Cygnus - Fallen
9 Verão, Promessas, 6º Ano e Liderança
Notas iniciais
Verão e a Promessa
As aulas finalmente terminaram e eu me vi livre de Dominique e seus olhos tristes. Mas confesso que ainda estava receoso. Quanto tempo Abraxas ficaria escondido, fingido que tinha sumido? Desapareceria até que eu tivesse esperança de verdade de que estava livre dele? Tudo o que eu podia fazer era esperar pra ver e tentar descobrir como destruir aquela coisa.
Mas logo no primeiro dia de férias, eu estava lendo um livro qualquer, quando Scorpius entrou com aquela cara dele que significava que ele queria algum conselho... Nunca entendi o porquê dele vir falar comigo. Virgo era muito melhor nisso do que eu...
– O que foi? – perguntei.
– Você sabe... Eu transei com a Rose. – disse ele cruzando os braços.
– Não... Eu não sabia. E não precisava saber... – respondi o olhando com indiferença.
– Mas depois de um tempo, eu cansei, sabe. Namorar é tão exaustivo...
– Não ligo... – murmurei tentando ler meu livro.
– Eu fui procurar a Rose pra terminar com ela. Mas ela falou primeiro e disse que queria terminar comigo.
– Que bom... – murmurei me lembrando do quão chato era terminar com uma garota apaixonada.
– Bom? Você não entendeu o que eu disse? – perguntou Scorpius – Eu disse que ELA terminou COMIGO!
Respirei fundo, pedindo paciência.
– E?
– E não foi só isso! Sabe o que mais ela disse?
– Eu não quero saber...
– Disse que só tinha aceitado namorar comigo porque todo mundo diz que eu sou fabuloso, mas ela não me achou lá essas coisas e disse que já teve melhores.
Ok... Ponto para Rose Weasley.
Olhei para Scorpius com indiferença, mas por dentro estava gargalhando.
– E o que você quer que eu diga?
– Eu sei lá... Que ela está fazendo isso pra me sacanear...
– Ok. Ela está fazendo isso pra te sacanear. – resmunguei voltando minha atenção para meu livro, mas Scorpius me fez abaixar o livro.
– Não falou sério!
– Eu acho que foi muito bem feito. – disse com pouco caso – E de qualquer maneira, você ia terminar com ela de qualquer jeito. No fundo você acabou como queria. Solteiro.
– Não, cara! Você entendeu errado... eu vou explicar de novo.
– Eu juro que azaro você. – ameacei.
Scorpius soltou um muxoxo e cruzou os braços.
– Cyg... – murmurou ele.
– Pelos sete infernos de Dante... – resmunguei.
– O que?
– Nada. O que você quer?
– Vamos assim... Hipoteticamente falando, ok?
– Hipoteticamente... – resmunguei revirando os olhos.
– Isso... E se, hipoteticamente, eu estiver apaixonado por ela? – perguntou Scorpius.
– Então, hipoteticamente, você estaria completamente fodido.
Ele ficou em silêncio por um momento e eu entendi que poderia voltar a ler
– Ainda bem que é só hipoteticamente. – murmurou ele – Mas, Cyg...
– Vou contar até três e usar a varinha. – disse pegando minha varinha. Scorpius me olhou com cara de quem duvidava – Um... Dois... Três...
Expulsei Scorpius do meu quarto, arremessando-o longe. Fiquei o resto das férias sem minha varinha e meu pai arrancou a porta do meu quarto...
Dias depois, fomos visitar os Potter. Meu estômago se contorceu de nervosismo. Depois da véspera de Natal, eu nunca mais vi Lily. Eu tive medo do que Abraxas poderia fazer. Nunca confiei nele. Mas agora não tinha como eu simplesmente ignorá-la.
Mas nem por isso cogitei não ir. Precisava falar com o meu padrinho. Chegamos pouco antes do almoço e minha mãe correu para a cozinha ajudar Ginevra. Minha mãe adorava cozinhar, mas meu pai nunca deixava que ela cozinhasse em casa, pois achava um absurdo. Tínhamos elfos para isso, afinal. Meu pai se sentou em seu lugar, no sofá, do lado oposto ao do meu padrinho. Eles trocavam meias palavras às vezes, mas eu sabia que os dois eram amigos – da maneira estranha deles.
Remo, James, Albus e Scorpius avisaram que iriam sair para dar uma volta. Logo Hugo disse que iria com eles. Scorpius olhou para Rose, mas ela disse.
– Prefiro ficar aqui com o Cygnus. – a olhei com indiferença, mas meu irmão me olhou furioso. Quando ele se zangava, ficava ainda mais parecido com o meu pai. Quando eles saíram, eu me voltei para Rose.
– Está com raiva do Scorpius? – perguntei.
Ela sorriu pra mim.
– Não. Ele é um ratinho na minha ratoeira. Achou que podia brincar comigo, mas quebrou a cara.
– Boa... – murmurei.
– E você? Está com raiva da Lily? – perguntou ela. Estávamos no quarto de Albus, jogando xadrez de bruxo e quando ela me perguntou isso, levantei meus olhos pra ela.
– Não.
– Eu vi vocês brincando na véspera de natal. – disse ela – E vieram juntos do lago para o salão... E ela te deu um beijo...
– Somos amigos. – murmurei.
– Foi por conta dessa amizade que você terminou com a Dominique? – perguntou a garota. – Ela ficou bem triste. Nem curtiu a formatura.
Olhei para Rose. Tirando meus irmãos, ela era a pessoa que eu mais convivi antes de Hogwarts. Afinal ela passava muito tempo em nossa casa.
