Cursed

9 Capítulo VIII: O Primeiro Passo De Muitos


Notas iniciais
Esse é o último capítulo, no entanto, planejo um extra futuramente de anos depois ♥

Os acontecimentos desde o dia que Katsuki juntou-se ao seu lobo não foram pautados. Em nenhum momento fora questionado em relação de suas mãos estarem entrelaçadas; mesmo que no fundo a resposta já estivesse pairando. Bakugou precisou de alguns dias de descanso desde o ocorrido. Por mais que fosse lobo, a dor ainda persistia e sumia lentamente — e Shinsou deu o devido espaço.

Agora, sentados sobre a banqueta que ficava na copa da cozinha, Shinsou empurrava um prato de café da manhã para o lobo, o qual não fez questão de recusar, na verdade, ficou surpreso ao receber um singelo sorriso; rápido e pequeno.

Bakugou tinha decidido naquela manhã que iria para o Instituto; o primeiro passo que ele queria dar era pedir desculpas sinceras para aqueles que magoou profundamente, sem nunca ter se importado com isso. Quando afundou em suas memórias, ele não apenas sentiu suas verdadeiras dores, mas conseguiu perceber, de verdade, como deixou os outros ao seu redor devido a sua personalidade.

Coisas que muitas vezes esquecemos de notar.

Em todo instante, desde o café, quando Bakugou se ajeitou e a caminhada até o Instituto, Shinsou não tirou seu olhar do lobo. Seus pensamentos sempre retornavam para aquele instante em que tudo fazia sentido, que o lobo tinha feito uma conexão consigo. Katsuki não parecia querer falar sobre o assunto, então não tinha motivos para o vampiro também pressionar. Ele poderia esperar.

Por isso que apenas observava, orgulhosamente, o grande desenvolvimento que o lobisomem à sua frente teve naquele curto período de tempo em que estiveram juntos. Ainda lembrava-se de quando o achou na floresta, parecia um cachorrinho perdido, arisco. E com tudo o que ocorreu, fez sentido todos os súbitos picos de raiva que ele exalava quando o provocava. Era o seu lobo demonstrando a felicidade de estarem próximos.

Bakugou certamente já sabia que eles tiveram um imprinting. Os questionamentos antes de se unir com o lobo comprovaram; porém, ele não falou mais nada depois daquilo. Então, Hitoshi não sabia se Katsuki iria querer algo com ele. Se sentia repulsa ou qualquer outra coisa. E por mais que ele pudesse invadir a mente do lobo, ele não queria. Recusava-se a invadir a privacidade de Bakugou. O que Hitoshi definitivamente não ligava de fazer com os outros, assim como estava fazendo para saber a reação dos sobrenaturais perante os pedidos de desculpa.

Seguia o lobisomem como uma sombra, vendo aquela peculiar criatura que chamou sua atenção desabrochar lindamente. Por mais que em alguns momentos quisesse avançar entre os sobrenaturais que ralhavam com Bakugou, o qual apenas ouvia, não era necessário invadir a mente do lobo para saber que ele entendia os motivos de estar sendo ofendido; nem sempre perdoam.

E enquanto isso, Bakugou apenas seguia em frente. Com a ansiedade borbulhando dentro de si a cada instante, fazendo com que em vários momentos desistisse de seguir adiante, com medo de ouvir ainda mais insultos, por mais que soubesse já ter feito coisa pior. E ele apenas não desistiu porque a presença de Shinsou, velando-o, fazia-o seguir em frente.

Havia ainda conflitos dentro de si, nada seria solucionado apenas fazendo a ligação. Então precisava dar o primeiro passo, mesmo que fosse difícil. A cada pedido de desculpas, a cada elogio que jamais proferiu sobre um sobrenatural, a sua garganta queimava; coçava. E por mais que soubesse o que aquilo significava, não conseguia deixar de ficar nervoso… completamente agitado com o que viria.

Curvado de frente a uma Ninfa que humilhou há anos, Katsuki olhou brevemente para Hitoshi enquanto que a outra alternava seu olhar assustado para o bloco de notas e para si, assim como muitos fizeram. O vampiro permanecia com o seu olhar fixo nele, o que fazia Bakugou ficar agitado cada vez mais.

Com medo.

E se não fosse pelo toque gentil da Ninfa sobre os seus ombros, forçando-o a encará-la, Katsuki teria se perdido em pensamentos que estava querendo evitar ao máximo. Os olhos violetas brilhantes, o encaravam com doçura, compaixão. Naomi lhe forneceu um sorriso, o primeiro sorriso sincero que recebeu, o primeiro que lhe fez sentir-se acolhido. Porque, por mais que muitos tivessem aceitado suas desculpas, nenhum deles tinha lhe encarado daquela forma: empatia.

— Obrigada, Bakugou. Fico muito feliz que tenha tomado a atitude de se desculpar, isso é uma atitude incrível. E eu o admiro por isso. É claro que aceito as suas desculpas, e espero poder contar com você daqui pra frente; como meu veterano. — E curvou-se.

O que deixou Bakugou encabulado, acenando em forma de agradecimento. Sua garganta coçou ainda mais. Queimou como um inferno, mesmo que não estivesse de fato queimando. E então, parou, e um formigamento aconchegante espalhou-se. E assim como naquele dia, levou suas mãos até o pescoço.

— Tente — disse Hitoshi, dando alguns passos para ficar ao seu lado.

Bakugou o encarou, afoito. Com um pequeno sorriso de incentivo, o vampiro repetiu. O lobo tossiu breve, abriu a boca e disse, claramente:

— V-Voltou…?

Hitoshi ficou sem palavras. Imaginava como poderia ser a voz do lobo, e ao observar sua excêntrica personalidade, não tinha chegado longe. Rouca, baixa… mas que certamente poderia ter um timbre alto caso quisesse. Olhando pelo sorriso faceiro do lobo, segurou-se em demonstrar como se sentia… Como ele sempre fazia.

— E com isso, meu trabalho acabou.

Rápido. Era a única coisa que Hitoshi pensou. A força aplicada sobre si o deixou inerte. Já Bakugou, ainda o encarava assustado. Aquelas palavras passaram tão rápidas por sua cabeça que não evitou seus impulsos. Mesmo agora, não sabia como dizer o que estava entalado.

“Não o afaste.”

Era o que sentia na ligação. Era o que queria.

— Obrigado, por tudo… Tudo o que eu fiz… Até onde eu cheguei, eu não teria conseguido sem você. Sem você, eu teria continuado na floresta, sozinho.

— Não diga isso — Hitoshi o interrompeu, dando um passo à frente, ficando ainda mais perto. — Eu fui apenas um mediador, mas tudo, tudo isso aconteceu porque você deu o primeiro passo. A mudança partiu de você quando foi até a minha casa. Não rebaixe suas ações que o trouxeram até aqui.

E seus olhares se conectaram.

O silêncio prevaleceu por uns instantes até Bakugou pronunciar-se — ainda sem soltá-lo.

— Você permanecerá em minha vida?

Hitoshi não evitou o sorriso.

— Eu ficarei até o dia de sua morte.

E não precisavam de mais palavras para entenderem o significado por trás daquelas palavras. Não era necessário apressar aquela ligação que tinham. Hitoshi tinha a eternidade para apreciar cada momento. Bakugou ainda tinha muitas questões para resolver. E uma delas certamente era estar com o vampiro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.