Cupido Estúpido
18 Querido Ex
Notas iniciais

Dois meses atrás.
Minhas pernas mexiam- se constantemente, tremendo num ritmo que fazia o frio em minha barriga aumentar na mesma sincronia. Mas não era pelo gelo terrível que fazia naquela manhã, era pelo meu medo interno, o medo que eu avisara para Delly muito antes dela me enfiar nessa loucura que ela julgava necessária.
"Você é linda, solteira, de um corpo invejável e ainda insiste em trancar- se nesse maldito apartamento Katniss!". Ela dizia na minha direção, com a face vermelha como se desse uma bela bronca na filha mais nova, que deveria ser eu. Revirei os olhos. "Gale quase te chamou pra sair semana passada e você simplesmente o recusou! Como uma idiota, é claro!".
"Dave tinha a apresentação de teatro na mesma noite". Eu respondia com tédio. Mas do mesmo modo, Delly dizia- me que essas desculpas eram desnecessárias. Gale era meu colega de trabalho e merecia um mínimo de minha atenção, já que ele era um cara extremamente atraente, fora que, segundo ela, tinha uma queda por mim desde que entrei na empresa. Pensei em ignorá- la, principalmente quando minha amiga disse que eu poderia tê- lo levado no teatro também.
"Por que um cara iria querer passar o tempo com o filho da suposta pretendente?". Respondi depois aparentando estar cansada daquela conversa.
"Um cara esperto tentaria conquistar seu filho primeiramente, para depois chegar direto em você". Ela respondera tentando parecer mais inteligente. "Já cansei de te ver aí Katniss, apenas vivendo em função do trabalho e do filho!"
"Mas é o que eu devo e quero fazer! Não se meta nisso, por favor, Delly".
"Você sabe que não foi isso que escolheu por completo Kat... Você sabe que queria ter tempo para curtir, queria poder voltar a ter os simples prazeres da vida!". Delly parou a minha frente no sofá, olhando em meus olhos, como sempre fazia quando estava prestes a convencer alguém de suas ideias malucas.
"Eu tive essa oportunidade em anos e você sabe no que causou depois". Delly voltou a analisar, assentindo em seguida. Só que mesmo assim, parecia não ter desistido, criando um sorriso nos lábios logo em seguida.
"Então... Acho que com o Gale não há chances". Ela suspirou fundo, vendo que eu neguei em seguida confirmando sua afirmação de antes. "Mas... Há outros caras bem livres e que adorariam te conhecer!".
E foi assim que Delly acabou me convencendo a aparecer bem vestida, usando saltos maiores e mais chiques do que os que eu costumava usar e encarando a neve que Nova Iorque enfrentava em plena manhã. O dia ainda começava, tanto que poderia notar os diversos indivíduos que corriam em direção ao trabalho, alguns até berrando contra o celular e às vezes nem notavam minha presença, fazendo- me tentar desviar com o reflexo.
Pensei diversas vezes em voltar atrás, dizer a Delly que aquilo seria impossível, já que havia anos que eu não saía sozinha na companhia de um homem, a não ser que ele fosse Marvel, namorado da irmã, o que foi uma vez porque ele queria minha ajuda para comprar um presente de aniversário para ela. E ainda havia o Dave, mas ele só tinha 11 anos além de ser meu filho, então não era discutível.
Mas hoje seria o dia que eu veria alguém que não era de parentesco, alguém que muito menos eu havia conhecido antes. Era um desconhecido. Só que nas palavras de Delly, ele estava muito disposto a me conhecer além de ser um homem "charmoso, solteiro e responsável", que para ela era o suficiente para que eu pudesse aproveitar o resto do dia ao seu lado. Minhas pernas tremiam ainda mais ao pensar no que poderia acontecer nas próximas horas.
Tive a certeza de que não haveria volta no momento certo em que meu pé direito pisou para dentro da cafeteria combinada, enquanto eu mesma virava o rosto para todos os lugares possíveis, na tentativa de achar um cara de acordo com o que Delly informara. Não fora tão assim impossível, principalmente porque eu sabia que ele estaria na última mesa pela direita, quando avistei um homem vestido devidamente, com um terno simples e os cabelos meio loiros que brilhavam ao sol que entrava pela janela de vidro do estabelecimento.
Aquele deveria ser Finnick Odair.
Forcei um dos meus melhores sorrisos ao notar que ele levantara os olhos vidrados no celular, virando- os para mim enquanto eu me encaminhava até lá. Finnick imediatamente levantou- se tirando uma cadeira para que eu me sentasse para depois vir me cumprimentar com um beijo no rosto.
– Desculpe pelo atraso... Tive que vir andando até aqui, não há táxis mais disponíveis nessa cidade! — comentei quando o ouvi rir ao se sentar na cadeira da frente.
– Então por que não me avisou? Eu iria te buscar, não seria problema — pude ouvir pela primeira vez a voz de Finnick. Suas palavras eram com a plena certeza, seu sorriso totalmente proporcional e que faria qualquer uma ficar horas só para admirá- lo.
– Não tenho seu telefone.
– Ah... Esqueci disso — ele riu fazendo uma expressão de que deveria ser um idiota. Acompanhei seu pequeno riso — Mas então, Katniss... Acho que eu deveria perguntar sobre você primeiramente.
– Sem problemas, não quero falar de Delly e de como ela... — calei- me no segundo seguinte, agradecendo por Finnick não estar tão conectado com minha fala, pedindo algo para nosso café da manhã – Desculpe — pedi imediatamente, voltando a discursar — Sou Katniss Everdeen, vim do Texas, me mudei por questões pessoais e também porque trabalho numa empresa jornalística.
– Então é repórter? — ele perguntou com interesse.
– Não, eu não saio da empresa, trabalho mais na edição das notícias. Faço quase de tudo lá dentro para falar a verdade, talvez porque trabalho há muito tempo — dei um pequeno riso de mim mesma, dando ênfase no "muito tempo".
– Ah sim, eu também sou empresário. Meu pai é dono de uma vendedora de lojas de carros e eu cuido na maior parte do tempo... Delly deve ter te contado — assenti lembrando do enorme discurso que minha amiga fizera uma noite antes de mandar para este lugar. Não era possível esquecer o quanto ela dizia que Finnick era podre de rico e seu salário deveria valer uns dez do meu, por exagero, é claro.
– Você irá assumir a empresa?
– Sim... Quero dizer, é o que eu quero. Cresci em Nova Iorque, respiro tudo que tem por aqui, seria um absurdo se eu deixasse esse lugar e ainda mais meu pai — Finnick falou com um sorriso simpático gravado nos lábios bem esculturados.
– Falando assim eu que me sinto uma intrusa nesse lugar...
– Não mesmo, você vive por aqui desde muito tempo, certo?
– Vim quando estava fazendo 20 anos — acabei dizendo vendo- o abrir os lábios em surpresa.
– Mas...
– Eu tenho 27 anos — completei sua frase. Finnick imediatamente abriu uma expressão divertida e acomodou- se mais na cadeira, observando os nossos pedidos chegarem.
– Isso é muito tempo. Desnecessário se sentir como intrusa — comentou depois enquanto arrumava o próprio café com alguns cubos de açúcar. Fiz o mesmo, não abusando muito também ao tocar em alguns biscoitos ainda quentes — Hum... Você disse que veio por motivos pessoais. Seria atrevimento saber?
– Não, só... Vim por causa do meu ex — dei os ombros, mordendo um dos biscoitos.
– Ex namorado? — ele perguntou distraidamente — Nossa, então isso deve ter sido há muito tempo. Você realmente amou Nova Iorque!
– Na verdade ex- marido — corrigi enquanto levantava a cabeça na tentativa de avaliar sua próxima reação. Em parte eu tinha o receio de que a ideia de Delly fosse por água abaixo, até porque por enquanto Finnick parecera perfeito demais fisicamente. Ele sem dúvida teria problemas com um fracassado casamento — Estive casada por oito anos... E estou tentando o divórcio desde o ano passado. Espero que não seja um problema para você.
