Cygnus - Fallen
31 Ciúmes e Um Basta
Notas iniciais
Ciúmes
Angelique iria embora no dia seguinte. Estávamos nos beijando no meu quarto. Eu respirava acelerado, louco de desejo por ela. A última vez que estive com uma mulher foi no casamento de minha irmã, então estava louco de desejo. Ela me desejava também, mas tinha medo... aparentemente a loira era virgem. Mas o modo que ela gemia enquanto eu a masturbava só indicava que aquela virgindade não passaria pela fronteira.
– Céus... isso... isso... – gemeu ela.
A mordisquei nos mamilos e ela gemeu de novo.
– Você é linda... linda...
Fiquei em cima dela, me posicionando estrategicamente entre suas pernas, mas ela segurou meu peito.
– Não... não posso...
– Claro que pode. Você é dona da sua vida. – disse louco de desejo.
– Minha vida é diferente da sua... – lamentou ela.
– Pensei que a França fosse a terra da liberdade. – murmurei a beijando no pescoço. Ela se arrepiou toda novamente.
– É complicado... minha avó controla a família. Ela quer que eu me case de novo... com alguém... oh... alguém rico...
– Quer que eu case com você? – perguntei – Você é linda, mas eu não vou casar com você só pra conseguir sexo. – disse sem rodeios.
– Eu sei que não. Não sou estúpida, sabia? – perguntou ela pegando minha mão e a guiando para entre as pernas dela – Faz de novo... é tão gostoso.
Sorri para ela.
– Sua garotinha safada.
– Garotinha? Olha que não sou tão garotinha, heim.
– Ainda é virgem. É uma garotinha pra mim. – eu disse sorrindo – Vamos fazer isso, Angelique... Ninguém vai ficar sabendo.
– Eu vou ficar sabendo...
– Mas você sabe guardar segredo, não sabe?
– Eu sou terrível com isso, acredita? – perguntou ela com um sorrisinho travesso.
Soltei um suspiro.
– Ok... Ok... nada de sexo.
– Nada de sexo.
Voltei a tocá-la lá embaixo, adorando os gemidinhos que ela dava. Céus... se ela não liberasse eu iria arrumar alguma mulher assim que ela fosse embora, nem que fosse pagando... eu estava subindo pelas paredes...
Depois de alguns minutos, ela tremeu toda.
– Que vergonha... terminou isso nas mãos... – disse com falsa censura.
– Oh, cale a boca. – ralhou ela.
Nos deitamos um do lado do outro e ela me olhou travessa.
– O que foi? – perguntei amando o olhar e o sorrisinho dela.
– Feche os olhos.
Obedeci e senti os lábios dela nos meus. Depois no meu queixo, no meu pescoço, no meu peito, na minha barriga, no meu umbigo...
Sorri na expectativa e quando senti a língua dela no meu colega lá embaixo, coloquei as mãos atrás da cabeça. Ela fazia aquilo maravilhosamente bem.
– Ok, você não é uma garotinha. Admito. – murmurei em tom de brincadeira e ela deu uma risadinha, de boca cheia.
Fechei os olhos, extasiado, querendo não gemer. Céus, ela sabia o que estava fazendo. Ela sabia não ficar na mesma coisa e usava as mãos com habilidade. Mordi o dedo querendo não gemer, mas acabei deixando escapar um som ou outro.
Foi quando alguém bateu na porta.
– Vai pro inferno, Scorpius. Some daqui! – rosnei.
– Cyg... é... é a Lily...
A cabeça de Angelique levantou para me olhar. Broxei na mesma hora. Olhei desesperado para ela. Lily finalmente tinha aparecido! O que eu fazia? Mandava Angelique embora? A escondia? Mandava Lily ir embora. Aparatava para a Suméria?
– O que eu faço? – perguntei baixinho, completamente em pânico. Angelique arqueou as sobrancelhas e sorriu. Ela se levantou, e pegou um travesseiro, colocando-o na frente do corpo nu e então abriu a porta.
– O que você quer? – perguntou ela com desdém.
Olhei horrorizado para aquilo. Eu estava completamente na merda.
