Notas iniciais
Parece que o cérebro de alguém não consegue focar em uma história só, não é mores? Hahahah Essa história era pra ser uma one-shot de dia dos namorados, mas assim como Broken Trust, está se tornando maior! Espero que gostem ♥

POV Hermione Granger

Há coisas piores, suponho, do que um feriado dedicado ao amor. Não consigo pensar em nenhum agora, mas tenho certeza de que eles existem. As pessoas ficam piradas com essa data, em busca de alguém que possa preencher o vazio que elas dizem que há em seus corações. Pra mim, a maioria das pessoas está com fome, mas prefere achar que estão sentindo falta de um amor para preenchê-las. Falando desse modo, até parece que eu sou uma solteirona, mas eu sou apenas uma garota de 24 anos que não está muito interessada em romance.

Pra ser bem sincera, eu acho até que o meu cupido me odeia, porque não é possível. Os últimos caras com quem eu sai ou namorei, eram idiotas completos. Não preciso dizer que não deu muito certo com nenhum deles, certo? Eu só não digo que acho que o amor não existe porque eu o vejo nos meus pais, e nos olhos dos meus melhores amigos – a quem eu ajudei a ficarem juntos. Mas sinceramente, eu acho que eu nasci pra ficar sozinha, com meu gato.

— Que sorte a minha, ficar presa com uma tarefa no dia dos namorados. — eu disse olhando pra minha mesa com uma pilha enorme de papéis, encarando o que provavelmente me faria ficar presa no escritório pelo resto da semana.

— Oh, pare de choramingar. Não é como se você estivesse vendo alguém. — meu melhor amigo e praticamente meu irmão, Harry, disse da mesa dele, me encarando com aqueles olhos verdes penetrantes, bem parecidos com o de sua mãe (que junto com a minha melhor amiga, tenta arranjar um namorado pra mim, desde que eu me lembre).

— Er... então, sobre isso. — eu comecei meio hesitante, sem me preocupar em olhar na direção dele.

— O que? Você tá saindo com alguém e não me contou? Achei que fossemos melhores amigos! – Harry disse indignado, como se fosse realmente possível que eu fosse sair com alguém e não contar pra ele.

— Não é nada disso! Eu não estou saindo com ninguém, é só que... você sabe como a Ginny fica nessa época do ano, e eu só queria passar uma sexta-feira tranquila em casa. — eu disse me jogando na minha cadeira e tentando me forçar a começar a trabalhar com aqueles papéis. É o que dizem, se você pensar bastante, talvez você se concentre o suficiente para poder fazer tudo desaparecer. Não estava funcionando.

— Pode acreditar, eu sei bem como ela fica, mas receio que você não vai poder fazer nada para impedir de ir à festa. Acredite, até eu tentei fugir. Ela tá descontrolada. — ele disse começando a digitar furiosamente no computador pra poder evitar meu olhar, provavelmente.

— HARRY! É da minha melhor amiga que você está falando! Além do que, ela é a sua namorada. — incrível como Harry pode ser romântico num minuto, e uma pessoa completamente oblívia no minuto seguinte. — E como assim, não vou poder fugir?

— Por ela ser minha namorada que eu posso falar isso dela. Ela não te contou ainda? — Harry está me olhando com uma cara engraçada e eu não sei por quê.

— Contou o que? — ai senhor, o que a dona Ginevra Weasley aprontou agora?

— Os Weasley estão vindo para festa. E quando eu digo todos, eu quero dizer todos mesmo. — Harry está me olhando com uma cara estranha, que provavelmente deve estar refletindo a minha.

— Todos? — eu não sei se estou preparada para conhecer a família inteira da minha melhor amiga. Pelo menos, não depois de tudo o que ela me disse sobre eles.

— Exatamente. Por isso a festa não vai mais ser lá no meu apartamento, mas sim na casa dos meus pais. — ele está me entregando um convite com tudo o que vai estar na festa. Estou começando a ficar com mais medo ainda da Ginny.

— Ela enlouqueceu de vez! — como se não me bastasse a ruiva mãe do Harry quase me deixar louca aqui na empresa, a minha melhor amiga, também ruiva (estou percebendo um padrão aqui, senhores Potter), ta tentando me deixar maluca!

— Sim, mas evite dizer isso pra ela. — Harry voltou a adiantar o trabalho dele, ou o que eu acho que é trabalho.

— Você disse isso pra ela??? — às vezes eu acho que meu melhor amigo não tem valor a vida, sério.

— Eu estava distraído ok? — ele está ficando vermelho e eu não quero imaginar o por que. – Enfim, a festa começa às 19h00, mas ela disse pra você ir pra casa lá pelas 15h00, pra vocês se arrumarem juntas.

— Eu sei me arrumar sozinha. — eu resmunguei pra mim mesma, esperando que ele não me ouvisse.

