Culpa de Estimação
1 Culpa de Estimação
Notas iniciais
Haverá "flashbacks" e serão devidamente destacados, não se preocupem.
Eram três horas da madrugada e uma criatura pequena, com os braços, dedos e pescoço tatuado, respirava profundamente com total calma, mal sabia que o seu sono estava sendo velado pelo seu amado, que agora lhe servia de “colchão”. Robert passava a mão delicadamente nos cabelos suados de Iero, enroscava os fios em seus dedos e os soltava lentamente, a outra mão estava descansada nas costas de seu pequeno. Ele não conseguia dormir, não quando se tem milhões de pensamentos martelando a sua mente incansavelmente, e o motivo de todos estava aconchegado tão perfeitamente em seu corpo, como se tivessem sido moldados, exclusivamente, um para o outro.
Seus olhos azuis percorriam cada centímetro de Frank, memorizando mais uma vez todos os traços, desenhos, curvas, inclusive as pequenas cicatrizes de arranhões causadas por ele mesmo e isso só piorava tudo. Como ele podia ser tão amável até dormindo? Como ele conseguia estar em um sono calmo e profundo nos braços de alguém que só...? O menor se moveu um pouco, dando um sorriso tímido, devia estar sonhando com algo bom, e McCracken desejou estar no sonho, mas isso era só um sonho, e não! Ele não podia estar sonhando com o Bert, afinal de contas, ele estava sorrindo.
Ponto de Vista: Bert McCracken.
- Ah Frank – suspirou baixinho, sua voz rouca quase não cortava o ar. — Eu não entendo, Iero. Eu juro que não entendo o que você está fazendo deitado em meus braços, tão entregue à mim. Isso... isso não está correto. O que você fez com a sua razão? Hein? Você, mais do que eu, sabe: o teu lugar não é comigo, não é! Porém, você insiste em me amar... você insiste!!!
Flashback:
- Frank, eu tenho que te falar uma coisa – eu mordiscava o canto da boca em nervosismo, peguei nas suas pequenas mãos e olhei dentro dos seus olhos.
— Eu te amo – nós dois falamos juntos e rimos em seguida. E foi ali, naquele contato visual, que eu tive a certeza: o seu coração era meu, e as palavras nem precisavam ser ditas. Nos beijamos delicadamente e ao mesmo tempo com intenso desejo, era sem duvida alguma, o primeiro beijo apaixonado da minha vida.
Fim do Flashback
A verdade é que, eu não sou digno do seu amor, eu faço tudo errado, tudo! Eu já perdi as contas de quantas vezes eu arruinei todo o nosso relacionamento, por eu ser egoísta e pensar só em mim, e nunca pensar em você! Não levando em consideração as conseqüências. E depois da merda feita, eu ainda tinha a cara de pau de vir te pedir perdão, e você me perdoava!
Por Deus! Eu te traí, e desde sempre você deixou claro que isso não tinha justificativa, e de fato não tem, que isso não tinha perdão e mais uma vez eu devo concordar, não tem. Caralho! Ali eu te perdi, ali naquele momento eu senti a terra toda se abrir e me devorar as entranhas sem dó! Centenas de aviões caíram em cima da minha cabeça e deveriam ter caído mil, dois mil, milhares na verdade! Até uma fucking bomba nuclear não seria o suficiente!
Flashback:
- Fala logo, Robert! – sua voz estremecida cortava os meus ouvidos, você sabia! Eu sei que sabia.
— Eu estava confuso, eu não sabia se te amava ainda, mas agora eu sei! Agora eu sei que eu te amo e é só você quem eu quero. – Eu tentava te fazer sentir a sinceridade das minhas palavras, mas eu não conseguia te encarar nos olhos – Eu saí com o Quinn, Frank. E a gente...
Fim do Flashback.
Eu escutei o seu coração se quebrar por inteiro e por mais que você se mantivesse em pé, eu o vi desmoronar na minha frente em menos de um segundo. Eu vi os seus lábios secarem, tentando em vão formar palavras; eu vi a dor em suas lágrimas, e quando olhei em seus olhos, eu vi a sua certeza de que eu lhe faria isso, mas também vi a esperança de ser mentira desaparecer junto com o brilho do seu olhar. Eu me vi sumir dentro de você, e tudo o que eu queria era que você desaparecesse da minha frente, teu semblante me retirava toda a vida existente, porque eu só vivia me vendo refletido em ti. Você era a razão da minha lucidez, e acabara de se tornar o motivo para me embriagar.