– Não mesmo! — Finnick tratou de defender- se no segundo seguinte — Só fiquei surpreso, vocês realmente foram prematuros.
– Pensei que Delly tinha comentado — franzi a testa.
– Na verdade ela disse que você tinha saído de um relacionamento há um ano e estava meio apavorada com essas novas ideias. Mas não tinha a ideia de que era algo tão grande.
– Ah sim, mas eu deixei Peeta há tanto tempo, ele só volta às vezes por causa do trabalho. Mal nos vemos, a não ser quando eu o procuro.
– Você o procura para o divórcio? — ele perguntou me vendo assentir imediatamente — Mas isso faz um ano, já deveria ter acabado, não?
– Se os dois estiverem de acordo com a separação, tudo ficaria mais fácil — comentei de boca para fora, lembrando das diversas vezes em que por um mínimo fio Peeta e eu não saímos no tapa por causa desses assuntos. Mas pela minha má sorte, ele ainda conseguia "arranjar mais um tempo", seja na companhia de Dave, enchendo- o de ideias ou aparecendo do nada para tentar voltar. Nenhuma delas fora suficiente.
– Então ele não desistiu? — Finnick perguntou receoso, vendo- me por último assentir também. Meus pensamentos continuavam a avisar que eu estava pondo tudo que Delly preparara na fogueira — Bom... Tudo bem Katniss. Eu vejo o quanto deve ser difícil, talvez você devesse conversar com ele mais vezes. Vejo que você realmente quer acabar com tudo isso.
– Você não conhece Peeta, ele é... Impossível — suspirei pesado. Finnick terminou sua refeição, seguido por mim. Relaxei na cadeira, o que não durou muito, já que logo meu celular vibrara na bolsa, fazendo- me não pular por muito pouco.
Pensei em parecer descontraída imaginando ser alguma das inúmeras ligações que alguém da empresa onde trabalho fazia ao longo do dia, já era rotina. Somente quando deduzi ser a voz de Greasy Sae, a nossa governanta e que por acaso cuidava de Dave quando eu não estava e ele estava sozinho no apartamento, avisando que o mesmo acordara com uma febre de quarenta graus, por motivos que ela nem entendia.
Assenti ainda preocupada, falando que em breve já estaria em casa. Greasy dizia desculpas por ter me interrompido, mas segundo suas palavras, Dave não conseguia engolir nada que ela oferecia, dizendo ter um dor terrível na garganta, além de ter me chamado diversas vezes. Assim que terminou, virei- me para Finnick que tinha uma expressão interrogatória.
– Oh mil desculpas! É que minha governanta acabou de ligar e parece que as coisas estão um caos lá em casa... Sinto muito, mas o Dave... — comecei me atropelando aos poucos nas próprias palavras, o que fez Finnick interromper- me imediatamente.
– Espera Katniss — ele disse segurando o riso — O que houve por lá? E quem é Dave?
– Ah... — paralisei por uns segundos, de certa forma agora eu tinha quase certeza do que viria em seguida — Não me diga que Delly também não tocou nesse assunto.
– Que assunto? — perguntou confuso.
– Oh Deus! Isso não está acontecendo! — coloquei uma mão sobre a testa, pensando em até jogar um xingamento para minha amiga.
– Acontecendo o que Katniss? Qual o problema?
– Bom... O Dave é... Ele é meu filho — soltei as palavras definitivas por fim, armando- me por dentro, imaginando o que ele diria. Uma mulher com um filho? Quem iria querer encarar isso tudo?
– Filho? — Finnick repetiu em forma de pergunta. Ele levantou uma das sobrancelhas enquanto eu gesticulava algo como "Tudo bem se não quiser encarar". Mas pelo contrário, ele apenas sorriu em minha direção — E como ele é?
– Dave? Bom, ele está para fazer doze anos, tem uma altura boa para sua idade além de o garoto mais doce que eu já conheci. E não é porque ele é meu filho — falei sorrindo sozinha.
– Dave é filho do... Seu ex marido? — Finnick hesitou em perguntar, mas apenas me viu assentir em resposta.
– Você quer vê- lo? — perguntei de repente, notando quando ele deu sinal positivo para que eu pegasse meu celular e lhe mostrasse a foto do pequeno garotinho loiro e de olhos cinzentos, como os meus. Finnick sorriu observando Dave vestido com uma das camisas de seu time preferido de futebol americano, em pé numa das arquibancadas esperando o jogo começar, enquanto sorria feliz para a câmera.
– Devo dizer que ele não parece muito com você — comentou depois.
– Não, ele lembra o pai, Dave é simplesmente Peeta quando era mais novo, exceto pelos olhos que são meus.
Finnick assentiu arrumando os botões do terno que estavam abertos. Em seguida, eu arrumei minhas coisas, colocando o casaco e dizendo qualquer coisa como ter adorado estar ali e que sentia muito por ter que despedir- me por causa de imprevistos. Finnick apenas aceitou, dizendo que iria pagar a conta. Mas antes disso, paramos um a frente do outro para dar as despedidas.
– Foi ótimo te conhecer Katniss... Espero te ver mais vezes — disse com seu famoso sorriso, depositando mais um beijo em minha bochecha. E eu, como seguiria os passos instrucionados por Delly, apenas completei sua ideia.
– Eu também.
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Uma semana antes.
Resmunguei baixinho enquanto notava que a campainha dava sinal naquela manhã de sábado, enquanto ouvia Dave gritar da cozinha já que dizia que sua visita finalmente havia chegado. Finnick riu ao meu lado do sofá, ainda com os braços enrolados em minha cintura, mantendo- nos presos um ao outro enquanto víamos algum filme qualquer que passava na televisão.
Durante todo esse tempo nossa quase relação ia avançando cada vez mais, um passo dado rapidamente e quando eu via, Finnick já passava bom tempo no meu apartamento. Pensei até que Dave se incomodaria, mas ele nunca fora de se importar para falar a verdade, ele e Finnick se davam bem em boa parte do tempo. Mas nada se comparava na relação que ele tinha com Peeta, até porque tinha que ser assim.
Finnick levantou do sofá com preguiça, indo em direção a porta para receber quem quer que fosse, para o ânimo de Dave na cozinha. Não reparei muito bem em quem seria, até notar a conhecida voz ecoando dali.
– Olá? O que deseja? — Finnick disse na maior educação. Tanta que me fez até rir de onde eu me encontrava.
– Er... O Dave está? — a pessoa falara, num tom bem conhecido, já que fez- me paralisar no sofá, ainda de costas. Podia imaginar até a face dele, a expressão confusa e cheia de desconfiança.
– Sim, irei chamá- lo. DAVE! — Finnick gritou ouvindo a voz de meu filho ecoar novamente, dizendo que estaria quase ali — E quem seria você?
– Peeta Mellark, o pai dele — Peeta dizia no se tom mais firme, autoritário. Eu imaginava o seu ódio interno nadar por suas veias, ele sabia o que estava acontecendo, Peeta sempre fora um homem desconfiado. Do outro lado, eu imaginava a figura parada de Finnick, surpresa.
Afinal, essa era a primeira vez que os dois se viam cara a cara.
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Minha atenção foi para Dave e em como ele corria mais uma vez eufórico em direção a porta do salão. Disso, eu já criava minha primeira noção sobre quem estaria prestes a chegar, confirmando essas concepções assim que o vulto masculino e de boa aparência atravessara por ali, carregando meu filho nos braços enquanto segurava um pacote de porte médio no outro.
Dave tinha um sorriso de orelha a orelha, agarrado no pescoço de Peeta que sorria virando o rosto por entre a multidão da festa. Meu filho apontara em minha direção, fazendo- me congelar e notar que dessa vez Peeta andava calmamente em minha direção, parando somente para deixar Dave no chão e me encarar por um tempo.
– Oi... Katniss — ele sempre dava essas pausas antes de pronunciar meu nome, talvez porque seu costume antes não era por me chamar assim, tão formalmente.
– Olá Peeta — forcei um sorriso olhando para Dave em seguida, no intuito de alisar seus cabelos mesmo com a figura de meu ex marido ainda congelado em minha frente.
