Cygnus - Fallen

14 O Barão Sangrento e o Cajado de Slytherin


Notas iniciais
Apesar de o Nyah ainda não ter liberado o depoimento, eu recebi mais um! Obrigadíssima, Dudat4553!! Beijões e espero que gostem desse capítulo tbm!!! =D

Oh... Você voltou... Por um momento me perguntei se voltaria... Então Lily te contou o que eu fiz? Ou melhor... O que Abraxas fez... Eu tenho mortes no meu currículo, mas aquelas ali não me pertencem. A diretora da Durmstrang respondeu por eles. E ela foi presa e recebeu um beijo de um dementador. Cortesia dos Malfoy. Nunca mexa com o filho de um Malfoy.

Principalmente se o pai dele estiver na Corte dos Bruxos.

Nem minha mãe e nem o meu pai queriam que eu voltasse para a escola. Mas eu insisti.

– Eu não posso ficar sozinho aqui.

– Não estará sozinho. Eu e sua mãe estaremos com você...

– Os N.I.E.M.s estão chegando! Eu não posso perder mais aulas! – argumentei... Como se eu já não soubesse tudo o que iria cair nos N.I.E.M.s...

Depois de muitas brigas eu consegui voltar para a escola. Mas eu estava ciente de que eu não estava completamente recuperado. Eu tinha lapsos de memória. Eu ficava perdido, sem saber quem era. Peguei mania de ficar mexendo no anel daquela mulher trouxa. Não sei porquê, mas eu gostava muito dele.

Eu fiquei muito nervoso e desconfiado de todos. Menos de Lily, é claro. Fiquei completamente obcecado por ela e ao mesmo tempo, completamente envergonhado. Eu só sonhava com ela. Eu só pensava nela. E quando tinha meus lapsos... era terrível.

Scorpius contou que eu matei algumas pessoas e que eu machuquei ele e Virgo. Ela disse que não tinha problema, pois ela sabia que eu estava fora de mim. Aparentemente eu achei que todos eles eram meus inimigos.

Mas eu ainda estava com medo.

Tinha medo de perder o controle sobre mim mesmo. Lembrar do que tinha acontecido na torre da Corvinal era extremamente doloroso. Eu quase estuprei Lily. Eu abusei dela, eu a machuquei e ameacei. E se acontecesse de novo? De repente eu estava no meu quinto ano novamente, com medo de mim mesmo.

Como Pascal estava namorando minha irmã, eu passava a maior parte do meu tempo sem ele, despistando as garotas que ficavam me seguindo. Normalmente me escondia nas masmorras, repetindo para mim mesmo quem eu era.

– Sou Cygnus Malfoy. Tenho dezessete anos. Tenho dois irmãos. Sou filho de Draco Malfoy e Rose Malfoy... Sou Cygnus Malfoy. Tenho dezessete anos. Tenho dois irmãos. Sou filho de Draco Malfoy e Rose Malfoy... Sou Cygnus Malfoy. Tenho dezessete anos. Tenho dois irmãos. Sou filho de Draco Malfoy e Rose Malfoy... Eu não matei Harry Potter, eu não estuprei minha irmã, eu não estuprei Lílian Potter... Eu não sou Abraxas Slytherin... Sou Cygnus Malfoy. Tenho dezessete anos. Tenho dois irmãos. Sou filho de Draco Malfoy e Rose Malfoy...

Eu podia ficar fazendo isso por horas. E eu precisava fazer isso. Minha mente tinha quebrado. Minha alma também. Abraxas estava me controlando, mas minha mão quem fez o feitiço. Minha varinha lançou as azarações naquelas pessoas.

– Sou Cygnus Malfoy. Tenho dezessete anos. Tenho dois irmãos. Sou filho de Draco Malfoy e Rose Malfoy... Eu não matei Harry Potter, eu não estuprei minha irmã, eu não estuprei Lílian Potter... Eu não sou Abraxas Slytherin...