— Segundo a Ginny, não sabe não. — é claro que ele ia escutar, o que eu estava pensando?

— Como você conseguiu manter sua namorada esse tempo todo? — porque ele definitivamente não é o mestre do elogio, pelo menos, não como o pai dele.

— Ela me ama. — Harry disse dando de ombros e rindo. Só poderia ser esse o motivo pra eles ainda estarem juntos.

— Alguém tinha que te amar, não é mesmo filho? — James Potter, dono da empresa, também conhecido como pai do Harry – e meu padrinho – entrou na nossa sala, e não perdeu tempo para zuar com a cara do Harry, como ele sempre faz.

— Ha ha, que engraçadão você hein pai?! Dormiu com o Bozo foi? — Harry perguntou forçando uma risada, enquanto eu tentava esconder a minha sem sucesso nenhum, claro.

— Não, dormi com a mulher da minha vida. — ele disse com um olhar tão apaixonado que me fez desviar o olhar. É por cenas como essas que eu sei que o amor existe, só não sei se ele existe para mim.

— Ai pai, que nojo! Não me faça ter imagens mentais! — Harry disse enfiando os dedos nas orelhas e começando a cantar “la-la-la”. Realmente, muito maduro da sua parte Harry.

— Isso é jeito de falar com seu pai? Tenha mais respeito com ele! — eu disse dando um tapa na cabeça do Harry, pra ver se assim eu enfio algum bom senso na cabeça dele.

— Obrigado Mione, não sei o que seria de mim se não fosse por você, a melhor afilhada desse mundo. — James disse dando um beijo na minha testa, o que me fez sorrir.

— Ah claro, não se preocupem comigo. Eu sou só o seu único filho, sangue do seu sangue. Nada importante, sabe como é? — eu já disse que meu melhor amigo é a pessoa mais dramática desse mundo? Não? Estou dizendo agora então.

— É quando você fala assim, que eu tenho a certeza de que escolhemos a melhor pessoa pra ser seu padrinho. Vocês dois tem uma tendência ao drama. — James disse sentando na ponta da minha mesa.

— Agora que você falou isso, realmente, os dois são quase uma drama queen quando querem não é mesmo? — eu disse rindo, o que causou uma crise de risada no James e um Harry cada vez mais emburrado.

— O que está acontecendo aqui? Ninguém mais trabalha nessa empresa não? — uma ruiva entrou pela porta, nos fazendo sobressaltar.

— MÃE! Ainda bem que você chegou! Esses dois estavam fazendo bullying comigo. — Harry disse apontando pra mim e pro pai dele. Dedo-duro.

— Que calúnia! Não foi nada disso que aconteceu aqui amor, ele está mentindo. — James disse com a cara mais inocente que eu já vi, mas a Lily está vacinada contra essa cara.

— Mione querida, você pode me dizer o que aconteceu de verdade? — minha madrinha e uma das melhores pessoas do mundo, Lilian Evans Potter, me perguntou enquanto me encarava com aqueles olhos verdes que me impediam de mentir, desde que eu me entendo por gente.

— Nós não estávamos fazendo bullying com ele, apenas dizendo que assim como o padrinho dele, o Harry pode ser uma drama queen às vezes. — eu disse dando de ombros.

— Acho que não deveríamos ter deixado passar tanto tempo com o Sirius quando ele era criança James, não sei se foi uma coisa muito boa. — eu amo a Lily, sério. A cara do Harry é impagável também.

— MÃE! Você deveria estar me defendendo, não ficando do lado deles. — ele disse, já com a cara emburrada, enquanto a gente se acabava de rir.

— Harry querido, eu não posso negar a verdade, não é mesmo? — ela disse abraçando o filho. — Agora, que tal todos nós voltarmos ao trabalho? O que me dizem?

— Se a patroa manda, nós obedecemos não é verdade? — James disse, se levantando e indo em direção à porta. — Não trabalhem demais crianças!

— JAMES! — Lily mais gritou que falou, enquanto se dirigia à porta atrás do marido, o que nos fez rir. — Espero que estejam adiantando tudo, para estarem livres na sexta à noite.

— Hermione aqui não parece estar muito interessada na festa, sabe? — Harry disse, enquanto eu o fuzilava com o olhar. Meu melhor amiga está tão morto, ele nem faz ideia.

— O QUE? Mione, como assim você não está animada com a festa? Foi algo da decoração? Ou foi a comida? Sabia que eu deveria ter ligado pra Jean pra perguntar o que seria interessante servir. — a ruiva destrambelhou a falar, sem nem parar pra respirar.

— Obrigada por isso Harry. — eu disse entredentes pro meu melhor amigo.

— Sempre que precisar. — ele disse dando de ombros, sorrindo de canto. Eu vou matar esse garoto e ninguém vai desconfiar que fui eu.