– Quem é você? – perguntou Lily, antes chocada do que com raiva.
– Meu nome é Angelique Deshayes. – respondeu ela – Você é Lílian Potter, não é?
– Sim. Eu queria falar com o Cygnus, mas ele parece ocupado, não é? – sibilou Lily, com desdém.
– Sim. Ele está muito ocupado. – respondeu Angelique – Tentando esquecer que você não o visitou nenhuma vez enquanto ele estava internado. – respondeu ela – Tentando esquecer que você nunca respondeu a uma carta, tentando esquecer o quanto ele chorou em Azkaban, quando os dementadores o fizeram esquecer o seu rosto. Tentando esquecer que você foi a única pessoa que ele amou e que foi a única pessoa que virou as costas para ele quando ele finalmente conseguiu fugir do poder do Cajado. Então, por favor. Pegue esse seu tom ridículo de desdém, seu namorado idiota, enfie no seu rabo e deixe o Cygnus em paz, porque daqui pra frente eu vou cuidar dele até que você não seja mais do que: Lílian? Ah... foi a garota por quem eu fui apaixonado antes de conhecer a sua mãe. – ela sacudiu os cabelos – E a mãe a quem eu me refiro serei eu, vai que não foi claro o suficiente pra você, né?
– Escute aqui, sua vaca...
– Escute aqui, você, Potter! – rosnou Angelique – Some daqui. O Cygnus não precisa de você para deixar a cabeça dele uma bagunça de novo! Você queria que ele provasse o amor dele pra você? Tudo bem. Eu entendo. Agora... o que você fez quando ele foi pro Mungus, completamente louco, quebrado... perguntando por você todos os dias, escrevendo pra você todos os dias? Esperando pelo dia em que seria você quem entraria pela porta só pra perguntar se ele estava bem...? Mas você sumiu durante um ano inteiro...
– Ele fez o mesmo!
– Ele estava sob o efeito do Cajado de Slytherin! O que você queria? Ou você é tão superficial a ponto de não ter notado isso?
– Você não...
– Cale a boca, eu não terminei de falar! – rosnou Angelique. Até eu encolhi na cama – Depois de um ano, ignorando as cartas dele e os apelos de todos que vinham te pedir para visitá-lo, você se envolve com um Zé Mané qualquer e depois trata o Cygnus como se ele fosse apenas lixo! Eu vi como você o chamou no dia da entrega de títulos. Como ficou olhando para ele com superioridade, só porque arranjou outro cara.
– Do que ele pode reclamar? Ele estava com você!
– Ele estava sendo apenas cavalheiro comigo e me tirando daquela festa horrível onde eu estava sendo exibida como algo à venda. – retrucou Angelique. As duas ficaram em silêncio por alguns segundos até que Angelique falou – Ele ainda ama você, mas eu gosto demais dele para deixá-lo nas suas mãos de novo. E se você quer falar com ele, vai ter que provar pra mim que o ama. Caso contrário a porta é serventia da casa.
– Vocês são dois nojentos! – ralhou Lily e eu a escutei se afastar.
– Sabe o por quê de ele não ter ido te procurar desde que saiu do Mungus? – perguntou Angelique. Escutei Lily parar de andar – Porque ele respeitou sua decisão. Ele te ama tanto, a ponto de não correr atrás de você, pois você parece feliz sem ele... mesmo que isso o deixe completamente infeliz. Tenha um bom dia, Potter. Espero que consiga viver com isso.
E então ela fechou a porta.
Eu a olhava completamente chocado.
– Eu não sei se te beijo ou se te esgano. – murmurei.
– Você pode se vestir e se preparar. Ela vai entrar daqui a pouco. – sussurrou Angelique.
– Como sabe?
– Se ela te ama, ela vai vir. E eu acho que ela vai vir.
Eu não perguntei mais nada. Apenas me vesti ansioso, enquanto Angelique se vestia tranquilamente. Eu estava afivelando o cinto, quando a porta abriu de uma vez.
