Cupido Estúpido
5 Querido Estilista
Notas iniciais
Acordei sentindo minhas costas protestarem contra o sofá duro de casa. Espreguicei-me preguiçosamente e abri os olhos, sentindo o sol da manhã batendo diretamente neles, e reclamei baixo. Levantei devagar e caminhei até a cozinha para preparar um café preto, devido à ressaca que eu estava. Ontem foi terça-feira e eu mesmo assim acabei saindo com Annie, afinal Peeta havia me dado folga do trabalho por causa do feriado do Dia dos Namorados. Porém, acabei bebendo demais da conta e nem sei na verdade como consegui chegar a casa. Coloquei a água no fogo e me sentei na bancada da cozinha americana para esperá-la ferver. Não me lembrava de nada da noite anterior, e com sorte lembrava meu nome. Chamo-me Katniss Everdeen, tenho 24 anos. Formei-me em uma das melhores faculdades de Moda do mundo, localizada em Londres e moro em Nova York onde trabalho há três anos como assistente de Peeta Mellark na revista Visionaire, que é uma das melhores no ramo da Moda. Meu chefe é considerado um Deus da Moda, porém também é considerado um dos mais inescrupulosos que já ouviram falar. Não que ele se sinta acima das pessoas, mas ele é bem arrogante, o que faz com que todos que trabalhem com ele o odeiem profundamente. Eu não deixei que isso interferisse em minha carreira, por isso engulo cada ofensa que ele dirige a mim, calada. Não valeria a pena discutir com ele, eu apenas perderia meu emprego e teria que ir atrás de outro melhor do que o que ele estava me dando. A água finalmente ferveu e eu a joguei no pó de café para prepará-lo. Enquanto a água escorria, misturando-se com o café, eu andei preguiçosamente até o meu quarto, peguei uma toalha e corri para o banheiro onde eu tomaria um belo de um banho. Olhei no relógio que ficava na parede e ele marcava 06h em ponto. Liguei a água e esperei a mesma esquentar para que eu pudesse relaxar um pouco, afinal eu encararia 3 horas de viagem para ir até Kentucky onde meu namorado Gale mora. Assim que entrei no chuveiro senti todos os meus músculos antes retesados, se soltarem gradativamente gemi em aprovação e fiquei mais um tempo parada. Logo lavei meus cabelos, ensaboei o corpo e já estava pronta para desligar o chuveiro. Assim feito, me enrolei em minha toalha vermelha felpuda e fui me arrumar. Andei até o closet, troquei de roupa rapidamente e voltei para a cozinha para tomar um bom café preto. Enchi uma xícara inteira e me sentei à mesa olhando o jornal a minha frente e folheando para achar algo de interessante, mas nada ali me chamava atenção. Assim que terminei meu café, andei até o banheiro e escovei os dentes. Peguei minha bolsa, minha mala de viagem e alguns dos meus editoriais para ir fazendo no caminho até Kentucky. Desci até a entrada e pedi que Julius, que é o porteiro chamasse um táxi para mim enquanto eu ligava para Gale.
– Bom dia amor. Feliz dia dos namorados! — ele atendeu feliz e eu sorri.
– Bom dia, feliz dia dos namorados para você também. — respondi alegre
– Já está vindo para cá? Estão todos te esperando. – exclamou e eu percebi que fazia tempo que não voltava a Kentucky para ver Gale e minha família
– Imagino. Estou aqui no prédio ainda esperando o taxista. Em algumas horas eu chego ai. Estou com saudades, preciso desligar. Beijos. — disse rapidamente vendo que o taxista, que devia estar aqui perto, já parava em frente ao prédio. — Obrigada Julius. — agradeci e andei até o carro.
O homem simpático colocou tudo dentro do porta-malas e abriu a porta para mim e eu entrei me acomodando no banco traseiro.
– Pra onde senhorita? — perguntou me olhando pelo retrovisor.
– Para o aeroporto, por favor. — pedi e ele assentiu.
Colocou o carro em movimento e entrou na avenida principal onde o trânsito era tenso, um dos motivos de eu ter saído de casa mais cedo. Fiquei olhando o movimento do lado de fora e na verdade não estava tão animada assim para chegar a casa. Eu tinha saudades dos meus pais, porém Gale já não era mais o mesmo. Nós nos distanciamos muito quando eu me mudei para cá, só que ele nunca vem me visitar, sou eu que tenho que ficar viajando para Kentucky sempre, porque ele diz que odeia cidade movimentada.
Até parece que eu acredito, mas como não quero brigas sempre fico quieta. Meu telefone começou a tocar e eu sem olhar que era atendi rapidamente.
– Alô. — falei em uma voz despreocupada. Prendi o telefone entre meu rosto e o ombro para prender o cabelo, enquanto esperava a pessoa ter a boa vontade de responder. — Alô. — repeti quase desligando.
– Há alguma razão para o meu café não estar aqui ainda? Você morreu ou algo do tipo? — demorei a reconhecer a voz, mas logo soube de quem era.
– Hã... — disse tentando achar alguma desculpa plausível olhando o relógio rapidamente. O mesmo apontava que era 06h45min, e eu já devia estar no trabalho com o café da Vossa Majestade Histérica, porém não trabalharia hoje. — Sinto muito Sr. Mellark, estou presa no trânsito, está impossível de andar.
– Então venha a pé. Se o meu café não estiver aqui na minha mesa, quente, com espuma extra e chantilly em 30 minutos, pode esquecer o seu emprego e nem venha mais Katerin. — exclamou revoltado e eu fiquei sem entender.
– Mas o Senhor disse ontem que eu não trabalharia hoje, estava indo para a casa do meu namorado. É dia dos namorados, não? — perguntei achando que ele tivesse esquecido.
– Por favor, aborreça outa pessoa com suas perguntas. Pessoas mudam de planos o tempo todo querida, então faça o favor de andar mais rápido, porque nesse momento você faz parte da minha mudança de planos. — exclamou grosso e desligou o telefone.
Sorri ironicamente para o celular e bufei para o nada. Contei até dez repetidas vezes para controlar minha raiva e logo estava chamando o taxista.
– Moço, por favor. Entre na próxima rua e pare por cinco minutos a frente do Starbucks. Mudanças de planos. — disse rapidamente e ele assentiu virando na rua que pedi.
Alguns minutos parados no mesmo lugar, ele conseguiu parar a frente da cafeteria e eu desci indo até o balcão e falando com Chelsea que era a atendente que sempre me ajudava. Pedi o café expresso com espuma extra e chantilly e o cookie de chocolate e ela assentiu trazendo a sacolinha já pronta para mim. Era tudo posto na conta dele, então eu apenas dava os horários que passaria para pegar as coisas e eles sempre deixavam tudo pronto. Peeta pagava no final da semana e já deixava sua conta limpa para a próxima semana. Peguei a sacola e sai olhando no relógio, ótimo, eu tinha 20 minutos para andar quatro quadras e subir 20 lances de elevador. Corri até o carro e pedi que ele acelerasse até a quinta avenida onde ficava a editora. Ele tentou o máximo que conseguiu, cortando caminhos e pegando atalhos chegando à frente da Visionaire em pouco menos de 10 minutos.
