Cygnus - Fallen

34 Legado Malfoy


Notas iniciais
Gente... antes de tudo, algumas palavrinhas! Eu sempre recebo comentários falando que emocionei tanto a ponto de fazer alguns leitores chorarem (Céus, como eu amo esses comentários). É muito legal saber que você envolveu tanto alguém com que escreveu a ponto da pessoa chorar. E eu vou dizer. Eu já recebi algumas recomendações. Mas com essa da Sarah Magalhães, eu realmente chorei. AMEI a recomendação! Por conta dela, eu vou postar o último capítulo dessa fic! Vai ser doloroso dizer adeus ao Cygnus. Ele é meu personagem original favorito u.u Mas... Tenho certeza de que vocês também concordam que eu já mexi demais na vida dele. Vamos ver se ele vai ter o final feliz dele, né? Espero que gostem! Beijos e leiam as notas finais!!

Largo Grimmauld nº 12

Olhei, pela janela, a neve que caía na rua. Os trouxas cantavam músicas natalinas, balançando sinos, contagiados pela energia do feriado. Me lembrei do natal em que Cygnus voltara pra casa, muito ferido e intoxicado... Mas não somente do natal... me lembrei dos dias seguintes, quando nos escondemos no Largo Grimmauld e vivemos juntos... eu tive tanta certeza de que viveríamos ali...

Mas eu sou apenas uma tolinha... Uma garota tolinha, sonhadora e estúpida.

– Vai arrumar os cabelos num salão, Lily? – perguntou minha mãe.

– Não... – respondi.

– Eu tenho horário marcado com Madame Pillar... posso marcar pra você ir comigo.

– Não precisa. – respondi simplesmente.

– Tem certeza de que não vai passar o natal com a gente, Lily? – insistiu minha mãe com a voz triste – Você quase nunca aparece. Está sempre se isolando de todo mundo... tem certeza de que quer passar o natal sozinha?

– Sim.

Eu tinha finalmente saído de casa. Estava morando num apartamento simples, no Beco Diagonal, próximo da minha pequena loja de artefatos mágicos.

Minha mãe soltou um suspiro.

– Se mudar de ideia, vamos estar te esperando. Vai ser na Toca, esse ano.

– Ok.

Minha mãe suspirou tristemente mais uma vez e saiu, me deixando sozinha no meu antigo quarto em Godric’s Hollow.

“Case comigo”

Quantas vezes ele me tinha pedido em casamento? E eu sempre respondi: quando você deixar a guerra pra trás... ele o fez e eu o abandonei... Eu o deixei pra trás... naquele manicômio...

Fechei os olhos, sentindo-me a pior das pessoas. Cygnus era o Sinistro, mas eu era a pessoa mais cruel que eu conhecia...

Olhei para o meu quarto e lembrei dele ali, parado, completamente molhado pela água da chuva... Ele tinha vindo me pedir em casamento... e eu neguei... eu neguei... eu poderia tê-lo salvo... mas eu neguei...

Desci as escadas e entrei no banheiro. Ainda lembrava dos azulejos sujos de sangue. Ainda me lembro do cheiro férreo... ainda me lembro de chorar de desespero e arrependimento. E juro que posso me lembrar de ouvir a gargalhada de Abraxas Slytherin quando eu comecei a chorar, quando meu corpo expulsou o bebê de dentro de mim...

Saí dali e fui para o escritório do meu pai. Onde eu e Cygnus fizemos as pazes depois dele me abandonar mais uma vez... onde eu deixei meu orgulho de lado simplesmente porque eu o amava demais e não conseguia viver sem ele... não sem me sentir incompleta...

E então ele prometeu que iria deixar a guerra... prometeu que voltaria pra mim... Que casaria comigo.

– Mas o Cajado não deixou...

Peguei minha bolsa e saí da casa dos meus pais. Depois segui para o Beco Diagonal, voltando para minha loja. Precisava encantar vários enfeites para cantarem durante o feriado.

Fiquei me lembrando daquele ano horrível que tinha passado. Um ano inteiro sem visitar os Malfoy. Cygnus não queria me ver e era o mínimo que eu poderia fazer por ele. Não estragar suas reuniões familiares. Scorpius e Remo nunca mais falaram comigo. James e eu conversávamos politicamente, apenas por meus pais. Virgo não sabia o que tinha acontecido, então acabou relevando os problemas entre eu e Cygnus.

Mas ela era casada e não tinha tempo pra mim, na verdade. E eu jamais cobraria isso dela. O mesmo valia para Albus. Ele estava casado com seu romance da Corvinal, da época de escola. Por mais que ele fosse a pessoa mais presente na minha vida, ele não poderia estar sempre lá.

Mas a verdade é que eu simplesmente prefiro ficar sozinha. Não acho que seja justo eu contagiar as pessoas que eu amo com a minha própria infelicidade. Apenas seguia focando na minha loja e tentando me distrair completamente com isso. Porém, não dava para fugir das boas lembranças ou das ruins.

Não conseguia me esquecer de Cygnus Malfoy e eu me sentia simplesmente idiota por isso. Tentava não pensar nele, não perguntava sobre ele e evitava qualquer conversa que pudesse me proporcionar algum detalhe sobre ele. Ele me queria fora da vida dele. Simples assim. E eu não seria aquele tipo esquisito de pessoa que fica seguindo obsessivamente alguém. Eu tinha amor próprio afinal.

Peguei o avental da loja e prendi os cabelos, pronta para começar a trabalhar. O frio da estação estava congelante e isso me fazia pensar no Largo Grimmauld. Aquela casa estava sempre num frio de doer os ossos. Lembro que só conseguia dormir lá com o corpo completamente enroscado no corpo dele... O que eu seria capaz de fazer para voltar naquele tempo? Quando eu cozinhava qualquer coisa e Cygnus lia o jornal, comentando que o preço dos caldeirões tinha subido de novo...

Sequei uma lágrima que teimava em escorrer pelo meu rosto e peguei a varinha. Comecei com os feitiços, encantando os enfeites para que cantassem de maneira harmoniosa e somente de tempos em tempos, para não ficar tão enjoativo.