Era terrível ser eu. Minhas enxaquecas estavam cada vez piores. E muitas vezes eu precisava ir para a Ala Hospitalar por conta delas. Quando o recesso de páscoa estava para chegar, eu não sabia se voltava para casa ou ficava em Hogwarts. Não queria que meus pais me vissem daquele jeito...

– Sou Cygnus Malfoy. Tenho dezessete anos. Tenho dois irmãos. Sou filho de Draco Malfoy e Rose Malfoy... Eu não matei Harry Potter, eu não estuprei minha irmã, eu não estuprei Lílian Potter... Eu não sou Abraxas Slytherin...

Eu estava nas masmorras, tremendo de frio, repetindo meu mantra, quando a Dama Cinzenta e o Barão Sangrento chegaram. Fingi que não os tinha visto e fiquei sussurrando aquelas frases.

– Sou Cygnus Malfoy. Tenho dezessete anos. Tenho dois irmãos. Sou filho de Draco Malfoy e Rose Malfoy... Eu não matei Harry Potter, eu não estuprei minha irmã, eu não estuprei Lílian Potter... Eu não sou Abraxas Slytherin...

– Cygnus... Eu preciso falar com você. – murmurou o Barão.

– Estamos preocupados, Cygnus.

Eu os olhei com um ar afetado.

– Abraxas destruiu a mente dele... – murmurou o Barão.

– O que vai fazer, Barão? – perguntou Helena. O Barão Sangrento me olhou.

Eu ainda estava sentado e posição fetal, me balançando de frente pra trás.

– Sou Cygnus Malfoy. Tenho dezessete anos. Tenho dois irmãos. Sou filho de Draco Malfoy e Rose Malfoy... Eu não matei Harry Potter, eu não estuprei minha irmã, eu não estuprei Lílian Potter... Eu não sou Abraxas Slytherin...

– O cajado pode curá-lo... mas quais serão as consequências disso? – perguntou o Barão. Eu lembro de escutar a conversa deles, mas eu estava aéreo. Eu tinha disso às vezes. Ficava consciente, sem conseguir reagir.

– Eu não sei... Isso é com você. A última vez que eu tentei ajudar um aluno, você sabe no que deu.

– Eu acho que ele é melhor que Tom Riddle.

– Se ele for igual a Abraxas... Então estaremos todos perdidos.

Os dois ficaram em silêncio me observando enquanto eu repetia aquelas frases, passeando o anel entre meus dedos.

– Sou Cygnus Malfoy. Tenho dezessete anos. Tenho dois irmãos. Sou filho de Draco Malfoy e Rose Malfoy... Eu não matei Harry Potter, eu não estuprei minha irmã, eu não estuprei Lílian Potter... Eu não sou Abraxas Slytherin...

A Dama Cinzenta foi embora depois e um tempo e eu fiquei sozinho com o Barão. Vários minutos depois eu me levantei e o olhei.

– Por que ainda está aqui? – perguntei um pouco confuso.

– Você ainda quer o cajado de Slytherin?

– Não. – eu respondi. Meus olhos movendo-se nervosamente – Eu não quero mais nada com a família Slytherin.

– Ele pode curar você... Pode exorcizar você de uma vez por todas.

Então eu aceitei. É claro.

– Certo.

– Mas você vai precisar da espada de Gryffindor.

O cajado estava escondido em uma ilha secreta, imapeável, ao norte da Escócia. Aproveitei o feriado da páscoa para ir pra lá. Mandei uma carta para minha família dizendo que não voltaria para casa, porque precisava praticar para a próxima etapa do torneio tribruxo e também porque eu precisava estudar para os N.I.E.M.s.

Não fiquei esperando que eles respondessem e simplesmente fui para onde o Barão Sangrento me enviou.

