Curtain-rise on tragedy

3 O epitáfio e a tragédia


Notas iniciais
Depois de séculos sem postar capítulo novo... TCHARAN! Agora que eu entrei de férias, vou tentar atualizar a fic com mais frequência. Na verdade eu entrei de férias dia seis nas fiquei sem criatividade... Ah é esqueci de falar isso mas, obrigada á Sally e Marta Tata pelos reviews e á Licorice pelo favorito :3

Quatro de outubro, 2014

O primeiro dia- 8:45 A.M.

– Puxa eu mudei tanto assim? – Respondi ao líder de ginásio de Humilau, que estava acompanhado de Skyla.

– E como! E você Rosa, ficou mais linda do que já era sabia?

– Ah... obrigada – Ela respondeu meio sem jeito — Mas meu nome não é Rosa...

– Não? Ah, bom... é ‘que vocês são parecidas.

Tenho que concordar um pouco com Marlon, afinal quando as duas eram pequenas, realmente elas se pareciam. Agora que cresceram mudaram um pouco, White prende o cabelo em um rabo de cavalo alto enquanto Rosa o usa preso dos dois lados da cabeça (aquilo fica parecendo mais dois pães de mel, mas ok).

Como Rosa morava em Humilau quando tinha uns cinco ou seis aninhos e White era amiga dela, as duas viviam passeando juntas naquela cidade. Elas costumavam combinar ir com o mesmo penteado e as mesmas roupas e isso ajudava ainda mais a confundir uma com a outra.

Se elas não tivessem decidido parar com aquela mania besta, nessa altura Hugh (o atual namorado da Rosa) ia se confundir todo e quem sabe ia acabar beijando a pessoa errada... coitado.

Foi aí que uma coisa naquele lugar chamou minha atenção: Um quadro com moldura dourada estava exposto na parede da escada. A pintura do quadro era de um garoto que devia ser um pouco mais velho que eu.

O curioso é que ele tinha os cabelos verdes e compridos, que eram presos numa espécie de rabo de cavalo baixo, o que deixava ele com um penteado um tanto quanto diferente.

Também estava usando uma coroa dourada, um manto preto com um brasão da letra P e um colar que me lembrava um planeta. Estava com uma pulseira preta e prateada em um braço e uma dourada e quadrada no outro.

– Quem é ele? – Perguntei apontando para a pintura.

– Hm? Ah, sim. Não sei ao certo, mas foi Alder que encomendou essa pintura.

Logo abaixo do quadro, estava uma placa dourada. Havia um enorme e empoeirado texto entalhado naquilo.

– É um epitáfio – Skyla disse, como se tivesse adivinhado minha dúvida – Também foi Alder que mandou escreverem isso. Epitáfios geralmente são usados no túmulo de uma pessoa morta, mas...

– Então enterraram alguém nessa ilha? – White perguntou, com uma expressão confusa no rosto.

– Deve ter sido – Marlon tirou um pouco de poeira com a mão

– Pode ler tudo para a gente?

“Minha amada terra-natal, com o rio correndo por entre ela.

Você, que procura pela Terra Dourada, siga este caminho e procure a chave.

Se seguir o curso do rio, achará um vilarejo.

No vilarejo, procure pelo cais que irão lhe falar.

Lá está adormecida a chave para a terra dourada.

Ele, que tem sua mão sobre a chave, deverá viajar seguindo essas regras:

No primeiro crepúsculo, ofereça os seis escolhidos pela chave como sacrifícios.

No segundo crepúsculo, os que restaram deverão chorar pelos dois mais próximos.

No terceiro crepúsculo, os sobreviventes deverão exaltar meu nome em voz alta.

No quarto crepúsculo, apunhale a cabeça e mate.

No quinto crepúsculo, apunhale o peito e mate.

No sexto crepúsculo, apunhale o estômago e mate.

No sétimo crepúsculo, apunhale o joelho e mate.

No oitavo crepúsculo, apunhale a perna e mate.

No nono crepúsculo, o bruxo deverá ser revivido e ninguém sobreviverá.