Passei a tarde toda naquilo.

“Case comigo.”

Larguei a varinha e solucei.

“Case comigo.”

O corpo dele era tão quente... os beijos tão doces...

“Não somos mais amigos, você não fala mais comigo... Não significo mais nada pra você, não é?”

Fechei os olhos angustiada.

“Sabe o quanto me magoou? Sabe?”

O que eu tinha feito?

“Sabe o quanto eu fiquei completamente perdido naquele inferno? Desesperado porque tiraram todas as minhas lembranças de você? Céus, quando eu te vi depor, eu nem sabia quem era você... Eu sabia que eu amava Lílian Potter... mas eu não sabia porque ou quem era essa Lily... Eu não lembrava da sua voz ou do seu rosto... eu só sabia que te amava. Era a única certeza que eu tinha naquele lugar. Mas agora, Lily...”

Não consegui segurar o choro. Arfei cheia de angústia. Já tinha tanto tempo desde a última vez que eu tinha visto Cygnus, mas mesmo assim, parecia que tinha sido ontem...

“Você disse que casaria comigo... se eu largasse tudo... eu larguei. Eu deixei tudo pra trás... e você me abandonou...”

– Me perdoe, Cygnus... por favor... me perdoe... – murmurei simplesmente infeliz.

Foi quando a campainha tocou. Me levantei e sequei o rosto. Me olhei no espelho e arrumei o rosto com a varinha, para que não fosse evidente que eu estivera chorando. Fingi-me de feliz e fui para o balcão.

– Bem vindo! – disse, mas quando vi Cygnus com duas meninas, meu sorriso morreu.

Narcisa estava pendurada na perna dele, gritando que queria uma estrela que brilhasse e voasse pela sala, enquanto Dália puxava os cabelos dele, sentada em seus ombros, sacudindo uma boneca qualquer.

– O tio Cygnus vai comprar tudo o que você quiser. Pode escolher, Ciça. – disse Cygnus, que aparentemente não tinha me visto. Ele sorria para a sobrinha mais velha pacientemente – Dália, querida, vai deixar o tio careca desse jeito. – murmurou ele com uma paciência doce, que me lembrou o jeito dele, quando éramos crianças e era eu a implicar com ele, tentando roubar o livro que ele lia, ou então implorando para que ele brincasse comigo.

– EU QUERO A RENA! – gritou Narcisa, animada. Cygnus sorriu para ela.

– É claro. Pegue tudo o que quiser que o tio compra.

– O TIO É O MELHOR! – gritou Narcisa correndo pela loja.

Cygnus tirou Dália dos ombros e então, finalmente me olhou. Sorri gentilmente para ele.

– Em que posso ajudar? – perguntei, como sempre perguntava para um cliente. Mas ele me olhou completamente chocado e eu tive certeza que ele não esperava me ver.

– Me desculpe... eu não sabia que essa era a sua loja. – murmurou ele.

– Sem problemas, já que vai comprar tudo o que Narcisa pedir... – respondi sorrindo, me apoiando sobre a bancada. Cygnus estava tão bonito... Alto, com os olhos cinzentos e brilhantes, o cabelo curto e a barba feita... não sobrara nem mesmo um traço do Cygnus garoto nele. Ele estava completamente adulto e por mais que ele estivesse bonito, havia algum pesar nele. Uma ruga em baixo dos olhos, que havia surgido desde Azkaban.

Cygnus sorriu também. Mas nem isso fez com que aquele pesar deixasse seu rosto. Provavelmente nunca iria deixar. Azkaban marca as pessoas permanentemente. Todos sabiam disso.

– Vou sair no prejuízo?

– Não vou mais precisar vender um enfeite sequer pelo resto do feriado.

– Tudo bem... eu sou fabulosamente rico, de qualquer maneira. – respondeu ele. E ele me deu aquele sorrisinho debochado dele, me olhando obliquamente. Ignorei a eletricidade que subiu pelo meu corpo e desviei o olhar do dele.

– Que bom. – respondi. – Como está Íris?

– Está bem... mas Scorpius disse que eu ainda não tenho experiência para sair com as três... – ele deu de ombros – Ele não me acha responsável... – Então ele riu de novo – Quando eu achei que ouviria isso dele?

– O mundo dá voltas.

– Sim... diversas vezes... Narcisa! Não mexe nisso!

– Mas você falou que eu podia tudo! – lamentou Narcisa fazendo biquinho, segurando uma vassoura de brinquedo.

– Mas isso aí pode te machucar!

– Deixe ela, a vassoura não voa alto. – disse sorrindo. Cygnus respirou fundo – Ora! Só porque você tem medo de altura não quer dizer que Narcisa também tenha. Aquela vassoura é pra crianças.

– Não vai muito alto mesmo? – perguntou ele desconfiado.

– Não. Te garanto que não.

– Ok... – murmurou ele, mas ele olhava preocupado para Narcisa, que sorria voando pela loja, derrubando as coisas.

– Você leva jeito com as crianças.

– É... me falam muito isso. – murmurou ele ainda vigiando Narcisa – Ciça. Não voa pra fora da loja... ah! Droga. – ele me entregou Dália e correu para fora. Depois voltou trazendo Narcisa, que chorava.

– Tio não deixou voar lá fora!

– Não... temos que pagar primeiro, Ciça. Já escolheu tudo o que quer?

– Quero a vassoura, a rena e chocolates!

– Aqui não vende chocolate... – murmurou Cygnus colocando a vassoura de brinquedo em cima do balcão e pegando o ouro do bolso – Onde vende um chocolate bacana por aqui?

– Na Caramelizados, descendo a rua, terceira entrada, perto da Floreio & Borrões. – respondi.

– O tio vai comprar todos os doces que você quiser, até dar dor de barriga. – prometeu ele e Narcisa sorriu satisfeita.

– Tio! Quero chocolate também! – disse Dália puxando a manga dele.

– Sim. O tio vai comprar pra você também. – prometeu ele enquanto Narcisa escalava pela perna dele e Dália pedia para voltar para os ombros dele – Quanto fica a rena e a vassoura?

– Pode levar. – respondi.

– De jeito nenhum. Eu vou pagar.