Quando ele me disse que eu teria que enfrentar quintapedes, eu fiquei preocupado. Eles eram imunes à magia e extremamente agressivos – sem falar que tinham gosto por carne humana. Então, antes de sair, eu precisava me organizar.

Primeiro, pedi a capa de invisibilidade do meu padrinho para Albus.

– Pra que você quer isso? – perguntou ele desconfiado.

– Eu não posso falar, mas é por uma boa causa... – respondi com os olhos evasivos e as mãos nervosas.

Mas todos os Potter estavam muito mais compreensivos comigo depois da segunda tarefa. Até mesmo James, que veio me visitar em casa para falar que esperava que eu melhorasse logo.

Quando Albus me arrumou a capa, eu fui para o escritório de Minerva McGonagall. Eu sabia a senha, é claro, já que era o monitor chefe. Eu subi pela entrada do gárgula e espreitei a sala. Os retratos dos diretores estavam ali e todos eles dormiam.

Caminhei até a espada de Godric Gryffindor e me estiquei para pegá-la. Meu braço escapulindo para fora da capa. Foi quando escutei alguém falar comigo.

– Não está querendo roubar isso, está? – me virei e vi o quadro de Dumbledore. O único que não fingia dormir.

– Eu pretendo devolver, sim... Preciso dela por uns dias.

– Oh... Cygnus... É você... – murmurou Dumbledore que reconheceu a minha voz – E pra quê você precisa dela? Você não pertence à casa da Grifinória. Não pode usar essa espada.

Eu então tirei a capa. Dumbledore me olhou calmamente.

– Eu preciso dela pra proteger as pessoas que me são importantes... – respondi tremendo de ansiedade – Eu juro que vou devolver...

– Proteger de quem Cygnus?

– De mim mesmo... – respondi – Eu preciso tirá-lo de dentro de mim. O Barão sabe como... O Barão sabe como. Ele disse que vai me ajudar... – e então eu tive um dos meus lapsos. Olhei ao redor sem saber onde estava. Me abaixei, apertando a cabeça e comecei a chorar de medo e exaustão.

– Está tudo bem, garoto. – murmurou outra voz. Levantei o olhar e voltei a mim. Era Fineus Black. – Você vai ficar bem...

– Eu preciso me livrar dele. Eu machuquei a Lily... Eu machuquei a minha Lily... – murmurei. Dumbledore e Fineus me olharam com preocupação.

– Amor é uma magia poderosa Cygnus. – disse Dumbledore.

– Eu não consigo amar! – gritei furioso. – Eu vou pegar aquela garota e você vai se arrepender por tentar me passar pra trás, garoto. – disse Abraxas – Você não vai tocar em Lily... Ah, eu vou. Vou fazer mais do que tocar, acredite. Não... – caí de joelhos novamente segurando a cabeça.

– Fique calmo, Cygnus. – murmurou Dumbledore – Acalme sua mente.

– Discipline-se. – concordou Fineus.

– Eu não consigo... – lamentei envergonhado – Nunca vai se livrar de mim, você é meu. – olhei para Dumbledore e lembro de sorrir – Eu vou matar aquele garotinho que você tanto amava, Dumbledore. Aquele maldito, herdeiro de Gryffindor. Eu vou matar todos eles. Não vai tocar no Harry... maldição...

Me levantei e peguei a espada de Gryffindor.

– Não vamos contar o que houve. – prometeu Fineus.

– Obrigado... – murmurei pegando a capa novamente.

Fui para o escritório secreto e usei o armário para ir para a Travessa do Tranco. Depois comecei a viajar. Levei horas até chegar onde precisava. Transfigurei uma pedra em um barco e então viajei para o lugar onde o Barão me enviou.

Assim que cheguei lá encontrei o Barão Sangrento. A noite estava para terminar. Escutei os quintapedes a distância. Eles rosnavam de maneira assustadora. Desci do barco e comecei a caminhar. Eu sabia onde estava. Eu podia sentir. Chamava por mim. O primeiro quintapede apareceu, mas eu apenas olhei para ele e ele encolheu intimidado.