– ESCUTE AQUI, SUA SIRIGAITA! – rosnou Lily. Angelique sorriu pra mim, fechando o sobretudo. – SE VOCÊ ACHA QUE... QUE... – Lily começou a inchar feito um balão, parecendo furiosa.
– Ela é toda sua, querido. – disse a loira apertando minha bochecha – Eu tive a prova, não tive? – então ela saiu rebolando e fechou a porta.
Olhei para Lily, constrangido.
– Bem... olá... – murmurei.
– Você é um babaca! – ralhou Lily avançando contra mim.
– Eu sei.
– Não sabe nada! – ela me deu um tapa – Seu idiota! Idiota!
– Pare com isso... o que eu fiz de errado? – perguntei me defendendo dos socos que ela tentava me dar.
– Por que deixou ela vir falar comigo? Mandou a sua meretriz vir me passar recadinhos? Por que não disse você? Na minha cara? Heim?
– Por que não veio me ver no Mungus? – perguntei magoado.
– Porque eu estava com raiva!
– Um ano, Lily...
– E quantos eu esperei? – perguntou ela – Quantas vezes eu deixei pra lá, todos os seus erros? Quantas vezes eu relevei os seus vacilos?
– Você arrumou outro. – eu murmurei – Nunca me respondeu uma carta... nunca.
– E você não ia casar com Dominique? Iriam ter um filho! E você não respondia as minhas cartas, quando foi embora!
– Dominique as rasgava, pois sentia ciúmes de você. Ela sabia que eu te amava de um jeito que eu nunca tinha a amado.
– Podia tê-la proibido de fazer isso!
– Você não conhecia Dominique por um acaso? – perguntei na defensiva – Ela sempre fazia o que queria.
Lily me bateu de novo.
– Idiota! Idiota!
– Pare com isso!
– Não paro! Estou furiosa com você.
– Pelo que? Porque eu não fui abrir a porta pra você? Eu estava no maior pega com a Angelique, como eu ia aparecer na porta pra falar com você? Eu entrei em pânico. Ela fez aquilo porque ela quis. Eu estava em choque na cama.
– E deixou ela falar todas aquelas coisas pra mim!
– Me diga uma mentira que ela tenha te dito. – desafiei. Lily abriu a boca, mas não conseguiu soltar nenhum som. Então ela cruzou os braços e não me olhou. Soltei um suspiro e me sentei na cama. – O que você quer, Lily? O que veio fazer aqui...
Além de empatar a minha foda...
– Eu... – ela me olhou com mágoa – Eu só vim ver se... se estava tudo bem... mas parece que estava tudo ótimo, não é?
– É o que você acha? Que eu estava ótimo? – perguntei magoado – Sério, Lily... Eu nem sei o que pensar de você nesse momento.
– Eu te digo o mesmo! Estava com aquela loira oxigenada aqui, no seu quarto e...
– Ah, desculpe. Você e Murlock não transam?
– Ele é meu namorado.
– Ela é minha futura noiva.
– O que? – perguntou Lílian.
Respirei fundo.
– Talvez a gente se case. – mas a verdade é que eu nunca acreditei muito na hipótese...
– Oh... que gracinha. Toujours Pour, não é?