Então eu disse o preço e ele pagou cada nuque.

– Narcisa! Não voa pra longe do tio! – pediu ele.

– Você cortou os cabelos... por que? – perguntei. Cygnus me olhou e passou a mão pelos cabelos curtos, enquanto pegava Dália no colo com o outro braço.

– Ciça não queria cortar o cabelo, então eu cortei para ela querer cortar também. – murmurou ele – Até a próxima.

– Foi bom te ver.

Ele me olhou e concordou, um pouco sem jeito.

– Foi mesmo... qualquer dia desses a gente podia fazer... Narcisa! Espera o tio! – e ele saiu correndo atrás da peste.

Fiquei sorrindo, olhando a porta por onde ele tinha saído, por um tempo. Um calor gostoso me tomou. Como foi bom conversar com ele, como se nada de ruim tivesse acontecido entre nós...

Olhei para o balcão e vi que ele esquecera a boneca de Dália ali. A peguei e saí correndo, mas ele já tinha sumido na multidão que andava fazendo as compras de natal. Segurei a boneca com firmeza e dei um suspiro. A guardei no cofre e voltei a encantar os enfeites.

Já estava para fechar a loja, quando ele voltou, arfando, horas depois.

– Esqueci... uma... boneca? – perguntou ele.

– Sim. Eu guardei. – respondi sorrindo. Ele respirou fundo, sem fôlego, e se curvou para se apoiar nos joelhos.

– Obrigado...

– Aceita uma água? – perguntei sorrindo. Ele concordou se erguendo.

– Por favor.

Peguei um pouco de água para ele e então busquei a boneca. Cygnus estava sentado, num banco, bebendo a água, olhando para a loja com interesse.

– E então... quer comprar mais alguma coisa? – perguntei oferecendo a boneca – Juro que criei uma expectativa muito maior quando disse que compraria tudo o que Narcisa pedisse.

– O Largo Grimmauld não combina muito com enfeites de natal... – murmurou ele – Mas acho que vou querer alguma coisa que seja mais perfumada... a casa está cheirando a mofo...

– Eu tenho algumas poções ótimas pra isso. – disse voltando para dentro da loja. Me abaixei para pegar uma caixa com minhas poções e quando me levantei e me virei, Cygnus estava de pé logo atrás de mim. Perigosamente próximo de mim – A-aqui está.

Ele pegou a caixa, me olhando nos olhos.

– Obrigado.

Ficamos nos encarando longamente. Céus, como ele estava bonito... Ele colocou a mão no meu rosto e eu senti minha respiração acelerar. Mas então ele fez um movimento de pinça com os dedos e me soltou, mostrando um cílio entre os dedos.

– Obrigada. – murmurei.

Ele colocou o cílio no polegar e pegou minha mão, fazendo com que eu estendesse o polegar também. Ele empurrou o dedo contra o meu, o cílio entre eles.

– Faz um pedido.

Eu só queria que ele me beijasse.

– Ok.

– Um, dois, três... – sussurrou ele. Mas quando afastamos os dedos, o cílio estava no polegar dele – Meu dia de sorte.

– O que pediu?

– É segredo. – disse ele, muito sério.

– Eu não conto pra ninguém... – murmurei.

Ele me olhou daquele jeito debochado e guardou o cílio no bolso.

– Obrigado por ter guardado a boneca.

– Claro...

– Quanto fica as poções?

– Dez sicles. – respondi.

Ele colocou a mão no bolso e tirou um galeão.

– Não tenho moeda menor.

– Eu tenho troco.

– Pode ficar. – ele respondeu pegando as poções e se virando.

– Cygnus. – ele se virou curioso – Quer beber alguma coisa qualquer dia desses?

– Eu posso ver...

– Vai pra Toca no natal?

– Não... Largo Grimmauld... tenho muita coisa pra fazer. E não quero comemorar o natal com todo mundo de qualquer maneira. – ele me olhou curioso – E você?

– Vou ficar aqui.

– O natal inteiro?

– Sim. Não quero ir pra Toca. – murmurei dando de ombros e tirando o avental da loja.

– Bem... se quiser... pode passar lá no Largo... a gente toma um hidromel... – murmurou ele meio sem jeito. Concordei pendurando o avental e notei que Cygnus estava me olhando daquele jeito...

O mesmo jeito que me olhava quando estávamos indo para a escola, ou quando ficávamos sozinhos... Aquele jeito cheio de desejo. Senti o corpo esquentar imediatamente.

– O que foi? – perguntei com o coração acelerado.

Esperei que ele avançasse contra mim e me beijasse, mas ele só piscou sem jeito e desviou o olhar.

– Nada. Desculpe... talvez você não devesse aparecer lá...

– Eu poderia fazer aquele bolo que você gostou.

Ele me olhou com os olhos gulosos e sorriu.

– Fala sério?

– Sim... posso te ensinar a fazer, se quiser.

– Ok... então combinado.

Sorri para ele e saímos juntos, já que eu estava fechando a loja. Fechei o sobretudo, sentindo frio e Cygnus fez o mesmo.

– Até amanhã então... – murmurei.

– Lily...

– Sim? – perguntei.

– Você acha uma boa ideia?

– Você acha ruim?

– Eu não sei...

– Qualquer coisa, eu vou embora.

– Eu não te mandaria embora.

– Eu iria embora assim mesmo.

Ele me olhou preocupado, mas concordou.

Ele saiu sem se despedir e eu me virei para ir embora.

No dia seguinte, eu comprei todos os ingredientes do bolo de nozes que Cygnus tinha gostado e me arrumei para sair. Prendi os cabelos num coque, coloquei uma saia mais comprida e uma meia calça grossa, escura. Vesti uma camisa de lã, de gola alta e então fui para o Largo Grimmauld. Eu não queria passar uma impressão errada... Eu não estava querendo entrar nas calças dele...

Eu apenas queria passar um tempo com ele. Eu sentia tanta falta dele...

Um ano e dois meses... foi o tempo que ficamos sem conversar. E mesmo assim, os ecos das nossas brigas ainda me assombravam. Assim como as boas lembranças... como a daquele dia no porão... parecia ter acontecido em outra vida...