– Eles eram servos dos Slytherin, que se rebelaram contra Revenclaw. – explicou o Barão.

– E aquela lenda sobre MacBoon e os McClivert?

– Ravenclaw criou essa história.

– Por que eles não me atacam?

– Porque você lembra Abraxas... – respondeu o Barão – Eles reconhecem o mestre deles.

Estremeci e segui caminhando. Recordava de já ter feito aquele caminho antes, com esperanças de conseguir poder o suficiente para ter minha Helena de volta. Foi quando vi uma imensa árvore. Os quintapedes me seguiam, muito quietos. Quando cheguei no lugar, eu vi uma caixa com o símbolo de Ravenclaw.

Peguei a espada de Gryffindor e coloquei a ponta na fechadura. Então apertei a espada contra a caixa. Escutei um ‘clic’ e ela se abriu. Lá dentro tinha uma chave dourada.

– Agora pode abrir a caixa. – respondeu o Barão.

– Onde ela está?

– Albânia. Por que você acha que Abraxas pediu para que Helena fugisse pra lá? Acha mesmo que ele a amou? Aquele homem não era capaz disso.

– Ele era e ele a amou.

– Você não sabe.

– Eu sei. – retruquei.

– E como pode saber?

– Eu só sei. – respondi pegando a chave e saindo dali.

Eu tinha pouco tempo para chegar na Albânia, mas consegui. Mais uma vez foi muito fácil saber onde procurar. Primeiro encontrei a cabana abandonada de Abraxas. Não sobrara muita coisa. Ela tinha caído aos pedaços, mas me bateu uma imensa tristeza ao vê-la... Eu tinha sido tão feliz... Digo... Abraxas tinha sido tão feliz ali, ao lado de Helena...

Caminhei seguindo aquele chamado que parecia vir de dentro de mim. Podia ouvir uma voz sibilando meu nome. Cygnus... Cygnus...

Perdi a noção do tempo andando por aquela floresta. O Barão flutuando ao meu lado. Aquela voz me chamando. Notei uma neblina negra ao meu redor. Senti um frio absurdo me tomar. Uma sensação de desespero... Como se nunca mais fosse ser feliz novamente. Eu sabia o que era. Dementadores. Segurei minha varinha sabendo que eu nunca mais conseguira fazer um patrono.

– Expecto Patronum – murmurei, mas apenas aquela nuvem ridícula saiu da minha varinha. Segui caminhando e por fim eu o vi.

Era o dementador. Ele estava de pé, em frente a uma construção de pedra. Parecia um altar. O dementador estava virado para mim. Eu nunca tinha visto um dementador antes. Eu não sabia o que teria por baixo de seu capuz. Mas eu sabia quem era.

– Abraxas.

– Me dê a chave. – ele murmurou.

Eu apontei minha varinha para ele.

– Não. – respondi. Ele riu desdenhoso

– Vamos, Cygnus. É hora da nossa última batalha. Mas você não é nem mesmo a sombra do que você era. Nunca poderá me derrotar. – ele disse sacando a própria varinha.

Nos encaramos longamente e então duelamos.

Nunca enfrentei alguém como ele. Aquele foi o duelo da minha vida. Explodimos metade da floresta e eu lutei com todas as minhas forças. Não poderia narrar aquela batalha sem prejudicá-la, mas sei que ela foi épica. Dois bruxos das trevas, lutando pelo cajado, cada um por seus motivos. Quanto tempo Abraxas ficou esperando que alguém aparecesse com a chave? Centenas de anos, ali. Ele falou, enquanto lutávamos, que estava lá há muito tempo, apodrecendo, mantendo-se vivo com magia negra, sangue de unicórnio e Horcruxes.

