Cygnus - Fallen

13 2ª Tarefa e Depoimento - Lily Potter


Notas iniciais
Postarei mais um capítulo em agradecimento ao depoimento da rosa! Obrigada!!! Gentem... Preparem-se, que nesse capítulo a emoção é grande.... (eu achei...) Pela primeira vez um outro personagem vai narrar uma parte da história. Espero que vocês gostem

A segunda tarefa

Um pouco antes da Páscoa, aconteceria a segunda tarefa. Seria a prova da Durmstrang. A aluna da Durmstrang estava em último lugar, mas ela parecia muito confiante de que mudaria o jogo agora. Eu também estava confiante, mas de que eu seguiria na liderança.

A segunda tarefa iria acontecer no campo de quadribol.

– Escute aqui, Cygnus. Se você explodir meu templo sagrado, eu juro que mato você enquanto dorme. – disse Scorpius ansioso – E é melhor vencer essa tarefa também.

– Vou fazer meu melhor. – murmurei ansioso.

Tomei café da manhã agradecendo todos os desejos de boa sorte. Depois fui para o campo, acompanhado dos meus colegas da Sonserina.

– Tem ideia do que pode ser? – perguntou Remo.

– Nop...

– Mas você acha que vai tirar de letra que nem a primeira tarefa? – perguntou Virgo, que vinha de mãos dadas com Pascal.

– Se eu não depender do meu talento de voo. – respondi. Todos acharam que era uma brincadeira... Mas não era...

Estava relativamente ansioso, apesar de ainda estar usando aquela minha máscara de indiferença. Todos admiraram meu sangue frio.

– Eu estaria desesperado no seu lugar... – confessou Pascal – Se a primeira tarefa foi atravessar a floresta proibida... Imagine qual vai ser a prova da Durmstrang...

– Meu pai teve que enfrentar um dragão. – disse Albus.

Eu interrompi meu passo por um milésimo de segundo sentindo meu estômago dar uma cambalhota, mas fingi que não me importava com isso. Mas a única coisa que eu pensava era: Merlin, não seja um dragão... não seja um dragão.

Quando cheguei lá, McGonagall, a professora Turner, os outros dois diretores (Madame Maxime e Madame Crudelis) e Harry esperavam por mim. Albus saiu correndo para abraçar o pai. Cumprimentei meu padrinho também.

– Veio me ver? – perguntei.

– Fui convidado pelo ministro de esportes. – respondeu Harry – Boa sorte, Cygnus.

– Sabe o que é, tio Harry? – perguntou Scorpius.

– Não. – respondeu ele ficando um pouco tenso – Mas eu tomaria muito cuidado... A energia daquilo...

– Daquilo o que? – perguntou Scorpius. Mas McGonagall bateu na cabeça de Harry.

– Nem mais uma palavra, Potter. – ralhou ela arrancando algumas risadas.

Me despedi de meus colegas e fui para o campo. Fui o último a chegar. Apolo e Nymeria me esperavam. Ambos olhavam para o centro do campo.

Tinha uma cabine ali. Tinha o tamanho de uma cabine do Expresso Hogwarts. E em cima dela haviam quatro espelhos enormes, virados para a plateia. Olhei para os dois campeões e eles olhavam para a cabine com preocupação. Eu ri com desdém. Se aquilo estava recheado de artes das trevas, Apolo com certeza sairia perdendo. Agradeci pela biblioteca do meu pai. Fosse o que fosse, eu tinha certeza de que estaria preparado.

Ludo Bagman, o ministro de esportes mágicos, chegou para explicar as regras.

