Cuore Di Bella

23 Capítulo 16


*Turning Tables — Adele
- Hora de colocar o cinto novamente. – Edward sussurrou movendo meu corpo lentamente – Já vamos pousar, ok?
Assenti meio entorpecida pelo sono. Edward resolveu ontem a noite que de Miami nós iríamos para Espanha. Eu tinha dupla cidadania e ele tinha um visto atualizado, o que fez com que as coisas fossem rápidas. Nós nem sequer tivemos tempo para ligar para nossa família.
Isso ia render entre Charlie e eu.
Quando perdi meu bebê, tive muitas noites ruins com James. Ele não se compadeceu de mim, mas demonstrou que estava feliz por não ter mais nenhum filho. E em uma dessas noites, acabei ligando para Renée e chorei a maior parte do tempo reclamando que precisava de uma mãe ao meu lado e não tinha ninguém para me dar colo.
Eu poderia voltar a Charlie, mas não era ele. Era ela quem eu queria. Um papel não sobrepõe do outro e eu nunca tive a oportunidade de senti-la e naquele momento que meu corpo parecia vazio, era uma mãe que eu queria. A surpresa foi vê-la no dia seguinte na porta da minha casa.
Renée odiou James, mas cuidou de mim. Foi estranho. Só que minha fragilidade era imensa e tê-la do meu lado, dando banho, fazendo comida, me protegendo das investidas silenciosas de James foi precioso. E quando descobri que James me traia, roubava e ainda por cima, me manipulava, a frase que ela me disse em uma das noites insone foi: Nunca é tarde para ser mãe. E isso tinha um significado imenso entre nós duas.
Eu ainda tinha muito ressentimento, mas aquele ato ganhou meu coração. E quando fui espancada por James, ela veio com seu filho, meu irmão Riley. Ambos ficaram alguns dias comigo e cuidaram que minha ida a Volterra fosse em paz. Nós tínhamos um caminho pela frente e talvez as coisas nunca fossem normais entre nós, mas ela ficou comigo.
Isso importava mais que tudo.
Eu a amava e a notícia do seu câncer me deixou abalada. Foi apenas uma semana antes de voltar para casa. Todo mês depositava uma gorda quantia de dinheiro para seu tratamento. Eu só não sabia o que acontecia no momento. Dinheiro não seria problema. Pagaria tudo. Compraria o hospital. O que quer que fosse preciso.
Eu gostaria que meu filho fizesse isso por mim.
- Vamos para o hotel deixar as malas e encontramos seu irmão, tudo bem? – Edward entrelaçou nossas mãos e beijou minha bochecha.
- Sim. Quero comer alguma coisa.
Rapidamente, no caos do aeroporto espanhol, conseguimos nossas malas e um taxista que falava inglês. Ele nos levou ao Four Seasons da Espanha. O gerente do hotel em Miami foi muito útil durante a correria na madrugada. Ao que parece, do jeito que Edward gastou, entramos para cartela de clientes vips.
No hotel, depois de comer alguma coisa sem gosto e tomar um banho rápido, seguimos para o hospital com um motorista particular. Riley estava na recepção me esperando. E esse menino tinha crescido!
- Bella! – meu irmão que estava enorme e bonito, me abraçou apertado. Sua expressão estava arrasada.
- Quanto tempo ela está internada? Por que ninguém me avisou antes?
- Se juntar as idas e vindas, dois meses. Mas estávamos esperançosos... Com a radioterapia. Ela até chegou a raspar os cabelos sem se importar. Era apenas parte do tratamento.
- E o que mudou?
- Começou a não dar resultado e eles tentaram uma operação. Droga, não sei te explicar isso e a médica quer te ver...
- Phil e Nate?
- Papai foi levar Nate para comer alguma coisa na lanchonete, já voltam.
Riley conseguiu dois cartões de visitante na recepção e foi quando me dei conta que não tinha apresentado Edward. Logo ele que tinha nossas mãos entrelaçadas como correntes. Eu não ia soltá-lo tão cedo.
- Oh Deus, desculpe. Riley, este é meu namorado, Edward. – apresentei e sorri sem graça para Edward. – Desculpa, minha mente está confusa.
- Sem problemas, minha linda. – Edward sorriu docemente – Prazer, Riley.
- É melhor você cuidar da minha irmã, caso contrário eu te encontro.
- O que há com essa família e ameaças? – Edward brincou piscando para meu irmão adolescente que estava me defendendo.