– Os motivos do meu término com a sua prima foram outros.
– Quer falar a respeito?
– Não. – murmurei. Rose sorriu pra mim.
– Ok. Sem problemas. – riu ela.
Minutos depois Lily chegou e olhou para mim. Me levantei e olhei para Rose.
– Eu vou na cozinha.
– Ok. Oi, Lily. Vamos jogar um snap?
– Não. – respondeu ela – Eu quero falar com Cygnus.
A olhei preguiçosamente.
– O que quer, Lily? – perguntei.
– Quero falar a sós com você.
– Ui. – riu Rose. – Tudo bem, Cygnus. Vai lá.
Suspirei e segui Lily para o quarto dela. Era um quarto pequeno cheio de pôsteres e coisas trouxas. Soube que eram trouxas quando vi que as fotografias não se moviam. Fiquei especialmente interessado por um que tinha um monstro e estava escrito Iron Maiden. O que seria aquilo?
– Gosta do Iron? – perguntou ela se sentando na cama.
– O que é isso?
– É uma banda trouxa.
– Não conheço.
– Ah! É um clássico! – riu ela se deitando. Lily sempre fora magricela, mas pude notar que o corpo dela começava a mudar. Não quis ficar espiando, mas não resisti às coxas dela, pois ela usava um shortinho muito curto e uma camisa regata folgada, com um top por dentro – Adoro quando você me olha assim. – riu ela se virando na cama, se apoiando no braço. Os cabelos soltos e levemente despenteados.
– Assim como?
– Como seu irmão olha a maioria das garotas.
– Eu certamente não te olho assim. – me defendi.
– Olha e nem percebe. Ou finge não perceber. – riu ela achando graça – Todo mundo me trata como se eu fosse uma garotinha. Sou mais velha que a Virgo, mas todo mundo parece fazer questão de se esquecer disso. – Lily me lançou um olhar penetrante – Menos você. – ela se sentou e a alça da camiseta dela caiu pelo braço, expondo o ombro sardento dela.
– O que quer falar comigo? – perguntei.
– Eu quero saber o que está acontecendo com você, Cyg. Porque eu sei que está acontecendo alguma coisa.
A olhei com indiferença.
– Não há nada acontecendo.
– Por que me beijou naquele dia? Por que não sabia quem era? Você parece sempre tão melancólico, sempre andando cabisbaixo, como se tivesse medo de ver alguma coisa... Eu te conheço, Cyg. Eu quero saber o que está acontecendo. – ela se levantou e andou até mim.
Céus, como eu a desejei naquele momento. Mas o que eu senti não foi nada próximo ao que eu sentia com Dominique... Era muito parecido com o que Abraxas sentiu quando Helena apareceu na lembrança dele.
Seria amor? Eu não soube dizer.
– Eu não posso falar. – murmurei. Lily segurou minhas mãos e eu senti meu coração acelerar.
– Me deixe te ajudar, Cyg... Estou tão preocupada com você...
– Não tem porque se preocupar.
– Está mentindo, Cyg. – disse ela avançando mais um passo.
– É legilimens também, agora? – perguntei acidamente. Lily riu com desdém. Era tão atípico nela que até me assustei.
– Não preciso da sua magia negra pra saber o que você está pensando, Cyg. – disse ela avançando mais um passo. Estávamos tão próximos.
– Lily. Não faça isso. – pedi, desejando beijá-la. Mas tinha medo... E se... E se Abraxas assumisse e a machucasse? E se acordasse com ela morta ao meu lado?
– Do que você tem tanto medo, Cyg? – perguntou ela.
– De machucar você. – respondi sentindo as mãos dela apertarem as minhas – Eu não sou uma boa pessoa.
– Claro que você é. – respondeu ela ficando na pontas dos pés.
– Você está namorando. – murmurei virando o rosto.
–Eu terminei antes das férias. – disse ela colocando as mãos no meu rosto.
– Lily... Por favor. Não. – pedi me afastando dela. Fui até a porta e estava me preparando para abri-la, quando ela me abraçou por trás.
– Por que foge de mim, Cyg? Eu não entendo. – disse ela – Por que quer me manter afastada?
– Para proteger você. – respondi ainda com a mão na maçaneta.
– Não quero que me proteja. – disse ela me fazendo virar. A olhei no fundo dos olhos e senti minhas mãos tremerem. – Quero que fique comigo. Quero que não minta pra mim. Eu quero saber o que está aconte...
A puxei com força e a beijei. Ela se entregou ao beijo mansamente, mas então eu voltei a afastá-la. Aquela sensação de peso no meu estômago. Antes de entrar no escritório de Slytherin, eu já sentia Abraxas. Apenas não sabia o que era e ele não tinha tanto poder sobre mim. Desde que eu tinha tentado me matar, ele nunca mais tentara assumir o controle. Mas assim que Lily me beijou de volta, o senti me arranhar por dentro. Ele estava preso. Tive absoluta certeza disso. Mas algo em Lily queria trazê-lo de volta.
– Eu preciso ir. – eu disse.
– Eu não quero que vá. Por favor. – pediu ela me puxando – Eu amo você, Cygnus. Eu amo você desde antes de entender o que era amor. Por favor, não me afaste.
– Por favor, Lily. Você é a única coisa pura que tenho na vida. Apenas fique longe de mim. – murmurei.
– Eu nunca vou ficar longe de você. Somos amigos! – disse ela teimosamente – O que está acontecendo com você? Vou ter que perguntar para seus amigos fantasmas?
