Cumplicidade Amorosa
16 "A Bela e a Fera"
Notas iniciais
POV´s Isabela
Entreabro os olhos, porém minha visão está embaçada.
Sinto que estou em cima de alguma coisa. Fecho novamente os olhos e me aconchego mais a isto.
É quente, macio e musculoso.
Volto a dormir e algo me aperta contra si, me sinto protegida.
– Bonito, nós saímos por uma noite e o pegador já está dormindo com alguém – ouço uma voz feminina gritar.
– Joaquim eu vou contar para Manuela – diz outra voz, dessa vez masculina...
Eu conheço essas vozes de algum lugar... Joaquim? Ahã?
Abro os olhos e me deparo com Júlia e Felipe, nossa eles mudaram da água para o vinho, acho que a Júlia fez uma ótima dieta, estava mesmo precisando.
Olho para o lugar onde estou: O apartamento dos Vaz. Quem diria que eu estaria aqui novamente.
Só agora me dou conta de onde estou deitada,
Que lindo,
Isabela Junqueira deitada no colo de Joaquim Vaz.
– O que você fez imbecil – grito acordando Joaquim
– O dia mal começou e você já está gritando, da um tempo Isabela – responde sonolento.
– Seu idiota, tá achando que eu sou sua namoradinha para sair me agarrando.
– Isabela? – Júlia pergunta com uma interrogação no rosto – o que você faz aqui?
– Também queria saber – digo sarcástica
– Joaquim é tão bom que tá pegando as duas irmãs gêmeas – Felipe fala piscando para o idiota.
Não é só a Júlia que mudou...
– Para de besteira Felipe. A Isabela está aqui porque fugiu da mansão e não tinha onde ficar.
– E o melhor lugar era no seu colo não é? – diz Júlia irônica
Quem esse idiota pensa que é para sair me agarrando? Eu sou Isabela Junqueira, e não a vadiazinha da Manuela.
Não penso duas vezes e dou um tapa em sua bochecha
Ele me encara com ódio.
Quem mandou se meter comigo. Agora que suporte as consequências!
Levanto do colo de Joaquim e percebo que existe um garotinha dormindo ao seu lado.
– Quem é ela? – pergunto apontando para a pirralha
– Anna, a menina que me obrigou a sair no meio da madrugada para ir te procurar – ele responde ainda com a mão no rosto.
– Por que ela faria isso?
– Pelo simples fato que ela te admira, não sei o porquê.
– Porque ela tem bom gosto – respondo me aproximando da menina – ei acorda
– Bom dia – ela acorda bocejando – oi Bela – sorri para mim
Não sei o porquê, mas gostei dessa tal Anna.
Sorrio de volta para ela.
Em um pulo ela sai do sofá e agarra meu pescoço
– Menos, bem menos. Não gosto de abraços pirralha.
– Nunca na vida me chame de Pirralha, Isabelinha – fala com sarcasmo.
– Noticias de ultima hora, foi encontrado recentemente o clone de Isabela Junqueira em sua miniatura – Felipe faz graça.
Eu e Anna lançamos um olhar mortal para o pirralho.
– Anna Agnes é produto original
– Pelo menos a pirralha tem atitude – falo analisando a garota dos pés a cabeça.
Tirando o casaco cafona, até que ela tem estilo.
Júlia vai até a cozinha, se serve um copo d´agua, e comenta;
– O papo está bom, mas infelizmente eu não sou como as duas que não tem o que fazer e veem acampar na casa dos outros.
– Sempre tão delicada Julinha. Temos sorte de ter a reencarnação de Afrodite em nosso humilde apartamento
– Vocês deveriam ser como o Felipe – digo caminhando pela sala
– Estúpidos e mulherengos? – ironiza Joaquim
“Até parece que esse graveto namora alguém”
– Até que ele é bonitinho. – Anna comenta enquanto tira o casaco horroroso
Não é que a Pirralha tem bom gosto?
[N/A: sobre a roupa por baixo do casaco, não pelo Felipe, rs]

– Esquece garota, o Felipe só tem olhos para a Lolinha – Joaquim bagunça o cabelo da menina – e você é muito nova também.
Felipe corou instantaneamente
– Virou meu pai? Eu já sou quase adolescente, tenho dois anos e dez meses.
Que saco, esse povinho só sabe falar sobre assuntos sem importância!
Saio da sala e vou em direção aos quartos. Tudo está tão diferente desde a última vez que estive aqui.
Ao menos não tem uma decoração tão de pobre assim, não que seja um luxo, mas digamos que dar para o gasto.
Ainda não entendo como vim parar aqui, e principal, como dormi no colo do imprestável do Joaquim... E ainda com a tal Anna ao lado
Anna
Essa garotinha tem algo que me extinga. Sua maneira de falar e se vestir, seu rosto... É como se eu já tivesse visto tudo àquilo antes...
– Não seja boba Isabela, como você poderia ter conhecido essa menina antes? – murmuro
– Também quero saber.
E só agora percebo que não estou sozinha.
– Espiar pela porta não é nada educado Joaquim
– Não quando se trata do meu quarto. Por que saiu da sala do nada?
“Porque não aguentava mais o papinho de gente pobre” – respondo mentalmente
– Por nada, só queria um tempo para esfriar a cabeça. – respondo calma
– Olha Bela, foi mal por ter feito você dormir no meu colo, eu estava tão cansado que acabei desabando no sofá – justifica coçando a nuca
– Bela? – pergunto rindo
Percebo que ele ficou mais vermelho que um pimentão
– Eh... Foi o apelido que a Anna te deu, desculpa acho que acabei memorizando de tanto ela falar.
– Tudo bem, a garota tem bom gosto – digo encarando as paredes.
– Pois é, ela está lá na sala contando a historia da Bela e a Fera, segundo Anna eu sou a Fera e você a Bela.
– Isso é muito estupido, até para uma criança
– Mas... Você me desculpa pelo lance do sofá?
– Portanto que não se repita.
Ouço passos atrás de mim, em seguida uma respiração quente no meu pescoço. Sinto todos os pelos do meu corpo se arrepiarem com o simples gesto.
Joaquim fica atrás de mim e sussurra em meu ouvido,
“Não vou, a menos que me peça para dormir novamente com você”
– Pode sentar e esperar, porque isso jamais ira se repetir – falo tentando não demonstrar emoção
– Diz isto agora, mas estava bem aconchegante no meu pescoço não?
– Claro que não! Isso não ira se repetir seu imbecil – falo com raiva
– Veremos, até mais Bela – ele beija minha bochecha lentamente e depois sai.
Meu corpo ainda está arrepiado com seu toque. Meu cérebro e minha mente não respondem.
Estou simplesmente em choque, paralisada.
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