- Venham comigo. A Dra. Nina pediu que vocês conversassem antes de tudo. Deve ser porque mamãe passou a noite exigindo que você estivesse aqui hoje.
No terceiro andar, tinham poucas pessoas e o silêncio reinava. Riley foi a frente e aparentemente todas as enfermeiras o conheciam e sorriam docemente pra mim como se também me conhecessem. Passados alguns corredores, chegamos a um quarto fechado que tinha sala com três sofás grandes, televisão, um banheiro e uma janela que dava para a frente do hospital. Era a suíte vip do hospital.
- Fiquem aqui. Aquela porta é o quarto da mamãe, mas não entre lá sem a falar com a Dra. Nina, ela me recomendou tanto isso.
- Tudo bem, vou esperar.
- Vou mandar chama-la. Já volto.
- Eu não sabia que você falava com sua mãe... – Edward sussurrou confuso me puxando para bem perto do seu corpo.
- Não é como se fossemos melhores amigas. Antes eu tinha feito de tudo para deixá-la triste e longe de mim... Mas quando tudo deu errado, ela esteve lá como minha mãe. Não é como se eu tivesse perdoado e esquecido para brincar de casinha, mas ela não deixa de ser minha mãe, mesmo com toda essa merda.
- Presumo que você está bancando tudo isso... – olhou ao redor e eu olhei também. Era tudo muito bonito, bem caro e limpo.
- Sim. Eu não ia deixá-la padecer com o não serviço público europeu e sem dinheiro o suficiente pra isso. – suspirei me encolhendo nos seus braços.
- Então, você é a menina do raio de sol? – uma mulher morena perguntou sorridente e eu assenti rapidamente – Sou Dra. Nina Lopéz. Tenho cuidado de sua mãe até o momento...
- Sim... E o que está acontecendo? Tudo é tão grave assim?
- Bella, quando você entrou em contato com o hospital e na semana seguinte sua mãe veio fazer os exames, fiquei preocupada com a extensão do problema, mas nunca iria imaginar que chegaríamos a esse ponto tão rápido. Renée está com câncer em todos órgãos vitais. Ele se espalhou pelo corpo...
- E como foi tão rápido?
- Não foi. Nós tentamos a radioterapia, era muito forte e não estava fazendo efeito. Tentamos uma cirurgia e descobrimos que o corpo da sua mãe está virando líquido. Por isso está tão inchada e gelada.
- E o que podemos fazer?
- Bella, infelizmente, qualquer tratamento vai levar sua mãe ao óbito. Ela não tem mais forças... Por isso mandei te chamar. Além de ela estar pedindo por você, eu sinto muito, mas você precisa se despedir dela.
- Não... Não é possível. Como ela chegou nisso tão rápido? Isso eu não entendo!
- Mamãe escondeu de nós o câncer por dois anos. – Riley falou baixinho – Ela confessou esta manhã que já sabia desde o começo, mas não achou que fosse algo sério. Ela teve medo e deixou passar.
- Então, o câncer assumiu o controle nesses últimos anos? Foi feito testes de quimioterapia ativa? – Edward perguntou baixinho
- Todos os testes... Possíveis e oportunidade não faltou.
- Então você está dizendo que devo entrar lá e me despedir da minha mãe? – perguntei chocada com a frieza da sua situação.
Sem espera, um barulho de alguém chorando foi preenchendo a sala silenciosa e só depois fui me dar conta que era eu quem tremia e entrava em um choro convulsivo, de dor, medo, arrependimento e mágoas.
- Sim. Sinto muito. Muito mesmo. Eu sei que você e seu marido vieram de longe, mas é isso. Depois vocês podem entrar juntos. Todos. Conte coisas boas, sorria e fale do quanto está feliz. Deixe que Renée descanse em paz sabendo que todos vão ficar bem.
- Respira, minha linda. – Edward sussurrou baixinho secando minhas lágrimas. – Acima de tudo ela é sua mãe, faça o que está pedindo.
- Eu não posso aceitar... Ela não pode morrer. Não agora que estou grávida. Edward... – choraminguei enterrando o rosto na sua camisa. Eu queria que Renée ficasse feliz com isso. Que ela fizesse parte da vida do meu filho.
- Bella... – Riley ajoelhou-se na minha frente – Eu sei que a relação de vocês tem pouco tempo e sempre foi conturbada. Só que infelizmente é isso... Nós estamos perdendo a mamãe e dói muito. O que me consola é ficar forte para que ela não sofra ao nos ver sofrendo. O que eu puder fazer para diminuir sua dor, eu vou fazer.
