Cuore Immortale

7 Capítolo 6 - Cicatrice


Notas iniciais
Capítulo 6 - Cicatriz

Assim que Lass e Arme deixaram o quarto, Louise se sentou ao lado de Sieghart na cama e segurou a mão do moreno.

—Até que nos encontremos novamente... – Louise começa a falar com lágrimas nos olhos – Erknard. Olhe para mim. – o imortal a encara.

—Lis... – ele a chama

—Sim? – responde Louise docemente

—Você não partirá novamente, não é? – o moreno a abraça repentinamente pegando-a de surpresa

—Erknard...

—Gosto quando você me chama assim. Soa diferente. Faz-me parecer eu mesmo.

—Você é o mesmo. A forma como o chamo não muda o que você é por dentro. – ela se desfaz dos braços do imortal segurando-lhe os ombros e encarando-o.

—Não... Eu não sou a mesma pessoa... Eu mudei Lis, eu me tornei alguém que não se deixa sentir nada pelos outros... Quando você me deixou... Nunca senti dor mais forte que aquela... Nem mesmo a ferida de uma espada foi mais forte... Lis, você não pode vê-lo. Não faça isso...

—Sieghart. – Louise se levanta da cama e o encara – Pare com isso imediatamente. Você também não acha que ele está... Confuso? Todos estão. Todos querem saber o que está acontecendo. E eu... Eu quero que você volte. – a garota sorri tristemente – Volte para mim. Como você era. Não ligo de ter que juntar todos os seus pedaços que foram deixados através dos séculos...

—Lis... – diz ele carinhosamente e a chama com um gesto

Ela se aproxima do imortal, que a abraça imediatamente, fazendo-a cair sobre a cama em cima dele. Era possível ouvir o coração do moreno, para ela, nada nele havia mudado. Um pouco agressivo, arrogante, egoísta, mas ao mesmo tempo, gentil, carinhoso, zeloso. Todo o jeito dele, da forma que ela conhecia e lembrava perfeitamente. Esse era o Sieghart que conhecia.

—Você pode dormir. – disse ele ainda abraçado a ela – Você ainda está ferida. Deve estar exausta.

—Estou... Mas, eu preciso cuidar de vocês... – falou Lis com a voz cheia de sono, ela havia se aconchegado perfeitamente nos braços do imortal – Preciso cuidar... De você... E do Klaus...

Logo a garota adormeceu nos braços do moreno, que se pôs a observá-la adormecida por um longo tempo. Ele se ajeitou na cama, de modo a deixá-la mais confortável em seus braços, tirou uma mecha de cabelo que caía sobre a face de Lis, aquele cabelo que para ele eram lindos ao vento, Sieghart sorria como bobo enquanto se lembrava da época em que vê-la dessa forma, tão indefesa era comum, mas de repente algo lhe surge a mente e este volta a olhar tristemente para a garota.

— Apenas não me deixe novamente... – sussurra quase de forma inaudível enquanto continuava a acariciar o cabelo da menina.

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Arme se dirigia até a enfermaria a passos lentos, todo o ocorrido estava deixando-a extremamente confusa. Ela sabia do amor secreto de Elesis por Sieghart, sabia da fascinação que Mari sentia pelo imortal e agora ela podia entender a espécie de ligação que o imortal tinha com Louise, mas não entendia o que Klaus podia fazer de tão ruim apenas por sua presença.

A maga entrou silenciosamente na enfermaria, quando foi surpreendida ao quase trombar com Klaus de pé perto da porta.

—Você é louco?! – gritou a roxinha – Não deveria estar de pé em hipótese alguma!

—Eu estou bem senhorita Arme – falou calmamente o garoto com um sorriso doce nos lábios.

—Não você não está! – a garota começa a empurrar levemente o garoto de volta para a cama.

Klaus obedientemente se senta de volta na cama e fica observando Arme mexendo nos remédios a fim de trocar os curativos do moreno. Ela se aproxima e começa a retirar os antigos curativos, se deparando com algo ainda mais surpreendente.

—Como assim? O que você fez? – ela o olhava curiosa e se pôs a tocar no local em que antes estava ferido – Como pôde se curar tão depressa?

