu um tapinha no rosto.

— Seu taradinho. – disse ela, mas seu sorriso era maroto e eu sabia que ela tinha gostado.

Terminamos a cena, comigo e ela mortos e então era hora do almoço. Comi muito rápido e fui para as escadas. Dominique veio em seguida e eu a puxei pela cintura. Tínhamos a mesma altura, ou ela era muito pouco mais alta. Não trocamos uma palavra. Apenas nos beijamos longamente naqueles degraus.

E adivinha quem nos flagrou? Sim. A Lily.

Dominique a fez prometer que não contaria para ninguém e eu pedi o mesmo. Lily pareceu muito chateada e eu no fundo sabia o porquê. Mas eu só via uma garotinha deslumbrada. Voltei a beijar Dominique e logo estava com os lábios tão vermelhos quanto os dela. Nos escondemos no antigo quarto da mãe de Lily e ficamos lá até a hora de irmos embora.

— Só não se apaixone por mim, em Cygnus. – sussurrou ela em meu ouvido – Só porque você é lindinho e beija bem, não quer dizer que eu queira um namorado.

— Não se preocupe, Dominique. – respondi para ela – Eu não seria louco de me apaixonar por você. — Ela me olhou com um pouco de mágoa e raiva, mas eu continuei – Não enquanto eu for apenas um menino. Mas quando eu estiver a sua altura, a gente conversa sobre namoros.

Ela abriu um sorriso presunçoso e saiu satisfeita. Fiquei um pouco mais no quarto, esperando meu sangue voltar para os lugares corretos, quando a porta se abriu e Lily entrou.

— Você estava beijando a Dominique! – disse ela como se estivesse me censurando.

— E daí? – perguntei com indiferença.

Lily correu até mim e subiu na cama ao meu lado.

— Eu quero um beijo também! – exigiu ela.

Eu a olhei segurando a vontade de rir.

— O que?

— Quero um beijo também. – repetiu ela.

— Eu não vou beijar você! – disse para ela, em tom de censura.

— Por que não?

— Você é só um bebê!

Mas Lily não era do tipo que se dava por vencida. Ela se sentou em minha barriga e me olhou zangada.

— Não vou sair enquanto não ganhar um beijo. – disse ela – E eu vou contar pro tio Bill que você beijou a Dominique.

— Conte. Sua prima vai ficar com raiva de você e não de mim. – respondi indiferente. Me sentei na cama e acabei derrubando a ruivinha no chão. Ela me encarou feio.

— Eu não gosto mais de você! – gritou ela.

E então saiu me deixando sozinho. A única coisa que fiz foi gargalhar cruelmente, enquanto a ouvia descer as escadas correndo.

Hogwarts – ano 3

Acho que Lily se arrependeu por dizer que não gostava mais de mim, pois ficou me adulando durante todo o percurso para a escola. Me oferecia doces, me mostrava alguns livros, ficava puxando conversa.

Estava tão óbvio que até Scorpius notou. Mas James o olhou feio e todos fingiram não ver.

Mas era simplesmente divertido ignorá-la.

— Lily. Pare com isso. – pediu Albus – Cygnus não gosta de socializar com as pessoas.

— Eu gosto de me socializar com as pessoas. – riu Pascal. Ele se virou para Virgo e sorriu daquele jeito que sorria para as meninas – Olá, gracinha? Quer socializar?

Óbvio que apontei a varinha para ele.

— Fique longe da minha irmã, Pascal. Isso não tem graça. – rosnei pra ele.

— Que isso, Cyg. Só estava fazendo amizade.

— Meu pai me falou pra ficar longe de você. – disse Virgo com autoridade. Ela se levantou e se sentou entre eu e Lily, que a olhou magoada.

Virgo foi mandada para Sonserina, é claro. E Lily para a Grifinória.

— Você é o único Potter Sonserino, Albus. Se conforme com isso. – riu Scorpius.

— Eles quem perdem. — disse Albus estufando o peito, como se desafiasse qualquer um a dizer que ele estava errado.

O jantar seguiu maravilhoso, como sempre. Mas tudo ficou muito melhor ao sentir Dominique me abraçar por trás.

— Olha se não é o meu Malfoy favorito?

— E você é minha Weasley favorita. – ri para ela enquanto meu irmão e todos os outros me olhavam boquiabertos. Dominique se sentou no meu colo e começou a petiscar a sobremesa, enquanto eu passava a mão em sua coxa.

Eu estava aprendendo rápido.

