Cygnus - Fallen
15 Renascido, Terceira Tarefa, a Taça de Quadribol e a Última Tarefa
Notas iniciais
Renascido
Acordei no dia seguinte, completamente renovado. Fiquei olhando para o teto me sentindo completamente em paz. Eu tinha derrotado o meu maior inimigo. Mas vou dizer que uma parte de mim ficou um pouco desapontada. Nunca mais eu teria outro oponente a altura. Aquela vontade de me testar era absurda.
Levantei e me arrumei. Me olhei no espelho feliz por ter voltado a ser eu mesmo. Então eu fui fazer o que precisava fazer. Primeiro fui ver Helena e contei para ela tudo o que aconteceu. Não menti nem aumentei nada.
– Eu matei Abraxas Slytherin. Eu sinto muito.
– Eu entendo. – murmurou ela com um sorriso triste – Ao menos agora ele poderá descansar.
Eu não tinha certeza quanto a isso. Se houvesse um inferno, era pra lá que ele iria ir.
Depois fui até as masmorras. Encontrei o Barão e o agradeci por tudo.
– O que vai fazer com o cajado? – perguntou o Barão.
– É perigoso demais. – murmurei – Eu vou destruí-lo.
– Ravenclaw tentou de tudo, Cygnus... não há como destruí-lo...
– Eu vou dar um jeito. Talvez o jogue em um vulcão, sei lá... mas eu vou dar um jeito nele. – eu disse com convicção.
Acredite, na época, eu falei sério.
Depois fui para o café da manhã. Eu não andava mais curvado, meus olhos não estavam mais assustados e nervosos. Eu não era mais uma pilha de nervos, eu não estava mais brincando com aquele anel. Todos notaram a diferença. Todos vieram me perguntar o que tinha acontecido. Eu me virei para Albus, que tinha passado o recesso com a família e apertei sua mão.
– Albus me ajudou. – eu respondi – Obrigado, Albus. Muito obrigado.
– Não foi nada, Cygnus... – murmurou ele sem graça.
– Potter... Salvando a vida de um Malfoy desde que Harry ajudou seu pai a sair da Sala Precisa durante a batalha de Hogwarts. – riu Remo.
– Do que está falando? – perguntou Scorpius rindo – Meu pai salvou ele primeiro. Mas fala ai, Cygnus. O que foi que aconteceu?
– Teria que te matar se te contasse, maninho.
– Sabe quem não ficou nada feliz em te ver assim? – perguntou Pascal passando o braço por meu ombro. Apenas neguei com a cabeça e ele apontou para a mesa da Corvinal – O campeão da Beauxbatons.
Olhei para Philipe e sorri meu sorriso Malfoy para ele. Ele desviou o olhar, voltando a tomar café da manhã.
– Oh. Ele usou o sorriso Malfoy. Ele está oficialmente de volta. – riu Scorpius me abraçando. A principio eu achei que ele só estava brincando, mas eu escutei Scorpius sussurrar no meu ouvido – Ainda bem, mano... Tive medo de você não se recuperar nunca mais... – ele falou de modo que ninguém mais escutasse. Abracei Scorpius de volta e sussurrei.
– Eu nunca deixaria meu gêmeo pra trás, não é?
Ele se afastou e sorriu, imensamente feliz.
Daquele dia até nossa formatura eu e Scorpius passamos a andar juntos. Sempre que passávamos, uma multidão de alunos da Sonserina vinha atrás. Mas o grupo principal era eu, Scorpius, Remo, Albus e Pascal – e provavelmente Virgo.
Sempre andávamos gargalhando e fazendo bagunça e direto caminhávamos com os braços nos ombros uns dos outros. O professor Flitwick começou a nos chamar de Marotos, mas eu nunca soube o porquê... parecia uma piada interna entre ele, Hagrid e McGonagall.
Terceira Tarefa
Ela aconteceu em Maio e seria apenas entre eu e Philipe, já que Durmstrang havia se retirado do torneio. Eu estava bem atrás de Philipe na pontuação, graças à segunda etapa, por isso eu precisava ir bem na terceira.
Foi uma tarefa bem divertida, na verdade. Ela aconteceu no campo de Quadribol também. Dividiram o campo ao meio. Eu fiquei de um lado e Philipe do outro. O objetivo era chegar do outro lado. Mas obviamente precisávamos enfrentar desafios. Haviam feito diversos “cubículos” por todo o campo de quadribol e colocado diversas criaturas, que deveríamos derrotar – mas não matar! – em cada um deles.
Cada criatura guardava uma peça de um quebra cabeça. Haviam duas mesas, uma em cada extremidade do campo, onde deveríamos montar o quebra cabeça.
Meus pais vieram para me assistir no torneio, assim como meus avós (cortesia do meu pai). Senti muita falta do meu avô Lúcio naquele dia, mas parte de mim tinha certeza de que ele também estava ali me assistindo.
A comissão do Torneio Tribruxo precisou que meu padrinho e mais um monte de gente aprovasse cada criatura que fosse participar. Eram muitas criaturas, entre elas, um bicho papão (que se transformou em mim mesmo. Todo mundo me perguntou o significado daquilo, mas eu me fiz de misterioso), uma acromântula adulta, um trasgo montanhês, um tebo (esse me deu trabalho, porque ele ficava invisível e sua pele é muito resistente à magia), um Yeti, e um dementador.
Como eu já conseguia fazer meu patrono novamente (sim, eu pensei em Lily... Por que você ainda pergunta isso?), eu consegui passar com tranquilidade.
Mas não era apenas derrotar as criaturas. Cada peça precisava ser retirada de uma caixa e precisávamos fazer várias coisas para abrir. Havia um papel com enigmas para serem resolvidos, que mostravam como abrir a caixa.