- Você pode entrar agora? – Dra. Nina perguntou-me.
- Sim... – assenti fracamente secando minhas lágrimas – Você entra depois? Quero te apresentar a ela e contar sobre o bebê, tudo bem?
- Claro que sim, minha linda. Estarei aqui te esperando. – Edward inclinou-se e me beijou levemente nos lábios.
Tomei algumas respirações profundas antes de me deixar mover os pés lentamente em direção a porta de madeira branca com detalhes rosa. Minha mão tremia um pouco e percebi isso quando tentei girar a maçaneta e parecia que não ia conseguir. Era como se entrar naquele quarto para dizer adeus a mulher que fez escolhas um pouco tortas sobre minha vida e ainda assim eu a amava, pesasse uma tonelada.
Meu coração batia de forma que não importava minhas opiniões como, hoje uma futura mãe, que nunca deixaria meu próprio filho por nada. Mas quem era eu (mesmo sendo o filho em questão) para discutir as reais razões de uma mulher desesperada tomar atitudes desesperadoras? Eu tenho que levantar as mãos aos céus e agradecer que ela me entregou para meu pai e não me jogou fora.
Não queria ser hipócrita, eu tinha mágoas, mas ela agiu como mãe quando precisei. No pior momento da minha vida.
- Você veio... – Renée sussurrou com a voz fraca, mas o sorriso foi tão verdadeiro que fez meu coração desmanchar – Estou tão feliz que você veio.
- É claro que eu viria, mãe. – sentei-me do seu lado na cama.
Renée estava completamente diferente do que eu tinha guardado na memória. Magra, pálida, com os fios loiros sem vida, os olhos azuis mais escuros e frios, lábios com peles levantadas e tão gelada que era assustador.
- Conte-me suas novidades...
- Mãe, eu tenho muitas, é verdade. Voltar para Charlie me fez bem. Reencontrei meus amigos e conheci uma pessoa especial. – respondi sorrindo, tentando focar na minha felicidade e mostrei a aliança. Renée sorriu abertamente e tocou meu dedo. – É bonita, não é?
- Linda. E como ele é?
- Um homem de verdade, mãe. Tão espirituoso quanto bonito. Tem um sorriso maravilhoso, me adora, me quer de verdade... Ele me faz muito feliz, todos os dias.
- Eu fico tão orgulhosa disso. De você conseguindo viver novamente. Eu te amo tanto, Bella.
- Eu também te amo, mamãe. Muito. Muito mesmo. Nunca se esqueça disso, ok? – sussurrei beijando sua testa. – Me perdoa por todas as crueldades que fiz com você. Por ter sido mimada e intransigente.
- Não existe o que perdoar. Eu fiquei orgulhosa de saber que minha filha sabe lutar pelo o que quer e protege quem ama. Eu tenho muito orgulho da mulher linda que você se tornou. Seus filhos sentirão o mesmo...
- Mamãe, eu estou grávida. – sorri meio bobamente e Renée me apertou levemente na mão, correspondendo o sorriso. – Você quer conhecer Edward?
- É Edward o nome dele? – perguntou fracamente e eu assenti – Ele veio com você?
- Sim. Vou chamá-lo.
Minhas pernas pareciam bambas quando caminhei até a porta e chamei por Edward. Ele veio rapidamente até a mim, entrelaçando nossas mãos e beijando minha testa. Voltamos até Renée e ela sorriu docemente para Edward.
- Edward Cullen, essa é Renée...
- Se eu soubesse que ele era tão bonito, teria me arrumado melhor. – Renée brincou, mesmo muito fraca e Edward ruborizou sorrindo torto – Isabella Cullen, fica bonito. Bem que minha mãe disse que Isabella era o nome perfeito para uma linda mulher...
- Sim, muito. – Edward concordou sorrindo.
- Quanto tempo?
- Quatorze semanas. – sorri passando a mão pela minha barriga. Renée devolveu o sorriso meio mole. – Mãe?
- Chama seus irmãos, querida? Phil também...
- Mãe...
- Eu chamo. – Edward foi até a porta e apenas fez sinal para os três homens entrarem.
Nate, um lindo menino de apenas dez anos veio correndo na minha direção e se encaixou no meu braço. Nós nos vimos uma única vez e foi o suficiente para um laço forte. Renée sorriu aos nos ver perto um do outro e depois virou seu olhar para Phil. Ele começou a chorar com a troca silenciosa de olhares apaixonados. Nate se apertou nos meus braços, começando a tremer silenciosamente.
