Cupcake
3 Capítulo 3
Notas iniciais
– Hey, cuidado! – digo ao cara que esbarrou em mim.
Mas é tarde demais, e o meu maravilhoso cappuccino já está todo no chão. Felizmente, não fui atingida, porém, isso não diminui a raiva que eu estava sentindo por ter perdido todo o líquido divino.
– Hey, você derrubou minha bebida! – digo cutucando o rapaz alto que estava virado de costas, ou seja, o assassino de bebidas lácteas.
Quando o cara finalmente se vira para mim, eu congelo.
– Precisamos parar de nos encontrar assim. – Brody diz entre risos.
Uma semana se passou e, definitivamente, foi a mais produtiva de todas. Logo após minha fatídica transformação, Kurt me explicou como ele tinha conseguido os espetaculares cupcakes:
– Simples, eu fui àquela padaria, Rach. – Kurt explica rolando os olhos como se fosse a coisa mais óbvia do planeta.
– Mas o Brody disse que a padaria estava fechada – falo entre uma mordida de outra.
Os cupcakes, sem dúvida, eram dignos da reputação que têm: foram os melhores que já comi na minha vida.
– Brody? – Kurt pergunta indignado e me lembro de que não dei detalhes sobre o acidente.
– É – respondo enquanto como o terceiro cupcake – O cara que me atropelou.
– Além de sem direção, ele está mal informado, hein? Não acredito que você está na cidade há poucos dias e já está me trocando. – Kurt diz com seu típico ciúmes.
Dou risada e pego outro cupcake da caixa, rolando os olhos exageradamente. E respondo ainda de boca cheia:
– Você SABE que é o meu ÚNICO melhor amigo.
– Que nojo, Barbra! Se você for falar assim, pode ir lá conversar com esse tal de Brody. – Kurt diz fazendo uma careta.
Apenas gargalho e pego outro bolinho. Solto alguns gemidos de aprovação, são simplesmente deliciosos.
– Então, Barbra, eu estava pensando em ir dar uma volta no Central Park. Assim, você conhece melhor a cidade e... DÁ PARA PARAR DE GEMER E PRESTAR ATENÇÃO?
– Desculpa – digo e sinto minhas bochechas corarem – Continue, por favor.
– Enfim, vamos? – Kurt pergunta arqueando uma das sobrancelhas.
– Para onde? – digo completamente perdida.
– Ai, Barbra, só venha e limpe a boca, está toda suja de glacê. – Kurt fala enquanto me empurra para fora do apartamento.
Caminhamos por cerca de quatro horas no Central Park até Kurt decidir entrar numa livraria ao redor alegando que precisava se manter ‘atualizado’. Aproveitei para comprar um cappuccino, afinal, comer cupcakes dá muita sede.
Entrei no paraíso terreno do amor, Starbucks, e pedi um cappuccino grande. Eu estava perto da saída quando fui ‘atropelada’ pelo...
– Rachel? RACHEL! – Brody diz estalando os dedos, consequentemente me tirando dos meus pensamentos.
– S-sim? – falo meio confusa
– Eu falei que compro outro cappuccino para você, vem! — Brody diz já me empurrando em direção à mesa.
Esperamos a garçonete chegar com nossas bebidas em silêncio, apenas nos observando confortavelmente.
– Obrigada – falo analisando a garçonete que colocava as bebidas na mesa. Ela me parece bem familiar...
– Disponha, qualquer coisa é só chamar – ela responde com um leve sorriso. Quando ela se vira, consigo ver seu nome no crachá: Danielle.
– Você a conhece de algum lugar? – Brody pergunta
– Ah, acho que sim. – respondo corando, me dando conta de que tinha ignorado a presença dele.
Brody ri suavemente enquanto sorve um pouco de seu café.
– Então, Rachel, você vai para a faculdade?
– Sim, vou para a NYADA! Eu fui aceita há poucas semanas e...
– EU NÃO ACREDITO! – Brody exclama – Eu estudo lá! Na verdade, esse vai ser meu último semestre, mas, Rachel, isso é incrível!
Rio de seu entusiasmo exagerado.
– Mas, você não é daqui de Nova York, certo? – ele pergunta pensativo
– Não – respondo – Eu sou de Lima, Ohio.
Brody faz uma careta.
– Então, você é de Ohio? – Brody me pergunta não acreditando no que acabei de dizer. Apenas assinto enquanto tomo um pouco de meu cappuccino. – Não me leve à mal, mas... C-como você veio parar aqui?
Quando estou prestes a responder, meu celular começa a tocar.
– Desculpe, é Kurt, meu colega de quarto, tenho que atender. – digo rapidamente
Brody apenas assente e murmuro mais uma vez um “desculpa”.
Do outro lado da linha, há um Kurt desesperado:
– Rachel Barbra Berry, onde você está? Eu te deixo sozinha por cinco minutos e você desaparece? Ai meu deus, te raptaram? Seus pais vão me matar quando descobrirem que eu deixei sozinha no Central Park e...
–Kurt. — digo tentando acompanhar o que ele fala. Mas ele parece nem me ouvir.
– Quanto é o resgate? Quanto eles querem para te liberar? E-eu pago só não deixe...
– KURT! – o interrompo gritando dessa vez. Algumas pessoas me olham, murmuro “licença” para o Brody e saio do Starbucks para continuar a conversa.
Suspiro alto e continuo:
– Ninguém me raptou, eu só estava com sede e vim para Starbucks comprar um cappuccino. Eu estava indo de volta para a livraria quando Brody esbarrou em mim acidentalmente, derrubando tudo. Ele é tão desastrado! Então, ele comprou outro para mim e estávamos conversando até VOCÊ ter um ataque pelo telefone. – digo num fôlego só.
– Calma Rachel! Seres humanos podem respirar entre uma frase e outra. – Kurt fala mais calmo – E eu não estava tendo um ataque, eu estava sendo RESPONSÁVEL.
Bufo em resposta.
– Posso ir até aí então? – Kurt pergunta, me surpreendendo.
Olho pelo vidro e vejo Brody mexer no celular distraidamente.
– Eu não sei, ele deve me achar uma maluca, Kurt. – repondo ainda olhando para Brody.
Ele percebe meu olhar e quando nossos olhares se encontram, ele sorri amigavelmente.
– Bom, então vou para o aparta...
–Não! – interrompo Kurt – Venha! Estou te esperando.
Volto para a mesa pensando num jeito de explicar à Brody (um cara que mal conheço) que meu melhor amigo gay, com o qual divido um apartamento, está vindo para se juntar ao nosso encontro casual e acidental na Starbucks.
– Então, aconteceu alguma coisa? Você está diferente. – Brody diz me encarando.
– Ah, é... Bom, Kurt está vindo para se juntar a nós, tudo bem? – falo encarando o chão, com medo da reação do garoto a minha frente.
– Claro! – Brody diz realmente animado.
Porém, não tenho coragem de olhá-lo. Como dizer a um cara gato que seu amigo gay SOLTEIRO, que vai provavelmente flertar com ele, está vindo?
– Por acaso, Rachel, seu amigo é gay? – Brody fala e eu o encaro surpresa – Não tem problema, eu também sou.
Fale com o autor