Foi, sem dúvidas, a prova mais legal. Foi desafiadora e cansativa, mas quando eu terminei primeiro e empatei em pontos com Philipe, cada cabeçada que eu levei do Tebo, e o frio na espinha ao enfrentar o bicho papão, tudo valeu a pena.
Philipe me cumprimentou depois da pontuação e me parabenizou por eu ter conseguido me recuperar. Scorpius disse que ele derrotou quase todas as criaturas mais rapidamente que eu, mas eu compensei nos enigmas.
– Ele é muito forte, Cygnus. Não subestime esse cara. – pediu meu irmão.
A Taça de Quadribol
Você deve estar se perguntando como eu e Lily estávamos, não é? Bem... como eu já falei, eu não mais ficava sozinho. Então não dava para a gente se pegar freneticamente como eu gost... digo... como você deve imaginar que deveria estar acontecendo. Mas havia uma compensação. Eu estava andando sempre com o irmão dela.
E por isso acabávamos nos vendo. A gente não conversava muito, mas sempre tinha aquela troca de olhares. Eu sempre a devorava com os olhos e ela sempre me lançava sorrisos demorados. Nossa... eu estava louco por ela. Tanto que não estava mais saindo com nenhuma outra garota.
Mas logo depois da terceira etapa, Virgo me fez um favor. Eu reuni os monitores para uma reunião. A final da Taça de Quadribol estava chegando e eu queria que os monitores ajudassem a evitar confusões. O último jogo da temporada seria Grifinória e Sonserina, que estavam empatados em primeiro lugar. O vencedor daquele jogo levaria a Taça.
– Vocês sabem que os alunos se transformam em completos retardados quando o assunto é quadribol. Então cabe a nós, os monitores, manter todo mundo longe de confusão. – eu expliquei. Rose concordava comigo.
– No último ano, os times da Grifinória e Corvinal fizeram a maior bagunça. Um garoto foi transformado em uma armadura e levou uma semana pra descobrir que isso tinha acontecido! – disse Rose com as mãos nos quadris, olhando pra mim e para Virgo. Minha irmã riu com desdém e jogou a franja para longe dos olhos.
– Não é culpa minha se o Scorpius é esquentadinho, queridinha. Nem que o Cygnus fica escondido nas masmorras durante todos os jogos. – riu ela.
– Isso é um fato, Cygnus. Você é o monitor chefe. Tem que estar presente pra controlar os Sonserinos. Eles respeitam você. – concordou Rose.
– Eles respeitam? Eles morrem de medo, isso sim. Ele é um esquisito. – resmungou Hugo, que era monitor da Grifinória.
– Primeiro faça-os temerem, então eles o respeitarão e quem sabe o amarão depois. – riu Lily. Ela olhou para mim e eu sorri para ela.
Ficamos alguns segundos nos olhando e então eu me lembrei do que eu estava fazendo. Continuei dando instruções para os monitores, coisa e tal e então dispensei todo mundo. Virgo fez todo mundo sair e falou alguma coisa com Lily. Eu fingi que não vi e fiquei olhando minhas anotações, fingindo-me de ocupado.
Então escutei a porta bater e levantei meu olhar para Lily. Estava corada, encostada na porta. Sorri para ela e perguntei casualmente.
– Alguma dúvida, monitora?
Ela sorriu pra mim e concordou.
– Quanto mais eu vou ter que esperar?
– Quantos segundos você acha eu levo para chegar ai? – respondi.
Corri até ela e finalmente eu matei a vontade de beijar aquela garota. Mas novamente fui muito contido. Ela era a filha do meu padrinho e eu havia prometido que não desrespeitaria ela.
Ficamos quase uma hora ali, mas eu fazia doze matérias e já havia perdido muitas aulas naquele ano e infelizmente tive que me separar dela. Tenho certeza de que ela esperava que eu a pedisse em namoro. Isso me passou pela cabeça também.
Todos os dias eu olhava para Lily desejando demais poder gastar cada segundo do meu dia com ela, mas nunca havia tempo pra isso.
Logo o dia da final da Taça chegou e eu fui desejar sorte aos meus irmãos e Pascal. Nem Remo e nem Albus estavam no time, então nós três subimos para a arquibancada. Os dois tirando sarro de mim por eu me recusar a ficar de pé lá em cima. Você já viu o quanto aquilo é alto? Mas eu tinha ido assistir. Scorpius, Pascal e Virgo poderiam ficar satisfeitos por isso.
Se eu fosse narrar o jogo para vocês, eu infelizmente não conseguiria descrevê-lo de maneira satisfatória. Mas Remo, que era viciado em quadribol, garantiu que aquele estava sendo o jogo do século.
Rose e Lily estavam com a gente, já que James e Hugo estavam jogando. Depois de quarenta minutos emocionantes, Remo gritou apontando para a mesa dos professores. Nós olhamos assustados e eu me segurei com mais firmeza no meu lugar, achando que as arquibancadas iriam cair ou qualquer coisa assim (patético, eu sei...)
– É o dono do Caerphilly Catapults, o melhor time da liga inglesa! – disse Remo. Eu o olhei sem entender. – Eu ouvi que Edward Eston, o apanhador deles, vai se aposentar em outubro. Sabe o que significa?
– Ele pode estar de olho em Scorpius? – perguntou Rose.
– Ou em James! – disse Albus.
Os dois trocaram um olhar agitado e desceram as escadas correndo.
– NÃO PODE CORRER NAS ESCADAS! – eu gritei em pânico me segurando no meu lugar, arrancando gargalhadas de Lily e Remo.
