Notas iniciais
Primeira fanfic e espero que gostem. Boa leitura a todos.

Estava com os olhos cerrados, ainda sonhava com Londres e com tudo que havia acontecido até o momento.

Lembrava sobre tudo da minha mãe, com sua silhueta magricela e seu olhar frívolo perante a sociedade, que por sua vez remetia a ideia de que sentia fome, frio e um forte abalo psicológico.

O cheiro de pão vinha em minhas narinas, a fragrância era referente ao emprego dela na padaria da esquina, morávamos ali mesmo, em um quartinho na parte de trás do comércio.

O aroma rapidamente se transmutara em algo menos saboroso, pelo menos era o que as pessoas normais achavam, o que sentia agora era o odor de sangue, que de certa forma me agradava de maneira ininteligível, mas não o daquela pessoa, não o sangue da minha própria mãe.

Uma criatura que até então não acreditava que existia havia arrancado as vísceras dela no beco da padaria.

Maldita harpia, com suas garras havia rasgado o estômago dela, com seu bico tirado os órgãos para fora e sem piedade fizera uma exposição no chão do lugar imundo. Sentia a fúria subir pelas veias, que por sua vez pulsavam descontroladamente ao ver a cena ao chegar a casa após o colégio, ainda com o uniforme lutara contra o monstro, com os pulsos cerrados e alguns objetos próximos que os usara como armas matara a criatura e nenhuma gota de sangue pingara, apenas pó, foi no que se converteu.

Acordava com os olhos ardendo, os quais sem uma lágrima sequer. Quieto, frio e rude, um típico filho de Ares. Entretanto não me gabava como a maioria, só estava determinado a chegar ao acampamento do outro lado do Reino Unido para própria proteção, não podia ser pego como a maioria dos semideuses que se aventuravam em viver normalmente, até porque muitos não sabiam o verdadeiro lugar que pertenciam.

Ares por sua vez havia me contado tudo que eu precisava saber enquanto o sangue da mãe ainda pingava quente na lajota do beco, seu rosto aparecera no fluído e sua voz soara em meus ouvidos: ― Você não foi capaz de proteger sua mãe, provavelmente não vai ser capaz de proteger a si mesmo, mas seu lugar o sangue vai mostrar ― a face de meu pai no líquido vermelho deu lugar a um mapa onde um ponto brilhante indicava a Escócia, o lugar para onde devia ir. Ele parecia bravo, mas era melhor ter um pai nessas condições do que não ter um, como era até então.

Na poça observava meu próprio reflexo, com os olhos escuros, os cabelos claros em um tom de castanho, algumas feridas da batalha contra o monstro, a qual havia utilizado uma tampa de lixeiro como escudo e uma barra de ferro como arma.

O cheiro dos pães não eram mais suficientes para esconder um filho de Ares, cujo suor exalava a ira e a medida que crescia o cheiro se tornava ainda mais intenso.

Cally me olhava seria, ainda não conseguia acreditar que minha amiga cadeirante do colégio não era bem uma pessoa. Ca não tinha pernas humanas, ela era uma sátiro, aquela criatura que se ouve falar nas aulas de história e filosofia. Além do mais agora conseguia entender porque ela me convencia a ir para as aulas sobre mitologia grega e latim, ela era boa em me convencer, e agora estava sendo boa em me guiar.

Puxava a mochila que estava um pouco afastada, carregava uma lanterna, uma garrafa d’água, alguns biscoitos, uns salgadinhos, algumas pilhas reserva, um mapa, um canivete, alguns itens de primeiros socorros, entre outras coisas. Carregava também um par de adagas no cós da calça, havia ganhado de Cally, pois sabia manusear armas muito melhor que a mesma. Ainda segundo ela a tendência era melhorar ainda mais quanto à perícia de armas, de qualquer tipo, já que os filhos de Ares eram muitos habilidosos com todos os tipos delas.

Os ossos ainda ardiam da luta com a harpia de alguns dias atrás, havia ficado no chão do beco com o corpo quase todo sujo de sangue até o momento em que a sátiro chegara para me tirar de lá e agora era procurado por assassinar a própria mãe. Ao menos estava seguro longe de qualquer cidade, havia pegado um metrô com o dinheiro que tinha e no exato momento tinha os bolsos vazios no meio de uma floresta que Cally dizia conhecer muito bem.

Fazia frio, a fogueira estava acessa, a lua estava no alto do céu, eram aproximadamente duas horas da manhã e já havia me cansado de dormir, falava com a voz calma, de timbre grosso e totalmente audível: ― Cally, durma um pouco! ― avisava para que ela descansasse já que ainda não havia feito, observava ela consentir com a cabeça e se encostar em uma árvore.

Uma hora se passara após a criatura ter dormido, o silêncio mortal da floresta era cortado por um grito de uma garota, não estava muito longe e ela parecia extremamente apavorada.

Cally encostada na árvore, abria os olhos e simultaneamente também os lábios chamando com a voz baixa: ― Theo? ― ela me analisava percebendo que estava tudo bem comigo, no entanto eu já me encontrava de pé, com a mochila em um ombro e prestes a correr ao encontro dos berros.

― Não podemos ir lá! Pode ser uma armadilha... Pode ser mais um monstro que veio atrás de você!

― Pode ser um semideus assim como eu ou simplesmente alguém precisando de ajuda, alguém como minha mãe...― não deixava a conversa continuar, os gritos aumentavam a medida que eu começava a andar apressadamente em direção a eles, ela me seguia entre as árvores e ambos já estávamos correndo após atravessar alguns arbustos em frente ao nosso acampamento improvisado. Tudo transcorria tudo rapidamente, como se os instintos falassem mais alto que a razão, era exatamente isso que estava acontecendo.

Os gritos eram de apavoro, medo ou até mesmo dor, vinham certamente de uma garota, porém tudo aquilo podia não passar de uma emboscada de uma criatura mitológica cruel.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.