– Hum... E aí campeão? Consegui trazer isso para você — ele disse depois de um tempo, atraindo a atenção de Dave para si.
Os olhos do meu filho brilharam só de ver o simples papel de embrulho que embalava o que Peeta deveria ter trazido de tão importante em seu aniversário. Devo dizer que até eu mesma ficara surpresa ao notar o tamanho do sorriso de Dave, agarrando a simples bola de futebol americano que parecia ser autografada pelos maiores jogadores do time pela qual ele torcia, inclusive o próprio Peeta.
Talvez fosse estranho pensar em como Dave não possuía algo como aquilo, já que o pai jogava naquele time e poderia dar o presente que ele quisesse. Mas a bola era o único objeto que meu filho dizia que faltava em sua coleção, já que tinha uma coleção de camisetas do time mais famoso de NY, todas assinadas além de uma que tinha "Mellark" juntamente com o número que ele jogava.
Para Dave, umas de suas maiores diversões era ver o pai treinar em campo, tanto que ele passava os fins de semana na companhia do mesmo, conhecendo os bastidores e virando o mascote do time, além de ter inúmeras fotos em seu quarto de todas as visitas e presentes que ganhara. Peeta ganhara uma vaga há dois anos no New York Jets, time pelo qual ele e toda sua família sempre adorara, levando nosso filho ao mesmo caminho.
Era incrível como ele não cansava de estar em campo jogando, já que desde sempre fora a sua única profissão. Peeta jogava desde os tempos de escola, quando começamos a namorar. Entretanto o destino fora traiçoeiro demais — ou até nós por não termos nos preocupado — trazendo Dave no meu quase último ano de ensino médio. Na época lembro- me de ver Peeta quase pirar, acordar com olheiras quando chegava para a escola, mesmo que eu soubesse que ele havia chorado escondido, a partir do momento que eu o contei sobre a gravidez prematura.
Peeta não sabia o que fazer, eu não sabia o que fazer. Conseguimos esconder por uns quatro meses, mas minha mãe era esperta demais ao notar a quantidade de vestidos largos que eu tentava usar para camuflar. A confusão foi maior no momento em que meu pai soube que sua "anjinha" tinha engravidado de um jogador qualquer da escola, o seu primeiro namorado. Dessa vez ele simplesmente tinha aberto a porta de casa, me mandando para fora sem pensar duas vezes.
Por sorte havia Peeta e o modo como ele sempre fora atencioso. Não que sua família apoiava, na verdade ele até trabalhara em algo que eu não me lembro, enquanto eu passava o tempo com sua mãe, seja ajudando- a ou recebendo seus cuidados. Eu amava Effie e amava o jeito como ela me tratava. Era como se não houvesse bebê, nem rejeição de meus pais ou sonhos destruídos já que não teria tempo de preparar- me para a faculdade. Mas eu não deixaria Peeta sofrer da mesma forma.
Por insistência, convenci- o de lutar pela bolsa do futebol e ele acabou conseguindo, nos fazendo mudar para Nova Iorque, que foi quando nos casamos. As coisas pareciam melhores quando Dave nasceu, o tempo passando e Peeta conseguindo mais sucesso no esporte, como queria. Só que ele passava tempo demais treinando ou viajando em jogos, tanto que às vezes passava semanas sem notícias ou chegava cansado demais para querer conversar algo.
Dave fez dez anos e eu aturava tudo aquilo, principalmente a falta de tempo que eu tinha ao lado do que eu chamava de marido. Até que chegou o dia que minha desconfiança aumentara, como uma mulher qualquer faria. Por impulso, gritei com Peeta enquanto exigia explicações por sua falta de atenção com a família ou se ele já teria arranjado outra. Tanto que por minha falta de paciência, ele até entrara na briga, gritando junto, dizendo que a vida profissional dele não era de interesse meu, que a escolha era própria dele, que tinha direito de fazer o que quisesse.
Eu sabia até quando ia a fama de Peeta, eu sabia de todo o assédio, do modo como jogadores famosos também tinham admiradoras. Foram diversas as vezes que ele recebia presentes e declarações de fãs que eu ignorava, mas com a distância que às vezes tínhamos era difícil de saber em tudo o que ele fazia. Controlá- lo era doentio, mas eu precisava, meu medo era maior. Mas a grosseria de Peeta foi maior, fazendo- nos ter a maior briga de todas, tanto que lembro- me de ouvir Dave trancar- se no quarto, com lágrimas, vendo Peeta e eu destruir alguns móveis com violência, aos gritos.
E depois disso eu apenas comprara um apartamento mais distante, carregando Dave do lado, deixando os armários vazios, somente com os pertences que eram de Peeta. Meu ex- marido ligara diversas vezes, procurara Delly, achara meu novo apartamento e implorava por tudo, dizendo que sabia estar errado e que não desejava ter gritado daquela forma. Mas era tarde para mim, minha mágoa fora maior. Eu agora exigia o divórcio.
– Você está linda — Peeta disse depois de um momento, assim que Dave deixara o local.
– Não faça isso.
– Estou só falando a verdade — completou decidido — Er... Cadê aquele cara que você anda saindo?
– O nome dele é Finnick — disse meio nervosa, vendo o modo como a pergunta dele saía com desprezo — E ele está conversando com Delly do outro lado.
– Você não me disse que estava saindo com ele.
– Desde quando devo satisfações a você? — perguntei rude mais uma vez. Peeta suspirou, colocando as mãos nos bolsos.
– Bom, nós ainda não nos divorciamos na lei. De certa forma você ainda é...
– Peeta eu não quero ser mais rude, só que, por favor, não quero que fique aqui para falar sobre essas coisas, certo? — observei sua expressão fechada — Sabemos que o que tinha já acabou há muito tempo e eu não quero discutir isso como criança. Você é grande o suficiente para saber o que aconteceu.
– Eu não queria... Eu não queria ter feito aquilo — disse num sussurro, me levando a uma face de tédio. Somente paralisei quando senti sua mão tocar em minha bochecha levemente, fazendo- me ficar atenta. Peeta agora olhava no fundo de meus olhos — Não queria ter gritado daquela forma... Não queria ter dito aquelas coisas.
– Sinto muito, já é tarde demais — ele desceu a mão delicadamente, como se perdesse mais uma vez as esperanças. Seus olhos azuis ficaram num tom cansado, me observando — É aniversário do seu filho Peeta, é melhor aproveitar essas horas com ele.
– Quero aproveitar com a minha família.
– Ele é sua família.
– Você também é — completou com a voz firme — Queria poder te ver mais vezes.
– Por favor, Peeta...- falei mais uma vez revirando os olhos, mas por fim, ele apenas assentiu dando um passo para trás.
– Vou procurar Dave, ele deve querer tirar fotos — assenti tímida, vendo o vulto dele sumir aos poucos, da mesma forma.
Minutos depois Finnick aparecera e voltamos numa conversa qualquer, ele me abraçando na maior parte do tempo ou até roubando-me um tímido beijo não notado pela maioria dos convidados. Eu não vi Peeta, somente no momento dos parabéns quando ele insistiu a ficar do lado de Dave, mal olhando em meu rosto para falar.
E disso eu já imaginava, ele tinha me observado o tempo todo ao lado de Finnick, eu podia dizer até seus pensamentos mais internos de ódio. Balancei a cabeça tentando a dizer a mim mesma que importa-me com ele não era mais tarefa a se fazer.
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Dia dos namorados.
– KATNISS! Ande logo com isso mulher!- Delly gritou do outro lado da porta, batendo com a mesma força contra a madeira.
Segundos depois eu soltara o cabelo de qualquer forma, deixando-os jogados pelos ombros e saindo de dentro do banheiro, para vê-la batendo um dos pés contra o chão enquanto cruzava os braços. Delly me avaliou por completo, dando sinal positivo para meu vestido azul no tamanho certo e meus saltos caros que havia ganhado dela. Sorri, dizendo que ela também estava perfeita.