Oh, Frank! Eu não sei como você não me matou, eu queria ter me matado! A sua falta de sílabas só me fez aumentar a certeza de que eu havia lhe perdido! Logo você que sempre foi tão tagarela, sempre resolveu todos os problemas que eu causava para a nossa relação com diálogos intermináveis, estava calado, nenhum fonema saiu de seus lábios, nada! Eu fechei meus olhos e deixei uma lágrima escorrer, pus as mãos em meu rosto, eu não queria não me ver em você, eu não queria, mas eu também seria incapaz de te pedir perdão. Eu havia ido longe demais, eu não merecia as suas lágrimas quietas, eu não era digno, ou melhor, eu ainda não sou digno de ser o culpado por estraçalhar o seu coração. Tudo o que eu desejava era que você não sentisse nada, nada, nada, nada! Eu não agüentava te ver naquele estado por culpa minha!
Naquele instante eu rezei por você, acredita? Eu rezei para que você me abandonasse e encontrasse alguém mais cuidadoso contigo, como eu jamais seria capaz. Eu pedi para que eu sumisse e nunca mais ousasse lhe dirigir a palavra, nunca mais ao menos lhe olhasse nos olhos, eu não merecia tal confiança. Seus olhos tão puros, de uma cor amêndoa... no sol ele tem um tom meio esverdeado, sabia? E como eu poderia ser capaz de encará-los agora? Como? Mas assim eu desejava, pela ultima vez eu olharia em seus olhos e mesmo não me vendo refletido mais neles, seria a melhor lembrança que eu poderia ter de você. Então, quando eu retirei as mãos do meu rosto, você não estava mais lá. Você tinha ido embora, e eu me culpei! Eu me culpei por não ter visto você partir! Eu sabia que você fez o certo e prometi para mim mesmo: eu não iria mais te procurar!
Eu joguei a nossa relação no lixo, eu descartei o seu amor por mim, e eu não iria reciclar, eu não era digno para tal tarefa, não mesmo. Muito pelo contrário, eu merecia sofrer calado e com a culpa tão viva em minha mente, quanto às lágrimas que te fiz derramar. Eu fiz o que era o certo, eu sumi da sua vida, e nunca mais te procurei. Todas as noites eu deitava na minha cama em outra tentativa vã de adormecer, quem sabe nos sonhos você estaria em meus braços, huh? Ao menos nos sonhos eu teria o meu pequeno sorrindo para mim outra vez, fazendo piadas e comentários engraçados sobre a vida, e se eu tivesse sorte, eu poderia escutar um “eu te amo”. E esses pensamentos me levaram a enxergar que o certo seria eu não dormir. Eu deveria ficar acordado, sentindo o seu cheiro em meus lençóis e me lembrar repetidamente de como eu era um nada sem você. E durante dias foi isso o que aconteceu, eu não dormia, eu não me permitia dormir e quando o cansaço batia em mim, eu desmaiava e acordava muitas horas depois, não tendo nenhuma lembrança de ter sonhado.
Era estranho dormir e não sonhar contigo, mas seria assim daqui pra frente e eu me esforçaria ao máximo para controlar os sonhos, e de fato, eu estava tendo sucesso.
Eu me odeio por depois de um mês não ter conseguido me vencer e ter começado a te seguir. Eu ia a todos os lugares que te encontraria, conhecendo você, eu sabia “de cara” aonde deveria ir. E uma vez freqüentando os mesmos estabelecimentos que você, eu me tornei um camaleão, me camuflando para não ser visto. Me senti um rato por inúmeras vezes por ser obrigado a me esconder. Estava errado você me ver, mas eu precisava te admirar, eu necessitava saber se você estava sorrindo, se tinha encontrado alguém! Se caso eu fizesse perguntas aos seus amigos, aqueles bocas-de-sacatrapo, lhe contariam! E eu não queria te fazer escutar o meu nome.
E foi assim, dessa forma que eu terminei de me matar.
Flashback:
- ... aí eu disse pra ele “Ou você veste essa calça de couro, ou eu te bato com o chicote” – Gerard se divertia contando as suas aventuras sexuais – então é claro que ele não vestiu a calça de couro! – Todos na mesa caíram na gargalhada! E até você por um momento! Mas o seu olhar era sempre vazio e distante, onde estava aquele brilho? Para onde tinha ido a alegria de seus olhos? E caralho, o seu sorriso! Iero, o seu sorriso havia desaparecido por completo, você ria, mas não sinceramente, aquele traço que se formava incrivelmente perfeito ao redor da sua boca, se tornou explicitamente falso!