— Saiba, Cygnus, que agora eu sou monitora. – disse ela acariciando meus cabelos – Se você for um garoto malvado, eu vou ter que te castigar ouviu?

— Oh... Eu sou muito malvado. Pergunte para Mortaire. – ri com pouco caso.

— É melhor não, ou ele vai molhar as calças. – riu Pascal.

— Humm... Então você é um garoto malcriado? Nunca iria imaginar... Com esse jeitinho tímido e certinho... – murmurou ela brincando com os meus cabelos. – Bem... Tenho que voltar para a minha mesa. Só vim matar a saudade, ok? – perguntou ela me dando um beijo demorado no rosto. Depois olhou para as garotas da Sonserina e sorriu amavelmente – Ele é meu, então fiquem longe dele.

Selwyn, Yaxley e Rowle trocaram um olhar divertido, mas Shafiq e Flint reviraram os olhos. Me perguntei se ela estava tentando me fazer parecer mais interessante ou se estava mesmo marcando território, porque nunca se diz a um Sonserino que ele não pode ter tal coisa. Gostamos mais do que é proibido e ao falar aquilo, as garotas da Sonserina que nunca tinham reparado em mim, agora me analisavam como se nunca tivessem me visto antes.

Dominique deixou a mesa e eu voltei minha atenção para meu colega Pascal.

— Você escondendo o jogo. Desde quando está com Dominique Weasley? Ela é linda!

— Tivemos um amasso no verão. – respondi como se não fosse grande coisa.

— Ela é dois anos mais velha que você! – disse Remo, boquiaberto – Nem eu tinha chance com ela! Como fez isso?

Dei de ombros.

— Argh! Uma Weasley. Espera só papai ficar sabendo disso! – disse Scorpius zangado, como se ele nunca tivesse dado em cima dela.

— Mesmo? Não tinha reparado. Ela nem é ruiva! – disse com sarcasmo.

— E daí que ela é uma Weasley? – riu Pascal – Continua sendo bonita e gostosa. E põe gostosa nisso! A família Weasley é uma fabrica de mulher gostosa. Tá doido! – ele riu novamente e notei o olhar de Virgo de censura. Ela balançou a cabeça negativamente e voltou sua atenção ao bolo de laranja que estava comendo – Victoire, Dominique, Molly, Lucy, Roxanne... Até aquela Lily do primeiro ano é bonitinha...

— Pascal, a minha irmã não! – ralhou Albus.

— Isso mesmo. Lily é do Cygnus. – riu Remo – Quer uma bolacha, Cyg? Um sapo de chocolate, Cyg? Posso sentar no seu colo, Cyg? Posso entrar nas suas calças, Cyg? Cyg? Cyg? Cyg? Cyg? – brincou ele imitando a voz fina de Lily.

— Pare com isso! – disse Albus – Minha irmã só estava sendo gentil.

— Não. Você está sendo cego. Ela está caidinha pelo Cygnus. – riu Remo.

— O que você acha, Cyg? – perguntou Scorpius – Lily está ou não apaixonada por você?

Olhei para meu irmão e sorri.

— Não acho. – murmurei – Concordo com Albus. Ela só estava sendo gentil.

— Sim. Se oferecendo para aliviar as suas bolas. – brincou Pascal. Eu gargalhei com ele e nós dois desviamos da torta que Albus jogou em nós.

Atenção feminina

Depois que Dominique me fez o enorme favor de me deixar interessante para as meninas, socializar com elas passou a ser muito fácil.

Yasmin Yaxley era linda. Morena, dos cabelos cacheados, os olhos verdes. Aquela pintinha charmosa embaixo do olho. Ela sempre vinha puxar assunto depois das aulas, sempre me pedia ajuda com as matérias, sempre sorrindo e piscando demais pra mim.

Amanda Selwyn. Ela não era lindíssima como Yasmin, mas o jeito sensual dela. Não conseguia pensar nela sem lembrar de uma serpente. Também morena, os cabelos muito escuros e lisos, os olhos amendoados e uma cara de safada que deixaria qualquer um maluco. Sempre fazia piadas de duplo sentido, sempre gostava de me tocar quando conversávamos, fosse no peito, ou nas mãos, sempre me olhando nos olhos sorrindo daquele jeito travesso.

Freya Rowle era magra como um palito, com um ar normalmente sem humor. Era loira, com os cabelos levemente ondulados e os olhos entre o verde e o dourado. Durona e explosiva. Não era sexy como Amanda e nem belíssima Yasmin. Mas era uma garota com atitude. As três passaram a flertar comigo, mas a primeira que eu beijei foi Freya.