- Eu quero que vocês se amem, se ajudem e fiquem juntos. Que a distancia nunca impeça a amizade de vocês, ok? – Renée sussurrou de forma firme pra nós três. – E meninos, cuidem do pai de vocês. Ele irá continuar esquecendo a toalha em cima da cama e o pote de pipoca no sofá.
- Mãe...
- Apenas, me ouçam teimosos. – Renée sorriu. – Juntos, pra sempre. Bella, você sempre foi minha princesinha, viu... Eu amava receber fotos suas por Charlie. Seus vídeos e desenhos escolares. Eu sempre te amei. Sempre estive lá, mesmo que você não me visse...
O ressoar tranquilo das batidas do seu coração pelo monitor cessou no momento que ela fechou os olhos. Meu coração estava batendo tão forte no peito, que minha visão embaçada registrou Nate soltando um grito agudo, deitando parcialmente sobre Renée. Edward envolveu os braços ao redor do meu corpo e foi me puxando para longe dos movimentos bruscos da criança.
Ele era apenas um bebê para ver a mãe assim. E isso foi me rasgando por dentro, mas tudo que conseguia fazer era chorar, porque doía demais. Nós não éramos as melhores, apenas éramos mãe e filha.
Isso nada pode mudar.
Foi como se não tivesse o suficiente dela para poder ficar satisfeita, se é que isso é possível. Não consegui dizer adeus a minha mãe.
.~.
- Alô?
- Papai?
- BELLA? PELO AMOR DE DEUS, ONDE VOCÊS ESTÃO? EU FUI BUSCÁ-LOS NO AEROPORTO E NINGUÉM POUSOU E DEPOIS INFORMARAM QUE VOCÊS CANCELARAM A PASSAGEM DE VOLTA! LIGO PARA SEU CELULAR E NÃO CHAMA. LIGO PARA O CELULAR DE EDWARD E TAMBÉM NADA. EU E CARLISLE ESTAMOS A QUINZE MINUTOS DE ENTRAR EM UM VÔO PARA MIAMI!
- Renée morreu. – sussurrei cortando seus gritos. Eu não queria pensar que ele tinha razão.
- O quê?
- Renée... Nós viemos para Espanha. O médico pediu para nos despedir da mamãe... Ela morreu, hoje, bem diante dos meus olhos. Pai, está doendo tanto.
- Minha princesa...
- Eu sei que erramos em não avisar, espero que passe nosso pedido de desculpas adiante, mas não consegui pensar em nada além de vir correndo vê-la. Desculpa, não quis te deixar preocupado.
- Filha, eu quase tive um ataque. Não faça isso comigo, Isabella. – Charlie falou severamente e eu o ouvi contar para Carlisle – Quanto tempo vocês vão ficar?
- Phil não quer um velório. Nate não pode lidar com pessoas desejando condolências e sinceramente, eu também não. Será apenas nós, amanhã de manhã. E isso nos faz pegar o vôo da tarde...
- Tudo bem. Irei buscá-los no aeroporto. Ligue-me confirmando o horário, ok?
- Sim e por favor, peça desculpas a Carlisle. Só não passo a ligação para Edward, porque ele finalmente dormiu agora. – sussurrei observando a forma do meu homem jogada na cama de qualquer jeito.
- Pode deixar e meu amor, sinto muito pela sua mãe. Sinto muito por tudo. Eu faria o mundo diferente se isso te deixasse feliz... Eu te amo, ok?
- Eu também te amo, papai. Obrigada.
Pensei em ligar para Jane e avisar que estava perto o suficiente para poder vê-la, mas não ia ficar muito tempo, fora a gravidez que já não dava para esconder os quilos que ganhei e definitivamente tinha uma barriga se formando. Uma pequena, mas perceptível para que não tinha nada. Principalmente Jane. Ao olhar meu nariz ficando diferente, ela iria acertar.
Não sabia direito o que pensar. No momento em que eu estava me tornando mãe, tinha acabado de perder a minha mãe. Era irônico, desconfortável e estranho. Tirei o roupão do hotel que vestia desde o momento que sai do banho com Edward e ele apagou na cama. Preocupado comigo, não dormiu durante as longas horas de vôo até aqui.
Observei meu corpo nu diante o espelho grande e vi a pequena diferença no meu corpo. Seios maiores e doloridos e aquela formação oval do meu ventre, passando pelo umbigo e morrendo no estomago. Em alguns meses, meu bebê estaria nos meus braços e como eu já o amava.