Mais uma vez eu estava dentro de uma de suas loucuras, levando Finnick comigo também. A data já me fez pensar nele imediatamente, já que Delly arranjara ingressos para uma festa que ela dizia ser em algum lugar fino e de boa qualidade para irmos acompanhados. Eu sinceramente não fazia ideia, até notar que fui arrastada a um salão bem enfeitado e com uma música que tocava em alto volume, fazendo- me agarrar a Finnick.
O mesmo riu, nos levando para os fundos até arranjar uma mesa junto com Delly e Gloss, o tal novo namorado dela. Tive que dizer que passamos boa parte rindo e jogando conversa fora, ou até mesmo bebendo e no meu caso, recebendo beijos famintos de Finnick. Mantive- me assim até o momento que notei uma figura conhecida cruzar o espaço e parar diante nossa mesa, segurando uma garrafa de bebida alcoólica na mão direita.
– Peeta! Que surpresa! — Delly gritou abraçando-o em seguida. Depois, avaliou minha expressão paralisada e fechou-se também, voltando a ficar do lado de Gloss.
– Digo o mesmo sobre vocês, não sabia que viriam — falou me olhando com o canto de olho. Notei que até mesmo Finnick paralisara ao meu lado, mantendo uma mão em minha cintura- Se soubesse tinha ficado aqui junto de vocês.
– Ah... Mas...- Delly gesticulou como se apontasse para nós quatro. Mas pelo contrário, Peeta só deu um pequeno riso convencido.
– Isso não é o problema...Cashmere!- ele gritou acenando para uma garota que apenas correu até nossa mesma. Ela forçou um sorriso, cumprimentando cada um até que parou ao lado do Mellark, que tocou em seu braço. Delly abriu os lábios, mas não disse nada — Essa é Cashmere, nos conhecemos enquanto eu treinava há um tempo atrás.
Então era verdade. Ótimo, em certa parte eu sempre tive razão. Peeta sempre fora fechado demais para dizer algo, mas ali estava a prova.
– Cash? — minha surpresa foi maior assim que notei a voz de Finnick falar desta forma. Viramos o rosto em sua direção só que ele apenas levantou, indo ao encontro da loira — Nossa, quanto tempo!
– FINNY! — ela gritou da mesma forma, abraçando-o com vontade. Ficamos com a expressão vazia, até meio confusos com a situação presente.
– V... Você a conhece? — perguntei confusa.
– Claro, como iria me esquecer dela! — Finnick respondeu com um dos braços no ombro de Cashmere — Ela é minha mão direita na empresa.
– Finny adora puxar minha orelha todo dia... Cash faça isso, Cash faça aquilo, Cash precisamos que responda essas coisas... — ela o imitava fazendo o próprio Odair gargalhar. Em seguida encarei Peeta, vendo em como ele segurava o riso e tentava parecer surpreso também. Levantei decidida da mesa, arrumando o vestido e virando para Finnick.
– Finn, eu vou buscar uma bebida, vai querer também? — eu disse dando um passo para longe.
– Tudo bem, vai lá. Não vou querer nada por agora — respondeu num sorriso, deixando que eu fosse.
Seria bem mais fácil beber tranquilamente se eu deixasse de importar com todas aquelas coisas. E por cima ainda havia Dave, que por algum motivo deveria estar no apartamento de Peeta... Mas o maldito do meu ex-marido estava com uma vagabunda numa casa de festas. Xinguei-o de todas as formas mentalmente, enquanto empurrava alguma bebida qualquer para dentro de minha garganta, ainda sentada naquele banco em frente ao bar.
Cantarolei a música dos fundos baixinho, completamente perdida comigo mesma, notando um vulto sentar- se ao meu lado para tentar puxar conversa.
– O que faz aqui? Deveria estar com Dave! — o interroguei com a face brava. Peeta apenas deu os ombros.
– Sabe, eu até que fiquei com ele, jogamos vídeo game, assistimos lixo na televisão, comemos porcarias e eu estava pensando em levar ele para jogar futebol até que resolvi abrir a boca para perguntá-lo aonde você tinha ido para aparecer do nada na minha porta pedindo para que eu cuidasse do nosso filho hoje — Peeta começou sem me encarar diretamente, parecendo distraído — E Dave simplesmente me disse que você tinha saído com seu namoradinho de merda pra uma boate de merda e que ia passar a noite com ele.
– Dave não disse com essas palavras.
– Não, mas é o que eu acho — ele completou, agora meio nervoso. Isso me avisava que vinha merda em seguida, como se nunca tivéssemos brigado feio antes. Peeta balançou a cabeça em negação e me encarou finalmente — Uma coisa é você me deixar e tentar reconstruir a vida normalmente. Outra é você me tratar feio idiota!
– Eu não te trato feito idiota.
– Trata sim! — ele bateu uma das mãos na mesa, fazendo-me quase pular da cadeira para trás — Não acredito que você largou nosso filho pra sair com um empresário de merda!
– Melhor do que deixá-lo sozinho.
– Você o largou comigo! — protestou novamente — Isso é me tratar feito idiota! Jogar na minha cara que você fode com outro como se eu não tivesse consciência do que fiz!
– Peeta para já com isso, por favor! — pedi num tom de voz baixo — Greasy estava ocupada e não podia cuidar do Dave, então Delly me sugeriu você! Entenda: eu não quero me vingar em nada ok? Nada! Nós já resolvemos isso, tudo o que havia acabou!
– Isso não é verdade — ele disse como se fosse para si próprio — Você tem que entender que o que eu fiz...
– Já cansei dessas suas malditas desculpas, Peeta! Isso não vai adiantar nada, eu já disse — repeti quase nervosa.
– Eu nunca te traí, Katniss — Peeta disse num sussurro, aproximando seu rosto do meu — Se eu disse aquilo foi pela raiva da hora. Eu estava cansado, enjoado da pressão do time e você chegou jogando mil pedras em mim dizendo que eu não me importava com mais nada. Mas... Eu estava confuso! Era tanta coisa na minha cabeça que eu nem sabia no que pensar primeiro! Então eu dei a primeira reação... Joguei tudo pra fora, joguei meu cansaço e raiva pra cima de você e acabei falando aquelas coisas estúpidas.
– Acabou falando coisas que eu nunca imaginaria ouvir. Você me chamou de nomes que sempre jurara que Peeta Mellark nunca seria capaz. Você foi um estúpido — completei também num sussurro, notando o modo como o brilho dos olhos dele se perdia aos poucos, dando lugar a uma expressão triste e solitária — Por um momento eu... Eu jurava que você iria me bater.
– Eu sei — Peeta abaixou o rosto numa expressão cansada — Eu... Eu sinto muito Kat. Mas eu preciso que me perdoe.
– Isso não vai me fazer voltar atrás, Peeta — disse em seguida, pensando em levantar dali — Eu tenho muitos outros problemas para resolver.
– E eu tenho a sua solução.
– Qual?
– Fica comigo — Peeta disse em voz baixa novamente, agora decido a aproximar-se de mim definitivamente. Virei o rosto quando notei sua respiração bater em minha bochecha.
– Você é louco — ri sozinha tentando me afastar. Mas como sempre, aquele frio na barriga ameaçava e eu continuava presa ali com Peeta.
– Louco por você — ele completou, vendo-me corar.
Ótimo, Peeta e suas malditas decisões. Ele sabia muito bem como me ter em suas mãos, sabia praticamente tudo sobre mim. Mas eu era insistente demais para deixá-lo avançar assim, tão de repente. Fora que Finnick estava a poucos metros de nós, por sorte meio bêbado, rindo ao lado da tal Cashmere e ainda fora do nosso campo de visão, dando-me um alívio por ele não ter que ver isso.
– Não faça isso Peeta — voltei com o sussurro, ameaçando mais uma vez levantar- me dali. Só que Peeta tocou em meu braço me impedindo.
– Não vá... Não de novo — ele implorou com aquela maldita expressão arrependida. Meu subconsciente continuava dizendo para acreditar naquelas palavras.
– Onde está Dave? — mudei de assunto balançando a cabeça.
– Não muda de assunto.
– Me fale onde ele está ou eu vou embora daqui — ameacei mais uma vez dar o fora dali, somente por precaução, ainda olhando ao redor para descobrir se estávamos sendo vigiados.