– Boa tarde, HOOOOOOOGWAAAARTS! – gritou ele com a voz amplificada magicamente. Observei todos os alunos gritarem de entusiasmo. Todas as arquibancadas com as cores verde e prata da Sonserina, inclusive os alunos da Grifinória. A escola gritava meu nome e eu levantei a mão animado, para cumprimentá-los. Ouvi os gritos estridente femininos – Sim, ele é bem popular... Principalmente depois daquela revista. Minha sobrinha comprou todas as três edições. – E lá se foi a minha alegria. Olhei zangado para Ludo Bagman, sabendo que meus colegas deveriam estar passando mal de tanto rir – Mas muito bem. Vamos receber nossos campeões com palmas! – mais uma vez a arquibancada gritou meu nome. Era a vantagem de lutar em casa, não? – Isso mesmo. Isso mesmo. Agora... Vamos para as regras. É muito simples. – ele fez uma pausa dramática enquanto todos os alunos se calavam para prestar atenção – Os campeões devem entrar na cabine. Lá dentro vão encontrar três cálices, todos eles contendo a mesma poção. Cada um deverá beber o seu respectivo cálice. – ele apontou para Nymeria – Durmstrang, o vermelho, — depois para Apolo – Beauxbatons, o azul – e por último para mim – Hogwarts, o verde. E então, os campeões deverão enfrentar seus medos. – Ludo fez outra pausa, querendo soar misterioso e enigmático. Olhei para os outros dois campeões. O que ele quis dizer com aquilo? – Será avaliado o tempo para que o campeão levará para sair da cabine. – Ludo se virou para nós – Vamos sortear a ordem.

Ludo pegou uma sacola e ofereceu para mim. Coloquei a mão ali e notei que tinha três bolinhas. Segurei uma e a tirei. Tinha o número três ali.

– Sou o último?

– Isso mesmo.

Sorri satisfeito. Poderia me preparar melhor.

Nymeria seria a primeira e Apolo o segundo.

Hogwarts aplaudiu Nymeria educadamente e assim que ela entrou os espelhos começaram a mostrar o que acontecia dentro da cabine. Nymeria respirou fundo e pegou o cálice vermelho. Então ela o bebeu e respirou fundo. Em seguida ela caiu no chão com a mão na cabeça e gritou. Ela esperneou e puxou o moicano, parecendo completamente horrorizada.

Olhei para Apolo com receio e notei que ele fez o mesmo.

– O que raios é isso? – ele me perguntou. Apenas dei de ombros.

Aos poucos ela foi se acalmando. Ela se abraçou ficando em posição fetal, se sacudindo para frente e para trás e então se levantou, respirou fundo e saiu da cabine. Ela levou cinco minutos. O silêncio era mortal. Todos ficaram horrorizados com aquilo. Um frio subiu pela minha espinha. O que eu teria que enfrentar ali dentro? Eu sabia muito bem que o pior inimigo que eu poderia enfrentar estava dentro de mim e eu não tinha certeza de que seria capaz de vencê-lo se ficássemos mais uma vez cara a cara.

Nymeria ficou ao meu lado novamente. Seu moicano estiloso completamente destruído. Ela parecia abatida e sua cabeça estava toda arranhada, marcas deixadas por suas próprias unhas.

Apolo avançou parecendo determinado. Ele entrou na cabine e os espelhos voltaram a mostrar o interior da cabine. Ele respirou fundo, passando as mãos pelos cabelos castanho-dourados e então pegou o cálice para bebê-lo. Ele ficou completamente tenso e cambaleou. Caiu de joelhos, respirando fundo. Consegui notar que ele fechava o punho com força e seu corpo tremia.

Mas então ele levantou e saiu. Apenas dois minutos e trinta e sete segundos. Seria o tempo que eu teria para derrotar Abraxas Slytherin.

Quando Apolo ficou ao meu lado, notei que ele respirava ofegante e que estava muito suado. Ludo me chamou para ir, mas eu não quis. Eu não era corajoso. Era um maldito Sonserina... Como poderia passar por aquilo? Não havia alternativas. Não podia bolar um plano para contornar aquilo. Um Sonserina não enfrenta problemas assim...

– Cygnus. É a sua vez. – disse Ludo e eu desejei ter ido primeiro.

Comecei a andar, tremendo por inteiro. Me sentia uma ovelha indo para o matadouro. Quando cheguei na porta da cabine, Harry estava lá.

– Calma. – murmurou ele me olhando com preocupação.

Eu já estava entrando em pânico. Entrei assim mesmo e olhei para o último cálice. O cálice verde...

– Do que você tem medo, Cygnus? – perguntei pra mim mesmo. – É tudo uma ilusão. Nada disso vai ser real. – Então peguei o cálice. – Vai ficar tudo bem. – Fechei os olhos e o bebi.