Rose foi avisar meu irmão e Albus, James. As equipes pediram tempo e quando o jogo voltou, James e Scorpius pareciam que iriam se matar lá em cima, exibindo talento e manobras perigosas. Eu achei que iria vomitar só de olhar.
– Eles vão se matar ali em cima! – eu gritei ainda agarrado à arquibancada.
Quando eles finalmente viram o pomo, para o meu horror, os dois mergulharam em noventa graus. O pomo estava muito próximo ao chão. Os dois esticando os braços, mas o pomo mudou drasticamente de direção, voando próximo ao gramado. James levantou a vassoura de uma vez, para pegar o pomo por cima. Mas Scorpius seguiu descendo, tocou o chão com pés, jogou a vassoura em James e se jogou no pomo.
Ficamos em silêncio profundo quando ele se levantou com o braço torto e quebrado, mas gritamos de euforia quando ele levantou o outro exibindo o pomo de ouro. Abracei Albus e Remo, e por um momento esqueci meu pavor de altura. Rose me abraçou também, porque ela ficou feliz pelo namorado dela, mas Lily não gostou.
– Ele machucou James!
– FOOODAAA-SEEEEEEEEEEE! – gritamos eu, Remo e Albus. Oras, se o irmão dele não ligou, ela não deveria ter ficado com raiva, mas ela desceu os degraus, fula da vida.
Desci os degraus também, com meus colegas e fomos até Scorpius. Eu concertei o braço dele tranquilamente e ficamos lá comemorando contentes. James nos olhou completamente lívido. Scorpius, que era um irreverente palhaço, abaixou as calças e bateu na própria bunda, mostrando o dedo médio para James, enquanto ainda segurava o pomo de ouro.
A Sonserina caiu na gargalhada e logo Albus (pasmem), Remo e Pascal estavam mostrando a bunda para o time da Grifinória. Eu fingi que não vi, óbvio. Mas logo a diretora McGonagall apareceu e eu fingi estar brigando com eles.
– Vamos. Pra dentro. Pra dentro. – eu disse – Antes que McGonagall chegue!
– Scorpius Malfoy! – gritou ela. Scorpius fez uma careta e se virou com ar de culpado.
– Oh, professora, não foi nada de demais...
– Tem um homem aqui que quer falar com você, Scorpius. – disse ela. Todo mundo sabia que a professora McGonagall era uma grande fã de quadribol. Ela parecia muito empolgada e quando Scorpius entendeu que era o dono do Caerphilly Catapults, ele sorriu agitado.
– Vai lá! – eu disse feliz por ele.
– Vem comigo. – pediu ele me puxando.
– Mas eu nem gosto de quadribol!
– Não interessa. – riu ele. Virgo logo veio correndo também.
– É o cara do Caerphilly Catapults? Oh, meu Deus, Scorp!
Fomos os três juntos. Os três Malfoy. O cara parabenizou Scorpius e disse que nunca tinha visto uma manobra daquelas. Encheu meu irmão de elogios e perguntou se ele tinha interesse em jogar profissionalmente depois da escola.
– SIM! – disse ele sem conter a emoção.
Uma semana depois, Scorpius estava assinando com o Caerphilly Catapults e iria estrear um jogo depois da aposentadoria do antigo apanhador do time, que era um ídolo da equipe.
Mas antes disso, os dois negociaram um pouco. Scorpius disse que só se juntaria à equipe depois que terminasse a escola e o dono do Caerphilly Catapults respeitou isso. Quando ele voltou, ele pegou Rose e a beijou de um jeito que me deixou sem graça e a girou no ar, completamente feliz.
– EU VOU SER JOGADOR PROFISSIONAL DE QUADRIBOL! – gritou ele.
– Parabéns, meu amor! – disse Rose. – Aproveita com os seus amigos, ok? – perguntou ela. – Eu vou cumprir com as responsabilidades de monitora chefe.
– Eu já me reúno com vocês. – eu disse também indo ajudar Rose.
Íamos dispersando as confusões aqui e ali.
– Scorpius mereceu ganhar! – disse Rose.
– Eu concordo. Mas sou suspeito para falar, não é? – eu disse.
Estava voltando para o Salão Comunal para comemorar a Taça, quando vi meu irmão.
A maioria das pessoas tem um grande amor pela Grifinória. Eu entendo. Grandes bruxos saíram da Grifinória. Dumbledore, Harry Potter, minha mãe, Lílian Potter...
Em contra partida a Sonserina é sempre vista com desconfiança.
E eu devo dizer que não entendo nada de quadribol. Aquele foi o primeiro jogo que eu vi inteiro em sete anos de Hogwarts. Aparentemente, aquela jogada do meu irmão, de jogar a vassoura, foi desleal. Certamente os alunos da Grifinória tinham os motivos deles. James tinha todos os motivos de estar com raiva.
Mas ele deu azar.
Ele e os amigos deles pegaram Scorpius sozinho. Aparentemente, ele estava indo procurar a namorada dele. Agora ele estava levando uma surra. Apenas Hugo estava tentando acalmar as coisas, mas James estava irado.
No momento em que eu cheguei, ele tinha acabado de azarar meu irmão com um Pinchsever (Conhecido como feitiço “beliscão”, ao atingir qualquer parte do corpo, cria uma sensação insuportável, como se a pessoa estive sendo beliscada por várias pessoas ao mesmo tempo.)
Oh... eu fiquei irado. Eram seis contra um – e meio, contando com Hugo.
Saquei minha varinha. Eu cheguei sem avisar. Derrubei o primeiro e o segundo com tranquilidade, eles nem me viram chegar. Mas James e os outros quatro me viram. Duelei contra os quatro, derrubando um por um, até que só sobrasse James.