– Não. Não tem nada a ver com sangue. – ralhei – Talvez eu esteja apaixonado por ela. Mas como você iria saber, não é? Não somos mais amigos, você não fala mais comigo... Não significo mais nada pra você, não é? Sou apenas o garoto que sempre te virou as costas. Como você disse naquele dia? – eu franzi a testa tentando me lembrar das palavras exatas dela – Estava cansada do meu humor bipolar... acho que foi isso... – sorri para ela completamente decepcionado – Foi a última vez que conversou comigo. Eu tinha acabado de sair da prisão. Fiquei um mês trancado com os dementadores. Estava completamente maluco... mas você não quis saber. Ficou com raiva de mim e foi embora. – me levantei magoado. Todos me falaram aquilo, mas eu nunca tinha dado atenção. Eu nunca tinha reparado o quanto aquilo parecia injusto da parte dela – Sabe o quanto me magoou? Sabe? – perguntei olhando pra ela. Eu mesmo não tinha notado o quanto tinha me magoado até aquele momento – Sabe o quanto eu fiquei completamente perdido naquele inferno? Desesperado porque tiraram todas as minhas lembranças de você? Céus, quando eu te vi depor, eu nem sabia quem era você... Eu sabia que eu amava Lílian Potter... mas eu não sabia porque ou quem era essa Lily... Eu não lembrava da sua voz ou do seu rosto... eu só sabia que te amava. Era a única certeza que eu tinha naquele lugar. Mas agora, Lily... – eu pressionei a própria cabeça sentindo-me completamente confuso... perdido – Eu realmente não sei, por que... – meus olhos ficaram cheios de água... ótimo... eu ia começar a chorar de novo... – Você disse que casaria comigo... se eu largasse tudo... eu larguei. Eu deixei tudo pra trás... e você me abandonou e arrumou outro... – ela me olhava parecendo envergonhada. Por um momento ficamos naquele silêncio constrangido. Mas eu não queria mais a presença dela. Esperei mais de um ano para conversar com Lílian novamente e agora já não queria vê-la na minha frente – Por favor... vá embora. Me deixe em paz... – disse com as lágrimas descendo pelo meu rosto. Eu estava tão decepcionado. Tão magoado. Eu não fazia ideia de que ficaria assim...
– Como quiser. – murmurou Lily, secamente. Foi como um golpe de misericórdia.
E então ela saiu. Bati a porta quando ela se foi. Escorreguei para o chão sentindo-me completamente infeliz.
– O QUE MAIS QUER TIRAR DE MIM? – gritei pra ninguém em específico – EU JÁ NÃO PAGUEI O SUFICIENTE?
Um basta
Quando Angelique foi embora eu caí em depressão. Tinha apenas uma semana que eu a conhecia, mas ela tinha virado minha melhor amiga.
Todos meus amigos tinham se casado... eu estava completamente sozinho. Albus casou, Pascal e até Remo. Não sobrara ninguém para me fazer companhia... Todos tinham suas vidas e eu ficara pra trás.
Duelei em mais alguns campeonatos e ganhei alguns prêmios, mas tudo era aborrecedor.
Foi quando minha afilhada nasceu. Íris.
Ela nasceu muito pequena e quase morreu. Então Scorpius e Rose tiveram que ficar no Mungus durante um tempo, com ela.
E eu fiquei cuidando de Narcisa e Dália, pois não queria nunca mais ter que entrar naquele hospício. Eu conjurava borboletas e luzes pra elas, mudava a cor de seus vestidos, e transformava a mobília em animais para elas. Narcisa se apegou comigo de um jeito absurdo e quando chegou o momento de voltar pra casa, ela chorou muito. Prometi que iria visitá-la.
E eu cumpri. Na teoria, eu tinha que visitar Íris, mas minha afilhada era pequena e chata. Narcisa já tinha quatro anos. Eu fazia todas as vontades dela. Tenho certeza que Leon iria gostar dela...
Estava deitado no tapete enquanto ela andava nas minhas costas, quando Rose apareceu com Íris.
– Narcisa, deixe o tio Cygnus em paz!
– Mas mamãe, o chão é de fogo! – explicou Narcisa.
– É, Rose. Não estraga a brincadeira. – resmunguei achando bom a massagem que ela me fazia nas costas a cada passo que dava.
– Oh... você não se importa?
– Não. Ela tem pés de anjo. – murmurei.
– Mamãe... Vou casar com o tio Cygnus!
– Acho que ele é velho demais pra você, Ciça. – riu Rose amamentando Íris.
Me concentrei em não olhar para cima. A última coisa que queria ver era a teta da esposa do meu irmão...
– Cygnus, quando eu for grande, você casa comigo?
– É claro. Todo mundo sabe que eu tenho uma quedinha por ruivas. – respondi. Narcisa me abraçou e me deu um beijo na bochecha.
Eu passava a maior parte do tempo com Narcisa e Dália, que também era muito legal. Eu não sabia que gostava tanto de crianças... Mas minhas sobrinhas me fizeram notar que eu gostava muito e que levava muito jeito com elas. Quando estava com as duas, meus problemas pareciam não existir. A risada de Narcisa parecia mais poderosa que um patrono, alias...