A poção tinha gosto de mel e foi muito fácil de beber. Mas assim que coloquei o cálice em cima da mesinha tudo girou.

Acordei no quarto de Lily. Ela dormia ao meu lado. Por um momento não pareceu tão ruim.

– Oh... Pense de novo, Cygnus. – eu conhecia aquela voz. Me levantei e olhei para o lado. Lá estava Abraxas. – Por que não olha com atenção? Nossa aventura foi divertida.

Olhei para Lily e notei os hematomas. Toquei na pele dela (sim, ela estava nua) e ela se encolheu.

– Por favor, Cygnus... Não me machuque mais... – chorou ela.

Me levantei e notei que estava nu também.

– Ela deu trabalho, mas conseguimos domá-la.

– Isso é apenas uma ilusão. Não é real. – eu disse com firmeza.

Abraxas sorriu para mim e negou com a cabeça.

– Eu ganhei a segunda etapa por você, idiota. Mas não foi você quem saiu daquela cabine. Fui eu.

– Não é verdade. – eu disse tentando me convencer.

– Oh... É verdade sim. Eu sai e fui para casa de Harry no feriado da páscoa. Ele lutou bravamente pela virtude da filhinha dele.

– O que? – perguntei chocado.

– Eu matei Harry Potter. – riu Abraxas – Eu estuprei Lílian Potter. Uma, duas, três, quatro vezes. E quer saber? Eu vou fazer de novo. – ele apontou a mão para mim e me jogou contra o a parede. Não conseguia me mover – E você vai assistir.

– Não! – gritei em desespero.

Bem... Eu tive que assistir aquilo, sem saber se estava sonhando ou não. Não conseguia acordar. Foi horrível, mas... Acho que quando eu realmente acordei...

Uma coisa é ficar preso num pesadelo. Outra coisa é acordar e notar que aquilo estava para se tornar real... Eu não seria capaz de contar pra você o que aconteceu... Pergunte para meu irmão... Ou para Lily. Não sei se ela vai querer contar sobre isso... Foi bem traumático... Mas se quer mesmo saber o que aconteceu, vai ter que falar com ela.

Agora... Podemos continuar isso amanhã? Eu estou muito cansado agora... Preciso de um pouco de descanso...

Depoimento – Lílian Luna Potter

Oh... Por onde eu posso começar?

Sim, eu sou a caçula do famoso Harry Potter. E vou começar falando que eu amo aquele idiota do Cygnus Malfoy.

Não é aquele deslumbramento que ele causa nas pessoas. Eu o amo de verdade, desde criança, por inúmeros motivos. A maioria das pessoas me pergunta como eu sou capaz de amar alguém como ele. Acredite, seria mais fácil pra mim se eu não amasse... mas a vida parece que gosta de pregar peças na minha família, não é?

Mas ok, vamos lá. Você quer saber sobre o Torneio Tribruxo, não é? Nossa... Esse torneio acabou com o Cygnus... Todo mundo acha que ele pirou por conta daquele cajado, mas... A verdade foi que o cajado foi a gota d’água. Cygnus nunca se recuperou daquela segunda tarefa. Não completamente.

Sabe... Ele foi o último a entrar na Cabine Pesadelo, como a gente a apelidou. Eu vi como ele estava ao entrar. Ele estava se borrando de medo. Eu sabia o que ele iria enfrentar lá dentro. Eu gritei para que ele desistisse. Mas ele não deve ter me escutado... Todos me olharam feio quando eu gritei para que ele não fosse pra lá. Aquele monte de alunos egoístas. Como poderiam achar que qualquer um deveria enfrentar aquilo?

Todos achavam que Cygnus Malfoy tiraria aquilo de letra, já que, ao que todo mundo sabia, o maior medo dele era altura.

Mas eu sabia a verdade. Cygnus tinha medo de tantas coisas... E nenhuma delas era boba. Eu me desesperei completamente quando o ouvi falar aquelas coisas pra si mesmo. Ele tentando se convencer que iria ficar tudo bem, quando tanto eu quanto ele sabíamos perfeitamente que não iria.

