Notas iniciais
Décimo terceiro dia de evento AllHina!

Grupo ''Curtidores SasuHina/BR''

Categoria da Semana: espaço/clima.

Tema do dia: hospital/névoa

Casal do dia: MinaHina Minato x Hinata

~Boa leitura

Minato acorda no meio da noite, assustado.

Quando se da conta que ainda está deitado em uma maca de hospital, sendo monitorado por aparelhos com sons irritantes, suspira chateado.

Havia tido um sonho maravilhoso, onde ele se via a andar pela cidade, enquanto comia um grande o gorduroso hambúrguer. Só em sonho mesmo.

Faz quatro meses desde quando Minato descobriu que estava muito doente. Ele nunca mais pode ser o mesmo, sempre esteve internado nesse mesmo quarto de hospital, comendo comidas horríveis, com pouca gordura, sódio e açúcar. Sua dieta era muito restrita, e poucas vezes podia sair para dar uma volta. Estava magro, fraco, pálido. Sentia-se preso ali dentro.

Ele queria sair dali. Ele precisava sair. Ele queria viver, mesmo que tivesse poucos dias de vida!

Foi quando ele levantou devagar, retirando todos aqueles aparelhos grudados em seu corpo. Ele queria fugir dali, não aguentava mais.

Com uma perna de cada vez, Minato foi em direção a porta do quarto. Ele tentou ser o mais silencioso possível, para não chamar atenção dos enfermeiros que ali estavam conversando, esperando qualquer toque de seus pacientes.

Apesar das frequentes sessões de fisioterapia, ele tinha que fazer um grande esforço para caminhar. Fazia isso sempre apoiado em paredes, que o ajudavam a se equilibrar.

Teve sorte, já que haviam poucos enfermeiros no turno da madrugada, e os que estavam lá ficavam conversando e rindo sobre coisas aleatórias. Isso facilitou a sua saída para o lado de fora, indo direto para o jardim do hospital.

Ao sair, sentiu um vento frio. Havia uma grossa e pesada neblina instalada ali. Minato usava apenas aquela roupa de hospital finíssima e pantufas quentinhas, mas isso não atrapalhou ele de continuar.

Ele via a névoa, sentia o cheiro das flores e tocava os pés na grama. Sentiu vontade de chorar, quanto tempo faz que ele não tinha essas sensações? Normalmente estava sentando em uma cadeira de rodas, de dia, apenas para tomar sol, acompanhado de alguma enfermeira. Agora não, ele podia se mexer por si próprio, estava sozinho, finalmente livre.

Depois de dar mais uns quatros passos, sentiu-se cansado. Viu que não tinha jeito, precisava ir devagar e descansar.

Enquanto procurava um banquinho para sentar, surpreendeu-se ao ver uma jovem moça colhendo flores brancas no jardim, perto do banco em que procurava. Ficou com medo de ser uma enfermeira, mas esse pensamento foi embora logo que viu que a mesma usava uma cânula no nariz, junto de um cilindro que oxigênio. Era uma paciente, assim como ele.

Ele se aproximou devagar, para ela não gritar e chamar atenção.

—Oi. – disse, baixinho. A jovem morena deu um pulo na mesma hora que olhou para trás. Tinha olhos de uma cor única, que ele nunca tinha visto, e seu rosto era pura delicadeza. Achou ela linda. – sinto muito te assustar. – com uma certa dificuldade, ele se sentou no banquinho de pedra que estava ali perto. – o que faz aqui? – assim, finalmente sentado, olhou para a bela moça em sua frente.

A jovem desviou o olhar, constrangida.

—Vamos, pode falar! Não irei falar para ninguém. – deu um sorriso encantador para ela, que se encolheu ainda mais. – eu, por exemplo, estou aqui apenas para relaxar. – fechou os olhos, fingindo que estava relaxando. A morena deu um leve risinho.

—Eu também... – respondeu, baixinho, finalmente olhando para ele um pouco mais aliviada. – apenas quis dar uma mudada de ambiente. – confessa, um pouco mais tranquila e sentando ao lado dele. – qual seu nome? – sua voz era quase que um sussurro, Minato teve dificuldade em escutar.

—Minato. E o seu?

—Hinata. – percebeu que ela era muito mais jovem que ele. Provavelmente tinha uns 25 anos, enquanto ele tinha 36. Mas mesmo assim ficou feliz em finalmente poder conversar com outra pessoa, que não fosse as enfermeiras e seus parentes. Ele sorriu.

—Belo nome. – analisa o seu rosto com calma, notando que não era só o nome que era belo.

—Obrigada, o seu também. – disse acanhadamente.

—Agradecido.

Ficou um silêncio entre os dois.

Minato suspira.

—Como é bom dar uma voltinha, né? – comenta, olhando a pesada névoa presente no ar. – ficar naquele quarto me sufoca.

—Sim, com certeza. – concordou. Realmente, ficar naquele quarto dia e noite era cansativo demais. – apesar de que eu amaria observar as estrelas, por isso vim até aqui. – estava desanimada com a presente névoa no local, ver as estrelas era algo que sempre gostava de fazer desde pequena.

—Mesmo? Poxa, é uma pena – suspirou. – mas quem sabe amanhã esteja sem essa névoa? – olhou para ela sorrindo, finalmente.

—É... quem sabe. – devolveu o mesmo sorriso para ele.

Mais silêncio.