– Obrigada, ajudou muito. — disse sorrindo e lhe pagando.
– Imagina. Feliz dia dos namorados. — desejou-me sorridente e eu agradeci desejando-lhe o mesmo.
Corri para dentro do prédio da editora e procurando a minha credencial no fundo da bolsa, consegui passar pela catraca e andei até a recepção onde deixei minha mala de viagem com Suzanne minha amiga, ela guardaria para mim até que eu fosse embora. Apressei o passo até o elevador e dei sorte do mesmo estar parado no térreo. A porta se abriu e eu entrei apressada encontrando Annie, que devia estar vindo do G1 que era o estacionamento.
– Hey Kat, o que faz aqui? Peeta também te ligou? — perguntou rindo e eu assenti fazendo careta.
– Sim, e ainda exigiu o café. — respondi irritada e ela se calou vendo meu estresse. O elevador subia lentamente e os números aumentavam de acordo com os andares.
Minha pressa e raiva aumentando a cada segundo e eu respirava pacientemente tentando controlar tudo, e então meu telefone tocou e eu me contorci inteira para conseguir pegar o celular no bolso traseiro da calça.
– Alô! — atendi afobada.
– Faltam 5 minutos Katerin, lembre-se do que eu disse. — avisou o demônio e eu bufei desligando o celular logo depois dele.
– É KATNISS! — exasperei comigo mesma, vendo que estava próxima à cobertura, onde era a sala dele.
Assim que a porta se abriu, corri pelos corredores trombando com pessoas de todos os lados e finalmente cheguei à antessala de Peeta onde ficava a minha mesa e a de Annie. Joguei minhas coisas em cima da minha cadeira e contornei a mesa indo até o fundo da sala, que era onde ficava a porta de Peeta. Bati e esperei que ele respondesse o que não demorou muito.
– Entré. — disse com sotaque francês fajuto e eu adentrei sua sala calmamente com um sorriso no rosto.
– Bom dia Sr. Mellark. Creio que seu café esteja quente e do jeito que sempre gosta.
Com licença. — disse colocando o café a sua mesa e ele virou sua cadeira para mim.
– Por que se atrasou Mon'amour? — perguntou me olhando sob aqueles malditos óculos de grau de oncinha e extremamente grandes.
– Como disse pelo telefone, estava indo para o aeroporto, para reencontrar meu namorado, assim que tive que mudar meu percurso na metade do caminho. O que me custaram mais 10 minutos de trânsito. — expliquei calmamente, lembrando-me que me esqueci de avisar Gale que não viajaria mais.
– Bom anyway, pedi que viesse aqui porque preciso da sua cafonice para me dizer se o editorial da semana que vem está bom e me ajudar com um editorial de Dia dos Namorados para HOJE. — ele deu ênfase no hoje e eu quase pirei. Um editorial não fica pronto em um dia. Esse cara com certeza é louco, e maravilhosamente bonito. Peeta era um tipo comum, vamos dizer assim. No mundo da moda, o que não falta são meninos loiros e de olhos azuis, isso eu lhe garanto. Porém ele tem um “Q” a mais, não sei dizer exatamente o que é, mas deve ser o seu estilo ou seu jeito de agir e falar, sempre grosso, talvez essas coisas me chamem a atenção.
– Senhor... — ia dizer, mas ele me interrompeu.
– Me chame de Peeta, “Katerin”. — ele corrigiu e eu assenti.
– Ok. Hum, Peeta você sabe que é impossível terminar um editorial para hoje ainda, e, por favor, meu nome é Katniss. — tentei dizer e ele me encarou por cima dos óculos.
– Eu prefiro Katerin, é menos... Feio. — disse rindo sozinho e eu revirei os olhos. — termine esse desenho para mim não aguento mais desenhar e minhas mãos doem. E eu ainda tenho que finalizar o editorial do dia dos namorados. Faça esse favorzinho para mim, Katerin?- explicou dramatizando, levando as mãos até as laterais de sua cabeça e revirando os olhos como se estivesse cansado de trabalhar.
– Claro, sem problemas. Com licença. — disse pegando o desenho em sua mão e saindo da sala, indo ate a minha mesa.
Sentei em minha mesa olhando para Annie com cara de quem estava sendo torturada, mas eu não podia reclamar, por mais que ele me tratasse mal e eu adoro trabalhar com ele. Peeta me atraia de um modo estranho, afinal ele era gay, como eu pude me deixar levar desse jeito? Olhei o desenho de Peeta e ele estava perfeitamente lindo, eu comecei a desenhar com medo de estragar o que ele já havia feito, mas felizmente eu sabia desenhar muito bem o que me ajudou muito a finalizar o desenho, assim que eu rapidamente estava finalizando e pintando o que faltava.
– Ah, não aguento mais pintar esse desenho. — exclamei jogando o lápis que estava em minha mão para longe, vendo-o parar na beira do outro lado da mesa. — Peeta podia ter terminado isso semana passada, mas é só ele falar com jeitinho que a idiota aceita. — reclamei vendo Annie me encarar com uma careta no rosto.
– Com jeitinho é? E como ele disse? — perguntou debochando e eu ri.
– “Faça esse favorzinho para mim, Katerin?”. — disse imitando sua voz e ela gargalhou. — Não resisto amiga, não consigo controlar. Por mais que ele seja gay, meu interior grita por ele. É engraçado, sinto atração por gays. — debochei de mim mesma e Annie parou de rir
– Gale também é gay? — perguntou
– Que eu saiba não, mas nunca se sabe né! — brinquei e logo me calei ouvindo o barulho da maçaneta da porta de Peeta.
– As duas acabaram com a conversinha? Preciso de ajuda Katerin, venha até a minha sala agora. — indagou com a cara séria e eu levantei de minha mesa, dando a volta na mesma e indo até a sala de Peeta. Dei uma piscadela para Annie e ela sorriu maliciosa.
– O que deseja Sr. Mellark? — perguntei curiosa vendo várias fotos em cima da mesa dele.
– Preciso de ajuda com esse editorial para o dia dos namorados. Não consigo achar essas fotos decentes de jeito nenhum. Esse fotógrafo que Annie contratou é um imprestável. — exclamou tirando os óculos de oncinha para esfregar os olhos. — Já chamei os modelos, eles estão no meu estúdio já prontos, faltam às meninas que estão lá embaixo. Faça o favor de ligar para Suzanne e as mandar subirem e irem direto para cabelo e maquiagem enquanto escolhemos as roupas delas. Pode usar meu telefone e depois vá direto para o Closet, para me ajudar a escolher as roupas. Sem demoras. — disse apertando a minha barriga com um belisco e eu sorri da brincadeira inocente. Peeta não era tão horrível assim comigo, mas eu não podia confiar sempre nesse bom humor, afinal quando ele acordava virado eu que sofria com as consequências.
– Ok. — concordei e esperei ele sair para dar a volta em sua mesa e me sentar em sua cadeira de couro.
Peguei o telefone e disquei o número da recepção esperando que Suzanne atendesse.
– Oi Suzi, é a Katniss. Peeta pediu para você mandar as modelos subirem, por favor.
– disse calmamente.
– Claro Kat, elas vão estar ai em alguns minutos. — concordou e eu agradeci.