Lembram de quando os alunos mais velhos da Sonserina mexeram comigo e eu acabei com eles? James ficou pior. Scorpius e Hugo tiveram que me segurar. Eu nunca tinha gostado de James. Somando isso com o fato dele estar batendo no meu irmão... Ah... Era o motivo que eu queria.
– Pare, Cygnus! Quer matar ele? – ralhou Scorpius.
Eu virei para encará-lo. Minha voz saiu mais grave do que o normal.
– Quero. – sibilei.
Scorpius recuou assustado e sacou a varinha. Eu larguei a minha, igualmente assustado. Eu sabia como tinha soado. Recuei alguns passos e olhei minhas próprias mãos. Sangue. Elas estavam sujas de sangue.
– Cyg? É você? – perguntou Scorpius, assustado.
Seguia olhando minhas mãos, assustado. Me virei e corri, deixando a minha varinha para trás. Fui para o banheiro, tentar lavar as mãos. Mas por mais que eu as lavasse, o sangue não saía. Depois de um tempo, a professora Turner e o professor Luthor (transfiguração e chefe da Grifinória) apareceram.
Me virei sabendo que estava encrencado.
– Diretora, agora, Malfoy. – rosnou Luthor.
A professora Turner me olhou com severidade. Concordei e segui os dois professores. Quando cheguei na sala de McGonagall, Scorpius e Hugo saíam de lá. Olhei para Dumbledore e Fineus, que me olhavam com interesse.
– Diretora McGonagall.
– Cygnus... o que houve?
– Eu perdi o controle da situação. – murmurei constrangido, escondendo as mãos.
– Perdeu o controle da situação? Você rachou o crânio de Marcos Thomas! – rosnou ela – E James está parecendo carne moída... – ela me olhou tão irada que quase não dava para ver os lábios dela – Você matou quatro aurores depois da segunda tarefa, Cygnus... Todos concordaram que você não estava respondendo por seus atos... Mas depois disso... Será que devo reconsiderar? Não é a primeira vez que você faz isso.
Olhei para McGonagall com um indiferença gélida.
– Eles eram seis contra o meu irmão. – sibilei – Eu lutei sozinho contra seis estudantes, McGonagall. Não vi a Sra. brigando com nenhum deles. Achei que a sua casa desprezasse covardia.
– E o que você fez com eles não foi covardia?
– O que queria que eu fizesse? Jogasse a varinha no chão e tentasse brigar no murro? Não, McGonagall. Eu lutei sozinho contra os seis e faria de novo se os visse atacando algum irmão meu do jeito que eles estavam fazendo. – disse calmamente – Eu não sou diferente de qualquer outro aluno por ser talentoso. Por que insistem em me tratar diferente? Se fosse um aluno da Grifinória lutando contra...
– A questão não é com quantos você é capaz de lutar e vencer, Sr. Malfoy... – cortou a diretora severamente – É até onde você vai. Você ultrapassou todos os limites...
Desviei o olhar, zangado.
– Você tem irmãos, diretora?
– Duas irmãs.
– Já precisou lutar para defendê-las?
– Não...
– Então não me julgue. – eu a cortei sem deixar que ela terminasse de falar. Estava irado. Por que ela estava me tratando daquele jeito? Por que ela não ia puxar a orelha dos seis que estavam espancando Scorpius?
Fiquei olhando para ela, sentindo ondas de calor subirem pelo meu corpo. Ela me olhou levemente assustada.
– Cygnus... Há alguma coisa que você gostaria de me contar? – perguntou McGonagall. Ela me olhava baixando o rosto, me encarando por cima dos óculos redondos.
– Não. – respondi imediatamente. – Terminamos ou ainda vai dizer que meu comportamento foi...
– O que houve com os seus olhos? – cortou ela.
Pisquei surpreso.
– O que tem os meus olhos? – perguntei confuso.
– Eles estão vermelhos.
Me levantei assustado sem acreditar. Quis conjurar um espelho, mas notei que estava sem a minha varinha. Havia um espelho em uma parede e eu me levantei para encarar meu reflexo. Meu olhos faiscaram vermelhos, mas logo voltaram à cor normal. Senti meu estômago se remexer... por que aquilo tinha acontecido? Não fazia sentido. Eu tinha matado Abraxas...
– Mais uma vez, Cygnus... Tem alguma coisa que você gostaria de me contar?
– Não senhora... – murmurei.
McGonagall suspirou e se levantou. Ela veio até mim e colocou a mão em meu ombro.
– Não vou descontar pontos da Sonserina. Eu sei que você está passando por mais estresse que qualquer outro aluno nessa escola. Mas se você arrumar confusão de novo, eu terei que tomar uma providência...
– Obrigado, diretora. – murmurei ainda olhando meu reflexo.
– E Malfoy... – eu me virei para olhá-la – Eu vou escrever para seus pais, para falar do seu comportamento. Você pode ir.
– Ok...
Murmurei. Saí do escritório da diretora sentindo-me desconfortável. Fiquei me perguntando se eu tinha me livrado definitivamente de Abraxas. Eu não conseguia senti-lo... não mais...
– Você foi expulso? – perguntou Scorpius me esperando do lado de fora. Ele me entregou a minha varinha e eu a guardei nas vestes.
– Claro que não. Acha que McGonagall iria me expulsar agora que Hogwarts finalmente tem chance de ganhar o torneio tribuxo? – perguntei sorrindo. Scorpius sorriu animado e passou o braço pelo meu ombro.
– Você é o melhor, Cyg. Valeu por me ajudar.
– O que estava fazendo andando sozinho?
– Eu estava indo procurar a Rose... oh... Olha ela ali. – respondeu ele se soltando de mim.
Olhei e vi Rose se aproximar apressadamente. Ela pulou nos braços de Scorpius, que soltou um gemido de dor.
