Cupid's Kiss
11 Parte extra: Todo mundo tem várias facetas
Notas iniciais
Zoro observava com um meio sorriso involuntário o companheiro comentar animado sobre os elogios que uma professora dera sobre seus alimentos numa mostra gastronômica. Era surreal a maneira do se sentia completo desde o reencontro com Sanji. Quando o anjo fora embora dando a entender que não voltaria, um vazio surgiu em seu âmago de um modo que nada conseguia preencher. Mas o sofrimento que passara já não importava mais, pois aquele que o fizera mudar de opinião sobre o amor estava ali bem ao seu lado.
— Você ouviu o que eu falei, Zoro? — o loiro bufou levemente chateado e um tantinho constrangido. O olhar passional fixo em seu rosto era demais para ele aguentar. — Fica só olhando pra mim com essa cara de idiota...
Zoro deslizou a mão sobre mesa, abarcando a mão do outro.
— Hm, realmente não ouvi. Só estou feliz com a maneira que estamos agora.
Um sorriso semelhante ao que Zoro exibia emoldurou os lábios do ex-anjo e ele entrelaçou os dedos nos do outro.
— Sei bem como é.
Um momento de silêncio se passou com eles desfrutando a companhia um do outro e também os alimentos que chegaram logo depois que pararam de falar. A conversa reiniciou quando Sanji já estava no meio do sanduíche e tinha comido grande parte das batatas.
— Tem uma coisa que fico pensando desde que nos reencontramos. — o de cabelos verdes terminou o próprio lanche com rapidez e vez ou outra olhava pra entrada do estabelecimento como se estivesse esperando alguém. — Agora que você é humano, você tem família?
Sanji tomou um gole longo do suco de laranja que pedira. Estava bem fresco e agradável.
— Os anjos são bem cuidadosos e meticulosos, não abandonam os seus à própria sorte. Quando escolhi a vida mundana, eles me colocaram como filho adotado numa família que desejava um filho mais velho. — explicou sorrindo ao relembrar dos pais carinhosos que foram praticamente um presente de despedida dos seus amigos anjos. — Eles são muito bons, te apresento numa próxima oportunidade.
Zoro assentiu.
O ex-cupido parecia bem adaptado a vida humana e já não corava com tanta facilidade como quando ele era anjo, o que era uma pena. (Isso fez Zoro levantar um questionamento mental sobre a capacidade dos anjos de corar e se todos eram daquela maneira.) Às vezes até falava palavrões, o que foi meio surpreendente da primeira vez que o Roronoa presenciou isso. Ele também ria mais, conversava mais e amava mais. Talvez esses fossem os maiores indícios de que ele, de fato, se tornara humano.
— Porque você olha tanto pra porta? ‘Tá esperando alguém? — perguntou em certo momento depois de ter contado dez olhadas do outro para a entrada do lugar.
Zoro sorriu enigmático, sem responder. Ele estava se comportando suspeitamente durante todo o encontro que tiveram e Sanji arqueou uma sobrancelha sem conseguir imaginar o que ele podia estar tramando.
Desistindo de esperar por uma resposta, o loiro voltou a atenção pro sanduíche que estava quase no fim.
— Ah, finalmente ela chegou. — o outro murmurou olhando novamente para a entrada e quando Sanji seguiu a direção do seu olhar, deparou-se com uma Kuina de visível nervosismo se aproximando da mesa deles.
Sanji arregalou os olhos muito azuis e ainda conseguiu sussurrar um revoltado "o que raios você aprontou?" antes que a garota estivesse perto o suficiente para ouvir. Entretanto, Zoro apenas deu de ombros e se levantou para cumprimentar a recém-chegada.
Kuina estava tão bonita como quando vira ela pela primeira vez; talvez até mais, pois agora possuía um ar maduro e elegante. A única diferença perceptível fisicamente, no entanto, era o corte em seus cabelos azuis, que agora apresentava uma franja maior e atrás os fios estavam mais curtos do que na época do colégio. Vestia uma roupa social, dando a entender que viera direto de algum outro lugar.