Mas não gosto mais de pensar em patronos...
A última vez que fizera o meu, a pedido de Narcisa, levei um susto, pois ele estava diferente. Aquilo me deixou completamente desgostoso. Eu adorava meu cisne...
Mas Narcisa e Dália riram assim mesmo e eu deixei pra lá, amando o som de suas risadas... Sim... Eu adoro crianças... talvez não seja de agora... Eu sempre gostei dos mais novos. Eu sempre brincava com os mais novos, durante minha infância.
Por isso, quando o Profeta Diário chegou no dia seguinte, eu não consegui deixar de ver.
Hogwarts estava contratando um professor de Defesa Contra as Artes das Trevas...
Ensinar... mesmo quando eu era o Sinistro, eu gostava de ensinar... E eu não passei a juventude toda ensinando? Eu sempre ajudava meus amigos a estudar... as amigas de Virgo viviam falando que eu ensinava melhor que os professores.
E ninguém poderia dizer que eu não tinha conhecimento.
Por tanto eu fui para Hogwarts. Não era um emprego glamoroso... mas eu não queria fama. Eu queria apenas recomeçar...
E quando eu me sentei na frente de McGonagall, ela sorriu pra mim.
– Me perguntei se você viria, Malfoy... Lisa sempre falou que você seria o próximo a ocupar a cadeira dela...
– Madame Turner tinha muita fé em mim... – murmurei.
– Ela ainda tem. Ela não morreu. Só se aposentou. – riu McGonagall – Mas não sei se seria seguro te ter aqui, Cygnus... você tem um passado bem sujo...
– Eu sei... – murmurei – Mas quero compensar meu passado, professora. Me dê uma chance.
– Eu não sei, Cygnus... Ensinar não é fácil... e você é o herdeiro de uma família poderosa... E é solteiro... Você sabe que a carreira de professor exige muito da pessoa, não é?
– Neville Longbottom se casou e teve três filhos. – retruquei – E eu não acho que eu vá me casar um dia... – murmurei.
– E tem outro problema, Cygnus...
– O que?
– Você é muito jovem... e sabe bem como as alunas dos últimos anos são... ávidas por uma diversão... Você é bem bonito... É extremamente contra as regras se envolver com as alunas... você seria capaz disso? De se segurar? Você tinha uma reputação de safado que superava a do seu pai e avós.
– Sério? – perguntei me fazendo de inocente, mas McGonagall me encarou com severidade. Não era hora para brincadeiras – Eu era um adolescente, professora. Não pode pensar que eu continuo o mesmo não é? Eu cresci.
– E você costumava ser muito agressivo...
– Eu estou sob controle, diretora. – garanti – Eu viajei o mundo, eu estudei de tudo, eu tenho um currículo impressionante, deixando de lado o que eu fui forçado a fazer pelo Cajado...
– Bem... você tem alguma reputação participando de torneios de duelos...
– Sim... Já ganhei mais de dez.
– E nosso clube de duelos fechou desde que Lisa perdeu a visão do olho esquerdo...
– Eu posso reabrir o clube. Sou um excelente professor, diretora.
– Por que não quer trabalhar no ministério, Cygnus? Você é um Malfoy, seus pais são influentes, Harry Potter é seu padrinho... você conseguiria ser Ministro da Magia algum dia...
Me encolhi na cadeira e neguei com a cabeça.
– Já ansiei por isso um dia, mas olhe só o que aconteceu quando eu consegui poder... – murmurei me encolhendo de leve na cadeira – Não... eu não quero isso pra mim. Eu não quero poder... Eu quero usar o que eu sei para ensinar... nada mais do que isso...
McGonagall girou a cadeira.
– O que acha, Albus? – perguntou ela. Olhei para Dumbledore. Ele me encarava por cima dos oclinhos meia lua.
– Eu o acho completamente capaz.
– E você, Severus?
– Ele parece apropriado. – murmurou o diretor Severus Snape – Ele é filho dos meus dois melhores alunos... Não vejo motivos para não contratá-lo. Ele sempre foi um aluno brilhante.
