Cupido Não

9 9 - Robin Hood


Notas iniciais
Olá, queridos! :3 Demorei demais? Bem, pretendia postar semana passada, mas infelizmente não deu. Por isso, quero me desculpar, mas espero que gostem! Quero muito agradecer a Jowlly por comentar no anterior e A change of heart por ter mandado review no capítulo um. Realmente me motivam demais para continuar essa fic. E também a quem acompanhou nesses tempos, apesar de não poder ver quem é. Muito obrigada mesmo por dar essa chance.

Capítulo nove

Robin Hood

“Uma vez ouvi um homem sábio dizer que não há homens perfeitos, apenas intenções perfeitas”

(Robin Hood)

— Realmente acha que eu já não sei disso? — Perguntou novamente por ter reagido apenas ficando de boca aberta, mas sem nada a acrescentar.

Botei as mãos em meu rosto, num gesto de pensamento, mas tudo o que vinha em minha mente era o que poderia ter provocado aquela enorme cicatriz. Um golpe de faca? E, aliás, quem teria feito isso com ele.

— Não precisa então brigar! Sem violência não terá mais esses cortes. — Comentei após ter passado o momento de choque. — Não precisa dar soco em qualquer um que entre em seu caminho, se fazer de valentão e ficar com essa cara feia a todo o instante.

Isso só serviu para dar um riso debochado, deixando a expressão sombria por um tempo. O que durou apenas segundos, para depois fechar o semblante novamente.

— Oh, Excelentíssima Senhora certinha, qual seria a sua grande solução para meu problema? — Sua frase estava tão carregada de enorme ironia ao ponto de se curvar, como se eu fosse uma rainha ou Deusa.

Do ponto de vista que se encontrava eu via seu cabelo preto de perto, suado e colado na testa por conta da briga que tivera há minutos atrás, o nariz um pouco inchado e com resquícios de sangue seco e o quanto respirava fundo. Talvez esteja se segurando para não se levantar e dar para trás, pois este seu ato feria todo seu orgulho, apesar de ser apenas um bônus em sua provocação. Até porque, nada parecia ser o cara sexy que toca o terror.

Quer saber? Ele merecia!

— Por que não tenta ignorar essas pessoas que procuram te irritar? Quem sabe vencê-los pelo diálogo? Mostrar que é melhor que eles. — “Experiência própria”, quase completei o conselho com essas palavras.

Ao levantar a cabeça em seus olhos eu não via a surpresa ou a consciência de que o tivesse salvado de sua escuridão. Nada mais passava de indiferença em qualquer parte do seu corpo.

— O que seria o bem sem o mal, Alis? Sem a guerra teria a evolução? A maioria das coisas úteis foram criados com algo que chocou. E é por isso que eu estou trazendo a violência, para mostrar o quanto essa escola tem uma segurança falha. Por exemplo, depois que me pegaram fumando e transando na aula de química, ela passou a ter câmera. — A princípio ficaria embasbacada e bateria palmas para todo o seu falatório, todavia por conhece-lo nesse tempo notei que não tinha emoção em seu tom de voz, como era de costume. Isso era pura e simplesmente um discurso decorado que preparou para esses momentos. — Viu? Sou ou não sou um Robin Hood da atualidade?

Aproximei-me dele devagar, encarando-o com firmeza e sem parar de mirá-lo por um segundo. A minha real intenção era fazê-lo dizer o que realmente queria para mim.

— Foi você quem realmente falou isso? Ou foi um texto da internet? — A reação para minha questão foi o total silêncio. — Acho muito mais belo quando vejo sinceridade. Que tal então se eu dar um desconto e fingirmos que toda aquela coisa de Yin Yang não aconteceu? Vamos, estou curiosa para saber a sua resposta.

Passos e mais passos dando voltas ao meu redor. A mão no queixo em uma tentativa vã de parecer intelectual, que apenas me davam mais medo a cada vez que o via na minha frente.

— Quer mesmo descobrir o que eu penso? Está preparada para isso? — Demorou tanto para começar a abrir a boca que até tomei um susto com sua voz. E de novo aquele Aidan sombrio voltou. Como o diabo estivesse entrando dentro de sua alma.

— Eu não sou covarde para dar para trás. Mas acho que é você o medroso aqui por ficar enrolando. — Na arte de subir no ponto fraco e fazer os outros desabafar eu sou mestre.

Vi o seu punho fechar e a vontade de me fazer uma de suas vítimas crescer dentro de si, mas ao invés disso o vi botando a mão no bolso e puxando um maço de cigarro. Antes que eu intervisse e jogasse na grama ele foi mais rápido, pegando em meu braço para me parar.

— Eu preciso disso. — Declarou, parecia bem nervoso em certo ponto. Via sua respiração alterada ao pegar a camiseta e colocar em si, sentando no banco como se não tivesse apressado e acendendo o cigarro antes de levar até seus lábios medianos e ressecados.

Aproveitei para ver o celular justo quando apitou, informando-me de uma novamente por parte da pessoa que gosto desde que me conheço por gente.

“O que está fazendo? Porque duvido estar melhor do que eu, por estar justo na fila para ver “Vivendo em perigo 5” com a namorada mais perfeita de todas.” — James

Bem aquele que sempre víamos apenas os dois para tirar sarro? Ou simplesmente para ver explosões e escapar dos problemas do lado de fora?

Só que eu realmente fiquei chocada quando vi duas fotos deles. Uma com os dois sorrindo, com o ingresso na mão. E a outro, essa que preferia não ter recebido, era de um beijo apaixonado compartilhado entre eles.

Não sei o porquê, mas nesse momento eu não me segurei e senti lágrimas se acumulando em meus olhos. Essas que não conseguiram simplesmente ficarem quietas, desobedecendo o meu mandado para não me mostrar fraca, e correram pela minha face.