— Boa noite, Kuina. — beijou-a no rosto e depois a puxou para um abraço. — Sinta-se à vontade. Vou ali no banheiro.
A mulher, mesmo parecendo um pouco receosa, sentou-se e mirou o loiro que ainda permanecia surpreso com sua presença ali. As mãos de unhas bem pintadas começaram a mexer num guardanapo limpo num gesto nervoso. Algo em sua pose e modo de olhar deixava no ar a ideia de que ela queria dizer algo, porém, somente quando respirou fundo algumas vezes e sentiu o nervosismo diminuir um pouco foi que ela conseguiu encontrar voz para iniciar o que viera decidida fazer.
— Eu sei que a última pessoa que você esperava encontrar hoje era eu, mas quando Zoro me disse que você tinha voltado, pedi pra ele que me desse uma chance de te encontrar. — em nenhum momento seus olhos desviaram dos cerúleos de Sanji, como que fosse para demonstrar a firmeza de suas palavras. — Sanji, me desculpe por tudo aquilo que te fiz passar. Apesar de eu ter percebido que você gostava dele tanto quanto eu naquela época, tive a atitude covarde de ignorar a possibilidade de te magoar. Por isso, eu sinto muito, Sanji. De verdade.
Sanji, que até agora não tinha tido a chance de falar, piscou um par de vezes, assimilando de modo letárgico as palavras ditas por ela. Por fim remexeu na franja dando um suspiro longo. Claro que a lembrança da pequena “brincadeira” que ele fizera com Zoro no dia antes do encontro com Kuina brilhou na sua mente tanto quanto neon e ele precisou encontrar forças no além para evitar ruborizar por completo. Ele, sim, tivera uma atitude covarde!
— Não existe motivo algum para você se sentir culpada, Kuina. Muito menos que precise do meu perdão.
— Mas... Mas eu te magoei e fiz com que passassem por situações ruins! Você até saiu da escola! Eu fiz os dois sofrerem...
Sanji sorriu melancólico, retirando um lenço do bolso e o estendendo pra garota, que aceitou sem entender.
— Fala em ter magoado a gente, mas é a única que está chorando aqui. — Kuina levou os dedos ao próprio rosto, só então percebendo que lágrimas copiosas deslizavam pela sua pele. — Não tem porque achar que me magoou por ter se declarado quando eu mesmo te incentivei a fazer isso. O único, realmente, culpado aqui sou eu, pois me recusei a sequer tentar. Assumi o fato de que seria rejeitado e preferi me conservar silencioso quanto ao que eu sentia. Por isso não chore, Kuina. Além de que eu nunca me ressenti de verdade com você.
— Então por que saiu da escola? — ela perguntou, assoando no lenço que lhe fora oferecido.
O ex-cupido engoliu em seco, mexendo na gola da sua camisa.
— Bem, isso foi por, uh, por motivos de saúde. Aí precisei sair da cidade e acabei sumindo sem dar explicações. Desculpe pela confusão que causei...
A jovem arregalou seus belos olhos castanhos, exibindo uma expressão perplexa.
— Mas você está bem de saúde agora?
— Ah, estou sim. Não precisa se preocupar. — sorriu para tranquiliza-la. — Nunca estive tão bem!
Kuina baixou o olhar para a mesa, finalmente largando o pedaço de guardanapo que ela dobrara em formato de tsuru.
— É bom saber isso. E é bom ver que os dois estão se dando bem; não quero nem lembrar daquela época em que Zoro ficou em depressão. — agitou a cabeça, tentando afastar as memórias. — De qualquer modo, eu só vim para ter uma conversa decente com você. Agora eu preciso voltar, senão sabe-se lá o que Harumi vai aprontar em minha ausência.
— Harumi?
— Oh? Zoro não te contou? Eu me casei e tenho uma filha agora, que me dá muita dor de cabeça, aliás. — explicou dando um sorriso amável.
Sanji arregalou os olhos, quase caindo da cadeira.
