Cupcake

14 Funcionário do Mês



Já fazia um mês desde que Jungkook começou a trabalhar na Magic Shop. Desde o primeiro dia, foi recebido de braços abertos, a equipe era como uma verdadeira família. Todos se ajudavam, se acolhiam, e o trabalho fluía com leveza e harmonia. O ambiente era descontraído e animado, com risadas diárias e pequenas “brigas” ocasionais, geralmente quando alguma cliente mais ousada dava em cima de Taehyung, o que deixava Yoongi emburrado pelo resto do dia. Mas bastava Taehyung arrastá-lo para um abraço escondido no depósito que toda a “raiva” milagrosamente passava.

A loja ia de vento em popa. As vendas aumentavam a cada semana, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Namorados. Nessa época, os clientes pareciam enlouquecer na busca pelo presente ideal, e os bolos e doces da Magic Shop faziam sucesso absoluto.

Naquela noite, quase nove horas, Jimin e Taehyung estavam terminando de decorar a loja com coraçõezinhos vermelhos, ursos de pelúcia se beijando e fitas de cetim por toda parte. Yoongi, sentado no balcão, observava tudo com uma expressão de profundo desgosto.

— Argh, eu odeio o Dia dos Namorados... coisa mais brega — resmungou ele, revirando os olhos.

— Não foi o que você disse naquela noite especial que passamos juntos em um... — começou Taehyung com um sorriso travesso.

— TAEHY! — Yoongi se levantou num pulo, cobrindo a boca do marido com a mão, desesperado.

Jimin não conseguiu segurar a risada.

— Ah, qual é, Yoon. Vocês só foram num motel, não é nenhum segredo de Estado — brincou ele. — Relaxa, é normal.

— Caralho, Taehyung — Yoongi o fuzilou com os olhos. — Você conta tudo pro Jimin?

— E você não conta tudo pro Hobi?

— Claro que não! — respondeu Yoongi com um bico indignado, lembrando imediatamente das conversas ultra detalhadas com Hoseok, em que disputavam qual dos maridos era "melhor equipado".

— Ai meu Deus... eu vou embora antes que sobre pra mim — disse Jimin, rindo alto ao ver o casal trocando olhares “mortais”.

Jimin saiu, deixando o casal mais briguento — e apaixonado — se resolver no meio dos ursinhos decorativos. Foi até o balcão, onde Jungkook ainda mexia no computador do caixa.

— Olá… você vem sempre aqui? — Jimin se apoiou no balcão, aproximando-se mais do que o necessário.

— Só quando você está. — Jungkook riu e apertou de leve o nariz dele.

— Ei! Meu nariz! — Jimin empurrou a mão dele, rindo. — Você é bem ousado, hein?

— Verdade, verdade… não posso ficar flertando no meu ambiente de trabalho. Vai que meu chefe vê.

— Talvez seu chefe não se importe.

— Sério? Como vou saber? — Jungkook o olhou por cima dos óculos, com um meio sorriso.

Jimin apoiou os cotovelos no balcão e o queixo nas mãos, olhando Jungkook com a expressão mais adorável que conseguiu fazer. Foi necessário muito autocontrole para Jungkook não apertar suas bochechas… ou beijá-lo ali mesmo.

— Me conta… esse seu chefe… ele é chato?

— Chato? Não. Ele é o melhor chefe do mundo.

— Credo, que puxa-saco. A gente devia estar falando mal dele. Não é assim que se faz?

— E por que eu falaria mal de alguém com zero defeitos?

— Aff... vou vomitar. Você é puxa-saco demais — Jimin fez uma careta dramática.

— Tá bom… talvez ele tenha um defeito.

— Qual? — Jimin se endireitou, genuinamente curioso.

“Sua boca tá muito longe da minha… esse é o seu defeito.” — pensou Jungkook.

— Se-gre-do — respondeu Jungkook, arrastando cada sílaba com um sorriso provocador.

— Ah, Kookie! Me conta, vai — Jimin pediu, manhoso. — Se não contar, vou pedir pro seu chefe te chamar pro escritório pra um feedback beeem reservado.

— Vou com o maior prazer.

— Seu chato! Então vou pedir pra ele te colocar pra fazer hora extra... toda noite… com ele.

— Sério? Já tava torcendo por isso.

— Idiota… — Jimin riu, fingindo indignação. — Então tá, e se eu mandar ele te escalar pra trabalhar de plantão no sábado… na casa dele?

— Só eu e ele? A sós? Um fim de semana inteiro? Por que você ainda tá aqui falando comigo? Vai lá marcar!

