Curse of The Witch
1 A história dos sete
Eu, meu pai e minha mãe estávamos indo para a casa da vovó, faltava uma semana para o Natal. A gente estava cantando Black Sabbath, AC/DC, Green Day, etc. Adoro ir pra casa da vovó, porque ela conta histórias sobre bruxas, lobisomens, etc, pra mim, quando vou dormir. E sempre é uma história diferente. As mais legais eram sobre bruxas. Estávamos na metade do caminho, o sol estava se pondo, as músicas tinham acabado, então, meu pai ligou o rádio, estava com uma interferência imensa, mas dava para ouvir. "Seis crianças desaparecidas em seis dias seguidos, será isso algum tipo de doente mental?" consegui ouvir. Fiquei meio confuso e com pena das crianças. Minha mãe desligou o rádio.
-Brad, nosso filho está ouvindo! Não podemos... — ela começou, mas sua voz vacilou.
-Está bem, amor. — meu pai assentiu e colocou Guns n' Roses para tocar, o que me acalmou. Seguimos caminho, meia hora depois, chegamos na casa da vovó. Ela nos recebeu bem, deu bença para todos.
-Olá Freddy, que bom vê-lo. Pronto para mais histórias hoje a noite? — minha vó perguntou, e eu assenti.
-Claro que sim, vovó! — sorri abertamente para ela. Minha vó acreditava muito, muito mesmo, em bruxas, então, tudo que ela escutava, era culpa das bruxas.
Eu fiquei no quarto, jogando Rayman Origins no XBOX, enquanto minha mãe e minha vó conversavam, papai já estava dormindo. Não consegui ouvir muito, o volume da TV estava no máximo, mas minha mãe disse que eu tenho um ouvido biônico, por isso escutei algumas coisas.
-Você viu sobre as seis crianças? — ouvi uma voz suave e doce, mas preocupada, claramente era a voz da mamãe.
-Sim, sim. As bruxas estão passando dos limites. — minha vó disse.
Sabia que elas sempre tiveram uma crença forte nas bruxas, mas não tanto assim.
-Uma hora... — minha mãe tentou falar, mas sua voz falhou, como sempre que está preocupada demais.
-É. Temos que protegê-lo. — minha vó respondeu, com toda certeza ela sabia do que se tratava.
Depois disso, ouvi passos, meu coração acelerou, mas quando a porta se abriu, era mamãe. Ela desligou a TV, se sentou ao meu lado, e me deu um beijo de boa noite. Saiu do quarto sem falar nada, o que era estranho, e ouvi o motor do carro sendo ligado, depois, o portão abrindo, e por fim, o carro acelerando. Ignorei. Fui dormir. As histórias só eram contadas no último dia.
Acordei meio tarde, tenho essa mania, dormir cedo, acordar tarde. Mas dessa vez, foi tarde pra caramba! Acordei oito horas da noite. Isso é extremamente raro. Nesse dia só jantei e fui ler O Herói Perdido. Tinha passado duas horas lendo.
"As engrenagens na cabeça do dragão fizeram barulho, como se ronronassem. Jason e Piper ficaram de pé ao lado de Leo, que mantinha os olhos fixos no dragão.
E lembrou-se do que lhe dissera Hefesto: Não será culpa sua, Leo. Nada dura para sempre, nem mesmo as melhores máquinas.
Seu pai tentara avisá-lo.
-Isso não é justo — ele disse.
O dragão fez um barulho. Um longo click. Depois dos cliques mais curtos. Click. Click. Quase seguindo um ritmo... fazendo renascer uma antiga memória na mente de Leo. Notou que Festus queria dizer alguma coisa: aquilo era código Morse. Exatamente como sua mãe lhe ensinara, anos atrás. Leo ouviu com mais atenção, traduzindo os cliques em letras: uma mensagem simples, que se repetia.
-Ah — disse Leo. -Entendo. Vou fazer isso. Prometo.
E os olhos do dragão ficaram escuros. Festus se fora.
Leo chorou. Não ficou envergonhado. Seus amigos permaneceram de pé ao seu lado, tocando seu ombro, dizendo palavras reconfortantes; mas o zumbido nos ouvidos de Leo as abafava."
Dessa vez acordei cedo demais, mas meus pais tinham ido ao mercado. Senti um frio, uma névoa saiu da minha boca. Uma brisa fria invadiu meu quarto. Abri as cortinas e quando olhei, estava nevando. Me vesti e corri imediatamente para fora, brincar na neve. John e Madison, meus amigos de infância, também estavam brincando na neve. Ficamos jogando bolas de neve uns nos outros o dia inteiro. Teve uma hora que a Madison acertou uma bola de neve bem na boca de John, e ele engoliu. Rimos bastante. Levei dois socos.