— Frank Anthony Iero Junior da Silva Sauro! – Gerard passou uma mão na frente do seu rosto, tentando lhe chamar a atenção, e o tom de sua voz era um pouco autoritário, com certeza não era a primeira vez que ele fazia esse gesto naquela noite.
— Hey, me desculpe – você deu um sorriso de canto e tentou usar o seu tom mais brincalhão possível, mas não obteve muito sucesso. Gerard apenas balançou a cabeça e lhe deu um beijo na testa, acariciou por míseros segundos o seu cabelo e perguntou se você queria ir embora, você apenas balançou a cabeça negativamente e prometeu que prestaria mais atenção na conversa, após jurar que estava bem. Mas todos viam que você não estava.
Fim do Flashback.
Por inúmeras vezes te chamavam a atenção, por estar tão indiferente a conversa que chegava a “dar nos nervos”. Você sempre fora tão atencioso! E agora só escutava, mas não ouvia, entende? As informações iam até você e faziam o caminho de volta. WTF? Eu estava ansioso para ouvir a sua voz, mas você não falava nada, e as poucas vezes que fazia eram todas sussurros monossilábicos. Onde estava o meu tagarela? Erm, desculpe, onde estava o Frank tagarela? Havia desaparecido, juntamente com a sinceridade das suas expressões. E isso me doía, me perfurava por dentro, me triturava, me cortava, me fodia por inteiro, porra!
Depois de semanas nessa rotina, eu fui parando de ir atrás de você, a tortura a qual eu me obrigava estava sendo indescritível, e eu nunca pensei que seria capaz de sentir tanta dor sem estar morto.
Então eu chorei! Eu chorei por noites, dias, semanas! Eu chorei o que eu nunca havia chorado em todos esses anos de vida. E cada vez que eu chorava, mais vontade de chorar eu tinha! E um punhal nunca me pareceu tão convidativo, porque qualquer dor seria menor do que a qual eu sentia. Qualquer coisa seria melhor do que ser o motivo de toda a sua falta de ‘vida’. Aí eu decidi me jogar na sarjeta, e nada melhor do que o bar mais próximo. Se não fosse a minha tão comum freqüência a aquele lugar, eu teria certeza absoluta que não me deixariam passar da porta, eu parecia um mendigo. Alias, estou mentindo, pois um mendigo estaria melhor do que eu, tenho a mais absoluta certeza.
Flashback:
- Resolveu se arrumar hoje, Robert? – Dan dizia em um tom irônico vindo na minha direção. – Pelo amor, há quantos dias você não troca essa roupa e não faz a barba? Você parece um bárbaro! A diferença é que não estamos mais na idade média, Robert. Acho que esqueceram de lhe informar esse fato.
— Há há há! Muito engraçado, Whitesides. Todo o dia fazendo a mesma piada antes de ser o meu garçom amado. – Eu me sentei no banco à frente do balcão, e passei a mão pelo meu cabelo seboso e cocei minimamente o meu couro cabeludo. “Piolhos! Definitivamente eu estou na merda!”
— É, quem sabe um dia você resolve cuidar de si mesmo e o seu garçom amado aqui não precise mais fazer tal piada rotineira. – Dan me encarou por uns segundos e antes de virar as costas para ir buscar a minha bebida diária, se inclinou sobre o balcão e me disse baixinho – ao menos tire os piolhos do cabelo, dá pra ver as lêndeas de longe.
Fim do Flashback.
E exatamente neste estado, quando eu pedia a primeira de muitas cervejas você se sentou ao meu lado no bar e me olhou em silêncio por horas que não passaram de 10 segundos na realidade. Eu fiquei imóvel e encarei a sua boca, você estava mordendo o canto de seu lábio inferior, denunciando o seu nervosismo, e então você me dizia algo e eu não estava escutando!
Eu fechei os meus olhos e balancei a minha cabeça, aquilo era um sonho, com certeza eu estava sonhando. E porra! Eu não podia ter dormido no balcão do bar outra vez, e eu não podia sonhar com você, você era território proibido para a minha mente. Aí eu senti a sua mão encostar em meu ombro e apertá-lo fracamente e todas as ondas de sensações prazerosas invadiram o meu corpo, a energia me preenchia por inteiro, me fazendo voltar a viver e deixar de “zumbizar”, eu desaprendi a respirar e então tudo parou, e o vazio me dominou outra vez. Você havia retirado a sua mão do meu maldito ombro! Você tirou a ‘hallo’ de mim! E tirou de mim todo o fiapo de sub-vida que me restava.