Não que eu tivesse tido muita opção...

Estava correndo indo atrasado para a aula de D.C.A.T. quando ela me jogou contra a parede e sorriu ameaçadoramente para mim.

— E não é que você é bonitinho?

— Obrigado. – disse indiferente.

— Sempre tão frio e certinho, não é, Malfoy?

— Esqueceu o indiferente.

— É verdade. Indiferente. – ela riu zangada – Escuta aqui. Você e aquela Weasley estão juntos?

— Por que quer saber? – perguntei arqueando as sobrancelhas.

Ela riu daquele jeito zangado pra mim e me beijou. Eu confesso que não esperava por isso. Mas logo a puxei pela cintura e a beijei de volta. Ela definitivamente era mais alta do que eu, mas nem liguei. Quando ela me soltou, para mostrar que estava satisfeita, sorriu pra mim.

— Foi divertido. Até mais, Malfoy.

— Eu nem comecei. Volte aqui, Rowle.

Não era como se eu fosse lamentar perder uma aula de D.C.A.T.

Depois de quase uma hora daquilo, fiquei satisfeito e me virei para ela.

— Por favor, não conte a ninguém. Não quero que Dominique fique sabendo. — disse com um sorrisinho.

Aquilo era um código dizendo: Conte pra todo mundo, mas finja que é segredo.

Yaxley e Selwyn pareciam me caçar pelos corredores. Sempre me cumprimentando, sempre me lançando olhares. Mas eu não estava interessado... Eu só tinha uma mulher em mente naquele momento. E ela estava morta...

Sim... Isso não pegou nada bem. Me desculpe.

Certamente me referi ao fantasma da Corvinal.

Não foi fácil cercar esse fantasma. Ela parecia saber que eu a estava procurando. Parecia fugir também. Mas eu não perdi as esperanças e depois de um mês inteiro, no meu curto tempo livre, ela se sujeitou a falar comigo. Mas não estava nada feliz.

— O que você quer, menino? – perguntou ela, parecendo irritada – Você é da Sonserina. Vá atentar o fantasma da sua casa!

— Me desculpe por incomodá-la, senhorita. – disse tranquilamente – Mas é justamente sobre ele que quero falar...

— Pois eu não tenho nada a falar sobre o Barão.

— Então me escute, por favor. – pediu ele – Não quero ser um estorvo. Só gostaria de saber mais sobre ele.

— Por que não pergunta para ele?

— Porque ele não me responde. Parece tão... Corroído por alguma coisa... Sempre fica zangado quando tento interrogá-lo. E eu gosto dele. É um dos meus poucos amigos aqui em Hogwarts... – soltei um suspiro passando-me por triste – Sou um garoto muito solitário.

— Você não parece alguém solitário. – disse ela com desconfiança.

— Mas eu sou. – disse com teimosia infantil – As pessoas me acham esquisito... Mas o Barão sempre gostou de mim, mas agora ele anda tão triste... Não quero vê-lo assim.

— E por que acha que eu poderia te ajudar a descobrir o que o Barão tem?

— Eu te vi na festa dele, no ano passado. – respondi me sentando em um degrau, sem tirar o olhar dela. – E ele olhava pra você com tanta tristeza... Depois me disse que te conheceu quando ainda eram vivos... Desculpe se te ofendo ao tocar nesse assunto. – adicionei com pressa – Sei que para alguns de vocês, é um assunto muito delicado. – a Dama Cinzenta me olhou com severidade e fez um olhar de desgosto.

— Você se parece com aquele outro menino.

— Que outro menino?

— Ele veio com palavras doces para mim... Desejava que eu contasse sobre mim, que eu me abrisse para ele. Confiei nele e ele me usou para fazer algo terrível...

— Está falando de Voldemort? – perguntei fingindo encolher – O Barão disse que eu me pareço com ele. É verdade?

— É. – respondeu ela. Estava para se virar quando eu disse o mais tristemente possível.

— Não queria ser... Ele quase destruiu a minha família. – Helena virou-se para mim com curiosidade, mas eu fingi não notar. Se tinha uma coisa que eu tinha aprendido é que meninas se abrem com mais facilidade quando nos abrimos primeiro – Ele torturou meu pai quase até a insanidade... Destruiu a varinha do meu avô... Toda minha família foi usada ou caçada por ele. Disse até que entregaria minha mãe para os lobisomens... – suspirei escondendo os olhos – Eu não sei o porque de parecer com ele, mas odeio quando as pessoas olham pra mim e veem isso. Só porque sou um Malfoy, só porque minha família se interessou por artes das trevas... Quantas gerações ainda terão que pagar pelos erros dos meus antepassados?