– Aquele cara não vai nos achar aqui, ele está tão bêbado que nem consegue levantar um dedo — Peeta leu meus pensamentos.
– Onde. Está. Dave?
– No meu apartamento, com o meu segurança. Deixei os dois lá, mas Dave já estava dormindo quando saí — Peeta respondeu finalmente — Fora que ele já é um garoto grandinho, sabe ficar sozinho.
– Você não convive com ele para dizer isso — eu disse rude.
– Porque você não me permite — respondeu da mesma forma — Sabe que foi quase impossível você me deixar vê-lo depois que me abandonou.
– Dave ficou assustado depois daquele dia... Mas ele te adora — falei olhando para as minhas próprias mãos. Podia jurar que Peeta havia sorrido, tanto que acabou tocando em minha bochecha e deixando os dedos vagarem por ali.
– Você fica cada vez mais linda — ele comentou em seguida — Gosto de te ver corada.
– Você sempre fez isso — Peeta riu chegando ainda mais perto, mas eu novamente virava o rosto por segurança. E ele, bufava como se quisesse resmungar em voz alta — Alguém pode nos ver.
– Não vai, quando eu saí daquela mesa o seu namoradinho estava bem distraído com Cashmere. Eles se conhecem, você sabe — comentou com sorriso misterioso — Mas também, não há problema alguém nos ver, porque você é minha.
O modo como ele falava "minha" fazia toda minha espinhar arrepiar-se com vontade. O efeito que Peeta tivera desde sempre era inexplicável, o poder que ele possuía era algo que eu nunca pudera lutar contra. Uma parte de mim realmente fora dele e sempre seria, estávamos marcados apesar da minha insistência, mas eu estava disposta a esquecê-lo de uma vez por todas.
– Eu não posso — falei para a revolta dele. Mas Peeta não pareceu desistir, agarrando minha cintura com força. Suspirei alto em surpresa.
– Vê isso? — Peeta sussurrou contra a pele do meu pescoço, passando o nariz delicadamente numa espécie de tortura. Uma de suas mãos desceram de minha cintura para minha coxa esquerda, apertando-a com força. Suspirei tentando esconder o que viria depois — Não resista Katniss, diga para si mesma que quer isso.
– Mas eu não posso — gemi em pedido.
– Descanse a mente e pense em seus verdadeiros sentimentos — sussurrou novamente, agora distribuindo beijos quentes na pele do meu pescoço. Senti aquela região queimar, fazendo-me fechar os olhos — Diga que me quer.
– Eu não posso — resmunguei como uma criança, abrindo os olhos num susto, quando Peeta chupou com força aquela região que queimava — Maldito. Eu não te suporto.
– E eu te amo — disse calmo, o que me fez gemer baixo fechando os olhos novamente. Pude jurar que Peeta sorriu contra minha pele — O que você sente?
– Que eu vou morrer aqui mesmo — murmurei quando ele levantou a face e me avaliou, notando meus olhos fechados. Ouvi sua risada baixa e depois um pequeno beijo doce foi depositado em meus lábios.
– Quer ir embora daqui comigo? — falou de repente, com um sorriso nos lábios. Fiz uma expressão surpresa e o observei por um momento, sem reação nenhuma. Peeta apenas riu baixo e pegou em uma de minhas mãos — Não vou te deixar voltar para aquele cara.
– Aquele cara é meu... Quase namorado.
– E eu sou o homem que você ama — Peeta interrompeu chegando perto mais uma vez — Não minta para si mesma Katniss, isso só doerá mais porque eu não vou desistir. Você é minha e não te deixar ir embora de novo.
– Você está com Cashmere.
– E você era mais inteligente quando estávamos juntos — Peeta falou divertido, balançando a cabeça. Juro que meus lábios abriram surpresos e meus olhos o encararam sem reação, somente sem acreditar no que ele dissera. Ele era esperto o suficiente para trazer uma "estranha" até ali dizendo que estava saindo com ela, mas na verdade sabia o tempo inteiro que a "Cash" era uma secretária de Finnick. Neguei imediatamente segurando o riso.
– Eu te odeio — disse ouvindo sua risada finalmente. Os lábios de Peeta estavam a milímetros dos meus, me dando aquela insegurança de botar tudo na fogueira se Finnick aparecesse — Não acredito que fez isso.
– Eu precisava falar com você... A sós.
– Vou procurar Finnick — balancei a cabeça, mas era impossível sair dali com Peeta me prendendo perto de si.
– Deixa ele se divertir — ele disse alisando meus cabelos. Mas por dentro eu sabia que Peeta estava se contendo para não xingar Finnick das piores coisas e ainda que ele nunca me trairia com uma secretária. Só que Peeta queria me iludir a ficar ali presa em sua companhia — Eu te levo para casa.
– Não vou sozinha com você.
– Eu te beijei há minutos e você estava quase dizendo o contrário — Peeta pressionou me fazendo o encarar — Já disse que isso não adianta, não vou desistir. Vou te levar embora daqui e te mostrar que estou disposto a qualquer coisa por você.
– Peeta, por favor... — meus pedidos foram em vão, principalmente quando ele agarrou meus lábios com uma velocidade que somente Peeta faria. O modo como ele me deixava presa ali era possessivo, o que me fez amolecer em seus braços.
Abri os lábios devagar deixando-o entrar com a língua e nisso, entramos numa batalha quase infinita. Peeta colocou uma de suas mãos em minha nuca e aprofundou o beijo, mas agora de uma forma devagar. Eu poderia dizer que era até... Apaixonada. Senti lágrimas nascerem em meus olhos quando notava a forma como ele se rendia a mim, mostrando num simples beijo o quanto estava arrependido.
Segurei o choro dando-lhe um selinho demorado e afastando em seguida. Peeta me olhou confuso, sem me soltar.
– Katniss... — ele começou a murmurar, quando eu o calei com um dedo em seus lábios.
– Vamos embora daqui — falei num sussurro, dando-lhe um último beijo. Peeta ficou parado prestes a sorrir, mas apenas se levantou e segurou minha mão, tirando-me dali por fim.
Mal notei o momento quando os pneus do carro de Peeta pararam de cantar quando chegaram de frente ao meu conhecido prédio. Eu poderia jurar que minha mente rodava, mas eu estava consciente do que realmente fazia dali em diante. Senti a mão dele passear em minha coxa enquanto entrávamos no estacionamento, depois o modo como ele saíra do automóvel e me tirara dali, nos arrastando para o elevador.
Durara uma eternidade o caminho até o andar certo e a chegada a minha porta, mesmo com Peeta agarrando minha cintura e às vezes depositando beijos por qualquer pedaço de pele minha que parava em sua frente. Procurei as chaves com pressa ouvindo seu riso abafado em meu pescoço, Peeta ainda me abraçando por trás e deixando as coisas mais difíceis na minha procura.
Tive problemas com o objeto, com certo receio de que algum maldito vizinho notasse a tortura que Peeta fazia em meu pescoço, com beijos praticamente obsceno. Agradeci mentalmente quando entramos no apartamento com pressa, eu trancando a porta em seguida e jogando minha bolsa com tudo para o alto. Peeta me observou parando em seguida, ainda dentro do escuro de onde estávamos.
– Seu celular — ele apontou para o aparelho, fazendo- me pular. Avaliei o visor para ver o nome de Finnick piscar ali, mas apenas desliguei-o imediatamente, para que aquilo não nos incomodasse depois.
– Problema resolvido — respondi notando Peeta sorrir de orelha a orelha e aproximar com rapidez. Meu corpo foi empurrado contra a parede e por instinto, entrelacei as pernas em sua cintura, deixando que ele me sustentasse por um tempo.
Nem me dei ao trabalho de ligar a luz, mesmo que as janelas do apartamento deixassem que uma certa claridade passasse por ali, me deixando observar os tão conhecidos traços de Peeta. Ele me beijou apaixonadamente novamente enquanto vagava com as mãos pelas minhas coxas e costas, apertando aonde podia. Gemi baixo notando seu riso, grudando nossos lábios mais uma vez.