Lutando contra mim mesmo eu abri os meus olhos e te admirei, e acabei sendo aquecido por dentro quando me vi refletido em sua íris. E seguindo o meu instinto, eu me joguei em seus braços, mesmo relutante você me abraçou de volta, e tudo o que eu havia sentido voltou mil vezes mais fortes, e respirar era uma tarefa impossível, eu só conseguia derramar mais lágrimas e mais lágrimas, molhando todo o seu pescoço agora livre de minhas marcas, tão companheiras de seu escorpião. Você me apertou com força contra o seu corpo, e eu pude sentir o seu coração timidamente se acelerar, e eu não dei a mínima! Pois eu estava nos seus braços, eu havia voltado a viver e pronto! E olha só que merda, meu amor: eu estava sendo egoísta outra vez.
Você não me perdoou, e eu também não pedi perdão, mas você deixou que eu vivesse novamente. Frank, você me deixou te amar, e eu queria acreditar que estava sendo amado de volta. Porque em algum lugar aí dentro, ainda restava um pouco de McCracken. Lentamente nós voltamos a ser um casal, o seu sorriso sincero havia retornado, assim como o brilho dos seus olhos. Porém, no fundo eu não queria isso, porque eu sei que mais cedo ou mais tarde irei errar outra vez e dessa vez não terá volta.
Até que em uma noite, exatamente igual a essa, você estava deitado em meus braços, e eu te observava a dormir, memorizando outra vez quantos traços finos haviam em seu lábio inferior, e eu me dei conta de que eu não preciso mais erra para fazer você me perder. Eu nunca serei bom o bastante para você! Mas eu posso, ao menos, me esforçar para quem sabe, um dia, em todo o caso, talvez eu chegue lá. Eu sei que eu sou todo errado e existem mais de mil motivos para eu não te merecer, mas eu sou o errado que você quer. Infelizmente eu sou o filho da puta que você ama! E eu lutei tanto contra isso, Iero, tanto! Mas mais uma vez eu não consegui e fraquejei nisso também. Eu sou um fraco, eu sou um idiota, eu sou um merda, eu sou o Robert Edward McCracken, e o que eu posso fazer? E foi justamente com essa pergunta que eu obtive todas as respostas precisas.
Porra! Eu sou o Robert Edward McCracken, o amor da vida do Frank Anthony Thomas Iero Jr. Amém, Senhor. E como tal eu darei o melhor de mim para merecer o cargo. Olha só pra você, todo pequenino e lindo, o seu cabelo tem cheiro de amêndoa, assim como a cor dos seus olhos, que sempre lembrando: ficam com um tom esverdeado no sol. A sua boca tem um gosto adocicado de chocolate, o que é o motivo de, às vezes, eu ser tão bruto e tentar te devorar com a minha própria, quase te sufocando com a minha língua. O seu rosto tem traços tão perfeitos e delicados que eu fico me perguntando se você realmente é um ser humano normal e não um anjo, e mesmo sendo coberto de tatuagens dessa forma, ainda continua tendo um ar inocente, quase infantil. E eu realmente não consigo entender como pode ser possível.
Ponto de Vista: 3ª pessoa.
- E caralho! Todo o seu corpo... Iero, você tem as curvas perfeitas para o meu encaixe, desde as suas mãos até, hm... você sabe. E além de tudo é só você que me faz se sentir a coisa mais importante do mundo, porque é o que eu sou pra você: a coisa mais importante do seu mundo. E assim você é para mim também! Eu demorei muito tempo para perceber que nada, nem ninguém mais importam desde que eu tenha você ao meu lado, cuidando de mim e me deixando cuidar de você. Porra, você me fez ver que o amor é importante e eu sinto tanto amor por você e chega a doer aqui dentro, sabe? Mas é uma dor prazerosa, daqueles que se quer sempre mais e mais, e nunca se terá o suficiente. O que eu sinto por você só cresce a cada milésimo de segundo, me deixando por diversas vezes atordoado, mais do que eu já sou, reflita, Frank! A verdade é que todo esse tempo ao invés de tentar te merecer, eu tentei fazer você me perder, e isso nunca mais vai tornar a acontecer. E eu preciso lhe dizer isso! Eu só não sei como. Mas você tem que saber! Você tem! Porque eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, e... – Calou-se abruptamente ao sentir Frank mover-se em cima do seu corpo. Robert percebeu que havia se perdido no tom das palavras e estava quase gritando.
