Cupcake

16 Farinha, açúcar e fermento



Convencer um Jimin bêbado a ir pra casa foi uma missão quase impossível. Jungkook precisou prometer que eles dançariam mais assim que chegassem, e só assim conseguiu convencer o rapaz.

Como tinha vindo de carro e bebido mais do que o normal, chamou um motorista para que pudesse levá-los de volta. Ajudou Jimin a ir até o carro, apoiando-o com cuidado, já que ele mal conseguia parar em pé. Sentou-se ao lado dele no banco de trás e deixou que Jimin repousasse a cabeça em seu ombro, acariciando de leve seus cabelos enquanto o caminho seguia silencioso, apenas com o som baixo da cidade à noite.

Depois de quase quarenta minutos atravessando ruas e avenidas, finalmente chegaram à casa de Jimin. Jungkook, já um pouco tonto pela bebida, ainda assim o pegou no colo com delicadeza. Jimin dormia profundamente, o rosto sereno e os lábios entreabertos.

Carregá-lo foi outro desafio, mais por causa do próprio desequilíbrio do que pelo peso de Jimin. Mas ele não reclamou. Queria garantir que seu amado chefe estivesse seguro.

Com alguma dificuldade, conseguiu abrir a porta e entrar. Já conhecia bem aquela casa, então seguiu direto para o quarto, onde deitou Jimin com cuidado na cama.

— Conseguimos… — murmurou Jungkook, exausto, mas com um sorriso bobo no rosto. — Agora é hora de descansar, meu amor

Jungkook se inclinou sobre Jimin e, com delicadeza, tirou sua blusa. O abdômen lisinho e de pele clara chamou sua atenção por um instante. Ele mordeu o lábio inferior sem perceber, admirando a beleza daquele corpo que tanto o fascinava, mas logo balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos que surgiam.

“Não. Ele está vulnerável. Isso não seria certo.”

Seus olhos ainda percorriam o corpo escultural de Jimin, como se tivessem vontade própria. Jungkook suspirou, lutando contra os próprios impulsos.

— Controle-se, Jungkook… não foi isso que seu pai te ensinou — murmurou para si, imaginando a expressão furiosa de Jin ao descobrir qualquer deslize.

“Ele me mataria sem pensar duas vezes”, pensou com um sorriso nervoso.

Ajoelhou-se aos pés da cama e retirou os sapatos de Jimin, ajeitando suas pernas com cuidado para que ficasse confortável. Subiu novamente até o cós da calça, desabotoando-a devagar. Puxou a peça com gentileza, deixando Jimin apenas de cueca. Mais uma vez, precisou reunir todo o autocontrole que possuía.

— Droga… o que eu tô pensando? Não sou esse tipo de pessoa.

Bufou baixo, frustrado com os próprios pensamentos, e pegou uma manta para cobrir Jimin. Antes de se afastar, inclinou-se e deixou um beijo suave em sua testa.

Sentou-se à beira da cama por alguns instantes, observando o rosto sereno do outro dormir. Um sorriso brotou em seus lábios, leve e apaixonado.

— Você é tão lindo… tão especial pra mim — sussurrou, quase como uma confissão para si mesmo.

Mas o cansaço e o álcool já o dominavam. Seus olhos pesavam, a mente oscilava entre consciência e sonolência.

— Preciso ir pra casa… — murmurou.

Em um ato inconsciente, quase como se já estivesse no conforto do próprio quarto, Jungkook tirou os sapatos e as roupas, ficando apenas de cueca. Se deitou ao lado de Jimin e, num gesto instintivo, o puxou para seus braços. O corpo de Jimin, ainda adormecido, se aconchegou contra o seu, buscando calor e conforto.

Ali, debaixo das cobertas, os dois dormiram juntos pela primeira vez. Não como amantes. Não ainda. Mas como dois corações que, mesmo sem saber, já estavam entrelaçados.

…

Ainda com os olhos fechados, Jimin sentiu o toque quente de um braço alheio envolvendo seu corpo. Ele franziu o cenho, confuso.

“Tem... alguém me abraçando?”

Tateou devagar o peito que o segurava, sentindo a pele nua sob seus dedos. Assim que a ficha caiu, ele abriu os olhos num sobressalto e pulou da cama com um grito assustado.

— Q-q-q-quem tá aí?! — exclamou, puxando a coberta para esconder o próprio corpo ao perceber que estava apenas de cueca.

“Meu Deus... eu transei? Com quem?! Quando?! Quem é esse cara?!”

Na cama, alguém dormia profundamente, o rosto ainda coberto pela coberta, deixando à mostra apenas as costas nuas. Jimin arregalou os olhos e, em pânico, ergueu o pé para cutucar a criatura misteriosa com a ponta dos dedos.

— E-ei... moço... a-acorda, por favor...

O “desconhecido” resmungou baixinho e então, lentamente, puxou a coberta para longe do rosto. Os olhos ainda estavam fechados e os cabelos bagunçados. Jimin arregalou os olhos e, num segundo, soltou um suspiro aliviado, seguido de um largo sorriso.

— Kookie! — gritou, saltando de volta para a cama como uma criança empolgada, abraçando Jungkook com força.

O baque do corpo de Jimin quase fez Jungkook vomitar.

— J-Jimin-shi...! — ele gemeu, tentando recuperar o ar.

— Kookie! Graças a Deus é você! Eu tô tão feliz! — Jimin apertava o abraço, visivelmente aliviado.