No décimo crepúsculo, a jornada deverá acabar e você chegará à terra dourada.

O bruxo honrará o sábio, e deverá conceder quatro tesouros.

Um deverá ser todo o ouro da Terra Dourada.

Outro deverá ser a ressurreição das almas de todos os mortos.

Outro deverá ser a ressurreição do amor perdido.

E o outro deverá conceder ao bruxo o sono eterno.

Descanse em paz, Natural Harmonia Gropius”

Todos fizeram silêncio por um bom tempo até que decidi quebrar aquele estranho clima.

– O que quiseram dizer com isso?

– Não sei...

– Isso não significa que o que está escrito realmente vai acontecer né? – White perguntou preocupada.

– Estão falando sobre um “bruxo” e uma “terra dourada”. Acho que esse tipo de coisa não existe...

– Deve ser uma homenagem á essa... essa... coisa, sei lá – Skyla disse revirando os olhos.

– É melhor que seja isso mesmo – Suspirei aliviado. Não que eu esteja acreditando nessa história, mas vai saber né?

– Olha, se eu me chamasse Natural Harmonia Gropius, provavelmente ia odiar meus pais pro resto da minha vida.

– E o cartório por autorizar esse nome...

Olhei para o relógio e eram nove horas da manhã. Provavelmente os outros já estavam naquela reunião que mencionaram mais cedo. Decidimos esquecer essa história da pintura e nos dirigimos ao salão principal.

No centro da sala estava uma mesa comprida e de madeira escura, rodeada de cadeiras de mesma cor com estofamento vermelho e aveludado. Detalhes em ouro e pequenas pérolas também podiam ser notados naqueles móveis.

Cada um se sentou em uma cadeira. Pelo visto só faltavam nós quatro mesmo, ou não.... A cadeira da lateral esquerda da mesa, que era a maior e mais detalhada estava vazia, assim como outras seis menores.

– Céus, Alder não vai aparecer? – Elesa reclamou, abrindo um leque para se abanar.

– Não tenho tanta certeza assim... – Clay, disse afundando o chapéu na cara.

Dei uma olhada nas pessoas que estavam sentadas e vi que éramos 17, contando os que estavam faltando, eram 24: Chili, Cilan, Lenora, Burgh, Elesa, Clay, Skyla, Drayden, Marlon, Cheren, Bianca, White, Eu, Rosa, Marshal, Catilin, Hugh e o lugares vazios em que provavelmente deveriam estar Alder, Cress, Roxie, Grimsley, Brycen, Iris e Shauntal.

Estes últimos deviam ter se esquecido completamente de comparecer, ou não viram as horas ou simplesmente acabaram dormindo e não acordaram á tempo.

Não tinha a mínima chance contra todo esse povo, principalmente contra a Elite four, mas o que custa tentar né?

Alguns minutos depois, Alder entrou na sala e quando fechou a pesada porta de madeira, anunciou:

– Ah, vejo que todos os participantes chegram! Ou.... quase todos – Sua expressão mudou quando ele disse essa última frase, mas logo voltou ao sorriso que estava antes.

O resto da reunião só foi Alder explicando as regras do torneio e contando algumas curiosidades sobre a ilha, ou seja: uma chatice só. Eu estava meio sem paciência e ás vezes voltava a ler meu livro já que eu não entendia a maioria dos assuntos que estavam sendo discutidos.

Aquilo não durou muito, mas para mim pareceu uma eternidade. Vai ver que o grande problema sou eu e me entedio facilmente ou sou antissocial mesmo, afinal White, por exemplo, parecia estar se divertindo muito.

Alder também entregou a cada um de nós uma chave para um dos milhares de quartos para hóspedes que a mansão tinha. O meu quarto era o de número 21. Algumas pessoas pareciam já ter recebido essa tal chave.

– Vocês estão livres até as duas horas, nesse horário vão ocorrer as primeiras batalhas.

– Então, eu vou é descansar – Chilli disse se levantando – Nem dormi ontem a noite porque se fizesse isso provavelmente só ia acordar duas horas depois do voo para cá...