– Obrigada, beijo. — disse desligando o telefone e me levantando.
Ao olhar por cima de sua mesa vi um quadro que nunca tinha reparado antes. Peeta estava lindo e sorrindo abraçado a um homem loiro também e os dois sorriam um ao outro de forma diferente.
– Deve ser o namorado dele. — sussurrei rindo, mas sentindo uma dorzinha pela confirmação de sua homossexualidade. Andei até a porta do elevador para esperar que as meninas chegassem.
Elas demoraram cinco minutos para subir e quando se encontraram comigo me cumprimentaram calorosamente, já as conhecia. Peeta contratava sempre as mesmas, porque ele dizia que elas sim faziam do jeito que ele queria e já eram de confiança, além de serem lindas.
– Olá meninas, feliz dia dos namorados. — disse sorrindo. – Bom vocês já conhecem Peeta então não preciso ficar lhes dando instruções. Cinco meninas vão para o cabeleireiro e as outras cinco vão para maquiagem ok? — perguntei e elas assentiram. — Então vamos.
Separei cinco meninas e as levei para Marvel que era o maquiador e as deixei lá, voltando até o elevador para pegar as outras cinco e as levar para Finnick que ela o cabeleireiro e que de gay não tinha nada, segundo Annie que tinha um caso com ele há três anos. Depois de todas as meninas terem sido deixadas sob os cuidados deles, fui rapidamente para o closet onde Peeta me esperava apoiado em uma bancada.
– Sr. Mellark, desculpe a demora. — disse parando a sua frente.
– Tudo bem, estava me distraindo com os tecidos e nem vi o tempo passar. — ele disse sorrindo para mim e eu quase me derreti. — Bom, agora me acompanhe precisamos decidir como vamos fazer o vestuário das meninas e, por favor, não me diga para usar corações. — ele disse gesticulando e eu contive a minha vontade de rir.
– Mas Peeta, Dia dos Namorados é um dia romântico certo? Corações são românticos a meu ver... — expliquei e ele parou um momento tirando seus óculos.
– Achei que você fosse mais surpreendente, mas pelo visto me enganei. — gesticulou e voltou a andar.
– Oras, você queria o que? Toda referência de romantismo que eu tenho, vem de corações. Tudo é assim Peeta, a sociedade escolheu assim. Você ama a sua mãe? Dê um coração de presente. Ama seu pai? O presente dele é uma frase escrita “Eu te amo” dentro de que? — perguntei lhe incentivando a responder.
– De um coração. — disse com uma voz largada e eu gargalhei. — Porém eu sou Peeta Mellark e não a sociedade, então meu bem, acho melhor apressar esse seu belíssimo traseiro se quiser encontrar seu namoradinho ainda hoje. — ele disse me dando tapinhas e eu sorri.
Depois do momento de descontração, nós ficamos sérios e em silêncio enquanto ele olhava algumas pastas em suas mãos. Ele intercalava seus olhares entre a pasta e eu.
– Bom, as meninas vestem entre 35 e 38 não mais do que isso. Os sapatos, por favor, que sejam maiores que os pés, talvez um 40, não quero bolhas nas minhas modelos. — ele explicou e eu assenti. — Preciso de roupas românticas, mas não muito objetivas. Cores como rosa e vermelho estão fora ok? Precisamos inovar, então entraremos com o azul bebe amarelo canário e verde claro. Juntamos com algumas cores básicas como o coral e o lilás que é uma cor totalmente romântica, mas que todos esqueceram, precisamos colocá-la de volta nas roupas meu bem. — ele gesticulou e eu anotei tudo na minha agenda, por mais que não precisasse eu decoraria tudo mesmo. — E sapatos, bom... Tente alguns das mesmas cores das roupas, se não, usaremos os tons pastéis que temos do outro lado da bancada. — ele disse fazendo cara de nojo e eu sorri minimamente. — Entendeu tudo?
– Sim senhor. — disse sorrindo e ele me piscou um olho.
– Ótimo, não iria repetir. — respondeu indo ao lado da bancada escrever algumas coisas e eu peguei uma arara vazia para colocar os cabides com roupas e os sapatos no apoio em baixo.
– Bom, vamos ver. — comecei a passar por entre as fileiras e mais fileiras de roupas e achando algumas peças que talvez Peeta gostasse.
Comecei pelas camisetas e T-shirts nas cores pedidas. Depois passei para calças, saias e shorts, e logo após estava nos sapatos tentando achar algo que combinasse. Os acessórios ele mesmo os escolhia por ser muito perfeccionista.
– Como vamos ai? — perguntou chamando meu nome e eu saí de trás de uma fileira com a minha seleção de roupas e eu até pude ver um sorriso em seu rosto. — Ótimo, já vou arrumar tudo. Vá ver se as modelos estão prontas, e assim que elas estiverem prontas, leve-as até o estúdio ok? Vou esperar.
– Ok, sem problemas. — assenti e saí em direção ao cabeleireiro pra ver se elas já estavam prontas lá. Bati na porta e esperei. — Finnick? Com licença. Peeta quer saber se as meninas já estão prontas. — indaguei entrando em sua sala.
– Bom, da minha parte sim Katniss, sou muito pontual principalmente com o Peeta. — ele disse rindo. — Mas Marvel está lá terminando a maquiagem de algumas. Vamos até lá? — ele me chamou
– Claro. O que vai fazer hoje à noite Finn? — perguntei curiosa.
– Provavelmente chamar Annie para jantar. Quero pedi-la em namoro, me cansei desse nosso “rolo” de quase três anos. — ele disse sincero e eu sorri.
– Vocês formam um lindo casal Finn. — disse encorajando e ele me encarou.
– Logico que formamos um casal lindo, olha só pra mim! — ele disse passando as mãos pelo corpo e eu sorri lhe dando um tapinha fraco no braço. — Mas e você e Gale, como vão fazer? Passar o Dia dos Namorados pelo Skype? — debochou e eu fiz uma careta.
– Sabe me cansei de Gale. — confessei e ele ficou sério. — Vou te contar uma coisa, não conte pra ninguém, ok? — perguntei e ele assentiu. — Talvez eu esteja gostando de Peeta.
– Mas ele não é gay? — perguntou incrédulo.
– Sim ele é esse é o meu problema. — disse rindo e logo nós estávamos à frente da porta de Marvel. — Bi, com licença! — pedi entrando em sua sala. — Hey meninas, estão prontas?
– Sim. — elas responderam em coro.
– Marvel e você segurando essas meninas esse tempo todo, quer acabar com meu emprego? — disse brincando.
– Ai Katzinha, nunca iria fazer isso, estava só dando uns retoques nas girls. – disse com um pincel de maquiagem na mão e eu sorri.
– Ok, obrigada então. Vamos meninas, andem. — disse apressando-as para saírem da sala.
Conduzi-as até o estúdio e antes de entrarmos parei para arrumar os últimos detalhes nas roupas e cabelos delas.
– Ok, vocês estão lindas. Agora direcionem toda essa beleza para o Sr. Mellark e não abram à boca, vocês o conhecem. — alertei e elas sorriram. Nós entramos no estúdio e eu segui até Peeta que arrumava sua câmera no tripé.