— Jimin... bom dia... eu... — Jungkook tentou entender o que estava acontecendo.

— Sim! Nós... nós… — Jimin se afastou só o suficiente para olhar nos olhos dele, depois encostou a cabeça em seu peito, tímido. — Como foi? Eu não lembro de nada da nossa... noite juntos...

Jungkook piscou, confuso.

— Noite... juntos?

— É! Tipo... você sabe... nós dois — ele fez um gesto vago com as mãos, parecendo mais animado do que envergonhado.

Jungkook coçou a cabeça, tentando recuperar os fragmentos da noite anterior.

— Bem... eu cantei pra você... você dançou e cantou pra mim...

— Essa parte eu lembro! — Jimin sorriu — Mas quero saber do resto. Como a gente chegou aqui? O que mais aconteceu? Me conta tudo!

— Foi um pouco difícil... — Jungkook lembrou da luta para trazer Jimin do carro até o quarto.

— Difícil? — Jimin arqueou as sobrancelhas, curioso.

— Sim. Você não parava quieto, e eu precisava tomar cuidado pra não te machucar. Só queria entrar logo porque... eu já não tava aguentando mais.

— Uau… você queria entrar logo? — Jimin repetiu com um sorriso malicioso.

— Claro! Estava frio e eu só queria me esquentar. — respondeu, inocentemente.

— E conseguiu? — Jimin manteve o sorriso, cada vez mais sugestivo.

— Consegui sim... acho que é porque é pequeno, então fica mais quente e confortável.

Jimin arregalou os olhos e teve que se conter pra não cair na gargalhada.

“Quente e confortável. Que jeito inusitado de descrever uma noite de sexo”, pensou Jimin.

— Tive um pouco de dificuldade pra tirar sua roupa, mas no fim deu tudo certo. — completou Jungkook, distraído.

— Nossa… queria tanto me lembrar.

— Da próxima vez, nada de exagerar na bebida. — disse ele, sério.

— Da próxima vez? — Jimin se animou, os olhos brilhando.

— Claro! Podemos repetir, mas com moderação. Assim você aproveita melhor cada segundo da noite.

— Concordo! Quero lembrar de tudo… Aliás — Jimin inclinou-se curioso — foi bom pra você?

Jungkook travou.

— Q-q-quê?! Como assim?! Jimin… eu juro que não fiz nada!

— Como assim "nada"? A gente não… você sabe... — Jimin fez um gesto com as mãos, sugerindo o óbvio.

— A gente...? Não! Jimin, eu jamais faria isso com você desacordado! Eu só te coloquei na cama… e acabei dormindo junto porque também tava meio tonto da bebida.

Jimin o encarou, desanimado.

— Então... a gente não teve uma noite de amor selvagem?

— Jimin… você achou mesmo que... que a gente...? — Jungkook ficou vermelho. — Eu não sou esse tipo de pessoa. Só queria garantir que você estivesse bem.

— Ah... — Jimin desviou o olhar, frustrado. — Então a gente só… dormiu?

— Só dormimos. Eu te cobri, fiquei um pouco ao seu lado e acabei apagando também. Me desculpa se... se te frustrei ou assustei.

— Não precisa pedir desculpa. — Jimin suspirou, ainda abraçado ao travesseiro. — Só achei que… talvez tivesse sido o começo de…. deixa pra lá.

Jungkook o olhou com ternura. Queria dizer que sim, poderia ser o começo, mas talvez em outras circunstâncias. Por enquanto, só o silêncio ficou entre eles, junto ao calor ainda recente daquele mal-entendido.

O clima entre eles havia mudado. Jungkook não sabia como agir. Tinha a impressão de que Jimin estava irritado ou, pior, desconfortável com ele. Sentiu que o melhor a fazer era se trocar e ir embora. Precisava de um banho para encarar mais um dia de trabalho.

Durante todo o dia, evitaram-se. Trocaram poucas palavras e, quando o faziam, sequer se olhavam. Yoongi, sempre atento, percebeu a tensão pairando entre os dois. Taehyung, por outro lado, seguia alheio, envolto em sua própria bolha de entusiasmo.

Quando a noite caiu e todos começaram a se preparar para ir embora, Jungkook novamente era um dos últimos a sair. Sabia que Jimin ainda estava no escritório, e mesmo hesitante, foi até lá ver se ele precisava de ajuda.

Encontrou-o no alto de uma escada, lutando para trocar uma lâmpada queimada.

— Precisa de ajuda? — perguntou, se aproximando com cautela.

Jimin sorriu ao ver a lâmpada se acender.

— Consegui! — comemorou, orgulhoso. — Só me ajuda a descer, por favor…

Jungkook estendeu a mão. Jimin a segurou com confiança. Quando ele pisou no último degrau, Jungkook, quase sem perceber, envolveu sua cintura com os braços, como se seu corpo agisse por conta própria. Jimin estremeceu com o toque, mas não se afastou. Pelo contrário. Passou os braços ao redor do pescoço de Jungkook, aproximando-se. Seus olhos encontraram os dele, e o mundo pareceu silenciar ao redor. Era um olhar intenso, repleto de desejo contido e sentimentos não ditos.

Jungkook puxou-o para mais perto, colando seus corpos. A distância entre seus rostos era agora uma provocação, milímetros carregados de vontade.

Jimin fechou os olhos e esperou pelo beijo que, desde aquela noite, não conseguia parar de imaginar.

Notas finais
Será que o beijo sai? Nem parece que o Jimin quer né?