Quando ele bebeu o cálice, senti meu coração parar. Mas Cygnus simplesmente colocou o copo na mesa e ficou parado. Ele não se moveu. Por um momento achei que ele iria ficar bem. Ele estava indo melhor do que o campeão da Beauxbatons. Sorri aliviada, achando que tinha subestimado Cygnus. Afinal, ele era a pessoa mais corajosa que eu conhecia...

Mas um minuto se passou, dois, três, quatro, cinco...

Ele não moveu um músculo. Seis, sete, oito, nove, dez.

Os alunos ficaram furiosos. Principalmente os da minha casa. “Isso que dá colocar um Sonserina para fazer uma prova de coragem!” eles gritavam. Mas eu sabia que algo muito maior estava por trás daquilo. Ele nunca deveria ter entrado naquela cabine. Nunca...

Mais cinco minutos e eu já chorava de desespero. A diretora da Durmstrang estava rindo satisfeita, mas Madame Maxime não. Mesmo que isso colocasse seu campeão em primeiro lugar.

Mais cinco minutos e então Cygnus caiu no chão, tremendo e babando. Ele teve uma convulsão, eu acho. Meu pai então entrou e o ajudou. Quando Cygnus parou de tremer, eu já tinha deixado o campo de quadribol. Eu precisava vê-lo. Precisava trazê-lo de volta. Mas meu pai o levou direto para a Ala Hospitalar.

Eu vi meu pai levando Cygnus. O vento ao redor deles parecia ganhar cor. Parecia uma neblina negra, que se desprendia dele. Eu sabia que era magia negra. Podia sentir nos meus ossos.

Quando meu pai chegou na Ala Hospitalar, eu tentei entrar. Mas não deixaram. Madame Turner e o Senhor Fungus tentaram ajudar Cygnus. Eu fiquei do lado de fora com os irmãos dele. Meu pai começou a brigar com a diretora da Durmstrang, furioso. Aquilo era magia negra da pesada. Mas ela não ligou. Respondeu com deboche.

– Artes das Trevas é uma disciplina na minha escola. Se Hogwarts não treina seus alunos para enfrentar essas coisas, não é culpa minha.

Achei que meu pai iria atacá-la ali mesmo. O senhor Fungus saiu e chamou meu pai. Cygnus tinha acordado, mas estava esquisito. Meu pai foi vê-lo, mas eu entrei primeiro.

Ele estava sentado na cama e não reagia a nada que Madame Turner fazia. Ele mal piscava.

– Lily. Saia daqui. – pediu meu pai.

Mas quando ele ouviu meu nome, ele se moveu. Ele olhou pra mim. Mas eu sabia que aquele não era Cygnus. Era outra coisa. Ele sorriu pra mim e todos os pelos do meu corpo ficaram eriçados. Cygnus tinha um sorriso intimidador. Mas o que ele sorria agora... Vê... Só de lembrar, me deixa arrepiada.

Eu deixei a ala hospitalar aos prantos. Só desejava que ele voltasse. Alguns minutos depois, meu pai apareceu para me acalmar. Ele prometeu que Cygnus iria ficar bem. Que logo ele voltaria ao normal. Eu quis contar para o meu pai sobre a verdade, mas na época, eu mesma não sabia exatamente o que estava acontecendo e eu tinha prometido pro Cygnus que não contaria a ninguém.

Meu pai estava para me levar para a torre da Grifinória, quando Scorpius apareceu. Ele carregava Virgo e tinha um corte horrível no rosto.

– Tio Harry... Ajude por favor... O Cygnus ficou louco.

Virgo olhou para nós. Ela também estava machucada. Podia ver o osso da perna dela quase saindo por sua pele.

– Ele matou aquelas pessoas... Ele matou aquelas pessoas... – murmurava ela.

Meu pai olhou para mim, assustado.

– Lily. Vá para o salão comunal. Leve Scorpius e Virgo.

Eu obedeci, mas não entrei com eles. Nenhum dos dois estava em condições de correr atrás de mim. Eu corri, não só por Cygnus. Eu corri pelo meu pai também. A razão é muito simples. Eu me lembrava de Cygnus falar que Abraxas Slytherin era poderoso de um jeito que nem ele mesmo era. Só de imaginar alguém assim controlando o corpo de Cygnus...