– Assim como Tom Riddle. – argumentou McGonagall.
– Ele não é como Riddle. – garantiu Fineus Black – Por favor, Minerva-... todos os outros candidatos eram completos tapados. Esse aí vai trazer um renome para escola! Ele ganhou o Torneio Tribruxo! Foi o primeiro campeão em décadas de Hogwarts... Tirando, é claro... Potter...
Minerva McGonagall me encarou e eu respirei fundo.
– Vejamos, senhor Malfoy... o que eu vou fazer com você?
– — -
– Professor? – perguntou meu pai torcendo o nariz – Vai desperdiçar seu talento sendo professor?
– Eu acho ótimo! – disse minha mãe – Desde que seja um bom professor.
– Vai pegar as novinhas todas. – riu Remo. – Vai ser demitido em menos de um mês.
– Que coisa horrível pra se dizer! – ralhou Alexia – Parabéns, Cygnus. É uma profissão muito nobre.
– Obrigado, Alexia. – murmurei contente.
– E o que você vai lecionar? – perguntou Scorpius.
– Defesa Contra as Artes das Trevas e vou ser o professor responsável pelo Clube de Duelos e serei o Chefe da Sonserina. – respondi com orgulho.
– Uau. Chegou arrasando, né? – riu Rose ninando Íris.
– Sim. – respondi sorrindo.
Estávamos todos na Mansão, para um almoço em família. Os Weasley vieram também, assim como os Potter. Eu e Lílian fingíamos que não nos conhecíamos.
Alexia se curvou para falar mais baixo.
– Sabe quem perguntou por você um dia desses?
– Quem?
– Yasmin... do nosso ano, lembra?
– Claro. Ela foi meu par no último baile da escola. – concordei.
– Ela te viu no dia de entrega de títulos, mas não pôde falar com você. Ela trabalha no ministério.
– Está falando de Yasmin Yaxley? – perguntou meu pai – Ela é muito bonita.
– Sim. Era a garota mais bonita do colégio... Depois de Virgo, é claro. – adicionei piscando para minha irmã.
– Ela era um páreo duro, eu admito. – riu Virgo.
– Sou mais a minha gorducha. – riu Scorpius para a esposa, que lhe deu uma colherada na testa – Eu te amo, minha balofinha!
– Oh! Eu te esgano, Malfoy! – rosnou Rose.
– Eu duvido, Malfoy. – brincou Scorpius.
Sorri para os dois. Eles se amavam.
– Mas então... – cortou Alexia – Eu posso falar para Yasmin que você gostaria de chamá-la pra sair?
Eu tentei não olhar. Juro que não. Mas meus olhos desviaram por um segundo para Lily e ela olhava para mim.
– Não. – respondi me voltando para Alexia – Eu não quero saber de romances... não tão cedo... – Baixei os olhos para meu prato e suspirei – Com licença...
Me levantei e deixei a mesa. Por que eu tinha que seguir tendo sentimentos por aquela mulher? Que inferno. Eu só queria esquecê-la. Só isso. Fui para um corredor vazio e me sentei amuado. Eu queria odiá-la, desprezá-la... mas simplesmente não conseguia... Estava sempre buscando pela aprovação dela.
Fechei os olhos passando as mãos pelos cabelos muito compridos... Eu deveria cortar o cabelo... eu ia ser um professor... mas eu gostava tanto deles compridos assim. Talvez deixasse o cavanhaque crescer de novo. Eu gostava do jeito como Dominique fazia... ela tinha as mãos tão firmes para fazer a minha barba... Eu confiava tanto nela que não tinha medo quando ela passava a navalha afiada pelo meu pescoço...
– O que está fazendo ai?
Levantei o olhar e vi Lílian. Meu estômago se contorceu e meu coração acelerou. Tentei me fazer de indiferente, mas não estou seguro em dizer que consegui...
– Nada. – respondi.
– Por que sempre se esconde aqui? – perguntou ela. Apenas dei de ombros – Parabéns pelo cargo. Fiquei feliz por você. – eu concordei em silêncio, sem conseguir encará-la.