— Você é um Malfoy? – perguntou ela – O filho daquele Draco Malfoy? – Concordei cabisbaixo. – Foi ele quem destruiu a tiara de minha mãe.

Meu rosto não me traiu. Tenho certeza que não. Mas aquilo era muito mais do que eu teria imaginado. Ela era filha de ninguém menos que Rowenna Ravenclaw? A mesma Ravenclaw que escondera o Cajado de Salazar Slytherin?

— Eu peço desculpas... Por que ele faria isso? — perguntei tentando parecer confuso.

— O Lorde das Trevas a corrompeu. A transformou em algo maligno e colocou um pedaço na própria alma nela... Seu pai a destruiu para ajudar a derrubar o Lorde das trevas.

— Ele... Ele nunca tinha me dito isso... – murmurei. Soltei um suspiro e a olhei novamente.

— Por que fica me encarando?

Sorri o mais gentilmente que consegui para ela.

— Porque você é muito bonita. Mas me desculpe se te desagrada. – Ela não podia ficar vermelha, mas suas bochechas transparentes(ou o rosto) se tornaram mais opacas.

— Você é só um garotinho. – disse ela com frieza. Tentei fazer-me de magoado e desviei o olhar – Não estou brigando com você. – disse ela.

— Está tudo bem. – murmurei sem encará-la novamente.

— Ficou chateado comigo? Não ligo. — insisti no meu silêncio – O que quer saber sobre o Barão? – perguntou ela por fim. Quase saltei de alegria, mas tentei manter a feição de quem está triste e preocupado.

— Por que ele te olha daquele jeito? Com tanta dor?

— Porque ele me matou. – respondeu ela antes de atravessar a parede e desaparecer.

Entre fantasmas

Eu sempre cumprimentava o fantasma da Corvinal. Sempre lhe sorria amavelmente, mas nunca mais tentei procurá-la, apesar de sempre olhar para ela e desviar o olhar quando ela olhasse para mim. Não queria pressioná-la, mas não queria que ela pensasse que eu a tinha esquecido.

Perguntei ao fantasma da Lufa-Lufa se ele sabia de que coisas a Dama Cinzenta, ou Helena, como eu passei a chamá-la em particular, gostava. Descobri que ela gostava muito de harpas e pianos. Por isso gostava de ficar perto da sala de música. E também gostava de borboletas e corujas.

Então, sempre que ia para a torre que ela normalmente ficava, encantava uma harpa e a deixava tocando. Ou então, conjurava corujinhas para ela, sem que ela soubesse que era eu, claro. Mas um dia ela chegou quando eu estava encantando a harpa.

— Então é você. – disse ela. Eu não tinha notado que ela estava vindo e levei um susto, derrubando a harpa janela a baixo.

— Ah, não! – lamentei.

— Desculpe. Te assustei?

Me virei para ela, mas não a olhei nos olhos, como se estivesse envergonhado.

— Desculpe...

— Eu gostei da música. Muito brigada.

Olhei para ela, tentando parecer feliz.

— Eu não sabia como me desculpar pelo... Por aquele dia... Fui tão indelicado. Te perguntando tudo aquilo.

— Está tudo bem. Você é um bom garoto.

Tonta.

— Eu vou pegar a harpa de volta. Se importa?

— Ah. De jeito nenhum.

Usei um feitiço convocatório, consertei o instrumento e voltei a encantar a harpa, para que a melodia voltasse a tocar.

— Fico feliz que tenha gostado. – eu disse com um sorriso.

— Eu adoro essa música. Tocava quando eu era viva. – disse ela dançando sozinha no ar. Não precisei fingir achar aquilo bonito. Eu adorava os fantasmas de Hogwarts e o modo suave como eles flutuavam no ar.

— Eu dançaria com você. Mas não sei dançar.

— Um bruxinho galante como você? Ah, não. De jeito nenhum. – disse ela descendo até onde eu estava – Pois vai aprender agora.

— Oh. Lamento, mas sou muito desajeitado, senhorita.

— Não vai saber até tentar.

Não vou mentir. Foi muito difícil. Precisei usar uma vassoura para ficar na posição certa e toda vez que errava a Helena me cutucava com o dedo gelado. Era horroroso. Eu simplesmente detestava dançar. Mas ia todos os dias como se nada me fizesse mais feliz do que as aulas de dança com aquele fantasma sonso.