- Bê... – a voz sonolenta de Iero invadiu os ouvidos de McCracken que apenas murmurou em resposta – você disse alguma coisa? – o menor se ajeitou no corpo do outro, encaixando o seu rosto no vão do pescoço de Bert, respirava pesadamente contra o mesmo, como se quisesse sentir ao máximo o cheiro do outro. Robert passou os seus braços ao redor de Iero, e o apertou minimamente contra si, deu um beijo no topo da cabeça do menor e sussurrou baixinho em seu ouvido:
- Não, sweet. Eu acho que você só estava sonhando – o outro balbuciou algumas palavras desconexas e voltou a dormir, se agarrando em McCracken como se sua vida dependesse daquele contato. E Robert acabou adormecendo sem demora tendo o seu pequeno tão aconchegado em seu corpo, ele não precisava de mais nada.
Ao amanhecer o despertador tocou alto e de modo incessante, fazendo ambos reclamarem e soltarem os primeiros palavrões do dia, os dois riram em seguida. E com um selinho demorado, eles se desgrudaram, Iero sentou na cama de frente para Robert e mordiscou o canto da sua boca, olhava atentamente dentro dos olhos azuis e agora um pouco vermelhos de sono, do outro.
- O que foi? – McCracken disse ficando sem jeito, passou a mão pelo seu cabelo, agora bem tratado e livre dos piolhos. Realmente ele era outra pessoa quando estava com Frank. E se não fosse a barba que continuava “por fazer” a pedido do menor: “você fica mais sexy com essa barba combinando com o seu olhar de maníaco, dá vontade de foder com você a qualquer hora do dia”. Qualquer um juraria que o Bert não era o mendigo de três meses atrás.
- Tem alguma coisa pra me dizer? – O menor praticamente sussurrou as palavras e voltou a mordiscar o canto de sua boca.
- Hm... não necessariamente. – Robert sentou-se na cama, rapidamente passou os seus braços ao redor do corpo do menor e o trouxe para si, roçou os lábios demoradamente nos do outro e disse baixinho entre eles – bom dia, meu pequeno.
Frank sorriu minimamente e após um pequeno beijo rápido, se desvencilhou dos braços do maior e levantou-se da cama, se dirigindo ao banheiro com certa pressa, mas sem antes responder:
- Bom dia pra você também, sugar. — e foi tomar banho. Trancou a porta do banheiro e como já estava nu, apenas entrou no box e abriu o registro, deixou um gemido baixinho escapar dos seus lábios ao sentir a água quente tocar a sua pele de forma delicada, logo se perdendo em seus pensamentos confusos:
“Faz três meses que eu e o Robert voltamos, e até agora ele não fez nada que acabe com a nossa relação! Ele está quieto demais, está diferente... Tem sido tão carinhoso e atencioso comigo a cada dia que passa. Talvez tenham razão, ele só está quieto porque vai aprontar alguma coisa que não tenha mais volta, uma coisa que me destroce ainda mais do que todas as outras inúmeras vezes! O Bert sempre se supera! Quando eu acho que não tem como ele me machucar ainda mais, ele me prova que eu estava completamente errado, e a dor sentida anteriormente não era nada se comparada a nova dor que ele me faz sentir.
E o pior de tudo isso, é que ele insiste em dizer me amar! Eu não entendo esse amor que só causa lágrimas e machuca o ser amado. Eu não entendo! Mas quando eu olho dentro dos seus olhos, eu vejo que tem sinceridade em suas palavras... E então os fatos não condizem com os fonemas. Só que dessa vez não! Agora basta! Eu não vou mais deixar ele me despedaçar, não de novo! Eu não agüento mais! Eu vou por um fim nisso.”
Frank saiu do banho e encontrou Robert ainda deitado, apressadamente ele se arrumou e sentou-se na ponta da cama, mordiscou com força o canto de sua boca. Nervosismo, maldito nervosismo! E o outro lhe olhou com confusão:
- O que foi, Frank? – Já havia sentado na cama também e sentiu o corpo todo estremecer quando notou uma gota de sangue no canto do lábio inferior de Iero e as palavras cortaram o ar:
- A gente precisa conversar...
The End.
Notas finais
Muito obrigada a quem ler e comentar. E para quem não comentar, obrigada também.
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