Toquei a campainha e logo ele apareceu. Ele usava óculos de leitura e bebia um pouco de café.

– Entre. – disse ele.

Concordei e fui direto para a cozinha, sentindo-me levemente nervosa.

– Como está? – perguntei.

Cygnus se sentou à mesa. Estava uma zona de pergaminhos ali.

– Estou corrigindo as tarefas dos meus alunos.

– Está gostando de lecionar?

– Ah! É ótimo. – respondeu ele bebericando o café – Hogwarts é maravilhosa... Vou morrer trabalhando naquele lugar sem nunca me cansar...

– E as alunas? Te paqueram muito?

– Isso acontece... sou jovem. – respondeu ele – Acabo recebendo muitos cartões no dia dos namorados. – escutei a pena dele começar a rabiscar os pergaminhos – E você? Recebe muitas cantadas dos clientes?

– Acontece. – respondi começando a preparar as tigelas para fazer o bolo – Sou jovem, sabe?

– Se sei...

– O que?

– Nada. – respondeu ele arrumando os óculos.

Sorri sem consegui evitar e voltei ao que estava fazendo. Cygnus seguia corrigindo os trabalhos de seus alunos, comentando uma coisa ou outra. Eu falava sobre a rotina da loja e sobre minhas ideias para produtos. Era tão simples falar com ele... tão fácil...

Quando coloquei o bolo para assar, me sentei ao lado dele e ele largou a pena, organizou os pergaminhos e tirou os óculos.

– Vamos para a sala? – perguntou ele.

– Claro.

Me levantei novamente e o segui. Ele acendeu a lareira, pois a sala estava num gelo profundo. Ele tirou os sapatos e os colocou muito rentes à parede, bem juntinhos um do lado do outro. Então se sentou ao meu lado no sofá.

Me deitei, esticando as pernas em cima das dele.

– Que bom que está confortável.

– Não tão confortável, mas não pretendendo ficar. – respondi. Ele sorriu e concordou em silêncio. Me perguntei se ele se lembrava de quando eu tinha falado aquilo...

Conversamos um pouco mais, sobre assuntos banais. Ele tinha muitas histórias sobre os alunos. E quando ele falava deles, seu rosto se iluminava completamente. Ele parecia muito feliz com o que estava fazendo.

Não me pareceu estranho... ele sempre tivera gosto por ensinar...

– Que tal um pouco de música?

– Seria ótimo. – murmurei. Ele pegou a varinha e a apontou para o rádio.

Estava tocando aquela música antiga, sobre um limpador de chaminés, com uma vassoura enorme.

Cygnus cantarolou a música e logo começamos a rir. Era a música mais indecente que existia.

– Minha mãe adora essa música. – riu Cygnus.

– Sua mãe é uma danadinha.

– É mesmo... – resmungou ele. Os olhos dele pousaram sobre os meus. – Mas você não é ninguém pra julgar.

– Eu sou uma pessoa mudada, ok? – perguntei sorrindo – Sou uma mocinha comportada agora.

– Eu acredito nisso? – perguntou ele olhando ao redor. Ele sacudiu a cabeça – Não... eu não acredito.

– Mas eu sou. – insisti sorrindo. Cygnus sorriu também e deu uns tapinhas na minha perna.

– Vou pegar o hidromel.

– Não pode conjurá-lo?

– Posso, mas eu realmente preciso me levantar.

– Por que?

– Pra me distrair. – respondeu ele.

– Se distrair? Eu estou chamando sua atenção por um acaso?

– Sempre. – respondeu ele.

Puxei minhas pernas e me sentei. Cygnus se levantou e me deixou sozinha alguns minutos. Depois voltou com os dois copos e a garrafa de Hidromel.

– Vamos aos serviços etílicos?

– Certamente. – ele me ofereceu a garrafa.

– Hum... 1989... esse é bom.

– Sim. Presente do professor Flitwick... ele vai se aposentar esse ano. – adicionou ele.

– Ele é quase tão antigo quanto o Binns. – disse abrindo a garrafa e a cheirando – Hum... parece maravilhoso.

– Então vamos beber! – disse ele pegando os copos. Enchi os dois, coloquei a garrafa no chão e Cygnus me entregou um dos copos – Que a gente não se torne um casal de velhos amargurados, cheios de arrependimentos!

– Apoiado. Quero ser apenas velha!

Ele sorriu e então bebemos.

Depois do terceiro copo, eu estava morrendo de calor. Cygnus também. Mas principalmente, nossos olhares não estavam nada inocentes. Mas eu estava decidida a não tomar a iniciativa.

Por isso me levantei e fui olhar o bolo. O tirei do forno e fui preparar a cobertura de chocolate. Cygnus me seguiu, beliscando a calda o tempo todo.

– Pare com isso! É pro bolo.

– Mas estou com fome! – resmungou ele lambendo os dedos.

– Só mais um pouquinho e fica pronto.

– Ok.

Cantarolei enquanto passava a calda no bolo. Cygnus apenas me encarava com os olhos cheios de gula. Ele parecia uma criança quando o assunto era bolo. Engraçado, porque ele não era muito fã de doces...

Quando finalmente ficou pronto, e eu fui cortar o bolo, ele me abraçou por trás, segurando minha mão para cortar a fatia. A respiração dele no meu ouvido era tentadora. Não o afastei, mas não rocei nele também. Coloquei a fatia no prato e ele me soltou, para comer com os olhinhos felizes.

O que eu deveria pensar daquilo? Me servi um pedaço, aprovando o sabor. Cygnus repetiu de novo e de novo. Ri quando vi a cara dele toda suja de chocolate.

– Céus, Malfoy. Você come que nem criança. Não aprendeu a ter bons modos? – perguntei sorrindo. Ele sujou o dedo com a calda e passou no meu nariz.

– Larga de ser implicante.

– Ora, seu! – sujei o dedo e passei no rosto dele.

Então Cygnus jogou a fatia de bolo na minha cara. O olhei furiosa e ele se levantou correndo.

– EU TE MATO, CYGNUS!

– Só se me pegar primeiro! – riu ele correndo escada a cima. Mas ele tinha bebido muito e nunca foi realmente um atleta.