Logo estávamos conversando como bons amigos. Eu contava sobre a minha família, sobre como era só, como todos só gostavam do meu irmão, o perfeitinho – o que era uma boa mentira. Meu irmão não era nada perfeito. Falei para ela sobre meu sonho falso de me tornar Ministro da Magia e fazer do mundo um lugar melhor.

Até arrisquei pedir conselhos sobre meninas. Pois pobre de mim... Era tão impopular.

Ela caiu feito um patinho. E antes do Natal ela se julgava minha melhor amiga e confidente e eu dançava elegante como meu patrono.

Pascal sempre queria saber onde eu estava, mas eu nunca contava, é claro. Mas logo precisei diminuir meus encontros com a Dama Cinzenta, pois minha irmã estava me cobrando uma promessa que eu lhe tinha feito. Disse que a ajudaria com as matérias. Expliquei para a Dama Cinzenta e ela achou adorável como eu “me preocupava com os estudos da minha irmãzinha”.

— Sim. Mas sinto falta das nossas aulas de dança. – menti – Mas prometo que serei um excelente aluno e vou virar monitor. Assim poderei ficar aqui com você até mais tarde? Pode esperar por mim?

— Vou achar que está apaixonado por mim, Cygnus. Se for o caso, te aviso que acabará magoado.

Claro que sorri para ela.

— Eu correria o risco.

E mais uma vez ela ficou daquele jeito que significava que estaria corando se fosse viva.

Desse dia em diante fiquei extremamente feliz por Virgo ter pedido ajuda. Eu já não suportava aquele fantasma. Mas logo notei que todas as meninas do primeiro ano estavam lá, tentando aprender comigo.

— Nossa, Cygnus... – suspirou Miranda Martell – Eu queria que você fosse meu professor de História da Magia. Você explica tão bem...

— Cuidando da sua creche, Cyg? – provocou Remo.

— Cuidando do futuro. Prefiro pensar assim. – disse com indiferença.

— Pois deveria ajudar a Lily também. Ela está desesperada. – disse Albus.

— Hugo também. Eu até ajudaria, mas não lembro de nada que a gente tenha aprendido no primeiro ano. – murmurou Scorpius que estava terminando uma tarefa qualquer.

— Vou avisar a Lily e o Hugo que você vai nos ajudar! – disse Virgo.

— E nunca... – comecei, mas fui cortada por Emmeline Goyle.

— Eles são da Grifinória!

— Mas Lily precisa de ajuda e ela está com saudades do Cygnus. A Dominique pode sair falando pelos cotovelos que o Cyg é dela, mas o Cyg é da Lily!

— Você anda disputado em, Garoto Prodígio. – brincou Amanda passando por mim e bagunçando meus cabelos. Segurei a mão dela a acariciando nos dedos, antes de soltá-la. Ela me olhou longamente e sorriu daquele jeito que eu gostava. – Dá até pra entender o porquê.

— Ah, fala sério! Ele é só um garoto esquisito! – resmungou Flint.

— Obrigado, Flint! Te daria um beijo só por isso. — riu Scorpius. Flint o encarou com o se estivesse cogitando a ideia e ele se virou sorrindo para ela.

— Quem sabe um dia?

— Por que não agora? – perguntou ele ficando de pé para se aproximar dela.

Revirei os olhos e voltei a explicar sobre... Eu sei lá... Revolução dos duendes?

Mas no dia seguinte, no meu horário do almoço eu me dirigi até a mesa da Grifinória e me sentei lá, ao lado de Lily, que me olhou confusa.

— Cyg? O que está fazendo aqui? – perguntou Lily.

— É, Cyg, o que está fazendo aqui? – perguntou James. O olhei com meu conhecido olhar de indiferença e me virei para Lily.

— Virgo me disse que está com dificuldades nas matérias.

Lily corou quando eu disse isso.

— Bem...Em algumas...

— História da Magia e Transfiguração. – disse para ela.

— Bem.. é... Sim.

Peguei minha mochila e tirei de lá meus livros antigos e meus cadernos.

— Tome. Eu estudo pessoalmente com Virgo, então você pode ficar com meu material. Vai te ajudar bastante, acredito eu.

Hugo pegou o caderno de História de Lily e o folheou.

— Nossa. Você realmente fazia anotações e prestava atenção no que o Binns falava! – disse Hugo parecendo chocado.

— Eu sempre disse que ele era esquisito. – zombou James.

— Ele não é esquisito! – disse Lily – Ele só é inteligente e esforçado.