—Eu disse que estava bem... – ele sorria sem graça – Acredito que foi Lis. Sempre que eu e Sieg ficávamos em trapos ela fazia aquilo. – ele sorri mostrando seus belos dentes brancos, deixando Arme levemente corada.

—Entendo. – diz a maga desviando o olhar – Agora que está bom de novo, devo procurar um quarto para você, não deve ficar aqui na enfermaria, e claro, também deve se reportar a comandante Lothos.

Assim que acaba de falar, a garota se vira de volta a bancada a fim de guardar as ataduras limpas no lugar, entretanto, sem que percebesse Klaus se aproximou da garota colocando seus dois braços na bancada, deixando-a presa.

—Se eu não fosse apaixonado e não tivesse jurado que todo meu ser pertenceria somente a aquela mulher, você agora estaria em meus braços. – falou Klaus em um sussurro rouco na orelha da maga, fazendo-a se arrepiar – Você não faz ideia de como estou carente. Mas não se preocupe, não farei nada com você. Obrigado por cuidar de mim.

Dito tais palavras, Klaus se retirou da enfermaria, deixando Arme totalmente paralisada e envergonhada.

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Klaus caminhou calmamente pelos corredores do quartel analisando bem o local. Vagou por vários corredores, encontrou Ryan em um dos corredores, conversaram por um bom tempo até ele resolver voltar aos seus afazeres, deixando Klaus novamente sozinho. Este seguiu pelo caminho na qual estava até encontrar com uma figura preta e cabisbaixa que praticamente se arrastava pelos corredores.

—Sieghart. – o imortal olhou-o espantado.

—Klaus...? O que está fazendo aqui?

—Quanta surpresa. – ele riu da expressão do amigo – Se esqueceu da magia de Louise?

—Não... Mas achei que seus ferimentos fossem mais sérios. – o imortal baixa o olhar.

—Entendo. – diz o outro encarando o antigo companheiro.

Durante alguns minutos o silêncio reinou naquele corredor, Klaus encarava Sieghart que desviava o olhar como se estivesse escondendo algo, o que não passou despercebido.

— Onde está Louise?

—Ela está descansando.

—Eu preciso vê-la.

—Não. – falou firmemente o moreno – Agora não. Ela não está bem, e não dorme bem faz dias. Ela conseguiu adormecer agora.

Klaus solta um pequeno sorriso sem graça.

—Você está realmente preocupado com nosso encontro, não é Sieg? – ele faz uma pequena pausa – Não é preciso responder, eu sei que está. Você se esqueceu que nós um dia fizemos parte de um mesmo grupo? Eu te conheço e sei quando está preocupado com algo.

— Só quero mantê-la confortável. Klaus, ela está sofrendo. Eu vejo isso nos olhos dela, por isso quero que não se aproxime dela por enquanto.

—Você quer é mantê-la para si! – falou exaltado – Não minta para mim! Não pense que apenas você e Louise saíram feridos nessa história! Você realmente acha que eu também não quero vê-la? Não quero pedir desculpas pelo que aconteceu? Eu sei que ajoelhar, implorar ou beijar os pés dela não nos fará voltar para aquela época! Eu também a amava Sieghart. Eu também a amava muito.

O imortal agora encarava o amigo com olhos arregalados, ele não acreditava o que estava acontecendo, ou melhor, o que estava ouvindo, ele se encostou à parede do corredor e fechou os olhos.

— Você e eu sabemos, ela não é igual as outras garotas. Ninguém nunca foi capaz de chegar tão perto do meu coração como ela. De me entender tão bem. Você sabe como ela brilha quando sorri.Eu...

—Eu não quero ouvir! – gritou Sieghart – Não quero ouvir isso! Chega! Nós dois sabemos muito bem o que aconteceu.

—Exatamente, nós sabemos muito bem o que aconteceu. – falou um voz delicada atrás do imortal.

Sieg virou-se rapidamente. Tanto o imortal quanto Klaus estavam estáticos, não esperavam vê-la naquele momento.

—Desculpe. – ela deu um pequeno sorriso – Eu pude ouvir o grito de vocês do quarto. Acho que está na hora de nós conversarmos sobre o passado. Eu tomei uma decisão.