Então ele tropeçou nos degraus e eu o alcancei. Me sentei em cima dos quadris dele, para que ele não se levantasse e então joguei meu bolo na cabeça dele, sujando os cabelos e todo o rosto dele. Senti as mãos dele no meu rosto, me sujando ainda mais.

– Pare com isso, Cygnus! Quantos anos você tem? Doze? – perguntei zangada. Mas ele só gargalhava, de um jeito que eu não me lembrava de já ter ouvido ele gargalhar.

– A sua cara... olha só a sua cara!

– Idiota. – disse socando ele no peito, mas ele só ria de mim.

Me sentei ao lado dele, nos degraus, e ele me olhou sorridente. Não consegui não rir da cara imunda dele. Um pedaço relativamente grande de bolo nos cabelos. Peguei uma noz que estava na orelha dele e a comi. Então ele me lambeu na bochecha.

– Quer tomar um banho? – perguntou ele.

– Vai ser o jeito, né?

Ele sorriu e ficou de pé. Então estendeu a mão para me ajudar. Aceitei a ajuda e ele me levantou com tanta facilidade que eu parecia ser feita de pano. Senti o corpo dele me prensar contra a parede, seus quadris pressionaram os meus.

Ficamos nos encarando longamente. Eu desejando loucamente que ele me beijasse...

Senti os dedos dele na minha cintura. Não deixei de olhá-lo nos olhos. Meu coração batendo acelerado.

Ele se aproximou aos pouquinhos, me olhando nos lábios. Quando ele estava absolutamente perto, eu encerrei a distância. Estávamos imundos, mas eu não liguei. Nem mesmo quando ele enfiou os dedos sujos de chocolate nos meus cabelos.

Os dedos da outra mão acariciando a minha cintura, carinhosamente. O beijo dele era mais doce que o bolo...

O abracei com força e ele fez o mesmo me pegando no colo. Senti que ele me deitou num sofá. Eu não liguei. Ele puxou minha blusa e a tirou, para me beijar no busto. Arrepiei-me toda com os beijos dele. As mãos preguentas tentando abrir o fecho da minha saia.

Tirei o paletó dele e a camisa, enquanto ele lutava contra minha meia calça.

Nos beijamos durante um tempão, tocando o corpo um do outro de maneira indecente. Apesar do tempo, Cygnus sabia exatamente como me esquentar. E não consegui não gemer quando ele terminou de arrancar minhas roupas e me penetrou.

O arranhei nas costelas e o mordi no pescoço. Adorei ouvir um gemido dele quando eu movi o quadril. Girei o corpo, me sentando em cima dele. Senti as mãos dele na minha bunda, me puxando e me empurrando, mantendo um ritmo delicioso, enquanto eu o segurava no rosto para beijá-lo, ignorando completamente a sujeira em que nos encontrávamos.

Os lábios dele nos meus seios eram deliciosos, as mãos na minha bunda, a me apertar, também eram. E os gemidos nele no meu ouvido eram música. A serpente dele passou pelo ombro esquerdo, enquanto eu o mordiscava na orelha, soltando um chiado baixinho.

Ele fechou os olhos com força e abriu a boca, jogando a cabeça para trás. Aproveitei para beijá-lo no pescoço. Ele apertou minha bunda com força e tremeu de leve.

O olhei admirando a expressão de prazer dele. Era tão delicioso vê-lo daquele jeito... o beijei carinhosamente, nos lábios. Ele gemeu de novo, voltando a jogar a cabeça para trás.

– Acabou? – perguntei baixinho.

Ele concordou timidamente com o rosto. Voltei a beijá-lo, ainda acesa. Mas sabia que precisaria esperar um pouco. Demorou mais do que eu me lembrava.

Afinal, não estávamos ficando mais jovens. Mas os beijos e estocadas dele seguiam tão deliciosos quanto eu me lembrava. E quando minha vez de tremer e ficar extasiada chegou, ele me deu os beijos mais carinhosos do mundo.

Ficamos deitados no tapete da sala, olhando um para o outro, sem saber ao certo como agir. Mas então ele sorriu para mim... aquele sorriso que ele só dava pra mim...

– Feliz natal, ruivinha.

– Feliz natal, Cyg.

Mais um baile com Lily

– E para a próxima aula eu quero que pratiquem o patrono, ouviram? E não fiquei tristes se não conseguirem fazer. Ele conta apenas como ponto extra nos N.I.E.M.s. – disse enquanto meus alunos tentavam fazer o feitiço. Apenas alguns conseguiam.

– Professor. Faz de novo? – perguntou Mirelle Flanders.

Sorri para ela e pensei naquele dia, no porão da casa dos Potter.

– Expecto Patronum. – e o beija-flor voou apressadamente ao redor do rosto da minha aluna. Ela bateu palmas animada e mais alguns alunos ficaram tentando conjurar o patrono.

– Eu tinha certeza que agora eu iria conseguir! – lamentou Paul Pinics

Eu estava guardando minha lista de chamada, quando a diretora entrou.

– Olá, Malfoy.

– Professora Minerva. – disse sorrindo – No que posso ajudar?

– Oh... seus alunos gostam muito das suas aulas. – disse ela, com um sorriso satisfeito. Concordei pomposo – Principalmente as alunas.

– Eu te garanto que estou comportado. – disse sorrindo. Afinal, eu estava namorando Lílian Potter... que em breve mudaria de sobrenome, se tudo desse certo.

– Eu acredito que sim. Eu só vim perguntar se você vai voltar para casa nesse natal.

A olhei franzindo a testa.

– Eu pretendia... aconteceu algum problema?

– Sibila acha que vai morrer se for para o baile. – explicou Minerva apertando os lábios e revirando os olhos – Ela não vai ajudar... eu queria saber se você poderia... Bem... Se poderia assumir o lugar dela.

– Minerva... eu já tinha planos pra esse natal... – murmurei. Eu pretendia pedir Lily em casamento. No natal completaria um ano que estávamos juntos e eu já tinha esperado demais.

– Eu peço desculpas, mas... é que Flitwick se aposentou e Newman tem aquele problema no quadril... ele não consegue fazer as rondas...

