Cumplicidade Amorosa
10 Momentos de Dor +13
Notas iniciais
POV´s Isabela
Escuridão
É tudo que vejo.
A última coisa que lembro é que um homem vestido de segurança tentou me roubar e me machucou. Sai correndo e encontrei o Joaquim, desmaiei em seus braços.
“Como você é burra Isabela!”
Desmaiar nos braços no namoradinho idiota da Manuela. Que ódio.
Agora estou aqui, no meio dessa escuridão. Aquele imbecil do Joaquim deve ter me entregado para a Regina e eu estou novamente nesse porão fedido e imundo.
As luzes se acendem, mas aqui não é o porão. Onde estou?
Percebo que tem mais uma garotinha aqui. Ela está dormindo (ou morta), seus braços estão amarrados a uma cadeira.
Tento mover meus braços, porém também estão presos.
Que maravilha. Sempre presa Isabela!
Um cara entra no local, é o mesmo homem vestido de segurança que me agrediu.
Começo a gritar e tentar me soltar da cadeira, mas é inútil.
– Bem vinda senhorita, não precisa gritar. Será muito bem recepcionada – sorri malicioso
– Você sabe quem eu sou? – grito
– Não. Tenho coisas mais interessantes para descobrir que seu nome – ele se aproxima e eu viro o rosto
Ele acerta minha bochecha, tento não chorar mais as lagrimas caem e escorrem até o local machucando, aumentando mais a ardência.
– É melhor colaborar, estou sendo bondoso.
– Se tocar em mim novamente não vou responder por mim – ameaço
– E o que você pode fazer? Está amarrada.
Sem pensar duas vezes levanto minha perna, acertando o “amiguinho” do idiota, que cai de joelhos gemendo.
– Isso – digo rindo de sua dor
Em um pulo o capanga levanta e agarra meu pescoço com força, de modo que começo a sufocar e tossir.
– Pirralha insolente, irá me pagar – diz com raiva e da um soco em meu olho direito.
Não tenho palavras para expressar a dor que senti nesse momento. Gemo e abaixo a cabeça já sentindo a tontura, sinal que desmaiaria.
Recebo outro soco, desta vez na barriga. Em seguida um no queixo.
– Pensa que vai desmaiar sua vadia? A diversão apenas começou. Você é meu prato principal esta noite, e a menina ali – aponta para a bebe – é a sobremesa.
Engulo o choro e entalo-o na garganta. Após tantos anos de torturas aprendi uma coisa “Não de o prazer ao seu inimigo de vê-la sofrer”.
– Isso é o melhor que pode fazer? – instigo com a boca cheia de sangue
Ele sorri perverso e se afasta, andando pelo local, que mais parece um galpão abandonado.
– Vou deixar para te torturar mais tarde. Agora vamos para parte divertida.
Me arrepio ao perceber que ele começa a tirar a roupa.
O idiota fica apenas de cueca e se aproxima de mim. Não contenho o choro ao perceber suas intenções
– Não chore pequena – acaricia meu rosto – será melhor do que você imagina.
Tento afasta-lo com as pernas, o que faz com que ele as segure.
A garotinha que estava dormindo acorda com meus berros e o “segurança” solta minhas pernas.
– Essa bebezinha é para depois – fala com raiva pegando a garotinha e a jogando dentro de uma porta.
Ele sorri e volta sua atenção para mim
– Onde estávamos?
– Fica longe de mim seu imundo
– Estarei mais perto do que imagina...
POV´s Joaquim
Acordo sentindo alguém segurando as pálpebras dos meus olhos e as puxando.
– Aí – digo ao abrir os olhos
Dou de cara uma menina de cabelo escuro e pele pálida.
– Shiu – ela coloca o dedo indicador na boca – não “faiz” “balhulho”, tem um homem mal ali – aponta para a porta.
Coço a nuca e sento no chão. A garotinha não deve ter mais de três anos. Ela tem vários machucados pelos braços e no rosto
– Quem te machucou?
– O homem mal – responde chorando
– Hey não precisa chorar – me aproximo e ela me abraça
– Eu “quelo” minha mãe
– Onde está sua mãe?
– Num sei – fala chorando mais. Inexplicavelmente sinto vontade de abraçá-la ainda mais.
– Vamos achá-la – digo afagando seu cabelo
– “Pomete (promete)?” – levanta sua cabeça e me encara, com seus grandes olhos pretos.
– Prometo – falo sorrindo de canto
– O homem mal vai mata a menininha – ela diz entre soluços
– Que menininha?
Um flash para realidade me vem à mente
Isabela
– O que ele está fazendo com a menininha?
– Num sei. Ela “tava” “cholando” muito e ele sem roupa. Ele disse que eu “ela (era)” a “soblimesa (sobremesa)” e ela o janta.
Sinto meu coração se contorcer e estralar dentro do peito. A raiva e dor me consomem ao mesmo tempo.
“Ele iria estuprá-la”.
– Qual seu nome? – a garotinha me pergunta
– Joaquim, e você?
– Anna
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