— Isso, Lily. Defende o seu namoradinho, vai!

— Cresça, Potter. — resmunguei me levantando – Espero que te ajude, Lily. Pode ficar com os cadernos. Não tem problema.

— Obrigada, Cyg. Salvou minha vida! — disse Lily sorrindo. Sorri para ela sem conseguir evitar e depois me virei para voltar para a mesa da Sonserina.

Você provavelmente deve estar se perguntando o que isso tem a ver com a história, não é? Eu sinto muito. Não tem nada a ver. Eu apenas divaguei um pouco. É sempre assim com Lily Potter... O ponto principal era que eu já não estava mais vendo a Dama Cinzenta, apesar de praticamente todos os dias eu subir para encantar a harpa para ela.

Agora estava tentando conversar com o Barão Sangrento. Ele estava muito desconfiado de mim, mas quando eu disse que tinha feito amizade com a Dama Cinzenta, ele deixou todas suas defesas baixarem.

— Ela nunca faz amizade com ninguém! – exclamou ele.

— Porque são poucos que entendem a dor de sua alma sofredora. – disse eu, como se estivesse ligeiramente zangado com ele.

O Barão Sangrento me seguiu durante quase todo o percurso para a sala de poções até tomar coragem para falar.

— Ela... Ela te contou o... o que eu fiz?

— O por quê de você carregar essas suas correntes? Sim. Ela me contou. — eu respondi como se o censurasse. Mas quando ele fez aquela carinha de dor e culpa, eu respirei fundo – Me desculpe, mas... Bem... Eu só escutei o lado da Dama Cinzenta... E pelo ponto de vista dela, você foi muito... Muito mesquinho.

— Mesquinho? Eu? – perguntou ele – Ela quem fugiu com a tiara da mãe, apenas para querer ser melhor que a Madame Ravenclaw! Eu só fui atrás dela seguindo as ordens da mãe dela. Me prometeram que ela casaria comigo. Não gosto quando tiram aquilo que me prometem. Ninguém gosta.

— Pensei que você servisse a Salazar Slytherin. – eu disse franzindo a testa – Por que estava seguindo as ordens de Ravenclaw?

— Isso não lhe diz respeito!

Suspirei. Ele seria mais difícil de se lidar.

— Como quiser. Com licença, Barão. Tenho aula agora...

— Espere! – pediu ele – Ela... Helena... Ela fala de mim?

Então sorri para ele. O meu sorriso. O sorriso Malfoy, que certamente era muito mais sinistro do que o charmoso sorriso do Scorpius.

— O que foi que você me falou agora a pouco? Ah, sim! Isso não lhe diz respeito.

O Barão me atravessou. Foi horrível. Parecia que tinham jogado um balde de água gelada em mim.

— Respeite-me, garoto!

— Não quis desrespeitá-lo, Barão. Mas não vou revelar os segredos da minha amiga pra você. Eu pensei que era um bom fantasma. Mas pelo o que ela me disse... Eu não confio mais em você.

— E suponho que se eu contar os meus segredos, você passará a confiar. É isso?

— O que acha que eu sou, Barão? Me ofende assim. – disse morrendo de rir por dentro, mas extremamente sério por fora. – Acha que eu estou negociando segredos? Eu tenho escrúpulos, ok? Agora com licença.

— Espere, Cyg. Espere. – pediu o Barão, sabiamente dando a volta em mim – Não quis ofender. Mas é que estou tão acostumado a lidar com esses seus colegas tontos que... Que esqueci como é lidar com um verdadeiro manipulador. Não vou falar sobre mim.

— Pense o que quiser, Barão. Eu sei que EU não vou falar sobre a Dama Cinzenta e as confissões dela pra mim. É um SE-GRE-DO e eu sou muito bom em guardar segredos. Podemos voltar a conversar, mas esse é um assunto proibido.

— Pare com isso, garoto. Sei muito bem o que está fazendo.

— Não parece. Não parece mesmo.

O Barão saiu voando, revoltado e eu segui para minha sala com um grande sorriso de satisfação no rosto.

O Natal e o visgo

Meu pai estava sem humor novamente. Agora o natal seria com os Potter e com os Weasley. Eles viriam para a nossa Mansão. Particularmente eu gostei. Tio Harry era divertido. Sempre tirava meu pai do sério.

Nunca tinha visto a mansão tão cheia. A família Weasley era enorme e meu pai tinha certeza de que eles iriam nos pilhar se não tomássemos cuidado. Tia Mione e Tio Rony estavam de péssimo humor e eu tinha certeza de que tio Rony queria tanto esse natal quanto meu pai. E eles tinham chamado a Sra. Weasley – Molly, quero dizer – o que significava voltar mais gordo do natal.