– Sr. Mellark, as meninas estão prontas. — sussurrei em seu ouvido e Peeta parou por uns instantes e eu pude jurar que o vi arrepiar.
– Até que enfim. Você já foi mais eficiente Katerin. — comentou crítico e eu assenti dando um sorrisinho contido.
Peeta posicionou todos do jeito que queria e ele mesmo tirou as fotos que iam para o editorial. Ele dizia que se não fizesse com as próprias mãos, outra pessoa não faria do jeito que ele queria, e estava totalmente certo. Ele fora premiado ano passado como fotógrafo e isso o deixou radiante, ele até comemorou comigo e com Annie abrindo champanhe, porém essa felicidade nunca se seguia por dias. No dia seguinte ele já estava aqui enchendo o saco de todos. Parei atrás dele apenas observando-o fazer seu trabalho e fiquei maravilhada com a paixão que ele faz as coisas que gosta. Ele tratava os modelos perfeitamente bem e lhes pedia as coisas com educação, como nunca vira antes. E pela primeira vez em três anos eu pude vê-lo sorrir com vontade, e quase me derreti por dentro. Ele tinha o sorriso perfeito, embora não o usasse muito, talvez derretesse homens por aí. Sorri com meu pensamento e voltei a mim quando percebi que o trabalho dera por encerrado.
– Katerin mon'amour. Leve as fotos para Ziam revelar e volte em 30 minutos no mínimo, isso precisa ser entregue hoje. Então por favor, mexa esse seu belo traseiro e corra garota. — ele disse dando um tapinha na minha bunda e eu o encarei.
– Olha o respeito. — disse sem pensar e ele sorriu irônico
– Eu sou profissional meu bem, eu posso. Agora ande, não tenho tempo para suas lamúrias de boa moça. — disse se retirando e eu contive minha vontade de bater nele.
Apressei o passo até a revelação e entreguei a câmera para Ziam que era o cara que revelava todas as fotos que Peeta fazia aqui na editora. Expliquei para ele do tempo e ele entrou para fazer seu trabalho mais do que rapidamente. Fiquei esperando sentada e aproveitei para retornar as ligações de Gale. Disquei seu numero e ele atendeu no quinto toque.
– Katniss? Onde está, estou preocupado. – ele disse afobado.
– Calma Gale. Estou no trabalho. — respondi pesarosa e ele abafou um grito.
– Como assim? Esse idiota disse que você não trabalharia hoje. – ele exasperou e eu contive minha vontade de concordar.
– Gale é meu trabalho, não posso simplesmente dizer não a ele, você o conhece.
Quer tudo na hora e não aceita não como resposta. — expliquei e ouvi-o bufar.
– Estou farto disso, sabe quanto tempo você não vem aqui para a cidade me ver ou ver a sua família? Isso está cansativo Katniss. – ele disse de modo mais calmo e eu me segurei.
– Eu sei Gale, não me chantageie com a minha família porque você sabe muito bem que eu os amo. Não é certo eu ficar tanto tempo longe e ausente, mas é meu trabalho, meu sustento. — respondi brava.
– Só estou dizendo que é errado o quanto esse cara te aprisiona aí Katniss. Tem certeza de que ele é gay, porque parece que não. Katniss, você esta perdendo tantas coisas aqui... – ele disse e eu sufoquei um suspiro.
– Gale, por favor, não torne as coisas piores do que já estão. Eu sei o que eu estou perdendo ok? Eu perdi o nascimento do meu sobrinho por conta de trabalho, eu não vejo meu irmão há anos, minha mãe me visita esporadicamente, e a ultima vez que vi meu pai ele estava sendo enterrado, então, por favor, não dificulte para mim. Estou farta disso, você sempre reclama que eu não vou te ver, mas você não levanta sua bunda do sofá para vir me ver. Cansei de correr atrás de você o tempo todo, não sou trouxa Gale. — despejei tudo que estava entalado e ele ficou mudo por alguns instantes.
– Então você está terminando comigo é isso? Um namoro de cinco anos por causa desse idiota do seu chefe? – ele disse indignado e eu me contive.
– Na verdade estou terminando com você por culpa nossa Gale, eu e você erramos e eu não quero mais conviver com esses erros me assolando o tempo todo. Sinto muito. — foi a ultima coisa que disse antes de desligar.
– Katniss suas fotos estão prontas. — disse Ziam e eu sorri falsamente para ele. — E seja bem vinda ao time dos solteiros por conta de Peeta Mellark. — ele sorriu e eu gargalhei.
– Acho que nem ele tem uma relação por causa dele. — comentei e ele sorriu. — Obrigada Ziam. Até mais. — disse e praticamente saí correndo de sua sala.
Peguei o elevador vazio, o que era difícil essa hora do dia e assim que ele se abriu no andar de Peeta, eu me apressei para chegar a sua sala. Daqui a meia hora daria o tempo do almoço e ele sairia e depois reclamaria que as fotos não chegaram antes. Bati em sua porta e ele me mandou entrar.
– Fora rápida dessa vez Katerin. — ele elogiou e eu achei estranho.
– Hum. As fotos ficaram lindas. — elogiei também e pude ver um sorriso em seus lábios.
– Obrigada. Eu adoro fazê-las. — ele disse com orgulho e eu sorri de volta a ele. — Bom, mas vamos ao que importa. Preciso que você coloque as fotos na pasta e edite de forma que eu consiga por os textos do lado ok? Faça isso depois do almoço. — disse e eu assenti.
– Pode deixar. — respondi quase saindo de sua sala.
– Bom, estou indo almoçar quer almoçar comigo? Adoraria a sua presença. — pediu sincero e eu ponderei a situação.
– Hã, claro. Porque não! — concordei e ele sorriu.
– Ah e quero meu café às 15h. — disse e se levantou de sua cadeira me rodeando. Eu sorri e ele abriu a porta de sua sala me dando passagem colocando a mão em minha cintura.
– Obrigada. — sorri e andei até a minha mesa, peguei minha carteira e segui até onde ele me esperava.
Nós andamos até o elevador em silencio, não tinha o que conversar. Estávamos no horário de almoço e iriamos falar de trabalho? Não é um assunto legal, e ainda mais quando é o meu chefe. Fomos até seu carro e ele foi cavalheiro abrindo a porta para mim, e logo após entrando no lado do motorista. Ele dirigiu por 20 minutos, o trânsito no horário do almoço era o pior, mas logo chegamos a um restaurante chique com nomes francês. Nós descemos do carro e entramos no local sendo recebidos pela recepcionista de nome Kayla.
– Boa tarde Senhor Mellark, como vai? — perguntou sorridente.
– Muito bem Kayla obrigada. Muito movimento hoje? — perguntou Peeta olhando ao redor.
– Esta absurdo hoje, mas a sua mesa de sempre está reservada. Venha comigo. — ela pediu e ele a seguiu me puxando pela mão com ele. — Aqui está, fiquem a vontade. Já vou mandar o garçom. — disse e se retirou.
– E então o que quer comer? — perguntou olhando para o cardápio.
– Não sei, não conheço aqui. Pode me ajudar? — perguntei incerta e ele sorriu torto.
– Claro, vou pedir por você. Espero que goste. — disse e juntou os nossos cardápios e assim que o garçom apareceu, ele pediu, e o rapaz se retirou levando nossos pedidos.
