Cupido

2 O despertar da alma gêmea


Notas iniciais
Oi~ BERRO Kubo anunciou que Yuri e Viktor são almas gêmeas 8D aaaaaaaaa~ coincidência? EU ACHO QUE NÃO! Eu me tremi toda com a entrevista e tudo, me tremo ainda só de lembrar. Bem aqui um cap bem delicioso.

Os tons de laranja pintavam o céu naquele fim de tarde. Viktor tomava um cappuccino enquanto caminhava calmamente em uma praça. Observava atentamente os fios vermelhos que flutuavam no centro do peito das pessoas. Algumas ainda não as tinham. Somente ele, um cupido, tinha a capacidade de enxerga-las e uni-las, era o seu trabalho. Aquelas fitas surgiam quando a pessoa conseguia o primeiro contato visual com a sua alma gêmea, e desde então elas não voltavam a se enrolar, ficando soltas. Com o dedo ele poderia descobrir tudo o que seu alvo sentia pela pessoa destinada.

Estava uma tarde bastante agradável, mesmo que sua canela latejasse. Aquilo fora um resultado de um tropeço que deu na entrada do café, alguns minutos atrás. Sempre fora desastrado, e isso já estava mais do que acostumado — levando como um bônus os seus esquecimentos vez ou outra. Seu turno da tarde estava acabando, e logo Chris chegaria para o turno da noite, só assim, poderia descansar — finalmente. Na sua agenda faltava apenas um casal para fechar a sua cota do dia.

Um loiro passou a sua frente de cara fechada. Ele esbarrou em um moreno quase na faixa de pedestre. Viktor sorriu tomando outro gole de sua bebida, enquanto lambia seus lábios finos apreciando o sabor de seu cappuccino. Ele via ali o florescer de duas novas fitas, e bastou apenas um primeiro olhar entre eles. Uma das coisas mais bonitas depois de tantos anos como cupido, era justamente poder presenciar aquela cena em primeira mão. O despertar de uma alma gêmea era algo tão puro, que até para o cupido que presenciava tinha a capacidade de sentir o sentimento que explodia nos corações dos dois.

Com o dedo, ele puxou a longa fita que flutuava do loiro, analisando os dados de vida dele. Logo em seguida, fazendo o mesmo com o outro. Ambas estavam vermelhas, não o suficiente para eles já saírem completamente apaixonados, mas sim para aproximarem-se e começar uma conversa amigável. As fitas já nasceram prontas para uma aceitação de conexão, era um indício de que ambos se aceitariam, logo de cara. Então seria questão de — pouco — tempo para eles enfim se conhecerem melhor e se assumirem. Com um sorriso, ele, já com as duas extremidades das fitas, lhes juntou as pontas. Elas amarraram-se e formaram uma única fita, longa e grossa, brilhava quase em um vermelho neon. Aquilo indicava que agora, eles estavam destinados a viverem juntos. Aquela conexão nunca mais poderia ser rompida.

— Já vi que terminaste o trabalho por hoje. — a voz macia e sensual era de um Chris que brotara do nada, montado em sua moto, agora desligado. Viktor abriu seu sorriso — Não faça essa cara, parece que está se livrando de mim, ou algo assim. Eu vou ficar chateado.

— Não, não. Eu só estou muito cansado. — suspirou ao perceber que seu cappuccino havia acabado — Preciso ir para casa e dormir um pouco, antes que eu fique indisposto para trabalhar amanhã.

— Entendo. — ele segurava o capacete de sua moto, seu sorriso era de quem acabava de descobrir um segredo e estava com a língua coçando para contar.

— Diz logo o que quer que tenha a me falar. — jogou o copo da bebida em uma lixeira ali perto.

— Hoje Leo me apresentou a alma gêmea dele. É um garoto novo como cupido, tem algumas semanas à ativa na filial dessa cidade. Chama-se Guang Hong Ji. — apoiou o capacete na perna esquerda — Estão no maior love agora. E pior que o garoto é uma fofurinha.

— E quem fez a conexão? — pesquisou em sua mente, mas nada veio sobre esse Guang.

— O Jean. — esticou os braços, sentindo-os estalar de leve — Bem, aqui começa meu turno, não? Pode ir para casa descansar, senhor solteiro.