*
As ruas estavam consideravelmente tranquilas e o clima daquela noite de verão estava bastante amena. Seguiam lado a lado numa caminhada que apenas Sanji sabia qual o destino final. Como durante o resto do dia Zoro fora quem decidira aonde eles iam, dessa vez ele se deixou ser guiado para seja lá onde Sanji queria chegar.
— Porque você não me disse que ela tinha se casado? E que tem uma filha! — desde que se despediram e saíram da lanchonete, Sanji reclamava sobre a sua falta de informações.
O de cabelos verdes revirou os olhos. Por quanto tempo aquilo perduraria?
— Você não perguntou.
— Argh. É muito difícil conversar com você. — soltou um muxoxo impaciente.
Continuaram andando por algum tempo ainda, só que agora Sanji ia mais à frente pisando forte. Em dado momento saíram das ruas principais e começaram a passar por ruas menores até chegarem aos arredores do bairro que era famoso por ter muitos motéis. Vários casais andavam de braços dados com ar de satisfação por ali e Zoro olhou ao redor reconhecendo vagamente alguns pontos de referência.
— Oe, Sanji. Pra onde exatamente estamos indo? — estava considerando a possibilidade do loiro estar perdido e se isso fosse verdade ele adoraria jogar na cara dele. Afinal, sempre riam de Zoro pela facilidade que conseguia se perder.
Acabou vincando a testa, entretanto, quando Sanji estancou o passo e quando virou para o Roronoa, estava com um notável rubor nas bochechas. Não havia mais traço algum de raiva em seu rosto jovem.
— Você ainda não percebeu?
Oh. Será que era mesmo o que Zoro estava entendendo nas entrelinhas?
Ele ainda ficou um pouco na dúvida se precisava responder ou não, mas quando Sanji agarrou seu braço e o puxou pra recepção do motel que estavam de frente suas dúvidas evaporaram.
Foi uma surpresa descobrir que Sanji planejara terminar a noite num quarto de motel, quando o máximo que tinham feito até ali tinha sido umas idas ao cinema com muitos beijos e passeios inocentes no parque. Porém Zoro não achou nem um pouco ruim essa iniciativa. Na verdade, ele gostou bastante, pois há tempos estava com vontade de subir o nível das atividades pervertidas com o loiro.
Na recepção do prédio uma moça de cabelos negros sorriu e quando o loiro mencionou seu nome, uma atendente de cabelo curto e azul surgiu para atendê-los especialmente. Sanji pediu as chaves de um quarto previamente agendado (há quanto tempo ele vinha planejando aquilo?) e eles subiram de elevador até o terceiro andar. Entraram na última porta do corredor e Zoro ficou bem surpreso com o nível do quarto. A mobília escura dava um ar de requinte. Tinha também abajures espalhados pelo quarto numa luz que era agradável aos olhos, com uma climatização bem sensual. Uma cama de casal com lençóis vermelhos estava no centro do cômodo e pelas paredes alguns quadros com mensagens de ânimo e superação.
— Eu vou tomar banho primeiro. — informou um tímido Sanji, seguindo a passos rápidos para uma porta que Zoro supôs ser o banheiro. Logo o som de um chuveiro ligado chegou a seus ouvidos.
Okay. Esse fim de encontro foi bem inesperado. Zoro voltou a analisar o quarto imaginando o custo por usufruir dele. Não parecia ser um dos mais baratos, afinal. Aproximou-se do criado mudo, abrindo a gaveta sem muitas pretensões, mas acabou encontrando uma variedade incrível de lubrificantes, camisinhas, óleos corporais e até um kama sutra ele encontrou ali. Deu tempo de ler grande parte do livro antes que Sanji desse novamente as caras, agora enrolado um roupão branco felpudo.
— Certo, agora é sua vez.
Dando de ombros, Zoro entrou no banheiro e ficou abismado com o tamanho do local. Tudo era tão limpo que brilhava. Havia um box amplo com vidro transparente e uma banheira grande o suficiente para caber os dois. Antes de tomar banho de fato, ele precisou acalmar seu coração de pobre. Não era todo dia que ele se deparava com algo assim.