– Hum, obrigada pelo convite, eu nunca tinha vindo aqui. — disse olhando o restaurante lotado de casais.
– Não foi nada. Bom, eu adoro esse lugar, almoço aqui desde que montei a Visionaire, o que faz oito anos. — ele disse com os olhos fechados como se a lembrança fosse boa.
– Como descobriu que queria ser estilista, Peeta? — perguntei e ele me encarou sorridente.
– Hum, eu sempre arrumava as roupas da minha mãe antes de ela sair para trabalhar. Ela tinha um péssimo mau gosto e pedia para eu ajudar, e eu de bom grado o fazia. Porém pra mim, essa ajuda começou a se tornar um vício. Eu o fazia sempre, e quando atingi a adolescência falei para ela do meu interesse no curso de Moda. Ela surtou. Quase me botou para fora de casa, mas eu a desarmei quando disse que ela havia feito isso comigo. Então ela acabou aceitando. — ele explicou e eu gargalhei.
– Comigo foi mais o meu pai que surtou. Ele dizia que eu devia fazer uma faculdade que me desse um futuro, e que eu deveria ter uma carreira promissora. Mas nada do que ele dissesse me faria mudar de ideia, eu amo Moda e isso não é só de adolescente. Desde pequena eu desenho, e eu era modelo também, então de certo modo sempre fui levada para esse lado. — disse rindo e ele me olhou espantado. -
O que foi?
– Você era modelo? — perguntou incrédulo.
– Sim, sou tão feia assim? — perguntei debochada.
– Não, você é linda. Mas... Por que nunca me disse?
– Hum, obrigada. — respondi sem graça. — Oras, para que eu contaria?
– Posso usá-la em algum editorial Katniss! — ele disse como se fosse a ideia mais brilhante que ele já teve na vida.
– Não, desisti dessa vida. — disse rindo.
– Não deveria. Você tem um perfil totalmente diferente Katniss, não é algo comum.
Estou farto de ver sempre as mesmas meninas, loiras de olhos azuis, morenas de olhos verdes, todas com narizes perfeitamente plastificados. Você não é assim, seus olhos tem uma cor que eu nunca vi antes, um cinza esverdeado, seus cabelos castanhos tem uma leve iluminação loira e bom seu nariz é meio batata. Mas é isso que a torna perfeita. — ele disse empolgado e eu arregalei os olhos.
– Obrigada, eu acho. — disse sem graça.
– Aceite Katniss, você seria perfeita para o meu próximo editorial. Por favor? — perguntou juntando as mãos como se estivesse rezando.
– Não sei, eu...
– Eu me rebaixando, implorando e você ainda acha que não? — ele disse rindo e eu o acompanhei,
– Bom, já que insiste, eu aceito! — disse convencida e ele levantou as mãos chamando o garçom
– Vamos comemorar. Garçom por favor, uma garrafa de Chandon! — pediu uma garrafa de champanhe e eu sorri.
– Peeta, não precisa disso tudo! — indaguei corando.
– Lógico que precisa. Katniss, já estou para pedir a você que seja minha modelo há muito tempo. Porém nunca tive a oportunidade certa. — explicou e eu corei.
– Tudo bem então! — concordei e logo os nossos pratos chegaram junto com a garrafa de champanhe e duas taças.
Peeta abriu a garrafa e colocou o conteúdo dentro das taças e deu uma para mim. Brindamos e eu corei, ficando sem graça com tanta atenção vinda dele. Nunca pensei que isso fosse realmente possível, afinal Peeta é um dos piores chefes já conhecidos no mundo. Nós comemos e bebemos e estava tudo maravilhoso, mas quando olhei no relógio vi que já estava dando o tempo de eu ir buscar o café dele.
– Peeta com licença, preciso ir. — disse me levantando e ele me olhou com uma cara de triste.
– Por quê? Eu fiz algo que te incomodou? — perguntou assustado e eu sorri.
– Não, nada. Foi tudo perfeito, eu amei obrigada. Mas sabe o que é eu tenho que ir buscar o café do meu chefe, ele é bem exigente com horário e se eu não estiver lá às 15h com o café dele, corro o risco de perder o pescoço. — disse sorrindo e ele gargalhou. Que som perfeito.
– Ok, está dispensada. Boa desculpa... — disse rindo e eu sorri de volta, mas dessa vez com mais vontade.
– Até mais tarde e obrigada pelo almoço. — disse sem graça me retirando sem olhar para trás.
Andei até a porta e sai, arrumando minha roupa que estava amassada. Virei à esquina e apertei o passo até o Starbucks que ficava a duas quadras dali. Quando cheguei apenas fiz o pedido a Chelsea e ela me entregou a sacolinha com o café e os cookies que Peeta gostava de comer. Olhei o relógio novamente e praticamente corri tomando cuidado para não derrubar o café de Peeta. Passando e trombando por entre as pessoas, eu consegui chegar até a editora e corri para o elevador, faltando 8 minutos para as 15h. Fitei os números do elevador subindo conforme os andares e não conseguia me manter parada, odiava atrasos a Peeta também. Assim que a porta se abriu, eu corri em direção a sua sala, parando momentos antes para me arrumar e esperar os segundos para 15h entrando perfeitamente no horário em sua sala.
– Com licença Sr. Mellark. Seu café e seus cookies. — disse entrando em sua sala.
– Por isso a contratei Katerin, eficiência. Agora vá fazer o começo dos editoriais com as fotos, preciso disso para as 18h. Ande, ande, ande. — disse me apressando e eu peguei a pastas com as fotos em cima de sua mesa.
Andei para a minha mesa que ficava do lado de fora da sua sala e me sentei, preparando- me psicologicamente para mais algumas horinhas de trabalho. Apressei-me em recortar algumas fotos e editar outras, peguei a cola e comecei a passar no papel para fixar tudo do jeito que queria. Meu pescoço e costas gritavam de dor pela posição curvada que eu estava, mas não podia me dar ao luxo de parar naquele momento. Mais de cem fotos depois, eu finalmente acabei, colocando todas as folhas juntas quando a porta dele se abriu e ele andou até a minha mesa.
– Já acabou Katerin? Estou impaciente. — comentou se debruçando em minha mesa.
– Já sim Sr. Mellark, aqui está. — disse colocando todas as folhas em suas mãos e ele sorriu satisfeito.
– Obrigada. Está dispensada por hoje, pode ir ver seu namoradinho. — disse sorrindo diferente e eu mascarei a minha indiferença por ter terminado com Gale.
– Hum, não tenho mais namorado. Terminamos hoje mais cedo... — disse com certa indiferença na voz e ele sorriu.
– Bom, foi por minha causa, certo? — disse e eu o olhei surpresa.
– Hã... — fiquei sem saber o que dizer e ele me cortou.
– Todos são querida, sinto muito. Até sexta. — disse triste, mas eu pude ver que a sua falsa tristeza não chegava a seus olhos. Ele estava feliz de certo modo por eu ter terminado com Gale, porém não iria pedir explicações.