— Seu sem-vergonha! — Jimin riu, sentindo o rosto esquentar.

Jungkook se posicionou no balcão, bem na frente dele. Apoiado nos cotovelos, sua presença era quase intimidadora. Ele o olhava tão intensamente, com um sorriso de canto que fazia qualquer pensamento lógico evaporar. Jimin desviou o olhar, sentindo as bochechas queimarem.

— O-o q-que você tá f-fazendo? — perguntou, tentando disfarçar o nervosismo e o calor subindo pelo rosto.

Jungkook se afastou rindo do jeito tímido de Jimin e voltou a se concentrar no computador. Adorava como ele o provocava todo cheio de atitude e depois morria de vergonha.

— Tô só finalizando umas notas e organizando o sistema. Já terminaram a decoração? Quer ajuda?

— Não precisa, já acabamos. Apesar de Taehyung e Yoongi ficarem de briguinhas, deu tudo certo.

— Aqueles dois… o que foi dessa vez? — Jungkook perguntou, digitando.

— Nada novo. Só tesão acumulado.

— Tesão acumulado? — Jungkook ergueu uma sobrancelha, rindo.

— É. Eles ficam se alfinetando porque querem ir logo pra casa… fazer o que você tá imaginando — Jimin deu de ombros com naturalidade.

Jungkook disfarçou um sorriso, lançando um olhar de canto.

— E você? Já ficou com… tesão acumulado?

— E-eu? — Jimin quase engasgou com a própria saliva. — Quem nunca, né?

— E como você fica? Digo… o Yoongi e o Tae ficam parecendo dois adolescentes implicantes. E você, como você fica?

— Ah, eu… eu fico meio manhoso — admitiu, envergonhado.

— Hum… percebi que ultimamente você anda bem manhoso comigo…

— Kookie! — Jimin o cutucou, corado — Que vergonha! Eu não tô manhoso com você, não…

— Tá bom, tá bom. Você não tá manhoso — Jungkook disse com um sorriso debochado, tentando conter o riso.

— Isso, que bom que reconhece.

Jimin deu a volta no balcão, ficando ao lado de Jungkook. O pretexto era “conferir o serviço do funcionário”, mas a verdade era que queria ficar perto dele, por causa do perfume delicioso que Jungkook usava. Disfarçou mexendo nas coisas sobre o balcão, como se estivesse muito interessado na organização, mas seus olhos não paravam de acompanhar os dedos rápidos de Jungkook no teclado.

Pegou um abridor de cartas e começou a brincar com ele, distraído. No entanto, seu devaneio foi interrompido por um pequeno deslize.

— Ai! — resmungou, recuando a mão rapidamente.

— Jimin? O que foi? — Jungkook se virou imediatamente, preocupado.

— Me cortei com essa porcaria — reclamou, jogando o abridor de cartas de volta no balcão com uma careta.

— Deixa eu ver isso. — Jungkook segurou a mão de Jimin com delicadeza, examinando o pequeno corte de onde escorria um leve filete de sangue.

Sem pensar duas vezes, levou o dedo até a boca e o chupou devagar.

Jimin prendeu a respiração, surpreso com o gesto. O calor da boca de Jungkook, a umidade da língua deslizando sobre sua pele sensível, era demais. Seus olhos se fecharam por reflexo, e um gemidinho escapou de seus lábios, baixo, quase imperceptível, mas suficiente para Jungkook perceber. Ele ergueu os olhos e sorriu, satisfeito com a reação.

— Pronto… — disse, tirando o dedo da boca com um estalinho leve. — Não vai morrer de hemorragia. Agora deixa eu pegar um band-aid antes que você desmaie.

Jimin ainda estava tentando recuperar o ar. Aquele simples gesto tinha mexido com todos os sentidos dele.

— O-ok… o-obrigado… — murmurou com a voz fraca e rouca.

Jungkook pegou a caixinha de primeiros socorros debaixo do balcão, limpou o corte com cuidado e colou um band-aid de bichinhos sorridentes, claramente comprado por Taehyung.

— Taehyung comprou isso pro Yoongi — comentou Jungkook, rindo. — Disse que ele era um bebê e gostava dessas coisas.

Jimin olhou para o curativo no próprio dedo e não conteve o riso.

— Fiquei com um curativo de ursinho rosa. Que estiloso.

— Combinou com você — Jungkook disse, olhando nos olhos dele. — Já te falei que seu sorriso é lindo?

Jimin corou, desviando o olhar e tentando conter a vontade de sorrir ainda mais.

Notas finais
EU SOU BOIOLA POR JIKOOK (principalmente na vida real kkkkk)