Eu tive medo pelo meu pai. Primeiro corri para a Ala Hospitalar. Eu vi os aurores. Eu vi o senhor Fungus. Todos mortos. O sangue pintando as paredes. Corri dali, sem saber pra onde ir. Fui até o escritório, mas ele não estava lá. Então subi para a Torre da Corvinal...

Quantas vezes eu tinha seguido Cygnus até ali, com a velha capa do meu pai? E dessa vez eu estava certa... Ele estava lá, parado. Ele se virou para me encarar... Nossa... Como eu senti medo dele...

– Olá, passarinho. – riu ele olhando pra mim, com os olhos vermelhos.

– Deixe Cygnus em paz. – exigi pegando a minha varinha.

– O que você vai fazer, heim? Vai duelar comigo? — ele riu daquele jeito sinistro — Ok. Vamos ver o que os protegidos de Gryffindor podem fazer.

Mas antes mesmo que eu soltasse um feitiço sequer, ele já tinha me desarmado e já estava em cima de mim. A velocidade dele era simplesmente sobrenatural.

– Deixe Cygnus em paz. – insisti. O rosto dele se contorceu e eu vi Cygnus ali.

– Corre, Lily... – mas então ele se contorceu de novo e voltou a ser aquele demônio... Ele gargalhou e me empurrou contra a parede. Tentei me livrar dele, mas ele era tão forte... Tão forte... – Helena era muito mais bonita. – disse ele segurando meu rosto. As mãos dele estavam completamente sujas de sangue. – Você gosta do Cygnus, passarinho? Gosta? Deixa eu te dar uma provinha do que seu namorado pode ser? – ele me virou de costas e então entrou na minha mente. Senti a mão de Cygnus apertar meu peito... – Quer saber... Não vou te controlar. Quero ouvir você gritar, passarinho.

– Me solta! Cygnus. Por favor, Cygnus! – ele bateu minha cabeça contra a parede, rindo. Senti a língua dele no meu pescoço – Cygnus, me ajude, por favor. – chorei morrendo de medo. Tentei me livrar dele, mas como poderia? Ele me jogou no chão e eu me arrastei para longe dele, tremendo. Ele tirou a capa e o casaco. Depois foi desabotoando a camisa branca, olhando faminto para mim. – Cygnus, por favor, Cygnus... Eu estou com medo...

E então ele parou. Fez uma careta.

– Oh, pare com isso. Você merece mais do que essa garota estúpida... – mas então ele caiu de joelhos e me olhou com desespero – Corre... Por favor, Lily, corre. – ele fechou os olhos e voltou a ser o demônio. – Não vai correr nada. – ele me puxou pelos calcanhares ficando entre minhas pernas. Mas então ficou tenso e travado.

Eu sei que deveria correr. Ele tinha me pedido para correr. Mas eu não poderia deixá-lo sozinho. Então o abracei.

– Volte pra mim, Cygnus... – murmurei tremendo de medo – Volte pra mim, por favor, volte pra mim.

Senti as mãos dele me empurrarem com força. Ele cambaleou de um lado para o outro, com as mãos na cabeça. Ele gritava consigo mesmo e então ele correu contra parede e bateu a cabeça com força.

– Eu prefiro morrer. EU PREFIRO MORRER! – gritou ele.

– Cygnus! Pare!

Corri para ele e o segurei. Então ele me mordeu no ombro.

– Eu vou foder você, sua garota burra. – rosnou o demônio. Ele rasgou o meu colete. Lutei com ele, chamando por Cygnus, mas Cygnus não voltava. Ele apertou meus seios novamente... a mão dele suja de sangue ficando marcada no meu uniforme branco. Ele abriu minha blusa e então começou a gritar novamente – Me deixe. Desista! Desista! – gritava ele.

– Cygnus. Volte. Por favor. Você consegue.

Ele me olhou novamente, mais uma vez sendo ele mesmo.

– Eu não consigo, Lily. Por favor vai embora, por favor. Por favor. Eu não quero machucar você... eu não quero machucar você.