Arrumei minhas coisas e juntei as pastas colocando-as na mão enquanto tentava pegar minha chave de casa. Fui até o elevador e fiquei certo tempo esperando-o chegar à cobertura que era o trigésimo andar, onde eu estava. Assim que quando ele chegou entrei rapidamente e apertando o T de térreo. Esperei até que a porta se abrisse novamente e eu me visse livre do trabalho. Passei na recepção e peguei minha mala de viagens com Suzanne, e me apressei em sair dali o mais rápido possível. Queria apenas chegar em casa, tomar um banho quente e deitar em minha cama até esse dia horrível acabar. Passei pelos portões e me distraí com o toque do meu celular, e não percebi quando alguém se aproximou por trás de mim e colocou algo pontudo em minhas costas. Gelei inteira e deixei um gritinho agudo escapar de meus lábios, fazendo a pessoa tapar minha boca.
– Fica quietinha, ou as coisas vão acabar mal. Entendeu? — perguntou e eu apenas assenti, tentando voltar a ficar calma. — Então, coloca tudo dentro da bolsa e sem movimentos bruscos passe-a para mim. Sem brincadeirinhas garota. — sussurrou e eu fiz o que ele me pediu, mas quando fui colocar minhas pastas na bolsa, elas simplesmente caíram no chão e o homem se assustou puxando a bolsa do meu braço com força e correndo para longe.
Abaixei-me para pegar as coisas no chão, vendo o homem fugir para longe com a minha bolsa nas mãos. Raiva era o único sentimento que eu tinha no momento. Juntei minhas pastas e peguei minha credencial no bolso, voltando para o prédio de onde eu queria distância pelo resto do dia. Porém o homem levou as chaves da minha casa, e há essa hora não teria um chaveiro disponível e eu perdi meu celular também. Ótimo. Entrei no prédio novamente e Suzanne tentou perguntar o que havia acontecido, mas eu não tinha vontade de respondê-la de tanta raiva e ódio que eu estava. O jeito era voltar para a minha mesa e continuar trabalhando, talvez Peeta precisasse de ajuda com algo. Subi com o elevador, e ele logo parava em meu andar. Arrastei-me pelos corredores e cheguei a minha mesa sem muita animação. Sentei-me em minha cadeira e a mesma fez um barulho enorme quando bateu contra a parede. Ouvi passos da sala do lado e logo a porta foi aberta e um Peeta afobado saiu de lá de dentro.
– Quem está ai? — perguntou olhando para o escritório inteiro.
– Hã, culpada. — disse levantando a mão
– O que faz aqui ainda Katniss? — perguntou confuso. — Já te dispensei, não?
– Já, mas quando estava saindo daqui fui assaltada e o maldito levou minha chave de casa. Ou seja, sem ir pra casa até amanha de manha. — disse totalmente derrotada e ele sorriu.
– Você está bem? — perguntou tirando os óculos de oncinha e me encarando sério.
– Vou ficar, espero. — disse rindo minimamente e ele bufou. — Bom você precisa de ajuda com alguma coisa?
– Na verdade não, o Alex já veio buscar o exemplar para publicar e eu só quero que você veja como ficou. Venha cá. — disse me puxando pela mão para dentro de sua sala e eu sorri sendo puxada por ele. — Aqui.
– Deixe-me ver. — disse folheando e percebi seu nervosismo ao meu lado. — Ficou perfeito Peeta, você tem muito talento mesmo. — disse sorrindo sincera e ele respirou aliviado.
– Obrigada Katniss. — disse e sorriu.
– Bom, se quiser ir embora pode ir, eu vou passar a noite aqui. Tenho que esperar até amanha para ligar para o chaveiro. — expliquei
– Você vai passar a noite aqui? Que absurdo.
– Não tenho pra onde ir, meus parente moram em outra cidade. — disse e ele bufou.
– Olha, eu só não te chamo para ir ao meu apartamento porque é minha assistente e ficaria meio estranho, então eu passo a noite aqui com você. — ele disse sincero e eu sorri.
– Não precisa, é serio. Vou ficar bem.
– Não vou deixá-la sozinha. — insistiu e eu concordei.
– Ok então. Precisaremos de bastante assunto, porque ainda são 19h e vamos ficar acordados aqui até às 6h da manha. — disse rindo e ele se sentou em uma poltrona me sobrando apenas a cadeira de sua mesa. — Posso? — perguntei apontando para a sua cadeira.
– Claro. — me sentei e olhei novamente para a foto na sua mesa.
– Peeta, não é estranho ser uma pessoa famosa? Quero dizer, todo mundo te para na rua o tempo todo... Deve ser meio chato, não? — perguntei e ele sorriu.
– Na verdade não. Quero dizer, no começo é ruim, você perde a privacidade e tudo mais, mas depois se torna algo natural. Eu já me acostumei, vá se acostumando também. — comentou sorrindo e eu não entendi.
– Por quê? Não sou famosa, sou apenas sua assistente. — expliquei e ele bufou.
– Na verdade estou para conversar com você há um tempo. Lembra que me trouxe uns desenhos seus há alguns meses atrás? — perguntou e eu assenti. — Estou pensando em produzi-los para o meu próximo desfile, mas colocar o seu nome nele. Você estudou para ser estilista e não para ser minha assistente para o resto da vida, apesar de eu admitir que vou sentir falta do seu trabalho, achar garotas competentes assim como você e que me aguentem do jeito que você aguentou é difícil. — respondeu rindo e eu corei. — Você é uma boa designer Katniss, boa até demais. Admito que você seria uma ótima concorrente para mim...
– Hum, obrigada, eu adoraria que você produzisse meus desenhos, seria uma honra Peeta. — disse maravilhada e ele sorriu. — Posso fazer uma pergunta?- perguntei meio sem graça
– À vontade. — respondeu tirando os óculos para coçar os olhos.
– Porque sempre implica comigo, briga comigo, chama meu nome errado e me trata como se eu não fosse nada?
– Poxa vida, era uma pergunta e se transformaram em quatro. Vou resumir as duas primeiras e a ultima em uma só: a gente implica com quem a gente gosta. E eu gostei de você Katniss, desde o dia em que te chamei para aquela entrevista. Percebi todo o seu empenho em ficar aqui e admito que isso me impressionou, não são todas que me chamam a atenção assim. — disse me encarando e eu fiquei sem entender. — E a ultima eu já disse. Prefiro Katerin, é mais fácil. — sorriu e eu gargalhei.
– Ok, como se Peeta fosse um nome fácil. Seu pai errou quando foi te registrar ou algo do tipo? — debochei.
– Na verdade minha mãe nunca se preocupou com nomes. Ela deu os nomes mais estranhos para mim e meu irmão então nem me preocupo mais. — nós rimos e um silêncio se formou entre nós.
Fiquei alguns minutos olhando para a foto ponderando se perguntava ou não sobre o namorado, mas achei que seria invasivo demais. Penso por alguns instantes distraída olhando pela janela, e pelo reflexo da mesma pego Peeta me encarando fixamente. Volto- me para ele e o encaro também
– Seu namorado é muito bonito. — digo sem pensar, mas logo tapo a minha boca.
– Meu o que? — ele pergunta se levantando da poltrona e rindo
– Ué, seu namorado. Esse aqui da foto... — disse apontando a foto e ele me encarou querendo rir. — Você é gay não é?
– De onde tirou essa ideia Katniss? — perguntou quase se matando de tanto rir.