– Virgo te contou? — perguntei zangado.
– Eu contei pra ela, porque fiquei preocupada! – disse ela. Então me lembrei que Virgo tinha mesmo dito que alguém contara para ela. – Você passava o tempo todo com a Dama Cinzenta, flertando com ela!
– Com ciúmes de um fantasma?
– Não! Com medo de você se meter com magia negra por conta dela.
– Não existe magia negra poderosa o suficiente para trazê-la de volta. – respondi e uma assombrosa tristeza me atingiu. Mas mantive minha máscara de indiferença – Eu não preciso que se preocupe comigo, Lílian. Me deixe em paz.
– Não posso, Cyg. Deixe-me te contar uma coisa, que minha mãe me falou uma vez! – pediu Lily. A olhei impaciente – Ela foi possuída por Voldemort uma vez. Ela achou o diário dele, com todas as memórias de quando ele era um estudante de Hogwarts. – explicou Lily me olhando com preocupação – Ela acordava em lugares que não se lembrava de ter ido, ela ficou mais fraca e assustada, pois sabia que estava fazendo coisas, sem que pudesse evitar. Ela pintou as paredes com ameaças aos nascidos trouxas, matou os galos da escola, pois eles poderiam matar o Basilisco... Ela fez o monstro da câmara secreta atacar os alunos... E então, você me aparece sem saber quem é, com medo de que pudesse perder sua mente... Suas mãos não paravam de tremer aquele dia, Cyg. – ela baixou os olhos – Eu nunca contei pra ninguém e nem fiquei com raiva quando você não apareceu para me levar para Hogsmeade. Nem mesmo quando Albus me disse que você estava traindo a Dominique... Por que eu sei que não era você. Eu te vi naquele dia, Cyg. Não era você. Não era!
– Como assim? – perguntei surpreso.
– Eu olhei nos seus olhos, mas não era você me olhando de volta. Quem está controlando você, Cyg? Quem? Me conta. Me deixa te ajudar.
– Quer me ajudar? – perguntei colocando as mãos na cintura dela. Lily corou com meu toque.
– Sempre.
– Como sua mãe escapou de Voldemort?
– Meu pai destruiu o diário...
– Como?
– Com o dente do basilisco. – senti Abraxas remexer-se novamente, senti medo e parecia que ele estava se encolhendo dentro de mim.
– Lily. Você sabe como entrar na câmara secreta?
– Sei. – respondeu ela.
– Como?
– É preciso ser ofidioglota. – respondeu ela – Você é?
Suspirei desanimado.
– Não.
– Então eu levo você. Assim que as aulas voltarem. Você é monitor. Vamos juntos e eu te levo.
– Você é? – perguntei surpreso.
– Sim. A única que herdou essa capacidade do meu pai. – respondeu Lily. Sorri para ela, aliviado.
– Ah, Lily. Eu poderia te dar um beijo. – ri para ela.
– Dê. – riu ela de volta.
– Se... Se conseguir me livrar do meu probleminha... Eu te beijo. Mas antes disso não... – coloquei a mão no rosto dela e ficamos com as testas coladas – Antes disso não ouso.
– E depois diz que não é capaz de amar. – disse ela arqueando as sobrancelhas – Está completamente apaixonado por mim.
Ri com ela. Provavelmente era verdade.
– Metida.
– Conquistei você. Posso me gabar um pouco. – disse ela. A puxei mais para perto.
– Prometo que quando pegarmos o dente do basilisco, eu te conto tudo. Afinal você é minha garota favorita.
– Aposto que diz isso pra todas.
– Sim... Mas só é verdade com você.
Depois disso, eu e Lily estávamos sempre juntos. Scorpius e Virgo ficaram insuportáveis, rindo de mim, falando que estávamos apaixonados. Eu tentava não ligar, mas ficava desconfortável com as piadinhas na frente do meu padrinho. Ele me olhava com desconfiança e eu devolvia a ele meu olhar de indiferença – que Lily aprendeu a fazer com muita competência, diga-se de passagem.
Notei que meu pai sempre ria das brincadeiras e minha mãe olhava com esperança. A esposa do meu padrinho também não parecia ver problemas. Mas os irmãos de Lily... James me olhava furioso e Albus com reprovação.
Passei quase uma semana na casa do padrinho. Gostava bastante de Harry e gostava de conversar com ele sobre Lorde Voldemort.
– Cygnus... – disse Harry me olhando certo dia enquanto jogávamos xadrez de bruxo (a única pessoa que já me derrotou nesse jogo foi o pai de Rose... ele é imbatível no xadrez) – Você e Lily... Vocês estão juntos? – perguntou ele me olhando com aqueles olhos verdes.
O olhei tranquilamente.
– Preocupado?
– Sim ou não.
– Não. – respondi sinceramente – Mas gosto muito dela. Lily é muito legal. Bem madura pra idade dela e está ficando bem bonita também. – movi meu cavalo e ele começou uma luta brutal contra a rainha dele – Mas não. Nós não estamos juntos.
– Por que todos insistem em falar que sim? – perguntou Harry.
– Porque eles não entendem que somos apenas amigos. Querem achar que eu sou igual ao Scorpius. Você poderia ficar preocupado se fosse Scorpius. – eu dei de ombros – Eu te contaria, Harry. Eu não fui pedir conselhos pra você, sobre a Dominique? – perguntei e sorri quando meu cavalo venceu – Xeque.
Harry piscou e olhou novamente o tabuleiro.