Mas o melhor de ter os Weasley ali, era Dominique. Como a mansão era grande, eu podia me esconder com ela e me divertir. Ela normalmente só flertava comigo na escola, mas nos recessos nós tirávamos o atraso. Ela gostava de me tratar como seu cachorrinho. Era irritante e eu não gostava, mas eu relevava. Ela tinha um belo par de seios, que eu logo conquistei livre acesso. Ela podia ser chata o quanto quisesse.

Scorpius me olhava com aquele olhar invejoso sempre que me via e eu sorria para ele com deboche, amando o modo como ele ficava zangado.

Fiquei feliz por tio Damian também ter vindo e perguntei para ele se ele tinha livros sobre Salazar Slytherin.

— Depende do que quer saber sobre ele.

— O Cajado. – eu respondei se hesitar.

— Ah, Cyg... Bruxos melhores do que você já perderam a vida procurando por isso...

— Voldemort encontrou a tiara de Ravenclaw. Porque eu não poderia encontrar o Cajado?

— Você reparou que está se comparando ao Lorde das Trevas? – perguntou ele com um sorriso.

— Sim.

O sorriso dele morreu.

— Desculpe, Cygnus. Não posso te ajudar nisso.

— Por que não?

— Seus pais não iriam gostar.

O olhei com indiferença, mas estava realmente furioso. Eu estava pagando por aquelas informações. Pra que pudor a aquela altura do campeonato?

— Você sabe sobre o Barão Sangrento e Helena Ravenclaw? – perguntei o encarando.

— O que? Ravenclaw?

— Não sabe. — murmurei. – Então ok... O que mais você tem de interessante para me oferecer?

— Espere. O que você estava falando sobre Barão e Helena Ravenclaw.

— Lamento, Damian. Não posso falar.

— Por que não?

— Eles não iriam gostar se eu falasse. – respondi. Damian me olhou e sorriu.

— Sua pequena cobrinha. – riu Damian – Eu levei anos para convencer o Barão a me falar de seus segredos... Só no sétimo ano ele me contou o que eu queria.

— Então você sabe a história?

— Sim eu sei.

— Por que ele serviu Ravenclaw?

— Porque ele queria casar com a filha dela. Esses dramas antigos, Cyg, não estão nos livros.

— Ele abandonou a casa Slytherin só por causa disso? – perguntei decepcionado. Tinha imaginado tantos fatores que levassem o Barão a fazer aquilo... Mas simplesmente conseguir se casar com Helena... Era só isso o que ele queria?

— Seu pai traiu a causa puro sangue, o Lorde das Trevas e deu as costas para os pais dele, apenas para ficar com a sua mãe. – argumentou Damian com aquele sorriso que ele dava sempre que sabia mais sobre qualquer coisa do que eu – Um dia você vai saber o que é isso, Cyg. Se tiver sorte. – e então ele pareceu quase melancólico, com um sorriso falso e triste e um olhar sonhador – Um dia vai conhecer uma mulher que vai fazer você rever tudo o que você acha correto ou errado. Tudo o que acha feio ou bonito. Perdoável ou imperdoável... E então você vai entender e não vai subestimar mais essa coisinha chamada “Amor”.

Coincidência ou não Lily e Virgo apareceram no outro lado do corredor, discutindo sobre qualquer coisa. Meus olhos acharam os de Lily e ela sorriu pra mim, mas eu não correspondi e voltei-me para Damian.

— Amor nos torna fracos, cegos e tolos. Eu prefiro não ser atingido por isso.

— Não é como se você pudesse escolher, tolinho. – riu Damian – Acredite no que eu digo. Um dia você vai entender, não se preocupe.

Damian saiu de lá e eu fiquei sozinho no corredor. Caminhei para o outro lado, ainda pensando em tudo aquilo, quando vi Lily voltando sozinha.

— Sua irmã... Argh! — resmungou ela.

— O que Virgo fez? – perguntei sem realmente ter algum interesse naquilo.

— Ela disse que eu tenho sardas demais!

Olhei para o rostinho dela e toquei seu nariz.

— Você tem muitas sardas. – concordei. Lily então me chutou com força na canela e eu praguejei. Me voltei para ela e a empurrei contra a parede. – Nunca mais faça isso.