– Minerva... você me coloca numa situação difícil.

– Aqui. Tome.

– O que é isso?

– Um convite para sua namorada. Como vai Lily?

– Ela vai bem. – murmurei – Não vai me liberar para o natal mesmo, não é?

– Eu preciso de você, Cygnus.

Soltei um muxoxo e concordei.

– Ok, chefe... eu aviso o pessoal que vou trabalhar... mas eu quero folgar no recesso da Páscoa.

– Feito.

McGonagall se virou e saiu me deixando sozinho. Voltei a organizar minha mesa e então peguei minhas coisas. Marchei para a minha sala, cumprimentando meus alunos, que sempre paravam para falar comigo, tirar uma dúvida, me dar chocolates, ou qualquer coisa assim.

Ao entrar na minha sala, joguei minha mala numa poltrona e fui para a lareira. Joguei um pouco de flú e esperei. Logo a cabeça do meu pai apareceu.

– Olá, Cygnus.

– Pai... não vou poder voltar pro natal.

– Mas... mas você tinha combinado...

– Eu sei, mas Minerva me pediu pra ficar.

– Ah, Cygnus... não está pretendendo fugir pra Cancun, ou qualquer coisa assim, está?

– Pai, por que raios eu fugiria pra Cancun? – perguntei franzindo a testa.

– Eu sei lá. Você adora sumir!

– Não, pai. Eu preciso trabalhar. Mas preciso que saia comigo amanhã pela manhã.

– Por que?

– Eu quero escolher outro anel do nosso cofre.

– Oh! ROSE! ROSE! – gritou a cabeça do meu pai. Escutei a voz da minha mãe ao fundo –O idiota do nosso filho finalmente vai pedir Lílian em casamento!

– Se ela recusar de novo, eu juro que esgano ela! – ouvi minha mãe. A cabeça do meu pai desapareceu e a da minha mãe surgiu – Como está o meu filhinho?

– Eu estou bem, mãe... mas é como eu disse pro papai... Eu não vou poder passar o natal ai.

– E por que não? – perguntou ela fechando a cara.

– Eu vou ter que ficar para ajudar na organização do baile de inverno. – expliquei. Minha mãe fez uma careta.

– Trabalho é trabalho...

– Sim. – concordei.

– Bem... eu vou avisar os Potter... – minha mãe saiu e meu pai voltou a aparecer.

– E você acha que dessa vez a Senhorita Difícil vai aceitar?

– Eu espero que sim. – respondi sorrindo.

– Bem... estarei te esperando no Gringotes, às dez e meia. Vamos escolher alguma joia que ela não cogite dispensar!

– Eu não acho que Lily aceitaria ou não casar comigo por conta de um anel. – eu murmurei. Mas meu pai fez cara de pouco caso e então desapareceu.

Me aprumei mais confortavelmente na minha cadeira. Estava tudo indo bem...

– — -

– Então... você vem comigo? – perguntei. Lily estava terminando de fechar a loja. Ela me olhou um pouco desanimada.

– Ah, Cyg... queria passar o natal com os meus pais...

– Céus... será que você nunca vai aceitar ir num baile da escola comigo? – perguntei fechando a cara. Ela sorriu para mim, afastando uma mecha de cabelos vermelhos do rosto.

– Oh, meu deus... tadinho do meu Cyg. – ela apertou minhas bochechas e me deu um beijo estalado nos lábios – Está bem. Eu vou no baile com você. – disse ela pegando o convite das minhas mãos, com um sorriso divertido.

– Meus alunos estão loucos para te conhecer. – eu disse a olhando desamarrar o avental, para pendurá-lo num gancho da parede.

– Que alunos?

– Todos os que viram seu retrato na minha mesa. – respondi.

– Tem um retrato meu na sua mesa? – perguntou ela. Me levantei para beijá-la na bochecha.

– É claro que tem. – a mordisquei na orelha e ela riu.

– Vou até me sentir importante.

– Pode sentir... você é a minha namorada. – disse sorrindo no pé do ouvido dela. Lílian sorriu se virando para me abraçar.

– Pare de se sentir, só porque namora a filha de uma celebridade!

– Eu sou uma celebridade...

Ela riu e me beijou de novo. A abracei com força e ela fez o mesmo comigo.

No dia do baile da escola, Lily chegou pela minha lareira. Ela usava um vestido vermelho com o corpete prateado. Ela estava muito bonita, como sempre. Meus alunos todos comentavam.

– Olha. É a namorada do professor Malfoy.

Alguns me estendiam os polegares. Outros torciam o nariz – com ciúmes, claro. Mas eu estava completamente satisfeito com ela. Ela cumprimentou alguns de nossos professores antigos, como Luthor, Vector, Neville e a diretora Minerva. Todos se lembravam dela e todos nos desejaram felicidades, como se soubessem que eu iria pedi-la em casamento.

Fiz a ronda com Lily, sempre deixando os alunos se atracarem por ai. Não gostava de descontar pontos por isso. Madame Turner sempre relevava esse tipo de coisa também... Levei Lily para a beira do lago e ela quis ver se eu já tinha aprendido a patinar. Muitos alunos brincavam disso no gelo e eu neguei.

– Tenho uma reputação a manter!

Mas Lily apenas riu e transformou seus sapatos em patins e começou a patinar com elegância. Fiquei observando de longe, achando-a maravilhosamente linda.

– A namorada do professor é uma gostosinha. – escutei alguém falar. Olhei feio para Newett, que não tinha me visto ali – Opa! Desculpe, professor.

– Olhe pro outro lado, garoto. – ralhei – Mas ela é mesmo.

E então ficamos rindo, observando Lily patinar com uma perna apenas.

Quando ela se cansou, eu saí de lá com ela. Voltei pro salão, para dançar um pouco com Lily. E quando o baile finalmente acabou, comecei a dispensar os alunos.

– Foi tão bom voltar para a escola! – riu ela – Obrigada por me convencer a vir.

– Obrigado por ter vindo.

– Vamos pra casa agora?

– Ainda não. Eu quero te mostrar uma coisa. – disse segurando a mão dela.