Mas ela se sentou ao meu lado.
– Não.
– O que? Não posso me sentar aqui?
– Pode se sentar em qualquer outro lugar, que não seja do meu lado? – perguntei fechando a cara.
– Pode ser no seu colo?
– Vulgar. – resmunguei.
– Você nunca reclamou.
– Não... eu era apaixonado por você e não via seus defeitos... – a olhei com desprezo – Mas não é assim agora, é? – perguntei me levantando.
– Não me ama mais?
– Não. – respondi. Mas era mentira. A maior mentira que eu poderia inventar. Eu provavelmente nunca deixaria de amar Lílian Potter independentemente do que ela fizesse.
– Hum... – murmurou ela – Desculpe, Cyg...
– Não me chame assim. – eu disse.
– Assim como?
– É Malfoy pra você, Potter. – rosnei me obrigando a lembrar de todas as vezes que a curandeira chegava com a correspondência e eu procurava sem sucesso por uma carta de Lílian Potter...
– Ok... me desculpe, Malfoy. – falou ela baixinho – Me desculpe por ser tão... tão cruel... e... me perdoe por...
– Não. – respondi. Fingi que não liguei para as lágrimas dela. Ela não tinha ligado pras minhas, tinha? – Eu não quero me envolver com você... nunca mais.
– Eu entendo... eu entendo. – murmurou ela ficando de pé e me olhando com os olhos cheios de água. Ela tinha os olhos castanhos mais calorosos que eu já tinha visto. Ela sorriu pra mim tristemente, fungando e eu fingi não sentir aquele aperto no peito. Tentei dolorosamente não abraçá-la ou beijá-la... – Po-posso te contar um segredo?
– Segredo? – perguntei levemente confuso, olhando para ela admirando as lindas sardas em seu rosto vermelho...
– Sim... – ela respirou fundo – Mas não pode contar pra ninguém.
– Não me faz perder tempo, Potter. – resmunguei, me virando. Como eu queria ser gentil e deixar meu orgulho de lado...
– Você tem sardas! – disse ela. Eu me virei pra ela ainda mais confuso.
– Não tenho, não.
– Tem sim! – insistiu ela. Ela correu até mim – E eu adoro as suas sardas.
– Eu não tenho sardas.
– Tem sim. – insistiu ela – Eu não gostava delas antes, mas... mas agora eu gosto. Porque elas são suas.
– Do que está falando? Eu não tenho sardas! – insisti. Será que eu tinha e nunca tinha prestado atenção? Não... eu certamente saberia se eu tivesse alguma sarda. Eu gostaria de ter sardas...
– Tem sim. Elas estão todas aqui. – disse ela apontando para o próprio rosto. A olhei sem entender coisa alguma.
– Do que está falando, Potter? Tá maluca? – perguntei confuso.
– Ainda não entendeu, seu bobinho? – riu Lily, com o rosto cheio de lágrimas.
– Não. Não entendi!
– Olhe aqui. – disse ela apontando para si mesma – São todas suas... sou toda sua... entendeu? – perguntou ela. Meu estômago revirou. A segurei com firmeza.
– Pare de brincar com meus sentimentos. Isso não tem graça. – sibilei.
– Eu amo você.
– Mas eu estou cansado desse seu amor bipolar. – retruquei o mais gélido que eu consegui – Eu cansei, Lily. Eu mereço mais do que isso... você correu a infância atrás de mim, isso é verdade. Mas você cresceu e então os papeis se inverteram. Eu quem corria atrás de você... eu te chamei para ser meu par no baile, eu quem te pedi em casamento... e você negou, Lily... você negou... – eu a soltei – Não faça mais isso... acabou... eu... – passei as mãos pelos cabelos olhando para ela – Eu estou terminando isso que a gente tinha... eu cansei de você. Cansei de tudo em você... chega.
– Eu... só queria que me desculpasse...
– Volte pro seu namorado. – resmunguei.
– Eu terminei com ele... naquele dia em que eu vim te ver... eu ia falar que... tinha terminado... e te contar o porquê de...
