Cumplicidade Amorosa
14 Teus Olhos Verdes
Notas iniciais
POV´s Joaquim
Confuso
Isabela está em meus braços, é uma situação boa, aconchegante.
Seus lábios vermelhos sangue estão próximos dos meus, até demais!
Me aproximo ainda mais, ouço seu coração martelar contra o peito e o calor da sua respiração
“Joaquim sua namorada. Não se esqueça da Manuela”- minha consciência alerta.
Eu ia me afastar da Isabela, isso não é justo com a Manu, porém no mesmo momento recebo um tapa na bochecha.
– Ficou louco garoto? – fito Isabela com chamas em seus olhos – quem você pensa que eu sou para sair me agarrando?
– Quem está louca é você! Eu querendo te agarrar? Sonha.
– Não sou essas piriguetes de esquina que você agarra quando quer – cruza os braços.
– Se você não fosse menina juro que te bateria até o pronto socorro vir, só assim você aprende a não falar besteiras.
– Bate, quero ver se você é homem mesmo, ou é só um...
Não deixo terminar. Essa garota ultrapassou os limites.
A empurro até uma parede próxima, derrubando alguns objetos. Coloco um de meus braços para esquerda e outro na direita, deixando-a completamente encurralada.
Veremos o que ela dirá agora
Encaro ela novamente. Nunca tinha percebido o quão verde eram seus olhos, talvez por conta da raiva que ela está sentindo de mim agora.
– Joaquim, eu vou contar até três para você sair de cima de mim, caso contrario irá se arrepender – diz ameaçadora
– O que vai acontecer? – debocho
– Vou socar seu rosto até ficar irreconhecível
– Duvido
Sem aviso prévio, sinto o punho de Isabela contra minha pele, quebrando um dos meus dentes.
O sangue escorre da minha gengiva, cuspo um dente.
– Louca – digo simplesmente por não conseguir falar
– Eu avisei – sorri cinicamente
Escorrego minhas costas pela parede até encontrar o chão.
Ela havia socado minha mandíbula
Coloco a mão em minha bochecha e sinto a dor aumentar, o sangue não para de jorrar. Que maravilha!
Levanto do chão e fito Anna dormindo em canto.
“Mas uma para fazer minha vida virar de ponta cabeça”
Passo direto por Isabela, nem me dou ao trabalho de cumprimenta-la.
Pego Anna em meus braços com certa dificuldade por conta da minha gengiva que ainda lateja.
– Boa sorte – falo para Isabela antes de ir embora
Ela arqueia a sobrancelha
– Não vai me levar também?
– Que se vire sozinha – minhas palavras saem frias como o Iceberg que afundou o Titanic
Com cuidado, passo Anna para meu ombro direito e sou obrigado a olhar para trás, vejo o olhar de Isabela.
Impenetrável
É como eu o descreveria. Cheio de orgulho e magoa, seu olhar era como uma barreira.
[...]
Ao sair do galpão abandonado ponho minha mão livre no bolso da calça Jeans, tem alguns trocados. Antes um ônibus a andar a pé até o outro lado da cidade com um acriança dormindo em seus braços.
Entro no ônibus e sento ao lado de uma senhora vestida de rosa
– Que linda filha o senhor tem – diz ela sorridente
– Ela não é minha... – a senhora me interrompe
– Qual o nome da pequenina?
– Senhora ela não é minha filha
– E de quem mais seria? Vocês são muito parecidos – ela põe a mão em meu ombro – meu jovem rapaz, não precisa ter vergonha de ter sido pai cedo.
– Mas ela não é...
– Bem, aqui é minha parada. Boa noite rapaz – levanta, mas volta em seguida – ah é muito corajoso da sua parte assumir a criança e não abandonar a mãe como muitos fazem. Adeus!
Isabela
Essa é a única palavra que vem em minha mente quando penso em uma mãe para a Anna. Talvez pela semelhança entre as duas?
“Definitivamente você não está com suas faculdades mentais em perfeito estado”
Bem lá no fundo a Isa é uma boa amiga, mesmo com sua maneira insuportável de ser.
Inclino minha cabeça para o lado e admiro a vista pela pequena janela até que chego ao meu destino.
[...]
Sorte minha que a Júlia e o Felipe foram dormir na casa da Alice hoje. Não faço ideia de como eu explicaria a eles sobre essa garotinha.
Coloco Anna na cama da Júlia e olho para o relógio que marca ‘00h47’.
Deito em minha cama e me aconchego às cobertas. A chuva começa a cair, me deixando com mais sono.
‘Toc, toc, toc’
– Felipe tinha que fazer xixi na cama – sussurro indo até a porta
Me deparo com a pessoa mais inusitada que poderia imaginar
– Isabela?
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