Foi quando eu me dei conta... Havia uma parte dele dentro de mim. Eu seria uma Horcrux também? Algo que ele criou através daquele espelho? Talvez antes? Eu não sabia como, mas... Eu sabia que meu pai tinha estado num ritual de necromancia no dia em que eu nasci... Talvez isso significasse alguma coisa.

Algumas perguntas nunca seriam respondidas...

Seguíamos lutando um com o outro. Parecia que estávamos daquele jeito há horas... Quando eu finalmente resolvi apostar tudo. Foi um momento de desespero e egoísmo. Mas eu não estava pensando direito. Se desse errado, eu estaria permitindo que Abraxas pegasse o cajado de Salazar. Se desse errado, todas aquelas pessoas com quem eu convivi, iriam morrer. Iriam sofrer nas mãos dele.

Mas em compensação eu estaria livre. Livre daquele constante tormento. Livre para ter paz e simplesmente morrer. Ao meu ver, eu só teria a ganhar.

Então, quando ele lançou a maldição da morte em mim, eu me deixei acertar.

Pareci cair por horas. Fiquei deitado por tanto tempo, que parecia loucura. Mas então eu abri os olhos. Reconheci o quarto do meu avô Lúcio. Me sentei e notei que estava na poltrona ao lado da cama dele. Meu avô olhava para mim com atenção. Ele não parecia doente ou fraco. Parecia aquele homem forte e confiante que sempre fora.

– Olá, Cygnus.

– Deu errado. – murmurei ficando de pé. Então eu vi aquela coisa. Parecia um feto. A olhei enojado. Ela tremia e fazia barulhos esquisitos.

– Não. Não deu errado. – murmurou meu avô – A porta está ali, você só precisa abrir e voltar.

– Voltar? – perguntei ao meu avô. Olhei ao redor e vi um jarro em forma de lua, com vários lírios. – Voltar pra que?

– Você sabe pra que... Ele precisa ser completamente destruído.

– Eu estou cansado de lutar, avô... lutei com ele a vida inteira. – murmurei me sentando, com vontade de ficar por ali mesmo.

– Eu entendo... mas você está tão perto da vitória definitiva. E as glórias serão infinitas.

– Ninguém ficaria sabendo. Ninguém me viu duelar. – eu sorri contente – Eu fui brilhante, não fui?

– Sim. Estávamos todos assistindo. – disse meu avô.

– Todos? Quem mais assistiu? – perguntei confuso. O quarto do meu avô parecia crescer ao infinito e eu pude ver cada retrato do escritório da mansão Malfoy. Cada um deles ali, de pé, com seus olhares cheios de orgulho. Eram tantos... tantos...

– Foi incrível, Cygnus. – disse meu bisavô Abraxas – Seu pai ficaria orgulhoso.

– Não só ele. – respondeu alguém do meu outro lado. Me virei e vi um cem número de homens de cabelos escuros e olhos azuis celestes. Mas um deles me deixou realmente desconcertado – Uau... Você realmente se parece comigo... Mas é infinitamente mais habilidoso que eu, devo dizer.

– Você é Régulus Black!

– Sou. – respondeu ele – Eu me entreguei à morte, Cygnus. Eu descobri sobre o Lorde das Trevas e suas horcruxes, consegui recuperar uma e me entreguei ao desespero e à culpa. Me entreguei à morte, achando que era o que eu merecia por tudo de errado que eu fiz, por todas as decisões erradas que eu tomei. Mas hoje eu me arrependo... Meu irmão foi preso injustamente. Eu poderia tê-lo salvo. Eu poderia tê-lo inocentado... Eu poderia ter ajudado Damasco a cuidar de sua mãe... Eu poderia ter feito muito mais por todos os que eu amava... Mas eu optei morrer. Porque estava cansado e me sentia culpado. Achei que era o que eu merecia... – ele se aproximou de mim e colocou a mão no meu ombro – Todos merecem uma segunda chance. Volte.