– Katniss... Não sabe o quanto sentia sua falta — ele sussurrou mordendo meu pescoço. Arrepiei novamente e agarrei suas mechas de cabelo com os dedos, sentindo os cachos sendo desmanchados aos poucos.
– Eu também — murmurei de volta, pegando-o pelo queixo e lhe dando um beijo da mesma forma que ele me dera. Peeta sorriu sobre meus lábios e em seguida subiu uma das mãos ao meu seio, apertando-o com vontade.
Senti uma das alças do vestido ser abaixada e em seguida os lábios de Peeta já estavam ali, queimando aquele simples pedaço de pele. Enrolei ainda mais minhas pernas em sua cintura como se nunca quisesse sair dali, sentindo somente o modo como ele podia me levar ao céu com um toque que somente Peeta Mellark era capaz de fazer. Sorri puxando sua jaqueta para fora de seu corpo, coisa que ele fez imediatamente.
Notei somente quando minha peça de roupa estava totalmente largada no chão e suas mãos ágeis já trabalhavam em tirar o maldito sutiã que eu usava. Ri de sua pressa tirando por sozinha, enquanto ele escorregava a peça calmamente por meus ombros olhando-me em cada movimento que fazia. Eu poderia jurar que teria um orgasmo só por ver o modo como ele me admirava com aquele maldito brilho nos olhos.
– Você é perfeita — Peeta dizia virando para meu rosto. Corei como sempre, agarrando seus lábios com amor. Por fim, apenas agarrei a barra de sua camisa e a joguei fora, indo parar do lado do vestido abandonado.
– Odeio que me faça corar — falei também, passeando as mãos por seu tronco ainda mais definido como antes, os músculos contraindo-se enquanto eu insistia em passar as unhas com vontade ali, principalmente por causa de sua tortura contra meu seio direito, enquanto sua mão parava no esquerdo.
– Eu prometo que vou ser melhor Katniss, eu prometo que não serei estúpido como daquela vez — Peeta murmurou contra minha pele. Busquei seus lábios e lhe dei um grande beijo, acariciando seu rosto, que o fez sorrir, mesmo estando triste pelas lembranças.
– Não adianta me magoar diversas vezes... Você sabe que sempre será perfeito, que eu sempre irei me render, como agora — respondi o que estava preso em minha garganta por tanto tempo.
Peeta forçou seu quadril contra o meu, fazendo-nos rugir um ao nome do outro. Agora sim eu havia esqueci-me de meu próprio nome, querendo apenas que ele continuasse ali, para sempre, não importa o quanto eu poderia arrepender ou querer-me fazer de difícil pela manhã. Porque quando se trata de Peeta Mellark, eu sou apenas a Katniss Everdeen que apaixonou-se por aquele desejável jogador da escola, aquela garota que conseguiu tê-lo para si durante anos, tornando-nos um só. E, mesmo pelos obstáculos, Peeta sempre esteve ali, seja chorando ao meu lado, rindo ou até mesmo brigando.
Nós destruímos móveis, machucamos os sentimentos de Dave, desconfiamos, enfrentamos a família, gritamos um com o outro, separamos, mas principalmente... Destruímos um ao outro. E agora seria a hora de voltar atrás de alguma forma. Seja conversando ou matando a sede, como fazíamos nesse momento. Abaixei minhas mãos em busca do botão da calça de Peeta, alcançando e jogando mais uma peça ao chão, para tentar admirá-lo somente com a boxer que usava.
Ri baixo em seu ombro, notando em como o suor nascia cada vez mais em nossa pele, como o contato peito a peito que tínhamos era mais do que prazeroso. Distribuí beijos famintos em seu pescoço, ou até mesmo mordidas, somente para notar em como Peeta murmurava meu nome com mais força, afundando os dedos em minha cintura.
– Eu quero você... Agora — por fim eu mesma disse em seu ouvido, adivinhando ao notar que ele fechou os olhos e suspirou.
– Vamos com calma, ainda temos a noite toda — Peeta respondera no mesmo sussurro, beijando meu queixo — Não vou fazer amor com você numa parede.
– Última porta do corredor — apontei na direção certa, sabendo que Peeta nunca estivera tão íntimo em meu apartamento. No máximo ele fora até o quarto de Dave, mesmo que tivesse outros cômodos de quando Delly iria passar a noite ali ou algum outro familiar meu. Mas eu nunca tinha o levado até meu quarto.
Peeta avançou pelo corredor sem tirar seus lábios do meu, ainda subindo uma mão pelo meu abdômen até poder massagear meu seio. Gemi seu nome enquanto enfiava meu rosto em seu pescoço, afundando minhas unhas na pele das costas definidas dele. Senti-me sendo afundada na minha própria cama larga, já que meu quarto ainda era o maior de todo o lugar. Peeta mantivera-se por cima, sem tirar seus olhos dos meus.
– Vem aqui — falei puxando-o pelo quadril. Beijei seus lábios com violência mais uma vez, tentando mais contato com seu corpo, mas Peeta apenas afastou-se.
– Preciso ir com calma amor — ele disse em seguida, soltando um arrepio por parte minha, já que fazia um ano que ele me chamara por outro nome, sem ser Katniss. Desde nossa separação eu sabia que Peeta tentava ao máximo não falar essas palavras.
Seus lábios mais uma vez desceram aos meus seios e eu deixei que ele praticasse a tortura, sentindo como Peeta passava as mãos por cada parte de meu corpo, como se estivesse conhecendo-o pela primeira vez. Gotas de suor saíam pelas minhas costas e minha pele queimou com os beijos que ele agora descia por minha barriga, até chegar ao umbigo.
Peeta riu ali quando sentiu que eu achava a área sensível a cócegas, levando suas mãos, cada uma de um lado de minha calcinha, para descê-la lentamente, num ritmo torturante. Continuei de olhos fechados, deixando- o escorregar a peça por minhas pernas e depois voltar para cima de mim, só que agora com as mãos segurando minhas coxas com firmeza.
– Tente não mexer — ele dissera antes de colocar a própria cabeça por entre minhas pernas. Era quase impossível não me manter totalmente paralisada, não quando se tem Peeta passando a língua em uma área que sempre fora tão sensível.
Por instinto pensei em fechar as pernas, mas Peeta continuava segurando-as com força, me mantendo ali com sua tortura. Eu sentia aos poucos que minha chegada ao ponto máximo estava por vir, mas minha única reação foi novamente acariciar seus cabelos e controlar-me para não gritar, deixando que o ponto de prazer fosse alcançado. Mas Peeta, ao notar isso, levantou a cabeça e voltou a subir os beijos por minha barriga, passando pelo vale entre os seios e chegando ao pescoço.
– Mas o que... — pensei em perguntar o que era aquilo, inquieta por ele ter parado antes.
– Você só vai gozar quando eu estiver dentro de você — Peeta completou a frase beijando meus lábios novamente.
– Então esteja — murmurei em seus lábios. Peeta gemeu e agarrou com força minha cintura, puxando-me contra ele, tanto que notei o quanto ele estava excitado desde muito tempo.
Coloquei minhas mãos ao redor da barra de sua última peça de roupa e fiz a mesma coisa de antes, descendo- a até que Peeta terminasse o trabalho de jogá-la fora. Minha mente rodou ao imaginar o quanto eu poderia torturá-lo agora, virá-lo para me deixar por cima e fazer da mesma forma que ele fizera, mas minha vontade de tê-lo só para mim era maior.
Relaxei nos travesseiros e o avisei sobre o anticoncepcional que eu tomava regularmente, fazendo-o assentir e posicionar-se em mim para que eu pudesse sentir aquele perfume masculino que eu tanto sentia falta, que eu tanto desejava e que pertencia somente a mim, sempre.
– Eu te amo — foi a única coisa que Peeta murmurara antes de afundar-se dentro de mim, arrancando um gemido nada discreto de nós dois.
Pensei em falar o mesmo pela emoção do momento, mas depois acabei por esquecer, principalmente pela rapidez com que Peeta saíra e entrara novamente, chegando ainda mais fundo. "Ele me ama" — minha mente avisava. "Ele me ama e nunca deixará de amar". Busquei os lábios dele mais uma vez e Peeta moveu-se em sincronia, como se já conhecemos os passos desde sempre.