— Faço sim! Faço mil vezes! Odeio ser sardenta! Odeio. E vocês ficam jogando na minha cara... O que foi? – eu não estava olhando para ela. Olhava para cima, para um visgo que estava nascendo ali – O que é isso?

— É um visgo. – eu respondi sem saber o porque de ele ter nascido ali, naquele momento. Olhei para Lily e lhe lancei um sorriso – Pode guardar um segredo?

— Posso! — disse ela.

— Mas tem que guardar mesmo. Não pode falar pra ninguém.

— Ok. Diz.

— Eu acho suas sardas muito bonitinhas. E pra provar...

Eu me curvei e a beijei na ponta do nariz. Depois embaixo dos olhos, onde ela também tinha sardas. Depois a olhei nos olhos e toquei seus lábios com o dedo.

— Não... não vou contar pra ninguém. – sussurrou ela com o rosto mais vermelho do que os cabelos.

— Me promete?

— P-prometo.

— Ok, eu confio em você.

Me endireitei e olhei para o teto, para o visgo. Lily também olhou. A neve caía lá fora e o corredor estava vazio. Senti Lily me abraçar e eu devolvi o abraço sem nenhum motivo em especial. Ela soltou um longo suspiro e eu me lembrei de quando ficamos presos no porão.

— Feliz natal, Cygnus.

— Feliz natal, Lily.

Eu devia ser muito ingênuo para não acreditar no que Damian tinha me falado naquele natal...

Legilimens

Depois do natal, a professora Turner nos falou a respeito de uma habilidade muito difícil, que era símbolo de Lorde Voldemort. Legilimencia. A habilidade para invadir a mente dos outros e lê-la. Mas a habilidade de Lorde Voldemort era tão impressionante que ele podia colocar imagens falsas na mente de alguém, ou fazê-la sofrer, só com o poder da mente.

Eu e Pascal ficamos absolutamente empolgados com aquilo. Passamos o resto do mês buscando mais informações sobre aquilo, mas era considerada Magia Negra e portanto só encontraríamos mais coisas na seção reservada.

Infelizmente eu não tinha uma capa de invisibilidade. Então tivemos que conseguir isso através de meios alternativos.

Pascal deu a ideia de procurarmos Medeia Borgin, do segundo ano. Demorou mais do que eu gostaria e custou mais caro do que eu imaginei. Mas eu e Pascal nos juntamos e compramos o livro. Praticávamos todos os dias. Era realmente difícil, mas depois de quase um mês começamos a pegar o jeito. Mesmo para mim estava sendo difícil.

Mas no final do ano letivo eu já era capaz de saber se alguém estava mentindo para mim. Pascal não estava tão avançado, mas também estava aprendendo. Eu testei a habilidade no Barão Sangrento e na Dama Cinzenta, mas só pude concluir que essa habilidade não funcionava em fantasmas.

Mas minha “amizade” com Helena ia muito bem. Me transformei em seu confidente. Ela era um fantasma resmungão, que vivia reclamando de como os novos alunos da Corvinal não eram inteligentes como antigamente. Há gerações que os melhores alunos do ano não eram maioria da Corvinal.

— Você é um exemplo, Cyg. Deveria ter ido para a Corvinal!

— Acho que meu sangue pesou mais. – disse fingindo dar de ombros. Nunca desejara outra casa que não minha nobre Sonserina.

Com o barão precisei ser mais receoso. Ele estava desconfiado afinal. Sempre puxava assunto, sempre o cumprimentava. Mas nunca tocava no assunto Dama Cinzenta ou o passado do fantasma e o Cajado de Slytherin. Precisava recuperar a confiança do fantasma, ou nunca mais teria chances com ele.

Mas o melhor do ano foi quando a Dama Cinzenta me explicou o porquê de ser tão solitária e desconfiada.

Uma vez ela se abrira para outro aluno brilhante da Sonserina. Ela lhe contou seus segredos e dilemas e ele fez algo terrível com isso. Ela descobriu que ele a usou apenas para descobrir o paradeiro da Tiara de Ravenclaw.

— É por essas e outras que minha casa é mal vista por ai. – murmurei como se estivesse indignado – Você não acha que eu seria capaz de algo assim, acha?

Ela me olhou como se não tivesse pensado nisso.

— Eu realmente espero que não, Cygnus.

Eu suspirei.

— Eu não tenho o menor interesse em seguir os passos de Tom Riddle. – disse determinado. Era verdade. Eu queria ser muito maior que Tom Riddle.

Notas finais
Cygnus audacioso, não? =P Espero que estejam gostando! Deixem seus comentários, ok? =*