– Eu não tenho porque voltar... – murmurei.

– Não tem? – perguntou minha bisavó Walburga mexendo no jarro de flores. Ela pegou um lírio e me entregou – Tem absoluta certeza disso?

– Ela estará melhor sem mim.

– Ele vai ir atrás dela. – retrucou alguém que vinha lá do fundo. Me virei para o lado dos Malfoy e vi um homem vir. Ele era tão parecido com o Barão que me assustou – Você conhece Abraxas Slytherin, Cygnus. Você sabe o que ele pode fazer e o que ele vai fazer.

Segurei o lírio que minha bisavó tinha me entregado. Senti meu avô e Régulus tocarem meus ombros. E então eu tive certeza de que precisava ir. Abracei meu avô e depois apertei a mão de Régulus. Acenei para todos os que estavam ali e então saí pela porta.

Quando abri os olhos, Abraxas estava em cima de mim procurando a chave. Eu vi o rosto dele por debaixo do capuz. Era repulsivo e podre. Saquei a espada de Gryffindor e o atravessei no peito. Ele fez um barulho estranho e então eu o chutei. Ele caiu no chão, segurando a barriga. Eu empunhei a espada e o decapitei.

Ele explodiu numa neblina negra e me rodeou. Minha visão ficou embaçada. Ele tentou me controlar. Saquei minha varinha mais uma vez e vi um lírio no chão. Lembrei de Lily cantando pra mim e então eu gritei.

– EXPECTO PATRONUM

E finalmente fui capaz de conjurá-lo novamente. Ele abriu as enormes asas na minha frente e eu escutei um grito estridente. A neblina se condensou em forma de um rosto e avançou contra meu patrono, mas o cisne não recuou. Um clarão enorme me cegou e quando eu voltei a enxergar, senti-me completamente livre. Olhei para frente e vi meu cisne prateado.

– Obrigado... – murmurei grato. Me levantei e ele voou para longe, para desaparecer.

Eu poderia ter ido embora. Eu deveria ter ido embora. Mas eu enfim vi. Aquilo que eu vinha desejando a tanto tempo, dentro de uma caixa transparente. Parecia vidro, só que um pouquinho opaco.

Sorri sem conseguir controlar a cobiça. Aquele era meu prêmio. Eu tinha ganhado. Eu tinha derrotado o filho de Salazar Slytherin, o legítimo herdeiro daquela relíquia. Por isso me considerava no direito de possuí-la.

Avancei, ferido e fraco. Peguei a chave. Abri a caixa e então peguei o cajado.

Foi como ter um orgasmo...

Não...

Foi muito melhor.

Foi indescritível. O poder. Poder puro e absoluto. Me senti um deus. Senti meu corpo se curar, minha mente voltar ao normal.

– Alguém digno de portar o cajado. – me sobressaltei. Olhei para o lado e reconheci Salazar Slytherin. Eu já tinha visto retratos dele na escola – Alguém digno de meus poderes... Finalmente alguém com o sangue puro, diferente do último – Salazar Slytherin sorriu para mim – Juntos, nós mudaremos o mundo.

Eu sorri para ele.

– Não estou interessado. – disse sorrindo.

Coloquei o bastão novamente na caixa e então o tranquei com a chave. A guardei nas vestes e sorri vitorioso, completamente convencido de que eu era o bruxo mais impressionante de todos os tempo. Peguei a caixa e fui aparatando de pouco em pouco até poder voltar para a Travessa do Tranco.

Arrombei a Borgin&Burke e voltei para Hogwarts. Escondi o cajado no escritório, limpei a espada, a devolvi, agradecendo aos diretores. Depois voltei para o salão comunal da Sonserina. Coloquei a capa de Albus embaixo do travesseiro dele e por fim fui dormir.

Notas finais
E finalmente o Cajado entra em cena! =D Comentem, ok? Beijos Bom Domingo, boa semana