Isso porque pertencemos um ao outro. Mais uma vez gemi seu nome e o ouvi murmurar que eu era dele, somente dele. A posse sempre tomava conta de Peeta, ele sempre fora assim em relação a mim. E mesmo diante de seus defeitos, eu não poderia negar, eu realmente era dele e não havia volta. O modo como meu corpo reagia, como eu me deixava ser influenciada e amada por ele, porque somente Peeta conseguia fazer isso desde sempre, porque ele já havia marcado presença.
Senti o orgasmo chegar e liberei todo o prazer ali, dizendo seu nome mais uma vez com um sorriso apaixonado, enquanto alisava seus cabelos. Peeta esteve nisso depois, dizendo que me amava como sempre. Senti que seu corpo tremeu e logo em seguida ele parou, com o rosto enterrado em meu pescoço. Aos poucos Peeta estava de volta, retirando-se de dentro de mim e deixando-nos sem o contato corpo a corpo. Segundos depois ele me puxara pela cintura, me deixando repousada em seu peito, nossas respirações pesadas e Peeta mantendo- se de olhos fechados.
– Eu não quero que isso acabe — ele sussurrou quando notou que eu acariciava-lhe o rosto, encarando o mesmo. Notei seus traços e sorri, sentindo a mão de Peeta chegar em minhas costas e passear por ali.
– Nem eu — falei também, vendo-o sorrir em resposta.
– É fácil, fica comigo — Peeta dizia tranquilamente, como se realmente fosse fácil. Encostei, por fim, a cabeça no travesseiro, ficando com a face diretamente virada para a dele.
– Queria que fosse tão fácil assim.
– Nós passamos por coisas muito mais difíceis, coisas que de alguma forma sempre resolvíamos — ele murmurou em seguida — Não importa o quanto negue, sempre vamos pertencer um ao outro.
– Foi o que eu pensei — eu disse num sussurro, como se fosse até para mim mesma. Peeta passou os dedos entre as mechas de meu cabelo e manteve-se em silêncio por um tempo, enquanto nos olhávamos sem saber o que falar de certo.
– Eu não quero ser idiota Katniss — Peeta acabou por falar, atraindo a minha atenção — Não quero continuar dizendo o quanto te amo e o quanto te quero de volta sabendo que você logo irá dizer algo como não pode voltar atrás. Você primeiramente precisa se libertar para seus verdadeiros sentimentos.
– Eu não quero te magoar.
– Você me magoa no segundo em que mente para si mesma — pressionou ainda sem deixar o contato visual. Eu bem que queria pará-lo com um beijo e dizer para que voltássemos a dormir, preocupássemos somente com o amanhã. Só que Peeta não estava disposto a calar — Pare de se colocar nessa tortura amor, pare de se colocar numa ilusão. Você sabe qual é a saída.
"Pare de se colocar nessa tortura "..."Pare de se colocar nessa tortura ". Peeta tinha a total razão, ele era certo, ele era o único que poderia me colocar no caminho que eu deveria seguir. Se Delly fez algo de errado? Não, ela apenas tentou arranjar um modo de não me ver mais sofrer, de não notar mais minha expressão cansada e solitária. Mas Delly não sabia que só havia um remédio para fazer a velha Katniss Everdeen estar de volta.
Toquei mais uma vez a face de Peeta e suspirei, observando-o fechar os olhos para receber o carinho.
– No nosso último dia dos namorados você me deu um carro — eu disse descontraída, ouvindo sua risada seguinte, mesmo que Peeta estivesse de olhos fechados.
– E você o abandonou na nossa casa quando foi embora... Pensei que quisesse ficar com ele — ele completou abrindo os olhos. Neguei com a cabeça em relação a sua afirmação.
– Só levei minhas roupas e as de Dave porque não queria lembranças suas... Isso doía — murmurei. Peeta suspirou também aumentando a viagem que faziam com os dedos em minhas costas — Não queria me lembrar de você porque sabia que se isso acontecesse, eu voltaria atrás.
– Você formou uma batalha dentro de si mesma — ele completou meu pensamento, fazendo- me assenti r- Então você... Ainda me ama?
Essa era a pergunta que ele queria ter feito por todo esse tempo. Eu o amava? Mesmo depois de tudo? Mesmo vendo-o gritar daquela forma e depois voltar com suas desculpas? Mesmo me rendendo a ele e dizendo que ele seria meu único remédio? Por fim, respondi:
– Sempre — vi quando os olhos de Peeta tomaram um brilho diferente, aquele famoso em toda vez que eu lhe falava algo que faria seu coração pular. Meu corpo foi pressionado contra o colchão mais uma vez, enquanto Peeta alcançava meus lábios novamente num beijo quase infinito, somente nosso.
Entrelacei meus braços em seu pescoço e deixei-me levar, deixei-me ser amada pelo homem que tomava todos os meus sentidos. Era dia dos namorados, que se dane. Era o nosso dia. Assim como muitos outros.
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Uma semana depois.
– Bom dia Finnick — eu disse com a expressão cansada, esfregando os olhos após ter acabado de acordar de um sono profundo. Entrei na cozinha e lá estava o vulto do cara que eu já chamei de namorado, mas que não me fez estranhar já que o mesmo tinha as chaves do apartamento.
– Bom dia Katniss — ele disse numa dureza que me fez parar ali mesmo. Franzi a testa aproximando-me da bancada, quase de frente para ele.
Assim que fiz isso, notei um barulho conhecido e olhei para a direção que vinha, vendo essas mesmas chaves escorregarem pela pedra da bancada, com um Finnick quase estático. Olhei-o confusa e peguei os objetos, com uma expressão que pedia por respostas da parte dele.
– Olha, eu vou ser direto Katniss — Finnick continuou — Juro que tentei fazer de tudo, eu até pensei que isso estava no caminho certo. Eu simplesmente te adorava, amava o modo como você mantinha essa vida corrida e ainda tinha um amor incondicional por todos a sua volta. E eu tinha quase certeza que eu poderia ser um desses, estava disposto a te conquistar.
– Finnick, eu... — tentei arranjar desculpas mesmo uma semana depois. Droga, Delly deveria ter contado, até porque, claro ela descobrira tudo no dia seguinte.
Eu não via Peeta desde então. Não que eu não quisesse, era porque decidimos ficar nessa distância até que eu conseguisse pensar em tudo e consertar os mínimos erros, já que para Dave isso seria um grande choque, ver os pais brigarem feio e depois voltarem num piscar de olhos. Ainda mais com Finnick ali, eu não poderia fazer isso com ele.
Peeta pensou em protestar, mas aceitara minha proposta, dando-me uma semana para voltar e dar-lhe a resposta. Mas até então eu não criara coragem para chegar em Finnick e contar o que aconteceu, mesmo que agora ele aparentemente soubesse de tudo.
– Não, Katniss — Finnick me interrompeu novamente — Eu já sei de tudo, não se preocupe. Eu sei o modo como aquele cara te olha, eu vejo o modo como ele praticamente a adora. E também sei que ele seguia seus passos o tempo inteiro, mesmo que você tentasse ignorá-lo.
– Sinto muito Finnick — foi a única expressão que eu conseguira soltar em resposta. Finnick suspirou e voltar a discursar.
– Mas eu também sei que você não o esqueceu — disse firme, vendo como eu ainda segurava as lágrimas — Que não adianta quantas vezes ele voltar, você sempre vai ouvi-lo e estar ligada a ele. Seja pelo Dave, pelo divórcio ou até mesmo por que... Porque você não o esqueceu.
– Eu gosto de você Finn.
– Você disse a palavra certa, você gosta de mim — ele completou mais uma vez, levantando-se da cadeira onde estava — Mas você o ama. Por isso acho que deveria repensar sobre a separação.
– Eu ia te contar — disse num sussurro, tentando não acordar Dave, que ainda dormia no quarto já que era bem cedo.
