Notas iniciais
Espero que curtam!

O barulho da mata que cercava o colégio era uma música aconchegante para os seus ouvidos. Encontrava-se sentado ao lado de uma grande rocha próxima ao campo. O vento batendo em seu rosto era uma sensação gostosa, fazendo-o sorrir levemente.

Ah, como aquilo era bom...

Tão rápido quanto quem quebrou um galho ali perto, virou-se para a origem do barulho. Seus olhos afiados e verde-amarelados procuravam o assassino de sua paz.

— Eu sei que você está aí... Kame.

Um garoto de cabelos lisos e verdes surgiu sobre a pedra.

— Ah, Washi! Desculpe, vim trazer essa bola de volta. — Mostrou o objeto em suas mãos. — Sei que quer paz, mas...

O moreno de gorro encarou o menino camaleão, que se calou, apenas balançou a cabeça e completou seu objetivo, indo embora tão rápido quanto se escondeu.

O time encontrava-se bastante instável com o acidente da semana anterior, uma coisa boba que acabou em um problema. Seu humor não estava dos melhores por conta disso.

Suspirou.

Encarou o céu límpido, o azul tão belo, havia tão poucas nuvens. Sem sinal de chuva. Voltou seu olhar para o caminho da entrada, como se esperasse alguém, quase implorando internamente. Contudo, sabia que isso não ocorreria. A culpa tinha sido dele e Seiji sabia, como estava se odiando aqueles dias.

Levantou e bateu seu uniforme, retirando qualquer tipo de sujeira a qual poderia ter ficado. Olhou mais uma vez para o portão e dirigiu-se para o prédio das salas, as aulas iam começar.

[...]

As aulas passavam se arrastando. A cada troca de matéria, parecia que um pedaço de si ia morrendo pouco a pouco. A cada troca de matéria, era mais um suspiro naquele dia. A mesa a sua frente vazia não lhe ajudava em nada.

Arg!

A janela parecia tão convidativa para sair dali e acabar logo com aquilo...

Apertou o lápis entre seus dedos com força quase o suficiente para parti-lo, mas uma mão em seu ombro o interrompeu.

— Calma... — sussurrou Kame.

Escutou-o levantar.

— Professor, o Oowashi não está se sentindo bem! Vou levá-lo à enfermaria!

O garoto de cabelos verdes passou o braço por seu pescoço, como um apoio, consequentemente teve de levantar. Encarou o chão para ajudar o amigo na mentira.

— Vão logo! Muito bem, Kame! — exclamou o professor.

Saíram da sala e se soltou de Reon. Agradeceu e correu para a saída do prédio. Subiu em uma árvore e pulou para fora da área do colégio. Rumou o mais rápido possível para o seu objetivo.

Corria depressa pelas ruas da cidade, quase caindo a cada esquina dobrada. As pessoas, as casas, os animais, tudo não passava de um borrão aos seus olhos. As batidas de seu coração já estavam audíveis em sua cabeça.

Parou de supetão ao chegar no início da rua de seu destino. Sua respiração estava desregulada pelo esforço e adrenalina. De repente, começou a suar frio. E se ele não quisesse vê-lo? Aquela possibilidade era aterrorizante.

Agarrou levemente o tecido de seu gorro, como se dali fosse restaurar sua força para voltar a se mexer. Respirou fundo e tentou acalmar sua mente e coração.

“Vai dar tudo certo!” pensou com convicção.

Mesmo com a ideia positiva, sentia suas mãos tremerem, mesmo segurando seu bem mais precioso.

Deu um passo...

Deu outro...

Mais um...

E mais outro...

Assim foi até chegar em frente à casa do seu alvo. Engoliu no seco e tocou a campainha. A culpa pareceu pesar ainda mais com aquele pequeno ato, estava ali por impulso, mal sabia o que ia dizer.

O barulho de passos vindo da casa era torturante. A porta foi finalmente aberta e, de lá, apareceu um rapaz de cabelos loiros desgrenhados com pequenas mechas castanhas, seu rosto demonstrava cansaço. Gelou.

— Ah, Seiji. Aconteceu alguma coisa?

Negou com a cabeça e continuou encarando-o.

— Tsc, Entra. — Sinalizou com a cabeça.

Obedeceu a ordem e segui-o. Já estava bem acostumado com o local, então mal prestou atenção. Pararam próximo à escada.

— Você prefere ir para o meu quarto ou ficar na sala?

Deu de ombros.

Calados, subiram para o segundo andar e entraram no quarto de Chiita. Ele não era grande, tampouco pequeno, mas de um tamanho bom o suficiente para caber um guarda-roupa de madeira, uma cama de solteiro de lençóis claros, uma pequena televisão com um videogame. Suizenji pegou um dos controles próximo ao console e o entregou para Washi.

— Não era para você estar na aula?

Permaneceu calado quanto ao assunto e o amigo decidiu não insistir. Pegando o outro controle que estava sobre a cama e começaram a jogar.

Passada algumas partidas, passaram a conversar:

— Você está se sentindo culpado por aquilo, não é?

— ...

— Já disse que você não precisa se culpar, Seiji.

— Mas você passou mal! Claro que eu tive culpa!

— Não teve! Não foi por causa daqueles doces que eu passei mal, foi o meu jantar da noite anterior.

— Mentiroso!

— Olha, Sei...!

— Não! Você não imagina como eu estou me sentindo! Como eu me senti em ver você daquele jeito?!

— Cal...!

— Não me peça para ter calma, Chiita! Como você se sentiria vendo a pessoa que mais ama passar mal e depois desmaiar após comer algo que você deu?!

Agora foi a vez do loiro ficar calado.

— Nunca vou me perd...!

Assustou-se ao ter o seu gorro puxado para baixo, impedindo a sua visão. Lutou por alguns instantes para conseguir ver novamente, mas o loiro ainda continuava com as mãos no tecido.

— Droga, Chiita, por que fez isso?

— Para você calar a boca. — riu. — Agora, por ter sido um bom garoto, um pequeno... agrado. — Sorriu.

Piscou confuso e foi surpreendido por um beijo, o qual fora meio desengonçado por conta da inexperiência de ambos. Após aquilo, passaram alguns segundos para voltarem a falar.

— Er... Você fugiu da aula? — Mudou de assunto.

— Sim... — Seiji olhava para o lado oposto.

— Se descobrirem, será detenção.

— Eu sei...

— Mas acho que valeu a pena, não é?

O garoto águia sentiu seu rosto esquentar ainda mais quando seus dedos foram entrelaçados pelo outro.

— Sim...

Notas finais
Curtiram o casal? Qualquer erro me avisem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!