Cupid, Stupid

1 I'm Cupid, Stupid.


Notas iniciais
É isso, curtíssima.

Nome: Carrie Hartnell Cutter. Ocupação: Base policial Starling City. Real ocupação? Cupido.

Observou com falso desinteresse o homem caminhar pela rua. Como gostaria de arrancar seu coração como ele arrancara o dela, sem nenhuma piedade Ross a machucara, magoara e esmagara seu coração, agora ela faria o mesmo, é claro. Afinal de contas, ela era a cupido, prezava pelo amor e pelos corações inteiros, como poderia deixar um homem tão cruel à solta?

Argh. Revirou os olhos. Eles eram tão nojentos.

Olhou a si mesma pela terceira vez e agitou os cabelos vermelhos, queria estar bonita, afinal. Queria que Ross notasse o que perdera quando a abandonara sem dizer uma palavra se quer. Fora um pouco difícil encontrá-lo, tinha que confessar, mas com alguma persuasão conseguira.

Ela era a cupido.

Ninguém conseguia ser tão docemente persuasiva quanto ela.

Por fim, sorriu satisfeita com a própria aparência e caminhou em direção ao casal, seus passos soavam lentos e ritmados e aquela altura da noite, só haviam os três na calçada deserta. Sua satisfação aumentou ainda mais ao constatar tal fato.

Ajeitou a própria postura. — Se esta rua... Se esta rua fosse minha... — Cantarolou suavamente, logo atraindo a atenção do casal para si.

Ross a olhou confuso por um fração de segundo, no entanto, tão rápido sua expressão adquiriu os tons de medo que Carrie tanto apreciava. Principalmente naquele rosto.

Carrie já fora normal um dia, bem, não exatamente normal. Ela era o que podia se chamar de comum. Tinha um bom emprego como policial — onde à propósito, ela era muito boa -, tinha um noivo que a amava — ou assim ela pensava, claro — e tinha um lindo cachorrinho, o pequeno Blue, o lindo beagle de incríveis e raros olhos azuis. Sim, Carrie podia dizer que já fora uma pessoa normal, uma boa pessoa. Mas, não mais.

Nunca mais seria aquela pessoa outra vez.

Quando acordara naquela manhã, sozinha em sua cama não sabia de fato o que estava para acontecer. Ross e ela estavam bem, ela pensara imediatamente que o marido havia ido até a padaria, ou correr, como ele costumava fazer aos sábados de manhã. Mas, quando tentara ligar em seu celular o descobrira simplesmente fora de serviço.

Carrie entrara em desespero. A preocupação atingindo níveis épicos dentro de si. Onde estava Ross, afinal?

Bem, Ross estava em Los Angeles, aproveitando tudo o que o sol e a praia tinham à oferecer. E principalmente, o que as mulheres bonitas tinham a oferecer.

Carrie conheceu cada uma delas, as investigou e controlou-se para não mata-lás. Não era má! Porque as mataria se o errado era Ross?

Absolutamente não.

Era por isso que estava aqui, para fazer o culpado pagar. Ross a levara a loucura, cada dia, cada lágrima que derramara contribuíra para sua depressão. Segundo os médicos ela fora diagnóstica como depressiva psicótica. Um absurdo completo.

Carrie tinha completa noção dos próprios atos e do quão certos eles eram. Por isso ela sorriu, fitando a Ross abraçar protetoramente a mulher que estava ao seu lado. Odiou-o ainda mais, ele devia ter feito isso com ela. Não cederia mais uma vez aos impulsos da tristeza que a consumia, ela era boa o bastante, era uma pena para Ross que ele não tenha notado isso.

- Olá, Ross! — Cantarolou novamente, dispersando as lembranças dolorosas de seu passado e encarando aos olhos negros do homem a sua frente. — E olá, você. — Torceu os lábios em desgosto.

Eles eram tão idiotas.

- Você arrancou meu coração, Ross. — Começou em tom de lamento, lágrimas teimosas insistiam em sair de seus olhos, mas Carrie as obrigou a pararem. Não choraria mais. Definitivamente não. — Você o amassou e jogou fora, pisou sobre ele como um velho chiclete sem sabor.

- Eu não sei do que está falando. — Carrie observou, agora com uma diversão bipolar o ex noivo gaguejar, quase escondendo-se atrás da pobre moça.

- Pobrezinha. — Ela balançou a cabeça e os cabelos ruivos se agitaram. — Você pode fugir se quiser, querida. — Gentilmente, indicou a saída atrás si para a mulher loira, esta assentiu freneticamente e com um olhar de desculpas em direção a Ross, correu pela rua escura. — Ela é bem rápida! — Carrie estralou os lábios e riu.

- O que você quer?

- Ah, querido! — Ela abriu um sorriso gigantesco. — Eu quero só uma coisa, uma coisa que você nunca me deu, mas que me pertence por direito.

- O que?! Do que está falando? — Carrie se aproximou de Ross, a flecha vermelha em formato de coração brilhando em suas mãos, por fim, endireitou a postura, erguendo o arco e posicionando a flecha sob a corda. — Ei! — Ele chamou sua atenção.

- Sim, querido?

- O que você quer de mim? É dinheiro? Eu posso te dar tudo!

Cupido suspirou, teatralmente. — Oh querido. Tudo que eu quero de você é o seu coração.

- O que?! Quem é você?

Carrie revirou os olhos e então sorriu, animada. — Eu sou a cupido, idiota!

E antes que Ross pudesse ao menos pedir por uma clemência que Carrie não cederia, ela disparou, observando com os olhos brilhando quando ele caiu lentamente para trás. A flecha vermelha certeira em seu coração.

Agora sim, Carrie estava satisfeita. Carrie e Cupido, as duas estavam felizes com o desfecho da história.

Ele roubara seu coração, agora, ela roubara o dele também.

Notas finais
E entonces? Alguém leu? .q
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!