Quando, enfim, conseguiu terminar de tomar banho (até o sabonete era de uma marca estrangeira), ele retornou ao quarto e se deparou com mais uma das várias surpresas daquele dia. Múltiplas velas estavam agora distribuídas pelo lugar, todas acesas, e havia um cheiro de incenso no ar. Mas o que certamente chamou a sua atenção foi avistar o loiro deitado no centro da cama – ainda vestido com o roupão – como se fosse uma oferenda. Uma deliciosa oferenda, por assim dizer.
— O quê...?
— Ah, é. Esqueci disso aqui. — Sanji retirou o único tecido que impedia sua nudez e em seguida fechou os olhos com força como se esperasse um ataque de um animal selvagem. — Agora pode vir aqui se servir. Não se preocupe, eu aguento.
“Se servir? Aguentar?” Zoro remexeu no próprio cabelo com umas das mãos, enquanto se aproximava da cama meneando a cabeça. Já não dava para ignorar a sensação de que algo estranho estava acontecendo ali.
— Oe, tem algo errado aqui. O que você pensa que está fazendo, Sanji?
O loiro abriu um dos olhos, fitando-o um pouco confuso.
— Ah! Esqueci disso também. Me contaram que você, durante esses anos que fiquei longe, desenvolveu um gosto por... essas coisas. — o rosto ficou ligeiramente corado ao apontar para um amontoado de itens típicos para prática de BDMS em cima duma mesinha do outro lado da cama.
As sobrancelhas verdes se uniram em clara incredulidade. De onde surgira todo aquele material?
— Espera aí! Quem foi que te contou isso?!
Sanji se sentou, puxando parte do lençol para cobrir suas partes baixas visto que, ao que parecia, o desenvolver não seria tão imediato quanto ele achava que seria. Estava começando a achar que fora muito apressado.
— Foi Nami. Qual o problema? Diferente de certas pessoas, ela não me ocultou informações importantes.
Zoro deu uma tapa estalada na própria testa e se sentou na beirada da cama, suspirando fundo. Claro que foi Nami que contou esse absurdo. Isso ainda era o rancor pelo beijo roubado no ensino médio? Puta pessoa rancorosa. E Sanji ainda estava reclamando da história de Kuina? Haja paciência.
— Ela mentiu pra você, eu não sou adepto a isso. — Sanji deu um visível suspiro de alívio e Zoro revirou os olhos. — Depois que você foi embora até quando a gente se reencontrou, não mantive relações com mais ninguém. Até cheguei a tentar, mas não rolou. E foi ela também que sugeriu esse hotel, não é?
Sanji coçou a bochecha tentando entender aonde ele queria chegar. Seu raciocínio ficou um pouco lento por causa do seu coração que batia acelerado no peito pelo o que ele falara.
— Foi ela sim. Nami disse que era um dos melhores da região, disso você não pode negar. — respondeu por fim, pois realmente aquele motel era muito bom.
Por mais que pensasse no motivo oculto que levara Nami a recomendar aquele lugar, Zoro não conseguiu chegar a nenhuma conclusão concreta, apenas algumas conjecturas. Certamente haveria de ter um motivo por trás, mas no momento ele preferiu esquecer esse assunto e voltar sua atenção para Sanji, que até pouco tempo parecia bem disposto a aceitar qualquer coisa que ele quisesse fazer.
— Bem, deixemos essa questão pra outra hora. Já que estamos aqui, devemos aproveitar. — sorriu malicioso para o jovem de fios claros enquanto passava pelas velas para apagá-las. Antes de tudo era melhor prevenir de um incêndio.
Ainda lançou uma última olhadela para as bugigangas sadomaso levemente interessado, mas deixaria para pensar nessa possibilidade em outro momento. Era a primeira vez de Sanji, então ele não podia simplesmente vir com tudo. Aproximou-se da cama outra vez, jogando longe seu próprio roupão, e engatinhou predatoriamente pelo colchão, sem sair em momento algum do campo de visão de um atento par de olhos azuis.