– Droga. – Harry resmungou olhando as peças e eu tive certeza de que ele iria sacrificar o bispo para matar meu cavalo, deixando o caminho livre para que minha rainha e minha torre o derrotassem – Escute... Eu não ligo que vocês dois namorem... Eu sei que ela gosta muito de você, mas... – Harry me olhou novamente – Você é bem mais velho que ela.
– Harry... Eu ficaria dentro das minhas calças se é o que te preocupa. – não, eu não pretendia manter aquilo. Lily estava ficando uma delícia. E eu sou um Malfoy.
– Então existe a possibilidade de você e Lily...? – perguntou Harry comendo meu cavalo com o bispo.
– Nunca se sabe. – murmurei e nesse momento Lily entrou na sala.
– Cyg, papai! – riu ela – Primeiro, papai, eu quero que prometa que não vai ficar com raiva!
– Oh... O que você aprontou? – perguntou Harry.
– Papai! Só promete! – pediu Lily.
Harry soltou um suspiro e me olhou. Eu dei de ombros.
– Ok. Prometo.
Lily abriu um enorme sorriso e sacou sua varinha.
– Olha só! Expecto Patronum! – disse ela.
Da ponta da varinha dela saiu um beija-flor, que voou animadamente ao redor da sala. Sorri para ela orgulhoso e ela olhou para mim satisfeita.
– Como? Quem? – perguntou Harry arrumando os óculos.
– Cygnus me ensinou no natal. Eu consegui, Cyg! – disse ela animada e pulando contente ao passo que o beija-flor voava ao redor dela.
Harry me olhou surpreso.
– Desde quando você faz o patrono? – perguntou ele.
– Consegui fazer o meu uma semana depois de ter me ensinado. – respondi sacando a varinha e fazendo meu cisne voar junto com o beija-flor de Lily.
Harry bateu palmas e então tia Gina entrou no escritório.
– Uou! O que é isso? – perguntou ela olhando para os dois patronos. O de Lily era pequeno e delicado (como ela), mas o meu era um grande cisne.
– Lily aprendeu a fazer o patrono. – respondeu Harry orgulhoso da filha caçula – No que pensou, Lily, querida?
Lily olhou para mim e sorriu.
– É segredo! – respondeu ela e então saiu correndo, sendo seguida pelo beija-flor que ela conjurara.
Gina olhou para mim com um sorriso debochado, como se soubesse que eu tinha dedo naquilo.
– Eu não sei do que ela está falando. – murmurei. Movi minha rainha, destruindo o bispo de Harry – Xeque Mate.
– O que? – perguntou Harry vendo que seu rei estava cercado pela minha rainha e pela minha torre – Droga.
Hogwarts – ano 6
– Eu estou apaixonado, Cygnus. Realmente apaixonado. – lamentou Scorpius – Como eu fui deixar isso acontecer? Quero dizer... eu sou o destruidor de corações.
– Isso, maninho, se chama carma. – riu Virgo.
– Sim. Você merece cada pisada no coração que ela te der. – adicionei.
– Oh... E ela vai pisar com força. – riu Virgo batendo palmas.
– Eu amo vocês, irmãos. – resmungou Scorpius. – Sempre do meu lado para me apoiar... O que aconteceu com o ‘família em primeiro lugar’?
– Eu ainda estou cogitando a chance de você ser filho do vizinho... Ou talvez adotado. – murmurei.
– Muito engraçado. O único que parece ser filho do vizinho é você, Cygnus! – resmungou Scorpius – Eu e a Virgo somos Malfoy até o último fio de cabelo. Você que é o esquisito de cabelo escuro.
Ri com desdém.
– Eu estou muito satisfeito com meus cabelos, obrigado.
A porta da cabine entrou e Pascal sorriu pra mim.
– Caralho! Quanto tempo! – riu ele apertando a minha mão. Me levantei para abraçá-lo. – Velho. Eu passei o verão nos Estados Unidos com meu pai. Você não imagina as coisas que os trouxas tem lá!
– Trouxas? Não sabia que era amante de trouxas, Pascal. – riu Virgo com desdém. Pascal a olhou e eu notei os olhos dele a devorarem. Ela usava uma saia curta, botas longas e uma blusa de sem manga e com gola alta.
– Virgo... Olha só... Você cresceu nesse verão. – riu Pascal – Tá uma delícia.
– Você também cresceu, Pascal. Andou malhando? – perguntou Virgo o olhando meio de lado, com um sorriso torto. Conhecia o sorriso de caça de Virgo. Era aquele.
Pascal flexionou o braço para exibir o músculo.
– Sim. Deu pra perceber?
– Deu sim.
– Então. Querem que eu e o Cygnus pulemos pra fora da cabine? – perguntou Scorpius.
Virgo o olhou e sorriu.
– O dia que Pascal melhorar o gosto dele para mulheres, EU peço pra você sair da cabine, irmãozinho.
– O que quer dizer com isso? – perguntou Pascal cruzando os braços.
– Oh. Desculpe. Eu quis dizer que você tem um péssimo gosto para mulheres. Um cara vulgar como você nunca teria chances comigo. Isso que eu quis dizer. – disse ela com um sorrisinho. Olhei para Pascal que a olhava zangado.
– Eu nem sonharia colocar um dedo sequer em você, sua mimada. – resmungou ele.
– Sim. Nem em seus sonhos mais pervertidos, Pascal. – disse Virgo cruzando as pernas e o olhando com um olhar felino. Foi a primeira vez que notei o quanto minha irmã tinha poder sobre os homens. Sempre tinha visto Virgo como uma garotinha, mas ela não o era. – Tem que melhorar muito ainda pra poder sonhar em me tocar. – disse ela mordiscando o dedo e então o descendo lentamente pelo pescoço. Pascal a devorou com os olhos novamente e eu me senti mais ou menos como Albus deve ter se sentido, quando fiquei encarando as pernas de Lily no ano anterior.
