Cupcake
21 Expectativa

— Só passei aqui pra deixar umas coisinhas que o Jimin pediu — disse Taehyung, colocando algumas sacolas sobre o balcão.
Jungkook olhou curioso, mexendo nas sacolas. Tudo parecia normal: alguns ingredientes para bolos e confeitaria, embalagens... até que seus olhos encontraram algo bem diferente.
— Tae… isso aqui é mesmo pro Jimin? — perguntou, arqueando a sobrancelha enquanto retirava uma algema de dentro de uma das sacolas.
— AI MEU DEUS, ISSO É MEU! — Taehyung praticamente arrancou a sacola das mãos de Jungkook, vermelho de vergonha.
— Algemas, cassetete e… uma farda de policial? — Jungkook caiu na risada. — A noite promete, hein?
Taehyung bufou, cruzando os braços.
— Confesso que tô nervoso, tá?
— Ué, por quê? Não é como se fosse a primeira vez — Jungkook tentou conter o riso.
— Não é por isso, seu idiota — Taehyung revirou os olhos — É que o Yoon gosta de umas coisas mais... intensas, digamos assim. E eu sou todo romântico, cara, fico meio perdido nessas horas.
— Se ele tá com você há mais de sete anos é porque ele te ama do jeitinho que você é. Inclusive, acho que esse seu jeitinho todo meigo deve deixar ele ainda mais apaixonadinho — Jungkook sorriu.
Taehyung suspirou, mas não segurou o sorriso tímido.
— É, pode ser… Mas se eu errar o script de novo, ele vai rir da minha cara igual da última vez.
— Só não esquece a fala de impacto: “Você tem o direito de permanecer calado... mas eu não recomendo” — disse Jungkook com voz dramática, e ambos caíram na risada.
— Eu to rindo agora, mas o fato é que… — Taehyung olhou para os lados, mesmo com a loja vazia, queria se certificar de que ninguém mais estava por perto — O Yoon querer algo mais… criativo e com esses adereços — disse em um sussurro conspiratório, abaixando o tom de voz como se estivesse compartilhando um segredo de Estado. — Me deixa tenso. Você me entende, né?
— Ah, entendo perfeitamente — Jungkook deu uma gargalhada alta, mas logo teve a boca tampada pela mão de Taehyung.
— Idiota! — Taehyung o repreendeu, olhando para os lados outra vez — Hoje ele pediu uma coisa mais intensa. Tipo... zero romance, cem por cento selvageria — suspirou como quem aceitava um destino inevitável.
— Para de drama. É só uma fantasia e você vai se sair bem, Sargento Tae Tae — Jungkook respondeu com um sorriso malicioso. — Bom, se me dá licença, vou ali dar um beijo no meu confeiteiro favorito.
Ele saiu, deixando Taehyung sozinho com seus pensamentos e sua sacola comprometedora.
— Lá vão eles de novo fazer essas indecências no escritório… — murmurou Taehyung para si mesmo, cruzando os braços — Eu é que não sento mais naquele sofá. Nem naquela cadeira. Nem em lugar nenhum daquele cômodo.
Balançou a cabeça em negação, resignado, e saiu da loja. Tinha uma missão a cumprir: agradar seu maridinho. Mas não com jantares à luz de velas, nem serenatas ou declarações apaixonadas como costumava fazer.
Dessa vez, Yoongi tinha sido claro, queria algo intenso e selvagem. Já tinha até mandado o “roteiro” completo por mensagem: assim que Taehyung entrasse em casa, teria que entrar no personagem e não sair mais. Sem margem pra erro.
E lá foi Taehyung, com algemas na bolsa e nervos à flor da pele, pronto para encarnar o policial mais sedutor (e perdido) da cidade.
Taehyung estacionou na garagem e permaneceu dentro do carro por alguns segundos. O coração acelerado batia no mesmo ritmo da ansiedade. Mesmo depois de tantos anos casado, ainda se sentia um adolescente prestes a encontrar o crush quando pensava em Yoongi.
— Certo, agora é só me arrumar — murmurou para si mesmo, pegando a sacola no banco de trás.
Dentro dela, estava a farda de policial. Só Yoongi para ter ideias tão peculiares. E só Taehyung mesmo para topar todas elas de coração aberto.
Com algum esforço e todo desengonçado, trocou de roupa ali mesmo no banco do motorista. Vestiu a camisa justa, abotoou com pressa e encaixou o cassetete no cinto com ar teatral. Pendurar as algemas na lateral da cintura foi o toque final. Ainda dentro do carro, pegou a arma de brinquedo e se posicionou diante do espelho retrovisor.
— Ok… foco. Postura máscula. Queixo erguido. Olhar fatal.
Penteou os cabelos para trás, ajeitando os fios que teimavam em cair na testa.