– Vai com calma... o equipamento aqui tá meio zoado. – brincou ele de bom humor. Ele estava com o lábio cortado e um olho roxo, mas parecia terrivelmente satisfeito.
– Aquele James! Que covardia. E ainda dizem que são da Grifinória. – ralhou Rose sacando a varinha para arrumar Scorpius.
– Hum... vamos brincar de curandeiro? – perguntou ele – Pode me levar para o banheiro dos monitores, se quiser.
Rose nem corou. Apenas o beliscou de leve no nariz.
– Se importa se eu for comemorar o título do seu irmão, Cygnus? – perguntou Rose abraçando ele.
– Comemorem bastante. – disse sorrindo.
– Falou, cara. Valeu de novo. – riu Scorpius levantando o punho. O soquei de leve e sorrimos.
Os dois se viraram e saíram abraçados. Fiquei acompanhando os dois com o olhar, feliz por ele. Ele realmente gostava muito dela.
Um mês depois ele veio me dar a notícia de que eu seria tio. Mas isso não vem ao caso.
Segui andando pelo castelo, prestando atenção para algum eventual ataque. Estava para descer para as masmorras, quando vi Lily. Sorri para ela, contente por estarmos sozinhos, mas assim que fiquei próximo o suficiente, ela me deu um soco tão forte que eu caí no chão completamente tonto.
Pisquei zonzo e ela apontou o dedo para mim.
– Escute aqui, Malfoy. Se você, ou qualquer integrante dessa sua família nojenta, encostar um dedo sequer no meu irmão, eu acabo com a sua raça.
A encarei completamente pasmo. Ela saiu andando, os cabelos ruivos balançando em suas costas. Me levantei sentindo o queixo doer terrivelmente. Ela tinha um soco absurdo de forte...
– Lily! Seu irmão estava batendo no meu, eram seis contra Scorpius! – disse zangado. Ela se virou e me encarou, ainda parecendo furiosa.
– Estuporasse ele! O transformasse num porco, num rato! Deixasse ele pelado pendurado no teto! Mas você quase o matou! Quase o matou! Você é um monstro. – disse Lily com os olhos cheios de água.
E aquelas palavras me machucaram terrivelmente.
– Eu perdi a cabeça quando vi o que ele estava fazendo... Sabe que eu não sei me conter, Lily... – murmurei pegando a mão dela – Não fique com raiva de mim.
– Raiva? Eu te desprezo, Malfoy. – rosnou ela puxando a mão de mim. Senti toda a alegria pela taça de quadribol e pela boa sorte de Scorpius se esvaírem de mim – No dia em que eu te deixar com raiva, o que vai fazer? Vai deixar Abraxas sair para me castigar?
A olhei horrorizado com a ideia que ela tinha de mim.
– Claro que não. E você não precisa mais se preocupar com ele. – eu disse sorrindo satisfeito.
– E por que não?
– Porque eu o encontrei, Lily. Eu o matei. De uma vez por todas. – disse satisfeito. Esperava que ela sorrisse ou me olhasse com alívio, quem sabe orgulho.
– Você matou? – perguntou ela recuando.
– Não me olhe assim. Ele mereceu! – eu disse incomodado com o olhar de insegurança dela. Ela me olhava como se eu fosse perigoso – Lily, calma...
– Você matou alguém...
– Não, Lily... Espera. Não é isso. Ele nem era mais um ser humano de qualquer maneira. Ele virou uma... uma coisa.
Mas ela recuou de novo.
– É assim que resolve seus problemas, Cygnus? Com violência?
– Você passou um ano inteiro querendo que eu o destruísse. Do que está falando? – perguntei perdendo a paciência.
– Eu não sabia que ele era uma pessoa. Achei que ele fosse apenas um resto. Uma memória. Um monte magia negra contendo uma essência. Não que estivesse vivo.
– Ele era um corpo podre com um monte de magia negra contendo a essência dele. – ralhei nervoso – Pare com esse drama, Lily.
– Drama? – perguntou ela zangada – Eu vi os aurores que você matou...
– Abraxas matou.
– Que diferença faz?
– Achei que você sabia diferenciar! – ralhei magoado.
– Eu também achei. Mas isso foi até ver o que você fez com o meu irmão. – ralhou ela. – Sabe, Cyg... Deixa pra lá... Não adianta conversar com você. Você nunca assume que errou. Sempre tem um porquê pra justificar tudo de errado que você faz e você ainda consegue fazer com que eu me sinta culpada. Eu cansei disso.
Ela se virou para ir embora, mas eu a segurei.
– Pare com isso. – pedi.
– Isso o que?
– Esse jeito chato de adolescente.
– Eu sou uma adolescente!
– Escuta. O que faria com Scorpius se visse ele e os amigos dele dando uma sova no Albus?
– Eu daria uma sova no Scorpius, mas eu saberia encontrar os limites. Agora me solte. No momento eu não quero conversar com você.
– Por que não?
– Porque eu estou com raiva e estou decepcionada com você e se a gente for conversar agora, eu vou falar mais do que deveria. Agora, me solta. Eu estou indo embora.
A vi se afastar e me senti simplesmente péssimo.
Voltei para as masmorras e entrei no escritório de Slytherin. Olhei o espelho e notei que ele estava rachado. Não tinha notado aquilo antes. Fiquei na frente dele e vi que ele não refletia mais. Parecia uma chapa cinzenta...
Me virei e abri o armário, onde eu tinha guardado o cajado. Retirei a chave das vestes e então abri a caixa. Segurei o cajado e voltei a me sentir bem e poderoso.