— Como se eu quisesse viver sem alma gêmea. — suspirou tristemente — Só me admiro de estar demorando tanto.

— Calma que logo tu a encontras. Eu quero ter o privilégio de fazer a tua conexão, tu entendeste?

— Sim. — abriu um sorriso.

Chris era seu melhor amigo, óbvio que aquele seria um pedido, afinal, Viktor fizera a conexão dele com sua alma gêmea. Após uma breve e calorosa despedida, ele tomou o seu rumo. Estava visivelmente cansado, mas felizmente o cappuccino tinha cafeína o suficiente para manter-lhe acordado até — pelo menos — chegar a seu apartamento.

Teria de subir duas quadras ainda, e no seu passo de tartaruga só chegaria cerca de uns dez a quinzes minutos. Sentia fome, lembrou-se de ter comido apenas um sanduíche pela manhã, biscoitos no horário de almoço e aquele cappuccino. Repreendeu-se por ter tido uma alimentação tão péssima durante o dia, mas o que ele poderia fazer? Sua agenda para hoje estava lotadíssima, e isso o desgastou demais. Teria de procurar fazer uma compressa quente para aliviar a tensão de seus ombros.

Parou antes de alcançar a próxima quadra, aproximou-se devagar de uma vitrine e sorriu. Era uma padaria nova, certamente que ali ele poderia comprar algumas coisas para fazer um lanche descente antes de dormir. Não estava com cabeça para preparar um jantar elaborado demais, como sempre fazia para si mesmo. Entrou e já foi observando cada detalhe do ambiente, o cheiro delicioso de pães tomava conta o deixando com mais fome ainda. Levou o dedo indicador ao lábio, precisava comprar o que exatamente?

Rapidamente se dirigiu até um refrigerador, ali havia os frios. Peito de peru, salsichas e queijos adicionados a sua cesta. Próximo.

Lembrou-se de comprar alguns pães doces e de amêndoas. A fila não estava muito cheia, mas também não muito vazia, pelo andar do movimento logo ele pagaria as compras e iria para casa. Virou-se para a bancada de mármore para pedir os pães, iria perguntar que pão bonitinho era aquele com algo vermelho no centro… quando o viu.

— Esse é o pão Romeu e Julieta. A massa contém queijo e no centro um pedaço generoso de goiabada. — disse o atendente de cabelos negros. Os óculos de armação grande e azul chamavam a atenção para os olhos puxados.

E foi com grandíssimo espanto que ele viu uma fita em vermelho vinho saltar do peito dele em sua direção. Sentiu-se tremer por inteiro, e logo baixou o olhar, tentando de alguma forma acreditar que era o que estava pensando ser aquilo.

Uma fita azul cobalto começava a esticar-se de seu peito, balançando lentamente em direção à fita do atendente. Levantou o olhar, deveria estar com cara de espanto, pois o moço estranhou um pouco. Antes que ele abrisse a boca para falar algo, Viktor abriu seu melhor sorriso.

— É uma receita deveras diferente. Dois dele, por favor.

O atendente, de nome Yuri Katsuki — viu em seu crachá — sorriu de volta. Prontamente pegou dois pães, colocando-os com cuidado em um saco de papel, embrulhando-os e entregando Viktor.

— Podes passar no caixa para pagar, senhor. — acenou todo gentil — Obrigado e volte sempre.

Estava sem palavras para retribuir o agradecimento, então apenas acenou de volta. Suas pernas tremiam, pareciam que a qualquer momento iriam falhar, levando-o ao chão. Teria de tentar entender o que realmente fora aquilo, e precisava ligar urgentemente a Chris. Mas sabia que só poderia fazer isso após o turno dele chegar ao fim. Atrapalha-lo agora não seria bom, o dia estava cheio de casais para os cupidos de todos os turnos.

Viktor, um cupido.

E sua alma gêmea, um humano.

O que realmente estava acontecendo ali? Seria a deusa do Amor pregando-lhe uma peça?

Notas finais
e-e Esse emprego do Yuri não foi nada planejado... só apareceu aí porque eu estava com fome, e muita vontade de comer pão. Que Enton..QUEM VIU O THE VOICE? A MINA FEZ FANART DO YURI E MOSTROU NA TV EU BERREI MUITO. Até agora tentando raciocinar, pense num anime que fez história, literalmente.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.