— Isso… é isso que o meu Yoon quer ver — disse, encarando sua própria expressão de galã de filme policial dos anos 80.
Saiu do carro devagar, em passos ensaiados, quase como se desfilasse. Segurava a arma cenográfica com firmeza, apontando à frente, como havia praticado ao longo da semana. A ideia era parecer um policial em missão, pronto para capturar um meliante muito perigoso, no caso, seu próprio marido.
Ao chegar perto da porta, parou. Respirou fundo. Encarou a maçaneta como se fosse a entrada para um território inóspito. O “agente Kim” estava pronto para agir.
— Hora do show, oficial Taehyung. Missão: prender esse criminoso safado chamado Min Yoongi.
A porta estava apenas encostada. Taehyung a empurrou com a ponta dos dedos e entrou com cautela. A casa estava mergulhada na escuridão; nenhuma luz acesa, nenhum som além do barulho da chuva caindo lá fora. Acendeu a lanterna e a arma falsa foi posicionada à frente do corpo com uma postura firme e respiração controlada. Seus olhos afiados escaneavam cada canto da sala como se estivesse em uma verdadeira operação tática.
Subitamente, ouviu um barulho vindo do andar de cima. Movendo-se em silêncio absoluto, começou a subir as escadas, degrau por degrau, até alcançar o corredor. A lanterna iluminava as paredes em um feixe estreito. Então, algo se moveu. Um vulto atravessou o corredor e entrou rapidamente em um dos quartos.
Taehyung parou em frente à porta, apontou a arma e anunciou com firmeza:
— Eu já te vi. Não pense que vai escapar de mim. Recebi uma denúncia sobre essa casa… os donos estão viajando e os vizinhos relataram movimentações suspeitas. Se quiser que eu pegue leve, é melhor se entregar agora.
Silêncio. E então, o som claro de uma janela sendo aberta.
Sem hesitar, Taehyung ergueu a perna e deu um chute firme na porta, que se escancarou com um estrondo. Ele apontou a arma na direção da figura que tentava subir pela janela. E ali estava Yoongi.
De costas para a porta, com um ar de criminoso. Vestia uma calça de couro preta, justa como se tivesse sido moldada ao corpo. A blusa também preta, de mangas compridas e gola alta, desenhava cada curva da sua cintura fina. Os ombros se movimentaram sutilmente quando ele fingiu ser pego de surpresa.
A luz da lanterna desenhou sua silhueta de forma dramática.
Taehyung sentiu o calor subir por seu corpo. Nunca tinha visto Yoongi usar algo assim. Respirou fundo, tentando manter a concentração. Precisava se manter no personagem, mesmo que seu coração estivesse batendo mais rápido do que deveria. A missão estava só começando.
— Você me pegou, senhor policial… — Yoongi se virou lentamente, levantando as mãos em rendição, mas o sorriso malicioso no canto dos lábios dizia tudo, assim como a máscara preta que cobria seus olhos e a mordidinha provocante que deu no lábio inferior. Taehyung sentiu as pernas fraquejarem.
— Acho bom ficar paradinho aí — ordenou com a voz firme e rouca, aproximando-se com a arma apontada. Em um movimento rápido, virou Yoongi de costas para a parede. — Mãos na parede! Vou te revistar.
Yoongi obedeceu sem hesitar, encostando as palmas na parede.
— Assim está bom, senhor? — perguntou com a voz manhosa, jogando charme.
Taehyung encostou as mãos na cintura do marido, deslizando os dedos por sua lateral de forma lenta e insinuante, sob o pretexto de uma revista. Passou as mãos pelo peitoral, sentindo os músculos sob o tecido justo, depois desceu até as coxas, apertando com gosto. Yoongi estremeceu, mordeu os lábios novamente e soltou um suspiro baixo.
— Olha só o que temos aqui… — Taehyung murmurou ao encontrar uma peça de joia escondida no bolso traseiro. — Parece que vou ter que te prender.
Ele ergueu as algemas diante dos olhos de Yoongi e deu um sorrisinho convencido ao ouvir a risadinha provocante do marido.
Yoongi se virou levemente, com um brilho perigoso no olhar por trás da máscara.
— Pois então me prenda… quero ver se vai saber me interrogar.
…
Numa manhã calma, três dias após aquela noite intensa, Yoongi despertou lentamente. Ainda estava aninhado ao peito do marido, os braços de Taehyung envolviam sua cintura com delicadeza, como se o protegessem mesmo durante o sono. Piscou devagar, estranhando o tecido macio contra a pele, estava vestindo o pijama do próprio Taehyung. Nem se lembrava de tê-lo colocado. Provavelmente, como tantas outras vezes, havia desmaiado de cansaço, e seu marido o vestira com todo o carinho antes de colocá-lo na cama.