- Mamãe nunca, mas nunca vai te abandonar, meu amor. – sussurrei alisando minha barriga. – Eu te amo muito. Você é o melhor presente surpresa que ganhei esse ano. Você e seu pai.
- Papai também ama muito esse bebê. – Edward falou com um tom de voz rouco levantando da cama. – Muito mesmo. – sorriu torto vindo me beijar e depois beijou meu ventre. – Você é linda, meu anjo. E a cada mês vai ficar mais linda.
- Viu, bebê? Nós te amamos muito. – alisei minha barriga novamente com Edward junto. – Ainda é meio surreal, não é? Ele ou ela está aqui dentro. Tem um pouquinho de você e um pouquinho de mim.
- Isso só significa que só pode ser perfeito. – sorriu beijando minha barriga repetidas vezes. – Agora, eu acho que a mamãe e o bebê precisam descansar um pouquinho e papai se sente sozinho na cama.
- Apenas liguei para Charlie e avisei que estamos bem, vivos e que aconteceu algo. Ao que parece nossos pais já estavam pensando em fechar Miami até nos encontrar.
- Depois a gente se entende com eles... Apenas descanse, tivemos um dia longo. Não parece que acabamos de sair de uma viagem perfeita. – sussurrou me puxando para seus braços.
- Ainda está perfeita. Você está aqui. – murmurei beijando sua bochecha. – Isso só é estranho. Eu não vou dizer que tinha esperanças que Renée e eu seríamos melhores amigas. Também tinha, confuso, eu sei, mas é isso.
- Confuso sim, mas você só deve lembrar que independente das ações dela, sua mãe te amou.
- Sim... É isso.
Não consegui comer nada que foi pedido para nosso jantar, estava irritada, enjoada e com um humor negro impossível. Edward me deixou ficar emburrada sozinha depois que dei alguns foras nele. Não foi proposital. Agora, além de irritada, estava com fome. E nós tínhamos que acordar cedo no dia seguinte.
Deitamos para dormir e durante a noite acordei com calor e enjoada. Não tinha nada no estomago e no frigobar do quarto tinha um biscoito de chocolate com caramelo, acabei comendo mesmo o cheiro doce me irritando, mas não deu meia hora para correr para o banheiro. E o que me deu mais raiva foi que eu sabia que isso iria acontecer. Escovei os dentes chorando e para não acordar Edward, sentei no chão do banheiro e fiquei chorando até toda raiva, irritação, mágoa e nervosismo saísse.
No meio da noite, voltei para cama de fininho. Edward estava dormindo tão pesado que roncava e isso não era um hábito. Era apenas cansaço do fuso horário e o peso emocional do dia. Puxei o braço dele e coloquei na minha cintura e enrosquei minha perna na sua. Assim tinha certeza que ia dormir.
Essa dependência de Edward estava me assustando. No fim das contas, isso poderia não ser saudável. Embora, naquele momento estranhamente delicado, eu ansiava pela presença dele. Era minha paz.
Acordei depois de ter tirado vários cochilos durante a noite, nós arrumamos nossas coisas, tomamos café no hotel e seguimos em direção ao cemitério. Foram trocadas poucas palavras. Eu não tinha muito assunto, não estava chateada, só queria todos abraços e beijos dele e toda hora ficava apertando sua mão só pra ter certeza que estava ali.
- Já vai terminar...
- Eu quero vomitar... – sussurrei envergonhada.
O padre continuou fazendo votos de novas vidas e renovos em espanhol, com o caixão de Renée bem a minha frente. Edward estava me abraçando por trás, com Nate segurando minha mão e Riley amparava Phil. Havia alguns amigos deles que sorriam cordialmente pra mim, mas não me deixei levar por nenhum deles.
Foi longo, cansativo e triste. Eu me sentia um caco e estava preocupada até onde isso afetava meu bebê. Fora o enjôo irritante. Eu disse adeus a minha mãe. Me preparei psicologicamente para tê-la para sempre só no meu coração.
- Nate, você pode me ligar a qualquer hora do dia, ok? – beijei sua bochecha – Se quiser passar suas férias comigo, só me avisar que mando preparar tudo. E se precisar de ajuda também. Quando o bebê nascer, eu volto.
- Tudo bem. Obrigada Bella. – Nate sorriu tristemente – Tchau bebê. Cuide da mamãe, ok? – sussurrou afagando minha barriga.