– O que? Vai me pedir em casamento? – perguntou ela com um sorrisinho divertido.

Pisquei chocado e ela me olhou ainda mais chocada.

– Nossa... você é muito estraga prazeres.

– Eu... eu falei brincando! – riu ela escondendo a boca com as mãos. A expressão de choque no rosto.

– Eu ia te levar para o escritório de Slytherin, porque foi onde eu disse que te amava pela primeira vez, mas já que você estragou tudo... – fiquei de joelhos ali no Salão Principal mesmo. Lily me olhou completamente chocada e eu tirei o anel do bolso – Casa comigo, Lílian?

– Ah... Cyg...

– Se você negar, eu juro que te esgano.

– Como você é romântico. – riu ela oferecendo a mão para mim – Eu aceito, já que parece tão desesperado pra casar comigo.

Me levantei, colocando o anel no dedo dela.

– Metida.

– Você me ama assim mesmo.

Sorri para ela e a beijei, mas me assustei quando ouvi as palmas. Me virei e vi um grupinho de alunos vibrar e aplaudir.

– E é fim de jogo, para o Sr. Malfoy! – riu Ted Bogard, o narrador dos jogos de quadribol daquele ano.

– Vão já pro dormitório, seus pestes! – ralhei. Os alunos saíram cantando “Eu posso Ser Um Minúsculo Limpador De Chaminés, Mas Tenho Uma Vassoura Enorme”, e eu me virei para Lily com um sorriso constrangido.

– O que quer fazer agora, professor Malfoy?

– Eu quero... – e então sussurrei no ouvido dela, porque haviam alunos do quinto ano ali.

– Oh! – ela me deu um tapinha no ombro, mas então sorriu – Vamos?

– Vamos!

Fomos para minha sala e eu a deitei na minha mesa.

Eu te amo tanto, Lily...

Quando terminamos, colocamos nossas capas de viagem e fomos, pela lareira mesmo, para a casa dos meus pais. Assim que chegamos vimos meu irmão correndo atrás de Narcisa, que corria com a varinha dele na mão.

– NARCISA! DEVOLVE ISSO, SUA PESTE DO INFERNO!

– MAS EU QUERO FAZER MAGIA!

– VOCÊ NÃO TEM IDADE PRA ISSO!

– TIO CYG! MEU PAPAI É MUITO MAU COMIGO! – chorou Narcisa vindo correndo para mim. A peguei no colo e a beijei no rosto.

– Não adianta correr para o colo do seu tio, mocinha! – ralhou Scorpius.

– Ciça, devolve a varinha do seu pai, que o tio te conta um segredo.

Narcisa me olhou, encantada, e devolveu a varinha obedientemente. Scorpius a olhou completamente indignado.

– Então é assim! É só o tio pedir que você obedece.

– É que o tio Cyg vai me contar um segredo! – disse Narcisa, como se fosse óbvio.

Scorpius fez uma careta para ela e apertou a minha mão. Depois olhou um pouco mais desconfiado para Lily, mas a cumprimentou mesmo assim.

– Deixa eu ir... Tenho que ver o que... – mas ele ficou vermelho – DÁLIA! O PAPAI JÁ FALOU PRA NÃO MEXER NISSO!

– Mas eu quero mais bolo! – choramingou ela.

Scorpius correu até ela e começou a explicar que ela iria explodir que nem um balão se ela comesse mais um pouco de bolo, mas ela não viu problema nisso.

– Tem certeza que quer ter filhos? – perguntou Lily me olhando com hesitação.

– Absoluta. – respondi.

– Tio Cyg. Qual é o segredo? – perguntou Narcisa. Sorri para ela.

– O tio vai se casar.

Ela me olhou horrorizada.

– Com quem?

– Com a tia Lily. – respondi. Narcisa olhou para Lily e torceu o nariz, do mesmo jeitinho que minha avó Narcisa fazia.

– Mas eu nem gosto dela!

– Oh! – riu Lily.

– Mas eu gosto. Sou apaixonado por ela. – expliquei. Narcisa soltou um longo suspiro de desaprovação e deu de ombros.

– Tá né... você quem sabe, tio.

A coloquei no chão e ela saiu correndo.

– Eu não acredito. Por que sua sobrinha não gosta de mim? – perguntou Lily cruzando os braços.

– Ela tem ciúmes de você. – respondi segurando a mão dela.

Lily fez beicinho e eu ri dela. Caminhamos até a sala de jantar, onde meu pai e o Sr. Weasley brigavam por algum motivo qualquer e Harry tentava separá-los. Mas assim que eu e Lily entramos, os três sorriram. Meu pai me olhou com expectativa e eu sorri pra ele.

– Oh! Graças a Merlin! – vibrou ele.

– O que? – perguntou Harry.

Scorpius e Remo olharam confusos e meu pai riu ainda mais.

– E eu não fui o último a saber! Nem o Cabeça de Fósforo ou o Cabeça Rachada sabem! – ele veio até nós e abraçou Lily – Seja bem vinda à família Malfoy, Lily!

Gina abriu a boca em choque e Harry sorriu contente. Minha mãe abraçou Gina, contente e Gina veio correndo para me beijar no rosto

Todos queriam nos parabenizar, até mesmo Remo, que ainda tinha ressentimentos com Lily. Eu não conseguia parar de sorrir e muito menos largar a mão da minha noiva. Nunca mais a deixaria ir de novo.

Sr. e Sra. Malfoy II

Puxei Lily pela cintura e a beijei apaixonadamente, enquanto Harry e meu pai soltavam as aves paraíso sobre nós.

Dancei com ela a nossa primeira valsa como marido e mulher – “So Close”, a mesma música que dançamos na formatura dela. Ela fez questão que fosse essa música e eu não criei caso... Sempre me lembrava de valsar com Lily quando escutava aquela música.

Narcisa logo quis dançar comigo e Lily teve que abrir mão de mim. Eu nunca resistia a um pedido de Narcisa... Mas logo voltei para os braços da minha esposa, quando Hermione pegou minha sobrinha do meu colo.

Foram tantas fotos, tantos cumprimentos... Eu só queria ficar a sós com ela.