Fiquei um bom tempo no escritório, me divertindo com ele. Minha magia era assombrosamente melhor com ele. E isso certamente significava alguma coisa. Uma imensa vontade de testá-lo em batalha começou a se esgueirar em mim. Quis usá-lo para duelar. A ideia de enfrentar Apolo com aquele cajado me ocorreu, mas eu sabia que não poderia. Chamaria atenção demais.
A última tarefa
Aconteceria em Junho, no segundo fim de semana. No terceiro haveria um baile e então férias. Ah, sim... e os N.I.E.M.s seriam na última semana de maio e na primeira semana de Junho.
Não tive mais como conversar com Lily. Ela estava muito estressada com os N.O.M.s e Virgo me aconselhou a não falar com ela antes dos exames.
Passei aquele final de semestre estudando com Scorpius, Pascal, Albus e Remo. Albus não estava zangado comigo. Ele na verdade disse que James mereceu cara porrada que levou.
– Ele precisa parar de achar que é intocável só porque é filho do meu pai. – resmungou ele – Eu entendo o porque de Lily ficar com raiva de você. Somos irmãos, mas... É bom que o James toma jeito... Tem gente que só aprende assim.
Depois disso, finalmente comecei a gostar de verdade de Albus.
Os N.I.E.M.s foram muito simples, mas eu não sou uma boa referência. Mas tinha certeza de que fecharia minhas notas com doze N.I.E.M.s. O professor Flitwick me indicou para o teste para o prêmio Barnabus Frinkley, pelo meu talento excepcional em feitiços.
Quando terminei o teste, o examinador estava realmente impressionado.
– Sabe quem foi o último bruxo da sua idade a conquistar esse prêmio? – perguntou Flitwick animado quando eu terminei o exame.
– Albus Dumbledore. – respondi com um sorriso pomposo.
– Você é realmente um grande bruxo, Cygnus. O que pretende fazer depois que terminar a escola?
– Acho que vou viajar durante uns anos. – murmurei.
– Anos? – senti meu estômago saltar e olhei para trás. Lily estava ali e me olhava chocada – Vai viajar durante anos?
– É sempre bom. Adquirir experiência prática. Um bom plano, senhor Malfoy. Um bom plano. Mas e depois, o que pensa em fazer? – eu olhei para Lily com indiferença.
– Mudar o mundo.
Então me despedi de Flitwick e saí como se não a conhecesse.
Mas ela me seguiu, é claro.
– Não está falando sério sobre sumir durante anos, está? – perguntou ela.
– Seu desprezo pela minha pessoa já passou? – perguntei com um sorrido ácido – E sim, falei muito sério. Agora com licença, porque você é a última pessoa com quem eu quero conversar no momento.
– Como quiser. – resmungou ela indo embora.
Me virei e voltei para o escritório. Cumpri minha rotina diária de pegar o cajado de Slytherin e testá-lo. Eu já tinha conseguido aparatar de dentro do castelo, consegui transfigurar minha mesa em ouro puro e amaldiçoei um colar para que matasse quem o tocasse. Mas logo o destruí, por não achar interessante ter aquilo ali.
Consertei o espelho e o transformei em uma penseira – sim, eu consegui tirá-lo da parede. As memórias de Abraxas estavam dentro dele e eu acabei colocando algumas das minhas ali também.
A noite eu saia e comprava livros sobre as artes das trevas. Fiz experiências no castelo mesmo, sabendo que o escritório não deixaria que me rastreassem. Fiz planos para a minha viagem quando terminasse a escola. Eu primeiro visitaria a prisão de Grindewald. Depois exploraria mais a floresta da Albânia. Depois Egito e Rússia.
Estudaria os trouxas e veria o que eles teriam de interessante para oferecer. Eu tinha lido alguns livros de história trouxa, que Albus me emprestou, e fiquei realmente interessado pelas armas que eles utilizavam. Armas capazes de destruir uma cidade inteira e fazer com que todos que nascessem ali ficassem marcados.
Se eu pudesse usar esse poder bélico, com as magias que eu conhecia... quem poderia me enfrentar? E eu tinha o cajado de Slytherin. Não haveria ninguém capaz de me sobrepujar. Eu finalmente tinha o poder puro em mãos. O direito real de governar também. Eu era um Black, afinal. Nós éramos a nobreza bruxa britânica.
Comecei a trazer a discussão para o salão comunal, sobre nos mantermos segredo dos trouxas, como se fosse errado ser bruxo. As pessoas me olhavam com puro fascínio. Eu tinha o dom da palavra e todos pareciam simplesmente hipnotizados por mim. Mesmo as garotas que me chamavam de esquisito, como Shafiq e Flint – uma prima de Cerce Flint –, passaram a me ver com outros olhos.
E claro, o sexo seguiu sendo bem vindo.
Mas os N.I.E.M.s terminaram e então era o momento para a última tarefa. Ela aconteceria no campo de quadribol também e seria muito simples. Um duelo. Um duelo até que o outro desistisse ou ficasse desacordado.
Nada mais direto e simples para averiguar quem era o melhor, já que agora estávamos empatados em pontos.
Estava me preparando para o último duelo, me olhando no espelho. A agitação da escola era absurda. Todos tinham completa confiança de que eu nunca perderia em um duelo. Ninguém nunca me derrotara em um duelo. O único que já o tinha feito, eu matei naquela floresta albanesa.
Mas eu estava ansioso. Precisava controlar meus anseios. Precisava impor um limite a mim mesmo. Eu não podia matá-lo. Mas minhas magias estavam desreguladas. Qualquer feitiço bobo que eu fazia estava muito mais potente. Eu precisava me controlar, ou acabaria matando Apolo. E o momento para alimentar minha fome de sangue ainda não tinha chegado.