Sentiu então um embrulho forte no estômago. Levantou-se de súbito, apertando o ventre com uma das mãos, e correu para o banheiro com passos apressados.
— Amor? Tá tudo bem? — Taehyung ergueu o pescoço, sonolento, preocupado com a movimentação repentina.
Yoongi não respondeu. Fechou a porta atrás de si, ajoelhou-se diante do vaso sanitário e vomitou. O gosto amargo na garganta era o menor dos incômodos, sentia o corpo suar frio, o estômago revirar e as pernas tremerem. Mas, por mais estranho que parecesse… ele sorriu.
Com os olhos marejados e as mãos ainda apoiadas na porcelana fria, uma certeza floresceu em seu peito.
“Eu tô grávido. Nem acredito…” — pensou, o coração acelerado de alegria.
Mesmo entre náuseas e calafrios, sentiu uma onda quente de felicidade tomar conta de si.
— Yoon? — Taehyung bateu suavemente na porta do banheiro, com a voz carregada de preocupação.
— Oi, amor. Eu tô bem. Já vou sair. — respondeu Yoongi, tentando soar tranquilo.
Ele deu descarga e foi até a pia. Ao se encarar no espelho, seus olhos brilhavam. Sorriu ao ver no pescoço pequenas marcas deixadas pelo marido, lembranças carinhosas das noites quentes e intensas que haviam compartilhado.
“Meu Deus... eu tô mesmo grávido. Grávido do amor da minha vida. O Tae vai pirar quando souber.” — pensou, e não conteve o sorriso bobo que escapou.
Lavou o rosto com calma, escovou os dentes e, ao sair do banheiro, encontrou Taehyung ali, parado, com o cenho franzido de preocupação.
— O que foi aquilo? Tá tudo bem? Tá com dor em algum lugar?
— Tá tudo ótimo, amor. — Yoongi respondeu, abraçando-o com força e escondendo o rosto no peito do marido. — Na verdade… eu tô tão feliz...
— Eu também, meu amor. — Taehyung sorriu, aliviado, e passou os dedos carinhosamente pelos fios bagunçados de Yoongi. — Acordar todos os dias com você é a minha maior felicidade. Vou escovar os dentes rapidinho e a gente desce pra comer algo, tá?
Aquele domingo foi calmo e cheio de pequenos gestos. Eles passaram a manhã enrolados no sofá, assistindo filmes antigos com uma coberta nos ombros. Taehyung preparou panquecas, enquanto Yoongi colocava música baixinha pra tocar. Brincaram, riram e tiraram fotos bobas no celular, como costumavam fazer nos dias de folga. Foi um daqueles dias simples, mas perfeitos e repleto de afeto.
No dia seguinte, a semana começou com céu nublado e um vento frio. Taehyung saiu cedo para o trabalho, tinha uma grande encomenda para um casamento importante, e a Magic Shop precisava estar impecável. Antes de sair, preparou um chá quente de gengibre com mel e deixou ao lado da cama.
Yoongi estava indisposto desde o despertar, sentia o estômago sensível e o corpo levemente preguiçoso. Mesmo com os insistentes pedidos do marido para ir ao médico, ele recusou mais uma vez, dizendo com um sorrisinho cansado que era só um mal-estar passageiro. E prometendo que se piorasse, ele iria.
Taehyung o beijou na testa, ajeitou a coberta sobre ele e saiu, ficando com o coração um pouquinho apertado, mas confiando que seu Yoongi iria ficar melhor.
…
— Dez anos pra atender, desgraçado?! — Yoongi praticamente rosnou no telefone.
— Eu tava dando banho no meu bebê, ô peste! — respondeu Hoseok, ofegante. — O que você quer, criatura?
— Preciso que você vá ao shopping comigo.
— Pra quê? O Tae me mandou mensagem dizendo que você tava indisposto, perguntando até se eu conhecia chá pra dor no estômago. Era pra estar de repouso, seu doido.
— Não quero repouso, quero comprar roupinhas de bebê.
— Pra quê?
— Pro meu bebê, oras.
— Seu… bebê? — Hoseok parou por um segundo. — Pera… VOCÊ TÁ GRÁVIDO?
— Tô, mas não grita, caramba!
— O Tae não me falou nada!
— Claro que não. Ele ainda não sabe.
— COMO ASSIM? Ele é o pai! Ele devia ser o primeiro a saber!
— Sim, e vai ser... só que eu quero fazer uma surpresa. E pra isso, preciso da sua ajuda.
— Ai meu Deus do céu! — Hoseok bateu palmas, e Yoongi pôde ouvir o som do bebê rindo ao fundo. — Eu não tô acreditando nisso! Você grávido! Isso vai ser icônico!
— Vai me ajudar ou não?