O ex-cupido parecia bem satisfeito ao admirar o corpo desnudo do outro e um nervosismo de antecipação surgiu em si. Mal podia crer que era real, mas quando Zoro tomou seus lábios em um beijo lento e molhado, teve plena certeza de que o que sentia não era um delírio. As línguas deslizavam libidinosas uma na outra, causando ofegos de ambas as partes.
— Você tem certeza de que quer ir até o fim hoje? — Zoro indagou apenas para confirmar o que iriam fazer, pois sempre acabava relutante no quanto podia avançar, já que seu parceiro era um anjo antes.
Sanji franziu a testa numa expressão de descontentamento. Sério que Zoro ainda estava lhe perguntando aquilo?
— Você acha que eu te traria pra cá se não fosse pra ir até o fim? Agora fale menos e aja mais se não quiser que eu durma de tédio aqui.
Zoro piscou surpreso e quase riu diante a reação do loiro. A cada dia ele se surpreendia mais com aquele aspirante a cozinheiro. No entanto, o de cabelos verdes não riu, apenas sorriu como se tivesse recebido um desafio e mordeu o lóbulo da orelha despreparada de Sanji. Em seguida fez uma trilha de mordidas até o pescoço, onde dedicou uns bons segundos para degustar a região, pois já sabia que Sanji tinha uma fraqueza naquele ponto.
As mãos do ex-cupido agarravam os lençóis com mais força à medida que a língua alheia descia pelo seu corpo, lhe deixando um caminho de marcas possessivas. Zoro sorriu provocativo quando chegou à altura do peito e sem deixar que o loiro pudesse se acalmar, sugou um dos mamilos rosados que já estavam eriçados. Sanji soltava grunhidos e ofegos de boca aberta.
Mas isso não era suficiente para Zoro, que querendo ouvir mais do que simples ofegos, abandonou os mamilos e beijou-lhe a região ao redor do umbigo, percebendo o quanto Sanji já estava ansioso. A parte do tecido que ainda estava sobre a intimidade do outro logo foi retirada e o Roronoa observou satisfeito o pênis que despontava completamente desperto.
— Você ainda acha que pode acabar dormindo de tédio? — olhou presunçoso para o rosto corado de Sanji, que resmungou um "idiota" baixinho e cobriu os olhos com um braço como se isso fosse ocultar seu embaraço.
Zoro não precisava de respostas faladas quando tinha um corpo tão sincero respondendo a si. Deslizou as mãos pelas coxas brancas, gostando de vê-lo afastar as pernas involuntariamente com a carícia. Sabia bem o que estava sendo pedido silenciosamente, e por isso mesmo ele continuou só fazendo carinho na parte internas das coxas, mas sem seguir adiante.
Sanji tirou o braço do rosto com um brilho de impaciência no olhar. Estava prestes a exigir que o outro fizesse o que tinha que fazer (afinal ele estava tão malditamente duro que não se importava em pedir) porém ao ver a expressão de implicância que o outro ostentava, fechou a cara e esticou a mão até alcançar a ereção do Roronoa, surpreendendo-o.
— Tô realmente começando a achar que posso dormir agora. — mordeu o próprio lábio para evitar rir da cara surpresa que Zoro fez. Ah, e ele gostou bastante do gemido baixo que ele soltou também. Quem diria que ele conseguiria causar isso no austero Roronoa! — Você não acha que já demoramos muito em preliminares?
Zoro riu, não sabendo o que pensar sobre a mudança de comportamento do ex-anjo. Ainda se lembrava muito bem da época que ele ficava absurdamente constrangido apenas por trocar uns beijos. Ele gostava muito daquele antigo Sanji, mas também gostava bastante do atual. Na verdade, Zoro suspeitava que não importa a forma que Sanji adquirisse, ele iria amar do mesmo jeito (nem que fosse um demônio inescrupuloso).
Percebendo que o loiro já estava por demais excitado – era possível ver o pré-gozo lhe escapando da ponta tanto quanto o dele próprio – ele puxou Sanji para um rápido beijo voluptuoso e logo substituiu a própria boca por dois de seus dedos.
