Cura pelo amor.
2 O Segredo.
P.O.V. Ness.
Só eu e a Gertrudes sabemos o que aconteceu naquela noite. O que há naquele quarto.
Antes de eu ter a Grace eu tive outro filho. Seu nome era Natan.
Jacob e eu éramos casados na época e eu o amava mais que tudo no mundo, mas uma noite ele bebeu e perdeu o controle.
Ele me espancou, me violentou e... matou Natan. Ele devia ter a idade da garotinha quando ele morreu.
Só Deus sabe o quanto eu chorei e o quanto isso me assombra até hoje. O meu filhinho lindo morreu daquela forma brutal. Dilacerado pelos dentes do próprio pai.
Depois do ocorrido eu expulsei Jacob de casa e entrei na justiça com o pedido do divórcio. O quarto ainda está sujo com o sangue de Natan.
Eu não tenho coragem de entrar lá, mas alguém vai ter que limpar a sujeira. E acho que tem que ser eu.
Então aqui estou, com os produtos de limpeza na mão tentando criar coragem para enfrentar o fantasma daquela noite negra.
–Mãe?
–Fala Grace?
–Você está bem?
–Não muito. Mas, eu tenho que fazer isso.
Coloquei a mão na maçaneta e a girei, abrindo a porta. Respirei fundo e entrei. Senti as lágrimas escorrendo.
Comecei a varrer o chão imundo. Catei a sujeira com a pá e a joguei no lixo.
–Mãe? O que tem lá dentro?
–Memórias de uma noite negra. Pode encher o balde pra mim querida?
–Claro.
–Não se esqueça do desinfetante. E o pano.
–Não esquecerei.
Ela me trouxe o que eu pedi e eu me ajoelhei no chão e comecei a esfregar o sangue do meu filho que havia espirrado até nas paredes. Eu nem percebi, mas estava chorando alto.
–Mãe... nossa!
–Sai Grace.
–Mas...
–Saia!
Ela saiu correndo.
P.O.V. Grace.
Era um quarto de bebê. Eu vi o sangue espirrado na parede e no chão.
O sangue manchou a fronha do berço. Era um quarto de menino.
–O que houve querida?
–É um quarto de bebê.
–O que?
–O quarto trancado. Eu vi o sangue espirrado na parede e no chão, havia sangue em tudo o que era lugar.
Eu consigo ouvir a minha mãe chorar.
Minha vó e eu subimos as escadas e ela estava lá chorando e gritando como se estivesse sentindo uma dor horrível.
–Querida, vamos sair daqui.
Minha avó tentava puxar ela, mas ela não saia.
–Não!
–A mãe vai limpar. Vamos.
–Não! Era o meu filho! Meu filhinho!
Minha avó ajoelhou e abraçou minha mãe que chorava desesperadamente. Ela gritava:
–Meu filhinho! Era o meu bebê!
Em pouco tempo o quarto estava cheio de gente. A família toda mais os originais. Todo mundo tava lá bisbilhotando.
P.O.V. Rebekah.
Aquilo não era apenas tristeza. Era desespero.
Foram necessárias três pessoas pra tirar ela do quarto.
–Calma filha, vai ficar tudo bem.
Estavam todos chorando por causa da tristeza dela. O avô teve que dar calmante pra ela.
P.O.V. Elijah.
Fiquei com muita pena da menina. A maneira que ela chorava e gritava.
Aquilo era uma tristeza profunda.
–Melhorou querida?
–Isso nunca vai melhorar. Esse buraco no meu peito nunca vai fechar, aquele maldito dia vai me assombrar pra sempre.
–Oh, querida. Não fica assim. Ele foi para o céu, virou um anjinho.
–Isso não ajuda vó. Nada do que vocês façam ou digam vai tirar essa dor de dentro de mim.
–O que houve?
–Rebekah!
–Jacob saiu e só voltou na noite seguinte completamente bêbado, ele me procurou no nosso quarto, mas eu não estava lá. Eu estava com Natan, ele estava com febre. Jacob entrou no quarto como um tornado destruindo tudo no caminho, Natan acordou assustado e eu também. Ele se irritou, me violentou, me espancou e finalmente acabou se transformando e mordendo Natan.
–Eu vi o sangue do meu filho doente jorrar como uma fonte e espirrar nas paredes, no berço e em tudo.
–Tentei salvá-lo, mas era tarde de mais. Quando Jacob finalmente voltou a si e percebeu o que havia feito tentou se desculpar, mas eu nunca vou perdoa-lo pelo que fez. Não pelo assassinato do meu filho.
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