Pela minha visão turva vi um tênis ao meu lado, no assento, e um certo alguém pegar o meu aparelho e digitar alguma coisa. Tapou meu olho, para que não pudesse ver onde estava e o interrompesse. Nem sequer deu tempo para notar se tinha largado o cigarro em algum lugar.

— Você, que vive como se participasse de um comercial de margarina, por ter pais que te acompanham, amigos que se preocupam contigo e é bondosa por ser a verdadeira conselheira do colégio. — Eu ia dizer alguma coisa. No passado, porque ele resolveu agora pôr a mão em minha boca. — Sem falar dos seus trabalhos sempre elogiados quando postados no mural e notas que não devem abaixar da média.

— Na verdade não é menor que 8,5. — Falei com certo esforço, esperando que me ouvisse.

— Nada disso importa, Alis. Não quando a realidade é que tudo em você grita hipocrisia! — Como se quisesse ver o circo pegar fogo me soltou, devolvendo o telefone e esperando para assistir de camarote a minha próxima ação.

Ele sabe o que significa?

— Está jogando verde, pois nem deve saber o que é isso. — Enxuguei meu rosto e cruzei minhas pernas, esperando-o conseguir me rebater enquanto guardava o objeto que me devolveu dentro da mochila.

Agarrou meu braço e me mandou levantar, assimilando-se com uma cena de ringue e eu fosse o inimigo que tanto queria enfrentar.

— Não me subestime! Apesar de sorrir o tempo todo na frente do loirinho perfeito, medir todas as suas palavras para que coloque ordem de uma maneira que não seja rude e seguir as regras, é infeliz. — Tive de cortar essa ladainha antes que fosse tarde demais.

— Para afirmar com tanta certeza que estou insatisfeita deve me conhecer desde que nasci pelo jeito, não apenas umas semanas, né? — Toma!

— Dizer que estudei contigo, não sempre na mesma turma, não conta para ti?

— Mas isso nem de longe é ser um amigo.

— Só que não é esse o ponto, o que queria dizer desde do começo é que cobrou por eu ter pego um texto da internet para fazer meu discurso sobre guerra, mas você é que parece um robô. As suas ações são para agradar os outros, não você, pois se amasse a si mesma e fizesse o que quisesse estaria lutando para ficar com o tal de James e destruído a rival, o que é definitivamente o contrário de chorar. — Falou, falou, falou, e me pegou de jeito. Não com seus gestos, tocando-me rudemente e beijando, todavia com palavras.

Ele poderia, sim, ter usado meu conselho para aniquilar os outros, porém não pensei que ia ser tão rápido assim. Só que apesar disso eu não esqueceria a sua impressão de mim, ou seja, mal amada, mentirosa e covarde.

— Chega! Não vou mais continuar ouvindo uma cara insensível e que não entende de amor como você. Vou é embora e procurar ficar o mais longe. — Comentei. Necessito urgente um sorvete, filme e minha cama, pois se ficar aqui desabarei na frente dele.

Só que ao dar a meia volta, senti a quentura de seu corpo me acalentar os braços me rodeando de uma forma nada sufocante. No fundo do meu coração torcia para que se desculpasse de suas asneiras.

— Não saia, quem deveria ter dado um fora no final era eu. Até porque sou o quebrador de corações daqui. — Sua brincadeira foi longe demais.

Apesar de muitas vezes esse seu jeito me fizesse dar algumas risadas, em outras eu tinha vontade de mata-lo, como nesse instante.

— É incrível o quanto consegue fazer comentários fora de hora. — Rebati.

— Eu treino no espelho justamente para isso. — Sarcasmo.

— Então me solte e aproveite para exercitar mais, até te empresto um para te ajudar. — Declarei, pegando o objeto espelhado e dando para ele após me obedecer.

Antes mesmo que pudesse sentir minha volta peguei a mochila e corri em direção ao portão, dirigindo-me a parada mais próxima. Nem sei como consegui me segurar, mas só após pegar o ônibus as lágrimas finalmente saíram.

O celular apitou e eu o segurei, respirando fundo antes de ler a mensagem.

“Está com ele de novo?” — James.

Não compreendi o que tinha questionado, até prestar atenção no que havia sido digitado antes. E apesar de ter colocado uma imagem que me deixou irritada, colocando o curativo nele em casa, que havia mandado para mim outro dia, sua resposta me deixou bem confusa.

“Prefiro muito mais ter momentos maravilhosos com a Alis. E, quer saber? Ela dá de dez a zero nessa sua namorada. Não concorda? Ainda mais por ser alguém que realmente pode te oferecer ajuda por estar machucado, mesmo depois de estar errado. Do gostoso, Aidan.”— Alexis.

O que tinha dito para o meu amado foi chocante, contudo no sentido positivo. E a minha dúvida brotou ao ler tudo antes de lembrar das suas acusações maldosas, que em nada combinavam com a doçura ao me citar no recado para o Cooper.

Todavia isso só me fez ter curiosidade e vontade de conhece-lo mais, descobrir quem é o verdadeiro Dan. O que briga, humilha e não se abala com nada? Ou aquele que ficou triste pela Emma e consegue escrever coisas lindas?

Notas finais
O que acharam do capítulo? Apesar do James não ter participado pessoalmente, ele contribuiu muito para ele, não acham? E da briga dos dois? Da mensagem (acharam verdadeira?)? A gif não é minha, se tiver erros podem me avisar. Também podem criticar, dizer o que está confuso, o que tinha que trabalhar mais, essas coisas. E, assim, posso dizer que vou amar demais se me darem sua opinião, pois contribui para que eu possa continuar e melhorar cada vez mais. Beijos e até a próxima.