- Riley...
- Eu sei. Cuidar do papai, da floricultura, te ligar toda semana, mandar e-mail, atualizar o Facebook...
- Eu só ia dizer que te amo e que você ligando, apareço no dia seguinte.
- Tudo bem. – suspirou rindo – Também te amo. Cuide da minha irmãzinha, ok? – disse a Edward.
- Pode deixar, meu rapaz.
Despedi-me de Phil e retornamos ao hotel para pegar nossas coisas e direto ao aeroporto, que como sempre, estava lotado. Voltamos de primeira classe e Edward pediu um suco de maracujá sem açúcar para nós dois. Eu tinha muito sono, mas a adrenalina dos últimos acontecimentos não me deixava fechar os olhos em paz.
- Edward?
- Sim?
- Obrigada.
- Pelo o quê, meu amor? – virou-se no seu lugar, deixando seu livro de lado.
- Eu não seria capaz de passar por isso sozinha. E você esteve aqui, me segurando e secando minhas lágrimas. Eu nunca poderei agradecer e retribuir tudo que você fez e faz por mim.
- Não existe nada o que agradecer, minha linda. – Edward me puxou para um beijo lento e apaixonado – Além do mais você é linda. E minha.
Sorri e fechei meus olhos para dormir deitando a cabeça no seu ombro. Não vi mais o vêo passar e só acordei com a chamada de pouso.
- Chegamos. Coloque o cinto. – sussurrei no ouvido de Edward.
- Já? Será que Charlie já chegou? – bocejou abrindo seus lindos olhos verdes brilhantes pra mim. Sorri e fiquei olhando as diversas tonalidades de verde que tinha na sua íris. – Que foi?
- Será que nosso bebê vai ter seus olhos? – perguntei massageando sua bochecha. – São lindos.
- Gosto dos seus. São únicos. Parece um mar de chocolate.
- Bobo. Nós temos que contar a nossa a família... Como vamos fazer isso?
- Não sei... Apenas vamos anunciar que estamos grávidos! Dar a Esme e Charlie as fotinhas do bebê até hoje...
- Hoje?
- Bella, meu amor, tudo que penso é ir para casa, deitar ao seu lado e dormir até não ter forças para não poder fazer mais isso. Depois disso, a gente pensa, ok?
- Tudo bem...
Charlie estava nos esperando no saguão com aquela cara de poucos amigos e eu sabia que o esporro vinha logo em seguida. E foram os vinte minutos inteiros até chegar ao apartamento de Edward de buzinação merecida no ouvido. Charlie subiu conosco e eu fui para cozinha preparar um chá porque era mais que merecido que ele soubesse de todos os detalhes. Mesmo estando cansada demais para isso.
E foi assim a tarde inteira. Ele se foi estava quase anoitecendo. Estava muito preocupado comigo porque tive várias crises de choro deitada no seu colo. Edward nos deixou sozinho para conversar e gostei disso. Era uma sensação estranha ainda e eu quase contei que estava grávida, mas seria injusto com todos.
Graças a minha blusa larguinha, Charlie não se deu conta. Gostei do nosso momento pai e filha e agora, queria dormir. Não fiquei chateada ao encontrar Edward dormindo e de banho tomado. Tomei banho rapidamente e deitei do seu lado.
- Você demorou, meu amor. Está tudo bem com Charlie?
- Sim. Apenas durma agora, meu amor. Nós temos um jantar de família amanhã.
- Temos?
- Sim. Nós vamos receber nossa família e contar sobre o nosso bebê.
- Eu já disse que eu amo quando refere a nós dois como um pacote só? – sussurrou sonolento me apertando nos seus braços.
Revirei meus olhos e ri. Ele era tão romântico.
Meu anjo romântico.

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N/A: Pessoal, domingo que vem tenho notícias sobre a repostagem de Manuscritos. Ouvi a música You and I da Lady Gaga. Resolvi mudar o cenário e a vida deles, mas a história em si será QUASE a mesma.

Espero que tenham gostado do capítulo, deixam review. Se tiverem dúvidas ou uma explicação melhor sobre Manuscritos mandem MP ok?


N/B: Chorei metade do capítulo, que triste!! Uma pena a Renée ter morrido, e também foi uma grande surpresa essa história dela ter ajudado a Bella. Agora eu estou pensando em como eles vão contar sobre a gravidez, e a reação de todos com essa notícia... principalmente por eles terem escondido. Comentem, beijos xx LeiliPattz