– Oras das suas atitudes e seu modo de falar e cá entre nós esses seus óculos, nem precisa ser muito esperto.
– Ok, eu não sou gay, apesar dos óculos dizerem o contrário admito. — respondeu e eu me levantei de sua cadeira indo ao seu lado.
– Então quem é o homem na foto? — indaguei confusa.
– Meu irmão, Cato. Ele é a minha cara, como pôde achar que era meu namorado... — completou rindo e eu me envergonhei.
– Ainda não estou convencida... — disse tentando disfarçar a minha vergonha e procurar algo nele que fosse pelo menos um pouco gay além dos óculos.
– Quer que eu faça o que para te provar que eu não sou gay? — perguntou se aproximando de mim e eu o encarei sem saber o que fazer.
– E-eu, hã... Não tenho ideia. — disse meio atordoada pela aproximação repentina.
Seu perfume estava me inebriando, e eu percebia que estava abrindo a boca aos poucos.
– Eu tenho várias ideias, sabia? — disse andando para cima de mim e eu fui recuando até que bati contra a parede. Droga! Estou perdida, não vou resistir muito tempo.
– Quer me contar as suas ideias então? — perguntei com a voz rouca entrando em seu jogo e ele sorriu de forma maliciosa.
– Não preciso falar para isso, mas se me permitir. Com licença. — disse e então me puxou pela cintura e pela nuca em um beijo caloroso.
O beijo era meio desesperado, mas eu não neguei quando a sua língua invadiu a minha boca de modo feroz me arrancando suspiros. Nós cambaleamos por alguns instantes e logo minhas costas bateram contra outra parede me trazendo a realidade.
– Peeta! — exasperei empurrando-o para longe. — Você é meu chefe!
– E dai, há quanto tempo você escuta dizer que chefes sempre tem casos com suas assistentes? — perguntou debochado e eu sorri irônica.
– Pois bem, eu não vou fazer parte deste ciclo vicioso. E outra, terminei meu relacionamento de cinco anos hoje, ainda não superei. — disse mentindo, na verdade eu estava super aliviada em ter terminado com Gale.
– Ok, escute. Eu não te contratei porque achei você eficiente, mesmo você sendo.
Eu a contratei porque gostei de você Katniss, desde a primeira vez que a vi entrando por essa porta. Desde que eu ouvi sua voz no telefone me pedindo um emprego. E eu ter te contratado como minha assistente foi o único jeito que eu encontrei de passar mais tempo com você. Mas parece que isso só fez você me odiar mais... — ele jogou tudo e eu fiquei realmente estática, não sabia o que fazer ou o que falar. Tudo o que ele havia dito, havia me pegado de surpresa.
– Peeta... – sussurrei. — Você não me fez te odiar, na verdade eu sempre quis entender o porquê de você me tratar como capacho e também nunca parei para pensar no que disse: “A gente briga com quem gostamos”. Eu acredito em tudo o que disse, mas não posso dizer que sinto o mesmo... — disse mentindo, não queria parecer fácil e ele me encarou com seus olhos azuis e eu pude notar um brilho diferente lá.
– Katniss acredite em mim, eu posso te fazer feliz. — veio para perto de mim segurando meu rosto. — Eu posso te fazer esquecer o seu ex-namorado, só... Acredite em mim. Eu me apaixonei e você não tem noção do quanto foi difícil me segurar por três longos anos. Você me faz uma pessoa melhor, e quando estou com você todos a minha volta percebem isso. Ao seu lado eu não tenho vontade de brigar com todo mundo como eu sempre fiz. — disse me olhando profundamente nos olhos e eu sorri com suas palavras.
– Sinto muito... — disse fracamente tirando suas mãos do meu rosto. — Não quero te iludir dizendo que sinto algo igual por você. — respondi olhando seu olhar decepcionado. — Porém, não posso mentir pra você e dizer que você não mexe comigo. — disse sincera e ele me encarou sorrindo.
– Me deixa aumentar isso? Deixa eu te fazer feliz, eu prometo. — insistiu e eu sorri para ele.
– Peeta. — chamei como se estivesse barrando qualquer sentimento seu por mim e ele me encarou sério. — Me beija? — pedi e ele sorriu andando até mim.
– Não precisa pedir duas vezes. — me beijou de forma mais calma, me fazendo sentir o quanto tudo o que ele disse era verdade.
Abri mais minha boca deixando que sua língua invadisse e tomasse a minha em uma batalha sensual. Uma de suas mãos se prenderam em minha nuca me deixando presa a ele e a outra estava firme em minha cintura me empurrando contra a parede. Minhas mãos se prenderam em seus cabelos, os bagunçando e puxando-os esporadicamente. Desci minhas unhas acariciando seu peito e ele fez o mesmo com suas mãos, porém passando-as ao lado do meu corpo me fazendo sentir leves arrepios. Deslizou-as um pouco mais para baixo agarrando meu quadril e me puxando para cima, fazendo-me prender as pernas em torno de seu tronco e ele separou seu beijo do meu e me encarou.
– Diz que não me quer Katniss. — disse sorrindo malicioso.
– Eu não te quero. — sussurrei e ele riu pelo nariz.
– Agora diz olhando nos meus olhos. — pediu e eu o encarei.
– Meus olhos não sabem mentir como a minha boca. — brinquei e ele me roubou um selinho.
– Feliz dia dos namorados. — sussurrou no meu ouvido, logo depois mordendo o lóbulo.
– Não sou tua namorada Mellark. — respondi rapidamente.
– Mas vai ser. Pode não ser nesse dia dos namorados, mas no próximo com certeza. — retrucou confiante. — Percebe o quanto eu te desejo Katniss? — disse forçando seu corpo contra o meu, fazendo-me sentir sua ereção pressionada a minha intimidade e eu gemi. — Não brinquei quando disse que a faria minha. E essa noite não tem como fugir. Eu te amei Katniss desde o primeiro momento em que você pronunciou meu nome. E isso só tem aumentado. — disse capturando meus lábios novamente, mas dessa vez de forma mais bruta. — Eu te amo, Katerin. — brincou e voltou a me beijar.
Peeta me prensou contra a parede e eu gemi ao senti-lo contra mim. Rebolei instintivamente e ele gemeu de volta levando suas mãos para meus seios e os apertando firmemente. Suas mãos correram por minha barriga a procura da barra da camiseta e logo a puxava por cima da minha cabeça jogando-a em cima da poltrona. Minhas mãos foram rápidas ao puxar sua camisa social preta, revelando-me seu belíssimo físico. Suas mãos ágeis abriram o fecho do sutiã expondo meus seios e deixando-os a sua mercê. Sua boca agarrou um seio lambendo-o e mordendo meus mamilos excitados, enquanto o outro era acariciado com sua mão. Logo ele trocou fazendo a mesma coisa com o outro seio me deixando louca. Nos movimentamos novamente e percebi ele andar até a sua mesa, passando o braço em cima dela e jogando tudo que havia em cima para o chão. Me deitou rapidamente e logo pôs-se a abrir a minha calça, enquanto eu fazia a mesma coisa com a sua social. Empurrei sua calça para baixo com os pés e forcei meu quadril para cima para que ele retirasse a minha calça, nós ficamos apenas com a parte de baixo das roupas intimas e Peeta parou alguns instantes e sorriu minimamente.