– Acho que eu também.... Ah, algum de vocês viram meu irmão Cress? – Ninguém respondeu a pergunta de Cilan.

– Vai ver ele perdeu a hora, como sempre para variar.

– Assim como os demais, não conseguimos o localizar dentro da mansão – Um dos mordomos disse.

Todos se separaram e saíram apressados, as únicas pessoas que restaram na sala foram White e Eu. Queria sair de lá também já que por algum motivo nunca consigo ficar sozinho com White sem sair correndo desesperado.

– Ei, Black.

– Oi?

– Quer vir comigo passear pela ilha agora? Lembra que eu disse que aqui tinha uma floresta e uma praia? Entãããoooooo

– Tudo bem então, aonde vamos primeiro? – Sorri enquanto meu coração parecia que ia explodir. White costuma convidar Cheren para esse tipo de coisa, mas ele sempre recusa. Estávamos nos dirigindo á porta principal da mansão enquanto conversávamos.

Quando a garota ia abrir a boca para responder, ela foi interrompida pelo barulho alto de alguma coisa se quebrando. O som vinha do lado de fora.

Fiquei com um certo receio de ir ver o que havia acontecido, afinal o ditado já dizia “A curiosidade matou o gato”. Não que eu esteja dando uma de narcisista e me chamando de gato, claro.

Se bem que é besteira ficar com medo daquele barulhinho, afinal essa mansão é repleta de decorações “quebráveis” como esculturas, vasos chineses e copos de cristal. Provavelmente algum de nós esbarrou em alguma coisa e PAFT, já erou-se.

White e eu espiamos pela porta e realmente era isso que tinha acontecido. Uma estátua do lendário Pokémon Arceus, que ficava na entrada, estava caída no chão e aos pedaços.

– Burgh, seu idiota. Alder nos mata se ver isso...

– Relaxa Lenora, ninguém precisa saber que quem causou esse estrago fui eu por não prestar atenção e... – Ele se virou e viu nós dois– Ah, Oi!

– Oi! – White riu – Parece que Arceus perdeu a cabeça hein? É melhor não ficarem parados aqui se não nos tiram vocês da competição, viu?

– Como Eu e White já estávamos indo visitar o lado de fora da ilha mesmo....

– Se eu fosse vocês, voltava para dentro da mansão, como o que estávamos tentando fazer – O líder de ginásio de Castelia comentou, apontando para cima.

Realmente, uma grande quantidade de nuvens negras estava se aproximando de Rokkemjima. Acho que nossos planos de sair vão ter que ser adiado um pouco, se não quisermos ficar ensopados com água da chuva.

E chuva seria algo ruim agora. Apesar de estarmos em uma ilha consideravelmente pequena é fácil se perder aqui, principalmente se ocorresse um apagão geral.

– Sabe, Rokkenjima ficou conhecida como “Arquipélago das gaivotas” mas desde que cheguei aqui não escutei nem vi esse tipo de animal.

– As gaivotas costumam se esconder da tempestade e por isso “calam a boca”. Depois que isso passar vamos voltar á ouvir aquele “AHN AHN” irritante...

– Sério? Quando fui pra praia com Bianca e começou a chover as gaivotas continuaram lá.

– Deve ser coisa da espécie que habita aqui, a gaivota-de-rabo-preto.

Íamos todos voltar para a construção, eu girei a maçaneta, mas a porta não se abriu. Tentei fazer mais força e não adiantou nada, aquilo não se moveu nem um centímetro sequer. Olhei para os demais, preocupado. Se ficássemos presos do lado de fora....

É, eu acho que realmente vamos ficar presos do lado de fora pois a maioria das pessoas deviam estar dormindo. Os empregados provavelmente estão preparando o almoço e Alder deve estar trancado na salinha dele.

Jogar um pedaço da estátua quebrada na enorme janela não parece ser uma boa ideia.... Entrar em desespero e arrombar a porta muito menos...

– A porta deve ter emperrado. Se não me engano tem uma entrada nos fundos...

– Entrada nos fundos? Isso é ótimo! – Exclamei, foi aí que comecei a sentir pingos na minha cabeça.