Mais uma vez eu o abracei.

– Você consegue, Cygnus. Por favor. Volte pra mim.

Senti os braços dele me envolverem e ele gemia de dor, ou sei lá do que...

– Estou com medo, Lily.

– Não precisa ter medo, Cyg... Eu estou aqui com você. – eu disse.

– Eu sinto muito. – murmurou ele no meu ouvido.

E então me largou. Ele pegou a varinha e me colou na parede. Depois ele voltou a lutar consigo mesmo. Ele caiu no chão de joelhos e começou a bater a cabeça na parede com força. O sangue espirrando de maneira grotesca. Foi quando eu escutei um barulho terrível... O som de alguma coisa quebrando. Ele foi ficando cada vez mais fraco. E então caiu no chão. A testa dele estava amassada. Era algo horrível de se ver.

Ele se virou em direção a uma armadura que tinha ali e foi engatinhando até ela.

– Cyg, pare, por favor... Pare... – eu só conseguia chorar. Ele chegou perto da armadura e então passou o pulso pelo fio da espada que a armadura segurava.

Ele se sentou encostado na parede e o feitiço que me prendia terminou. Corri até ele e ele me olhou sorrindo. Um sorriso sereno. Ele com certeza achou que iria morrer. Na verdade, eu também achei.

– Me desculpe. – murmurou ele. O rosto dele estava deformado e ele estava completamente ensanguentado.

– Por que fez isso, Cyg. Seu bobo! Seu tonto!

– Me desculpe. – Murmurou ele – Me perdoe... Me desculpe...

Ele ficava repetindo aquilo de novo e de novo. Corri até a minha varinha e tentei curá-lo, mas nada parecia funcionar. Ele ainda estava murmurando desculpas, cada vez mais fraco. Eu já estava em pânico. Não conseguia parar de chorar.

– Cyg. Fique comigo, Cyg. Você é forte. Você vai sair dessa. Ouviu? Você vai sair dessa. Olhe pra mim, Cyg. Olhe pra mim... – mas ele não conseguia mais focar. O sangue estava saindo rápido. O abracei, chorando, desconsolada. Eu tinha certeza de que ele iria morrer.

– Me desculpe... me desculpe... me desculpe.

– SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE! POR FAVOR! ALGUÉM ME AJUDE! – gritei em desespero – Não morra, Cyg. Não morra.

Eu cortei um pedaço da minha blusa e coloquei ao redor do corte no pulso.

– Me perdoe... me desculpe... me desculpe... me desculpe...

– Levanta o pulso, Cyg. Fica com o braço levantado, ok? – perguntei desesperada.

– Há-há-há... eu matei Harry Potter... – murmurou ele. Eu o olhei em pânico – Eu estuprei a sua irmãzinha... ela chorou feito uma cadela...

– Você não fez isso, Cyg. Virgo está bem. Está a salvo.

Ele falava com a voz fraca, os olhos desfocados o rosto ensanguentado.

– Eu estuprei Lílian Potter... há-há-há... E você não fez nada... há-há-há...

– Deixe o Cygnus em paz! – gritei.

E então ele me olhou e sorriu. Aquele sorriso que me causaria pesadelos.

– Ou o que, passarinho?

E então eu o soquei no rosto. Cygnus caiu no chão e riu de novo.

– Há-há-há. Eu matei Harry Potter. Eu estuprei sua irmãzinha. Eu estuprei Lílian Potter. E eu vou matar cada nascido trouxa que eu ver na minha frente, porque essa puta não vai deixar você morrer. Ela não vai. Há-há-há.

– Deixe o Cygnus em paz!

– Ele é meu. – respondeu Abraxas com a voz grave de Cygnus – Ele é todo meu. Há-há-há.

Me ajoelhei ao lado dele e então me deitei no chão.