– Céus, sabe quantas noites eu passei tomando banho frio imaginando esse seu corpo na minha cama? — disse maliciosamente e eu sorri.
– Muitas, agora se não se importa, pode terminar seu trabalho? — pedi e ele rapidamente atendeu voltando a capturar meus lábios em um beijo sensual.
Peeta apertou um de meus seios e sua outra mão desceu para minha bunda, apertando-a de forma bruta e eu gemi. Desci minhas mãos por seu peito, barriga e logo encontrei o cós da cueca, onde fiquei brincando com o elástico criando coragem para ir adiante. Logo abaixei mais um pouco a mão e segurei seu membro com força entre a minha delicada mão, fazendo-o urrar algo desconexo para mim. Continuei a acariciá-lo por cima da cueca e ele se levantou rapidamente me puxando junto, suas mãos puxando minha calcinha de renda branca para baixo enquanto eu fazia o mesmo com sua cueca. Parei uns instantes para olhá-lo e acredite, nunca iria imaginar que meu chefe, que até então era gay, tinha esse corpo todo. Sorri e ele me deitou na mesa novamente. Se abaixou perto de sua calça e pegou dentro da carteira uma camisinha, vestindo-a rapidamente. Posicionou seu membro em minha entrada, porém não me penetrou e eu gemi por antecipação.
– Se eu fizer isso agora Katniss, eu nunca mais vou deixar você ir. — disse e eu assenti.
– Me faça sua Peeta. — implorei e ele sorriu sacana.
– Você vai ser minha, pra sempre. — disse e olhando fundo nos meus olhos finalmente me penetrou, urrando de prazer ao invadir-me de modo lento, se encaixando perfeitamente.
Era engraçado, mas parecia que Peeta era meu encaixe. O modo perfeito como nos moldamos juntos e o modo como ele me olha é algo surreal, então percebo que todas as palavras ditas hoje para mim não foram com o propósito único de transar comigo, e sim que suas palavras era verdadeiras, seus sentimentos por mim eram reais, e eu não queria que isso acabasse, de uma forma estranha meu corpo se aqueceu, meu coração frio até então se aqueceu e um sentimento bom começou a aflorar. Peeta despertava em mim coisas até antes, desconhecidas, ele era verdadeiro em todas as suas atitudes e minha noite estava apenas começando. Eu já era ciente de meus sentimentos por Peeta quando ainda jurava que ele era gay, mas agora ele só fez isso aumentar.
Ele agarrou minha cintura de modo brutal, fazendo-me mexer no sentido contrario a ele, de modo que nos dava prazer em dobro, seu membro alcançando lugares desconhecidos e me fazendo gemer de modo diferente. Ninguém, nunca me fez sentir assim antes, com ele era diferente, não era apenas sexo, havia amor envolvido. Peeta deslizou uma de suas mãos para meu rosto o acariciando enquanto gemíamos um o nome do outro e logo tirou os cabelos que estavam grudados na testa pelo suor e eu sorri. Sua mão deslizou novamente e ele apertou meu seio esquerdo enquanto se forçava dentro de mim de modo sensual. Sem conseguir prolongar muito esse momento eu me entreguei ao orgasmo, sentindo minhas extremidades formigarem e meu baixo ventre se fisgar de forma deliciosa. Peeta estocou mais algumas vezes dentro de mim prolongando a minha sensação pós orgasmo e logo ele se entregou também, finalizando tudo enquanto gemia meu nome. Cansado, sua cabeça repousou no vale entre meu seios enquanto acariciava meu braço e eu lhe acarinhava os cabelos, nós ainda estávamos conectados. Depois de sentir sua respiração normalizar novamente ele levantou a cabeça minimamente, apenas para olhar-me nos olhos e eu senti um arrepio percorrer minha coluna.
– Isso foi muito mais do que eu sempre imaginei Katniss. Eu disse que você era minha. — disse acariciando minhas bochechas e eu sorri.
– Eu não acredito que fui tão burra em não ter percebido isso antes. — disse lhe devolvendo um sorriso.
– Esse foi o melhor dia dos namorados da minha vida. — disse levantando o corpo e se apoiando nos braços ao meu lado.
– O meu também, definitivamente. — disse zombeteira e ele me fez uma careta.
– Não pense que acabei com você, agora que já não sou mais seu chefe já posso te levar para o meu apartamento. — disse saindo de dentro de mim. — Vista-se, ainda temos muitas coisas pra fazer.
– Sim, chefe. — disse rindo e me trocando.
Terminamos de nos arrumar e andamos até o elevador trocando carícias e nos beijando de forma terna. Andamos até seu carro e entramos indo em direção a seu apartamento. Logo na porta de seu do mesmo e eu sorri nervosa ainda não acreditando que vim mesmo para cá, Peeta realmente me tira dos eixos. Ele abriu a porta me dando espaço para entrar e eu agradeci passando e esperando que ele entrasse junto. Seu apartamento era enorme e super bem decorado, a mobília toda era estilizada e as paredes coloridas, tudo que eu sempre imaginei. Me peguei admirando tudo enquanto Peeta aparecia na sala com uma garrafa de vinho tinto e duas taças. Abriu-o para nós, despejando o conteúdo nas duas taças e me entregando uma. Dei um mínimo gole e sorri, Peeta se aproximou de mim e me abraçou, puxando-me para aconchegar em seu peito, o que fiz rapidamente. Realmente ele fazia-me sentir coisas nunca sentidas antes, e eu sabia exatamente o porquê. Eu amava Peeta e não havia mais como negar isso. Peeta com toda certeza me surpreendeu hoje e eu realmente decidi acreditar em suas palavras.
– Peeta. — chamei e ele assentiu. — Obrigada pelo que disse hoje, eu realmente fiquei sem palavras. — disse rapidamente.
– Não disse mais nada do que a verdade. — respondeu beijando meus cabelos.
– Eu te amo. — disse baixo, porém alto o suficiente para que ele suspirasse acima de mim.
– Repete? — perguntou sorrindo.
– Eu te amo. — disse já sentindo meu rosto esquentar.
– Eu também te amo, Katerin. – disse brincando e eu lhe dei um tapa no peito de leve. — Au!
– Feliz dia dos namorados Peeta. — disse e ele sorriu.
– Feliz dia dos namorados Mon'amour. — disse com o sotaque francês fajuto e se aproximou de mim, beijando-me os lábios.
Eu achava que Gale era o amor da minha vida, porém depois de cinco anos eu percebi o quanto errei. Eu nunca quis abrir meus olhos para Peeta, talvez pelo fato de acreditar que ele fosse gay. Mas ainda acredito em destino e se ele me colocou no caminho de Peeta, fazendo-me ir trabalhar em pleno dia dos namorados, terminando meu namoro de cinco anos com Gale e ainda sido assaltada ficando sem nenhum lugar para ir, me restando apenas à companhia de Peeta Mellark, eu realmente acredito que nada foi por acaso. Peeta aconteceu na minha vida do nada, e já se materializou no meu coração, transformando-o em puro calor. Ele transformou o pior dia da minha vida, no melhor Dia dos Namorados.
The End.
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