– Não importa. – cortei – Você devia ter vindo antes, Lily. Muito antes... por que não escreveu pra mim? Por que não veio me ver? Por causa de uma coisa que eu fiz no dia que eu saí de Azkaban? Eu estava completamente insano...
– Eu não sabia o que...
– Não sabia? Não sabia o que os dementadores faziam? Você, melhor do que ninguém, sabia o quanto minha mente estava fragilizada, Lily... você sabia que eu estava sendo possuído. Você sabia de tudo... – respirei fundo – Mas você não sabia que eu seria tão afetado pelos dementadores...? Não... isso você não sabia... e eu fiquei um mês naquele inferno... um mês... Deitado na própria merda... simplesmente porque eu amava tanto você, que consegui resistir ao domínio do cajado e então cumpri com as promessas que eu tinha te feito. Me entregar, largar a guerra e nunca machucar seu pai...
– Cygnus...
– E então, quando não haviam mais mentiras... quando finalmente tudo estava esclarecido e eu fui inocentado... eu corri atrás de você... eu tinha a benção do seu pai, que era absolutamente importante pra mim... mas você me desprezou e me abandonou... Quer uma prova de amor, Lily? – eu saquei a varinha. Já tinha algum tempo que eu sabia daquilo... mas não tinha contado pra ninguém. – Expecto Patronum.
E um beija flor saiu da ponta da minha varinha.
– M-mudou... – murmurou ela chocada.
– A maior das ironias, não? – perguntei afastando aquele passarinho irritante – Apesar de tudo, você ainda é meu pensamento feliz... e eu te odeio por isso. Me deixe em paz.
E então me virei para sair.
Mas ela correu até mim.
– Por que sempre fazemos isso? – perguntou ela – Por que, mesmo se amando, a gente dá as costas um pro outro?
– Acho que simplesmente não é pra ser. Vá embora, Lily.
– Eu não vou! – disse ela segurando o meu braço – Eu não vou te deixar, Cygnus!
Eu puxei o braço, ainda seco. Me odiando cada vez mais por fazer aquilo. Mas a mágoa era demais... eu não era como Lily, como minha mãe... eu era rancoroso e egoísta... Eu era um Malfoy...
– Você já me deixou. No Mungus, lembra? Agora, por favor... pare com isso.
– Não... por favor...
– Me solte.
– Não vou soltar.
– Larga de ser ridícula!
– Não!
– Por que tem sempre que ser tão irritante?
– Perguntou o ser mais irritante da face da terra! – retrucou ela.
– Eu sou o ser mais irritante da face da terra? – perguntei zangado. Ela riu de mim.
– Sim. Você é.
– Eu sou?
– Sim.
– Tem certeza disso?
– Absoluta, professor Malfoy. – riu ela.
– Pare de rir de mim.
– Eu não consigo.
– Acha que eu sou uma piada?
– Não... não é isso. Eu só estou muito feliz.
– Feliz? Com o que?
– Você me ama. – respondeu ela – Você me ama de verdade... eu te amo de verdade... e eu vou beijar você agora.
– Não vai coisa nenhuma!
– Mas, Cyg... são as tradições, olhe.
Ela apontou para o teto. Tinha um visgo nascendo ali.
– Só porque conjurou aquilo...
– Não fui eu. – riu ela, mas ela parecia antes desesperada do que feliz – Eu acho que é o destino... dizendo que eu sou a mulher da sua vida.
– Metida. – resmunguei, mas meus lábios tentaram sorrir.
– Será?
Ela colocou as mãos nos meus ombros e ficou na ponta dos pés. Ela me olhava com tanta intensidade... minhas mãos escorregaram para sua cintura. As dela para a minha nuca. O nariz dela tocou o meu. Nossos lábios roçaram.
– Por que nunca escreveu? Por que não foi me ver?
– Esquece isso.
– Não. – respondi. Então a afastei – Desculpe, Lily... – murmurei chateado – Me desculpe de verdade... mas eu não consigo... Eu não sou como você... eu não consigo perdoar assim... não sem entender o que aconteceu... então... então licença.
Me virei e saí de lá. E dessa vez ela não me seguiu.
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