— Lily, não tem nada a ver com a comida nem com a decoração, e eu sei que a minha mãe provavelmente ajudou você e a Ginny em algumas coisas, então eu sei que tudo vai estar perfeito. — eu disse com uma voz tranquila, tentando esconder o que eu realmente estava sentindo.

— Então qual é o problema querida? Você está preocupada porque não tem ninguém pra ir com você? Porque nós podemos mudar isso rapidamente, você sabe não é? — ela disse vindo me abraçar. Espera, o que ela está dizendo?

— O que? Não, não tem nada a ver com eu não ter ninguém pra ir comigo na festa. — eu disse, me preparando para o que eu ia dizer a seguir. — É mais a ideia da festa em si.

— Você não está animada com a festa? — Lily está com uma cara tão magoada que está fazendo eu me sentir mal por essa conversa.

— Er... eu acho que o papai precisa da minha ajuda. Então, vou deixar você duas a sós e só vou, é... — Harry disse, se levantando e saindo o mais rápido possível da nossa sala, o que fez eu e Lily darmos risada.

— Então, agora que os garotos saíram, você quer me dizer o que está verdadeiramente te incomodando? — Lily perguntou, enquanto se se sentava à mesa do Harry.

— É só essa data sabe? Porque as pessoas ficam tão enlouquecidas com o dia dos namorados? Eu não consigo entender qual a fixação, porque a Ginny PRECISA que essa festa seja perfeita. — eu desabafei, tirando tudo o que estava entalado no meu peito.

— Entendo... — Lily disse com uma cara de quem sabe tudo.

— Entende? — eu perguntei com uma cara assustada e de quem não está entendendo nada, o que eu odeio!

— Claro que sim Mione. Eu também já tive esses mesmos questionamentos que você está tendo agora, e odiava quando o dia dos namorados estava chegando. Eu me entupia de chocolate nessa data. — ela disse sorrindo, perdida nas lembranças.

— E o que te fez mudar de ideia? Porque agora você é tipo, a rainha dos namorados, a embaixadora do amor. — eu disse, realmente curiosa, porque eu não consigo acreditar que essa ruiva do meu lado já tenha odiado o dia dos namorados.

— Embaixadora do amor? Sério mesmo? — ela está rindo agora, olhando pra minha cara de pateta.

— É... você tenta me arranjar um namorado desde os meus 14 anos. E você se supera no dia dos namorados, achei que o título cairia bem. — eu disse dando de ombros, e sentindo minhas bochechas ficarem da cor do cabelo dela.

— Ah, querida! — ela veio pro meu lado me abraçar. — Você se incomoda tanto assim quando eu dou uma de cupido pra cima de você?

— Eu acho que me incomodava mais quando eu era adolescente. Hoje em dia, acho que eu já não ligo tanto. Não é como se fosse funcionar mesmo. — eu disse pra ela, não conseguindo acreditar na minha própria voz.

— Como assim não vai funcionar? O que você quer dizer com isso? — Lily está me olhando com uma cara estranha, como se eu fosse de outro planeta.

— Lily, por mais que eu agradeça sua ajuda, eu meio que desisti dessa ideia de achar alguém ideal para mim. — eu respondi, olhando pros papéis na minha mesa, para não ter de encarar o olhar dela.

— Como você pode dizer isso querida? É claro que existe alguém ideal para você, vocês só não se encontraram ainda. — ela disse levantando meu queixo e me fazendo olhar pra ela.

— Você diz isso com tanta certeza, como se só pelo fato de você estar dizendo, o destino decidisse tornar realidade. — Lily me assusta algumas vezes com as previsões dela.

— É claro que o destino vai me ouvir e vocês dois logo vão se encontrar. Acredite na embaixadora do amor. — ela disse fazendo uma pose de super herói, o que me fez cair na risada. Lily é a melhor pessoa pra me animar, e a melhor madrinha de todas.

— Ok, eu acredito em você. Vamos ver, quem sabe eu não conheço minha alma gêmea no dia dos namorados? — existe algo mais clichê do que isso?

— Não seja tão desdenhosa Mione, confie em mim. Agora, acredito que temos algumas coisas a resolver antes de podemos ir almoçar, você não acha? — e com essa simples frase, ela voltou a ser a minha chefe.

Acho que vou ter de seguir o conselho da Lily e esperar, quem sabe, o destino pode me trazer minha alma gêmea do mesmo jeito que o garoto do restaurante da esquina traz o meu almoço. Sonhar não custa nada não é mesmo? Eu só gostaria de saber, será que existe realmente alguém feito pra mim? E se sim, o que ele estaria fazendo nesse momento?

Notas finais
Finalmente estou escrevendo algo do meu OTP! Essa história virou meu amorzinho rapidamente, e eu to muito empolgada pra vocês conhecerem esses personagens! Feliz dia dos namorados e até a próxima!