A gente sempre passa poucos dias na casa da vovó, dessa vez passamos apenas três. E já era o terceiro, o que significava que hoje teria história.
-Pronto para um história, Freddy? — minha vó perguntou, e eu assenti. -Então vamos lá.
Ela começou a contar a história, era sobre bruxas.
"Era uma vez, sete crianças que foram amaldiçoadas por bruxas. A primeira criança se chamava Ryan. Ryan estava brincando no quintal, seu pai estava em casa, vendo televisão, e a mãe estava cozinhando o jantar. Ryan estava jogando bola, e sem querer, a chutou para fora do quintal. Foi buscar a bola e se deparou com uma jovem moça de cabelos negros lisos, com uma pele pálida, e olhos azuis. Ela estava segurando a bola. A moça se aproximou de Ryan e disse:
-Essa bola é sua, garotinho?
Ryan respondeu que sim.
-Venha comigo, vamos comprar uma bola de basquete para você! — a moça disse, empolgada. Pegou a mão de Ryan e o levou em seu carro.
A mãe de Ryan percebera que tinha algo errado, e foi ver o que tinha acontecido. Ryan não estava lá. Ficou preocupada e ligou para a polícia, logo de cara.
Se passaram treze dias que Ryan desaparecera, e no décimo terceiro, ele voltou para casa. Sua carne estava àmostra, seus olhos estavam totalmente brancos, e seu rosto estava pálido, com traços roxos. Ele se aproximou da mãe, falando baixinho "Mamãe." Ela se assustou e saiu correndo. Correu pela casa inteira, mas Ryan não parava de seguí-la. Ela ligou para a polícia.
-Olá. — a atendente disse.
-Tem um cara! Com uma faca, aqui em casa! — a mãe dele gritou.
-Um homem? — a antendente perguntou.
-Uma criança! — a mãe dele disse, ouviu-se gritos, e o telefone se desligou."
Nesse minuto, o telefone tocou. Era a ambulância. A vovó assentia e dizia "Aham" enquanto ouvia. Quando desligou o telefone, começou a chorar.
-O que aconteceu? — perguntei.
-Seus pais morreram... — ela disse entre o choro.
Abracei ela, chorando.
-Eu cuidarei de você, Freddy.
Para acalmar a mente, a gente foi dormir.
No outro dia, continuamos a história.
"A segunda criança era uma garotinha, Australia era seu nome. Todos amavam Australia. Mas um dia, ela estava sozinha em seu quarto, e uma linda mulher aparecera do nada em seu quarto, em frente a garota. Sua imagem era como a de um zumbi. Pele pálida. Feridas àmostra. E sussurrando. Seu rosto... seu rosto era o mais assustador. Era uma caveira. Com olhos negros.
O monstro estalou os dedos, enquanto Australia gritava, e sua casa começou a pegar fogo. A criança desapareceu. E os familiares morreram.
A terceira era um garoto, chamado Lyon. Ele estava passeando com seu cachorro, quando do nada, o cachorro aumentou de tamanho, seus olhos ficaram vermelhos, seus dentes ficaram amarelos, suas unhas se transformaram em garras. Um verdadeiro monstro. Ele sussurrava "Eu vou te matar." Lyon ficou imobilizado. O monstro arrancou a cabeça de Lyon. E o esquartejou. O corpo do garoto fora entregue na casa de seu pai. Cinco caixas de presentes. Uma com cada membro do garoto.
A quarta era uma garota. Jessie. Jessie estava no hall de entrada, brincando com suas bonecas, quando uma mulher entrou na casa, como um fantasma, "Uuuuhh" ela sussurrava. Assim que atravessou a porta. Jessie se transformou em uma estátua." Vovó apontou para uma parede, onde havia uma foto de uma garotinha petrificada. Sempre achei que era aqueles negócios que você coloca o guarda-chuva. Mas não. Era Jessie.
-Vovó, se não se importa, gostaria que você pulasse para o sexto. — eu disse, ela assentiu e começou.
"O sexto era uma garota chamada Brianna. Ela estava andando pela casa, de repente começou a tremer, seus dedos se quebraram, sua perna virou 360 graus, sua cabeça estalou, seu pescoço se abriu, seus braços se viraram, e sua cabeça, por fim, caiu."
-E o sétimo? — perguntei, curioso.
-Deixa eu terminar.
"O sétimo se chamava Freddy."
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