– Eu já havia percebido, só precisava convencer a mim mesmo — Finnick aproximou com cuidado, olhando-me por uma última vez e depositando um longo beijo em minha testa. Uma lágrima grossa desceu pela minha bochecha, enquanto um certo arrependimento insistia em tomar conta.
Eu o traí. Eu traí Finnick. Mesmo que fosse com o homem que eu amava, eu havia traído outro que eu gostava muito.
– Adorei te conhecer — ele disse por fim, deixando seu rastro de perfume masculino passar por todo o apartamento e sumir silenciosamente. Outra lágrima desceu e eu limpei meu rosto com força, levando para dentro toda essa franqueza.
– Eu também — murmurei baixo, sabendo que ele já tinha desaparecido. Para sempre.
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De longe notei as duas figuras masculinas que eu tanto conhecia, movimentarem-se entre o enorme campo gramado que se encontravam. Sorri solitária, observando- os correr e gargalharem, enquanto brincavam num jogo somente deles. Dave tinha a bola na mão e corria, já Peeta ficava atrás fingindo que estava perdendo, porque sem dúvida teria muito mais força que o filho.
Os dois se encontravam durante o treinamento do time de Peeta, que dessa vez estava finalmente em casa para poder preparar para o campeonato. Só que já havia chegado o intervalo e mesmo assim, Dave insistira a ficar ali, fazendo Peeta entrar em seu jogo e os dois ficarem sozinhos no gramado, enquanto o resto do time ia para o vestiário trocar-se. Mas eles não sabiam da minha presença, principalmente porque eu estava a metros de distância e nunca me veriam ali escondida.
Peeta não estava vestido com as verdadeiras roupas que o esporte pedia, apenas com uma bermuda larga juntamente com a camisa e um tênis, assim como Dave. Os dois pareciam idênticos até de longe, uma cópia adulta e a outra criança. Ri sozinha no momento em que Peeta segurara Dave pelas costas, mantendo-o preso a si. Meu filho gargalhou alto quando o pai resolveu-lhe dar cócegas no abdômen.
– PAI! EU JÁ SOU UM HOMEM, NÃO ME TRATE ASSIM! — Dave gritou entre as gargalhadas. Depois, Peeta o largou de volta ao chão e franziu a testa.
– Como é? — ele perguntou.
– Já sou um homem e jogo bem melhor que você!
– Já foi campeão de alguma temporada de jogos? — Peeta voltou a perguntar divertido, vendo quando Dave negou com a cabeça, fechando a expressão — Então acho que não ganha do galã daqui.
– Isso é injusto! Eu corro mais rápido, você só tem mais força — Peeta riu alto tomando a bola das mãos de Dave numa surpresa. Nosso filho resmungou e partiu para cima do pai, enquanto os dois entravam numa batalha divertida.
Ri novamente solitária e dei um passo para frente. Aquela seria a hora. A hora em que eu deixaria de ser tão covarde e encararia o que estava diante meu nariz.
– Dave tem razão, ele consegue correr bem mais rápido — adentrei na parte gramada e gritei a frase, atraindo a atenção dos dois para mim. Peeta me olhou confuso e soltou a bola nas mãos de Dave — Mas nada se compara a coleção de prêmios que Peeta tem ao longo desses anos.
– Viu só campeão? Ouça a sua mãe — ele disse abrindo um sorriso de orelha a orelha. Dave balançou a cabeça e segurou sua bola de futebol americano, dando um passo para o lado — Vai tomar água Dave, você precisa de um descanso. E... Eu acho que sua mãe quer conversar.
Peeta falava olhando diretamente para mim. Meu filho apenas assentiu e seguiu para o rumo de onde eu havia entrado. Depois de um tempo voltamos a nos aproximar, sem retirar o contato visual que tanto insistíamos em ter.
– Você nunca veio ver-me ver jogar — ele começou baixo.
– Nos tempos de escola sim.
– Digo profissionalmente — corrigiu imediatamente, quando notou meu sim de resposta. Peeta manteve- se em silêncio, olhando para os próprios pés.
– Você sabe o que vim fazer aqui — eu mesma disse minutos depois. Vi quando Peeta levantou a face com um certo brilho de esperança nos olhos. Ele queria a minha resposta, ele esperara uma semana por ela — Eu... Eu e Finnick terminamos.
– Dave me contou — disse num tom divertido. Levantei a face surpresa e incrédula, ouvindo a sua risada um tanto quanto divertida — Mas você estava demorando aparecer então... Eu pensei que tivesse desistido.
– Você não me deixa desistir.
De repente acabei com o espaço que tinha de distância a Peeta, como se aquilo até me machucasse. Coloquei cada mão em um lado de seu rosto, sem deixar que ele deixasse de me observar nos próximos segundos. Mesmo que Peeta por si próprio não fizesse isso.
– Você me deu o melhor dia dos namorados da minha vida, só por ter voltado e ter feito a máscara cair daquela falsa Katniss Everdeen. Aquela não era eu, você sabe disso — continuei dizendo, notando o modo como ele assentia, o modo como ele estava mais esperançoso a cada segundo esperando as palavras finais — Porque não importa eu fugir, chorar, te ignorar e tentar seguir em frente, mesmo que seja com outra pessoa, por que... Porque quando se trata de você, eu sou só aquela garota apaixonada do Texas, aquela garota que te ama e que te quer a todo custo.
– Eu também te quero — Peeta completou tentando aproximar nossos rostos. Mantive- me um pouco longe ainda, querendo terminar tudo enquanto via aquelas malditas lágrimas tentando voltar a aparecer e descer a toda velocidade.
– Eu não vou embora Peeta, não novamente — continuei ainda na tentativa de jogar aquele choro para dentro, não queria soltá-lo ali e agora. Também notei que Peeta estava da mesma forma, tocando minha cintura com delicadeza — Eu não te deixar, porque nós erramos, nós destruímos tudo o que tínhamos e agora nós vamos construir tudo novamente. Juntos.
– Isso era tudo o que eu queria ouvir — ele murmurou sorrindo novamente. Seus dedos acariciaram a pele do meu rosto e pararam em meu queixo — Você não tem ideia do quanto esses dias foram difíceis. Não imagina o quanto eu já pensei em até matar aquele cara por estar perto de você — Peeta riu sozinho balançando a cabeça- Mas eu sabia que te teria de volta nem que te sequestrasse daqui. Eu simplesmente não era... Eu.
– Você foi meu primeiro amor... E eu daria tudo para ser o último — sussurrei por fim, sentindo finalmente seus lábios tocarem os meus com aquela paixão que ele nutriria eternamente por mim, por nós. Sorri entre o beijo e recebi diversos selinhos de Peeta, que afastou por centímetros, mantendo nossas testas coladas.
– Sem dúvida serei — Peeta completou mais uma vez, pressionando nossos lábios e largando num protesto, assim que notou a figura de Dave aparecer cada vez mais — Eu te amo — ele sussurrou beijando meus cabelos, enquanto virávamos para nosso filho, que caminhava lentamente.
– Eu também te amo — respondi com um sorriso inexplicável.
Peeta parecia da mesma forma, tanto que ignorou os protestos de Dave que dizia que já era grande demais, ao notar ser carregado pelo pai nos braços. Ele desistiu no momento seguinte, quando Peeta lhe prendeu no braço esquerdo enquanto passava o direito por minha cintura, fazendo seu último discurso:
– Alguém aí está a fim de tomar sorvete? — ele perguntou animado.
Mesmo com meus protestos de que ele deveria tomar um banho ao final do treino, Peeta voltara com a animação e me puxara dali, junto a Dave que também estava feliz enquanto dizia os sabores que desejava provar. Ri alto e notei os lábios de Peeta mais uma vez contra meus cabelos, quando eu também entrelacei um dos braços por sua cintura.
Caminhamos para fora do campo assim, como uma família. Ríamos alto e meu coração parecia estar prestes a pular para fora do peito, somente vendo a forma como os dois únicos homens da minha vida sorriam em minha direção. Sorri também entrando na brincadeira. E aquele era mais um começo para nós. O começo que desta vez, não teria fim. Seria eterno.
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