Cupido, Traga Meu Amor
29 1 Ano Depois
Notas iniciais
1 ano depois
— Você pode me garantir isso?— ouvir a mesma pergunta pelo que seria a oitava vez na semana estava se tornando realmente irritante.
— Eu estou fazendo o meu melhor, mas acredito que consigo isso pra você, Nino.
— Estou contando com você.
Criar vestidos de casamento estava longe das preferencias de Gabriel Agreste, todavia, isso não impediria Adrien de tentar convencer e fazer o casamento dos amigos um pouco melhor na percepção da mulher que adorava as criações do estilista, que noiva não gostaria de usar um vestido feito especialmente para si?
Seria o presente perfeito segundo Nino. Mesmo que isto fosse apenas um favor.
— Ele esta te ligando de novo? – Ivan questionou vindo em direção à única mesa ocupada no restaurante fechado em plenas 2h da tarde. Os pratos que Ivan colocava na mesa eram realmente bonitos e poderia apostar que faria qualquer pessoa de barriga cheia encontrar um espaço, mesmo que pequeno para prova-los.
— Ele esta te dando paz?
— Obvio que não. Já mudei o cardápio 4 vezes por causa das neuroses dele...mas estou relevando porque o pedido de casamento é uma coisa importante – Ivan justificou com simplicidade e calma.
— Eles estão namorando há anos e até moram juntos, se formos colocar os pingos no i’s aqui, eles já são casados, só falta conseguir um animal ou um filho.
— Não tire a beleza da coisa. Veremos se quando for a sua vez de casar também não será irritante com os outros para manter as coisas perfeitas. Você já é meio controlador com trabalho. Aposto que seria capaz de ir na prova do vestido apenas para garantir que a escolha dela fosse realmente a altura da futura senhora Agreste.
Adrien maneou a cabeça pegando os talheres para começar a comer, o sorriso zombeteiro que adornava seu rosto aos olhos do amigo poderia ser apenas um reflexo de suas palavras, mas havia sim humor aos olhos do Agreste ao refletir na sentença e pensar que sim, ele havia visto todos os vestidos de noiva antes de escolher os que seriam mostrados para a única pessoa que havia cogitado viver tal transição de status até então. Mas em sua própria defesa poderia atribuir tal necessidade a falta de tempo que tinham.
— Minha cota de casamento já esta acima do aceitável graças ao Nino.
— Sei. O que você esta na verdade é trabalhando demais. Deveríamos depois que isso terminar sair todos juntos, talvez umas férias como costumávamos fazer na faculdade, viajar.
— Podemos pensar nisso mais para frente. Tenho algumas coisas importantes que preciso fazer ainda.
— Viver deveria ser uma delas... – o amigo resmungou.
E mais uma vez o loiro deu de ombros ouvindo enquanto o amigo trocava de assunto para falar sobre seu restaurante dos sonhos que se mostrava a cada dia mais promissor.
Não é como se não estivesse vivendo como sempre o fizera, mas estranhamente segundo os mais próximos havia nuances que os fazia tentar inicialmente compreende-lo, principalmente depois que um porta-retratos com uma foto tirada por Ivan na noite de filmes em sua sala agora estava na sala. Entre todas as fotos com amigos que já tirara, essa era a única em que Marinette estava inclusa. Sua presença os preocupava mais do que diziam, entretanto até um cego conseguiria ver o cuidado que eles mostravam para lentamente apagar a garota de sua vida.
Ela nunca voltaria e se quer poderia explicar-lhes o real por que...
O silêncio dentro do apartamento agora era uma coisa definitiva, as luzes sempre estariam apagadas e a TV que quase nunca usava de verdade voltava a ser um item de decoração quando precisava trabalhar em casa ou simplesmente acabava por ler algum livro no quarto.
Ascendendo as luzes ele atravessou em direção ao escritório ocupando a mesa e seu trabalho, o celular vibrava ocasionalmente com o nome de Nino e mensagens chegando que ele ignorava o máximo que podia, mas ao guardar os papeis na gaveta chaveada seus olhos inevitavelmente foram para a última gaveta.
A caixa fina ocupava quase que completamente todo o fundo da gaveta, com apenas algumas folhas grampeadas por cima cobrindo parte dele – o que deveria ser um novo contrato para Marinette que nunca pode ser entregue – a caixa vazia que um dia esteve o colar de coração especial.
Como tantas outras vezes ele a pegou, colocando sobre a mesa e abrindo. O book de um casamento que ninguém mais sabia ter acontecido.
“Sr e Sra Agreste
Uma vida de carinho e amor ao seu lado”
Pagina a pagina uma fase de suas imaginarias vidas passava diante de seus olhos através das fotografias, sem que percebesse os lábios do homem formavam um sorriso enquanto seu coração era abraçado pelo anseio e saudade.
Aonde quer que estivesse, ela estaria bem?
Eles teriam a perdoado, certo?