Minutos depois, foi a vez dos Potter e os Weasley chegarem. Rose se sentou ao meu lado e me deu um beijo no rosto, completamente desnecessário, fazendo Scorpius cruzar os braços.
– Meu meio primo favorito! – disse ela – Está tão lindo, Cygnus.
– Rose. Pare com isso. – pedi encolhendo. Ela riu marota e apertou minha bochecha.
– Está tudo bem, Cygnus. Eu sei que não estou na sua liga. – riu ela – Mas você não está na minha, então está tudo bem.
A olhei meio confuso e ela riu jogando os cabelos cacheados para trás e cruzando as pernas como Virgo. Só que ela usava um shortinho justinho e uma camisa de uma banda trouxa – reconheci do quarto de Lily.
Lily usava um vestido curto e jeans. Os cabelos estavam soltos e ela sorriu para mim e piscou. Senti meu estômago esquisito. Como se estivesse cheio de borboletas dentro dele. Olhei para o outro lado e comecei uma luta contra mim mesmo para não olhar para as pernas dela.
Nossa cabine estava muito cheia e apertada e Pascal deu sua típica sugestão.
– As meninas podem sentar no nosso colo. – riu ele.
– Sabe, é uma boa ideia. – riu Virgo. Olhei para ela e ela se sentou no colo de Albus, fazendo ele corar furiosamente – Bem mais macio, sem dúvidas.
– Rebole um pouco e a última coisa que vai ser será macio. – riu Pascal. Virgo o olhou com um sorrisinho e olhou para Albus.
– O que acha, Albus?
– Eu não vou reclamar! – disse ele levantando as mãos.
– Virgo, sente agora mesmo no banco! – ralhou Scorpius.
– Rose, meu irmão está se sentindo sozinho. Por que não senta no colo dele? – sugeriu Virgo marotamente.
Rose olhou para Scorpius, que corou. Nunca tinha visto meu irmão corar por conta de uma menina.
– Nã... – murmurou ela com pouco caso.
– Bem... Eu quero um colo! – riu Lily.
A olhei querendo ao mesmo tempo que ela viesse e que ela não me escolhesse. Mas quando ela se sentou no colo de Hugo, fiquei furioso e decidi que não falaria com ela o resto da viagem.
Todos ficaram brincando e fazendo piadas, mas eu não estava com humor. Sim, eu estava me mordendo de ciúmes. Eu, que nunca sentira nada por ninguém. Senti minhas mãos ficarem úmidas e olhei zangado para Hugo, que ria com a mão na coxa de Lily.
Encostei a testa no vidro e fechei os olhos. Logo cochilei e sonhei que estava em Hogwarts. Uma Hogwarts diferente, onde não haviam uniformes, mas todos usavam roupas extravagantes... E eu vi o um garoto da minha idade empurrar Helena contra a parede, enquanto ela o empurrava enojada.
Abri os olhos e olhei ao redor. Estava no mesmo lugar e alguém acertara minha cabeça com um sapato.
– Desculpe, Cyg! – riu James – Eu queria acertar a Rose.
– Ainda bem que é apanhador e não artilheiro, ou estaríamos perdidos! – riu Rose gargalhando.
Tinha sido só um sonho. Abraxas continuava bem preso dentro de mim e eu logo me livraria dele de uma vez por todas.
Mas senti Abraxas me arranhar por dentro, querendo sair. Estava me deixando enjoado. Me levantei e sai da cabine. Corri para o banheiro e vomitei tudo o que tinha comido naquele dia. Me sentei tremendo. Por alguma razão me lembrei da mão de Hugo nas coxas de Lily e aquilo me deixou furioso. Simplesmente furioso.
Quis matar aquele Weasley maldito. Queria ouvir os gritos dele, implorando por piedade. Imaginei com tanta vivacidade que podia jurar ouvir os gritos dele. Não consegui evitar de sorrir. Mas meu sorriso virou uma risada e minha risada, uma gargalhada. Me levantei e me olhei no espelho. Ainda era eu, mas meus olhos estavam vermelhos.
Saquei minha varinha e explodi o espelho. Fiz os cacos flutuarem no ar, ao meu redor e depois os arremessei contra a parede. Não conseguia parar de gargalhar. Lembrei dos alunos mais velhos que eu tinha machucado aquela vez. Lembrei do gnomo que eu tinha matado, lembrei da trouxa que eu vi morrer. Me lembrei de como adorei fazer e ver tudo aquilo.
Eu não era como os outros. Lílian Potter queria me transformar em algo que eu não era. Queria me transformar em algo comum. E eu deixei que ela me convencesse que era isso que eu queria. Concertei o banheiro e olhei meu reflexo no espelho. Não conseguia parar de gargalhar. Havia até lágrimas em meus olhos. Conjurei minha escova de dentes e limpei a boca. Depois peguei algumas bombas de menta que tinha no bolso e comi uma.
– Lily Potter. – murmurei olhando meu reflexo no espelho. Ela não iria mais me manipular. Eu nunca mais iria me deixaria levar pelo charme dela.
Saí do banheiro e vi Lily ali.
– Você está bem? – perguntou ela – Saiu todo pálido da cabine.
Eu sorri para ela e ela recuou um passo.
– Eu nunca estive melhor. – eu respondi.