– Cygnus... Se lembra do dia do sótão? – perguntei carinhosamente para ele. Ele concordou novamente com o rosto sem foco. – Eu estava com tanto medo... Estava tudo tão escuro... – ele concordou de novo. Segurei a mão dele e acariciei seu rosto – Lembra que você ficou contando histórias pra mim, Cyg? Lembra? – ele concordou de novo – Você cuidou de mim. Não me deixou ter medo... Eu vou ficar aqui com você, ok? Eu vou cuidar de você, ok? – perguntei chorando de novo. Ele concordou em silêncio. As piscadas dele ficando cada vez mais longas – Não dorme, Cyg. Não dorme. – ouvi passos. Alguém estava vindo – Estão vindo te ajudar, Cyg. Estão vindo te ajudar...

– Lily?

– O que?

– Canta pra mim? – perguntou ele com os olhos fechados.

– Por que?

– Eu estou cego... – murmurou ele – Quero ouvir sua voz... Não me deixe... ok? Eu... eu estou... eu estou com muito medo... Não dou corajoso como você e os Grifinória...

Então comecei a cantar para ele. Nem lembro o que. Ele sorriu mais uma vez, parecendo sereno. Sua respiração ficando mais lenta.

Meu pai chegou e gritou meu nome. Eu estava chorando desesperada, mas não parei de cantar. Meu pai olhou para mim enquanto eu cantava para Cygnus.

– Lílian. Meu deus, Lílian. Você está bem?

– Ajude o Cyg, papai, por favor.

– Harry? – perguntou Cyg... – Eu posso ficar com a Lily, Harry...? – perguntou ele sem abrir os olhos. O rosto completamente ensanguentado – Tio Harry... Eu estou com medo... Deixe Lily comigo, tio Harry...

Meu pai pegou Cygnus no colo e o olhou parecendo chocado.

– Vamos, Lily.

Corremos com Cygnus e meu pai usou uma lareira para ir para o Mungus. Cygnus foi internado lá. Ele teve quatro paradas cardíacas e ficou morto, oficialmente, por mais de um minuto. E tudo o que eu consegui fazer foi chorar.

Logo o Sr. e a Sra. Malfoy chegaram.

– Cadê o meu filho? Draco! Meu filho, Draco... Meu filho... – chorava ela.

O Sr. Malfoy parecia prestes a cair no choro também, mas ele se conteve.

– Como está o Cygnus, Harry? O que aconteceu com o meu filho?

– Adulteraram a bebida dele. – respondeu a diretora McGonagall que chegava apressadamente, com cara de choro também – A bebida dele estava diferente das outras. Terrivelmente mais potente. Enviei o que sobrou da bebida para o ministério. Crudelis queria eliminá-lo. Ela trapaceou. Eu sinto muito, Sr. e Sra. Malfoy.

– Isso é culpa sua! – gritou tia Rose pra o marido e então caiu de joelho – Eu quero meu filho, Draco. Eu quero o meu filho. Eu não posso perder meu bebê. Meu bebezinho. Meu deus. Meu filho não... meu filho não... meu pobre Cygnus... Meu pobre Cygnus...

O Sr. Malfoy abraçou a esposa e eu abracei meu pai. O Sr. Malfoy olhou para mim. Eu estava imunda de sangue.

– Esse... esse sangue...?

– É do Cyg...

Foi a vez do Sr. Malfoy cair de joelhos. Ele abraçou a esposa completamente desesperado.

Ficamos horas ali. Meu pai queria que eu fosse embora, mas eu me recusei. Sirius chegou com a esposa, a senhora Narcisa também veio. A mãe do Cygnus não parava de chorar. O Sr. Malfoy parecia estar do mesmo jeito que Cygnus tinha ficado antes de enlouquecer... Ausente, sabe?

Logo apareceu Scorpius.

– CADE O MEU IRMÃO! – gritou ele com o rosto inchado e sujo de sangue. Ele me pegou pelo colarinho – CADÊ O CYG?

– SOLTE ELA! – gritou meu pai. Mas Scorpius caiu no choro também. – Meu irmão... meu irmãozinho... – O Sr. Malfoy se levantou e puxou Scorpius. Achei que ele ia brigar com ele, mas os dois se abraçaram – O Cyg não... Papai... o Cyg não... ajudem o Cygnus... Não deixem meu irmão morrer... não deixem...

– Calma, Scorpius... Calma... – disse o Sr. Malfoy com um olhar irado – Quem adulterou a poção?