Nos casamos no primeiro dia do verão. Eu pedi uma licença de um ano, em Hogwarts e os alunos me escreveram muitas cartas – principalmente aqueles que iriam fazer o sétimo ano – implorando para que eu não fizesse isso. Mas prometi voltar para dar algumas aulas antes dos N.I.E.M.s. Eu era muito popular entre meus alunos...

Em um momento da festa, notei que meus pais tinham desaparecido e eu não quis saber para onde eles tinham ido. Só muito mais tarde, meu pai voltou e me chamou para o escritório.

– Lily pode esperar aqui. – disse ele com suavidade, mas eu sabia que meu pai não queria que ela nos seguisse. Deveria ser um papo de pai e filho.

Entrei e meu pai me serviu uma dose de Whisky. No copo dele. Em cima da mesa estavam a escritura da casa e a chave do cofre.

– Pra que isso?

– Como dita a tradição. – explicou ele – Vou te entregar tudo no dia do seu casamento.

Olhei para a escritura e sorri.

– Eu quero o Largo Grimmauld.

– Cyg... você é o meu herdeiro. Você quem vai levar a família... a mansão é sua. Não o Largo. O Largo será do Scorpius.

– Mas eu já moro lá!

– Eu e sua mãe vamos morar lá.

– Não! – eu disse com autoridade – O Largo é meu... quando eu e Scorpius estivermos para passar nossas heranças a gente troca e meus filhos ficam com a mansão... Eu quero o Largo.

– Cygnus... quase vinte gerações da nossa família...

– Eu não me importo com isso. – respondi com convicção – Essa é a sua casa, pai. Não a minha. – respirei fundo, completamente decidido – Eu fico com o Largo Grimmauld.

Meu pai suspirou e deu um sorrisinho.

– Você e seu irmão vivem para me contrariar... – ralhou ele, mas ele ainda estava de bom humor. Ele pegou o copo e brindou comigo – Parabéns, Sr. Malfoy.

– Obrigado.

– — -

Quando a festa por fim acabou – e terminou com meu pai e Harry, muito bêbados, querendo provar que era o melhor apanhador entre eles. Minha mãe teve que remendar os dois – e eu finalmente fui para o Largo com Lily. Eu não podia estar mais feliz.

– Sabe do que eu estava lembrando? – perguntou Lily, tirando o vestido de casamento.

– Do que?

– Você me dizendo que não era capaz de amar. – ela terminou de tirar o vestido e pulou por cima dele.

– Eu era um panaca.

Ela tirou as presilhas do cabelo, fazendo com que suas madeixas acaju caíssem sobre seus ombros sardentos. A observei tirar as meias três quartos.

– O que está olhando?

– Você... – respondi jogando os sapatos longe. Comecei a me despir também e me deitei na cama. Lily logo se deitou ao meu lado.

– Você me ama? – perguntou ela sorridente.

– Sim.

– Pra sempre?

– Para todo sempre.

– Promete?

– Prometo.

Lily se aproximou mais.

– Como vai ser nossa vida daqui pra frente?

– Mais ou menos como era antes. – respondi – Só que agora, quando a gente brigar, eu não vou poder te chamar de Potter.

– Ah não?

– Não... você agora é a Sra. Malfoy.

Lily sorriu e me beijou.

– Sr. e Sra. Malfoy... – sussurrou ela – Gostei.

– Claro que sim. É o meu sobrenome.

Ela riu travessa.

– Metido.

– Eu sei.

Então a beijei. A beijei apaixonadamente. E durante toda a noite, nossos corpos se moveram como um só.

Não tivemos uma vida perfeita.

Não... nós brigamos muito. Ela tinha ciúmes das minhas alunas. Eu não tinha paciência com o irmão mais velho dela... Algumas vezes eu precisei dormir na casa de Scorpius, porque o Largo Grimmauld parecia pequeno demais para nós dois...

Mas a maior parte do tempo, eu fui simplesmente feliz.

Quando Leon nasceu, eu achei que nunca mais sentiria algo tão forte. Lily não queria ter mais filhos depois dele.

Mas eu sim e ela acabou cedendo. Dois anos depois tivemos gêmeos. Lúcio e Sirius.

Todos os três, muito parecidos comigo. Cabelos escuros e olhos cinzentos. Só Sirius era sardento.

E um ano depois, nasceu Lyra, que era a cópia perfeita de Virgo.

Quatro filhos.

Quatro presentes de Lily para mim.

E quando meus pais faleceram e eu me mudei para a Mansão Malfoy, nunca tive medo de encarar os retratos nas paredes.

Porque eu sabia que não tinha falhado com eles.

Sanctimonia Vicent Semper.

Toujours Pour.

– Eu te amo, minha querida Lily. – murmurei olhando pela janela do escritório, meus quatro filhos brincando com os pavões enquanto Lily sorria com eles – Obrigado, James... por ter me prendido naquele porão...

Fim

Notas finais
Obrigada, James... Muito obrigada ^^ De todos os personagens de todas as minhas fics, o Cygnus foi o personagem que mais amadureceu, o que mais sofreu e o que eu mais gostei. Obrigada Monny por me pedir para escrever sobre ele. Foi fantástico. Hoje eu leio a fic do Cygnus e depois leio minhas outras fics e vejo que melhorei muito como escritora, já que o Cygnus exigia uma escrita muito mais madura! Agradeço a todos vocês, suas lindezas, por todos os comentários e principalmente por todas as recomendações. Essa fic foi a mais recomendada de todas as minhas fics e eu estou bastante orgulhosa dela! Obrigada mesmo! =* Eu pretendo fazer algumas ONES sobre a vida do Cygnus, do Scorpius e da Virgo, falando mais ou menos como eles viveram, mas por enquanto eu estou animada com meu projeto do "E se..." E eu estou meio sem tempo pra escrever também... Mas leiam as minhas outras fics, ok? Bem... é isso! Muito obrigada por me acompanharem até aqui! Beijosss!! FIM! ~~ Atualização: a ONE do Scorpius você encontra aqui!>> https://fanfiction.com.br/historia/653453/LegadoMalfoy/ Bjux da Tia Vênus ~~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!