Me afastei dela, mas Lily me puxou.
– Cygnus. Você está estranho. O que houve? – perguntou ela.
– Apenas me lembrei de umas coisas. – disse a olhando e sorrindo. Aquele sorriso que todos falavam que era perturbador.
– Que coisas?
– Do que eu sou e do que eu já te alertei.
– Do que está falando?
Me virei para ela e a empurrei contra uma porta. A empurrei com os quadris e a beijei no pescoço. Adorei como a pele dela se arrepiou, adorei o gemidinho que ela soltou.
– Continue sendo tolinha, Potter, e eu vou brincar com você. – sussurrei no ouvido dela. Então a soltei e a olhei – Agora com licença. Eu vou procurar uma mulher.
– O que? – perguntou ela correndo para fechar o caminho. – Não deixe ele te controlar, Cyg. Eu não sei o que é, mas sei que esse não é você!
– Esse sou eu, Potter. Você apenas se iludiu achando que não fosse. – eu disse a tirando do caminho. – Some da minha frente.
A tirei do caminho e fui andando pelo trem. Abri a porta da cabine e encontrei Yasmin Yaxley.
– Oi, Cygnus. – cumprimentou Freya.
A devorei com os olhos e ela corou.
– Olá, Freya. – disse sorrindo. Ela estava da minha altura, era de longe, a garota mais alta do nosso ano. Era magra como um palito, com os seios pequenos e o quadril fino, mas um rosto bonito e duro. Mas eu queria Yasmin... Ou Amanda Selwyn. Ela tinha fama de ser safada. Olhei para ela, decidido. Amanda sorria para mim, jogando os cabelos para trás – Amanda, posso falar com você um momento?
As garotas do vagão deram aquela risadinha irritante, mas Amanda pediu silêncio e se levantou.
– Claro, Cyg. – respondeu ela.
Assim que ela chegou, a peguei pela cintura e a puxei, lançando um olhar safado para Yasmin, que corou do mesmo jeito que Freya.
Sem cerimônia ou papo quebra gelo, eu levei Amanda para o banheiro. Passamos por Lily, que me olhava com repulsa. Pisquei para ela e joguei Amanda para dentro do banheiro.
– O que quer conversar, Cyg?
– Quem disse que eu quero conversar? – perguntei para ela.
Amanda levantou as sobrancelhas para mim.
– Tá achando que é fácil assim, é? – perguntou ela.
Oh... Era exatamente isso que eu achava.
– Só olhe nos meus olhos e diz que não quer. – a desafiei.
Entrei na mente dela e brinquei com ela. Senti o corpo dela tremer e as mãos dela me puxaram com força. Adorei a língua dela pelo meu corpo. O modo como ela me olhava, com aqueles olhos amendoados, enquanto abria minhas calças e me lambia. Oh... Eu adorava Amanda e o corpo sensual dela. Adorei o quanto ela era flexível e o quanto ela rebolava maravilhosamente bem no meu colo.
Quando terminamos, ela me olhou assustada, surpresa.
– O que foi? – perguntei me fazendo de inocente.
– Eu não sabia que você era tão bom assim, Malfoy. – disse ela pegando a calcinha para se vestir. Me levantei e tomei a calcinha dela e a coloquei no meu bolso.
– Você foi ótima também. A gente se vê, Selwyn. – eu disse saindo do banheiro.
Havia uma pequena fila querendo usar o banheiro. Olhei para uma garota bonita da Corvinal e pisquei para ela, fazendo-a corar. Depois voltei para a cabine onde meus irmãos estavam. Lily estava lá e me olhou com asco. Nem liguei. Me sentei ao lado de Pascal e ele me olhou sabendo que eu tinha aprontado alguma.
Entrei na mente dele e falei o que tinha acontecido.
– Meu herói! – riu ele batendo na minha mão. Começamos a rir e então sorri completamente satisfeito comigo mesmo.
Quando chegamos em Hogwarts eu vi Amanda me olhar com desejo. Sorri para ela e ela mordiscou o lábio me olhando de volta. Céus, como ela era sexy. Senti Lily passar por mim e me bater com ombro, mas eu apenas gargalhei.
– O que aconteceu com você? – perguntou Virgo me puxando.
– Absolutamente nada. – respondi para ela.
– Está mentindo. Você nunca ri assim.
– Irmãzinha. Não seja chata. – eu disse apertando a bochecha dela – Você vem, Pascal?
Pascal olhou para mim, como se não tivesse certeza do que fazer, mas logo ele veio.
– Cara... Você tá sinistro. Isso tudo é porque a Lily se sentou no colo do Hugo?
Eu olhei Pascal e neguei com a cabeça.
– O buraco é muito mais embaixo que isso, Pascal. – assegurei. Entramos na carruagem e Virgo e Scorpius vieram com a gente.
Virgo ainda me olhava desconfiada, mas Scorpius parecia alheio a qualquer mudança.
– Por que sua irmã tem que vir aqui? Onde está o Albus e o Remo? – perguntou Pascal, como se Virgo não estivesse ali.
– Porque eles não gostaram do jeito que Cygnus tratou a Lily. – respondeu Virgo. Scorpius piscou e olhou para mim e depois para Virgo.
– O que ele fez?
– Eu adoraria saber. – disse sorrindo. Olhei para Virgo e ela fechou a cara.
– Foi grosseiro. Transou com Amanda Selwyn só para fazer ciúmes nela.
– Você fez o que? – perguntou Scorpius com um sorriso orgulhoso.
– Transei com Amanda porque minhas bolas doíam. – disse.