– Não sabemos, Sr. Malfoy... Mas eu acredito que tenha sido... – começou a professora McGonagall, mas meu pai a cortou.

– Eu vou descobrir isso, Draco. Mas não podemos fazer nada sem provas.

– Meu filho está ali há três horas, Potter. Eu quero um nome. Só isso.

– Eu também, Draco. Acredite. – disse meu pai.

E então um curandeiro saiu do quarto de Cyg. Eu me levantei com expectativa.

– Ele está vivo. – ele disse. Mas o modo como ele falou aquilo não me acalmou. Senti a mão do meu pai apertar o meu ombro. – Mas nós não sabemos quais serão os danos... Quem é Lily?

– Sou eu! – eu disse abrindo caminho. O médico olhou para meu pai e ele consentiu em silêncio.

– Eu vou entrar primeiro. – disse o Sr. Malfoy. – Eu sou o pai dele.

– Acalme-se, por favor... Ele quer ver Lily. – murmurou o curandeiro – A situação do seu filho é muito delicada ainda, Sr. Malfoy.

Ele concordou a contra gosto e eu entrei.

Tinham três curandeiros ao redor de Cyg. Os três murmurando feitiços, jogando pós estranhos nele... Ele estava deitado, com a cabeça enfaixada. Ele se virou para me ver. Sorri para ele. Ele estendeu a mão para mim. Corri até ele e segurei sua mão para beijá-la.

– Cyg... sou eu. Lily.

Ele concordou em silêncio.

– Cante... pra mim... – murmurou ele fracamente.

Fiquei constrangida pelos curandeiros, mas não hesitei em cantar. Cyg sorriu para mim e desmaiou. Me tiraram do quarto e mandaram mais curandeiros pra lá. Mais uma vez achei que ele fosse morrer. Precisei voltar para a escola. Todos queriam saber o que tinha acontecido.

No dia seguinte a diretora da Durmstrang foi detida e acusada de tentar matar Cygnus. Se ela fosse julgada ali, estaria ferrada, pois o pai do Cygnus fazia parte da Corte dos Bruxos. E ele não iria descansar até que ela estivesse morta.

Nymeria, ao saber do que tinha acontecido, declarou que não participaria mais do torneio em repúdio ao que aconteceu.

– Cygnus era o mais capaz de nós e eu estou envergonhada pela postura da minha Diretora, se isso que se diz for mesmo verdade.

Mas Apolo não desistiu. E ele teria sido o campeão, mas Cygnus voltou uma semana depois. Ele era uma celebridade... Todo mundo queria falar com ele. Todo mundo quis saber o que aconteceu. Mas ele não quis falar com ninguém. Ele atravessou o salão para chegar até mim. E então ele me abraçou apertado.

– Obrigado por me salvar, Lily. – murmurou ele – Obrigado... muito obrigado...

Eu o abracei de volta feliz.

– Obrigada por voltar pra mim.

– Nunca mais vou ir embora. – prometeu ele....

Mas eu deveria saber que ele não seria capaz de cumprir com isso...

Depois daquele dia, Cygnus nunca mais foi o mesmo. Ele falava sozinho, ficava com os olhos nervosos, movendo-se pra lá e pra cá. Ele ficava girando um anel nas mãos. Parecia um anel de noivado, mas ninguém sabia de onde ele tinha tirado aquilo.

Mas o mais assustador era quando ele ficava zangado. Os olhos dele ficavam vermelhos e qualquer um podia ver que Abraxas Slytherin não tinha ido completamente embora, apesar de eu ser a única que sabia que era isso que acontecia...

Só que então... Um dia ele apareceu completamente curado. Do nada. Era como se ele nunca tivesse passado pela Cabine Pesadelo, mas eu podia sentir... Eu pude sentir a magia negra nele. Mais forte do que nunca e então eu soube que... que...

Oh... Desculpe... Desculpe... Não acho que eu seja capaz de continuar falando sobre isso... Eu... Eu preciso ir...

Notas finais
Ownnnn... tadinho do Cyg D= Tadinhus dos Malfoy >< comentem ai #ForçaMalfoy