— Óbvio que vou! Vou só terminar de vestir meu neném aqui e te busco de carro. A gente passa no shopping rapidinho. Já tô com mil ideias!
— Beleza. Tô aqui esperando. E traz seu bom gosto, por favor.
— Deixa comigo, futuro papai! — Hoseok deu risada.
Yoongi sorriu ao desligar o telefone. Estava nervoso, animado e feliz. Tudo ao mesmo tempo. Ia ser a maior surpresa da vida de Taehyung e ele mal podia esperar para ver a reação do marido.
…
Já no shopping, Yoongi e Hoseok caminhavam lado a lado pelos corredores. Yoongi carregava a bolsa do bebê enquanto Hoseok equilibrava o pequeno no colo, rindo com o filho que balbuciava sons ininteligíveis. Os dois amigos visitavam loja após loja em busca de itens para recém-nascidos.
Yoongi, empolgado, escolhia roupinhas sem se preocupar com cores: rosa, azul, amarelo, tudo era bem-vindo. Entre uma prateleira e outra, esquecia por instantes o incômodo no estômago, dominado pela alegria do momento. Mas a felicidade foi cedendo espaço ao mal-estar.
Quando estavam prestes a entrar em mais uma loja, Yoongi parou de repente, levando a mão ao abdômen. Seu rosto se contorceu numa careta de dor.
— Yoon? — Hoseok se virou imediatamente, o tom preocupado.
— Hobi... — a voz de Yoongi saiu fraca, trêmula. — Chama o Tae... Eu tô passando mal de verdade.
Hoseok o ajudou a se sentar em um banco próximo. Yoongi estava visivelmente abatido, mais pálido do que o normal, os lábios esbranquiçados, os olhos fundos e a testa suada. Hoseok pegou rapidamente o celular e ligou para Taehyung.
Minutos depois, Taehyung chegou esbaforido ao shopping. Encontrou os dois exatamente onde Hoseok havia indicado. Ao ver Yoongi naquela condição, não pensou duas vezes, o pegou nos braços com cuidado e o ajudou a chegar até o carro.
Durante o trajeto até o hospital, o desconforto de Yoongi se intensificava. Ele sentia um refluxo doloroso, e por algumas vezes Taehyung precisou parar no acostamento para que o marido vomitasse. Apesar do desespero crescendo em seu peito, Taehyung se manteve firme, acariciando as costas de Yoongi e repetindo, como um mantra:
— Vai ficar tudo bem, amor. Eu tô aqui. Tô com você. Já estamos quase chegando no hospital, aguenta só mais um pouquinho — Taehyung acelerou o carro enquanto lançava olhares preocupados para o banco do passageiro.
— Taehy… eu preciso te contar uma coisa — Yoongi falou com dificuldade, suando frio.
— Conta depois, meu amor. Agora o importante é cuidar de você… — tentou argumentar.
— Não! Precisa ser agora. Eu não quero que você descubra isso por outra pessoa… nem pelo médico.
Taehyung olhou rapidamente para ele, alarmado.
— Então fala, amor, tô ouvindo.
Yoongi respirou fundo e fechou os olhos por um segundo.
— Eu tô… grávido.
O silêncio durou um segundo.
— GRÁVIDO? — Taehyung gritou, e por pouco não perdeu o controle da direção. O carro fez um leve zigue-zague antes de ele conseguir manter o volante firme novamente. — Grávido? — repetiu, com os olhos marejados.
Lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto, dessa vez não de preocupação, mas de pura emoção. Seu coração parecia prestes a explodir de alegria. Queria parar o carro ali mesmo e abraçar Yoongi, mas precisava levá-lo ao hospital o quanto antes.
Assim que chegaram, Taehyung correu até a entrada com Yoongi nos braços. Mesmo com as pernas funcionando perfeitamente, Yoongi foi mimado como nunca, e ele adorava. Uma cadeira de rodas foi trazida, mas Taehyung insistiu em levá-lo no colo até o consultório.
Após os exames, o médico entrou no quarto onde Taehyung segurava a mão do marido.
— E então, doutor? Como está a minha gravidez? — Yoongi perguntou, animado, sem conseguir conter o sorriso.
O médico fez uma pausa e arqueou as sobrancelhas.
— Gravidez? Ah… houve algum mal-entendido, Senhor Min. O senhor não está grávido.
O silêncio cortou o ar como uma lâmina.
— O quê…? — Yoongi murmurou, pasmo. — Eu… não estou?
— Não — respondeu o médico com delicadeza. — O senhor teve uma infecção alimentar. Nada grave, mas causou os enjoos, febre e mal-estar. Com a medicação certa, logo estará bem.
Yoongi piscou algumas vezes, tentando processar aquilo. Taehyung também ficou em choque, sem saber o que dizer.
A alegria que Yoongi sentiu agora dava lugar a uma amarga decepção.
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