– Ele disse ‘bolas’? – perguntou Scorpius.
– Por acaso eu não posso dizer ‘bolas’? Você não é dono da palavra ‘bolas’. Bolas, bolas, bolas.
Scorpius riu e Pascal também, mas Virgo me olhou zangada.
– Por que transou com aquela garota depois de passar o verão inteiro dando esperanças para Lily?
– Porque Lily não ofereceu o que eu queria. – respondi e Pascal bateu na minha mão e Scorpius me mostrou os polegares.
– Afe, Cygnus. Você está sendo idiota e machista. Igual a todos os outros idiotas da nossa casa, com exceção do Albus, que é um fofo. – ralhou Virgo.
– Irmãzinha. Assim você me ofende! – disse Scorpius – Eu sou um cara mudado.
– Sim. Agora que o Scorpius tá apaixonado, o Cygnus tem que tomar o lugar dele de Malfoy cachorrão. – concordou Pascal.
– Vocês são todos uns idiotas! – resmungou Virgo.
– Mas sério... Até o Remo ficou grilado? – perguntou o Scorpius – O Albus eu entendo. Ele acredita piamente que o Cygnus pertence à Lily e que ele tem que ser o cachorrinho dela. Mas o Remo nunca ligou pra isso!
– O Remo só está passando a mão na cabeça do mimado do Albus. – eu respondi. Scorpius concordou dando de ombros, mas Pascal deu uma risadinha debochada.
– Nunca pensei que veria um Malfoy chamar alguém de mimado. HÁ!
Por fim chegamos no castelo. Fomos juntos para o salão principal. Virgo fez questão de nos deixar para trás. Scorpius passou o braço pelo meu ombro e Pascal fez o mesmo do outro lado. Fomos andando contentes até a mesa da Sonserina e eu sentei entre os dois, sem me dar ao trabalho de olhar para a mesa da Grifinória ou de me aborrecer com o olhar de censura de Albus ou Virgo. Remo me olhava com um sorrisinho divertido e Selwyn parecia me devorar com os olhos.
O Chapéu seletor ia definindo a casa de cada calouro, assim que a professora Turner os chamava, um por um. Nada de diferente do usual. O banquete estava delicioso, como sempre e quando estavam todos satisfeitos, ficamos ouvindo os avisos da diretora McGonagall.
Quando mandaram os monitores guiarem os alunos para os dormitórios, eu o fiz. Mas assim que cheguei na escadaria que levava às masmorras, senti alguém puxar minhas vestes. Olhei para o lado e vi Lily, me olhando com indiferença.
– Você vai vir comigo, para a Câmara Secreta? – perguntou ela. Alguns curiosos olharam, mas eu não me importei.
– Sabe o que é, Lily? Eu realmente me sinto ótimo. – respondi sorrindo e abrindo os braços. – Não acho que eu precise da sua ajuda.
Ela sorriu com desdém.
– Última chance, Malfoy. Você quer se livrar dessa coisa que está te manipulando ou vai ser idiota o suficiente para deixar que isso assuma o controle?
Avancei um passo e segurei o rosto dela, como se ela fosse apenas uma menininha.
– Acontece que eu e essa coisa somos apenas um agora. Graças a você, alias. Muito obrigado por isso.
Ela bateu na minha mão para que eu soltasse o rosto dela. Depois me olhou com pena.
– Sabe, Cyg. Um dia você vai acabar arrependido, sozinho e infeliz. E vai se lembrar disso. Vai se lembrar que eu quis te ajudar e que você não quis ser ajudado. Que só me esnobou. E então você vai se arrepender e não vai ter a ninguém para culpar além de si mesmo. Eu espero que pense nisso. Boa noite.
– Boa noite, Potter. – respondi sem perder o humor.
Mas Lily saiu sem olhar para trás e eu senti meu estômago se remexer. Mas não me deixei abater e fui com meus colegas para o Salão Comunal da Sonserina.
Quem diria que aquela ruivinha seria tão sábia? E sabe o que é engraçado? Ela tirou um “T” em adivinhação.
Fui guiando os alunos para o salão comunal, mas eu não entrei com eles. Tinha uma coisa que eu queria fazer. Uma dúvida que eu queria sanar. Caminhei pelos corredores das masmorras até chegar naquela que levava ao escritório. Senti um frio me subir a espinha e notei o Barão Sangrento.
– Boa noite, Barão. – Eu disse sorrindo.
– Cygnus. O que está fazendo aqui? – perguntou o Barão.
– Eu vim visitar um colega. – respondi com aquele mesmo sorriso.
– Céus... o que aconteceu com você?
– Me diga você. – respondi.
Abri a passagem, desci as escadas. Não hesitei um segundo antes de entrar no escritório. Fui para frente do espelho e sorri. Abraxas não estava mais lá, apenas o meu reflexo. E eu sabia exatamente onde ele estava. Me virei para o retrato de Helena e ela sorriu.
– Seja bem vindo, Abraxas.
– Obrigado, Helena. – murmurei, sorrindo.
Liderança
Meu sexto ano foi drasticamente diferente dos anteriores. Eu sempre tinha sido recluso e tímido. Scorpius era o cara cheio de seguidores. Não se engane, ele continuou assim, mas eu arrumei meus próprios fãs.
A começar pelo público feminino. E eu adorava o público feminino.