Me encarei no espelho, muito sério. Eu sabia que algo em mim havia mudado. Eu sabia... Não era mais Abraxas quem me fazia desejar o poder, a carnificina, o sangue. Aquilo era eu. Não havia mais ninguém para culpar além de mim mesmo. Eu ainda conseguia ver o sangue de James nas minhas mãos, apesar de que ninguém mais parecia ver.
Parecia um alerta constante para me lembrar quem eu realmente era.
Eu era aquilo que Lily disse. Eu era um monstro. E a melhor coisa que eu fazia era me manter afastado dela. Por isso estava sendo grosso e seco. Por isso evitava olhá-la. Por isso não sorria mais para ela. Precisava que ela se afastasse de mim, ou algo ruim iria acontecer. Eu sentia isso no meu íntimo. Como uma profecia silenciosa que eu havia feito para mim mesmo.
Escutei a porta abrir e Scorpius entrou.
– Cyg... Posso trocar uma palavra com você? – perguntou ele. Me virei para encará-lo. Conhecia a cara que ele fazia quando iria me pedir um conselho.
– Brigou com a Rose? – perguntei. Normalmente sempre era sobre Rose.
– Não. – murmurou ele. Ele se sentou na cama e passou as mãos pelo rosto.
– O que houve?
– Ela está grávida. – respondeu ele, passando a me olhar – Eu vou ser pai...
Um frio me subiu a espinha. O olhei surpreso.
– Como pode ter se descuidado desse jeito? Chá de lua se compra em qualquer esquina e é fácil de se fazer! – ralhei com ele.
– Eu sei, mas... – murmurou ele – Eu fui um idiota. Rose estava fazendo a poção e eu quis testar a capacidade dela. – resmungou ele.
– Que?
– Eu queria ver se ela conseguia fazer a poção enquanto eu... hum... – ele me lançou um olhar divertido.
– Numa escala de zero a dez em matéria de imbecilidade, você tirou um onze, Scorpius...
– Eu sei. – riu ele – Mas é que quando é a Rose... sei lá... Ela me deixa louco, Cyg. Eu amo ela. – murmurou ele – Ela está desesperada. Está morrendo de medo... Quis até tomar uma poção abortiva...
– Algum de vocês tem que ter juízo, não é? – perguntei me escorando na parede e cruzando os braços.
– Mas eu não quero que ela tome. – disse Scorpius – Eu disse, Cyg. Eu a amo. Eu... eu quero casar com ela. Eu quero esse filho. – murmurou ele – Eu só tenho medo... – murmurou ele desviando o olhar – de ser um menino...
Pisquei confuso.
– Do que está falando? Um filho homem é sempre uma boa notícia. Significa que a família...
– Vai sobreviver mais uma geração, eu sei... – resmungou Scorpius. Ele me olhou profundamente – Esse fardo nunca foi pra ser meu, Cyg. Olhe pra mim! Eu sou uma versão loira do vovô Sirius. Eu não nasci pra levar o nome Malfoy adiante. Você sim.
– Esse fardo não é meu, Scorpius. Eu não pretendo me casar e muito menos ter filhos.
– A mãe da Rose é nascida trouxa, Cygnus... Como eu posso... Sequer cogitar que o herdeiro do nosso legado seja filho de uma mestiça?
Olhei surpreso para Scorpius.
– Pensei que não ligasse pra isso.
– Eu odeio isso, Cyg, mas é minha responsabilidade ligar pra isso... Imagina o que o papai vai pensar... o que ele vai fazer. – ele se levantou e andou pelo quarto angustiado – Eu tenho medo que ele faça alguma coisa com a Rose...
– Tá maluco? Seria o mesmo que jogar o casamento dele no lixo. Mamãe nunca iria perdoá-lo.
– Como se ele ligasse pra isso. – resmungou Scorpius – A única coisa com que o papai se importa é com o legado da família. Só isso. – Scorpius me olhou novamente – Eu digo para a Rose que eu a amo todos os dias. Todos. Acho que é mínimo que eu posso fazer por ela me fazer tão absurdamente feliz. – disse ele – Papai é casado com a nossa mãe há mais de vinte anos e eu não o escutei falar que a ama uma vez sequer.
– Você é tão cego quanto eu fui... quem diria. – eu ri me aproximando dele – Papai é loucamente apaixonado pela nossa mãe, Scorp.
– Ele não é.
– Sim, ele é. Mas ele não sai gritando isso aos quatro ventos. Ele acha que isso é entre ele e ela. Eles se amam demais e se você e Rose conseguirem ter a relação dos nossos pais, você vai ser um grande sortudo. – eu soltei um suspiro e puxei Scorpius para que ele se olhasse no espelho – O que você precisa fazer agora é decidir o que é mais importante para você, Scorpius. O legado da nossa família, ou Rose Weasley. E então você faz o que quiser. Somos Malfoy, sempre fazemos o que queremos e as pessoas que aceitem isso.
Scorpius sorriu para mim, pelo reflexo.
– Você acha que... que eu realmente posso escolher a Rose?
– Se for o que você quer, Scorp. Faça. – respondi – E seja qual for a decisão que você tomar, eu vou ficar do seu lado, mesmo que seja contra o nosso pai.
Scorpius se virou para mim e sorriu. Então ele me puxou e me abraçou.
– Você é o melhor, Cyg.
– Ok, Scorp... me solte. Isso é estranho. – resmunguei desconcertado.
Scorpius me soltou e sorriu.
– Você vai ser o padrinho! Não aceito “não” como resposta! – disse ele.
– Scorpius... eu não sei se vou estar aqui quando nascer. – murmurei com indiferença – Eu pretendo viajar pelo mundo depois que me formar.