Se por acaso se encontrassem novamente conseguiria vê-la quando mais ninguém podia?
E se não pudesse, Marinette se aproximaria?
...Provavelmente não...
Ao final estava o envelope conhecido, Adrien o pegou ao final puxando a carta com as últimas palavras da cupido.
“Enquanto me trocava com a ajuda das funcionarias elas o elogiaram bastante, dizendo que tenho muita sorte de ter alguém como você na minha vida, mas confesso que pelo olhar delas e toda essa situação que você criou tenho a impressão que elas acham que irei morrer logo e por isso esta fazendo essas coisas por nós. Uma parte de mim acha isso engraçado enquanto outra lamenta não ser a verdade porque se fosse talvez teríamos mais dias restantes.
Hoje eu tenho certeza que estou em uma parte do seu coração assim como você esta no meu, mas não serei completamente egoísta pedindo que me mantenha eternamente ai, pelo contrário, espero sinceramente que possa amar alguém nesta vida.
Mas, se caso nos encontrarmos em outra vida, vamos ficar juntos?
Vamos nos amar como não podemos nessa.
Eu realmente gostei de ser uma Senhora Agreste”.
Ass: Marinette Agreste.
~*~
O coração de um humano às vezes pode ser tão inconstante e facilmente manipulado quando as linhas corretas são puxadas com a quantidade de força ideal, sem pressa, mas mantendo a resistência e a ilusão das escolhas da mente daquele ser.
Pensar que um amor às vezes poderia apenas ser calculado e manipulado era triste e, de certa forma Plagg agradecia o fato de cupidos não terem a noção de quem é a alma gêmea de quem. Os caminhos errados eram uma parte fundamental da vida de qualquer humano.
Cair e levantar.
Amar e perder.
Viver cada dia sem certezas absolutas, mas mantendo as espeças de que o amanhã sempre poderá ser melhor.
Tudo se resumia a uma vida humana.
— Você deveria tê-la impedido – era a sesta vez que ouvia as mesmas palavras de Tikki, provavelmente ainda ouviria uma vez mais.
— Você descobriu alguma coisa nova ou não? – questionou enquanto movia-se pelo grande local.
Diligente, não era uma palavra que poderia facilmente empregar em uma frase que se referia ao colega, todavia, por um tempo considerável a kwami vermelha assistiu enquanto Plagg movia-se entre as prateleiras altas demais para qualquer humano e extensas demais com viradas o suficiente para qualquer um que não fosse eles próprios se perder em um estalar de dedos.
Um carrinho seguia Plagg à medida que este se movia coletando pastas das prateleiras e deixando sobre para logo estar voando mais e mais para cima.
— Ainda não. O mestre não diz nada que não seja “isto não esta mais em nossas mãos”.
— Isso não surpreende.
— Ele não esta errado. Você sabe disso. Deveríamos parar agora, não há mais nada que possamos fazer por Marinette.
— Nem se quer sabemos aonde ela esta agora ou o que aconteceu com ela.
— Ela foi com a Divindade do Amor. O que quer que tenha acontecido já não é da nossa conta. Fizemos o que podíamos por ela, você mais do que devia ainda por cima – a kwami se aproximou do colega – Já chega, Plagg.
Os dois seres se fitaram por um longo tempo em silêncio até a vermelha se afastar partindo pela entrada que viera posteriormente deixando o ser na companhia da cupido que vinha a passos curtos e vagarosos
— Você estavam brigando de novo? – Alix questionou.
— Não da para fazer outra coisa com ela que não seja isso – resmungou puxando uma pasta na prateleira, abrindo e fechando logo, devolvendo ao mesmo lugar e voando mais acima fazendo o mesmo com outras pastas.
Em baixo Alix fitou o carrinho com algumas pastas lacradas. Era a terceira vez que via Plagg fazendo a mesma coisa, sem nem mesmo se importar em orientar o novo cupido que chegara deixando tudo nas mãos de Tikki.
Quando o kwami desceu com uma pasta deixando sobre a pilha ela indagou.
— O que esta fazendo? Não deveríamos estar tentando procurar a Marinette?
— Ninguém aqui quer saber o que aconteceu com ela depois que vocês voltaram e a Divindade do Amor veio busca-la – ele pousou sobre a pilha de pastas cruzando os pequenos braços – Não adianta insistir então só consigo pensar em uma maneira de tentar ajuda-la agora.
— Que seria?
— Pessoas são naturalmente pecadoras, talvez de para reforçar isso e pedir apoio.
— Você mesmo já disse que ninguém aqui se importa com ela.
— Os cupidos não, mas talvez consigamos fazer outro alguém se importar. Alguém forte o suficiente para brigar com a Divindade do Amor.
— Alguém se compadece por pecadores? – o semblante de Alix formou uma careta – Ainda uma que é insolente?
Plagg deu de ombros.
— Nunca se sabe. Pessoas podem ser confusas e surpreendentes, mas as divindades também.
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