– Miwa, como eu posso dizer isso... – eram tantas que viviam a me seguir e suspirar por mim... desde as louras de olhos azuis até as morenas de olhos escuros como a maravilhosa... – Sabe o que é, Vanessa, eu sou uma alma livre... – Tempo ia e voltava e minha lista só aumentava. Não me importava com o sangue, ou com a casa, apesar de evitar nascidas trouxas – Pense em mim como um cisne, Mariah, eu preciso voar... – não me importava de ficar com alguma garota mais de uma vez, principalmente se fosse muito bonita. – Você sabe que é minha garota favorita de Hogwarts, Yasmin... – Eu era quase um imã de mulheres, elas amavam meus cabelos escuros, ficavam hipnotizadas com meus olhos cinzas e meu sorriso travesso e malvado. E eu tirei todo o proveito disso, obviamente – O que eu quero dizer, Maya, é que você é muito bonita... – Eu gostava das coxas macias, dos seios pequenos, médios, grandes e extra-grandes. Gostava das magrelas, das magras, das com corpo de violão e das cheinhas. Gostava das cacheadas, das onduladas e as japinhas. Sempre havia espaço para loira, ruiva, castanha, e eu nunca dispensava uma linda morena. – Mas eu sou um homem que não consegue ter compromissos. Espero que consiga entender, Luana. – Não havia uma garota em Hogwarts que eu desse meu olhar mortal e ela simplesmente não caísse aos meus pés, determinada a fazer o que eu quisesse. Minha habilidade com legilimens garantia isso. Quando eu simplesmente notei que tinha beijado todo o sexto ano, minha meta tornou-se o sétimo ano. – Mas, Vívian, se não for um problema para você... – Eu simplesmente adorava as garotas bobinhas e burrinhas que pensavam que eu iria pedi-las em casamento no dia seguinte, não tanto quanto adorava as que se faziam de difícil, sempre me empurrando quando eu tocava algum lugar indevido. Mas as especiais mesmo eram as safadas. As que mordiam meu pescoço, me deixavam marcado, puxavam meu cabelo e me tocavam tão bem quanto eu nelas, sem nem mesmo precisarem que eu mexesse com a mente delas. – Temos certeza que podemos continuar essa noite especial, não é, Mallory? – Pascal, Scorpius, Albus e Remo sempre me olhavam assombrados, sempre que eu levava uma garota nova para cama. Algumas vezes era mais de uma. Eu tinha gostos peculiares. Gostava de levá-las para o banheiro dos monitores. Uma, duas, três garotas.
Oh, como eu curti meu sexto ano...
Com a chegada no natal, eu andava pelos corredores com um monte de gente a me seguir. Não só mulheres, é claro. Haviam homens também. Pascal sempre estava comigo. Remo aproveitou para vir também, agora que seu companheiro de aventuras só tinha olhos para uma certa ruiva da Grifinória. Todos me admiravam, não só por conta da minha lábia, mas também por conta do meu talento.
Não havia um aluno no clube de duelos capaz de me derrotar. Eu gostava de me testar, de me exibir. Sempre lutava em desvantagem e nunca perdi um duelo. A professora Turner – que era quem organizava o clube – algumas vezes chamava os outros professores para assistirem às minhas performances. Nem mesmo os veteranos conseguiam me derrotar. Eu estava cada vez mais forte, mais poderoso.
Fazia questão de treinar meus irmãos, gostaria que eles fossem excepcionais. Virgo duelava muito bem, e Scorpius também era impressionante. Éramos o trio de ouro da escola. Foi no sexto ano que Scorpius começou a se destacar no quadribol. Apenas James Potter parecia competir com ele em talento. As partidas entre Grifinória e Sonserina sempre eram as mais competitivas, com manobras mais arriscadas. Duravam muito tempo, pois os dois eram muito bons. O pomo estava sempre sendo caçado, mas um sempre impedia o outro de terminar o jogo. Eu não gostava de quadribol, mas precisava admitir. Scorpius era simplesmente majestoso em cima de sua vassoura.
Por conta de nunca estar sozinho, meus encontros com Helena ficaram menos frequentes. Só conseguia ficar com ela tarde da noite, ou de manhã, muito cedo. Eu adorava ficar com ela e a imagem dela em minha memória, quando ainda era viva, me fazia suspirar. Mas eu sabia que aqueles pensamentos não eram meus.
– Helena, preciso que você faça algo por mim. – murmurei para ela certo dia, já quase na véspera de Natal.
– O que?
– Quero que converse com o Barão Sangrento.
Ela me olhou fechando a cara.
– E por que eu faria isso?
Me sentei sorrindo.
– Lembra quando você disse que via Abraxas de tempos em tempos? Algum tipo de reencarnação? – ela concordou, com um olhar distante – Você tinha razão... Eu sou Abraxas Slytherin. – eu disse. Ela riu um pouco com deboche.
– Aiai... Cyg... Só você.
– Lembra quando eu te pedi pra fugir comigo? Para pegar a diadema da sua mãe e se encontrar comigo na Albânia? Logo depois que você chegou... – eu suspirei a olhando – Estava com tanto medo de você não vir... Ou que não conseguisse ou não quisesse... Mas quando você chegou. – sorri para ela. Helena me olhava completamente perplexa – Eu me lembro dos beijos, dos toques, do seu gosto... Eu me lembro tão bem daquele dia, quando eu disse que amava você e que nunca mais iria deixar que ninguém a afastasse de mim...
– Como... como você...?
– Pergunte ao Barão, Helena... Antes que não sobre mais nada de Cygnus aqui... Você é apenas um fantasma agora... Não haverá nada nem ninguém que me impeça de terminar a missão de Salazar Slytherin.
Dizendo isso, eu fui embora, deixando-a sozinha.
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