– O que? – perguntou ele chocado – Não pode esperar um ano ou dois?
– Não. – respondi olhando para minhas mãos. – Não posso esperar mais. Eu quero fazer isso. Eu preciso fazer isso.
– Do que está falando? – perguntou Scorpius. Eu me virei e sorri para ele.
– Eu quero estudar as Artes das trevas mais a fundo. Vou visitar o Egito, a Albânia e a Rússia... Talvez até o Brasil... lá tem muita coisa interessante também.
– Pra que quer fazer isso? – perguntou Scorpius me sacudindo pelos ombros, parecendo aflito – Não teve experiência o suficiente com as Artes das Trevas?
– Nunca será suficiente. – respondi sorrindo. Scorpius se afastou e me olhou parecendo assustado. – O que foi, maninho? Não me diga que está com medo de mim? – perguntei avançando mais um passo. Vi a mão de Scorpius escorregar para a varinha.
– Você ainda é você, né, Cygnus? – perguntou ele – Porque está parecendo com aquele dia... aquele dia em que você estava possuído.
– Às vezes me pergunto se eu realmente estava possuído... – murmurei – Às vezes me pergunto se isso não é alguma trava mental, para que eu não sinta o remorso e possa fazer aquilo que eu quero. Eu não sou normal, Scorpius... Você não me quer como o padrinho do seu filho... Escolha Albus.
– Você é meu irmão. Não Albus. – respondeu Scorpius – Pare de mexer com essas coisas, Cyg. Vai acabar em Azkaban. – resmungou ele.
– Por favor, Scorp. Como se alguém tivesse força e capacidade pra me levar preso. – ri com descaso. Então fui até a porta.
– Pois eu te digo, mano... – ele me puxou pelo ombro e colocou o dedo na minha cara – Se você for preso por mexer com magia negra, eu juro que vou te dar uma surra à moda trouxa. – ameaçou ele.
Dei um sorrisinho e dois tapinhas na cara de Scorpius, debochadamente.
– Que gracinha...
Eu mereci cada pisada que ele me deu quando eu fui preso e tiraram minha varinha...
Mas de qualquer maneira, eu segui para o salão principal. Yasmin e Amanda sorriram e me beijaram uma em cada bochecha para dar sorte. Saí levando as duas pela cintura e elas olhavam para os lados como se fossem celebridades. Chegamos no campo de quadribol sob uma onda eufórica de aplausos. O campo tinha sido transformado em uma arena e estava cheio de pedras grandes e estátuas.
Me despedi de Yasmin e Amanda e então fui para o centro do campo junto de Pascal, que era meu padrinho no duelo. Apolo já me esperava ali e ele olhava para as arquibancadas parecendo hipnotizado pelas cores verde e prata da Sonserina. Nunca imaginei que veria aquilo com tanta frequência.
Fiquei de frente para Apolo. Ele me olhava com determinação. O padrinho dele era uma garota bonita da Beauxbatons, que mandou um beijo para Pascal. Ele fez cara de descaso e apontou para o dedo, deixando claro que estava comprometido.
Na arquibancada de honra, eu vi meus pais me olhando com atenção. Minha mãe preocupada e meu pai com expectativa. Sorri para eles e voltei a olhar Apolo.
As regras foram ditas por Ludo Bagman. Não valia magia negra e se o oponente desistisse, o duelo terminaria imediatamente.
Pascal me cumprimentou, a garota da Beauxbatons fez o mesmo com Apolo.
– Cumprimentem-se. – disse tio Harry, que seria o juiz.
Fiz uma reverência e Apolo também. Depois tomamos pose de luta. Todos se afastaram e então escutei Harry gritar.
– COMECEM!
Apolo atacou primeiro, com um feitiço para me jogar longe. Fiz um escudo poderoso e o feitiço refletiu. Ele foi jogado para trás e a arquibancada soltou um “ooooooh” de surpresa, como se tivessem ensaiado. Segui olhando para ele com indiferença. Eu sabia que ele não estava no mesmo nível que eu, mas seria humilde assim mesmo.
Ele me atacou de novo e de novo. Trasfigurou pedras em serpentes e cães. Eu as transfigurei de volta em hipogrifos. Ele explodiu cada um dos animais e me atacou com chamas. Fiz um aguamenti tão forte que parecia uma cachoeira.
Ele era bom. Eu vou admitir. Ele lutava com muita graça e habilidade. Mas simplesmente não estávamos no mesmo nível. Ele sabia que eu tinha medo de altura, então transfigurou o chão embaixo de mim em vento. Esse é um tipo muito avançado de magia. Eu quase caí, mas fiz um feitiço gravitacional, para sair do buraco.
Então cansei de me defender e comecei a atacar. Transformei pedras em grifos, dei vida às armaduras. Mas Apolo às derrotou com facilidade e as voltou contra mim. Então as explodi, transformei os estilhaços em lâminas e as joguei contra ele. Ele convocou uma grande pedra e se escondeu atrás dela.
Então ele a jogou com velocidade contra mim. A explodi e então notei que não via mais Apolo. Ele estava invisível. Um feitiço de camuflagem perfeitamente desempenhado. Sorri achando interessante. Mas se ele queria brincar de ficar invisível, então eu teria que atacar em área.
Girei o corpo conjurando fogo ao meu redor. Então causei uma grande explosão. Ouvi o grito dele. Avancei para o lugar onde alguém invisível pegava fogo. Ele apagou a chamas, mas eu o desarmei e cancelei seu feitiço camuflagem. Ele voltou a ficar visível e minha varinha estava apontada a centímetros de seus olhos.
– Eu desisto. – disse ele.
Nunca ouvi Hogwarts gritar tão alto.

Cyg e Scorpius
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