—Topa vir aqui amanhã também? – decidiu perguntar, estava realmente muito curioso sobre essa garota.

—A-Aqui? Mas e se alguém nos pegar? – tinha medo de levar alguma punição por fugir do quarto.

—É... aqui. Não tenha medo, eles não poderiam fazer nada. – sorriu para tranquilizar a moça. – ah, qual é! Não há nada de errado em dar uma fugidinha de vez em quando, não é mesmo? – disse, debochado. Hinata riu. Era verdade, até poderia fazer bem.

—Tudo bem, mas se pegarem a gente, você assume a culpa. – disse com o rosto bravo, para logo então cair na gargalhada. – estou brincando. – Minato sorriu junto. Ela era bem divertida.

Os dois ficaram ali, conversando mais um pouco, até que Hinata começou a sentir muito frio, e ambos concordaram em entrar.

—Só toma cuidado quando for voltar pro quarto. – advertiu a moça que apenas sorriu em agradecimento pela preocupação.

Já em seu quarto, Minato finalmente dormiu feliz. Havia acabado de conhecer uma pessoa muito legal, e aos poucos, parecia que sua vida voltava a fazer sentindo.

(...)

Na noite seguinte, Minato foi o primeiro a aparecer, pois estava ansioso demais. Aproveitou e colheu algumas flores que Hinata estava observando no dia em que se conheceram, iria dar para ela como forma de carinho. De uma certa forma, essa moça havia o conquistado.

—O-Oi... – disse tímida, assim que apareceu.

—Hey! Hinata! – sorriu, animado. – aqui, é para você. – sorriu tanto que seus olhos estavam fechados, e um enorme e branco sorriso aparecia em seus lábios. Suas bochechas estavam vermelhinhas.

—Ah, para mim? – ela pegou as flores, totalmente comovida, cheirando-as. – isso é muito fofo da sua parte. – sorriu, agradecida.

Sentou-se ao seu lado, um pouco mais confortável do que na noite anterior. Infelizmente, a névoa ainda estava presente, mas isso não impediu que ambos conversassem animadamente.

Os dois compartilhavam lembranças nostalgias sobre suas infâncias, momentos felizes e engraçados.

Em nenhum momento da conversa tocaram no assunto doença ou hospital.

Estava bom assim, como se aquele cantinho fosse o mundo deles, um mundo só para eles dois.

Ambos fugiam de suas duras realidades ali, por isso, todos os dias, durante uma semana, ambos combinaram de se encontrar sempre, no mesmo lugar, no mesmo cantinho.

Eram risadas, elogios, paqueras engraçadas. Tudo muito familiar e gostoso, um clima leve, apesar da sempre presente névoa no local.

Minato se sentia curado, quando estava ao lado de Hinata.

Sentia-se vivo, como se aquele momento fosse durar para sempre.

—Você fica maravilhosa com essa flor no cabelo. – Minato ajeitava a bela flor no cabelo da morena. – incrível. – suspirava.

—Você não acha que eu fico estranha com esse oxigênio pra lá e para cá? – pergunta Hinata, um tanto triste.

—Não! Você é sempre maravilhosa. – seus olhos azulados estavam brilhando com o reflexo da bela dama a sua frente.

E foi assim que Minato percebeu que estava amando.

Mesmo que fizesse uma semana que se conheceram, Minato se sentia apaixonado. Em todos os seus trinta e seis anos, nunca havia conhecido uma moça tão perfeita quanto Hinata.

Talvez ter ficado doente não tivesse sido inteiramente ruim, afinal de contas.

Estava decidido a se declarar na noite seguinte.

Noite essa que finalmente estava sem a névoa, proporcionando um belo e lindo céu estrelado.

Perfeito para a declaração.

Estava nervoso, mas ficou ali, esperando, esperando, esperando por muito tempo. Ela não vinha. Será que havia sido pega por alguma enfermeira? Começou a pensar em várias coisas, e seu coração acelerou de nervoso.

Não podia ter acontecido nada de ruim, não é mesmo? Hinata é forte. Ela está bem.

Começou a suar frio.

Queria gritar.

Tirar seu cérebro para fora, já que ele só pensava em coisas inúteis.

Apenas mais tarde o motivo foi confirmado.

Hinata Hyūga infelizmente não resistiu, e acabou morrendo nessa manhã.

Minato não sabia o que fazer, nem sentir. Apenas ficou parado, sem reação, literalmente em choque. Isso não podia ser verdade.

Ficou lá, tentando digerir a noticia um tempão.

Não descia.

Não queria que descesse

Foi preciso três enfermeiros para levá-lo de volta para o quarto.

No quarto, ficou amarrado, sedado, ainda mais preso. Iria levar uma bronca de sua médica amanhã.

Mas ele não se importava. A única coisa que ele se importava de verdade foi-se embora. Para sempre.

Isso não poderia estar acontecendo. Tinha que ser um pesadelo.

Ela era sua fuga, sua cura.

Sentia-se bem, sem doença, ao lado dela.

Nem conseguiu falar como se sentia.

Apesar de que, ela sim.

Lembrou-se de sua frase na noite anterior.

Foi muito bom te conhecer, Minato. Você me fez muito mais feliz, só nessa semana. Obrigada.

Sabia que logo iriam se encontrar.

Mesmo assim, deixou as lágrimas caírem sem fim nessa noite estrelada.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!