Sanji não os recusou, muito pelo contrário, ele os umidificou com vigor enquanto mantinha o olhar fixo com o do outro garoto tornando tudo mais sensual. Isso fez o tesão do Roronoa aumentar enormemente, óbvio. Tirou os dedos da boca alheia e fez com que o jovem loiro se deitasse outra vez, levando logo um dos dedos aos arredores da sua entrada, onde apenas ficou ameaçando entrar.
Foi quando, subitamente, Zoro se lembrou das variedades de lubrificantes que haviam dentro da bendita gaveta e ele se esticou para pegar o primeiro que seus dedos alcançassem. Analisou rapidamente a embalagem nas cores azul e vermelho, mas não se demorou muito nisso, e despejou uma grande quantidade nos dedos, logo voltando a circular a entrada do outro.
Antes que Sanji pudesse reclamar outra vez sobre a demora, ele enfiou um dos dedos, fazendo gestos circulares para espalhar bem o lubrificante.
— Uou. É gelado. — Sanji inspirou e expirou, mantendo a calma. Estava consideravelmente relaxado, levando em conta que essa era sua primeira vez. Na verdade, ele já vinha treinando em casa há vários dias seguindo algumas dicas encontradas na internet para tornar sua aventura com sexo anal ser o menos doloroso possível.
Deu um pequeno sobressalto quando o segundo dedo entrou e Zoro, percebendo isso, esperou alguns segundos para voltar a mexê-los.
— Me fale se começar a doer muito. — alertou, colocando com cuidado o terceiro dedo na passagem estreita.
Sanji agitou fracamente a cabeça em uma negação (com a franja começando a grudar na pele), respirando de boca aberta.
— Não... Não está doendo. — falou depois de engolir o acúmulo de saliva em sua boca. — Mas está... Esquentando...
Zoro ergueu uma das sobrancelhas, mas continuou com os movimentos pacientes. Afinal, a última coisa que queria era machucar seu parceiro e acabar causando algum trauma nele. Imagina se ele nunca mais quisesse fazer sexo! Zoro voltaria a ser virgem.
Por isso ele queria ir com bastante calma, sem se comportar como um adolescente afobado que não se preocupada no prazer do outro. Contudo, quando estava inserindo mais um pouco de lubrificante, foi surpreendido por um Sanji exaltado que o encarou com uma feição quase feroz.
— Vai ficar quanto tempo enrolando aí? Enfia logo isso! — exigiu arfante, sentindo cada terminação nervosa do seu ânus ansiosa por algo mais intenso.
Certo, agora sim Zoro estava surpreso.
— Bem, se eu não te preparar direito você vai sentir muita dor.
— Não vou não. — pigarreou e desviou o olhar, sentindo o rosto ruborizar. — Meio que andei treinando antes, então não precisa demorar tanto nessa preparação.
Oh.
— Então você andou treinando... Todo esse esforço só para mim? — seu tom de voz foi tão malicioso que Sanji nem precisou olhar para saber que ele estava com um sorrisinho zombeteiro nos lábios. — Se é assim, não preciso me demorar mais, não é? — indagou levando os lábios para o pescoço alheio, onde sugou a pele lentamente.
Sanji grunhiu algo ininteligível, dando um gemido sufocado, e Zoro resolveu aceitar aquilo como um sim. Novamente levou a mão a gaveta do criado-mudo, que permanecia aberta, vasculhando-a até esbarrar num pacote de preservativo. Rasgou a embalagem e vestiu a camisinha com uma maestria que Sanji achou deveras questionável, mas preferiu não comentar. Em seguida Zoro despejou lubrificante sobre o pênis já revestido e enquanto uma mão segurava a cintura do loiro, a outra guiava a ereção para a entrada dele.
A penetração em si foi consideravelmente fácil, embora Sanji ainda tenha soltado um ou dois resmungos por mais devagar que Zoro tenha ido. Quando conseguiu entrar até a base, ele deu um gemido rouco sentindo o calor e a pressão em seu falo ser quase tortuoso, mas ele conseguiu – por muito pouco – se manter quieto por tempo suficiente para o ex-cupido de acostumar com o volume.