– É melhor nos apressarmos.

Passamos por canteiros e mais canteiros de rosas brancas para poder voltar sãos e secos para a mansão. A chuva parecia estar começando a ficar mais forte conforme íamos nos aproximando da entrada.

Quando estávamos quase chegando, escutamos um estrondo alto vindo de um galpão velho. E dessa vez não era Burgh quebrando algo por acidente...

Paramos e resolvemos nos dirigir á aquele galpão. Lembrei das seis pessoas desaparecidas, como não acharam elas na mansão, quem sabe elas não estavam naquele lugar horroroso? O estrondo se repetiu, dessa vez mais alto ainda.

White parecia não querer prosseguir, mas mesmo assim sua curiosidade lutava contra o medo. Acabamos ficando para trás pois tropecei e ela me ajudou a levantar (minhas calças ficaram todas sujas de terra e grama, eca...)

A porta de madeira daquele galpão que ficava no meio do mato, tinha um símbolo desenhado em.... tinta vermelha?

– I-isso é – Perguntei, com a voz um tanto trêmula – Sangue?

– Acredito que não... Deve ser alguma brincadeirinha de mal gosto... Espero.

O símbolo desenhando era uma espécie de... ESPERA! Aquele era o mesmo brasão que o garoto da pintura tinha no manto preto. Só que dessa vez aquele P estava no meio de um círculo, como aqueles que usam em magia negra.

Por causa da chuva, aquela tinta começou a escorrer e o desenho ficou de certa forma deformado, o que dava um toque mais assustador ainda.

– E que brincadeira de mal gosto – Disse cruzando os braços.

Ignorando aquela coisa horrorosa, Lenora abriu a porta lentamente. Tudo estava escuro demais, não conseguíamos enxergar absolutamente nada...

Ela acendeu a luz, que vinha de uma única lâmpada presa por fios de eletricidade no teto, que balançava de um lado para o outro toda hora.

Aquele lugar era uma espécie de “Hunting Shelter” já que estava cheio de pokémons entalhados e prêmios de caça. As paredes eram decoradas com espingardas e arcos das mais variadas formas e tamanhos.

– Taxidermia é algo esquisito.... – Lenora comentou, enquanto analisava as diversas espécies de Pokémon, totalmente sem vida.

– Vai ver alguém estava caçando na floresta que fica aqui atrás e por isso o barulho de tiro. Acho que não precisávamos ter nos preocupado não é?

A lâmpada balançou bruscamente para o lado, com o vento, iluminando uma porta que não havíamos notado antes. Uma enorme poça vermelha se formava e agora eu tinha certeza que aquilo era sangue.

Abri a porta com um chute e a cena que encontramos não era nem um pouco agradável. White deu um grito estridente e eu junto dos outros, estava paralisado.

Tínhamos encontrado aqueles seis desaparecidos, mas não os encontramos com vida. O chão estava completamente tingido de vermelho e os corpos estavam jogados de qualquer jeito, alguns sobre sacos de areia e palha.

Em uma das estantes, havia um envelope como aquele que recebemos o convite da competição: dourado e com o mesmo símbolo de Pidgeot. Coloquei a carta no bolso porque quem sabe aquilo poderia ajudar a descobrir o assassino?

– D-devemos contar isso á Alder? Ou c-chamar a polícia primeiro?

– Acho que chamar a polícia.... – Burgh tirou o celular do bolso e discou 190 – Droga, o sinal caiu!

– Foi por causa da tempestade? Tem um telefone na mansão... eh... quem sabe ele vai funcionar?

Na parede do lado de onde eu achei a carta, como se alguém tivesse pegado uma faca e rabiscado, a seguinte frase estava escrita:

“Quando as gaivotas choram, ninguém sobrevive”

Notas finais
E assim as coisas começam a ficar esquisitas. Mudando de assunto, sempre achei que a cidade do ginásio do tipo normal se chamasse Nacrane e não Nacrene, mas emfim. Ah é, também estou tentando fazer um trailer para a fic, mas estou meio com preguiça...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.