Culpa

1 Capítulo 1


"Mat?" Carol grita, no meio da imensa escuridão. Ela tosse. "Matheus, cadê você?" Carol grita mais uma vez, já sem forças. Suas lágrimas eram muitas, mas nunca seria capaz de apagar um incêndio.

A visão de Carol começa a ficar embaçada, começa a girar. Ela se esforça muito para respirar, e grita pelo seu irmão, Matheus.

"Matheus!" Carol não aguenta, e cai de joelho.Começa a chorar, a tossir. Ela ouve um barulho de madeira se rachando e caindo. Um pedaço de sua estante de livros cai bem ao seu lado.

"Carol...!" Era Matheus! Carol sentiu um alívio enorme, ela correu até a porta, desviando de sua estante e sua cadeira em chamas. Ele estava lá, tossindo e chorando. Havia um enorme machucado em sua perna.

"O que é isso?" Carol quase grita, ela estava assustada com o que estava acontecendo. Não é todo dia que a sua casa pega fogo. "Alguma coisa caiu na minha perna, tá doendo muito, Carol."

Mesmo com toda a fumaça, Carol conseguiu enxergar o estrago que havia na perna dele. Estava exposta, em carne viva. As veias estavam pulando para fora. Seus ossos estavam levemente pretos, assim como a sua cara, seus braços e suas roupas.

Maior que o estrago em sua perna, era a dor. A dor que Matheus sentia, era como se quebrassem os seus ossos ao meio, com as própias mãos. Como se a sua perna fosse derretendo, junto as chamas que o cercava.

Carol e Matheus foram até as escadas em chamas. Os dois estavam cercados, sufocados. Carol tira o seu casaco e dá ao seu irmão. Ele o coloca sobre seu nariz e sua boca.

Os dois ouvem ao longe um barulho de sirenes. Alívio.

"A gente tem que escapar, vem!" Carol segura a mão de Matheus. Ela aperta bem forte. Fazia tempo que eles não estavam assim, unidos. Esqueceram as brigas, as discussões. Carol esqueceu de como era tão chato ter um irmão mais novo te enchendo. Matheus esqueceu de como era estranho o mundo das garotas mais velhas. Namoro, amigas, festas. Os dois estava unidos, e precisavam um do outro.

Carol o leva para a janela mais próxima. Eles tem que pular. Pular ou morrer, não há muitas escolhas. "Mat, eu te amo, tá? Você pula primeiro, eu vou depois. Vocêvai se machucar um pouco, mas a nossa cas é baixa."

Ela dá um beijo na testa do irmão, e ele pula. Não se ouve um barulho. Ótimo, eles devia tê-lo pego.

Carol se prepara para pular, tomando coragem, Se sente culpada. Olha para o lado, sua cortina está em chamas.

Os olhos não aguentaram, as pernas estavam bambas, os pulmões enfraquecidos. Ela não conseguiria pular. Está fraca, acabada.

Ela cai. Não aguenta.

As chamas vão consumindo-a lentamente, tornando-se parte dela. Acarne começa a ficar exposta. Sua pele fica vermelha, cheia de sangue. Tudo doia em Carol. Seu corpo, sua alma. Ela chora. As chamas estão em sua perna. "Socorro" Ela tenta dizer. Solta um berro. As chamas estão em seus braços. Precisava acabar com aquilo. Precisava morrer, não aguentaria mais aquela sensação.

Com um simples movimento, morreria em chamas. E decidiu. Era a hora. Ela rolou o seu corpo para a direita. Agora, estava totalmente em chamas. Agora, nunca mais se arrependeria do que fez. E foi se ardendo aos poucos.

Quem diria que um simples cigarrinho causaria tudo isso?

Notas finais
Olá, eu sou a Thaïs, e essa foi um dos textos que eu fiz.
Aceito qualquer tipo de crítica ou opnião, pois eu gosto muito de ouvir o que os outros acham sobre as coisas que eu escrevo.
Bom, é isso, espero que gostem ♥
Essa fic só tem um capítulo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!