Quem fez o primeiro movimento foi Sanji, que preferindo agarrar os ombros fortes no lugar dos lençóis, segurou-se ali e moveu o quadril timidamente. Foi só o que Zoro precisou para começar os movimentos, que a princípio era tortuosamente lentos, mas que logo evoluíram para selvagens investidas incansáveis.
Ambos arfavam, gemiam, suavam, movimentando-se rítmicos e frenéticos. Zoro encheu as mãos com a bunda redonda branquinha e o pensamento de que talvez mais tarde estas ficassem marcadas passou rapidamente pela sua cabeça, mas logo desapareceu ao ouvir um gemido mais esganiçado vir do loiro. E querendo ouvir mais desse som tão incentivador, ele arremeteu com ímpeto no mesmo ponto que fazia Sanji deleitar-se aos gritos.
Em resposta ao prazer que espalhava por seu corpo toda vez que a próstata era acertada, Sanji pressionava suas unhas bem cortadas nas costas largas do rapaz, deixando listras e mais listras ali. Ah, Zoro estava longe de achar isso ruim, visto que tinha a visão incrível do rosto do loiro perdido em prazer bem ali na sua frente. Os olhos luxuriosos, a boca entreaberta. Aquele que um dia fora um anjo, agora era uma verdadeira perdição para a sanidade do jovem Roronoa. Desceu a mão para a ereção que até então estava negligenciada, e receber estímulo em dois lados foi demais para Sanji, que se desfez sobre o próprio abdômen em jatos fortes.
Zoro veio logo depois de mais três investidas no corpo que começava a relaxar. Afastou-se um pouco para retirar o preservativo, dar um nó e despejá-lo em uma lixeira posta propositalmente perto da cama. Com um suspiro satisfeito, ele deitou-se e puxou um Sanji sonolento para ficar mais perto de si. Ambos trocaram um olhar cúmplice e deram sorrisos exaustos enquanto descasavam um pouco para depois dar seguimento na próxima rodada, afinal eles precisavam usar bem aquele quarto. (Além de que Zoro queria muito fazer na banheira também.)
A noite deles foi bastante aproveitada, eles não podiam ficar mais felizes do que já estavam. Mas é claro que como toda felicidade dura pouco, no dia seguinte quando foram pagar pela hospedagem, se depararam com o primeiro grande problema.
— Que raios de valor é esse por um simples quarto? — Sanji olhava horrorizado para a nota de pagamento que recebera. Nem se juntasse o dinheiro que ambos estavam levando, daria para pagar um valor tão alto. Olhou pro crachá da senhorita que lhe atendia, lendo o nome em ênfase. — Senhorita Nojiko, isso só pode ser um engano!
Essa era a mesma senhorita que os atenderam quando chegaram e que agora exibia um sorriso ardiloso demais para parecer ocasional. E Zoro estava com a estranha sensação de que a conhecia de algum lugar, mas por mais que pensasse não conseguia lembrar.
— Não há erro algum, senhores. É esse valor mesmo e se não puderem pagar, não se preocupem, podemos arranjar um jeito de resolver essa situação.
No fim ficou resolvido que eles trabalhariam ali por data indefinida como atendentes e qualquer outro tipo de serviço que um ajudante pudesse realizar no prédio. É, era o mínimo que podiam fazer para pagar pela noite maravilhosa que tinham tido.
*
Nami estava deitada no sofá assistindo um romance daqueles bem clichês e que ela já tinha visto milhões de vezes quando seu celular começou a vibrar sobre sua barriga. Olhou rapidamente o identificador de chamadas e sorriu ao ver a foto da sua irmã iluminando a tela. Atendeu, levando o aparelho ao ouvido.
— E aí? Deu tudo certo?
— Óbvio que deu. — a voz rira do outro lado da linha. — E, olha, eles são bastante esforçados e trabalham bem. Tirei a sorte grande ao conseguir que trabalhassem aqui, principalmente nessa época de alta temporada.
— Está satisfeita? Fico feliz. Mas é bom lembrar que agora está me devendo uma, viu, mana.
— Você não me deixaria esquecer mesmo...
Nami riu malignamente.
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